Reabilitar a Escola Secundária José Falcão

A Escola Secundária José Falcão, em Coimbra, um dos exemplos maiores da arquitetura modernista em Portugal, carece de uma intervenção urgente no seu edifício. O antigo Liceu de Coimbra, classificado como Monumento de Interesse Público, luta há décadas pela execução de obras, constantemente adiadas.

Como as intervenções de fundo nunca aconteceram, o edifício e os seus equipamentos estão num estado de degradação evidente. Se nada for feito, está em causa o bem-estar e a segurança dos quase 1000 alunos, professores e funcionários, que estudam e trabalham na escola mais antiga e inspiradora da cidade – e uma das mais históricas do país.

Começa assim o texto da petição pública que vos convido a assinar, e com a qual a Associação de Pais pretende levar ao Parlamento a situação preocupante de uma das mais antigas escolas secundárias de Coimbra e do país e que se encontra literalmente a meter água e a cair aos bocados. Com 80 anos de idade, os edifícios da escola precisam de obras profundas que têm vindo a ser sucessivamente adiadas.

Quando a Parque Escolar tomou conta das obras nas escolas secundárias, realizou intervenções profundas em três das escolas secundárias de Coimbra, deixando de fora a José Falcão. Curiosamente, esta escola tem, vindo a melhorar nos últimos anos, apesar das carências ao nível das instalações, tanto ao nível das preferências do número crescente de alunos matriculados, como dos resultados obtidos por estes, tanto na avaliação interna como nos exames nacionais.

Tudo isto é referido e explicado na petição, mas há mais um dado de contexto importante a acrescentar. É daqueles que não aparecem nunca nas estatísticas de DGEEC, mas que se percebem bem dando uma mirada à localização da escola através do GoogleMaps:

jfalcao.jpg

Repare-se na área ocupada pela escola secundária, um extenso quarteirão numa das zonas residenciais mais caras da cidade, próxima da Universidade, dos Hospitais, de zonas de comércio, serviços e diversão nocturna, e calcule-se quanto é que isto valeria, há uns anos atrás, quando os negócios imobiliários estavam em alta.

Os sonhos megalómanos que levaram à criação da Parque Escolar e ao esbanjamento de dinheiro público em projectos faraónicos pressupunham, embora isso nunca tivesse sido claramente assumido e agora possa ser facilmente negado, a venda de algumas escolas, com boas áreas e bem localizadas, para pagar os gastos excessivos noutros estabelecimentos de ensino.

Noutros lados, nem encerramento nem obras, apenas uma escola de segunda ou terceira categoria, pois para quem a frequentava não seria preciso mais.

Foi, convém lembrar que a memória humana é curta e tende a ser selectiva, uma opção política do primeiro governo de José Sócrates que na altura poucos contestaram. Mas cujas consequências a prazo os alunos e os profissionais docentes e não docentes da Escola Secundária José Falcão, sobretudo nos frios e chuvosos dias de Inverno, vão sentindo diariamente.

5 thoughts on “Reabilitar a Escola Secundária José Falcão

    • Verdade, e, justiça seja feita, o Umbigo foi dos poucos sítios onde, na altura, se denunciou e discutiu a situação.

      Mas por muito poucos, pois a atitude dominante era a de cada um achar que tudo o que viesse para a sua escola era bom.

      Muito poucos questionaram de onde vinha toda aquela avalanche de dinheiro e de como o haveríamos de pagar com língua de palmo…

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  1. Olha a outra parte da história.

    A José Falcão recusou acolher o conservatório nas suas instalações. A Quinta das Flores, à data em dificuldades, aceitou. A culpa não é toda do MEC. Mas sim, é evidente, que nos planos estava o encerramento de muitas escolas (que regressará quando PS e PSD/CDS estiveram sozinhos no poder), com a concentração dos alunos nos novos elefantes brancos.

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    • Mas podia haver ao menos algum planeamento.
      No caso de Coimbra, é notório que a cidade se expandiu para a margem sul do Mondego e para o norte enquanto o investimento da Parque Escolar se limitou a três escolas secundárias da zona da Solum/Vale das Flores.
      Resultado, escolas degradadas de onde os alunos fogem, colégios que andaram a aproveitar-se da situação e miúdos a deslocar-se para a outra ponta da cidade porque as escolas de proximidade supostamente não prestam.
      Nisto tudo, os bons resultados recentes do José Falcão baralham um bocado as previsões iniciais…

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