Rankings, exames e autonomia

ranking…exauridas que foram as energias utópicas da revolução, em meados dos anos oitenta, logo a seguir à nossa integração na então CEE, começam a ser mais claros os sinais de aproximação a um novo ciclo internacional, constituído pelas agendas educativas neoconservadoras e neoliberais, então emergentes em alguns países capitalistas centrais. E algumas das expressões mais forte destas agendas, com especificidades em cada caso, foram precisamente os ataques à escola pública e a defesa da privatização, a liberdade de escolha apoiada por mecanismos de mercado (como os rankings), maior controlo central sobre o currículo, o cerceamento à autonomia das escolas e dos professores, e a adoção dos exames nacionais.

Concordo no essencial com a análise do professor Almerindo Janela Afonso: a publicitação de rankings de escolas é a consagração de uma visão neoliberal da escola, centrada na aferição externa dos resultados da aprendizagem. Uma concepção assente no velho mantra de que, com mais informação, as pessoas fazem melhores escolhas – um pressuposto ainda por demonstrar – e que o exercício da “liberdade de escolha” levaria os alunos a afluir às melhores escolas, ao mesmo tempo que forçaria as piores a melhorar.

Como é evidente, tudo isto é um disparate pegado. A prova é que, após quase duas décadas de publicitação de rankings, as escolas tidas por “más”, porque os seus alunos obtêm notas baixas nos exames, assim continuam. E as escolas “boas”, ficaram com a vida facilitada para serem ainda “melhores”, uma vez que a fama trazida pelas posições cimeiras nos rankings lhes permite serem ainda mais selectivas na escolha dos seus alunos.

Mas há um ponto em que discordo de Janela Afonso: quando ele estabelece uma dicotomia, a meu ver errónea, entre avaliação externa, centralista, limitadora e controladora, e o primado da avaliação contínua, assente no trabalho e na autonomia profissional dos professores. Defendendo, em nome do reforço da autonomia dos professores e das escolas, o fim dos exames nacionais.

Claro que o facto de haver uma prova externa no final condiciona o trabalho do professor, que passa a ter em conta a necessidade de preparar os alunos para a realizar. Mas não me parece que isso limite a sua autonomia, que nunca entendi como o direito a gerir livremente, sem quaisquer condicionantes ou limitações, o trabalho pedagógico com os alunos. Pelo contrário: existem os programas das disciplinas e existe um currículo nacional a que todos os alunos devem aceder e que todos os professores devem respeitar. Claro que os programas devem ser geridos por cada docente e que pedagogicamente há muitas maneiras de fazer as coisas, mas as aprendizagens essenciais de cada disciplina não devem ser postas em causa.

Ora isto leva-me a uma conclusão aparentemente paradoxal: nos tempos que correm, a existência de exames é, seguramente, mais um aliado da autonomia profissional dos professores do que uma ameaça. É que a autonomia tende hoje a ser vista como uma prerrogativa, não de cada professor, mas da escola – leia-se do director e de outras “lideranças” locais – e brevemente também dos poderes autárquicos. A autonomia é o pretexto para a invasão das aulas dos professores por todo o tipo de projectos, flexibilidades, transversalidades e educações para isto e para aquilo. E o professor é tido, cada vez mais, como um mero executante do que equipas ministeriais, direcções, conselhos pedagógicos ou conselhos municipais de educação decidiram em seu nome.

A existência de um currículo nacional e de provas estandardizadas, sejam elas de aferição ou de avaliação final, é um elemento fundamental para que os professores que ainda não desistiram de que nas suas aulas se ensine e aprenda possam reivindicar o tempo e o espaço adequados ao desenvolvimento das matérias curriculares. É uma defesa essencial contra a deriva facilitista que invadirá as escolas no dia em que deixar de haver exames ou qualquer tipo de avaliação externa com consequências e a ordem taxativa de que “é para passar toda a gente” adquirir significado pleno.

Acredito que, visto a partir dos gabinetes das universidades ou dos centros de investigação, o panorama não se apresente tão sombrio. Mas para quem trabalha no terreno cada vez mais difícil das escolas básicas e secundárias e sente a forma como o poder político vai tirando o tapete à autonomia profissional dos professores, restam poucas dúvidas acerca do que se tenta preparar.

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Do colégio dos betinhos à escola dos coitadinhos

colegio.JPGO Público é um jornal geralmente atento aos temas educativos, que têm aqui uma cobertura mais extensa e regular do que na generalidade da imprensa escrita. No entanto, nota-se demasiadas vezes a intromissão de uma agenda ideológica que perturba a objectividade, o rigor e a isenção que deve, em todas as circunstâncias, caracterizar o bom jornalismo.

Vem isto a propósito da divulgação dos rankings das escolas, que foi durante anos uma causa defendida por este jornal. É ainda hoje uma matéria que os seus jornalistas têm dificuldade em gerir com sobriedade, acabando algumas peças por deslizar para um moralismo hipócrita de inspiração neoliberal que se torna difícil de suportar.

“Estes alunos suaram de facto, mas isso dá-lhes estofo para o que vem a seguir”

Este colégio de elite da linha de Cascais recebe meninos de boas famílias, que têm acesso a tudo o que o dinheiro pode comprar. E, claro, as mensalidades caras também pagam as turmas reduzidas, os reforços curriculares, os apoios ao estudo e os gabinetes de psicologia. Têm as melhores condições materiais e humanas para brilhar nos estudos, e muitos brilham, efectivamente, catapultando a escola para o topo dos rankings. Agora era escusado dizer que suam muito – quem sua serão certamente as empregadas de limpeza das famílias destes meninos, que nunca terão oportunidade de ter os seus filhos a “suar” no colégio dos meninos ricos. E, para sermos honestos, deveremos acrescentar: as famílias que investem na educação dos filhos nestes colégios fazem-no para tentar assegurar-lhes um futuro em que não tenham, precisamente, de suar para ganhar a vida.

…um professor não pode viver dissociado da realidade de tantas famílias, de tantas crianças, do desemprego, da violência, dos problemas com a polícia, da revolta, a toxicodependência, os abusos físicos e emocionais, as noites mal dormidas, a falta de comida em casa, a falta de roupa, a falta de um abraço e um sorriso, poder finalmente chorar, a falta de amor. 

E na Básica do Bairro Padre Cruz os professores são mais do que professores, são missionários, dedicando os dias à causa destas crianças e às vidas destas crianças, e as noites a sonhar com a vida destas crianças, tantas vezes acordando a meio, e os miúdos debaixo da pele, os problemas dos miúdos debaixo da pele, os problemas que não saem e passam a ser parte do que somos. 

No extremo oposto, temos o fado triste da escola dos meninos pobres, que aí vão em busca da comida e do afecto que muitos não têm em casa, e dos professores-missionários dedicados a uma causa que, embora podendo somar todos os dias pequenas vitórias está, no seu todo, invariavelmente perdida. Porque a luta contra a pobreza, a fome, o desemprego, a marginalidade, a violência doméstica e outras realidades que enchem o quotidiano destes alunos não se combate na escola. As refeições escolares, os apoios sociais e psicológicos, os programas de tutoria, os mediadores culturais, tudo isto são paliativos que tentam remediar, mas não resolvem os problemas de fundo.

Claro que este fadinho do professor-missionário encaixa bem na lógica economicista e neoliberal do “menos Estado”: para quê ambiciosas políticas sociais, se podemos resolver os problemas todos através da escola, com professores faz-tudo, que tanto dão a sopa como tentam ensinar a tabuada e, com sorte, ainda vão a casa saber do menino quando ele não aparece na escola? Afinal de contas, estes miúdos pobres não têm os “sonhos”, as “ambições” dos outros, os dos colégios da Linha, pelo que alimentá-los e entretê-los na escola já parece um programa satisfatório – pelo menos será melhor do que o ambiente que têm em casa…

Em boa verdade, os professores não têm de ser missionários, muito menos de fazer de pais ou mães dos alunos carenciados. Tal como todas as crianças têm direito a uma família que as ame e que cuide delas, e se demasiados miúdos a não têm, crescendo negligenciados e desamparados, então são o Estado e a sociedade que estão a falhar. E o desemprego, a doença, as dificuldades das famílias monoparentais com baixos rendimentos, as carências habitacionais nas grandes cidades, tudo isto são problemas sociais que requerem respostas prontas e adequadas – mas não é a escola que as pode dar.

Os professores destas escolas – cujo trabalho é incomparavelmente mais difícil do que o das que lutam pelos primeiros lugares dos rankings – fazem o que podem pelos seus alunos. E fazem bastante. Mas o muito que fazem fica muito aquém daquilo que são as exigências de um currículo nacional a que estes alunos não conseguem aceder. Como as médias negativas dos resultados dos exames claramente demonstram.

A escola convertida em centro de assistência social não cumpre a sua verdadeira missão com estes alunos – limita-se a tentar fazer, de forma insuficiente e limitada, a intervenção que caberia a outras entidades. E não, ao contrário do que afirma João André Costa, esta não é a melhor escola do país. Mas poderá sê-lo – no dia em que se puder dedicar realmente a educar e instruir os seus alunos, em vez de se preocupar em saber se passaram bem a noite ou tomaram o pequeno-almoço.

O regresso às negociações

negociacaoOs sindicatos de professores foram convocados pelo Ministério da Educação para uma reunião negocial a 25 de fevereiro, para discutir a recuperação do tempo de serviço congelado, como previsto no Orçamento do Estado.

Espera-se, com o natural cepticismo de quem ainda só viu nesta matéria, até hoje, más vontades e manobras dilatórias, que a reunião que o ME acaba de marcar para daqui a uma semana não seja para apresentar, novamente, a proposta dos 2 anos, 9 meses e 18 dias.

Depois de na Madeira e nos Açores a recuperação integral já ter sido aceite – no caso dos Açores, por um governo socialista – a posição do executivo continental torna-se menos sustentável. Mas claro que, enquanto se perdoarem milhões aos banqueiros, investidores e outros trafulhas do regime, faltarão sempre os tostões para dar o que é de direito a quem vive do seu trabalho.

O conhecimento na palma da mão

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Cada vez mais pessoas acreditam que a Terra é plana. A culpa é de um vídeo no YouTube

Nunca como no século XXI o conhecimento científico se tornou tão acessível, com a quantidade de vídeos, mapas e literatura disponíveis online. Também nunca fizemos o nosso quotidiano depender tanto da tecnologia como sucede nos dias de hoje. Ninguém duvida dos prodígios da ciência e da engenharia quando se trata de viajar de automóvel ou de avião, de usar computador ou telemóvel, de recorrer a tecnologias como as redes sem fios ou o GPS. O que leva então um número crescente de pessoas a acreditar que as vacinas provocam autismo, que os americanos nunca foram à Lua ou que a Terra é, afinal, um disco achatado?

O que move as pessoas a contestar a ideia da esfericidade da Terra, que surgiu há mais de dois mil anos na Grécia Antiga e se tornou consensualmente aceite desde o Renascimento, com as viagens marítimas à descoberta do mundo feitas nesse tempo por navegadores portugueses e espanhóis a demonstrarem, categoricamente, a esfericidade da Terra?

Parece evidente a fragilidade do conhecimento científico e do pensamento crítico que hoje tanto se valoriza: afinal, basta afirmar convictamente umas aldrabices, gravar com elas um vídeo de produção cuidada e divulgá-lo através do Youtube: rapidamente se arranjam “seguidores” para a ideia mais espatafúrdia que se consiga inventar.

Quanto à universidade norte-americana que constatou a popularidade da crença na Terra plana parece ela própria prisioneira da lógica que denunciou. Segundo os investigadores, o remédio para os vídeos anti-científicos está em fazer novos vídeos, desta feita com os cientistas a divulgar o verdadeiro conhecimento científico acerca desta matéria. Uma ideia que o Youtube certamente agradece…

Pela minha parte, em vez da competição pelos cliques e likes que é sugerida, julgo que seria mais importante capacitar as pessoas a fazerem um uso mais crítico e selectivo do imenso manancial da informação que têm ao seu dispor. Em vez do relativismo com que se pretende equiparar todos os saberes, é importante reafirmar as diferenças entre factos e opiniões e entre o conhecimento cientificamente estruturado e as balelas que se pretendem fazer passar por ciência. Entre sites de referência que divulgam informação credível e rigorosa e plataformas onde qualquer um pode publicar o que entender.

Os rankings e a receita do sucesso

rankings.jpgUm dos maiores desafios que a publicação dos rankings coloca é o de interpretar correctamente as grandes subidas e descidas anuais que se verificam com algumas escolas. Mesmo quando os jornalistas tentam, falando como os responsáveis, descobrir a fórmula mágica do sucesso instantâneo, nem sempre conseguem respostas esclarecedoras. Se as notas subiram, é de bom tom louvar o trabalho dos alunos, o esforço e a disponibilidade dos professores, a boa organização e o bom ambiente da escola, a estabilidade do corpo docente. Quando descem os resultados, lembra-se geralmente que os exames não são tudo e que os alunos fizeram outros progressos e aprendizagens tão ou mais importantes do que os conhecimentos avaliados nas provas nacionais.

Pois bem, lá para os lados onde trabalho, estamos, aparentemente, de parabéns: de um ano para o outro, subimos mais de 400 lugares no ranking do ensino básico. A nível distrital, à nossa frente só se encontram praticamente escolas da capital de distrito, que recebem alunos de meios bem mais favorecidos. E, ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, destacamo-nos em relação às escolas dos concelhos limítrofes, com um contexto económico, social e cultural semelhante. Como se justifica esta súbita subida de resultados?

Só encontro uma explicação, e já estávamos conscientes dela muito antes de saírem os rankings: tínhamos, no 9.º ano, um conjunto de estudantes com maiores potencialidades e ambições académicas do que os de anos anteriores. Havia alunos com dificuldades de aprendizagem, claro, mas também jovens que, com motivação e algum empenho, alcançaram sem grande esforço os ambicionados quatros e os cincos. Estes últimos eram em maior número do que os primeiros, e na maior parte das turmas havia uma dinâmica favorável, que levou a uma melhoria global de resultados. Sabíamos que tínhamos ali alunos com um potencial maior do que tem sido habitual, e a primeira confirmação chegou com as notas dos exames nacionais: praticamente todos mantiveram as notas atribuídas na avaliação interna. Alguns, enchendo-se de brios, conseguiram mesmo superá-las.

Esta é uma realidade que qualquer professor experiente conhece bem, mas que tende a ser incompreendida pelos decisores e burocratas da Educação: há, no universo dos alunos reais que povoam as escolas, “fornadas” melhores e piores de alunos. Há anos e turmas em que se gera uma dinâmica de sucesso que conduz a óptimos resultados, e há outros em que, por mais esforços que se façam, nunca se consegue passar da mediania. É uma realidade que troca as voltas a quem olha para os alunos como números numa folha de excel. E que torna ridículo o esforço de definir metas de melhoria de resultados escolares como quem traça objectivos de venda de automóveis. E, claro, em escolas mais pequenas, com públicos escolares mais reduzidos, estas variações anuais tendem a ser mais frequentes e podem ser bastante expressivas.

Poderia aqui puxar dos galões e alegar, num exercício de demagogia ao gosto dos políticos da Educação, que foram mirabolantes planos-pró-sucesso, um qualquer projecto xpto, apoios sociais e pedagógicos em barda ou o recurso massivo às novas tecnologias a contribuir para a grande subida no ranking. Mas não seria honesto fazê-lo, porque não é verdade. O sucesso dos nossos alunos – e convém sempre lembrar que os rankings são feitos a partir de notas obtidas pelos alunos, não pelas escolas – deve-se essencialmente ao esforço dos próprios. O mérito é deles. Nós, profissionais da educação, apenas fizemos o nosso trabalho. Assim soubessem os autoproclamados especialistas da educação fazer o deles.

Dá-me a minha droga, já!

bul[1]Um aluno da EB 2,3 de São Torcato, em Guimarães, envolveu-se numa cena de pancadaria com um professor devido a uma apreensão de droga por parte do docente.

Fonte próxima da comunidade escolar diz que o aluno, de 15 anos, foi tirar satisfações com o professor, que lhe apreendeu uma pequena quantidade de haxixe, mas o estudante contrapõe que foi o docente que o fechou e agrediu dentro de uma sala, depois de lhe ter tirado o estupefaciente.

Tudo aconteceu no passado dia 13, quando o aluno estava a fumar tabaco no recinto escolar e foi abordado pelo professor. Até aqui, as versões coincidem. Depois, segundo fonte próxima da escola, o docente apreendeu uma pequena quantidade de haxixe ao estudante e a situação ficou sanada. Mais tarde, o aluno foi tirar satisfações com o professor e a situação descambou. “O rapaz exigiu que lhe devolvesse a droga, com uma atitude agressiva, e atirou-se a ele”, contou outro professor ao JN.

Sem conhecer com exactidão todos os factos relevantes sobre este lamentável episódio, parece-me evidente que, para assegurar a boa ordem e a segurança de um recinto escolar, nenhum professor deveria ter de se envolver, ou ver-se envolvido, em “cenas de pancadaria”. As escolas devem ser espaços livres de drogas, assim como de violência, e esta regra não pode ter excepções nem qualquer tipo de tolerância. Quando nem um professor ou funcionário pode aí fumar um simples cigarro, devemos fazer vista grossa ao consumo e ao tráfico de drogas ilícitas, dentro do espaço escolar, praticado por alguns alunos? Aparentemente sim, pois quem actua está sujeito a ter problemas e chatices…

Se a escolaridade obrigatória até aos 18 anos é para todos, incluindo jovens que não querem estudar, e mesmo para aqueles que já iniciaram uma carreira como delinquentes ou pré-delinquentes, então é óbvio que, para este tipo de alunos, tem de haver respostas adequadas quando passam da mera indisciplina resultante do desinteresse pelas aulas e do não saber-estar para actos de violência ou comportamentos que configuram a prática de crimes. Os professores não têm de ser polícias. Mas se queremos fazer da escola uma prisão para jovens que não querem lá estar, então a presença policial torna-se, nalguns contextos, indispensável.

Recordo-me bem como este caminho, de tolerância zero para drogas, começou a ser trilhado há uns quinze ou vinte anos atrás. Lembro-me de, no âmbito dos programas da Escola Segura, equipas cinotécnicas da PSP e da GNR começarem a visitar as salas de aula. Mais importante do que as mochilas onde os cães detectavam a presença ou os vestígios de alguma droga, o que sucedia raramente, a presença policial tinha um forte efeito dissuasor entre os alunos, algo que é crucial numa fase da vida em que se está especialmente aberto a fazer novas experiências e a testar limites…

Subitamente, no entanto, estas intervenções deixaram de ser feitas. Não sei quem foram os poderosos que assim decidiram ou quais as personalidades importantes que se sentiram beliscadas nos seus direitos, liberdades e garantias. O que é certo é que o direito à privacidade dos alunos, incluindo o de transportar droga para a escola e ninguém ter nada a ver com isso, passou a prevalecer sobre o direito da comunidade educativa a um ambiente escolar seguro e saudável, livre de consumos ilícitos e de traficâncias.

Paralelamente, as escolas foram sendo privadas de meios de acção eficazes perante alunos que se apresentam nas aulas notoriamente embriagados ou drogados. Criou-se um sistema em que o conluio entre famílias permissivas, traficantes influentes e políticos subservientes compromete a vida, a saúde e o futuro destes jovens agarrados às drogas. A toxicodependência, tal como a indisciplina grave, o porte de armas ou a violência tornaram-se temas-tabu para as autoridades educativas. O ministério que recolhe e esmiúça, à décima ou à centésima, taxas de sucesso, de escolarização ou de abandono é o mesmo que prefere não ser informado, sequer, da incidência de comportamentos disruptivos nas nossas escolas. A não ser quando esses casos terminam na esquadra da polícia ou na urgência do hospital.

Claro que, no fim da linha, o mais fácil é exigir responsabilidades à escola e culpá-la por ter fracassado com jovens de quem a família, a sociedade e os poderes públicos tão facilmente desistiram.

Colaborações: ComRegras

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Numa semana sem grandes novidades, a actualidade educativa fica marcada pela divulgação dos rankings das escolas, elaborados a partir das médias de resultados dos exames nacionais. Trata-se de um acontecimento mediático que tem vindo a ser laboriosamente preparado pelos media, a quem o ME forneceu antecipadamente os dados estatísticos que originaram os rankings para todos os gostos que vemos publicados. Este é, para o melhor e para o pior, o acontecimento da semana…