Que interesses defende a OCDE?

coelho-cartola.gifSantana Castilho dedica a sua crónica semanal a um assunto também já por aqui comentado: o papel de festeiro e propagandista do governo a que se prestou o director da OCDE para a Educação, Andreas Schleicher. Falando em nome de professores que não ouviu e de uma realidade de que só conhece o que lhe chega por via governamental, o atrevido director torna-se profeta da boa-nova – a educação do século XXI, em directo e ao vivo numa escola perto de si, graças à clarividência da equipa de iluminados dirigidos pela batuta de João Costa. A chatice, no entanto, é quando nos descobrem a careca e se fica a saber que as novas ideias já são, afinal de contas, centenárias:

Só ingénuos não divisaram a encomenda do Governo, subjacente às banalidades proferidas por Andreas Schleicher, repetindo os mantras do perfil e da flexibilidade, de João Costa. Só que falam os dois de inovação e de século XXI desenterrando metodologias descritas por Kilpatrick (para citar um entre outros) nada mais nada menos que em… 1918. Leu bem, caro leitor, 1918. E se quiser confirmar que não deliro e encontrar descritas considerações pedagógicas sobre a transversalidade disciplinar em detrimento das disciplinas isoladas, sobre as virtudes do trabalho colaborativo e de projecto, sobre as vantagens do ensino centrado no aluno e não no currículo a ser ensinado (tudo paradigmas usados por Andreas Schleicher como modernos, numa entrevista que concedeu ao Observador) e ainda sobre o ensino assente na experiência e nos problemas diários (os rótulos e os balõezinhos de S. João acima referidos), leia o artigo The Project Method. The Use of the Purposeful Act in the Educative Process, publicado por Kilpatrick, em 12 de Outubro de 1918 (Teachers College Bulletin, 10th. Series, nº 3. New York: Teachers College, Columbia University).

Santana Castilho mostra-se também lúcido e certeiro quando denuncia: a OCDE não é uma organização idónea, muito menos isenta, para avaliar políticas educativas. Na realidade, vem de longe a promiscuidade de interesses entre os governos socialistas portugueses e os responsáveis desta organização…

Não é nova a acção do Governo para tomar a OCDE por fiadora das suas políticas, como não é de agora o meu repúdio pela promiscuidade, que se repete, entre governantes e uma organização que defende e depende de interesses económicos, que não educacionais, e se presta a favorecer e legitimar políticas que acabam impostas aos actores nacionais. Com efeito, já em Fevereiro de 2009, um grupo de peritos de relevantes currículos, da OCDE, veio a Lisboa validar as políticas educativas do PS. Principescamente pagos, produziram um relatório cujas fontes documentais eram todas do Ministério da Educação. Só falaram com quadros do Ministério da Educação ou apoiantes do Governo. Havendo milhares de páginas publicadas na altura, de oposição às políticas de Sócrates, nem uma só mereceu a atenção dos ilustres peritos. Nem mesmo textos dissonantes, com origem na Assembleia da República, no Conselho Nacional da Educação, em associações científicas ou profissionais lograram ser considerados. Se os protagonistas e a cultura não mudaram, porque mudariam as práticas?

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Ainda os rankings escolares

ranking.gifO director Agnelo Figueiredo, assumido defensor dos rankings escolares, insurge-se contra os apelos ao fim da divulgação dos dados estatísticos que servem de base às listagens e às análises jornalísticas a que já nos habituámos.

Usa, para o efeito, um argumento a que sou sensível, mas que não me convence por inteiro: o dever de a administração pública divulgar a informação de interesse público que possua. Creio que essa obrigação seria igualmente cumprida se fossem fornecidos, a cada escola, os seus dados detalhados, bem como os de grupos de escolas que constituíssem referência: a proximidade geográfica ou as semelhanças ao nível das características da população escolar ou do meio envolvente, por exemplo.

É que se vamos falar de deveres do Estado, então devemos considerar que também lhe compete promover a igualdade de oportunidades e combater o agravamento das desigualdades, dois objectivos que, em matéria de política educativa, a publicação dos rankings claramente contraria. Aliás, publicar ou não rankings é matéria que, internacionalmente, está longe de ser consensual. A tendência é que a sua publicação se imponha em países com sistemas educativos mais elitistas e desequilibrados. Pelo contrário, os sistemas mais homogéneos e mais eficazes na promoção do sucesso para todos, no fundo os países com que habitualmente nos gostamos de comparar, evitam a publicação de rankings. O que não quer dizer que não avaliem políticas e resultados educativos, ou que tenhamos lições a dar-lhes em matérias como a democracia ou a transparência dos actos da administração pública.

Há, contudo, um ponto em que concordo inteiramente com A. Figueiredo:

Infelizmente, as bases de dados relativas aos exames de 2017 ainda não estão disponíveis para os cidadãos; apenas para os jornalistas. Mas as de 2016, por exemplo, podem ser descarregadas […] Esta é, de resto, a única crítica que se pode fazer à Administração Educativa: por que raio os jornais têm acesso às bases de dados antes dos cidadãos e das escolas? Pagaram por esse “exclusivo”? E, se pagaram, será legítimo?

O envio prévio das bases de dados à comunicação social – com embargo noticioso imposto como condição, para que todos apresentem as suas notícias em simultâneo – mostra claramente o carácter demagógico e propagandístico do circo que anualmente se monta em torno dos rankings escolares.

A gestão condicionada do acesso à informação pública é no essencial uma questão política, e o procedimento aqui denunciado, não sendo de agora, demonstra apenas que nunca foi a necessidade de “informar” as escolas e as comunidades ou de lhes permitir “reflectir” sobre os seus resultados que presidiu à decisão de divulgar as bases de dados com os resultados dos exames. A decisão teve, na sua base, uma clara motivação política, e é apenas por calculismo – evitarei chamar-lhe cobardia política – que um ministro que assevera não acreditar em rankings colabora na sua construção e divulgação.

Rever prioridades

sec-restelo.JPGGastou-se milhões em escolas cheias de condições, mas os miúdos passam frio porque não há dinheiro que chegue para a conta da luz se o aquecimento for ligado. Apostou-se em computadores e quadros tecnológicos, mas a rede wireless não suporta sequer abrir uma página do motor de busca. Andamos a discutir a venda de bolos e fritos nos bares, mas há ratos a passear por cima da comida. Talvez esteja na hora de rever as prioridades na educação dos nossos filhos. E de deixar de aceitar o que é simplesmente inaceitável.

Joana Petiz escreve sobre a Escola Secundária do Restelo, uma escola que, nem por ocupar os lugares cimeiros dos rankings das escolas públicas ou ser maioritariamente frequentada por alunos da classe média-alta se livra do estado de degradação física em que as suas instalações se encontram: ratos a passear pelo refeitório, telhados e janelas que deixam entrar a chuva, salas de aula sem aquecimento, amianto por remover.

E tem toda a razão quando propõe uma revisão de prioridades, pois é isso, acima de tudo, que tem faltado às nossas políticas educativas: aquele trabalho que dificilmente dá direito a manchetes jornalísticas, que frequentemente passa mais por conservar e melhorar o que se tem em vez de embarcar em projectos mirabolantes. Garantir as condições básicas de funcionamento das escolas, começando pelas infraestruturas essenciais ao trabalho que professores e alunos devem desenvolver: espaços limpos, arejados, seguros e confortáveis, redes de água, luz, aquecimento e comunicações adequadas às necessidades e quadros de pessoal docente e não docente correctamente dimensionados.

Claro que inventar novos projectos e virar a escola do avesso de cada vez que entra um novo governo acaba por garantir mais mediatismo e popularidade fácil. E que interessa que haja ginásios ou salas de aula a cair de podres se podemos, com uns dinheiros vindos não se sabe de onde, montar e exibir ao lado uma sala de aula “do século XXI” cheia de puffs, cadeiras com rodinhas e gadgets reluzentes?

O mito das aulas expositivas

professora-alunosO Alexandre Henriques expôs impecavelmente o essencial que deve ser dito a respeito da crítica, que nos últimos tempos tem sido recorrente, às “aulas expositivas” dos professores portugueses. E que eu, com falta de tempo e de inspiração, só posso subscrever e, claro, recomendar que seja lido integralmente.

Primeiro, qualquer conteúdo prático precisa de uma introdução teórica, mesmo que ao de leve, é a mesma coisa que eu colocar os meus alunos a jogar Andebol e não lhes explicar as principais regras.

Segundo, os professores e as escolas estão claramente sensibilizados para a falta de motivação dos alunos e fazem de tudo, acreditem que é mesmo de tudo, para evitar que a aula seja uma seca.

Terceiro, uma aula expositiva não tem de ser obrigatoriamente má, um professor com uma boa capacidade retórica é capaz de cativar a plateia apenas e só com o seu discurso. Há aulas que podem ser práticas e que podem ser bem piores que uma aula expositiva.

Quarto, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, os professores, ou pelo menos a maioria deles, tem a capacidade de se adaptar às suas turmas, não são tábuas de ferro, inflexíveis, ajustam-se, adaptam-se, até por uma questão de “sobrevivência”. Quantas vezes a estratégia utilizada para a aula das 8h30, é esquecida para a aula das 10h30. Quem anda no terreno sabe o que tem de fazer e o que precisa de fazer, não somos uma cambada de acéfalos.

Quinto, esta ideia que os alunos têm de ser constantemente motivados também não é bem assim… Os meninos e meninas, os pais e as mães, também têm de fazer o seu papel e criar condições para a assimilação de conteúdos. A geração mais preguiçosa de sempre, a geração com tudo à sua disposição, também tem de fazer pela vida e ir para a aula sem ficar a pensar nos chats digitais e afins. A escola é uma seca, sim, principalmente se a postura for que tudo o que implica esforço é para abolir.

É inteiramente verdade que o aluno que não consegue ouvir com atenção o professor durante mais do que 30 segundos seguidos também se desconcentra facilmente em qualquer outro tipo de actividade. Que os que menos gostam de prestar atenção ao professor ainda se mostram menos tolerantes se tiverem de ouvir os colegas que participam na aula.

De resto, concordo inteiramente que as metodologias pedagógicas e as didácticas devem evoluir, que não há receitas eternas e universais e que o acto de ensinar e aprender é uma constante procura e descoberta daquilo que funciona melhor com cada grupo de alunos, professor e matéria a leccionar.

Agora, para que mudem as formas de trabalhar nas escolas, é preciso que existam condições para que a mudança seja possível. Fundamentalmente, tempo e recursos materiais e organizacionais, que são coisas que continuam a escassear.

Os professores continuam assoberbados de trabalho burocrático. A maioria tem demasiadas turmas, níveis e tempos lectivos semanais. Não há créditos horários que possibilitem o trabalho em equipa, seja para reunir com os colegas, seja para estarem juntos com os alunos, a não ser alongando ainda mais o horário laboral dos docentes.

E quanto a recursos físicos e equipamentos, basta lembrar a falta de condições mínimas de espaço, funcionalidade e conforto que ainda afecta muitas escolas, ou que o único investimento significativo em novas tecnologias nas escolas foi feito há dez anos.

As aulas puramente expositivas estão longe de ser a metodologia dominante nas escolas portuguesas, embora – o que não é a mesma coisa! – a figura do professor continue a ser central no processo de aprendizagem. Algo que não é necessariamente mau, tudo dependendo da forma como se envolvem os alunos nas actividades da aula. A verdade é não nos temos saído mal: nas duas últimas décadas o ensino português melhorou consistentemente os seus resultados nas avaliações internacionais, e parte desse esforço deveu-se ao profissionalismo dos professores, ao seu sentido crítico e à sua capacidade de resistência a orientações absurdas e irrealistas da tutela.

Irão continuar a resistir a ideias reformistas ainda longe de demonstrar valimento, que se quer implantar de forma precária e improvisada, sem qualquer noção clara do que realmente se pretende conseguir. Fá-lo-ão com a clara convicção de que a escola fácil e divertida com que irresponsavelmente se tenta aliciar os alunos e as famílias levará à massificação da superficialidade, da ignorância e da preguiça.

Ora os professores preocupam-se com os seus alunos mais do que qualquer político de turno ou qualquer cientista da educação em comissão de serviço no ME. E sabem bem que, quando a coisa der para o torto, quem promoveu o disparate sacudirá a água do capote e culpará uma vez mais, e como sempre, os professores.

O dia do perfil ou a mudança imposta aos professores

perfil-2No “Dia do Perfil”, evento algo ridículo que pretende substituir as aulas do dia pela discussão de um tema sem substância, percebe-se a vontade de, insidiosamente, tentar mobilizar os alunos contra os professores “retrógrados” e avessos à mudança.

Atrever-me-ia a dizer que talvez lhes saia o tiro pela culatra, pois os alunos que se interessam o suficiente por estas questões não se costumam contentar com as ideias simplistas e a retórica balofa com que o ME tenta formatar este tipo de discussões.

Mas prefiro fugir à agenda desinteressante do ME e colocar outras questões.

Porquê discutir uma coisa tão redonda, inóqua e sensaborona como o perfil do aluno?

Parte da resposta é evidente: porque enquanto se fala de perfis não se fala das turmas grandes, da indisciplina, da falta de apoios sociais e educativos, dos professores “congelados” e mal pagos, dos mega-agrupamentos, das más condições existentes em muitas escolas.

Também é muito bonito defender que se desenvolva o pensamento crítico nas escolas, mas a verdade é que a desconfiança dos políticos nos professores se estabelece, desde logo, porque estes ensinam os alunos a pensar pela sua cabeça mais do que aqueles desejariam.

E que dizer do discurso maniqueísta dos professores maus e dos bons? No discurso politicamente correcto dos tempos que correm, os bons professores já não são os que norteiam por princípios éticos e científicos o exercício da sua profissão, mas os que seguem acriticamente as modas educativas. Os que cumprem escrupulosamente a agenda do poder e obedecem sem questionar a todas as solicitações dos governantes de turno.

Claro que uma escola divertida, onde os alunos fazem o que querem, é bastante mais barata e inofensiva do que aquela que os confronta com exigências, regras, responsabilidades e desafios. Mas enquanto a escola assente no conhecimento estruturado exige professores motivados para ensinar e com sólida formação científica de base na sua área de especialidade, a guarda de crianças e adolescentes pode fazer-se com mão-de-obra pouco qualificada e a custos muito mais reduzidos. E a escola que nos dizem ser a do século XXI passa, em larga medida, por aqui.

Doze Falsos Mitos Educativos

escola-eletronica.jpgTudo isto está profundamente errado, e nem deveria ser preciso explicar porquê. Mas a verdade é que a maioria dos “cientistas da educação”, dos burocratas ministeriais e dos dirigentes políticos do ME acreditam, ou fazem por acreditar, nestas mentiras convenientes.

Obviamente, a comunicação social e os comentadores do regime dão o seu contributo à amplificação da asneira e do preconceito.

1. Turmas reduzidas não contribuem, só por si, para a redução do insucesso escolar.

2. A pobreza e a desigualdade social não potenciam o insucesso porque a escola pode sempre “fazer a diferença”.

3. Os cortes orçamentais não influenciam a qualidade de ensino. É sempre possível fazer-se “mais com menos”.

4. Se as taxas de insucesso são elevadas, é porque os professores não se empenham em levar os alunos ao sucesso.

5. Sobrecarregar de trabalho os professores, reduzir-lhes os salários, bloquear-lhes as carreiras, sujeitá-los a colocações precárias ou longe de casa: nada disto tem efeitos negativos sobre o seu trabalho.

6. Para melhorar o ensino, é necessário vigiar, avaliar e castigar os professores.

7. Os alunos e os pais dos alunos têm sempre razão, mesmo quando exigem coisas impossíveis ou que se contradizem entre si.

8. As reformas educativas devem ser planeadas e decididas sem envolver o corpo docente, que as deve implementar sem discussão e sujeitar-se a “mais formação” sempre que isso for decidido pela hierarquia.

9. Os professores que, baseados na sua experiência, contestam as propostas reformistas insensatas e ineficazes, estão apenas a ser retrógrados, conservadores e “avessos à mudança”.

10. A OCDE, as multinacionais das novas tecnologias, as fundações e as grandes universidades devem liderar a inovação pedagógica e redefinir os novos currículos e metodologias educativas.

11. Digitalizar os conteúdos didácticos e quantificar e padronizar a avaliação melhoram a qualidade do ensino.

12. A introdução de gadgets educativos é boa em si mesma, mesmo quando se mostra inútil e dispendiosa e a omnipresença da tecnologia impede o desenvolvimento de outras competências sociais e cognitivas.

Escola pública e demagogia

escolinhaFilinto Lima escreve, nas páginas do Público, sobre uma realidade que todos os professores conhecem bem. Toda a gente andou na escola, e mesmo os que por lá aprenderam pouco pensam saber o suficiente para julgar o trabalho dos professores. Políticos nacionais e autarcas destacam-se entre os especialistas instantâneos sobre temas educativos. E não apenas para opinar: também, e cada vez mais, para impor decisões baseadas na ignorância ou no preconceito. E para fugir aos temas incómodos e impopulares. Pois já perceberam que a Educação é uma área que envolve muita gente e onde é mais fácil, com uma política desastrada, perder votos do que ganhá-los.

Ao mesmo tempo que se afastam os professores do básico e do secundário do debate público e da decisão participada sobre as questões da sua própria profissão, promove-se a participação influente de académicos no processo de tomada de decisões. Curiosamente, este interesse de tantos professores do ensino superior pelo ensino “inferior” contrasta com a reserva com que os universitários tratam dos seus próprios assuntos. O ensino superior tem muitos problemas em Portugal e alguns são bem mais graves do que os normalmente apontados ao básico e ao secundário, mas a sua discussão pública é cuidadosa e sistematicamente evitada.

A Educação é das áreas sobre a qual todos opinam — muitos considerando que pelo facto de terem passado pelos bancos das escolas ganharam essa legitimidade, outros simplesmente porque sim e uma minoria porque a democracia os investiu como representantes do povo… Não raras vezes, em debates sobre Educação (no âmbito do não superior) promovidos pelas mais diversas entidades, estes primam pela ausência de professores e alunos, permitindo que erros crassos grassem ao sabor das convicções. Regra geral, quase sempre estão presentes autarcas (reconheço em alguns brilhantismo neste domínio, tanto no discurso como na ação), professores universitários (das mais diversas proveniências académicas) — procuro a razão de alguns destes docentes, ilustres cronistas da nossa praça, raramente escreverem sobre os problemas que enfermam o ensino superior, preferindo compadecer-se em relação ao ensino para o qual olham de cima — e outras personalidades, mais ou menos enigmáticas.

[…]

É necessário que fundamentem com rigor as suas abordagens ideológicas para a Educação, não se ficando por frases bonitas, que soam bem, mas impregnadas de vacuidade. Esta atitude descredibiliza os partidos e quem os serve, em nada beneficiando uma área que deveria ser das mais amadas. Mas não! Não o é! Infortunadamente!

Que sabem mais dizer sobre Educação alguns dos nossos políticos que não seja serem defensores da escola pública? O que pensam eles sobre a instabilidade legislativa neste setor? Que medidas se predispõem promover para a valorização da profissão docente? Como se posicionam face a um Pacto na Educação tendo em conta questões estruturais? Qual a sua opinião sobre as mudanças constantes na avaliação dos alunos? Como se definem relativamente à não estabilização curricular? Perspetivam colocar os principais problemas da Educação na agenda política? Estas são algumas das questões a que, prescindindo de divagações ou subterfúgios, deveriam dar resposta, sem se fecharem em banalidades ou em registos politicamente corretos, esgotados já de sentido. Urge debater séria e frontalmente a Educação.

Não há mais paciência para a demagogia política, para a opacidade declarada em termos gerais, manifestamente abstratos, sobejamente apropriada pelos representantes dos partidos políticos quando se referem à Educação do país, devendo assumir como sua obrigação a explanação, com verdade, do que pensam e estão resolvidos a fazer em prol da área mais importante de qualquer sociedade democrática moderna.