O fim do ano lectivo em 25 imagens – III

Última parte da sequência de tweets que ilustra brilhantemente, em imagens de filmes de animação, as peripécias e afazeres do final de ano lectivo nas escolas espanholas. Mas bem poderia ser, afinal de contas, numa qualquer escola portuguesa.

Boas férias!

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O fim do ano lectivo em 25 imagens – II

Continuação da série ilustrativa, gráfica e bem humorada, do final do ano lectivo. Adaptado da conta Twitter Dilo en voz alta

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O fim do ano lectivo em 25 imagens – I

Com quase todos os alunos já de férias – excepto alguns retardatários que se deixaram ficar para os exames da 2.ª fase – recordo algumas das típicas cenas do final de ano lectivo. O trabalho original, que traduzi e adaptei, é da inspiradíssima conta Twitter Dilo en voz alta. Os bonecos são de diversas animações Disney. Quanto à realidade escolar aqui retratada, está longe de se restringir ao país vizinho… 

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Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Exames mais acessíveis

A época de provas e exames nacionais é, tradicionalmente, uma fase crítica do nosso ano escolar. Para mais de cem mil alunos, sobretudo do ensino secundário, é o momento de pôr à prova os conhecimentos e competências adquiridos ao longo do ano, confrontando-os com as exigências das provas nacionais. Dos resultados obtido depende, muitas vezes, a possibilidade de se concretizar, ou não, a ambição de ingressar no curso superior pretendido…

No Fundo: Um calendário escolar desajustado

Foi publicado, como é habitual nesta altura do ano, o calendário escolar de 2019/20. Em ano de eleições não se esperariam surpresas numa matéria sempre sensível. Ainda assim, há um balanço negativo que não pode deixar de ser feito e que passa pela persistência, ao longo de toda a legislatura, de um modelo desadequado de organização do ano escolar…

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: O ME nos tribunais

…É nesta fase que se torna evidente o que já se antecipava: as novas regras de recuperação faseada atenuam, mas não resolvem, a situação injusta que representa haver professores que, progredindo mais tarde, mudam novamente de escalão mais depressa do que, por exemplo, os que progrediram em 2018. Uma injustiça que se vem juntar a outras, como as decorrentes dos reposicionamentos, cujas regras permitem que docentes que ingressaram mais tarde na carreira ultrapassem os que foram vinculados no tempo da troika…

No Fundo: Facilitismo nas avaliações finais

O quadro legal instituído pelos diplomas legais que regulam a inclusão escolar – o “54” – e a flexibilidade curricular – o “55” – veio estabelecer uma espécie de direito natural ao sucesso escolar. A ideia é: se o aluno não aprende, seja por que razão for, algo deverá ser feito, quer ao nível pedagógico, quer na vertente da avaliação, para obter sucesso…

Média de 40%? Está aprovado!

smiling-boys-carry-girl-glasses-260nw-1161752017O rumor é preocupante, mas sabendo-se o que se sabe sobre as práticas pró-sucesso de alguns agrupamentos e da pressão ministerial para que “ninguém fique para trás”, não custa muito acreditar que isto esteja mesmo a acontecer:

…chegou-me a informação de que alguns agrupamentos, alegadamente através dos seus conselhos pedagógicos, têm autonomia para, no decorrer do ano lectivo (e alguns até mesmo uma semana antes da realização das reuniões de avaliação de final de ano lectivo), alterarem por completo os critérios de avaliação definidos desde o início do ano e “deliberarem” que, para os alunos obterem aprovação em cada disciplina, deverão os desempenhos mínimos de avaliação fixar-se entre os 40% e os 45%.

Aparentemente, muitos agrupamentos sondam os seus professores (por departamentos) antes da deliberação em pedagógico sobre a fixação destas percentagens de desempenho…

Quando as normas do “54” e do “55” irromperam pela organização escolar, logo me pareceu que aquele ritual anual de elaboração ou revisão dos critérios de avaliação iria rapidamente perder significado. Pois de que interessam critérios iguais para todos, se agora a avaliação é suposto fazer-se à medida das necessidades – ou da preguiça – de cada um?

Importante seria não nos ficarmos apenas pelos rumores e começar a ser dada alguma visibilidade pública aos registos escritos que documentam este facilitismo avaliativo. E  que assinalam a chegada em força da flexibilidade curricular às pautas do 3.º período.

Receito-lhe… a passagem de ano!

aluno-preg.pngO “direito ao sucesso” inspira algumas estórias engraçadas, mas como esta nunca tinha ouvido. Uma encarregada de educação visita o director de turma no final do ano para lhe entregar um relatório psiquiátrico referente ao seu educando. E, de imediato, vai informando: diz aí que é para o meu filho passar de ano…

O aluno tem alguns problemas de aprendizagem, mas é acima de tudo pouco esforçado e trabalhador. Apesar das várias medidas de apoio implementadas, não supera as suas dificuldades, essencialmente por falta de trabalho, concentração e estudo.

O relatório médico dirigido aos professores lembra que, ao abrigo do novo regime de inclusão, é suposto terem sido tomadas todas as medidas necessárias para que o aluno melhorasse os seus resultados. Não ganha nada em ficar retido. Prescreve, por isso, a passagem de ano.  Nas entrelinhas, entende-se a mensagem: o rapaz tem direito ao sucesso, arranjem lá maneira de o passar.

O novo paradigma inclusivo veio para ficar e estes casos irão, certamente, multiplicar-se. O direito à inclusão envolve acompanhar a turma que transita de ano, sem que nenhum aluno fique para trás. E o princípio da universalidade das medidas implica que qualquer aluno possa e deva ter a vida facilitada. Ou porque não é capaz de fazer como os outros – o que é aceitável – ou porque simplesmente não quer – e nesse caso devem os professores fazer por ele, aplanando-lhe o caminho e removendo os obstáculos que o poderiam cansar e desmotivar.

Ainda assim, e apesar das intromissões, avaliar continua a ser prerrogativa dos professores. E, ao que parece, ainda vai havendo alguns que se mantêm renitentes à ideia de que a falta de exigência seja um bom serviço educativo que prestam aos seus alunos.

As notas ainda não saíram, mas palpita-me que, neste caso de que ouvi falar, a tentativa de garantir sucesso escolar por prescrição médica não tenha sido bem sucedida.