Fundo de greve para os professores

mealheiro.gif…os sindicatos vão discutir novas formas de luta “radicais”, que podem deixar os alunos do 12.º ano sem aulas no terceiro período. E querem uma greve financiada pelos professores, através de fundos criados dentro das escolas, numa clara imitação do que se passou com a greve dos enfermeiros cirúrgicos, financiada através de crowdfunding. “Aqui não temos de andar a explicar de que fontes externas vem o dinheiro”, ironiza Mário Nogueira, da Fenprof.

O endurecimento do protesto dos professores também faz lembrar o dos enfermeiros nos blocos operatórios – tanto pela duração como pelo método de financiamento. Mas, neste caso, sublinham os sindicatos, não há recurso a um crowdfunding em plataformas públicas, mas sim a quotizações entre os professores.

O presidente do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades, que também faz parte da plataforma de dez sindicatos que tenta negociar com o governo, reconhece ao DN que a proposta para fazer uma greve nos anos finais de ciclo é das que têm mais adeptos – “temos recebido centenas de pedidos” – e frisa que os sindicatos estão “disponíveis para avançar com as propostas que forem aprovadas pelos professores”.

A ideia é discutida há algum tempo nos blogues especializados de professores. Num post do final do ano passado, a propósito das negociações sobre o tempo de serviço, um dos autores do blogue Com Regras apontava para uma greve de um mês no início do próximo ano letivo – que já defendia “ainda antes de ouvir o que os enfermeiros pretendem fazer” – com recolha de fundos, sensibilizando a população em geral, mas principalmente canalizando uma percentagem da quota sindical para esse fundo.

A ideia já não é nova: ainda há pouco mais de meio ano se recorreu à quotização entre os professores para financiar a greve às avaliações, de forma a que o esforço financeiro se diluísse entre todos os apoiantes. Só assim, aliás, foi possível manter o boicote às reuniões durante quase dois meses. Mas o recente e bem sucedido crowdfunding que tem estado a financiar a greve cirúrgica dos enfermeiros, se por um lado levanta suspeitas e polémicas quanto à origem do dinheiro, também leva alguns professores a questionar: em vez de lutas mornas e inconsequentes, por que não organizamos a nossa própria greve cirúrgica, criando desde já o respectivo fundo de greve?…

Antes de mais, uma ressalva importante: um fundo de greve, quer seja nos moldes da greve às avaliações do ano passado, organizado a nível das escolas, quer seja no modelo mais aberto do crowdfunding adoptado pelos enfermeiros, só é eficaz numa greve que poucos fazem e muitos apoiam. Não vale a pena semear ilusões acerca de fundos que, reunindo uns tostões, os transformariam em milhões quase de um dia para o outro. Muito menos pensar, como já tenho visto escrito por aí, que as quotas pagas pelos professores sindicalizados dariam para constituir mirabolantes fundos de greve.

Esclarecidos estes pontos prévios, olhemos agora a substância da questão: o que poderia equivaler, entre os professores, a uma greve cirúrgica como a dos enfermeiros? Teria de ser, obviamente, uma greve a doer, causando sérios embaraços ao governo. Não poderia durar apenas um dia, ou mesmo uma semana, como as que habitualmente se fazem para “mostrar o descontentamento” ou “marcar posição”. Implicaria assumir o ónus da impopularidade junto da opinião pública, que o governo e a casta de opinadores avençados na comunicação social tentariam certamente suscitar. Teríamos de estar preparados para a acusação de prejudicarmos gravemente o futuro dos nossos alunos, assim como os enfermeiros foram e são acusados de colocar em risco a saúde e a vida dos doentes.

Vencidas e assumidas estas dificuldades, julgo que a melhor “greve cirúrgica” ao alcance dos professores deveria concentrar o seu impacto num ano de final de ciclo – preferencialmente, o 12º ano. Até poderia ser uma greve às avaliações, que agora fica mais dificultada e terá seguramente maiores custos, mas não é impossível. Ou, em alternativa, uma greve prolongada às aulas no 3º período. Uma ou outra, nem precisaria de ser feita em todas as escola, tal como os enfermeiros não pararam todos os blocos operatório. Poderia ser, para maior eficácia, concentrada nas escolas onde estão matriculados mais alunos finalistas do secundário. Havendo um número suficiente de docentes motivados para fazer a greve por tempo prolongado, devidamente ressarcidos pelos fundos de greve entretanto criados, os professores estariam a atacar o governo onde realmente faz mossa – no sistema de acesso ao ensino superior, que tem prazos e procedimentos bem definidos e onde qualquer atraso iria criar rapidamente alarme social.

Como escrevi em devido tempo, a greve às avaliações do ano passado não se perdeu no final de Julho, quando uns quiseram ir a banhos e outros pretendiam continuar por Agosto dentro, prisioneiros da sua própria estratégia. A greve perdeu-se muito antes, quando se aceitou dar as notas aos alunos dos anos com exames. A partir daí, dispondo das avaliações em que tinha realmente urgência, o ME pôde dar corda aos professores, deixando-os cansar-se sozinhos numa greve que aos poucos se foi esvaziando de significado. Relembro estes factos, não para acusar ou criticar seja quem for, muito menos para reavivar polémicas ou alimentar divisionismos e ressentimentos. Faço-o apenas porque acredito na capacidade que todos devemos ter de aprender com a experiência e com os erros cometidos. No ponto a que chegámos, uma nova e ainda mais dura greve só fará sentido se houver a vontade clara de ir até onde for preciso para obrigar o governo a cedências efectivas. Se essa vontade não existe, então o mais seguro é não ir sequer à luta…

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Posso fazer greve às reuniões de avaliação?

reuniao-avalClaro que sim, caso as reuniões sejam marcadas para além do serviço lectivo e não-lectivo registado no horário dos professores. Independentemente de serem, ou não, de avaliação. E não há lugar a desconto na remuneração: nenhum professor pode ser obrigado a cumprir serviço extraordinário quando este nem sequer é remunerado.

Quanto às escolas que se preparam para ocupar os dois dias da mini-pausa do Carnaval com reuniões: também só vai quem quer. Haverá um pré-aviso de greve a cobrir estes dois dias, neste caso com desconto no vencimento dos grevistas.

Face às dúvidas que têm chegado à FENPROF, esclarece-se:

 

Reuniões de avaliação, dia 1

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Não sei se será preciso mandar umas fumaças, como sugere o cartoon do sempre inspirado Paulo Serra, ou se será necessária uma sessão prévia do mindfulness agora tão em voga nalgumas escolas…

Mas há uma enorme irracionalidade nesta obsessão de transformar as reuniões de avaliação em sessões de produção e verificação de papelada.

Uma azáfama que começa muitos dias antes, com os directores de turma a recolher todo o tipo de informações – relatórios, justificações, participações, monitorizações – e quase sempre se prolonga por mais umas horas, depois da reunião terminada – é preciso conferir pautas e registos, finalizar a acta, imprimir documentos…

Continuamos presos – ou melhor, querem-nos prender – à ideia de que transformamos a realidade, não através da acção, mas escrevendo sobre ela. Perante a falta de meios para construirmos a escola que realmente queremos, criamos no papel a escola virtual onde tudo funciona às mil maravilhas…

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Final de período

Julgo que nunca como agora o primeiro período foi sentido como uma verdadeira maratona de resistência por um número cada vez maior de professores. Cansados e desgastados, muitos docentes sentem-se desmotivados e desmoralizados justamente por quem teria a obrigação de os motivar e de criar condições para poderem fazer bem o seu trabalho: as direcções escolares e,acima de tudo, o Ministério da Educação…

No Fundo: O 54, o 55 e os outros

Se chegar incólume ao final do período lectivo não foi fácil, há uma provação final que falta ainda superar: as reuniões de avaliação. Não pelo acto de avaliar os alunos, algo que é intrínseco e natural na profissão de professor, mas pela quantidade de burocracia que se vai acumulando em torno de processo avaliativo. Este ano, com a entrada em vigor de nova legislação, tudo se está a complicar ainda mais…

Divulgação: Tomada de posição dos professores nas reuniões de avaliação

professoresA proposta da Fenprof parece-me ser oportuna e fazer todo o sentido: nos primeiros conselhos de turma que se realizam em subordinação às regras do Código do Procedimento Administrativo, os professores devem registar o seu protesto por esta subversão dos critérios pedagógicos, e não meramente administrativos, que deveriam nortear as reuniões dedicadas à avaliação dos alunos.

Tomada de posição a incluir nas atas das reuniões de Conselhos de Turma de Avaliação

Vão começar as reuniões de Conselho de Turma de avaliação de final do 1.º período. VAMOS APROVEITAR PARA TOMAR POSIÇÃO, EM NOME DA QUALIDADE DE ENSINO E DE UMA AVALIAÇÃO JUSTA! 

NA SEQUÊNCIA DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA IMPOSTA AO FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE TURMA DE AVALIAÇÃO, A FENPROF APELA AOS PROFESSORES QUE DEIXEM EM ATA A SUA OPOSIÇÃO A ESSA DECISÃO.

POSSÍVEL TOMADA DE POSIÇÃO: 

Sendo esta reunião a primeira que se realiza após a alteração do regime de funcionamento dos conselhos de turma de avaliação, sujeitando-os às regras de quórum previstas no Código do Procedimento Administrativo (Portarias 223-A/2018 e 226-A/2018, de 3 e 7 de agosto, respetivamente), os professores presentes entendem deixar expresso o seu repúdio pela referida alteração, por considerarem que a mesma desvirtua a natureza pedagógica da avaliação. A revogação de uma tal decisão assume-se, assim, como essencial, não apenas por respeito pela profissionalidade docente, mas também para que os interesses dos alunos possam ser devidamente salvaguardados.

Preparar as avaliações

Professor no interior do país a gastar dos dados pessoais, velocidade quase zero, a analisar o 54 para não resultar num 31.

netmovel.jpg

Mais um inspirado cartoon do nosso colega Paulo Serra.

Testes de avaliação

pilha-testes.gifCorrigindo a primeira fornada de testes.

A caneta vermelha.

A contar para a nota final.

Oprimindo os alunos com o conhecimento.