Tiago Flop Rodrigues

 

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Daqui.

Em busca da Verdade

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© Antero Valério

Músicas de Verão: Quim Barreiros – Quero ser banqueiro

Há uma higiénica distância que as elites nacionais gostam de manter em relação aos cantores populares que todos os anos percorrem, com assinalável sucesso, o circuito das festas, feiras e romarias.

Sendo os gostos musicais discutíveis, a verdade é que Quim Barreiros, talvez o mais popular de todos e o que há mais tempo se mantém em actividade, continua a ter uma enorme legião de fãs incondicionais por esse país fora, vive do seu trabalho e nunca constou que andasse a enganar ou a roubar a clientela que lhe compra os discos ou assiste aos seus espectáculos.

Ao contrário dos ladrões de colarinho branco que resolveu retratar numa das suas últimas cantigas. E que revela, do homem, uma dimensão política – no melhor sentido do termo – que lhe desconhecia…

Quando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que assim não vou para a prisão.

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Recuperação parcial não, obrigado

No final da semana em que termina o prazo para os docentes do quadro decidirem como querem recuperar os 2 anos, 9 meses e 18 dias que o governo entendeu conceder-lhes, destaco o caso de um professor que, em carta aberta às excelências que (des)governam a educação, assume que não quer o “prato de lentilhas” nem por inteiro nem às prestações: prescinde da esmola dos 1018 dias que o governo atribui aos professores como compensação por quase dez anos de congelamento das carreiras…

No Fundo: Um governo de enganos

A expressão é de uma deputada do PSD, mas creio que, independentemente do contexto de luta político-partidária em que surgiu esta semana, caracteriza adequadamente a política do actual governo em vários sectores. Entre eles, certamente, o da Educação. De facto, este sempre foi mais um governo de prometer do que de realizar…

Amnésia

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: A mentira desmascarada

Foi dito e repetido até à exaustão, por diversos governantes e por jornalistas e comentadores demasiado habituados a repetir, sem confirmar, a informação falsa que lhes é transmitida por fontes governamentais: a recuperação integral do tempo de serviço dos professores custaria anualmente ao país 635 milhões de euros, em resultado dos aumentos salariais decorrentes das progressões.

Mas a verdade é que o rigor daquele número nunca foi demonstrado…

No Fundo: 2 anos, 9 meses, 18 dias

Parece ter chegado ao fim a longa luta dos professores pela contagem integral do tempo de serviço que perderam durante os períodos de congelamento das progressões. Frustrada a tentativa de alteração, por via parlamentar, do decreto do governo, prevalece o que este tinha decidido unilateralmente: os professores só irão recuperar cerca de 30% desse tempo.

O governo socialista emerge como claro vencedor neste processo…

A aldrabice de Centeno

mario-centeno.JPGA divulgação de um relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) apontando para um custo líquido anual de 567 milhões de euros da recomposição integral de todas as carreiras especiais – professores e não só – motivou esta tarde uma chuva de críticas, da esquerda e da direita, ao ministro das Finanças, Mário Centeno, e ao primeiro-ministro António Costa. O Ministério das Finanças já reagiu considerando “totalmente arbitrário” o valor que esta unidade de apoio ao parlamento estima que regresse aos cofres públicos por via das contribuições e impostos.

Em causa, nas críticas feitas por vários deputados no parlamento, está a diferença assinalável para os valores brutos (800 milhões) de que o governo tem vindo a falar.Mas também o facto de a UTAO ter defendido que, embora seja certo que a eventual devolução de todo o tempo de serviço “deteriora o saldo estrutural face ao cenário contemplado” no pacto de Estabilidade e Crescimento 2019/23, esta “não impedirá o cumprimento das regras orçamentais relativas ao Objetivo de Médio Prazo”.

Os números da UTAO vêm confirmar o que todas as análises isentas e honestas nesta matéria não poderão deixar de constatar: o impacto financeiro da recuperação do tempo de serviço das carreiras especiais está muito longe de atingir os 800 milhões de euros anunciados por Mário Centeno. Recorde-se, no entanto, que este é o valor que atingiria a despesa num cenário, que nunca esteve em cima da mesa, de recuperação total e imediata do tempo, com reposição de todos os trabalhadores no escalão correspondente. Sendo feita gradualmente, como sempre foi defendido, este valor só será atingido no final do prazo de recuperação, que iria, se fosse adoptada a solução da Madeira, até aos sete anos.

De qualquer forma, a discussão em torno de números nunca será suficientemente esclarecedora. Porque o Governo esconderá sempre parte da informação relevante, o que lhe permitirá dizer que as contas dos outros estão mal feitas. Tão ou mais importante do que a denúncia dos números falsos de Centeno, é a constatação de que o aumento de despesa com as progressões não colocará em causa o cumprimento dos objectivos orçamentais a médio prazo.

Bloco de Esquerda e PCP, envolvidos em disputa verbal com os deputados socialistas, não hesitaram em denunciar a aldrabice e a mentira promovidas pelo ministro das Finanças que gosta de ser reconhecido como paladino do rigor orçamental. Atacado à esquerda e à direita, o PS não tem no entanto motivos para se preocupar: a ameaça e a chantagem deram frutos. Os partidos que convergem nas críticas ao comportamento do Governo e à forma como este trata os professores mostram-se incapazes de fazer justiça a uma classe profissional que merecia melhor tratamento dos representantes do povo.