Música para as mulheres iranianas: Samin e Behin Bluri – Bella Ciao

Como homenagem à determinação e coragem das mulheres iranianas na sua luta pela liberdade frente a um regime misógino, machista e opressor, eis a versão persa do velho hino da resistência italiana, interpretado aqui por duas jovens iranianas…

Plenário Nacional – Docentes contratados

Plenário e desfile de professores em Lisboa

Centenas de professores reunidos esta sexta-feira em Plenário exigiram do Ministério da Educação o fim do bloqueio negocial e um diálogo consequente para resolver os problemas da profissão docente, como explicou aos jornalistas o Secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira.

Após o plenário, realizado no Jardim da Estrela, em Lisboa, os professores desfilaram, em cordão humano, pela Avenida Infante Santo até às instalações do ME, onde entregaram a moção a provada e o abaixo-assinado que reuniu mais de 17 mil assinaturas e onde estão resumidas as principais reivindicações dos docentes. Recorde-se que este abaixo-assinado já foi entregue à Assembleia da República, em forma de petição, e já foi debatido na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência.

Claro que nesta altura do ano, com o calor a apertar e as férias à porta para a grande maioria dos docentes, não seria de esperar mais do que umas escassas centenas de docentes no plenário e subsequente desfile marcado, para o dia de ontem, pela Fenprof.

E, no entanto, os que marcaram presença, fizeram-no em nome de toda a classe docente, defendendo ideias e objectivos com os quais a generalidade dos professores se identifica. Poderiam eventualmente ter antecipado o fim de semana, ido à praia ou a qualquer outro local de diversão, ou simplesmente dar azo ao descontentamento e à frustração nas redes sociais, confortavelmente instalados à fresca, como tantos fazem. Em vez disso, escolheram representar-nos a todos no esforço de manter acesa a chama reivindicativa, dando testemunho público das reivindicações dos professores.

É por isso que, ao contrário do discurso de gozo ou de mal dissimulado desprezo que, a respeito destas coisas, ganha facilmente likes nos blogues e redes sociais, preferirei sempre render a minha homenagem aos que lutam por nós todos. Não estive presente, e é verdade que já acreditei mais na eficácia da luta de rua do que acredito hoje. Mas aqueles que, contra ventos e marés, a mantêm viva, são no mínimo merecedores do nosso respeito.

Fica, num curto vídeo, o resumo do evento.

Fenprof adia para dia 15 plenário e desfile de docentes

Um adiamento inteiramente justificado pela onda de calor, na expectativa de que, lá para o final da semana, o tempo fique um pouco mais fresco. Quanto ao resto, entende a Fenprof que mantendo-se inalteradas as razões do protesto, não há razões para desistir…

MPD – Plenário online

O tema continua na ordem do dia, apesar de o Governo ter já feito aprovar novo diploma legal sobre a mobilidade por doença.

A Fenprof não quer deixar cair o assunto, e no plenário online que hoje se realiza haverá pelo menos dois pontos importantes a debater: o que muda com a nova legislação e o impacto que isso irá ter na mobilidade de perto de dez mil docentes que até aqui recorriam à MPD e também, apontando para o futuro, o que estarão os professores e os seus sindicatos dispostos a fazer para conseguir regras mais justas nos concursos, nas mobilidades, nos quadros e nas contratações.

A sessão realiza-se via Zoom a partir das 16:30h. Para participar, aceder por aqui: shorturl.at/lyPX4

NÃO ACEITEM

O maior problema dos professores, cada vez me convenço mais, é aceitarem passivamente tudo o que lhes lançam para cima.

Remetemos a contestação para “os sindicatos”, ignorando que estes só têm a força que os seus representados lhes conferem. Queremos greves, mas apenas se forem outros a fazê-las. Refilamos nas redes sociais ou aos cochichos no canto da sala de professores, mas obedecemos como carneirinhos a todos os caprichos dos senhores directores e de quem está acima deles, mesmo em coisas que nem uns nem outros têm base legal para exigir.

Contestar, recusar, subverter o sistema onde ele pode e deve ser implodido, começando por exemplo pela burocracia insana que grassa nas escolas ou desertificando as formações maiatas e o frenesim da transição digital. Os professores precisam de se impor: já se viu que, desta geração de políticos, nunca obterão o respeito que reclamam. Terão de o conquistar.

A fotomontagem do Luís Costa é inspiradora.

Greve de professores na Catalunha

Os docentes catalães cumpriram na passada sexta-feira o seu terceiro dia de greve, protestando contra as políticas educativas do governo regional, a imposição de reformas no sector e a falta de diálogo com os professores e seus representantes. Contestam, não a redução de cinco dias nas férias escolares, como a desinformação governamental tem insinuado, mas os dez anos de cortes no sector da Educação e que se reflectem na falta de recursos nas escolas e na precarização do trabalho docente.

Entre as principais razões do descontentamento, que levou à paralisação de escolas e reuniu cerca de dez mil professores em protesto nas ruas de Barcelona, está a imposição de uma reforma educativa que prevê a fusão de disciplinas curriculares, projectos transdisciplinares e o ensino por competências. Algo não muito diferente do que, de forma menos conflitual, mas não menos insidiosa, se tem feito em Portugal ao abrigo da “autonomia e flexibilidade curricular” enunciada no decreto-lei n.º 55/2018. Só que enquanto por cá há uma apatia quase total entre o corpo docente das escolas perante as mexidas curriculares, a avaliação maiata ou as filosofias “ubuntu”, na Catalunha, e um pouco por toda a Espanha, tomam forma movimentos de protesto dos professores contra as políticas insensatas que põem em causa a qualidade da educação.

Entre as possíveis razões da maior mobilização docente, em Espanha, na defesa da qualidade da Educação e não apenas em torno das questões ditas corporativas, estará o facto de, em resposta à pandemia, várias comunidades autónomas terem reduzido o tamanho das turmas para melhorar a segurança sanitária no interior das salas de aula. Muitos professores experimentaram, pela primeira vez, a diferença entre dar aulas a uma turma de 20 face a uma turma de 30 alunos. Perceberam que tudo aquilo que se tenta exigir à “escola do século XXI” – atenção à diversidade, pedagogias diferenciadas, individualização do ensino, aprendizagens activas – só é possível com grupos reduzidos. E esta tornou-se uma resposta habitual dos nossos colegas espanhóis sempre que lhes vêm com exigências impossíveis de cumprir ou a converseta da redução do insucesso escolar: bajen las ratios!

Novas profissões, a luta de sempre

Meia centena de motoristas TVDE em protesto por taxa fixa de serviço e mais fiscalização

Enquanto existir capitalismo existirá luta de classes, como ensinava o velho Marx: se o lucro dos patrões depende da exploração do trabalho, existirá sempre um conflito insanável entre a maximização do lucro e a melhoria dos salários dos trabalhadores.

A nova economia do século XXI apenas criou, neste quadro, novas nuances – o motorista pode ser dono do meio de produção, neste caso o automóvel, e a relação laboral entre milhares de “colaboradores” dispersos e isolados e um patrão sem rosto ser mediada por uma plataforma informática – mas o conflito de interesses, acicatado pela precariedade dos trabalhadores, a ganância dos empresários da nova economia e a permissividade das regras da economia globalizada, continua lá.

Insatisfeitos com a sua situação, os trabalhadores das plataformas TVDE descobrem e exploram as melhores formas de lutar pelos seus direitos e resistir à exploração: dar visibilidade pública à sua luta, pressionando o patronato e o poder político. E lutarem em conjunto, unidos na acção e nas suas exigências e reivindicações comuns. Isolados, o patrão dobra-os um a um.

Nunca desistam!

Um sucesso inesperado?

A greve desta sexta-feira terá encerrado cerca de 95% das escolas e foi provavelmente a greve da Administração Pública que encerrou mais escolas, afirmou o dirigente da FENPROF, Mário Nogueira, num balanço a meio da manhã.

“Pelos menos 95% estão encerradas (..) e é provavelmente a greve que fechou mais escolas no nosso país”, afirmou o dirigente sindical, numa declaração pública sobre os efeitos da paralisação, em Lisboa.

Mário Nogueira adiantou que a participação dos professores no protesto “é elevadíssima”, e que só nos próximos dias serão divulgados dados mais precisos sobre a adesão ao protesto.

Ainda será cedo para conclusões definitivas, mas pelo que se vai sabendo, parece que esta greve geral da administração pública está a ter níveis de adesão que poucos esperariam, tendo em conta o actual momento político. Mesmo sabendo que do outro lado não existe um governo a prazo, sem capacidade de negociar compromissos para o futuro, os trabalhadores das escolas, hospitais e outros serviços públicos aproveitaram a oportunidade para mostrar a sua frustração e o seu descontentamento, ao fim de tantos anos de promessas vãs e soluções adiadas.

Adianta pouco virem, os detractores de todos os protestos laborais, com o estribilho das greves à sexta-feira e dos fins de semana prolongados, como se, por exemplo, os trabalhadores não docentes que hoje encerraram as escolas tivessem, com o salário mínimo que recebem ao fim do mês, dinheiro para extravagâncias.

A verdade é que, venha o governo que vier, há um trabalho a fazer na dignificação do trabalho nos serviços públicos, que passa pela revalorização das carreiras e tabelas salariais, a melhoria das condições de trabalho, o rejuvenescimento dos quadros e uma avaliação do desempenho incentivadora do mérito e da melhoria da qualidade do serviço em vez de meramente economicista, punitiva e vexatória para os profissionais. Esquecidos e maltratados por sucessivos governos, os trabalhadores em greve fazem questão de o relembrar.

“Surfar na greve que outros fazem”

Em dia de greve geral da administração pública, haverá por certo boas razões tanto para a ela aderir, demonstrando a actuais e futuros governantes o descontentamento geral que paira entre os trabalhadores do Estado, como para a considerar extemporânea ou irrelevante.

Há no entanto matéria para reflexão nas palavras que Luís Braga publicou, a este respeito, no Facebook: se posso beneficiar com a greve dos outros, porque a hei-de fazer eu?…

Trouxe-me a lembrança daquela colega que, já bem instalada no topo da carreira, desabafava com uma assistente operacional da sua escola: vocês podem bem fazer greve, que o desconto é pequeno, mas a mim tiram-me muito dinheiro por um dia de greve…

Hoje iniciei o dia a contar os assistentes operacionais que fazem falta para manter abertas as escolas e jardins de infância do agrupamento em que sou dirigente.

Fecharam, sozinhos e sem conversas da treta professorais, uma EB23, 3 EB1 e um jardim de infância. E nos agrupamentos vizinhos foi na mesma linha.

E, por esse país fora, estão a dar um sinal de dignidade e luta que me envergonha pelo meu grupo profissional. Uma greve que mostra ao governo a falta que faz dar dignidade ao setor público. E que, ao fechar escolas, mostra a falta que elas fazem.

Neste dia em que fecham escolas e mostram a falta que fazem, a descontar um dia de salários mínimos, acredito que a melhor forma de solidariedade não é surfar a greve “deles” para ter um dia livre.

É fazê-la com eles.

Por isso, aderi à greve. Porque ela também devia ser “dos professores” . E porque quando é só nossa não chega a ser.