A outra manifestação de professores

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Aconteceu ontem na Madeira, e terá sido o maior protesto de sempre da classe docente no arquipélago.

Registe-se que, nesta região autónoma, os professores receberam garantias de que veriam o tempo de serviço descongelado e um acesso às progressões sem os entraves que estão a ser colocados aos professores do continente. Mas, também por lá, parece haver pouca vontade de passar rapidamente das palavras às acções, honrando os compromissos assumidos.

O Sindicato dos Professores da Madeira disse, há instantes, que a manifestação deste sábado “poderá ter sido a maior ação reivindicativa profissional” alguma vez realizada na região, com mais de 800 participantes.

“Ao contrário do que dizem as primeiras notícias da comunicação regional (produzidas no início da concentração), a Manifestação Nacional de Professores, realizada, hoje, no Funchal, contou com a presença de largas centenas de participantes, como se pode, aliás, confirmar pelos registos fotográficos e de vídeo divulgados no facebook do SPM e de muitos dos participantes”, disse o SPM.

Efetivamente, adiantou, “esta poderá ter sido a maior ação reivindicativa profissional de sempre já realizada na RAM. Na verdade, se em novembro foram mais de 800 os manifestantes; desta vez, terão sido, na opinião de muitos dos docentes que estiveram nas duas, ainda mais”.

De acordo com o SPM, este foi “um sinal claro de que os professores e os educadores exigem a resolução dos problemas que os afetam e de que se cansaram das promessas repetidas até à exaustão, nomeadamente no se diz respeito à prometida recuperação integral do tempo de serviço dos períodos de congelamento”.

No final, junto à residência oficial do presidente do Governo regional foi aprovada, por unanimidade, uma resolução que exige a apresentação de soluções concretas pela SRE, até ao final de maio. “Se tal não se verificar, os docentes presentes decidiram-se pela intensificação da luta, admitindo, entre outras possibilidades, greves regionais às avaliações de final de ano letivo”, disse.

Recorde-se que esta foi uma manifestação que contou com a participação do Sindicato dos Professores da Madeira e do Sindicato Democrático dos Professores da Madeira.

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Colaborações: ComRegras

No Topo: A Manifestação Nacional de Professores e Educadores

Dezenas de milhares de professores, vindos de todo o país, concentraram-se hoje no Marquês de Pombal, em Lisboa, para descerem a Avenida da Liberdade até ao Rossio, em luta pelos seus direitos e em defesa das suas reivindicações: entre as mais importantes e urgentes, a recuperação dos quase dez anos de tempo de serviço congelado, o fim dos abusos nos horários e da sobrecarga de trabalho nas escolas, concursos justos e um regime especial de aposentações que responda aos graves problemas de envelhecimento e desgaste profissional da classe docente…
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No Fundo: O pacto de regime contra os professores

Um conjunto de matérias relevantes para os professores estiveram esta semana na agenda parlamentar. Através de uma alteração legislativa proposta pelo PCP, pretendia-se que os concursos de professores passassem a ser anuais, com regras mais claras, transparentes e equitativas, sem critérios injustos e arbitrários nem ultrapassagens indevidas. E um projecto de resolução apresentado pelo BE recomendava ao governo a negociação de um regime extraordinário de aposentações que atenuasse os efeitos do envelhecimento e do elevado desgaste profissional que se reconhece existir entre os professores…

Os vídeos da manifestação de 19 de Maio

Reportagem do site Esquerda.net sobre a manifestação:

Reportagem da SicNotícias:

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Intervenções de Mário Nogueira:

Uma grande manifestação de professores

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O casamento do príncipe inglês, de manhã, e os mais recentes episódios da novela rasca protagonizada pelo ainda presidente do Sporting, à tarde aliados à pouca simpatia de boa parte da comunicação social pela luta reivindicativa dos professores, roubaram algum mediatismo à grande manifestação dos docentes portugueses.

Que não sendo nem podendo ser comparável, em termos de adesão, às grandes manifestações de 2008 – até porque os professores no activo e em condições físicas de participar serão hoje cerca de dois terços dos que então existiam – ficará ainda assim como uma demonstração expressiva de determinação, unidade e vontade de ir à luta da parte dos professores.

A Fenprof fala em 50 mil participantes, um número talvez exagerado. Mas as imagens e vídeos já disponíveis não deixam dúvidas de que dezenas de milhares de professores estiveram presentes. E dos discursos dos sindicalistas que finalizaram o protesto ficou uma certeza: a luta continua!…

No final dos discursos dos secretários-gerais de várias organizações sindicais, entre os quais Mário Nogueira da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e João Dias da Silva da Federação Nacional da Educação (FNE), foi lida uma resolução que apresenta as reivindicações que levaram milhares de professores a sair hoje à rua em Lisboa, mas também na Madeira e nos Açores.

As organizações sindicais e ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, têm uma reunião marcada para 4 de junho, data em que os sindicatos esperam ver cumpridas as suas reivindicações.

“Se tal não acontecer, os professores e educadores manifestam disponibilidade para continuar a luta, se necessário ainda no presente ano escolar”, conclui a resolução hoje aprovada por unanimidade.

A contagem integral do tempo de serviço para efeitos de carreira, um horário semanal de 35 horas efetivas e a aprovação de um regime específico de aposentação dos professores que comece a ser aplicado já no próximo ano são três das seis exigências definidas na resolução.

Os professores querem ainda que haja “reposição da legalidade nos concursos que estão a decorrer”, assim como sejam resolvidos os problemas de precariedade nas escolas com a abertura de vagas tendo em conta as necessidades reais dos estabelecimentos de ensino.

Finalmente, os docentes defendem que a generalização da flexibilidade curricular só deve ser feita depois de avaliada a experiência que está a ser feita este ano em cerca de 200 escolas.

19 de Maio é dia de Manifestação

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Razões de uma Manifestação

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Sindicatos europeus enfrentam a Ryanair

ryanair.JPGUma forma de comemorar hoje o Dia da Liberdade é saudar o acordo entre sindicatos europeus da aviação, que decidiram ontem unir esforços na luta contra as práticas laborais abusivas da Ryanair e o sistemático desrespeito desta companhia aérea pelos direitos dos seus funcionários.

O verão de 2018 promete ser animado para a Ryanair. No horizonte da companhia aérea irlandesa está agora a ameaça de uma greve dos tripulantes de cabina à escala europeia, que poderá ter lugar nos movimentados meses de julho e agosto em países como Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda e Alemanha. Isto se até 30 de junho a empresa não cumprir as reivindicações acordadas ontem numa reunião que juntou em Lisboa, e pela primeira vez, os representantes de vários sindicatos europeus.

A uma só voz, o português SNPVAC, o belga CNE/LBC, o italiano UILTRASPORTI e os espanhóis SITCPLA e USO, exigem agora que a Ryanair aplique “a legislação nacional relativa a cada país nos respetivos contratos de trabalho”, de acordo com a Convenção de Roma, e também que adote os “mesmos termos e condições contratuais e legais a todos os tripulantes de cabina, incluindo os contratados por empresas de trabalho temporário Crewlink ou Workforce, entre outras.

As dificuldades negociais começam logo na recusa, por parte da administração da Ryanair, em reconhecer os dirigentes sindicais como interlocutores válidos: numa peculiar incompreensão da natureza do sindicalismo, alegam que não aceitam, à mesa das negociações, sindicalistas que sejam funcionários de outras companhias. Mas esta confusão deliberada entre um sindicato e uma comissão de trabalhadores não será fruto da ignorância: é apenas uma forma de tentar ter, do outro lado, negociadores mais fáceis de pressionar ou manipular.

Outra coisa que os sindicalistas europeus ontem reunidos também perceberam é que as formas de pressão que a Ryanair usa habitualmente, fazendo crer aos trabalhadores de um país que estão isolados nas suas reivindicações, se baseiam na manipulação e na mentira: em todo o lado as queixas e reivindicações são as mesmas. Pelo que faz todo o sentido que exista unidade na acção e na luta reivindicativa contra uma empresa que persiste em fugir ao diálogo e ao compromisso com os representantes dos trabalhadores.

A Ryanair foi, em diversos aspectos, uma companhia aérea inovadora nos céus europeus, contribuindo para tornar mais acessíveis as viagens aéreas e para promover o turismo em muitas cidades europeias. O modelo de negócio da empresa tem futuro, mas este também depende agora, e cada vez mais, de os seus dirigentes serem capazes de moderar a ganância do lucro, cumprir as leis dos países em que operam e respeitar os direitos dos seus trabalhadores.