Médico agredido no centro de saúde

csaude-chamusca.JPGUm médico de família do centro de saúde da Chamusca foi agredido por recusar passar uma baixa a uma utente, situação que está a indignar a Ordem dos Médicos, que vai avançar para tribunal.

O médico, recém-especialista, contou à agência Lusa que foi agredido fisicamente pelo companheiro de uma utente que lhe tinha solicitado uma renovação de baixa médica, após ter recusado passá-la.

Afinal, dir-se-á, não são apenas os professores que ocasionalmente são vítimas de agressões no seu local de trabalho. Os centros de saúde e os hospitais têm sido identificados como locais de crescente conflitualidade, com os profissionais de saúde a serem sujeitos a uma pressão excessiva da parte dos utentes e das condições de funcionamento do próprio sistema.

Há, contudo, uma diferença importante. Além de ter recebido o apoio da Ordem dos Médicos e do sindicato, também o responsável político pela Saúde percebeu que lhe competia dirigir um gesto de preocupação e solidariedade para com o médico agredido:

Segundo o profissional, o ministro da Saúde soube da situação e já lhe telefonou.

Na Educação, quando teremos um ministro capaz de condenar publicamente os actos de violência contra os professores? Ou, simplesmente, de se interessar por estas situações, de sentir a necessidade de se mostrar atento e solidário, de perceber que os problemas que enfrentam os seus profissionais, no exercício de funções, são também problemas da Educação?

Alguém imagina um certo Tiago a telefonar pessoalmente, por sua iniciativa, a um docente vítima de agressão?…

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Não à violência nas escolas do Cerco

cerco-manif.JPGOs docentes do Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto manifestaram-se, esta segunda-feira, a propósito da recente agressão que uma professora foi alvo por parte de quatro familiares de um aluno na Escola do Lagarteiro.

Apoiados pelo SPN, que convocou a manifestação, diversos professores do Agrupamento de Escolas do Cerco falaram à reportagem do JN. Com serenidade, mas de forma clara e assertiva, evocaram o seu quotidiano num agrupamento que recebe alunos difíceis provenientes de um meio familiar e social complicado. E do que está a falhar quando o Estado, que obriga todos os jovens com menos de 18 anos a frequentar a escola, não toma medidas para garantir a segurança de quem aí estuda e trabalha.

Entre os professores, expressa-se a revolta contra o facto de as pessoas não se sentirem seguras no seu local de trabalho. Falhando os apoios sociais e sendo insuficientes aqueles que a escola pode prestar aos alunos, os docentes sentem que a escola se transforma num barril de pólvora, prestes a explodir ao mais pequeno incidente. A falta de pessoal auxiliar, uma responsabilidade camarária que não estará a ser devidamente assumida, agrava os problemas, pois desguarnece o acompanhamento aos alunos e a vigilância das entradas e do recinto escolar.

Os professores lamentam ainda que, embora estejam anos sucessivos a funcionar como uma almofada da sociedade e a tentar, além de ensinar os alunos, fornecer-lhes referências morais e afectivas que a família não lhes dá, não vejam a importância do seu trabalho ser reconhecida e valorizada pelos responsáveis da Educação.

E questionam: passaria pela cabeça de alguém que um criminoso que não gostasse da sentença do juiz se virasse contra ele em pleno tribunal? Claro que não, assim como também nenhum político espera receber represálias cada vez que toma uma decisão prejudicial a alguns cidadãos. Pois é precisamente este direito de poder trabalhar sem estar sujeito a ameaças ou ofensas à sua integridade física o que os professores, à semelhança de todos os outros trabalhadores, reivindicam. Nem mais, nem menos.

Não à violência escolar!

Fica a divulgação de uma iniciativa muito oportuna do SPN e o apelo à participação de todos os colegas da região do Porto que, amanhã, possam comparecer.

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Violência contra os professores

telemovel-ja.JPGSegundo um memorando da actividade do Ministério Público (MP) na Comarca de Lisboa referente a 2017, dos 121 inquéritos iniciados em contexto escolar 87 referem-se a casos de violência contra professores.

Apenas um pequeno excerto da notícia se refere à violência escolar reportada às autoridades. Mas a informação é preocupante, pela dimensão que dá a um tipo de crimes que não costumam merecer grande atenção, nem das autoridades, nem dos responsáveis políticos, ao ponto de se diluir na criminalidade geral. Contudo, como os números evidenciam, ser professor, pelo menos nalgumas escolas públicas do nosso país, é hoje uma profissão de alto risco.

Como sucede sempre que temos um problema que precisa de resolução, a primeira coisa a fazer é assumir a sua existência. Ser insultado, assediado ou agredido não pode ser uma fatalidade a que se tenham que resignar alguns professores que tiveram a desdita de lhes calhar uma daquelas escolas ou turmas complicadas que todos sabemos existirem.

Em segundo lugar, é preciso perceber a importância de prevenir a indisciplina, a violência escolar e os comportamentos disruptivos em geral. Um caminho que não é fácil, que por vezes não sai barato, nem produz resultados imediatos, mas que é o mais eficaz a longo prazo. Implica a existência de estruturas e apoios específicos à integração escolar dos alunos problemáticos, reforçando o trabalho dos professores, e que passa por lhes incutir os comportamentos, atitudes e valores que o meio social e familiar não lhes transmitiu e que são indispensáveis à vida em sociedade, tanto na escola como fora dela.

Finalmente, combater a violência contra os professores passa também pela condenação clara e imediata de todas as agressões, intimidações, coacções ou outros actos de violência física ou psicológica de alunos e pais contra os docentes. Uma condenação que deve ser expressa publicamente por colegas, direcção escolar e pelo próprio ministério. Não pode aqui haver lugar a silêncios ou a subterfúgios. Não há “inquéritos”, “averiguações” ou “segredos de justiça” que sirvam de desculpa a quem não quer ver o que é óbvio: uma agressão é sempre ilícita e condenável e ninguém, em circunstância alguma, tem o direito de bater nos outros, fazendo justiça pelas próprias mãos. Nenhum professor “fez por merecer” que lhe batessem. E um governo democrático, num Estado de direito, não deveria ter quaisquer dúvidas a este respeito.

Colaborações: ComRegras

No Topo: Escolas livres de armas e drogas

A notícia teve escassa projecção mediática, mas merece ser aqui destacada: uma escola secundária de Viseu, mais concretamente a Emídio Navarro, tomou medidas efectivas perante os indícios de que andariam a entrar no recinto escolar objectos e substâncias ilícitos. E chamou a PSP que, numa operação-surpresa, identificou um aluno portador de droga e outro que trazia consigo uma arma branca.
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No Fundo: Professor, profissão de alto risco

A semana que passou recorda-nos uma realidade preocupante que continua a ser sistematicamente ignorada ou desvalorizada por quem deveria assumir responsabilidades: nalgumas escolas portuguesas, nomeadamente nas que servem as zonas mais degradadas ou problemáticas das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, ser professor tornou-se uma profissão de alto risco. Quem aqui lecciona está sujeito a um quotidiano de desrespeito e insultos por parte de alguns alunos e famílias que não respeitam o trabalho e a figura do professor. E esta atitude, extravasa, não raras vezes, para a agressão física aos docentes.

Armas e drogas fora da escola

armas-drogas.JPGDois rapazes, com idades entre os 15 e os 17 anos, foram identificados esta terça-feira (8 de maio) pela PSP de Viseu por posse de droga e uma arma branca, no âmbito de uma operação que se realizou junto à Escola Secundária Emídio Navarro.

A operação foi levada a efeito com a colaboração da direção do estabelecimento de ensino que permitiu buscas em salas de aula e cacifos. Segundo a PSP, um dos jovens identificados foi notificado para se apresentar no Centro de Dissuasão da Toxicodependência de Viseu devido ao facto da quantidade de haxixe que tinha em sua posse ser inferior à que já é crime. 

Já a arma branca do outro identificado foi remetida ao Departamento de Investigação e Ação Penal.

A PSP esclarece que as operações de prevenção criminal nas escolas são dirigidas a um pequeno grupo de alunos e visa essencialmente a prevenção de comportamentos ilícitos nos meios escolares.

Felizmente, ainda há escolas onde garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários é uma preocupação real. Não apenas com retórica politicamente correcta, mas com acções concretas que assegurem que o espaço escolar permanece livre de armas, drogas e outras ameaças.

Recordo-me de, há uns dez anos atrás, haver patrulhas policiais a ir a algumas escolas com cães-polícias à procura de drogas. E de, subitamente, tais acções, essencialmente preventivas, mas com grande efeito dissuasor em potenciais delinquentes, terem sido vigorosamente desaconselhadas. Nunca percebi se para defender o direito dos traficantes angariarem clientes entre os estudantes, se para garantir a menores o direito de se drogarem à vontade, se para não se ter de confrontar os pais dos jovens toxicodependentes, que prefeririam não se chatear com o comportamento dos seus filhos.

A verdade é que quando acções como a de anteontem na escola de Viseu se tornam uma prática normal e rotineira, os actos ilícitos tendem a manter-se em valores residuais. Pelo contrário, se deixarmos os comportamentos disruptivos tomar conta do interior das escolas, não só os seus efeitos serão cada vez mais graves, como se tornarão mais difíceis de erradicar.

Quando está na moda exigir uma escola integradora e inclusiva, que sirva a todos e não exclua nem deixe nenhum aluno para trás, seria importante perceber-se também tudo o que essa escola seguramente implica: desde logo, uma atenção reforçada à prevenção da indisciplina e da delinquência e à promoção da segurança escolar.

Mais uma agressão cobarde a professora

escola-lagarteiro.jpgUma professora de Educação Física na Escola Primária do Lagarteiro, no Porto, foi esta terça-feira agredida por familiares de um aluno de oito anos, após o repreender durante uma aula.

A docente terá sido agredida no interior do estabelecimento de ensino a socos e pontapés por quatro familiares do aluno, entre os quais dois homens e duas mulheres, após o chamar a atenção, referiu.

A agressão, que terá ocorrido cerca das 16.56 horas, aconteceu depois do menor se queixar aos familiares, no final da aula, explicou a PSP.

A mulher de 30 anos foi transportada para o Hospital de Santo António, no Porto, com lesões na cabeça, após ter sido agredida com violência, adiantou.

“Não ia em estado crítico, mas sim muito maltratada”, afirmou a fonte.

Os agressores foram identificados no local, onde estiveram a Escola Segura, a PSP e uma Equipa de Intervenção Rápida.

Não é preciso divulgarem, como a notícia não o faz, a etnia dos quatro cobardes que se juntaram para agredir violentamente esta professora, que cometeu o “crime” de repreender o miúdo de oito anos por algo menos correcto que terá feito.

Bastaria que fossem exemplarmente castigados pelos actos que praticaram. Inclusivamente com medidas efectivas de reparação dos danos físicos e psicológicos que causaram à docente. E que pretensos hábitos culturais e sociais não servissem de atenuante ou de desculpa para o crime praticado.

Tão revoltante como o desprezo, talvez ódio, contra os professores, revelado nestes actos selvagens, é o comportamento de matilha que, infelizmente, continua a funcionar como impressão digital de certo grupo social que, se no capítulo dos direitos vai usufruindo das vantagens da integração, já no capítulo dos deveres mostra maiores dificuldades  em se integrar socialmente.