Dá-me a minha droga, já!

bul[1]Um aluno da EB 2,3 de São Torcato, em Guimarães, envolveu-se numa cena de pancadaria com um professor devido a uma apreensão de droga por parte do docente.

Fonte próxima da comunidade escolar diz que o aluno, de 15 anos, foi tirar satisfações com o professor, que lhe apreendeu uma pequena quantidade de haxixe, mas o estudante contrapõe que foi o docente que o fechou e agrediu dentro de uma sala, depois de lhe ter tirado o estupefaciente.

Tudo aconteceu no passado dia 13, quando o aluno estava a fumar tabaco no recinto escolar e foi abordado pelo professor. Até aqui, as versões coincidem. Depois, segundo fonte próxima da escola, o docente apreendeu uma pequena quantidade de haxixe ao estudante e a situação ficou sanada. Mais tarde, o aluno foi tirar satisfações com o professor e a situação descambou. “O rapaz exigiu que lhe devolvesse a droga, com uma atitude agressiva, e atirou-se a ele”, contou outro professor ao JN.

Sem conhecer com exactidão todos os factos relevantes sobre este lamentável episódio, parece-me evidente que, para assegurar a boa ordem e a segurança de um recinto escolar, nenhum professor deveria ter de se envolver, ou ver-se envolvido, em “cenas de pancadaria”. As escolas devem ser espaços livres de drogas, assim como de violência, e esta regra não pode ter excepções nem qualquer tipo de tolerância. Quando nem um professor ou funcionário pode aí fumar um simples cigarro, devemos fazer vista grossa ao consumo e ao tráfico de drogas ilícitas, dentro do espaço escolar, praticado por alguns alunos? Aparentemente sim, pois quem actua está sujeito a ter problemas e chatices…

Se a escolaridade obrigatória até aos 18 anos é para todos, incluindo jovens que não querem estudar, e mesmo para aqueles que já iniciaram uma carreira como delinquentes ou pré-delinquentes, então é óbvio que, para este tipo de alunos, tem de haver respostas adequadas quando passam da mera indisciplina resultante do desinteresse pelas aulas e do não saber-estar para actos de violência ou comportamentos que configuram a prática de crimes. Os professores não têm de ser polícias. Mas se queremos fazer da escola uma prisão para jovens que não querem lá estar, então a presença policial torna-se, nalguns contextos, indispensável.

Recordo-me bem como este caminho, de tolerância zero para drogas, começou a ser trilhado há uns quinze ou vinte anos atrás. Lembro-me de, no âmbito dos programas da Escola Segura, equipas cinotécnicas da PSP e da GNR começarem a visitar as salas de aula. Mais importante do que as mochilas onde os cães detectavam a presença ou os vestígios de alguma droga, o que sucedia raramente, a presença policial tinha um forte efeito dissuasor entre os alunos, algo que é crucial numa fase da vida em que se está especialmente aberto a fazer novas experiências e a testar limites…

Subitamente, no entanto, estas intervenções deixaram de ser feitas. Não sei quem foram os poderosos que assim decidiram ou quais as personalidades importantes que se sentiram beliscadas nos seus direitos, liberdades e garantias. O que é certo é que o direito à privacidade dos alunos, incluindo o de transportar droga para a escola e ninguém ter nada a ver com isso, passou a prevalecer sobre o direito da comunidade educativa a um ambiente escolar seguro e saudável, livre de consumos ilícitos e de traficâncias.

Paralelamente, as escolas foram sendo privadas de meios de acção eficazes perante alunos que se apresentam nas aulas notoriamente embriagados ou drogados. Criou-se um sistema em que o conluio entre famílias permissivas, traficantes influentes e políticos subservientes compromete a vida, a saúde e o futuro destes jovens agarrados às drogas. A toxicodependência, tal como a indisciplina grave, o porte de armas ou a violência tornaram-se temas-tabu para as autoridades educativas. O ministério que recolhe e esmiúça, à décima ou à centésima, taxas de sucesso, de escolarização ou de abandono é o mesmo que prefere não ser informado, sequer, da incidência de comportamentos disruptivos nas nossas escolas. A não ser quando esses casos terminam na esquadra da polícia ou na urgência do hospital.

Claro que, no fim da linha, o mais fácil é exigir responsabilidades à escola e culpá-la por ter fracassado com jovens de quem a família, a sociedade e os poderes públicos tão facilmente desistiram.

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A escola pode tudo?

violencia-domestica.jpg…entre um marido e uma mulher, na maior parte das vezes, existe uma criança que, inocente, é arrastada para o meio da disputa, dos maus tratos, sofre maus tratos e alguns até se tornam cúmplices de maus tratos. Sim, cúmplices. Como poderiam não ser? Não conhecem outra realidade, nunca viveram num ambiente familiar, dito normal. Imitar os seus progenitores é do mais normal que existe numa criança, eles são os seus modelos, geralmente o mais “forte” é o mais seguido. Temos que aprender a actuar, a denunciar, a não recear represálias, a defender a criança, a defender que todos cresçam num ambiente onde todas as partes sejam saudáveis e onde a violência, dura e bruta, não se confunda com educação ou forma de relação entre casal…

O nosso colega Rui Gualdino Cardoso reflectia, no Público, sobre uma vertente da violência doméstica tantas vezes ignorada: o impacto que a vivência quotidiana no interior de uma família desestruturada pode ter sobre o desenvolvimento social e emocional das crianças e dos adolescentes.

Apesar do muito caminho que ainda falta percorrer, a sociedade parece ir aos poucos despertando para a necessidade de “meter a colher” sempre que a relação entre marido e mulher descamba para a agressão e os maus tratos. Já em relação aos filhos, e embora as comissões de protecção de crianças e jovens em risco venham fazendo, em muitos lados, um trabalho meritório, parece prevalecer uma ideia que, com o actual governo, foi elevada aos píncaros: sejam quais forem os problemas que os alunos tragam de casa, ou no interior de si mesmos, a escola está ali para tudo resolver.

Mas a ideia de que a escola pode tudo é duplamente perigosa. Desde logo, porque desresponsabiliza o Estado e a sociedade de intervirem adequadamente, atacando as causas dos problemas, em vez de tentarem apenas minorar as suas consequências. Depois porque, sempre que as coisas correm mal, acabamos a culpabilizar quem efectivamente não tem culpa: as escolas e os professores. E que, no caso destes últimos, podem bem tornar-se vítimas. Como notava um dia destes, no Twitter, um colega espanhol:

Parece-me muito perigoso culpar os docentes pelo comportamento disruptivo dos alunos. Dou-te um exemplo. Imagina que dissesse: si um marido dá uma bofetada à mulher, é porque alguma coisa ela terá feito. Ai, perdão, queria dizer aluno e professor. Mas não muda nada, pois não? Ou muda?…

Violência e agressões numa escola de Loures

eb-2-3-mario-sa-carneiro.jpgOs encarregados de educação da escola Básica 2,3 Mário de Sá Carneiro, em Loures, realizaram uma vigília contra a insegurança no estabelecimento de ensino, relatando casos de violência e agressões, ocorridas nas últimas semanas.

O protesto foi convocado pela associação de pais e juntou vários encarregados de educação, alunos, autarcas e representantes de forças políticas, que alertaram para o “crescente clima de violência” sentido na vila de Camarate, onde se situa esta escola, no concelho de Loures, distrito de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação de pais do agrupamento de escolas de Camarate, Ricardo Oliveira, explicou que no espaço de um mês ocorreram “dois episódios graves de violência” na escola, sendo que no primeiro houve “uma invasão e agressão e ameaças a funcionários”.

“Tudo começou com problemas entre dois alunos, sendo que um deles é de uma família problemática. Ele chamou familiares que vieram à escola armados”, relatou.

Sente-se um aumento da violência na zona de Camarate, concelho de Loures. Crianças de famílias problemáticas trazem para a escola comportamentos agressivos e perturbadores. Não satisfeitos com a forma como os filhos resolvem as desavenças com os colegas, os pais, não menos “problemáticos”, parecem sentir-se no direito de entrar na escola para fazer “justiça” à sua maneira. Professores e funcionários que tentem manter a ordem e disciplinar os gandulos arriscam-se a ser também agredidos. A Escola Segura tem apenas dois agentes para sete escolas complicadas e nem uma única viatura: os polícias deslocam-se a pé ou conseguem, se tiverem sorte, uma boleia. Temendo pela segurança dos filhos, os pais mostram-se preocupados. E demonstram-no publicamente.

A notícia do JN dá conta de tudo isto, apresentando também as desculpas e os silêncios habituais nestas situações. A Câmara diz que vai ver o que se passa com o policiamento. A PSP e a direcção da escola remetem-se ao silêncio. E o Governo promete ir averiguar a situação. No jogo do empurra somos todos bons. O que nos falta quase sempre, nas alturas críticas, é quem resolva os problemas e assuma as responsabilidades.

Bullying, a última fronteira

Girl-Bullying.jpgUma aluna do quinto ano da Escola Básica (EB) de Vila Verde teve de receber tratamento hospitalar depois de, segundo a mãe, ter sido vítima “mais do que uma vez” de bullying por parte de outros alunos.

Tudo começou porque, explicou a mãe, a criança usa mochila com rodinhas. Foi apresentada queixa na GNR de Vila Verde e a direção da escola iniciou um processo de averiguações.

A menina, de constituição física muito frágil, foi empurrada, quando se encontrava sentada, e agredida por outros jovens no recreio. Aliás, por diversas vezes que já se terá queixado de atos de violência e “gozo” por colegas de turma e alunos de outros anos. […]

Na passada quarta-feira, a menina estaria sentada num banco do recreio e terá sido empurrada por duas colegas, tendo, no final, ficado com a cara inchada e o sobrolho teve de ser suturado.

O caso surpreende sobretudo pela idade da vítima e das suas agressoras. Pois estamos habituados a associar o bullying a adolescentes e os bullies ao sexo masculino. Mas a verdade é que este tipo de comportamentos podem surgir em todas as idades. E continuam a ser uma realidade preocupante nas escolas portuguesas.

Não que seja mais frequente hoje do que há umas décadas atrás. Como sucede com outros fenómenos que antigamente eram ignorados, escondidos e desvalorizados, o que existe actualmente é uma maior consciência da gravidade do bullying e das marcas indeléveis que ele pode deixar nas vítimas, causando-lhes profundo sofrimento e comprometendo o seu desenvolvimento pessoal e social.

Contudo, se temos feito progressos na identificação e na denúncia dos casos se que vão sucedendo, continuamos a falhar num ponto fulcral: o bullying precisa de ser prevenido nos ambientes escolares e, quando se manifesta, detectado precocemente e combatido logo aos primeiros sinais.

Já há muitos anos que deixou de aceitar os castigos corporais nas escolas. Hoje não se admite, e muito bem, que um professor levante a mão a um aluno ou que o uso da violência seja uma forma de educar, ou sequer de controlar comportamentos disruptivos.

No ambiente familiar a evolução foi mais recente, mas também já não se reconhece, hoje, a legitimidade da “palmada pedagógica” dos pais como método educativo.

Pelo que cumpre perguntar porque é que, se não apanham dos pais, professores ou educadores, algumas crianças têm de se sujeitar a ser agredidas pelos seus companheiros de escola. Quando seremos capazes de banir esta última fronteira do abuso e da violência? E até, indo um pouco mais longe, o que é que leva crianças que não são tratadas dessa forma a desenvolver comportamentos intolerantes e violentos com outros miúdos?…

Claro que a reflexão nos poderia levar a uma interminável discussão sobre a natureza humana, o que não é o objectivo deste post. Será o “homem lobo do homem”, como vaticinava Hobbes, precisando, desde tenra idade, de ser refreado nos seus impulsos agressivos e dominadores? Ou existirá em cada criança o “bom selvagem” descrito por Rousseau?

Qualquer que seja a resposta a estas perguntas ou o posicionamento filosófico de cada um, há um factor que será sempre fundamental: é pela educação que se pode aprender, desde criança, a refrear os comportamentos impulsivos e prejudiciais aos outros e a nós próprios. E é também educando-nos que potenciamos as nossas boas qualidades.

Assim sendo, parece-me que atitudes, valores e cidadanias se devem aprender no concreto, no contexto das relações interpessoais e das diversas actividades escolares. Mais importante do que a “estratégia” ou a “planificação”, é estarmos atentos aos sinais que os miúdos nos dão e entendermos claramente quando e como devemos actuar.

Zelando pelo bem-estar e pela educação das crianças e jovens, não pelo sucesso dos burocratas da OCDE.

O que se passa na escola da Maia?

bullying[1]Os pais e avós dos alunos da Escola EB1/JI do Lidador, na Maia, decidiram criar patrulhas para vigiar o recreio, tendo por finalidade evitar confrontos entre as crianças que estudam naquela unidade de ensino. Os encarregados de educação queixam-se de falta de funcionários para vigiar o período de lazer dos alunos, mas a autarquia – responsável pela escola – fundamenta que as duas funcionárias são “suficientes” para garantir a segurança dos alunos.

Uma escola do 1º ciclo com jardim de infância. Um grupo de alunos mais velhos que aterroriza e agride os mais novos. Duas funcionárias, que a autarquia diz serem mais do que suficientes. Nas entrelinhas a suspeita de que estão aqui envolvidos miúdos de uma etnia cujo nome é politicamente incorrecto referir. E a revelação incómoda de que não se trata de um punhado de alunos mais turbulentos e agressivos que se envolvem em confrontos físicos. São agressões cobardes de miúdos mais velhos a crianças mais novas. Numa palavra, bullying. Os pais que podem retiram os filhos daquele inferno, enquanto os outros lá ficam a sofrer o castigo.

Os responsáveis dizem que os incidentes estão resolvidos e o que não está se encontra em vias de resolução. Mas percebe-se que não é assim. O ME não aceita responsabilidades numa área – o pré-escolar e o 1º CEB – há muito entregue às autarquias, limitando-se a considerar boa qualquer solução que os outros finjam ter encontrado. A câmara prefere poupar no pessoal, garantindo que já fez a sua parte e deixando os pais, professores e funcionários da escola com o menino nos braços. A sede do agrupamento está lá longe, e nada no actual modelo de gestão escolar convida os directores a abandonar a zona de conforto do gabinete e das plataformas informáticas para ir gerir, no terreno, as situações complicadas.

E querem convencer-nos de que a solução para isto são patrulhas de pais nos intervalos das aulas, a vigiar a escola pelo lado de fora, para prevenir mais agressões?…

“Sou professor e hoje um aluno partiu-me os óculos”

51aidIRWkoL._UX466_.jpgOs óculos foram à vida e algumas lágrimas, presas, ficaram por chorar. Meio cego, a ausência dos óculos é a cicatriz que não consigo esconder durante os próximos dias, a violação do corpo, a cobardia do desafio sem resposta.

Não se fala disto, eu não falo disto, se me perguntarem está tudo bem e, ao chegar a casa, foi mais um dia normal. Mas isto não é normal, ainda não estou em mim, interiorizo tudo e isto também, estou calado, ando mudo, há-de passar mas não passa e só através da escrita consigo fazer a catarse.

Contexto: trabalho numa escola de alunos excluídos do ensino secundário por problemas de comportamento. Como os miúdos têm a mania de fazer “cavalinhos” no meio da estrada à hora de almoço e no meio do trânsito, temos de lhes prender as bicicletas a cadeado.

Estava de plantão no recreio, só para ter a certeza que não havia problema nenhum, quando um aluno veio ter comigo e exigiu que lhe desprendesse a bicicleta.

Disse-lhe que não, que não podia, só ao fim do dia, por uma questão de segurança. O aluno insistiu e ordenou, acrescentando precisar da bicicleta à hora de almoço e, como mais uma vez lhe disse não poder, o rapaz não hesitou, agarrou-me os óculos e atirou-os violentamente contra o chão.

Quinhentos euros para o chão, talvez mais, assim, num par de segundos.

Voltei para dentro da escola e afastei-me do aluno, aluno esse que entretanto fugiu a correr rua abaixo, ou assim me disseram depois. Não estava em mim.

O testemunho, emotivo e revoltante, saiu ontem no Público e refere-se a uma das facetas mais penosas e sombrias da profissão docente: aquelas ocasiões em que um aluno descompensado, frustrado, violento ou apenas mentalmente desequilibrado agride o professor. Foi, naturalmente, partilhado em blogues e redes sociais.

Mas parece-me que poucos se terão apercebido de um pormenor: embora o autor seja português e professor, ele não trabalha em Portugal. É professor, já há alguns anos, em Inglaterra, onde a situação descrita se terá passado.

Na verdade, João André Costa é um nome relativamente conhecido da mais jovem geração de professores, pois durante anos animou o blogue Como dar aulas em Inglaterra, no qual ajudava outros jovens professores, fustigados pelo desemprego em Portugal, a tentar a sua sorte em terras britânicas.

Mesmo desconhecendo o autor, há uma parte da peça publicada que não deixa dúvidas a quem, conhecendo a realidade educativa nacional, a ler com atenção: este desfecho dificilmente se poderia passar, desta forma, numa escola portuguesa. Os subtítulos são da minha responsabilidade. A reflexão sobre o que é verdadeiramente a autonomia das escolas e o ensino centrado nos alunos e nas suas necessidades, essa cabe-nos a todos…

E se pensam que a escola, e consigo a direcção, se estiveram nas tintas e que este é mais um texto para incendiar opiniões, estão enganados. Cinco minutos depois já tinha o director ao meu lado a querer saber de mim, como estava, o que é que podia fazer, e que não me preocupasse com os óculos que a escola paga tudo.

O resto do dia foi um corrupio de gente a querer inteirar-se do meu estado, que eu tinha feito tudo bem e nada mais havia a fazer numa situação destas. Não entrei em conflito com o aluno, desviei o olhar, repeti a mensagem. Podia ter-me afastado, mas estava com as costas coladas ao portão. Não havia nada a fazer.

O aluno em questão já não volta para esta escola, continuando a sua escolaridade num outro pólo, mais pequeno, com mais professores e profissionais, psicólogos, terapeutas, assistentes sociais, mais ajuda, por conseguinte, para o aluno e para os pais.

Professora condenada por maus tratos aos alunos

angry-teacherOs factos dados como provados pelo tribunal ocorreram entre 2009 e 2016 em duas escolas do 1º ciclo do concelho de Barcelos. A professora foi condenada a cinco anos de prisão, com pena suspensa, por dez crimes que envolveram agressões, insultos e maus tratos a alunos com dificuldades de aprendizagem. Terá ainda de indemnizar em cerca de 12 mil euros aos ofendidos.

Segundo o tribunal, a professora usava frequentemente “calão grosseiro” em frente aos alunos, dirigindo-lhes expressões insultuosas como “arrastão”, “aselha”, “burro”, “preguiçoso” e “lesma”.

As agressões físicas passavam, nomeadamente, por bofetadas, calduços (pancadas na nuca) ou agressões na cabeça com canetas ou com os dedos em que tinha anéis.

Ainda de acordo com a sentença, os alunos sofriam ainda outros castigos, como não frequência das atividades extracurriculares ou privação dos recreios.

A docente terá também baixado as calças e/ou cuecas a alguns alunos, em plena sala de aulas, agredindo-os com sapatadas nas nádegas.

Impunha aos alunos um “ameaçador pacto de silêncio”, para que não contassem em casa nada do que se passava na escola.

Perante os factos relatados, que a acusada não reconheceu em tribunal, presume-se que as provas recolhidas e a convergência de testemunhos tornaram a acusação irrefutável, não havendo muito mais a acrescentar.

Sendo uma pequena minoria, é óbvio que haverá maus profissionais na Educação, como os haverá em todas as profissões. Nalguns casos extremos, são mesmo pessoas que não têm o mínimo perfil ou o necessário equilíbrio psicológico para trabalhar com crianças, muito menos para as educar. Estão, como é evidente, na profissão errada.