Músicas do Mundo: Tuna de Ingenieros de Zaragoza – Si vas a Calatayud

Regresso às aulas (com covid)

Imagem daqui

O sentimento exprimiu-se esta semana em França através de uma greve de docentes, é visível em Espanha através de intervenções e cartoons como o que ilustra este post, está presente também noutros países: os responsáveis políticos mandam os alunos para as escolas num quadro de incerteza, insegurança, indecisões.

Ninguém quer novos confinamentos, cada vez mais custosos, económica e socialmente. Mas o vírus da covid-19 continua a espalhar-se e a atingir números recorde de novos infectados, apesar dos esforços individuais e colectivos para evitar a sua propagação. Terão as escolas as condições necessárias para funcionar em segurança, sem originar, dentro de poucas semanas, uma nova vaga da pandemia? Não estaremos a atirar, para cima de professores e dirigentes escolares, responsabilidades que deveriam ser os políticos a assumir?

Escola digital, ou empobrecimento da escola?

Entre a recauchutagem de um sortido variado de velhas correntes pedagógicas e o fascínio da “transição digital”, os pedagogos do regime continuam à procura de receitas infalíveis para o sucesso educativo. Escola motivadora e divertida, aprendizagens imediatas e sem esforço, muita tecnologia… mas apenas daquela mais limpinha, segura e pronta a usar, a das imagens virtuais e dos dedinhos a deslizar nos ecrãs. Como nota o professor universitário José Lopes:

Em boa verdade, o fascínio dos pedagogos do regime com o uso didáctico das tecnologias dá-nos um vislumbre da escola classista do futuro, activamente promovida pelo partido que se diz socialista: as escolas dos ricos com laboratórios para fazer experiências reais e meter a mão na massa; também com campos desportivos, jardins, bibliotecas e auditórios; em contraponto, nas escolas dos pobres prevalecem os artefactos tecnológicos e as experiências virtuais que se exibem nos ecrãs.

Claro que se um dia lá chegarmos dirão que não era nada disto que queriam. Mas é mesmo o caminho do empobrecimento das aprendizagens que se escolhe, quando se desinveste em recursos materiais e humanos na escola pública e se degradam as condições de trabalho dos profissionais da Educação, ao mesmo tempo que se anunciam os maiores investimentos de sempre nas tecnologias digitais.

Covid nas escolas: balanço do 1.º período

Entre 14 de setembro e 17 de dezembro de 2021, registaram-se nas escolas portuguesas cerca de 7 mil casos de Covid-19, correspondendo a 0,5% da comunidade escolar. O número foi divulgado esta sexta-feira, 14 de janeiro, pelo Ministério da Educação e resulta da informação remetida à tutela pelas direções das escolas, que compreende já dados introduzidos após o término do 1.º período letivo.

Os cerca de sete mil casos registados nestes três meses representam menos de metade dos 16 mil casos identificados em igual período de 2020 no universo de cerca de 1,3 milhões de pessoas que todos os dias estudam ou trabalham nas escolas públicas.

Nas últimas duas semanas do 1.º período letivo, no total das 55 mil turmas, “menos de 500 turmas estavam em isolamento”, contra 700 no mesmo período do ano anterior. Isto significa, números redondos que, estavam em isolamento profilático cerca de 24 mil alunos, docentes e não docentes, o que compara com cerca de 87 mil alunos e trabalhadores registados em 2020.

O Ministério de Tiago Brandão Rodrigues refere ainda que, no total dos 5.400 estabelecimentos de educação e ensino existentes, “apenas em 2.000 houve registo de algum caso positivo” durante o 1.º período do atual ano letivo. Já no mesmo período de 2020/21 registaram-se casos positivos em cerca de 2.800 escolas.

Uma evolução aparentemente positiva, na comparação com o ano lectivo anterior, mas que poderá estar já desactualizada. Tal como sucedeu em 2021, Janeiro será certamente um mês crítico, com o número de casos a disparar, embora o efeito conjugado das taxas de vacinação elevadas e de estar em circulação uma variante altamente contagiosa mas menos agressiva da doença mantenha por enquanto em valores controláveis os casos de doença grave.

Na verdade, quem estuda ou trabalha nas escolas apercebe-se que o número de casos suspeitos ou positivos sobe de dia para dia. Disparam não só os números dos alunos que ficam em isolamento mas também os dos testes a que são obrigados, para continuarem na escola, os colegas de turma. Mas, uma vez mais, faltam números actualizados. O ME, que está permanentemente a recolher e armazenar todo o tipo de informação estatística sobre o que se passa nas escolas, é depois bastante parcimonioso, para não dizer somítico, na sua divulgação. Socorro-me assim dos dados que foram divulgados no país vizinho, e que mostram como a pandemia alastra nas escolas espanholas: recomeçaram as aulas a 10 de Janeiro, tal como nós, e só na primeira semana de aulas registaram 102 mil alunos (1,6% do total) e 19.335 professores (3,2%) em isolamento devido à covid-19. Por cá, e tendo em conta o ritmo a que tem crescido diariamente o número de infectados, a realidade não deverá ser muito diferente…

Ladrões de criptomoedas

Já se sabia que as criptomoedas, para alguns o supra-sumo da nova economia digital, são um meio muito conveniente para a especulação financeira. Não sendo controladas directamente por nenhum estado, elas são igualmente um veículo adequado a todo o tipo de actividades financeiras fraudulentas e criminosas: corrupção, lavagem de dinheiro, extorsão, financiamento de actividades criminosas e do terrorismo internacional.

O que ficámos a saber hoje é que não são imunes à pirataria informática, acabando as movimentações de moeda digital a financiar estados párias como a Coreia do Norte. Um país que pode ter falta de muita coisa, mas pelos vistos dispõe de hackers suficientemente despachados para desviar, num só ano, 400 milhões de dólares das carteiras de investidores em criptomoedas.

Já se conhecia a pesada pegada ecológica da produção do dinheiro digital, correspondente ao gasto de electricidade de um país desenvolvido de média dimensão. O que desconhecíamos é que uma parte deste dinheiro estará a servir para financiar o programa de mísseis nucleares norte-coreano e a manutenção de um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo, onde as liberdades e direitos dos cidadãos são quotidianamente desrespeitados.

A empresa de análise à blockchain, Chainalysis, divulgou um relatório onde revela que piratas informáticos sediados na Coreia do Norte roubaram um total de 400 milhões de dólares (349,2 milhões de euros) em criptomoedas ao longo de 2021, embora o governo norte-coreano negue estar envolvido nos ciberataques, avança a “Reuters”, esta sexta-feira.

Os principais alvos foram empresas de investimento e plataformas de trading centralizadas. “De 2020 a 2021, o número de ciberataques ligados à Coreia do Norte aumentaram de quatro para sete, e o valor extraído cresceu 40%”, cita a agência as conclusões do relatório.

Os piratas informáticos utilizaram uma série de técnicas, incluindo phishing, explorações de código e malware para desviar fundos das carteiras de criptomoedas das organizações e depois transferi-los para endereços controlados pela Coreia do Norte, disse a empresa.

As carteiras de criptomoedas estão conectadas à internet e à rede de criptomoedas e, portanto, são vulneráveis ​​a hackers. Estas são usadas ​​para enviar e receber criptomoedas e permitem que os utilizadores visualizem quantos tokens têm na sua posse.

A Chainalysis disse que é provável que muitos dos ataques do ano passado tenham sido conduzidos pelo chamado Grupo Lazarus, um grupo de piratas informáticos contra o qual os EUA aplicaram sanções. Acredita-se que o grupo seja controlado pelo principal escritório de inteligência da Coreia do Norte, o Reconnaissance General Bureau.

O programa do PS?

António Costa continua eloquente no debate e no discurso, mas a sua mensagem, neste período de pré-campanha, parece mais virada para o passado do que para o futuro. Relembra a obra feita – modesta, que os níveis quase residuais de investimento público não permitem milagres – e o virar da página da austeridade. Pode congratular-se de ter conseguido, pela primeira vez na história da democracia, cumprir uma legislatura com um governo estável assente numa maioria parlamentar de esquerda. Mas a geringonça morreu, para todos os efeitos, em 2019, quando o PS recusou acordos com os partidos à sua esquerda, alinhando-se politicamente ao centro e contando com apoios tácitos, à esquerda e à direita, para fazer passar leis e orçamentos.

Sem ideias para o futuro, o PS parece apostado em repetir erros do passado. Como o de pensar que pode governar sozinho, contra tudo e todos, sem pontes com os outros partidos nem diálogo social. Quando António Costa saca do Orçamento de Estado chumbado pelo Parlamento e o apresenta como se fosse um programa de governo, é evidente o alheamento da realidade, num político que até costuma ser hábil a ler os sinais dos tempos.

As sondagens continuam a dar ao PS uma confortável vitória, ainda que longe da maioria absoluta. Mas o mais provável é que a disposição de forças no novo Parlamento não seja substancialmente diferente da que tivemos até agora. Um Rui Rio em boa forma deverá suster a queda do PSD. Também não será desta que a direita e a extrema-direita, demasiado fragmentadas e divididas, reforçarão significativamente a presença parlamentar. E o PAN, que parece ser a última esperança de um PS mais apostado em conseguir uma muleta parlamentar do que em arranjar parceiros de legislatura, não terá condições para absorver as eventuais perdas do BE e da CDU.

No complicado xadrez político que deverá surgir das eleições do dia 30, o orçamento chumbado será definitivamente uma carta fora do baralho. Assim como boa parte das figuras, umas notoriamente desgastadas, outras claramente incompetentes, que até aqui titularam as pastas ministeriais. Numa pré-campanha que está a ser mais rica do que é habitual em discussão política e ideológica, o PS não pode responder aos reptos dos outros partidos e da sociedade civil com o discurso tecnocrático ao jeito de Cavaco Silva e do seu proverbial “deixem-me trabalhar!” Renovação política e diálogo democrático precisam-se, na política à portuguesa. Quanto mais depressa o PS o entender, melhor.

Professores franceses em greve

Em França foi dia de greve geral e protestos de professores. Milhares de pessoas saíram às ruas contra as repetidas alterações aos regulamentos anti-violência e de combate à pandemia de Covid-19 pelo governo de Emmanuel Macron.

Uma mobilização apoiada pela principal associação de pais franceses, auxiliares de educação e partidos de esquerda. Um manifestante dizia que estão “__fartos. (…) O protocolo é uma coisa, mas em geral, o problema é a forma como os anúncios são feitos, e como somos tratados pelo governo”.

Numa semana, o executivo de Emmanuel Macron modificou três vezes as regras de acolhimento dos estudantes. A mais recente para torná-las mais flexíveis para que o cancelamento de aulas seja o último recurso.

Segundo dados do Ministério da Educação, quase 40% dos professores aderiram à greve. Números diferentes dos apresentados pelos sindicatos que falam em 75%. Muitas escolas tiveram de fechar. Estima-se que uma em cada duas do primeiro ciclo não abriu portas.

Os professores queixam-se ainda da falta de meios para combater a Covid-19, entre eles máscaras cirúrgicas e medidores de CO2 para monitorizar a qualidade do ar nas salas de aula.

Na sexta-feira será decidido pelos sindicatos, em plenário, se haverá outras ações.

Nas escolas francesas, a vida não está fácil. Apesar de percentagens relativamente elevadas de vacinação no país – 90% dos maiores de 12 anos, com a vacinação dos 5 aos 11 também a decorrer – os novos casos de infecção pela covid-19 sobem em flecha nas escolas, atingindo alunos e professores. Para manter as escolas abertas, o Governo obriga alunos, professores e funcionários que contactaram com alguém infectado a fazer três testes à covid antes do regresso às aulas. Mas esta política está a lançar o caos nas escolas e nas famílias, com os testes a esgotarem nas farmácias e a impossibilidade, face ao elevado número de casos, de realizar os rastreios em tempo útil.

Do lado governamental, apenas uma certeza: querem as escolas abertas, custe o que custar. Mas mostram-se incapazes de definir uma estratégia coerente para o conseguir. As constantes mudanças de regras e orientações estão a exasperar os profissionais de Educação e são um dos motivos que levaram hoje à realização de uma greve que – algo impensável entre nós – está também a ter o apoio das associações de pais.

O ministro Blanquer, cuja demissão chegou a ser pedida durante os protestos, reconhece as dificuldades mas lembra que não é a greve que irá resolver os problemas. Está certo. A greve nada resolve só por si, mas clarifica a situação. Ela mostra inequivocamente que os professores estão fartos e exigem uma política mais coerente e eficaz para lidar com o impacto da nova vaga pandémica nas escolas de toda a França.

Falta de professores continua

Cartoon de Paulo Serra

O problema é profundo, e não é com pensos rápidos que se irá resolver. Se o próximo governo não enfrentar uma realidade complexa que os actuais governantes andaram seis anos a empurrar com a barriga, a profissão docente tal como a conhecemos poderá ter os dias contados: a falta de atractividade, a precariedade e as más condições de trabalho e de remuneração tornarão cada vez mais difícil preencher as vagas que vão surgindo nos quadros de pessoal docente. A alternativa a alunos sem aulas a uma ou mais disciplinas durante meses a fio será a contratação de professores improvisados, sem habilitação. Se nada se fizer entretanto, o futuro poderá ser o regresso a um passado que julgávamos morto e enterrado…

O segundo período arrancou no início desta semana e ainda há por todo o país 118 horários por preencher, o que afeta cerca de cinco mil a seis mil alunos, segundo os dados enviados ao i pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que remetem para uma análise feita até ao dia 7 de janeiro.

A capital continua a ser a zona onde há mais carência de docentes – 69 –, seguida do distrito de Setúbal, com 22. Em terceiro lugar da lista encontram-se Beja, Faro e Porto, com quatro horários a concurso de contratação. Logo atrás vem Braga, Coimbra, Évora, Leiria, e Portalegre, somando dois. Aveiro, Castelo Branco, Santarém, Vila Real e Viseu contabilizam um. Apenas o distrito de Bragança, Viana do Castelo de Guarda não registam falta de professores.

Física e Química é neste momento a unidade curricular mais afetada pela falta de professores (16), seguindo-se Informática (14), Português (13), Filosofia e Inglês (ambas com 10). 

Melhores vacinas, precisam-se

Os especialistas da OMS que supervisionam as vacinas contra a covid-19 entendem que “são necessárias e devem ser desenvolvidas” vacinas “com alto impacto em termos de transmissão e prevenção da infeção”, além de “prevenirem formas graves de doença e a morte”.

Para os peritos, “uma estratégia de vacinação baseada em reforços repetidos” da vacinação primária “tem poucas hipóteses de ser apropriada ou viável”.

As vacinas contra a covid-19 em circulação têm-se revelado eficazes na prevenção da doença grave e morte, mas não evitam a infeção e a transmissão do vírus SARS-CoV-2 nas suas variantes.

A OMS já tinha alertado, insistentemente, para a necessidade de uma distribuição global das vacinas disponíveis contra a covid-19, condenando tanto o açambarcamento pelos países ricos como o proteccionismo das patentes. Vem agora salientar o óbvio, e não é preciso ser negacionista para o perceber: as vacinas actuais, embora confiram elevada protecção contra a doença grave, são pouco eficazes a prevenir o contágio entre vacinados. Para nos livrarmos de isolamentos, máscaras, zaragatoas e demais parafernália que a pandemia impôs no nosso quotidiano, precisamos de melhores vacinas.

No início da pandemia, mais de uma centena de projectos de investigação prometiam o desenvolvimento, em tempo recorde, de vacinas eficazes. As primeiras não levaram, de facto, muito tempo a aparecer. Mas o que se assistiu em seguida foi a uma guerra comercial pouco edificante, que permitiu à Pfizer, líder de mercado nos países mais desenvolvidos, expulsar as principais concorrentes. Em seguida, percebeu-se algum abrandamento das pesquisas em torno de novas vacinas, que no nosso país foi especialmente notório.

Por cá, a retórica oficial continua a girar em torno da sociedade do conhecimento, de uma economia cada vez mais orientada para sectores de ponta e no aproveitamento do potencial da geração “mais qualificada de sempre”. Na prática, prevalecem as vistas curtas de quem corta as pernas a ideias inovadoras e com potencial para colocar o país na vanguarda do desenvolvimento científico e tecnológico. Há 300 milhões de euros para colocar, à revelia do Parlamento, no buraco do Novo Banco. Mas não se arranjam 30 milhões para desenvolver uma promissora vacina portuguesa contra a covid-19…

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela portuguesa Immunethep está há seis meses à espera de financiamento estatal, para dar início a ensaios clínicos e poder ser distribuída no mercado.

“Os projetos que têm avançado e estão no mercado neste momento, tiveram todos um apoio estatal que lhes permitiu avançar mais rápido do que aquilo que é o normal”, afirmou Bruno Santos, cofundador e administrador da empresa de biotecnologia, em declarações à Lusa.

“No nosso caso, ainda não tivemos uma injeção de capital que permitisse ter essa velocidade. Até meio do ano [de 2021] terminámos todos os ensaios não clínicos, em animais, que mostram quer a eficácia, quer a segurança da nossa vacina [administrada por inalação]. E, desde essa altura, que estamos a aguardar que haja um investimento que nos permita fazer o resto do projeto”, ou seja, fazer os ensaios clínicos e chegar com a vacina ao mercado, apontou.

Pensamento do dia

Todos os docentes comprometidos com a educação querem o melhor para os seus alunos: os mais “inovadores” e os mais “clássicos”. Todos merecem respeito. Os que não o merecem são os que não estão na sala de aulas e dizem aos outros como devem dar a aula.

Daqui.