Auschwitz, 1945-2020: a importância de não esquecer

Pois os neonazismos e outros fascismos rondam de novo por aí…

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O Exército Vermelho da antiga União Soviética libertou os poucos sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz no dia 27 de janeiro de 1945. Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas no local – principalmente judeus estavam entre as vítimas.

Por iniciativa do Presidente da Alemanha, Roman Herzon, desde 1996 o dia 27 de janeiro tornou-se na Alemanha uma data para lembrar e homenagear as vítimas do nazismo. Em 2005, as Nações Unidas seguiram o exemplo e declararam o dia 27 de janeiro como o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto.

Nos últimos anos, o antissemitismo ressurgiu na Alemanha. A violência antissemita está a aumentar e, cada vez mais, judeus que vivem na Alemanha são vítimas de algum tipo de agressão nas ruas. O último episódio que intensificou o alerta das autoridades foi o ataque em Halle – cidade  localizada no Estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha – em 9 de outubro de 2019.

Que fazer com 8000 euros?

Colegas, JUNTOS CONSEGUIMOS!

Alcançámos a 24/1/2020 o valor de 8430,77 euros, o que equivale a 105,4% do objetivo pretendido (e ANTES do prazo limite).

A PARTIR DESTA PUBLICAÇÃO E UMA VEZ ALCANÇADO O OBJETIVO PRETENDIDO, INFORMAMOS QUE DEVEM SER SUSPENSOS OS CONTRIBUTOS MONETÁRIOS PARA ESTA CAUSA – FUNDO JUDICIAL DOCENTE.

IMPORTANTE: Até dia 31/1/2020, continuaremos a receber as PROVAS para a fundamentação de uma a Ação Judicial. Alertamos novamente todos os docentes para o facto de ser extremamente importante o ENVIO DESSAS PROVAS.

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O S.TO.P., que acabou de atingir, com a colaboração de associados e apoiantes, o objectivo a que se propôs, tem o dinheiro destinado desde o primeiro momento: levar o ME a tribunal por causa das ultrapassagens nos concursos e nas progressões da carreira docente.

A verdade é que, entre congelamentos e descongelamentos, recuperações integrais ou faseadas e sobreposições de regimes e diplomas legais, o emaranhado jurídico é tão grande que se tornam inevitáveis as ultrapassagens: professores com menos tempo de serviço, mas favorecidos por determinada norma legal, saem beneficiados relativamente a outros que estariam à partida mais bem posicionados.

Contudo, se esta é a realidade que todos constatamos, contestar judicialmente estes atropelos aos princípios da igualdade, equidade e justiça que deveriam estar subjacentes à actuação de um Estado de direito pode não ser uma tarefa fácil.

Efectivamente, aquilo que é anunciado como objectivo desta acção só daqui por uns anos, se tudo correr bem, poderá concretizar-se. Levar o Estado português ao tribunal europeu só é possível depois de esgotadas todas as instâncias de recurso nos tribunais portugueses.

Antevejo assim um processo judicial longo e com resultados longe de garantidos. Duvido mesmo que os 8 mil euros sejam suficientes. Se ainda assim se vierem a traduzir numa condenação clara da forma como os professores portugueses têm sido tratados pelo Governo e em benefícios concretos para a classe docente, certamente que quem contribuiu dará o dinheiro por bem empregue.

Inovação pedagógica ou dinheiro fresco?

Apesar de partilhado no maior grupo de professores no Facebook, o comentário de Paulo Serra merece ser lido e discutido também fora daquela rede social.

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A verdade é que são tudo menos originais as propostas flexibilizadoras do currículo, a valorização dos reais ou imaginários “saberes do aluno”, a pedagogia construtivista, o trabalho de projecto, as abordagens inter e transdisciplinares da aprendizagem. Estão na génese e nos fundamentos de correntes pedagógicas que entre nós tiveram e têm expressão, por exemplo, no Movimento da Escola Moderna ou no conhecido projecto da Escola da Ponte. No final dos anos 90, um outro governo socialista tentou generalizar estas ideias com mais uma reforma educativa, na qual pontificavam a então chamada gestão flexível do currículo, a área de projecto, as aulas de 90 minutos. Tudo insuflado por uma retórica tão pedante e palavrosa como oca e vazia de substância: o eduquês.

Hoje, tudo isto está em plena recuperação. Tenta-se reciclar, com o recurso às novas tecnologias, teorias educativas datadas e que, quando generalizadas, pouco ou nada fizeram pela melhoria concreta das aprendizagens escolares e, por essa razão, foram progressivamente abandonadas. Exploram-se, em centenas de acções de forma(ta)ção pelo país fora, as potencialidades dos dispositivos electrónicos e do trabalho em rede para recriar a “aprendizagem activa” que antes se promovia a consultar bibliotecas, a organizar debates ou a elaborar cartazes. Uma ideia que faria sentido, se houvesse um investimento efectivo em tecnologias educativas. No entanto, a única coisa que vemos é a instalação de umas quantas salas de aula ditas do futuro em escolas seleccionadas, servindo esporadicamente um número residual de alunos. Enquanto nas salas “normais” os equipamentos ainda funcionais se vão degradando irremediavelmente.

Assim sendo, a que se reduz toda a inovação educativa, nos tempos da flexibilidade e da inclusão? Basicamente, àquilo que Paulo Serra denuncia: há dinheiro europeu para formação, e é isso que se vai fazendo. Multiplicam-se as acções onde se anuncia a boa nova educativa que os professores vão ouvindo e reproduzindo, nem sempre com muita convicção. Mas não se criam as condições necessárias para a mudança. A sensação que fica é que predomina o show-off: todos querem ficar bem na fotografia mas, em última análise, tudo isto durará apenas enquanto houver dinheiro fresco para gastar…

Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 ME e sindicatos: o diálogo de surdos

Decorreram no passado dia 22 os primeiros encontros formais entre o actual governo e os sindicatos de professores. Destas reuniões, meramente exploratórias e sem agenda concreta definida, apenas dois factos significativos houve a registar…

 Facadas na escola

Parece ter-se tornado uma nova e preocupante tendência, e as duas graves ocorrências desta semana complicam a narrativa dos “casos isolados” e do fenómeno “residual” com que o ME costuma desvalorizar o sucedido: em vez de se ficarem pelos insultos e ameaças ou usarem as mãos e pés para agredir, alguns jovens problemáticos estarão a levar consigo armas brancas para ajustar contas com colegas com quem andam desavindos…

“Ideologia de género”

escola-lgbtEspecialmente dedicado aos pais homofóbicos, à direita liberal mas “conservadora nos costumes” e a todos os que, em geral desconfiam da idoneidade dos professores. E temem que a presença da educação sexual, da igualdade de género e das temáticas LGBT no currículo escolar possa despertar nas crianças e adolescentes tendências homossexuais.

Enternece-me a fé que a direita tem nos professores.

Não consigo que ponham um til e vou ser capaz de fazer deles maricas…

Só posso subscrever…

São Medalhas, Senhor@s!

Quando merecemos classificações como “desprezível”, “reles” ou “canalha” por parte de certas criaturas que acham que estão acima de qualquer crítica, se conseguimos que isso aconteça com poucas linhas de opinião divergente em relação ao que se pretende que seja o consenso pantanoso, já não se perderam por completo alguns minutos.

atarefado

E embora seja por natureza avesso a medalhas, se tiver de as receber, que seja por maus serviços prestados ao situacionismo educativo…

Ninguém sabia de nada?

isabel-dos-santos.jpgCom a queda em desgraça de Isabel dos Santos, vemos a espantosa desfaçatez com que a elite política, empresarial e financeira se vai demarcando de conexões comprometedoras com a cleptocracia angolana. Banqueiros, consultores, advogados, investidores e dirigentes políticos, todos nos irão garantir que nada sabiam dos negócios sujos do petróleo e da lavandaria de petrodólares que a oligarquia angolana instalou em Portugal. Com a conivência, a troco de generosos pagamentos, daqueles que agora se tentam distanciar.

Claro que a lógica dos comparsas de Isabel dos Santos é muito simples: há muito dinheiro a ganhar; se não aproveitarmos, outros o farão. Embora não o digam, pensarão hoje exactamente o mesmo que quando começaram a emparceirar com o regime de Luanda. A única coisa que mudou entretanto é que, com Eduardo dos Santos no poder, a roubalheira estava caucionada pelo poder político. Com o actual presidente, deixou de estar.

Se com João Lourenço os lucros do petróleo deixarão finalmente ser drenados pelos oleodutos da corrupção, passando a financiar o desenvolvimento de Angola e a melhoria das condições de vida dos angolanos, ainda é cedo para saber. O certo é que tudo isto é conhecido há muitos anos, e foi pormenorizadamente explicado no livro Donos Angolanos de Portugal, publicado em 2014. Ali está, descrito com impressionante clareza e actualidade, tudo o que já então se sabia sobre o fluxo de dinheiro angolano na economia de Portugal…

Foi ontem apresentado em Lisboa o livro Os Donos Angolanos de Portugal, uma obra que denuncia a crescente influência dos investimentos angolanos em Portugal, encabeçados por Isabel dos Santos (filha primogénita de JES), Manuel Vicente (vice-presidente da República e ex-director da Sonangol) e pelo general Vieira Dias “Kopelipa” (ministro de Estado e chefe da Casa Militar do presidente da República).

O livro, da autoria de três dirigentes da formação política Bloco de Esquerda, retrata a teia de interesses e parcerias entre as elites político-empresariais angolanas e portuguesas, numa altura em que a tensão entre os dois países se intensifica. O capital angolano investido em Portugal aumentou 35 vezes na última década e, no seu conjunto, os angolanos são os investidores estrangeiros com maior peso na Bolsa de Valores de Lisboa. Interesses angolanos detêm agora posições significativas no sector bancário, nas telecomunicações, na energia e na comunicação social em Portugal.

A acumulação de capital em Angola, resultado de uma década de elevados preços do petróleo e da institucionalização da corrupção, liderada pelo presidente da República, coincidiu com a crise económica em Portugal.

A fragilidade da economia portuguesa, assim como a predisposição da sua classe política e económica para fechar os olhos à proveniência dos capitais angolanos, completaram um quadro em que os interesses das principais figuras angolanas encontraram em Portugal portas abertas para o branqueamento de capitais e para a internacionalização de investimentos obtidos de forma ilícita.