Não haverá terceiro período!

ultima-hora.gifAno lectivo termina com as avaliações desta semana.

Não haverá provas de aferição nem provas finais no ensino básico.

As classificações do segundo período tornam-se notas finais.

Todos os alunos transitam administrativamente para o ano seguinte, sem lugar a retenções.

As escolas deverão manter o contacto regular com os alunos durante o 3.º período, promovendo actividades formativas, de consolidação de aprendizagens e de enriquecimento. Mas sem carácter obrigatório nem sujeitas a avaliação.

Para minimizar a longa paragem das aulas, o novo ano lectivo começará mais cedo, previsivelmente no primeiro dia útil de Setembro.

Os exames do secundário vão ser adiados e será criado, só para este ano, um regime excepcional de acesso ao ensino superior, a ser negociado com as universidades e politécnicos.

Isto é, no essencial, o que estará a ser anunciado a um grupo restrito de directores, com quem os responsáveis políticos têm reunido para decidir o que fazer perante o longo encerramento a que estarão sujeitas as escolas básicas e secundárias.

Tomadas já as principais decisões, faltará apenas acertar pormenores da sua execução e decidir quando e por quem será feita a divulgação ao país.

Coronapáscoa

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© Facetoons

Videoaulas no terceiro período?

TV.pngTiago Brandão Rodrigues consegue a triste proeza de resistir a onze minutos de entrevista televisiva sem conseguir dizer mais do que banalidades. Questionado sobre o que vai ser o terceiro período, mostrou-se incapaz de apresentar uma só ideia ou linha de rumo em relação ao futuro próximo. Nem sequer de transmitir alguma segurança e tranquilidade a alunos, famílias e profissionais da educação.

Ora a política, tal como a natureza, tem horror ao vazio. E se já o primeiro-ministro tinha admitido, na semana passada, que as aulas não irão recomeçar na data prevista, anteontem foi Pedro Siza Vieira a levantar a ponta do véu acerca do que o governo anda a planear. Mas que os responsáveis do ME não querem dizer…

Do que foi adiantado pelo ministro da Economia, percebe-se que a ideia é apostar em soluções baratas e low-tech e não em aproveitar a oportunidade para a ambiciosa “transição digital” que, neste governo, até tem direito a ministério. Ou seja, quem tem computador, que o utilize e aproveite; quem não tem, também não o irá ter: uns vídeos educativos a transmitir em emissões de TV ou canais de vídeo na internet e está feito.

Bem-vindos à educação do século XXI, brevemente disponível em qualquer lar português…

…questionado sobre como vai o Governo garantir que todos os alunos vão ter acesso aos conteúdos educativos durante o terceiro período, nomeadamente os que não têm acesso à Internet, o ministro de Estado, da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, adiantou que estão a ser estudadas várias soluções, que podem passar por canais “do estilo youtube“, que permitem a transmissão de vários conteúdos em simultâneo ou também por fazer chegar os conteúdos pela televisão por cabo.

“Oitenta e três por cento dos lares em Portugal têm TV cabo. Podemos fazer chegar conteúdos às crianças também por essa via”, referiu o ministro, acentuando que não será um regresso à “Telescola” (até porque a quantidade de anos letivos em causa não permute replicar um modelo que em tempos foi aplicado apenas aos 5.º e 6.º anos), mas um modelo mais próximo de canais do estilo do Youtube.

Na entrevista conduzida por Paulo Baldaia, o ministro foi confrontado com as críticas que se fizeram ouvir nestes últimos dias pelo facto de os alunos sem acesso à Internet não terem possibilidade de manter o contacto com os professores e continuarem a ter aulas.

Na resposta, o ministro referiu que várias hipóteses estão a ser estudadas, que esta é também uma realidade “que nos mostra como temos de ser rápidos” e garantiu que o Ministério da Educação “está muito focado nesta situação”.

As propostas da FNE para o 3.º período

fneQuando já se percebeu que a contenção da pandemia do novo coronavírus vai impedir o desenrolar normal de um 3.º período de aulas presenciais, há decisões urgentes que precisam de ser tomadas.

Se o ME, em vez de dar já por terminado o ano lectivo, insiste na aposta do ensino a distância, então é preciso disponibilizar com urgência, a professores e alunos, os recursos tecnológicos para que ele se concretize. Chegando a todos os alunos, e não apenas aos que têm em casa computadores, redes de fibra e internet à discrição.

E depois há as questões práticas: disponibilizar verbas, dar um enquadramento legal ao ensino não presencial e alterar calendários. Aqui, impõem-se a supressão das provas de aferição e das provas finais do 9.º ano, bem como o adiamento dos exames do 12.º ano para Setembro.

Estas são, em síntese, as propostas sensatas ontem apresentadas pela FNE:

O Ministério da Educação não pode assentar as condições de desenvolvimento do terceiro período letivo apenas no voluntarismo dos Docentes e demais intervenientes da comunidade Educativa. É certo que estes não alijam as suas responsabilidades e estão empenhados em contribuir para ultrapassar a situação difícil em que o país está mergulhado. E demonstraram já, durante as duas últimas semanas, apesar de todos os constrangimentos, uma disponibilidade e um empenhamento exemplares no apoio aos seus alunos, mantendo um contacto diário com os mesmos, quer para lecionação de matérias, quer para o seu apoio pedagógico.

Assim, é urgente, na perspetiva da FNE, que o Ministério da Educação, por si ou em articulação com outras entidades, promova a rápida disponibilização de equipamentos e de acesso à Internet a docentes e alunos que não reúnam estas condições de participação nas modalidades de ensino a distância.

Em relação aos procedimentos de avaliação dos alunos, importa ter presente que atualmente nem todas as escolas seguem o mesmo calendário de organização do ano letivo, havendo umas que continuam a adotar a divisão por trimestres e havendo já um número significativo de escolas que preferiram a organização por semestres.

Entende-se que, no final do ano letivo, e em termos de avaliação final, deve ser determinada uma solução que tenha em linha de conta esta diversidade de situações, na certeza de que terão de ser adotadas medidas excecionais que o contexto excecional que vivemos exige.

Mesmo no ensino superior, a eventual introdução repentina de modalidades de avaliação diversas das que estavam inicialmente previstas, nos termos das deliberações dos conselhos científicos e pedagógicos das diversas Instituições, deveria merecer um suporte legal estabelecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que confortasse as alterações que tiverem de ser adotadas casuisticamente.

Por outro lado, entende-se que no presente ano letivo não devem realizar-se nem as provas de aferição, nem os exames de 9º ano, e que os exames de 11º e 12º anos devem ser adiados para setembro, pese embora com consequências para um deslizamento da data de início do próximo ano letivo ou do acesso ao ensino superior.

Leituras: Byung-Chul Han – A emergência viral e o mundo de amanhã

covid19A Europa está fracassando. Os números de infectados aumentam exponencialmente. Parece que a Europa não é capaz controlar a pandemia. Na Itália, morrem diariamente centenas de pessoas. Retiram os respiradores dos pacientes idosos para socorrer os jovens. Porém, também se podem observar ações inúteis. O fechamento de fronteiras é evidentemente uma expressão desesperada de soberania. Nos sentimos de volta à época da Monarquia. O soberano é quem decide sobre o estado de exceção. É soberano aquele que fecha fronteiras. Mas isso é uma exibição vazia de soberania que não serve para nada. Seria muito mais útil cooperar intensamente dentro da zona do Euro do que fechar fronteiras a esmo. Entretanto, também a Europa decretou a proibição de entrada a estrangeiros: um ato totalmente absurdo diante do fato de que a Europa é precisamente aonde ninguém quer vir. Quando muito, seria mais sensato decretar a proibição de saída de europeus, para proteger o mundo da Europa. Afinal, a Europa neste momento é o epicentro da pandemia.

Em comparação com a Europa, que vantagens oferece o sistema da Ásia que resultem eficientes para combater a pandemia? Estados asiáticos como Japão, Coreia, China, Hong Kong, Taiwan ou Singapura têm uma mentalidade autoritária, que vem de sua tradição cultural (confucionismo). As pessoas são menos relutantes e mais obedientes do que na Europa. Também confiam mais no Estado. E não só na China, mas também na Coreia ou no Japão a vida cotidiana está organizada muito mais estritamente do que na Europa. Sobretudo, para enfrentar o vírus os asiáticos apostam fortemente na vigilância digital. Acreditam que no big data poderia encontrar-se um potencial enorme para defender-se da pandemia. Poderíamos dizer que na Ásia as epidemias não são combatidas apenas pelos virólogos e epidemiólogos, mas sobretudo também pelos informáticos e os especialistas em macrodados. Uma mudança de paradigma da qual a Europa ainda não se deu conta. Os apologetas da vigilância digital proclamariam que o big data salva vidas humanas.

A consciência crítica em relação à vigilância digital na Ásia é praticamente inexistente. Quase não se fala de proteção de dados, inclusive em Estados liberais como Japão e Coreia. Ninguém se incomoda com o frenesi das autoridades por recompilar dados. Entretanto, a China introduziu um sistema de crédito social inimaginável para os europeus, que permite uma avaliação ou uma análise exaustiva dos cidadãos. Cada cidadão deve ser avaliado de acordo com sua conduta social. Na China não há nenhum momento da vida cotidiana que não esteja submetido a observação. Se controla cada clique, cada compra, cada contato, cada atividade nas redes sociais. De quem avança com o semáforo no vermelho, de quem interage com críticos do regime ou de quem posta comentários críticos nas redes sociais: são tirados pontos. Então, a vida pode chegar a ser muito perigosa. Ao contrário, a quem compra pela internet alimentos saudáveis ou lê jornais afins com o regime, são dados pontos. Quem tem pontos suficientes obtém um visto de viagem ou créditos baratos. Ao contrário, quem cai abaixo de um determinado número de pontos poderia perder seu trabalho. Na China é possível esta vigilância social porque se produz um irrestrito intercâmbio de dados entre os provedores de Internet e de telefonia móvel e as autoridades. Praticamente não existe proteção de dados. No vocabulário dos chineses não aparece o termo “esfera privada”.

Na China há 200 milhões de câmeras de vigilância, muitas delas providas de uma técnica muito eficiente de reconhecimento facial. Captam inclusive as pintas no rosto. Não é possível escapar da câmera de vigilância. Estas câmeras dotadas de inteligência artificial podem observar e avaliar qualquer cidadão nos espaços públicos, nas lojas, nas ruas, nas estações e nos aeroportos.

Toda a infraestrutura para a vigilância digital resultou agora ser sumamente eficaz para conter a epidemia. Quando alguém sai da estação de Pequim é captado automaticamente por uma câmera que mede sua temperatura corporal. Se a temperatura é preocupante, todas as pessoas que estavam sentadas no mesmo vagão recebem uma notificação em seus telefones celulares. Não à toa, o sistema sabe quem estava sentado onde no trem. As redes sociais contam que inclusive estão se usando drones para controlar as quarentenas. Se alguém rompe clandestinamente a quarentena, um drone se dirige voando a ele e lhe ordena regressar a sua casa. Talvez ainda lhe imprima uma multa e a deixe cair voando, quem sabe. Uma situação que para os europeus seria distópica, mas à qual, pelo visto, não se oferece resistência na China.

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han demonstra a superior eficácia dos regimes autoritários e das democracias musculadas do Oriente, comparativamente com o demoliberalismo europeu, na contenção da pandemia do novo coronavírus. Enquanto a secular tradição de obediência e a confiança nos prodígios da tecnologia e do big data parecem apresentar resultados na luta contra o covid-19, a Europa experimenta sem grande sucesso as velhas receitas do fecho de fronteiras, das quarentenas voluntárias e do isolamento dos infectados.

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Mais 750 euros mensais…

…para o Ministro da Educação.

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Apesar de estar há 5 anos a viver e trabalhar em Lisboa, ainda é dado como residente na probínxia, pelo que continua a ter direito ao subsídio de alojamento.

Um suplemento mensal para compensar os incómodos de um homem do norte desterrado na capital…

Já os professores que percorrem o país com a casa às costas, esses ganham bem e gostam do que fazem, não precisam de nada disto…

Aprender em casa – o que pensam os alunos

alunoJá muito se falou sobre o que pensam professores, políticos e especialistas em Educação acerca das dificuldades e dos desafios que aí vêm, quando o terceiro período começar com as actividades lectivas presenciais ainda suspensas.

Mas… e o que pensam os alunos desta nova realidade em que, também eles, são protagonistas e parte interessada?

Recordo que, quando o anterior governo encetou as reformas educativas recomendadas pela OCDE, tratou de encenar previamente um encontro nacional para “ouvir os alunos”. Segundo a doutrina oficial, a flexibilidade curricular, o perfil do aluno, as aulas de cidadania, tudo isso corresponde às exigências e às necessidades dos alunos actuais, claramente expressas pelos seus representantes.

Ora bem, parece que agora nenhum responsável se lembrou de ir perguntar aos estudantes como encaram a situação actual do ensino e as perspectivas imediatas acerca do estudar e aprender em contexto de isolamento social.

Contudo, ouvir os jovens continua a ser importante. Não para que tomem eles as decisões que competem aos adultos responsáveis, mas para que estes decidam tendo em conta o superior interesse dos destinatários das políticas. Não fazendo prevalecer, como demasiadas vezes sucede, os calculismos políticos, as vantagens económicas ou os preconceitos ideológicos.

Na última semana de aulas uma das coisas que fiz com os meus alunos do 9.º ano foi, precisamente, convidá-los a escrever algumas palavras sobre a forma como estão a viver os tempos actuais e como acham que deveria ser a escola nos tempos mais próximos. Como forma de comunicação, usámos uma das modernas plataformas que permite construir online, e em tempo real, murais elaborados colectivamente.

A verdade é que, como a seguir se demonstra, os jovens pensam pela sua cabeça e avaliam bem as realidades à sua volta. E exprimem as suas ideias com uma clareza e lucidez que nem sempre encontramos nos adultos (ir)responsáveis que se arrogam o direito de decidir em nome deles…

Acho que o método de fazer trabalhos para enviar para os professores é bom apesar de, por vezes, o moodle do agrupamento não dar para utilizar devido ao número de pessoas que o usam ao mesmo tempo.

Aulas online também seriam uma boa alternativa apesar de alguns alunos não terem forma de aceder.

Acho que da maneira que está a ser feito é bom, mas apenas nos permite exercitar a matéria já dada e não aprender nova matéria.

Desta maneira, ter aulas online seria uma boa ideia, mas as pessoas que não têm acesso à internet iriam ficar prejudicadas.

Acho que está a funcionar bem como está agora, mas, na minha opinião, não poderão haver exames se este isolamento se prolongar durante o 3 período.

Atividades através da internet, como tem sido feito. A escola não deve ser esquecida nestes momentos, e é uma boa forma de manter a aprendizagem em dia.

Acho que o método adotado pelos professores não vai ser eficaz a longo prazo pois apenas permite consolidar a matéria e não aprender coisas novas.

Acho que o método de resolvermos as fichas/testes e enviarmos aos professores é um bom método, mas apenas permite a consolidação da matéria dada e não a aprendizagem da matéria que nos falta.

Acho que a escola devia funcionar com aulas online e vários trabalhos de casa com prazos curtos para que estejamos sempre a aprender mesmo estando em casa.

A escola deveria arranjar uma maneira de termos aulas por video chamada para ser mais fácil de tirar mos as nossas dúvidas.

A escola deveria arranjar uma aplicação para nós termos aulas online, por computador com os nossos professores a falar por video-chamada e que não gaste muita internet ou que não gaste nada.

Acho que deveríamos ter aulas on-line pois há vários alunos que não se importam com a escola e pedem a outros para lhe fazerem os trabalhos.

É um bocado complicado porque há pessoas que não têm telemóvel, computadores, Internet. Mas a escola podia-lhes enviar por correio. Os que têm internet podiam ter aulas pelo telemóvel.