Um certo amadorismo…

Portal das Matrículas continua a dar problemas: prazo para renovação é até 12 de Julho

Há dezenas de queixas de encarregados de educação que não conseguem aceder ao site.

O trocadilho é fácil, mas torna-se irresistível. Há um evidente amadorismo na forma como os serviços da administração educativa, tutelados pela SE Susana Amador, estão a lidar com o problema das matrículas e da sua renovação, este ano feitas exclusivamente através do Portal das Matrículas.

Há vários dias que o portal se encontra inacessível ou com acesso muito difícil e limitado aos encarregados de educação.  Trata-se, obviamente, de um problema de falta de capacidade do sistema, que se resolve contratando servidores mais potentes para alojar o site das matrículas.

Mas em vez de resolverem o problema, tornado inevitável ao colocarem toda a gente a aceder ao mesmo tempo, preferem negar a sua existência – nós é que somos uns nabos informáticos, que não sabemos ser pacientes nem usar devidamente o sistema – e, por via das dúvidas, alargar sucessivamente os prazos: já vai em 12 de Julho, e não sabemos se fica por aqui.

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Para poupar umas centenas de euros na migração de servidores, Susana Amador sujeita-se mesmo ao ridículo – e ao cúmulo do amadorismo! – de recorrer à sua página pessoal no Facebook para tentar justificar a incompetência dos decisores. E fazer recomendações aos pais que não conseguem aceder…

A moda do pisca-pisca

pisca-pisca.gifAntecipando cenários que estarão a ser criados para gerir o regresso às aulas em tempos ainda de pandemia, Rui Cardoso evoca a luz intermitente dos pirilampos para explicar o modelo de uma escola a funcionar em modo intermitente: presencial enquanto alunos e professores permanecem sãos, remota sempre que surgem casos positivos e turmas inteiras são mandadas para casa cumprir a quarentena.

Em vez de escola-pirilampo, eu diria antes que a moda do pisca-pisca, esse clássico da música pimba nacional, define melhor a política sem rumo que anda a ser seguida no combate ao covid-19, depois de já termos sido vistos como um caso modelar, em termos europeus, na contenção da pandemia. Uma desorientação que se reflecte, também, na Educação.

Este modelo é bastante simples. As escolas abrem o ano letivo de 14 a 17 de setembro normalmente, com todos os alunos, professores,  assistentes operacionais e técnicos. A DGS emitirá as medidas a respeitar dentro das escolas, circulação de pessoas, entradas e saídas, ajuntamentos no espaço exterior, uso obrigatório de máscara, higienização de mãos, turnos de almoço e por aí a fora… Mas nas salas de aula tudo funcionará como estamos habituados há tantos anos. O uso de máscaras e mais algumas medidas de pormenor terão de ser respeitadas, fora isso lá estaremos a dar o corpo às balas.

Até agora ainda não expliquei o nome “Pirilampo”, é o que vou fazer agora. Os “pirilampos têm uma luz intermitente e é assim que a escola vai funcionar, intermitentemente. Vamos à explicação prática. Numa escola, numa turma surge um caso positivo por COVID-19, essa turma é enviada para casa para cumprir o período de quarentena passando a Ensino Remoto de Emergência durante esse período. A restante comunidade escolar continua a frequentar, normalmente, a escola depois da mesma ser devidamente higienizada. No caso de surgirem vários casos de COVID-19, em várias turmas, a escola encerra para a devida higienização, os alunos e professores entram em “modo” de Ensino Remoto de Emergência pelo período de quarentena estipulado. neste segundo caso, os assistentes operacionais e técnicos entram em trabalho por turnos reduzidos podendo, nos casos possíveis, passar a teletrabalho. Quando o período de quarentena acabar, os elementos sãos da comunidade escolar regressam à escola, enquanto os que terão de permanecer confinados continuam em ERE.

O desnorte é bem visível quando políticos que não sabem estar à altura dos cargos que ocupam sacodem a água do capote, procurando bodes expiatórios que possam eximir os verdadeiros responsáveis a assumir as suas responsabilidades. Mesmo para quem é assumidamente leigo na matéria, há coisas óbvias que já deveriam estar feitas – reforçar transportes, fiscalizar condições de trabalho, testar grupos de risco, isolar eficazmente os infectados – mas que se continuam inexplicavelmente a adiar.

Se nada de substancial alterar nas actuais políticas e no laxismo que se está a instalar no combate à pandemia, a reabertura das escolas, já em Setembro, terá tudo para correr mal.

As incertezas para 2020/21

interrogacaoAinda não existe uma data oficial para iniciar o ano letivo 2020/2021, mas o Ministério da Educação pretende que seja em setembro e que nessa altura o regime seja presencial para todos os alunos. Os especialistas em educação são favoráveis ao retorno à escola, desde que os alunos sejam organizados em grupos pequenos, e pedem autonomia e meios para recuperar aqueles que ficaram para trás no ensino à distância, dá conta o Jornal de Notícias, este sábado, 20 de junho.

O mesmo jornal refere que, ainda assim, que as férias dos professores poderá complicar o calendário escolar, a ser definido pelo Ministério da Educação. Já a medida corroborada pelos especialistas é apoiada por encarregados de educação e diretores escolares, que receiam que o ensiono à distância possa ter prejudicado alguns alunos.

Indecisão até ao fim, tentativa de fazer omeletes sem ovos e, quando tudo falha, esperar que com “mais trabalho dos professores” todos os problemas decorrentes do regresso às aulas se resolvam. Eis a equipa ministerial no seu pior, seguindo pelo mau caminho que, infelizmente, já não nos surpreende. É que as evidências  são claras e difíceis de dissimular.

Primeiro, não faz sentido este prolongamento extemporâneo das aulas à distância, quando já praticamente toda a gente percebeu que o prolongamento desta solução de recurso tenderá a prazo, e passado já o efeito da novidade, a criar problemas mais graves do que aqueles que tenta resolver. Em conjunto com a decisão desastrada de manter a pesada estrutura dos exames nacionais, adiando as provas para Julho e Setembro, as alterações no calendário escolar irão comprometer as férias a que os professores têm direito e condicionar o lançamento do próximo ano lectivo – que já devia estar a ser preparado, em vez de continuarmos, por mais uma semana, a brincar ao ensino remoto.

Segundo, não é vergonha nenhuma que os governantes se sintam desorientados perante a magnitude e as possíveis consequências do que decidirem. E, na dúvida, vão protelando a tomada de decisões. Mas é vergonhoso que não falem com os profissionais no terreno, não ouçam os pais, não busquem consensos com os partidos políticos e parceiros sociais. Ainda que a responsabilidade de decidir caiba inteiramente ao Governo, decisões ponderadas e informadas implicam saber ouvir os intervenientes e os interessados nas medidas que irão ser tomadas.

Terceiro, ainda que a Educação seja um sector há muitos anos vítima de desinvestimento, deveria ter havido, nas actuais circunstâncias, a capacidade de compreender que o regresso às aulas de todos os alunos, num contexto de pandemia, não pode ser feito sem a alocação de mais recursos. As regras de distanciamento impõem turmas mais pequenas. Para recuperar os alunos que o ensino não presencial deixou para trás serão necessários apoios em pequeno grupo ou individualizados. Tudo isto implica a contratação de mais professores, mas sobre essa necessidade não existe sequer uma linha no orçamento suplementar aprovado esta semana.

Quando nada foi ainda feito para reforçar o sector em recursos materiais e humanos, quando a única medida concreta de que ouvimos falar é a compra de computadores para distribuir aos alunos, tem de se temer o pior: que o ME ceda à tentação irresponsável e facilitista de poupar dinheiro, continuando a apostar no ensino online para poder adiar investimentos e, sobrecarregando os actuais professores, evitar a contratação de mais docentes.

O homem das entregas

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Já me tinha soado aos ouvidos que o responsável máximo do ME tem primado pela ausência nas reuniões de trabalho com os directores. A preparação da reabertura das escolas tem estado a cargo dos secretários de Estado e de outros dirigentes ministeriais, pois o ministro anda, como sempre, desaparecido.

Afinal, descobri-o ontem à noite através da conta Twitter do ME. Anda no serviço de entregas, a acompanhar as equipas das Forças Armadas que dão formação e fornecem os equipamentos com que as escolas irão, a partir da próxima segunda-feira, enfrentar o ataque do coronavírus…

Numa situação excepcional…

raquel-varela…medidas excepcionais!

Raquel Varela critica a actuação tardia, hesitante e insuficiente do Governo perante aquela que poderá vir a tornar-se a maior crise de saúde pública dos últimos cem anos. E não foi por falta de aviso: a OMS nunca poupou nas palavras para alertar sobre os riscos desta pandemia global. Mesmo entre nós, não faltaram biólogos, matemáticos e epidemiologistas a avisar sobre o que aí vinha. Mas o poder político preferiu dar ouvidos ao discurso irresponsável e por vezes imbecil dos pataratas que o regime promoveu a especialistas e autoridades de saúde pública.

A historiadora e investigadora de temas sociais não hesita em qualificar como uma guerra esta luta que colectivamente devemos travar e vencer contra a propagação do coronavírus. E assim, como em qualquer guerra, há que centrar esforços no que é fundamental para travar o combate, proteger os combatentes e mobilizar todos os recursos essenciais para o esforço de guerra. Requisitando ou mesmo nacionalizando, quando os privados são incapazes de cumprir com a sua parte. Num país onde se respondeu com a requisição civil a uma greve de enfermeiros e mobilizou o exército para substituir camionistas em luta, é admissível hesitar perante a necessidade de requisitar os recursos dos hospitais privados perante uma emergência de saúde pública?…

Nos aeroportos, portos, Metro, Carris não havia até agora nenhuma protecção real para quem trabalhava, sem máscaras, luvas – o plano de contingência era “avise se tem febre”…; são milhões de trabalhadores a circular. Apontar o dedo à praia – que nem sabemos se faz mal ou bem, de facto – é não querer ver o problema. Querem a todo o custo manter produção que não é prioritária a funcionar, com risco para quem trabalha. Temos que parar toda a produção que não é essencial, porque estão nas OGMA a construir aviões? Na Auto Europa, na Visteon? Temos que manter a trabalhar só os sectores essenciais de abastecimento, e esses protegê-los ao máximo de contágios. Isto é uma guerra – em guerra deslocam-se sectores produtivos do que é menos importante para o que é essencial – essencial é logística, energia, saneamento, abastecimento. Temos que tentar produzir material médico em falta, ventiladores, ou exigir à União Europeia – que nada fez até agora a não ser pedir fronteiras abertas!! – que produza.

Mandar as pessoas para casa com 66% do salário é uma medida de um Governo que não tem a mínima noção da realidade laboral do país. Isso para os precários, mais de 30% da força de trabalho do país, significa 450 euros ou menos, não paga sequer a renda. Para quem ganha o salário mínimo, 25% de toda a força de trabalho, significa o mesmo. E os outros fixos só ganham 1000 ou 1500 euros porque a maioria trabalha por turnos e faz horas extra – mais de 50% dos portugueses trabalha até 70 horas por semana – se param não pagam as contas. Ou seja, esta medida tem que ser acompanhada pela suspensão do pagamento de hipoteca e rendas, no mínimo; congelamento e redução do preço de bens essenciais. Sob pena de as pessoas não terem como comer.

Os hospitais privados vão reunir-se com a Ministra dia 17…Nunca subestime a vergonha e a cobardia. Nos outros países, como Espanha, já avisaram que vai haver requisição civil. Se for necessária, e é, deve nacionalizar-se os hospitais privados e laboratórios ao serviço do combate à epidemia. Vejam o exemplo dos investigadores do mundo inteiro que estão a tentar produzir vacinas e medicamentos sem direitos de autor, partilhando o que descobrem! Gente decente.

 

Suspeitas de Covid-19 numa escola portuguesa

covide-19.jpgManter a calma, agir com ponderação e sensatez, confiar nas autoridades: tudo bons conselhos sobre a forma correcta de lidar com a crise do novo coronavírus. O problema é quando as autoridades responsáveis não demonstram estar à altura das suas responsabilidades.

Numa escola aqui para os meus lados apareceu um aluno com sintomas que poderiam indiciar uma infecção respiratória. Prudentemente, foi enviado para a sala de isolamento e contactada a Saúde 24. Depois de muitas tentativas, lá conseguiram que alguém atendesse do outro lado e pacientemente responderam a todas as questões. No final, a única indicação dada foi que mantivessem o isolamento e aguardassem novas instruções. Que nunca chegaram.

Ao final do dia, era preciso encerrar a escola e encaminhar o aluno para algum lado. Perante a falta de respostas da entidade competente, haveriam de ser os bombeiros a transportar o aluno ao hospital onde, depois de feitos os testes, se verificou não estar infectado.

Mas se fosse portador do vírus, seria o irmão, vindo recentemente de um país onde há casos reportados, o provável transmissor. E esse esteve o dia todo na escola sem qualquer restrição de movimentos, tal como os colegas de turma de ambos os irmãos.

A história é real, é do meu conhecimento pessoal e só não identifico a escola porque não requeri o consentimento dos envolvidos. Mas casos semelhantes estarão a ocorrer um pouco por todo o país e demonstram falta de capacidade de decisão e de resposta em tempo útil às situações que vão surgindo.

Com o agravamento da crise, o repto aos responsáveis torna-se cada vez mais premente: organizem-se!…

Lavar as mãos

…literalmente, que é o que os responsáveis do ME sabem fazer melhor.

Muito oportuno e sempre bem apanhado, o cartoon do dia no Facetoons!

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O recenseamento, finalmente!…

A partir de hoje e até à próxima terça-feira podem os professores e educadores conferir os dados que constam, a seu respeito, na plataforma do ME. É assim dada, finalmente, resposta aos muitos docentes que por esse país fora aguardavam, ansiosos, não se sabe bem o quê…

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Note-se que o prazo inicialmente dado aos professores para verificarem os seus dados coincidia parcialmente com a interrupção lectiva do Carnaval, uma forma pouco subtil de lhes lembrar que não estariam, nessa altura, em gozo de férias.

Só que quem se desleixou foram alguns directores e secretarias, que não introduziram as informações na plataforma no prazo previsto, obrigando assim a alterações no calendário.

“Não há ministro para a Educação”

Otiagobrodrigues secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, subiu ao palco do congresso da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), no Seixal, para acusar o ministro Tiago Brandão Rodrigues de ser intransigente e de não querer negociar com os sindicatos dos professores. E, disparando contra o que diz ser a falta de investimento do Governo na “defesa da escola pública”, sentenciou: “Verdadeiramente, não há ministro para a educação.”

Não pediu a demissão do governante, mas carregou nas críticas. Falando como membro do conselho nacional da Intersindical, Mário Nogueira acusou o executivo de anular as “muitas” propostas que surgem “à esquerda do PS” para a área da educação. Tem sido assim “salvo poucas excepções”, como o fim “das injecções ilegais de dinheiros públicos em colégios privados ou a distribuição gratuita de manuais escolares”. Um Governo que diz estar manietado pelas “imposições de Bruxelas”, com um ministro que impõe decisões sem negociar.

“Quando excepcionalmente Tiago Brandão Rodrigues [se] reúne com os sindicatos é para lhes dizer que é o Governo que decide o que se negoceia, como se negoceia e qual o produto final da negociação. Tudo o que sair fora dessa lógica, segundo o governante, não é caminho, mas beco sem saída”, afirmou.

Esteve bem Mário Nogueira, na denúncia da falta investimento na Educação, da ausência de respostas aos problemas e reivindicações dos professores e da farsa que é a perpetuação no cargo de um ministro que não governa o seu ministério, assumindo ora o papel de serventuário do colega das Finanças ora o de testa de ferro das decisões tomadas pelo gabinete do SE João Costa – o ministro de facto, no que à Educação diz respeito.

De resto, quando a coisa se complica, é certo e sabido que Tiago Brandão Rodrigues desaparece de circulação, escondendo-se dos professores, dos jornalistas e de todos os que o possam confrontar com as perguntas sem resposta e os problemas por resolver no sector sob a sua tutela. Lá surge, de quando em vez, a assistir a algum evento desportivo, numa reunião partidária ao fim de semana ou, eventualmente, no ambiente controlado de uma “escola amiga” onde vai inaugurar mais um projecto ou equipamento.

A farsa que é a política educativa deste governo estende-se às reuniões negociais com os sindicatos. Onde o ministro raramente aparece, e quando o faz é para, na sua linguagem patusta, se referir aos “caminhos” que pretende trilhar em conjunto com os representantes sindicais. Ora esse caminho é afinal uma via de sentido único cujo percurso está longe de responder, não só aos interesses dos professores, mas da própria educação portuguesa.

Notícias do IP3

Lembram-se das obras do IP3, destinadas a descongestionar o trânsito e a melhorar a segurança de uma das mais perigosas estradas portuguesas? Obras indispensáveis e tão urgentes que justificavam, pois o dinheiro não chega para tudo, que os professores não recuperassem a totalidade do seu tempo de serviço…

Não esqueci as palavras do primeiro-ministro e também não poderia ignorar o avanço das obras numa estrada onde transito diariamente. E o que posso dizer é que raramente vi dinheiro mais mal empregue do que aquele que supostamente nos foi retirado para pagar estas e outras obras: elas não passam de remendos naquilo que já nasceu torto e não se ousa endireitar.

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Basicamente, o que estão a fazer é a consolidar alguns taludes e barreiras, a melhorar a drenagem da via e a colocar um novo piso. As curvas perigosas continuam, os estrangulamentos do tráfego provocados pela supressão de faixas irão manter-se e, a não ser acelerado o ritmo a que decorrem os trabalhos, duvido que estejam concluídos nos próximos dez anos.

Reformados e mal pagos ficarão, antes disso, boa parte dos professores actualmente no activo…