Poder de síntese

O professor é Bom até prova em contrário.

Se é menos do que Bom, cabe aos seus superiores comprovar e propor um plano de melhoria.

Se é Muito Bom, ou Excelente, cumpre ao professor demonstrá-lo.

A ADD poderia ser apenas isto, e não a burocracia tóxica e degradante em que a quiseram transformar.

Ideias que a Txitxa, com o brilhantismo habitual, resume numa só palavra…

Imagem daqui.

Último dia de aulas

Nalgumas escolas, traz brinde!…

Imagem daqui.

Professora americana

Um cartoon bastante elucidativo, que corre nas redes sociais dos docentes dos EUA.

Ali, como em quase toda a parte nos dias de hoje, multiplicam-se as exigências e os desafios que os pais, o poder político e a sociedade fazem recair sobre os professores. Sem que lhes sejam assegurados meios e condições adequados para que possam cumprir o que deles se espera.

Numa leitura rápida, o caderno de encargos não difere muito do que incide sobre os professores portugueses: baixos salários e cortes orçamentais, avaliação dos professores, testes e exames dos alunos, aprendizagem presencial e à distância e, claro, as eternas contingências da pandemia.

A maior diferença é que, por cá, ainda ninguém se lembrou de exigir que os professores façam de heróis, abatendo serial killers que ameacem os seus alunos; nem de mártires, dando o peito às balas para servir de escudo humano às crianças indefesas.

Com a casa às costas

Andar com a casa às costas, pelo menos durante os primeiros anos de exercício da profissão, sempre fez parte das opções de vida de muitos professores. Para quem dava aulas por gosto e vocação, esse sacrifício fazia-se sem grandes dramas com vinte e tais, trinta e poucos anos, até se conseguir uma colocação estável num quadro de escola.

O erro, com pesados custos para todos – professores deslocados, escolas sem professores, alunos sem aulas – é querer-se obrigar docentes de 50 ou 60 anos a fazer esta vida desgraçada. E já quase ninguém está para isso. Uns porque encontraram alternativas profissionais e não querem, outros porque a idade, a família ou os problemas de saúde não os deixam.

Andaram estes anos todos a gozar com o pagode e a desconsiderar a classe docente. Descobriram agora, de repente, o magno problema da falta de professores. Acham que o resolvem com um qualquer coelho tirado da cartola. Não me parece.

© Facetoons

Guia do Perguntador

© Txitxa’slife

Os jogos do burnout

E ainda há quem pense que faltam “emoções” na vida e no trabalho dos professores. Há é as que são incontornáveis ossos do ofício, enquanto outras, que nos desgastam e envelhecem, sem que daí resulte qualquer ganho para os nossos alunos, seriam perfeitamente dispensáveis com outros modelos de organização curricular e escolar. Com um voto de confiança na responsabilidade e no profissionalismo docente, com menos papelada e mais tempo para a relação pedagógica, a criatividade, a investigação e o trabalho colaborativo no dia a dia dos professores.

Cartoon com o olhar bem humorado, mas sempre crítico, da Txitxa.

Auto-aprendizagem

Adaptado daqui.

Uma arca recheada

Muito bem apanhada esta inspiradíssima tirada da Txitxa!…

Na mouche!

A irresponsabilidade e incompetência dos decisores políticos, que fornecidos ao longo de décadas de todo o tipo de estatísticas, estudos e projecções sobre as necessidades de professores, não foram capazes de perceber o óbvio, aqui magistralmente retratadas pelo Antero Valério.

O camarada janta?

Imagem de Henricartoon

Incompreensível, a posição do PCP sobre a guerra na Ucrânia. Quando a realidade nos entra literalmente pelos olhos dentro, como é possível ter medo de palavras como invasão e guerra, perante o avanço de tropas russas em território ucraniano e as dezenas de milhares de mortos do confronto entre ambas as partes?

Há uma velha máxima, atribuída a Napoleão e ainda hoje válida tanto na guerra como na política, que aconselha a não interromper o inimigo quando este está a cometer um erro. Ora o PCP não é meu inimigo, e é isso que me leva a não optar pelo silêncio. Nunca militei no PCP ou em qualquer outro partido, mas sempre considerei este partido essencial à nossa democracia. Custa-me vê-lo a definhar até ao completo desaparecimento, não porque as causas sociais e políticas que defende estejam resolvidas ou ultrapassadas, mas pela forma desastrosa, irracional e insensível como está a lidar com a guerra na Ucrânia. O declínio do PCP é também o declínio dos ideais e valores de esquerda, num mundo onde velhos e novos fascismos e fundamentalismos ganham força a um ritmo preocupante, uma tendência que, a manter-se, só pode dar maus resultados.

Como é possível que um partido que sempre defendeu os povos oprimidos do mundo não consiga perceber que os ucranianos estão também a ser vítimas inocentes de um conflito? Como se pode ignorar que a Rússia de Putin é uma ditadura oligárquica, conservadora, militarista e capitalista, já nada tendo a ver com os ideais socialistas e comunistas que inspiraram o PCP ao longo da sua história? Que os seus aliados objectivos, no Ocidente, são hoje os partidos e movimentos de direita e extrema-direita?

Claro que o PCP está cheio de razão em muito do que refere a propósito do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Lembrando que o conflito não começou agora, e que os dirigentes ucranianos têm responsabilidades na repressão da minoria russa ou na aproximação imprudente à NATO. Denunciando a hipocrisia ocidental, sobretudo dos EUA, e os interesses económicos e geoestratégicos que se jogam em torno de uma guerra na qual russos e ucranianos continuarão a ser carne para canhão. Apelando a um entendimento político que possa conduzir a uma paz estável e duradora na região.

Tudo isto é verdade, e o PCP pode e deve reafirmá-lo sempre. Mas deveria começar pelo óbvio: o reconhecimento e a condenação clara e inequívoca da invasão russa da Ucrânia. Independentemente de tudo o mais que se possa dizer, há claramente, neste conflito, um país que agride e outro a ser agredido. Quem é incapaz de o reconhecer está, objectivamente, a fazer o jogo do agressor.