Os 28 Apóstolos da Flexibilidade Curricular

apostolos.jpgViana do Castelo é o primeiro concelho do país com um corpo de 28 docentes formado para promover a flexibilidade curricular no letivo 2019/2020 nos sete agrupamentos do município, disse esta sexta-feira o vereador da Ciência, Inovação e Conhecimento.

“Não há nenhum concelho no país que tenha um corpo de docentes selecionado, formado, numa instituição de ensino superior, com uma pós-graduação desenhada para dar resposta a este modelo pedagógico”, garantiu à Lusa Ricardo Carvalhido.

A pós-graduação em Educação, Ciência e Património Local, financiada pela câmara e ministrada pela Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), começou em novembro de 2018 e terminou em julho.

“Identificámos, juntamente com os diretores dos sete agrupamentos, quatro professores por agrupamento com base em características pessoais e no perfil académico e profissional. Estes docentes têm uma missão muito importante porque estão no epicentro deste modelo de flexibilização curricular”, sustentou.

Espero que estes 28 professores tenham abraçado a causa de livre vontade e inteira convicção e não venham agora dizer que “foi uma seca” ou que “foram ao engano”.

Que aproveitem a formação obtida para porem em prática os mirabolantes projectos, dando o exemplo e o corpo ao manifesto. Não se limitando, como fazem os formadores ministeriais, a puxar dos galões e a mandar trabalhar os colegas.

De resto, é de saudar o pioneirismo educacional do Alto Minho e aguardar pelos seus efeitos previsíveis: a chegada dos alunos minhotos, dentro de alguns anos, ao topo dos rankings educativos – se estes ainda existirem…

As duas Europas

Parece um mapa da Europa no tempo da Guerra Fria.

Mas não é. Refere-se, mais prosaicamente, aos países europeus que, em pleno século XXI, têm uma maioria da população que apoia (azul) ou rejeita (vermelho) o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A Cortina de Ferro caiu há trinta anos. Mas há, como se vê, barreiras mentais e culturais que levam muito mais tempo a derrubar…

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Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 Mais jovens a entrar no ensino superior.

Embora o “canudo” por si só seja cada vez menos uma garantia de uma carreira profissional à medida dos sonhos e ambições de cada estudante, a verdade é que tanto a concretização das expectativas dos jovens que terminam o secundário como o desenvolvimento económico e social do país dependem de uma aposta clara no aumento de qualificações das novas gerações…

 O logro da autonomia

Foi anunciado em Julho, com pompa e circunstância, que a autonomia das escolas iria ser reforçada, bem para além do que se encontra previsto no âmbito da flexibilidade curricular. Os directores foram exortados a elaborar projectos de inovação pedagógica onde, indo além da mera reorganização curricular, poderiam redefinir o calendário lectivo e os momentos de avaliação…

 A eterna falta de pessoal nas escolas

Fica como um dos grandes falhanços da política educativa deste governo: a incapacidade de garantir uma adequada dotação de assistentes operacionais em todas as escolas…

A agenda oculta da semestralidade

tiagobr2.PNGPoder organizar o ano lectivo em semestres, aumentando o número de pausas lectivas e passando a ter apenas dois momentos de avaliação quantitativa, foi o engodo que levou muitas escolas e agrupamentos a elaborar e apresentar à tutela os famosos PPIP – Projectos-Piloto de Inovação Pedagógica.

Decisões ingénuas, percebe-se agora, pois a última coisa que interessa à equipa que tutela o ministério é o exercício de uma verdadeira autonomia das escolas. O que pretendem, isso sim, são escolas e, sobretudo, dirigentes escolares que cumpram, por iniciativa própria, as orientações ministeriais.

A sofisticação do discurso neo-eduquês não liga bem com a necessidade de, em matérias pedagógicas, darem ordens directas às escolas. Por isso, em vez do pau, recorrem à cenoura: ao longo destes quatro anos, foram criando um sistema de recompensas com que vão beneficiando as escolas e os directores que mais fielmente cumprem os desejos e adivinham as vontades dos governantes.

Nesta lógica, não é de estranhar o castigo imposto às escolas que pretenderam mexer na organização do ano escolar sem fazer a pretendida salganhada com as matrizes curriculares: os projectos foram rejeitados. Na base dos indeferimentos, uma decisão tomada de calculadora em punho: as alterações curriculares propostas são insuficientes, não ultrapassando 25% das matrizes curriculares iniciais. E ninguém quer saber se as propostas reúnem o consenso dos órgãos representativos das comunidades educativas: não fazem o que nós queremos, é para deitar abaixo. Sem apelo nem agravo.

Quanto à avaliação semestral: julgavam, caros professores, que iam ter menos reuniões de avaliação e menos burocracia avaliativa? Ora vejam como o PPIP mais acarinhado de todos, o do Agrupamento de Cristelo, trata a questão:

A cada oito semanas, os alunos vão ter uma semana de férias, pausa em que haverá uma avaliação e a preparação das semanas seguintes. Trata-se de mais um passo num agrupamento com cerca de mil alunos (desde o pré-escolar ao 9.º ano), que há três anos entrou num Projeto-Piloto de Inovação Pedagógica para combater o insucesso escolar.

Atenção que as férias de oito em oito semanas são apenas para os alunos. Aos professores, espera-os uma maratona de reuniões-duracell, destinadas a produzir o feedback a transmitir aos alunos e a flexibilizar as semanas seguintes.

A escola de Paredes não divulgou ainda o seu calendário escolar, pelo que vos apresento o de um agrupamento de Rio Maior que segue uma linha semelhante de fidelidade canina aos desígnios ministeriais. Que lhes façam bom proveito os cinco “momentos de avaliação” anuais: duas avaliações finais e três intercalares…

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A Educação e os partidos – o grande debate

A FENPROF promoveu um debate com os partidos que têm representação parlamentar para que apresentassem as posições e propostas que têm para a Educação. Este debate sobre as questões da Educação (Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Ensino Secundário) ocorreu em 12 de setembro e, com exceção do CDS-PP, que alegou indisponibilidade, todos se fizeram representar, através de responsáveis pela área da Educação: PSD – David Justino; PS – Odete João; BE – Joana Mortágua; PCP – Ana Mesquita; PEV – Mariana Silva; PAN – Rui Prudêncio. O debate foi moderado pela jornalista Ana Kotowicz.

Promovido pela Fenprof, o debate com os partidos com assento parlamentar foi longo mas é esclarecedor. Os representantes partidários tiveram oportunidade de apresentar as suas propostas eleitorais para o sector educativo, bem como de responder às questões que a plateia de professores lhes apresentou.

Conhecendo as posições de cada partido, competirá a cada professor, a cada eleitor, no dia 6 de Outubro, fazer a sua escolha…

O arranque “normal” do ano lectivo

gulbenkian-braga.JPGA Escola Gulbenkian de Braga iniciava o ano letivo esta sexta-feira, mas está fechado por falta de funcionários. O mesmo vai acontecer na segunda-feira com a EB Eugénio de Andrade no Porto.

Na secundária Rainha Dona Amélia, em Lisboa, não haverá aulas de educação física “nas primeiras semanas” e a biblioteca só abrirá quando houver professores para substituir os funcionários em falta, alertou hoje a Federação Nacional da Educação (FNE).

O arranque do ano letivo na Escola Secundária Almeida Garrett, em Vila Nova de Gaia, foi adiado. O estabelecimento de ensino está encerrado devido à falta de funcionários.

A Escola Secundária Alcaides de Faria (ESAF), em Barcelos, esteve encerrada esta manhã de sexta-feira devido à greve dos assistentes operacionais. Os funcionários acusam a direção do agrupamento de nunca os ter apoiado nas suas reivindicações e o Governo de falta de respeito.

Há vários alunos a regressar às aulas, esta sexta-feira, com os estabelecimentos de ensino ainda em obras. Acontece, por exemplo, no concelho de Sintra, na Escola Básica com Jardim de Infância da Abrunheira, onde existem 150 alunos.

Colocar a tempo e horas os assistentes operacionais necessários aos funcionamento das escolas: eis uma missão que o Governo demonstrou, uma vez mais, não estar à altura de concretizar. Mesmo com eleições à porta, e com sucessivos anúncios, desde Março deste ano, de que agora é que era, a verdade é que a política das cativações, dos adiamentos, do engonhanço, prevaleceu uma vez mais.

Bem pode agora a SE Alexandra Leitão apontar uma vez mais as culpas dos atrasos para as escolas ou a complexidade dos concursos; bem pode garantir que até finais de Outubro fica tudo nos conformes: a verdade é que o ano lectivo está oficialmente aberto e os funcionários em falta são precisos agora. Perante o bar fechado, as salas sujas, a reprografia encerrada ou as casas de banho por limpar, não se pode dizer aos alunos que esperem mais um mês ou dois para que esteja tudo em ordem.

Neste ponto, o que se espera é que, nas escolas afectadas, não se siga o exemplo vergonhoso da Escola Secundária Alcaides de Faria. Que se perceba que a falta de pessoal auxiliar é um problema de todos: alunos, professores e pessoal não docente. Que direcções, conselhos gerais, e associações de pais tomem posições conjuntas e se imponham perante o ministério. E não iniciem o ano lectivo sem que o problema da falta de pessoal se encontre resolvido.

Quando já lá não vai de outra maneira, tomar uma posição de força na altura certa é a única coisa a fazer. Em ano de eleições, costuma resultar…

Porque é que não foste para Medicina?

francisca-fcsh.JPGÉ a pergunta recorrente que é feita a jovens como a Francisca, candidata ao ensino superior com média de 20 valores. Poderia, obviamente, entrar no curso que desejasse, incluindo Medicina e as engenharias físicas ou aeroespaciais actualmente em voga. Escolheu Comunicação Social.

Francisca Dias tem 18 anos e uma média de 20 valores. A jovem, da Figueira da Foz, vai ingressar este ano na licenciatura em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova, em Lisboa, avança a SIC Notícias.

O curso tem uma média de 17,2 valores, quase menos três do que a nota de candidatura apresentada por Francisca.

“Para este curso podia ter feito menos mas sempre quis dar o meu melhor. E o meu objetivo era mesmo tentar entrar com o 20, ter a nota máxima”, explica ao canal.

A verdade é que há um problema sério de empregabilidade que atinge os jovens diplomados portugueses. À excepção de um número restrito de áreas onde a falta de profissionais qualificados é notória, a maioria dos recém-formados tem dificuldade em encontrar um emprego compatível na área em que se formou. Muitos só o conseguem emigrando; outros ficam por cá em empregos precários e mal pagos. Cada vez mais jovens prosseguem os estudos em direcção ao mestrado, ao doutoramento e ao pós-doutoramento, não porque tenham real vocação de cientista ou investigador, mas como estratégia de fuga ao desemprego.

Neste cenário, a Medicina tem sido identificada como uma profissão segura: o emprego é garantido, as oportunidades de carreira são muitas e diversificadas, os ordenados muito superiores à média das restantes profissões. Daí a considerar-se que qualquer estudante com média acima dos 18 valores deveria aproveitar a oportunidade e nem pensar duas vezes na escolha do curso: se tem média para Medicina, é Medicina!…

Nem todos pensam, felizmente, dessa forma, e talvez isso nos livre de termos, dentro de algumas décadas, a profissão médica recheada de profissionais bem sucedidos financeiramente mas sem autêntica vocação e motivação para corresponder às exigências da profissão.

Francisca escolheu estudar aquilo de que gosta, como se espera que façam cada vez mais jovens no nosso país, agora que aumentar a frequência do ensino superior parece ter-se tornado uma prioridade nacional. Uma aposta que traz, contudo, dois desafios.

Às universidades e politécnicos, para que os cursos não sejam pensados apenas na perspectiva de assegurar o lugar aos docentes das instituições, mas tenham em conta as reais necessidades dos estudantes, a qualidade e exigência da formação e a futura empregabilidade.

Às empresas, aos governantes, à sociedade, para que se criem condições de investimento e desenvolvimento económico e social que permitam que as novas e cada vez mais qualificadas gerações possam dar o seu contributo efectivo ao progresso do país.