E agora, a palavra aos especialistas a sério…

Está praticamente tudo explicado nesta peça do Público. Com uma análise rigorosa de números e factos, não com a expressão de vontades e estados de alma nem exercícios de demagogia.

Se cada infectado com covid-19 contagiar menos de uma pessoa, os números da pandemia descem. Se infectar mais do que uma, irão subir. Os dados disponíveis mostram a dificuldade de manter este valor de Rt em valores desejáveis com as escolas abertas. A ausência de sintomas, comum entre a população jovem infectada, dificulta o controle da pandemia. Quando o número de novos casos dispara, o confinamento torna-se incontornável para evitar a catástrofe sanitária. O reforço da medidas sanitárias e o aumento da capacidade de testagem podem ser uma alternativa quando se pretende abrir escolas e outros serviços públicos, mas não se está a investir o suficiente nestas áreas. O atraso na distribuição de vacinas também não ajuda. Sem uma mudança profunda nas regras de segurança sanitária vigentes nas escolas, abri-las prematuramente é abrir o caminho à quarta vaga pandémica quando ainda nem debelámos a terceira. E não nos venham com o argumento demagógico de que os danos da privação da escola são superiores aos riscos da pandemia. Estão simplesmente a comparar o que não é comparável.

Fica um excerto da notícia, mais longo do que é habitual, com destaques da minha responsabilidade.

A abertura das escolas em Setembro fez o risco de transmissibilidade (Rt) subir cerca de 20% a 25% ao final de seis dias, explicou Jorge Buescu, professor de matemática da Universidade de Lisboa, ouvido esta quarta-feira na comissão parlamentar de acompanhamento da pandemia. O especialista alertou ainda para o descontrolo que pode acontecer se o Rt ficar acima de 1,2: “É quase garantido que poderá haver uma quarta vaga”.

“Se queremos ter a noção do efeito de abrir as escolas, é olhar para o que aconteceu ao Rt” em Setembro quando estas abriram, respondeu o especialista aos deputados. “Seis dias depois da abertura das escolas o Rt começou a subir e passados mais 15 dias tinha subido 20 a 25%. Se pensarmos que vai acontecer a mesma coisa, o que temos fazer é uma conta relativamente simples: Estamos com um Rt suficiente para que acrescentando mais 20% continuemos abaixo de 1 ou não?”, explicou Jorge Buescu.

A resposta foi também simples. “Se o Rt antes de abrirmos as escolas estiver 0,98 diria que é mais do que imprudência, é quase procurar problemas sérios, correr um risco muito grande de uma nova vaga”, disse Jorge Buescu, dando como exemplo o que aconteceu por altura do Natal em que o Rt estava neste valor e acabou por subir com o desconfinamento dado nessa altura. E um Rt acima de 1, referiram os quatro matemáticos, é ter “um aumento exponencial de casos”.

Explicou ainda que a análise diária do Rt, ainda que menos fina, permite perceber que evolução da incidência se pode esperar ao final de dez a 15 dias. E fazer baixar o Rt leva tempo. Explicou que, com as medidas gradualistas tomadas no início do ano, este indicador levou cerca de mês e meio a descer. Já após o fecho das escolas, o Rt desceu a menos de 1.

Henrique Oliveira, professor de matemática do Instituto Superior Técnico, referiu que nas escolas “grande parte transmissão é feita através de [doentes] assintomáticos ou sintomáticos antes dos sintomas [se manifestarem]” e que esta transmissão é “o grande perigo da doença”. “É muito difícil combater a pandemia por causa dos assintomáticos.”

“Quanto mais jovem, mais se está no estado assintomáticos ou com poucos sintomas. As escolas servem para transmitir a doentes de agregado familiar para agregado familiar”, alertou o especialista, fazendo ainda referência ao desporto escolar que realizado “sem máscara permite maior transmissibilidade”. “Temos de ser cuidado nesta questão. Tem de ser feito ao ar livre e com distância. Em ambiente fechado existe muita transmissão assintomática”, reforçou Henrique Oliveira.

Já Carlos Antunes, também professor da Universidade de Lisboa e elemento da equipa do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, mostrou a análise da incidência que fez por faixas etárias para dizer que no final do ano passado a taxa de incidência dos grupos 6-12 anos e 13-17 anos “crescia na ordem dos 6% ao dia” e que a 22 de Fevereiro eram os grupos que mais desceram na taxa de incidência. Segundo o especialista, houve “uma redução drástica a 31 de Janeiro que tem a ver com algo que aconteceu nos dias 21 a 23”, já que “a transmissibilidade dá-se antes do inicio sintomas”, data pela qual faz a análise.

O especialista falou ainda sobre o modelo de análise de risco que criaram em Outubro e que junta vários indicadores que permitiram estabelecer cinco níveis de risco que podem servir de guia para o início de um confinamento ou desconfinamento. Linhas vermelhas que não devem ultrapassar um Rt de 1,1, uma média de incidência a sete dias de 3000 novos casos, uma taxa de positividade de 7,5% e um limite de 242 camas em cuidados intensivos e de 1300 em enfermaria.

Covid-19: Portugal no topo

Os dados, recolhidos a nível mundial e obtidos num site de referência, referem-se aos novos casos de covid-19 por milhão de habitantes registados nos últimos sete dias. E falam por si: Portugal detém o nada invejável segundo lugar, à frente dos EUA, do Brasil e de todos os países europeus. Com mais casos do que nós proporcionalmente à população, apenas Israel. No entanto, este país está a apostar na vacinação rápida e em massa, pelo que a curto prazo poderá ter o problema controlado.

Por cá, parece que nem a classe política, nem os media, nem os cidadãos acordam para a gravidade do problema. Decretam-se confinamentos mas continuam a fazer-se ajuntamentos e a não corrigir comportamentos de risco. Assumimos que as escolas são lugares seguros, quando é óbvio, perante estes números avassaladores, que o vírus pode estar em todo o lado e por todo o lado se propaga. Sendo que as novas variantes da doença vieram arrumar de vez com o mito de que as crianças não contagiam…

Temos hospitais a fazer medicina de catástrofe, escolhendo os doentes que são para morrer e os que são para salvar, porque os recursos materiais e humanos disponíveis não chegam para todos os que precisam. Precisávamos de um confinamento radical, mas preferimos acreditar que a perda de um mês de aulas presenciais, num percurso de doze anos de escolaridade obrigatória, iria hipotecar irremediavelmente o futuro das novas gerações.

Como dizem os advogados amaricanos, I rest my case…

Pandemia galopante entre a população escolar

A covid-19 está espalhar-se entre as crianças e jovens no Norte, tendo-se tornado galopante nas últimas semanas e ultrapassado os números dos idosos. O aumento é notório: a taxa de crescimento é de 32% entre os menores de 10 anos e de 24% entre os adolescentes.

Da reunião de ontem no Infarmed, com uma participação mais alargada de especialistas do que é habitual nas conferências de imprensa da DGS, surgiram dados sobre a pandemia que confirmam as piores suspeitas.

É entre as camadas mais jovens que as infecções mais estão a crescer, um dado evidente mas que mesmo assim surge subestimado nas estatísticas, pois muitos suspeitos não chegam a ser testados se não desenvolverem sintomas. E muitas crianças e jovens infectados são, como se sabe, assintomáticos.

Por outro lado, o reconhecimento de que em mais de 80% dos casos confirmados não chega a ser determinada a origem do contágio significa que a pandemia está, como já se percebia, completamente descontrolada. Se não somos capazes de determinar onde é que a pessoa se contagiou, a não ser nos casos óbvios em que um familiar próximo já estava contaminado, então não vale a pena dizer que as escolas, os transportes, os supermercados, ou o que quer que seja, são seguros.

No meio das incertezas, parece claro que o funcionamento das aulas presenciais, com toda a realidade envolvente, está a ter um papel significativo, embora impossível de quantificar, no aumento de novos casos. Mas não temos informação suficiente que permita identificar quais os locais e comportamentos de maior risco, de forma a actuar selectivamente na melhoria da segurança sanitária. Nem vemos sequer vontade de investir a sério nesta área.

Neste contexto, a decisão de suspender a escola presencial tornar-se-á, mais tarde ou mais cedo, inevitável.

Cretinos digitais

Num livro provocador – A Fábrica de Cretinos Digitais – o neurocientista Michel Desmurget denuncia: a introdução precoce de todo o tipo de ecrãs e maquinetas digitais na vida das crianças está a tornar as novas gerações menos inteligentes do que as anteriores.

Por muito sedutoras que sejam as falsas teorias em torno dos “nativos digitais”, a verdade é que a investigação tem vindo a documentar resultados consistentemente mais baixos nos testes de QI nas crianças expostas, desde tenra idade, a todo o tipo de ecrãs.

Ao contrário dos mitos sobre o novo mundo digital, as teses de Desmurget apoiam-se em argumentação sólida e evidência científica. Enquanto o livro, já best seller em França, não tem edição por cá, sugiro a leitura integral da extensa e esclarecedora entrevista do autor à BBC, da qual extraí e adaptei as passagens que a seguir se transcrevem.

[O uso de dispositivos digitais causa a] diminuição da qualidade e quantidade das interacções intra-familiares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras actividades mais enriquecedoras (trabalho de casa, música, arte, leitura, etc.); perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado; super-estimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração, aprendizagem e impulsividade; sub-estimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial; e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Observou-se que o tempo gasto em frente a um ecrã para fins recreativos atrasa a maturação anatómica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção. Deve-se ressaltar que nem todas as actividades alimentam a construção do cérebro com a mesma eficiência. Actividades relacionadas com a escola, trabalho intelectual, leitura, música, arte, desportos… todas têm um poder de estruturação e nutrição muito maior para o cérebro do que os ecrãs.

Os alunos devem aprender habilidades e ferramentas básicas de informática? Claro. Da mesma forma, pode a tecnologia digital ser uma ferramenta relevante no arsenal pedagógico dos professores? Claro, se faz parte de um projecto educacional estruturado e se o uso de um determinado software promove efectivamente a transmissão do conhecimento. Porém, quando um ecrã é colocado nas mãos de uma criança ou adolescente, quase sempre prevalecem os usos recreativos mais empobrecedores. Isso inclui, em ordem de importância: televisão, que continua sendo a tela número um de todas as idades (filmes, séries, clipes, etc.); depois os videojogos (principalmente de acção e violentos) e, finalmente, na adolescência, um frenesim de auto-exposição inútil nas redes sociais.

Em média, [as crianças e os jovens costumam passar em frente aos ecrãs] quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos lectivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral! É simplesmente insano e irresponsável.Read More »

Como seria de esperar…

perigo-covid As crianças e jovens com menos de 20 anos são os grupos etários onde os casos confirmados de Covid-19 mais aumentaram no último mês, desde o início do novo ano letivo. Entre 13 de setembro (um dia antes do reinício das aulas) e ontem, 13 de outubro, nas crianças com menos de 10 anos a subida foi de 52,7% (+1.312 infecções confirmadas). Pelas contas da TSF aos dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) a subida foi ainda mais acentuada nas idades entre os 10 e 19 anos: +64,8%, ou seja, mais 2.126 casos.

Claro que poderemos continuar a negar as evidências e a culpar o aumento das festas e festarolas familiares pelo grande aumento de casos positivos em crianças e jovens… desde que começaram as aulas!

Também poderemos alimentar a narrativa de que a escola é segura, os transportes escolares, os ajuntamentos à entrada ou o convívio fora da escola é que não sei quê…

A verdade é que não se testa o suficiente para perceber até que ponto e de que formas o desconfinamento escolar está a contribuir para o aumento dos contágios. Algo que seria essencial, não para fomentar o medo mas, pelo contrário, para aumentar a confiança e tornar este regresso às aulas mais seguro para os alunos, as suas famílias e todos os que trabalham nas escolas.

Por exemplo, quando o aluno A aparece infectado e as autoridades de saúde determinam a testagem dos colegas B e C, que se sentam junto dele na sala de aula, mas não o D ou o E, que comem ao lado dele no refeitório ou no recreio, sem máscara, e os testes dão negativo, isto reforça a tese de que as salas de aula são seguras. Mas não ajuda a esclarecer o eventual contágio do colega D, que daí a uns dias aparece também infectado.

Se a isto juntarmos o facto de que a maioria dos casos de covid-19 são, nas idades mais jovens, assintomáticos, poderemos ter um elevado número de crianças e adolescentes a transmitir a doença, em surtos que se propagam sorrateiramente e do qual por vezes só se dá conta demasiado tarde. Por exemplo, quando um adulto que por acaso trabalha num lar de idosos inadvertidamente aí espalha a doença entre dezenas de utentes.

Continuo a afirmar, como desde o primeiro dia, que não basta dizer que as escolas são seguras, precisamos de fazer mais e melhor para que aquilo que é a vontade de todos seja também uma realidade. Devemos assumir que os contágios inevitavelmente acontecem e que descobrir, testar e isolar precocemente os casos suspeitos ou positivos é fundamental para impedir o avanço da pandemia e melhorar a protecção das comunidades escolares.

Algo que se parece compreender bem quando os envolvidos pertencem ao Conselho de Estado ou à selecção nacional, mas que se desentende quando se trata de uma simples escola…

Alunos preferem manuais em papel

Quando o Governo se prepara, à boleia da transição digital, para torrar mais uns milhões de euros no duvidoso projecto de desmaterialização dos manuais escolares, é importante que se diga bem alto, e as vezes que forem precisas, que esta não é uma necessidade real.

Os alunos continuam a dar-se bem com os manuais em papel e o seu uso não é incompatível com as novas tecnologias. Bem pelo contrário, e quem o diz é uma fonte insuspeita: a Porto Editora, que apesar de ter disponibilizado os manuais e os recursos multimédia da Escola Virtual a alunos e professores, constatou que, mesmo no ambiente do ensino online, os livros em papel continuaram a ser usados pela grande maioria dos alunos.

Indo de encontro a esta nova realidade, a Porto Editora realizou um inquérito de satisfação da sua plataforma a 11 mil professores e encarregados de educação sobre um estudo de satisfação sobre as plataformas educativas e de comunicação, fornecendo elementos úteis para possíveis cenários futuros, incluindo a transição digital. O inquérito foi feito nas duas primeiras semanas de julho.

Os resultados mostram que 76% dos encarregados de educação salientam a importância do manual escolar em papel, e 50% dos professores têm opinião semelhante. Nesse sentido, o estudo revela que 96% dos alunos utilizaram manuais em papel, e que 52% nunca acedeu à respetiva versão digital. Este dado justifica-se pelo facto de dezenas de milhares de alunos não terem acesso a computador ou internet em casa.

O estudo indica que o digital e o papel podem-se complementar. E que 89% dos professores reconheceram que passaram a usar mais as funcionalidades proporcionadas pelas plataformas educativas (vídeos, interatividades, recursos associados aos manuais digitais, fichas editáveis de avaliação, etc.).

manuais-digitais

Uma nota final para distinguir duas realidades que às vezes se confundem. Uma coisa são os vídeos, áudios, animações interactivas, fichas formativas e sumativas para resolver online: estes materiais complementam o ensino tradicional, recorrendo às novas tecnologias para fornecer, a alunos e professores, ferramentas pedagógicas de elevado potencial. São úteis, serão cada vez mais usados e não podem, obviamente, ser fornecidos em papel.

Completamente diferente é o manual disponibilizado em versão electrónica no site da editora, que se limita a reproduzir os textos e as imagens disponíveis no manual em papel. Aqui a vantagem vai claramente para o livro físico, num formato bem mais prático, amigável e manipulável do que a versão digital. Sempre disponível, sem necessidade de computadores ou tablets, baterias carregadas ou acesso à internet…

Contas à moda do ISCZÉ

contas-erradas.jpgNos últimos tempos temos assistido ao alarme da falta de professores, e até a propostas para alargar a base de recrutamento de professores, pois a situação é uma emergência nacional. Estão a falar a sério? Será que alguém já se deu ao trabalho de olhar para os dados e construir um verdadeiro planeamento? Sabia que Portugal é um dos poucos países que não tem instrumentos para prever as necessidades de contratação?

Mentir com números é fácil, mas sem eles é muito mais fácil.

Mas o que é isto? Uma investigadora do ISCTE a querer discutir números? Ena, ena. Viva o luxo!…

O ISCTE é o laboratório de engenharia social favorito dos governos socialistas. Foi de lá que saiu essa sinistra ministra, Maria de Lurdes Rodrigues de seu nome, actualmente reitora da instituição. Expoente máximo, entre nós, daquela sociologia determinista e conformista a que os poderosos gostam de afagar o lombo, não deixa de ser curioso ver os seus investigadores largar, ainda que momentaneamente, o sociologês e a zona de conforto da converseta em torno das “políticas públicas” para tentar discutir, com rigor matemático, as necessidades futuras de professores das escolas portuguesas. Não é todos os dias…

Contudo, a futurologia é um exercício sempre arriscado. Ainda para mais quando se parte para ele com uma visão limitada e parcelar da realidade. E quanto a números, os que a professora Isabel Flores apresenta são demasiado vagos e pouco convincentes. Aliás, para termos uma ideia do acerto das suas previsões, vejamos o que escreveu num relatório que lhe foi encomendado em 2017:

Tendo em conta apenas a redução do número de alunos esperada devida à quebra demográfica, o Estado só vai necessitar de contratar mais professores para o quadro nos próximos dois anos lectivos, sendo que o próximo período de carência apenas se registará em 2030.

Ou seja, depois das contratações para 2019/20, o Estado ficaria com professores suficientes para os próximos dez anos. Alguém que conheça minimamente a realidade das escolas acredita nisto? Eu diria que nem a própria autora, que tenta agora corrigir o tiro. Mas continuam a ser disparos de pólvora seca…

A menos que o dono do cofre autorize reformas antecipadas ou semelhante, não vamos necessitar de contratar ninguém até 2025. E apenas a partir de 2030 vamos necessitar de cerca de 4000 professores por ano. No sistema todo – do pré-escolar ao 12.º ano.

A doutora precisa mesmo que lhe expliquem as coisas? Então tome nota:

Primeiro, a natalidade não vai diminuir mais nos próximos anos. Batemos no fundo em 2014, e de então para cá houve uma recuperação que, embora seja ténue, conjugada com a reversão do saldo migratório – a lenta recuperação económica deverá suster a emigração e promover a imigração – irá trazer mais alunos, não menos, às nossas escolas, nos próximos anos. Embora não tantos como seria desejável.

Segundo, haverá, a curto e médio prazo, um factor com maior impacto nas contratações de pessoal docente do que as aposentações. Serão as baixas por doença, grande parte delas, infelizmente, por tempo prolongado. Algumas das quais originarão, eventualmente, reformas antecipadas. É um efeito directo do desgaste da profissão e da não renovação geracional da classe docente, continuando-se a apostar em manter todos os professores no activo até perto dos 70 anos. Baixas prolongadas, mobilidades por doença, dispensas de componente lectiva: tudo isto obrigará a contratar mais professores. Contas bem feitas, a criação de um regime de reformas antecipadas para os docentes seria provavelmente mais económica para as finanças públicas do que um sistema que obriga a pagar duas vezes o mesmo posto de trabalho: a baixa médica do titular e o contrato do substituto.

Terceiro, embora existam ainda muitos professores desempregados, a grande maioria deles já não são jovens. A degradação da carreira e das condições de trabalho e o verdadeiro bullying profissional exercido por políticos e burocratas da educação contra os professores tornaram a profissão pouco atractiva. Isto significa que já quase não existe o “exército de reserva” com que os medíocres gestores de recursos humanos gostam de contar para preencher vagas. Um candidato à docência com trinta ou quarenta anos pondera cuidadosamente a aceitação de um lugar longe de casa, sobretudo se a colocação for temporária. E muitos, perdidas as esperanças de uma carreira no ensino, enveredaram por outras profissões e dificilmente estarão disponíveis para voltar a dar aulas. As dezenas de milhares de candidatos que aparecem todos os anos nos concursos de professores são um número enganador. O número real é inferior, porque alguns candidatos estão em mais do que uma lista de graduação. E nem todos estarão efectivamente disponíveis para aceitar qualquer colocação.

Finalmente, e não menos importante do que tudo o que ficou escrito atrás, o verdadeiro problema do futuro não será, em bom rigor, a falta de professores. Será, isso sim, a insuficiência de professores habilitados. Quando muitos lugares na docência ficarem por preencher, esta tornará àquilo que já foi há quarenta anos atrás, quando se dava aulas ao ensino secundário tendo como habilitação o 12.º ano. Ou, às vezes, ainda menos. Se a profissão docente deixa de ser atractiva enquanto carreira e se desinveste na formação de professores, é apenas uma questão de tempo até que fique escancarado o caminho aos biscateiros que vêm à escola compor o rendimento dando – ou vendendo barato – umas quantas aulas.

Fiem-se na sociologia do isczé, ignorem a realidade que se desenha à nossa frente e verão o trambolhão que, mais cedo do que tarde, levaremos todos…

Escola do século XXI, ou a banha da cobra educativa

banha-da-cobra.pngO futuro das crianças que se iniciam agora na escola é uma incógnita mas, mesmo assim, continuam a ser ensinadas através de “um programa curricular pensado há muitos anos”, criticou Rod Allen, mentor e co-autor de uma profunda reforma curricular no Canada, no Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, que decorreu esta semana na Figueira da Foz.

A mudança no Canadá surgiu quando se aperceberam que estavam “a preparar os alunos para um mundo que já não existia”, recordou o ex-vice-ministro adjunto da província canadiana da Colúmbia Britânica.

Rod Allen reproduz o mantra ideológico que organizações internacionais como a OCDE e multinacionais e fundações com interesses na Educação não se cansam de promover.

Como é habitual entre os propagandistas da banha da cobra, o discurso, falacioso, surge envolto em evidências incontestáveis e em meias-verdades que ajudam os mais incautos a baixar as defesas. E a engolir, sem suficiente reflexão, a pastilha da flexibilidade, do conhecimento na palma da mão, do aprender a aprender, do mundo que já não existe, das profissões que ainda não existem e por aí fora.

Evidentemente, não se contesta que a escola deva evoluir, como sempre o fez, acompanhando as transformações sociais e culturais. Mas o que se vê, nos tempos que correm, é uma súbita e impaciente vontade de mudança, que nasce, não das necessidades e aspirações de quem estuda e trabalha nas escolas, mas de imposições a partir do exterior. O que está em curso é uma ofensiva concertada de políticos demagogos, empresários com um olho no mercado educativo, filantropos em busca de  influência  e cientistas da educação desejosos de notoriedade. O alvo é, naturalmente, a escola pública. Que a privada persegue os seus próprios interesses e não vai nestas conversas. A não ser que tenha algo a ganhar com isso…

Quanto à retórica de Rod Allen, reproduzida na notícia do Educare, ficam, em forma de notas telegráficas, as principais objecções que encontro a um discurso que não é por ser mil vezes repetido que se torna mais verdadeiro ou convincente.

A escola sempre preparou para o futuro e cada geração tem os seus próprios desafios e realidades novas a enfrentar. Mas a melhor forma de enfrentar o futuro incerto não é desvalorizar o conhecimento tradicional em favor de modas educativas – a experiência demonstra que são precisamente as tendências e modas do momento aquilo que mais depressa passa de validade. Já o conhecimento clássico – as línguas, a matemática, as ciências naturais e sociais – esse fornece as bases, não só do conhecimento, mas também das competências – ler, interpretar, raciocinar – que sempre serão úteis e necessárias.

Os telemóveis dão-nos informação, não conhecimento. O conhecimento depende da capacidade de usar a informação que podemos obter de múltiplas formas. Ninguém vai negar as potencialidades das máquinas que nos mantêm permanentemente ligados ao mundo. Mas é um erro pensar que, por termos telemóveis que nos dizem tudo, já não precisamos de desenvolver a memorização, o sentido de orientação, o raciocínio. Se, como nos querem convencer, o conhecimento está no telemóvel, então isso equivale a dizer que, sem o telemóvel, nunca passaremos de ignorantes.

Estuda-se para aprender. Os exames existem apenas nalgumas disciplinas e anos de escolaridade. Há muitas motivações para aprender e ter boa nota no exame não é, em geral, a mais importante. Por exemplo, a generalidade dos alunos portugueses nunca faz um exame de Inglês ao longo dos 12 anos de escolaridade. E, no entanto, aprendem a língua e reconhecem interesse e utilidade nessa aprendizagem. Mesmo sem exame…

A escola nunca foi uma fábrica. Nem foi concebida, como alguns insistem em dizer-nos, para preparar operários para as linhas de montagem. Pelo contrário, a vocação da escola sempre foi a de instruir, valorizar e qualificar as crianças e jovens para que estes pudessem alcançar um melhor futuro, longe do ambiente penoso e deprimente das fábricas do século XIX. Já a escola divertida e facilitista, do telemóvel e do trabalho de grupo, essa corre a largos passos para cortar as pernas aos jovens que ambicionem aceder às tais profissões do século XXI – as que ainda não existem mas que, quando forem inventadas, não serão por certo menos exigentes do que as actuais.

Não há receitas pedagógicas universais. Não faz sentido contrapor a uma escola alegadamente monolítica, assente, dizem eles, no “modelo do autocarro”, uma outra assente num paradigma diametralmente oposto. Rejeitando fundamentalismos, todos os bons professores sabem que a estratégia que resulta com um grupo de alunos pode não funcionar com outros. E que a diversificação e a diferenciação, de acordo com as características dos alunos e dos grupos, acaba por ser sempre o procedimento mais eficaz. Funcionando tanto melhor quanto mais reduzidas forem as turmas. Curiosamente – porque será?… – quando ousamos falar do tamanho das turmas, entramos num tema-tabu para a grande maioria dos novos gurus educativos…

Colaborações: Mitos e realidades da profissão docente

obs.JPGTexto publicado no Observador a 9/5/2019.

Do muito que se escreveu e disse sobre os professores nos últimos dias, há uma conclusão evidente: vista do exterior, a realidade da profissão continua a ser mal conhecida. E há quem tire partido dessa ignorância. Este texto é o modesto contributo de um professor para o esclarecimento de alguns dos falsos mitos que rodeiam a profissão.

Os professores ganham muito

Uma frase feita em que, de tanto repetida, se corre o risco de acreditar. Abundam até os estudos e as comparações feitos com valores intencionalmente distorcidos e manipulados. Não sei se salários que rondam os mil euros líquidos no início da carreira e cerca de dois mil no topo – onde ainda poucos chegaram – se podem considerar elevados. Julgo que não: pagar menos tornaria a carreira docente ainda menos atractiva do que já é. E o topo, que alguns acham inflacionado, é o resultado de uma carreira demasiado longa, com muitos escalões e barreiras à progressão. Mas esta estrutura de carreira nunca foi pretendida pelos professores. Foi imposta à classe por uma ministra autoritária, respaldada numa maioria absoluta.

São os professores perto do topo da carreira que mais beneficiariam com a recuperação do tempo. 

Li isto várias vezes nas redes sociais e ainda não percebi de onde veio a ideia. A medida não afecta os que estão no topo, que já não têm para onde progredir. Os que estão nos escalões imediatamente anteriores podem ter algum benefício na antecipação das progressões, mas de qualquer forma chegariam lá. Recuperar o tempo é sobretudo uma medida de justiça para com os professores que estão, com 20 e mais anos de serviço, nos escalões iniciais de uma carreira com dez, com entraves à progressão e que exige no mínimo 34 anos de serviço para chegar ao fim. E isto não se repercute apenas nos vencimentos. Sem recuperação do tempo de serviço, muitos dos actuais professores irão aposentar-se com pensões inferiores aos mil euros líquidos, ao fim de uma carreira de mais de 40 anos de descontos.

Os professores trabalham pouco. 

Esta é uma atoarda que nasce da confusão, por vezes mal intencionada, entre horário de trabalho do professor – que é de 35 horas – e horário lectivo – 25 horas no 1º ciclo e no pré-escolar, 22 horas nos restantes níveis de ensino. A que há que acrescentar a componente de estabelecimento – 2 a 3 tempos semanais em que os professores ficam adstritos a tarefas administrativas ou de coordenação pedagógica. Só as restantes 7 a 11 horas podem ser cumpridas fora da escola: são o tempo, escasso, destinado a preparar aulas, corrigir fichas e trabalhos dos alunos, fazer formação, etc. É fácil perceber que muitas vezes não chega: quando o trabalho aperta, é frequente os professores sacrificarem o tempo familiar e de lazer, cumprindo muito mais horas do que as que constam no seu “contrato”. Aparentemente, trabalham pouco, porque boa parte do seu trabalho é invisível: é fácil reparar no professor que, depois das aulas, descansa na esplanada. Mas ninguém o vê pela noite dentro, ou ao fim de semana, a trabalhar em casa.

Os alunos cada vez sabem menos. 

Os alunos portugueses são dos que mais têm progredido, de forma consistente, nas avaliações internacionais feitas ao longo das duas últimas décadas. Os últimos resultados disponíveis dos testes PISA, referentes a 2015, colocam Portugal alinhado com a média dos países da OCDE, ligeiramente à frente de países como a Espanha e a aproximar-se de países de referência, como a Finlândia. Os políticos gostam de justificar os progressos invocando o acerto e o sucesso das respectivas políticas. Mas estas, como sabemos, são muitas vezes erráticas e contraditórias, mudando a cada mudança de governo. Se procurarmos um factor que, mantendo-se estável ao longo do tempo, tenha influído positivamente na melhoria dos resultados, ele só pode ser o esforço e a dedicação dos professores e a qualidade do seu trabalho.

Não há razões para os professores se aposentarem mais cedo. 

A docência é, reconhecidamente, uma profissão desgastante. O alargamento da escolaridade obrigatória e as políticas de inclusão escolar multiplicaram as tarefas e exigências que se abatem sobre os professores, tornando a profissão bem mais exigente e extenuante do que foi num passado recente. A pressão que hoje é colocada sobre uma geração de professores em torno dos 50 anos, a maioria com 30 ou mais anos de serviço, é muito grande e está a traduzir-se num elevado número de baixas por doença. Entre elas, doenças físicas e mentais decorrentes do exercício da profissão. O ME evita divulgar números, mas calcula-se que perto de 10% dos professores colocados nas escolas se encontrem de baixa. Destas, cerca de metade corresponderão a baixas prolongadas. Com o envelhecimento continuado da classe, e sem medidas que o contrariem, a situação só se poderá agravar.

Olhando racionalmente o problema, deveria perceber-se que um incentivo moderado às aposentações antecipadas traria benefícios para todos. Aos professores mais desgastados, libertando-os para uma merecida reforma. Aos jovens, abrindo-lhes o acesso à profissão. Às escolas, proporcionando uma estrutura etária mais equilibrada e uma salutar convivência profissional entre gerações docentes, de forma a garantir a “passagem de testemunho”. Ao Estado, que desta forma substituiria professores mais caros e com horários lectivos mais reduzidos por outros mais jovens, mais produtivos e com uma carreira pela frente.

A profissão docente é uma profissão sem futuro. 

Eis um aparente paradoxo: tanta gente a referir os supostos “privilégios” da classe e afinal são cada vez menos os candidatos aos cursos superiores de formação de professores. Alguns destes não preenchem sequer todas as vagas existentes, outros conseguem-no apenas com a entrada de jovens que não tiveram lugar em escolhas mais aliciantes.

Querem saber a verdade? Dentro de uma década, ou talvez até antes, haverá falta de professores qualificados. A geração que predomina actualmente nas escolas começará nessa altura a aposentar-se em massa. Em poucos anos, cerca de metade dos actuais 100 mil professores dos quadros terão de ser substituídos. Nessa altura os professores habilitados e disponíveis não chegarão para as encomendas. Ser professor é, sim, uma profissão de futuro!…

Manifesto – Pela Verdade dos Factos

Manifesto_pela verdade dos factos.png

Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.

Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.

Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.

Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:

  • O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço. É, por isso, falso que essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.
  • A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS. O PS, em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É, por isso, falso que o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.
  • Os valores apresentados pelo Governo sobre o custo da recuperação do tempo de serviço docente são falsos. Foi prometida há perto de um ano uma comissão para calcular os custos reais e até hoje não conhecemos o resultado do seu trabalho. Os números reais que estimamos, líquidos, rondam os 50 milhões de euros anuais, caso se opte pela solução da Região Autónoma da Madeira, de recuperar os 9 anos, 4 meses e 2 dias, no prazo de 7 anos. O Governo já apresentou por diversas vezes contas inflacionadas, com totais baseados em médias erróneas. Um grupo de professores verificou-as e constatou, segmentando os dados, a sua falsidade (https://guinote.files.wordpress.com/2019/05/contas-942-num-ano-2019-e-em-7-anos.xlsx). Ora, uma mentira dita muitas vezes nunca se transformará em verdade.
  • A recuperação dos 2 anos, 9 meses e 18 dias em 2019 foi proposta do Ministério da Educação. Aliás, um recente decreto-lei do governo, que ainda aguarda promulgação, apresentou a possibilidade a todos os professores de recuperar parte desse tempo já em 2019. É, por isso, falso que o Governo não tenha verba no orçamento de 2019 para recuperar parte do tempo de serviço congelado. E, se o decreto do Governo é constitucional, então qualquer lei que a AR apresente, afirmando algo semelhante, também será.
  • A recente proposta aprovada na Comissão da Educação não altera um cêntimo ao Orçamento de Estado de 2019. O orçamento de 2020 ficará a cargo de próximo Governo, ainda por decidir nas próximas legislativas.
  • A proposta que tanta perturbação criou ao atual Governo e seus seguidores mediáticos nem traz nada de especial: a negociação continuará, ficando apenas assumido que, em parcelas e gradualmente, os 9 anos são para considerar na carreira (e nãodevolver”, termo que cria a ilusão falsa de que se vai pagar o que ficou perdido para trás e que nunca ninguém pediu). Os professores perderam milhares de milhões com os cortes salariais durante a crise financeira, mas é falso que seja recuperar isso que está a ser discutido. O que se discute agora é se o tempo de trabalho efetivamente prestado desaparece (ou não) da carreira dos professores.
  • O Primeiro- Ministro, na sua declaração de eventual e coativa demissão, falou em falta de equidade e que a votação parlamentar punha em causa a credibilidade internacional. Lembre-se que mesmo as contas inflacionadas do Governo apontam apenas para um acréscimo no défice de 0,2 a 0,3 pontos percentuais. Quanto à credibilidade internacional, não foram os salários dos professores e restantes funcionários públicos que levaram a uma intervenção por parte da Troika. Aos bancos, que agora se descobre que foram causa primeira do descalabro financeiro, por via de empréstimos e investimentos ruinosos, nunca é contestado qualquer capital para novas injeções financeiras, nem se alega falta de credibilidade internacional por se continuar sem apurar responsabilidades.

O passado mostra que não se ganham eleições a vilipendiar um dos grupos profissionais mais estimados pelos portugueses. Nem repetindo falsidades para amesquinhar um grupo profissional que tem mostrado dignidade na luta, na adversidade e na solidariedade com o todo nacional.

Mas isso não anula a verdade simples: os portugueses em geral, mesmo os que não conseguem passar a barragem da comunicação social para se expressar, respeitam e compreendem os professores e não vão ser enganados por políticos que acham que, com barulheira e falsidades, se faz mais uma habilidade para evitar desgraças eleitorais.

Há coisas mais importantes que contar os votos da próxima eleição. Uma delas é o respeito pela verdade e pela dignidade de uma classe profissional que todos os dias dá o seu melhor pela formação dos futuros cidadãos.

Portugal, 6 de maio de 2019

Subscrevem (por ordem alfabética):

Anabela Magalhães

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