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Músicas de Verão: The LeBlanc Family Band & Yvette Landry –Tit Gallop Pour Mamou 

Seis erros da política educativa de Obama que Biden deve evitar

O artigo surgiu na semana passada na Forbes, e é bastante curioso e esclarecedor: é conhecida a obsessão dos decisores educativos, nos States, com os testes estandardizados como forma de avaliar os resultados das escolas e a qualidade do serviço educativo. Ou com o cheque-ensino, que mesmo implantado com boas intenções – aumentar as oportunidades e a liberdade de acesso à educação entre os mais pobres – acaba na prática a reforçar o classismo e as desigualdades numa sociedade que já é, ela própria, das mais desiguais do mundo. O que aqui constatamos é que políticas que na Europa são consideradas claramente de direita – por exemplo, inspiraram fortemente a acção de Nuno Crato, durante o último governo PSD/CDS – foram mantidas e reforçadas durante a era Obama.

Ficam os conselhos de Peter Green para que a administração Biden não cometa os mesmos erros, num texto que num ponto ou noutro até nos pode surpreender pela similitude com a realidade que melhor conhecemos – onde é que eu já vi/ouvi isto?…

Já chega de grandes testes padronizados

Há duas décadas que temos uma avaliação escolar centrada no teste. Poderíamos aprofundar os argumentos sobre a qualidade dos testes, a sabedoria dos testes, a distorção da educação, a inutilidade dos “dados” a nível da sala de aula e a validade de uma medida de teste único na educação. Mas contentemo-nos com isto – uma geração inteira de avaliação centrada em testes não moveu quaisquer agulhas. Não levou a nenhuma das “melhorias” que foram prometidas como justificação.

A avaliação escolar centrada no teste não funciona. E vem com enormes custos financeiros e de oportunidade. Já é tempo de encontrar outra forma.

Sem competição por subvenções

Fazer com que os estados e distritos concorram por recursos é retroceder. É como dizer: “Muitos destes corredores não têm sapatos decentes para correr, por isso vamos fazer uma corrida e dar bons sapatos novos apenas aos três primeiros classificados”. A capacidade de competir eficazmente por uma subvenção não está necessariamente, ou mesmo provavelmente, ligada à efectiva necessidade dessa subvenção.

Não dite a partir do topo

Há muitas lições a tirar do desastre das metas comuns de aprendizagem sob Obama/Duncan, mas uma grande lição é que os decretos políticos vindos de cima para baixo, que têm de ser implementados em milhares de salas de aula diferentes em comunidades diferentes com estudantes diferentes, estão condenados. Quando uma regra política desce por camadas e camadas de organização, torna-se como uma cópia de uma cópia de uma cópia de uma cópia de uma cópia. Quando a política governamental chega à sala de aula propriamente dita, caberá ao professor da sala de aula resolver o inevitável conflito entre as regras oficiais e as suas próprias competências e conhecimentos profissionais.

A adopção de uma abordagem de núcleo comum à educação não superior ou cívica acabará sempre mal.

Fale primeiro com os professores

A política educativa Obama/Duncan baseava-se na noção de que os professores eram o problema, não os trabalhadores no terreno com os conhecimentos profissionais necessários para alcançar o sucesso. Consequentemente, essa administração não ouvia os professores (a menos que fossem cuidadosamente examinados e seleccionados para estarem em sintonia com a administração).

Nos últimos vinte anos não houve uma falha na política de educação da qual os professores não tenham comentado: “Eu podia ter-vos dito que isso não ia funcionar”. Fale primeiro com os professores.

Ser perito em política não é o mesmo que ser perito em educação

Lidar com agências, dirigentes eleitos, desenvolvimento de políticas, reuniões governamentais, todas as manobras de alto nível de retaguarda e de primeira linha que mantêm o governo a funcionar – essas são as competências. O facto de alguém ter desenvolvido essas competências ao ponto de ser bom a “fazer política de educação” não significa que distinga uma boa política de uma má política.

A Teach for America lançou centenas de especialistas políticos que utilizam os seus dois anos de passagem por uma sala de aula como um sinal de que são especialistas em educação. Não se deixem enganar.

As escolas e as empresas são diferentes

Há um velho ditado – quando se mistura religião e política, obtém-se política. Bem, quando se mistura educação e negócios, obtém-se negócios. Não há nada de intrinsecamente mau ou errado nos interesses empresariais, mas não são os mesmos que os interesses educacionais. As escolas não existem única e exclusivamente para satisfazer as necessidades das empresas. É de esperar que as empresas às quais se pede que respondam às necessidades e preocupações educativas as coloquem abaixo, na sua lista de prioridades, das necessidades e prioridades das empresas. Se esta administração quer apoiar parcerias público-privadas para a educação, tem de assumir um papel de vigilância em relação aos interesses das escolas e das comunidades que servem. As forças do mercado não substituem uma regulamentação e supervisão razoáveis do governo, e a administração precisa de se lembrar que a as escolas charter e privadas são, na sua maioria, empresas.

A escola ao contrário

Lê-se, e a primeira reacção é de incredulidade: como é possível!…

Relendo com mais atenção, percebe-se melhor: é nos Estados Unidos, ainda a desconfinar da era Trump, seguindo uma tradição de obscurantismo, radicalismo e negacionismo que já vem de trás.

Afinal de contas, no país do relativismo e das verdades alternativas – ou do mundo ao contrário – é bem possível haver uma escola onde os professores são ameaçados de despedimento se se vacinarem contra a covid-19 e impedidos de se aproximar das crianças se mesmo assim tomaram a vacina. Mais espantoso ainda, sabendo-se do que se passa, os pais negacionistas fazem fila para inscrever os filhos aqui. Contudo, o mais surreal e inacreditável é, a meu ver, haver quem defenda estas patranhas e não tenha vergonha de continuar a intitular-se professor.

Um professor de Matemática e Ciências tentou incutir nos alunos do 5.º ano da Centner Academy, uma escola privada em Miami, uma teoria da conspiração, segundo a qual não deveriam abraçar os seus pais já vacinados contra o coronavírus por mais do que cinco segundos, ou correriam um risco elevado de exposição a substâncias libertadas devido à vacinação.

De acordo com o jornal The New York Times, um aluno ter-se-á queixado aos pais, por e-mail, denunciando que o docente orientou a turma para que se “afastasse” dos familiares. E uma semana antes, conta também o norte-americano The New York Times, o estabelecimento de ensino tinha ameaçado os professores com despedimento, caso fossem vacinados contra a Covid-19 antes do final do ano letivo. Os acontecimentos deixaram os encarregados de educação assustados, e, em conversas pelo WhatsApp, começaram a questionar-se sobre o melhor plano para tirar as crianças da Centner Academy o mais rapidamente possível.

Houve, no entanto, também o movimento oposto, registando a escola privada um aumento flagrante da procura, apesar de a prestação anual rondar os 25 mil euros (30 mil dólares). O jornal The New York Times veicula mesmo que a escola se terá tornado num “farol nacional para ativistas antivacinação, praticamente da noite para o dia”, numa altura em que as autoridades de saúde pública nos Estados Unidos lutam para derrotar o ceticismo em relação à vacina contra a Covid-19.

Músicas do Mundo: Foghorn String Band –Le Sud De La Louisiane

Pensamento do dia

…de um apoiante assumido da solução política a que se convencionou chamar geringonça. Que não deseja o regresso da direita ao poder, mas não abdica de um olhar crítico sobre o que se passa à sua volta nem está disposto a branquear os erros clamorosos na gestão da pandemia que, nos últimos tempos, se têm vindo a acumular.

Quando a pandemia escalou nos EUA, tornando-se o país com maior número e infectados e mortos pela covid-19, a culpa foi da política irresponsável e negacionista de Donald Trump.

No Brasil, com a gestão incompetente de Bolsonaro e idêntico negacionismo da gravidade de mais uma “gripezinha”, idem aspas.

E em Portugal, quando estamos já com taxas de infecção e de mortalidade por covid-19 proporcionalmente superiores àqueles dois países, a culpa é… dos portugueses?…

A Educação dirigida por um professor

O Presidente eleito Joe Biden apresentou na quarta-feira Miguel Cardona como seu nomeado para Secretário da Educação, chamando “brilhante” ao Comissário da Educação do Connecticut e dizendo que desempenhará um papel fundamental nos esforços da sua administração para reabrir escolas forçadas a funcionar online devido à pandemia do coronavírus.

Cardona, cujos pais se mudaram de Porto Rico para Connecticut, será outro latino de alto perfil no Gabinete, se confirmado pelo Senado dos EUA. Biden disse que Cardona “compreende que as raízes profundas da desigualdade que existem como uma fonte das nossas persistentes diferenças de oportunidades. Ele compreende o poder transformador que advém do investimento na educação”.

Cardona disse que, como comissário da educação, pai com filhos na escola pública e antigo professor da escola pública, ele compreende como este ano tem sido um desafio para estudantes, educadores e pais.

O percurso académico, profissional e político de Miguel Cardona espelha bem os profundos contrastes e contradições, mas também as oportunidades, que caracterizam o american way of live: para ser um estudante bem sucedido teve de se esforçar, desde criança, para dominar o inglês, que não era a sua língua materna; fez os seus estudos em escolas públicas, iniciou uma carreira de professor e foi um dos mais jovens directores escolares do seu estado antes de assumir funções dirigentes na administração educativa estadual.

Em suma, um professor e gestor escolar que assume o seu percurso profissional no ensino não superior público e um cidadão consciente da importância da escola pública na promoção da igualdade de oportunidades e na construção de uma sociedade mais justa. E também um defensor assumido da escola presencial, mas posta a funcionar, em tempos de pandemia, em plena segurança.

É muito cedo para tecer maiores considerações sobre o novo secretário, que ainda nem posse tomou. E sabemos como é frequente expectativas elevadas e irrealistas em relação a novos governantes converterem-se em amargas desilusões. Mas não deixo de notar o que teríamos a ganhar se, em vez dos usuais carreiristas e paraquedistas que têm dominado a cúpula do ME, tivéssemos pessoas com perfil semelhante na liderança da Educação em Portugal.

Por cá, a fasquia para a selecção do ministro que tutela a pasta é sempre, como sabemos, colocada muito baixa: em quarenta e tal anos de democracia, já passaram pelo cargo professores universitários, economistas, engenheiros, advogados e investigadores, a grande maioria com pouco ou nenhum conhecimento das realidades do sector. Mas nunca a escolha recaiu sobre um professor do básico ou do secundário. Diria até que essa condição tem sido, em governos de todas as cores políticas, impedimento absoluto para o exercício da função…

Músicas do Mundo: Hubert Maitre & Bayou Chicot – Lena Mae / Allons à Lafayette

Há quem se escandalize…

…com algum gozo e brincadeira em torno de Trump, cujo comportamento irresponsável levou a que ficasse infectado com o novo coronavírus.

Mas melhor fariam os trumpistas se guardassem as críticas para a figura que fez o anormal quando, há quatro anos atrás, gozava com a doença da sua adversária na corrida à Casa Branca.

Rodeado de privacidade e conforto e a receber os melhores tratamentos médicos disponíveis no hospital militar que o acolheu, certamente não terá de recorrer às desinfecções com lixívia ou às injecções de hidroxicloroquina que ainda há pouco tempo prescrevia aos outros infectados.

Independentemente das nossas preces ou simples desejos de boas melhoras, não lhe faltará nada do que precise para se pôr bom. Ao contrário do que sucede a milhões dos seus concidadãos quando esgotam os plafonds dos seguros de saúde.

Infectado!

Para quem assumiu ostensivamente tantos comportamentos de risco durante a pandemia, escapar à doença é que seria de estranhar.

Ainda assim, pode dizer-se que a infecção viral chegou em momento oportuno: a patinar nas sondagens e nos debates, Trump pode agora fechar-se em casa e gerir daí, mais criteriosamente, as suas intervenções públicas.

Para registo do acontecimento, elejo a notícia da Imprensa Falsa como a mais adequada à personagem de opereta que dirige – ainda – os destinos dos EUA…

trump-lixivia

Depois do teste positivo, Donald Trump deu logo entrada no serviço de limpeza da Casa Branca, tendo sido observado de imediato.

Agora, segundo fonte próxima, mas não tão próxima como é costume, o presidente norte-americano vai fazer lixívia de 8 em 8 horas, devendo intercalar com Ajax se não estiver a ver bem.

“Mais sobra”, terá entretanto afirmado Trump, depois da recusa da primeira dama, bem como de outros membros da sua equipa, em seguir o tratamento com produtos de limpeza.