Músicas do Mundo: Hubert Maitre & Bayou Chicot – Lena Mae / Allons à Lafayette

Há quem se escandalize…

…com algum gozo e brincadeira em torno de Trump, cujo comportamento irresponsável levou a que ficasse infectado com o novo coronavírus.

Mas melhor fariam os trumpistas se guardassem as críticas para a figura que fez o anormal quando, há quatro anos atrás, gozava com a doença da sua adversária na corrida à Casa Branca.

Rodeado de privacidade e conforto e a receber os melhores tratamentos médicos disponíveis no hospital militar que o acolheu, certamente não terá de recorrer às desinfecções com lixívia ou às injecções de hidroxicloroquina que ainda há pouco tempo prescrevia aos outros infectados.

Independentemente das nossas preces ou simples desejos de boas melhoras, não lhe faltará nada do que precise para se pôr bom. Ao contrário do que sucede a milhões dos seus concidadãos quando esgotam os plafonds dos seguros de saúde.

Infectado!

Para quem assumiu ostensivamente tantos comportamentos de risco durante a pandemia, escapar à doença é que seria de estranhar.

Ainda assim, pode dizer-se que a infecção viral chegou em momento oportuno: a patinar nas sondagens e nos debates, Trump pode agora fechar-se em casa e gerir daí, mais criteriosamente, as suas intervenções públicas.

Para registo do acontecimento, elejo a notícia da Imprensa Falsa como a mais adequada à personagem de opereta que dirige – ainda – os destinos dos EUA…

trump-lixivia

Depois do teste positivo, Donald Trump deu logo entrada no serviço de limpeza da Casa Branca, tendo sido observado de imediato.

Agora, segundo fonte próxima, mas não tão próxima como é costume, o presidente norte-americano vai fazer lixívia de 8 em 8 horas, devendo intercalar com Ajax se não estiver a ver bem.

“Mais sobra”, terá entretanto afirmado Trump, depois da recusa da primeira dama, bem como de outros membros da sua equipa, em seguir o tratamento com produtos de limpeza.

O fim da macacada

Nunca lutes com um porco; primeiro porque ficas todo sujo; segundo, porque ele gosta. O sábio conselho de Bernard Shaw poderia dirigir-se a Joe Biden e ao exasperante debate contra o ainda presidente dos EUA.

Um duelo mediático que o Henricartoon interpretou muito apropriadamente…

macacos

Músicas do Mundo: Los Tigres Del Norte –La Jaula de Oro

Música para uma tarde de chuva: Credence Clearwater Revival – Have You Ever Seen The Rain

Ignorar o Holocausto

auschwitzQuase dois terços dos jovens adultos norte-americanos não sabem que seis milhões de judeus foram exterminados durante o Holocausto, e um em cada dez acredita que os judeus foram responsáveis pelo Holocausto. Além disso, cerca de metade não consegue nomear um campo de concentração ou um gueto criado durante a II Guerra Mundial.

Estes são alguns dos resultados de um inquérito apresentado nesta quarta-feira, solicitado pela Conferência para Reivindicações Materiais Judaicas contra a Alemanha (mais conhecida como a Conferência para Reivindicações), uma organização judaica que negoceia indemnizações para as vítimas do Holocausto e defende a preservação da memória histórica das vítimas.

O inquérito incidiu sobre os jovens adultos entre os 18 e os 39 anos, pertencentes à geração “millenial” (nascidos entre 1981 e 1994) ou à Geração Z (nascidos depois de 1995).

De acordo com os resultados, 63% dos inquiridos não sabiam que seis milhões de judeus foram assassinados durante o Holocausto e mais de um em cada três (36%) acreditavam que o número de mortos seria dois milhões ou menos.

Sendo os EUA o principal aliado de Israel e a minoria judaica uma das mais influentes politicamente, é paradoxal que os cidadãos norte-americanos sejam tão notoriamente ignorantes acerca da história judaica em geral e do Holocausto em particular.

Nem se trata aqui maioritariamente, parece-me, da expressão de qualquer sentimento anti-semita, como sucede nalgumas partes da Europa. É mesmo desinteresse e ignorância, uma atitude muito comum no cidadão médio dos EUA em relação a tudo o que ultrapasse as fronteiras nacionais. E que nem o sistema educativo nem os media fazem muito por contrariar.

Para males deste género, é costume recomendar-se mais e melhor educação: no caso, ensinar e aprender mais sobre o Holocausto, esse genocídio em larga escala aplicado aos judeus e a outras “raças inferiores”. O que tem um local próprio para ser feito: as aulas de História.

Ora o que sucede actualmente é que está em curso uma desvalorização curricular da disciplina. Os alunos conhecem pouco do Holocausto e dos temas históricos em geral porque o reduzido tempo lectivo que é concedido à disciplina é cada vez mais insuficiente para tudo o que lhe é exigido.

A tendência não é de agora, mas no caso português foi especialmente agravada com a chamada flexibilidade curricular. No 9.º ano, a disciplina de História está reduzida na generalidade das escolas a 90 ou 100 minutos semanais, o que é claramente insuficiente para tratar adequadamente os temas que integram o programa da disciplina.

Reconhecendo a importância, para as novas gerações, de conhecer e compreender os Direitos Humanos, a democracia, a Constituição, a igualdade de direitos ou o Holocausto, há um acto de coerência que se torna imperativo: a valorização curricular da disciplina de História.

Racismo estrutural

O recorte do Jornal de Notícias é de 28 de Julho de 1888. Mais de um século volvido sobre a Declaração de Independência dos EUA, onde solenemente se proclamava a crença de que todos os Homens foram criados iguais.

No estado de Nova Iorque, a escravatura foi abolida ainda no século XVIII, como sucedeu na generalidade dos estados do Norte. A derrota dos confederados na Guerra da Secessão (1861-65) ditou o fim da escravatura em todos os estados norte-americanos.

Mesmo assim, na distinta sociedade novaiorquina de finais de oitocentos, ainda que homem livre e created equal, com dinheiro e “maneiras distintas”, um preto continuava a ser um preto…

racismo-ny

Recorte daqui.

Pelos EUA: protestos contra a reabertura das aulas

Este slideshow necessita de JavaScript.

Com a pandemia a grassar descontrolada nos EUA, a reabertura das aulas está a ser altamente contestada por professores, mas também por alunos e pais.

Porque todo o cuidado é pouco, há manifestações de protesto que se fazem de automóvel. Mas nem assim os manifestantes deixam de dizer o que lhes vai na alma. Por exemplo:

  • Professores mortos não podem ensinar!
  • Quantas mortes de professores e alunos se consideram aceitáveis?
  • Escolham os alunos, não os bilionários!
  • Não testem o vosso plano com as nossas vidas!

Músicas de Verão: Traveling Wilburys – Nobody’s Child