Professores em greve

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) denunciou, esta segunda-feira, que uma escola substituiu funcionários em greve e outras não avisaram os pais sobre o protesto, tendo sido surpreendidos com os estabelecimentos de ensino dos filhos encerrados.

“Ainda não conseguimos fazer um balanço sobre o impacto da greve de hoje, mas temos conhecimento de vários problemas”, disse à Lusa o representante do STOP, André Pestana, no quinto dia de paralisação de professores e pessoal não docente, que começou na passada terça-feira e se prolongará até quarta.

Em declarações à Lusa, André Pestana explicou que “está a haver bloqueio de informação por parte das direções de várias escolas, que não avisam os encarregados de educação sobre a greve, e houve pelo menos uma escola que substituiu funcionários que estavam em greve”.

O STOP aproveita o impacto, ainda que mínimo, da greve que convocou, para reivindicar a atenção de uma comunicação social geralmente mais atenta à propaganda do ministério e às iniciativas das fundações e das multinacionais na área da Educação, do que à realidade concreta vivida nas escolas por alunos e pessoal docente e não docente.

Instalações degradadas e espaços acanhados, pessoal não docente sob a tutela das autarquias, precariedade e baixos salários, concursos injustos e progressões bloqueadas, falta de medidas efectivas para promover o sucesso e combater a indisciplina: a greve serve de pretexto ao coordenador do STOP para elencar um conjunto de problemas e constrangimentos que, apesar da retórica governamental, permanecem por resolver.

A greve do STOP termina amanhã, mas há pelo menos mais um protesto no horizonte: o SIPE marcou uma greve de professores para o próximo dia 4 de Outubro, véspera do feriado que celebra a Implantação da República mas também assinala o Dia do Professor. E que permite – facto que não deixará de ser assinalado pelos detractores da classe – uma oportuna ponte entre o fim de semana e o feriado de terça-feira…

Greve do STOP continua até dia 22

GREVE NACIONAL CONTINUA A 20, 21 E 22 SETEMBRO (pessoal docente e não docente)

No seguimento do plenário e da sondagem online, e apesar de toda a campanha de desinformação, a Greve Nacional de pessoal docente e não docente CONTINUA até 22 setembro.

Para que não haja dúvidas – como em qualquer greve de vários dias – naturalmente QUALQUER TRABALHADOR pode fazer greve apenas num dos dias, ou de forma intercalada.

Recordamos que o S.TO.P. abrange todos os trabalhadores na área da Educação (pessoal docente e não docente) de setor público ou privado.

Mais informação encontra-se disponível na página do sindicato no Facebook e no site do STOP (temporariamente inacessível quando este post foi elaborado).

Esta greve foi convocada, segundo o STOP, em resposta ao repto de professores descontentes um pouco por todo o país. No entanto, estes aparentam ser poucos, já um número expressivo de adesões à greve tarda em aparecer. O que se nota são casos pontuais de mobilização local, que mesmo com um número relativamente reduzido de adesões, podem concretizar o fecho uma escola. Como, segundo informação do sindicato a este blogue, deverá suceder hoje numa escola do primeiro ciclo de Coimbra.

Vimos por este meio informar que amanhã, 20 setembro, às 8h30 os Profissionais da Educação encerrarão a Escola Básica 1 da Conchada (Coimbra) devido à sua adesão à greve.  Simultaneamente ocorrerá uma Conferência de Imprensa do S.TO.P.
O S.TO.P. irá também solidarizar-se com as reivindicações do protesto previsto para esse mesmo dia dinamizado pelos encarregados de educação e seus filhos exigindo melhores condições nesta escola particularmente degradada no centro de Coimbra. 

Greve do STOP, segundo dia

Um sindicato de profissionais da Educação marca uma greve coincidente com a abertura do ano lectivo. Abrangerá, na melhor das hipóteses, apenas um ou dois dias de aulas efectivas. Não é normal isto suceder e, embora não faltem razões para protestar, a oportunidade desta greve será sempre uma questão a vir à baila.

Contudo, há pelo menos, dois motivos importantes que podem justificar esta decisão do STOP. Em primeiro lugar, a marcação de uma greve coloca as reivindicações dos grevistas na agenda informativa. Para quem a convocou, esta é uma oportunidade de fazer chegar os problemas da Educação a uma comunicação que, nesta altura do ano, costuma andar mais ocupada a servir de pé de microfone a ministros e secretários de Estado, reproduzindo acriticamente a propaganda governamental em torno da normalidade no regresso às aulas. Contrariar e desconstruir este discurso insidioso e demagógico, de quem prefere esconder e ignorar os problemas em vez de os resolver, é sempre um bom serviço que se presta à Educação portuguesa e aos seus profissionais.

Outra forte razão que legitima o recurso a uma forma de luta que muitos consideram, nesta fase, demasiado radical é o sistemático desrespeito, diria mesmo o desprezo que os responsáveis políticos do ME demonstram perante os sindicatos de professores. Todos têm razões de queixa a este respeito, mas julgo que o STOP ainda mais do que todos, ao ser sistematicamente ignorado e, até, excluído de alguns processos negociais. Se não querem falar connosco, pensarão com razão os dirigentes do STOP, hão-de ouvir-nos de outra forma…

“Já enviámos emails e reunimo-nos com responsáveis sete vezes neste primeiro semestre do ano e não se dignam a responder diretamente quando o fazemos. É uma dupla desconsideração em relação aos profissionais da educação. Vimo-nos obrigados, com a legitimidade de um plenário e de uma sondagem, a avançar com esta greve para assinalar alguns dos principais problemas que este ano letivo terá”, esclarece, começando por elencar os antigos, como a falta crónica de pessoal não docente e os seus salários de “miséria”, a existência de uma avaliação “injusta e totalmente artificial” do pessoal docente e não docente ou a constituição de turmas muito numerosas.

“Este ponto é mau por causa da pandemia e da aprendizagem, sendo que o Governo faz grandes narrativas sobre esta recuperação, mas como é que um professor pode dar um atendimento minimamente personalizado a centenas de alunos?”, questiona, referindo que “há uma desumanização e, obviamente, muitos deles, no final do ano letivo, nem sequer sabem os nomes de todos os alunos”.

Também o envelhecimento é considerado outro problema crónico do setor pelo STOP que defende o regime de aposentação especial sem penalização a partir dos 60 anos de idade e direito a uma pré-reforma digna.

Mas não fica por aqui. O excesso de trabalho burocrático é outro dos fatores que espelham a precariedade da profissão e “o concurso de docentes foi injusto porque há colegas que estão muito longe de casa e “não têm qualquer ajudas de custo”, lamentando que seja esta a realidade do pessoal docente, diferente da dos magistrados e dos deputados. “Se a educação é estruturante, temos de modificar estes e outros aspetos. Há professores que não conseguem acompanhar os filhos pequenos nem os pais acamados por estarem tão longe de casa”, nota André Pestana da Silva.

“Além destes problemas mais antigos que já levavam a um bloqueio negocial, e por isso é que somos obrigados a fazer algo diferente, também existem os novos”, destaca o líder do sindicato formado há três anos, recordando a questão da municipalização porque 66% dos municípios não estão de acordo. “Há a falta de cultura democrática deste Governo, mas determinou que os municípios que não avançaram vão ter de concluir a municipalização até 31 de março de 2022”, diz, explicando que “ninguém nos garante que, se depois desta primeira fase de municipalização sem grandes protestos, o Governo não pretenderá incluir também a gestão do pessoal docente nos municípios. Ou lutamos agora ou será muito mais difícil travar este processo no futuro”.

STOP convoca greve até 17 de Setembro

Seguindo uma estratégia que destoa dos restantes sindicatos, que tendem a ver na greve um último recurso reivindicativo, evitando a sua convocação sem ser no culminar de um processo de luta e sem serem esperados níveis de adesão significativos, o STOP assinala a abertura do ano lectivo com a marcação de uma greve do pessoal docente e não docente.

Trata-se no fundo de passar para os profissionais da Educação de cada escola ou agrupamento a responsabilidade de dar significado à greve, organizando-se da forma que acharem mas adequada para maximizar o seu efeito. Tratando-se de um pequeno sindicato, sem estruturas organizadas pelo país fora para apoiar e incentivar eventuais grevistas, não poderia ser de outra forma, dir-me-ão. E razões para protestar e lutar, infelizmente, também abundam. Em todo o caso, confesso alguma dificuldade em vislumbrar reais vantagens nestas iniciativas que tendem a esvaziar e banalizar a greve, decretada de forma demasiado leviana e inconsequente e sem qualquer impacto previsível na reabertura das escolas.

Ficam, em todo o caso, o cartaz da greve e o seu anúncio oficial.

O ME deverá desde já mostrar com atos que está disposto a corrigir as várias injustiças denunciadas pelo S.TO.P. na última semana (incluindo a integração do pessoal não docente despedido) e também, de uma vez por todas, acabar com o seu bloqueio negocial que se arrasta há demasiado tempo. Ou seja, urgentemente deve iniciar reuniões negociais com os sindicatos (com datas definidas) em torno de temas fundamentais para quem trabalha nas Escolas. Por exemplo sobre as quotas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, modelo de avaliação injusto e artificial com quotas (pessoal docente e não docente), precariedade docente (AEC e Contratados) incluindo a questão dos colegas lesados da Segurança Social e vinculação pelas reais necessidades do sistema educativo, rejuvenescimento e contabilização de todo o tempo de serviço congelado da classe docente, regime de aposentação especial sem penalização a partir dos 60 anos de idade e direito a uma pré-reforma digna, valorização em particular do pessoal não docente com salários de miséria, a gestão escolar democrática, ultrapassagens na progressão da carreira, a municipalização, concursos docentes justos através da graduação profissional, redução do número de alunos por turma e medidas para combater a indisciplina, diminuir o excesso de trabalho burocrático e definição clara entre componente letiva e componente não letiva, subsídio de alojamento/transporte e passagem da SS para CGA para todos os Profissionais de Educação que se sintam lesados, processo de posicionamento remuneratório e de reposicionamento de carreira dos Técnicos Superiores de Educação, etc.

Uma reunião cheia de nada

Decorreram hoje as reuniões entre o ME e os sindicatos de professores a propósito do Plano 21|23 Escola+, dedicado à recuperação de aprendizagens supostamente afectadas pela pandemia. Os secretários de Estado João Costa e Inês Ramirez ouviram as posições críticas da parte da Fenprof e da FNE. Mas é o STOP que nos apresenta um relato mais extenso e circunstanciado do encontro com a equipa ministerial.

Neste plano, refere-se que nos últimos anos contrataram-se de forma, sem precedentes, milhares de Profissionais de Educação (pessoal docente e não docente), mas curiosamente não se informa quantos profissionais nesse mesmo período se reformaram ou estão de baixa e, ainda, qual a idade média dos professores que vincularam (ou que há muitos milhares que já ultrapassaram os 10 anos de trabalho precário e, assim, continuarão).

Mas sobretudo este mesmo plano não tem uma única referência ou proposta para inverter as condições de exaustão, desmotivação e de envelhecimento – sem precedentes – em que se encontram os Profissionais de Educação!

Supostamente reconhece-se que os Profissionais são essenciais para o funcionamento regular das escolas e da recuperação das aprendizagens, mas, na prática, o ME continua – totalmente – indiferente com os muitos milhares à beira de burnout, deprimidos, exaustos e desmotivados (cujos estudos/pesquisas demonstrativos são sobejamente conhecidos). Algo particularmente grave quando é reconhecido que a classe docente em Portugal é das mais envelhecidas da Europa e mais uma vez, neste plano, não há qualquer proposta para rejuvenescer a classe.

Além do ME não responder aos problemas incontornáveis de envelhecimento, exaustão e desmotivação, este Plano, na prática, levará a sobrecarregar ainda, com mais trabalho – sobretudo burocrático – os docentes e as direções escolares. […]

Os professores estão cada vez mais sobrecarregados de papeladas/burocracia e, cada vez, têm menos tempo para os alunos, para preparar aulas inovadoras, para pesquisar (por exemplo, os vários “materiais…bancos…recursos…bibliotecas” galvanizados neste plano), etc. E o que o ME apresenta com este plano é, na prática, ainda mais trabalho com papeladas/dados, evidências e formações em horário pós-laboral, com questionável interesse efetivo para as aprendizagens dos nossos alunos…

Não podemos tolerar a forma como Ministério tem gerido os seus recursos humanos que são indispensáveis para a melhoria das aprendizagens, levando a que cada vez mais Profissionais da Educação fiquem para trás, exaustos, desmotivados ou mesmo de baixa……(”mas ironicamente afirma-se no Plano, na página 4 que “ninguém fica para trás. Isto já acontecia antes da pandemia, com esta agravou-se e este plano infelizmente não vai no sentido correto. Não raras vezes mais é, na verdade, menos.

Novamente com este tipo de plano reforça-se os erros do passado, priorizando os meios materiais (equipamentos e infraestruturas), mas não os recursos humanos.  A persistência neste tipo de erro leva-nos a questionar se, alguém do ME, conhece ou está efetivamente preocupado com o trabalho quotidiano de uma escola normal?! Algo bem diferente do que ir pontualmente a uma escola discursar cenários generalizados.

Perante reivindicações justas e muito concretas dos professores, como a redução do tamanho das turmas, o fim das turmas multinível no 1.º ciclo, a consideração de todo o trabalho com alunos na componente lectiva dos docentes e a contratação de mais profissionais – docentes, psicólogos, terapeutas, auxiliares – para as escolas, nem uma palavra dos responsáveis. Ou então o habitual chutar para canto, respondendo a alhos com bugalhos ou recorrendo à sonsice que já se tornou imagem de marca do SE Costa. Por detrás do palavrório oco em torno de autonomias, flexibilidades e inclusões, revelam-se tanto o desconhecimento da realidade educativa como a falta de ambição da política educativa deste governo. E um paradoxo bem sublinhado pelos dirigentes do STOP: este é o governo que, exigindo cada vez menos dos alunos – cidadãos cultos, informados e dotados de espírito crítico serão sempre mais difíceis de manipular – não pára de aumentar as exigências sobre os professores.

Pelo relato do STOP, ficamos a saber que o Governo pretende continuar com a redução do número de alunos por turma até aos números pré-troika – ou seja, passar as turmas de 30 para um máximo de 28! E para que cada professor tenha menos alunos a solução será “maximizar a possibilidade de um mesmo professor assegurar, na mesma turma, mais do que uma disciplina”. Acham que o actual rácio de professor/alunos já é o melhor de sempre, pelo que aparentemente nada querem mudar aqui.

Sobre contratações e vinculações, o ME continua a esgrimir com números aparentemente favoráveis. Só que continua a omitir que a grande maioria destes profissionais vêm apenas substituir os que se aposentaram ou entraram em baixas prolongadas nos últimos anos. De resto, continua o discurso hipócrita e manipulador de quem atira a pedra e esconde a mão e a eterna converseta da autonomia, um presente envenenado que transfere para as escolas a gestão das carências do sistema, enquanto o ME continua a controlar e a condicionar fortemente o trabalho dos professores…

A finalizar o Secretário de Estado João Costa reforçou a ideia que este plano pretende dar mais autonomia às escolas, sem terem que pedir autorização ao ME. Sobre o prolongamento do ano letivo (e redução inerente das pausas letivas) afirmou que estão a avaliar a eficácia dessas medidas, mas não concorda com prolongamentos artificiais do ano letivo. Sobre a questão deste plano trazer ainda mais trabalho burocrático para os professores, disse que a ideia é que esse trabalho burocrático extra seja para o ME (e não para as escolas). Na generalidade disse que “nada no plano é impositivo”, mas apenas um “buffet de possibilidades” para as escolas poderem optar. Por último, chegou a afirmar que vários elementos do governo estarão surpreendidos pela Educação estar a conseguir tanto dinheiro.

STOP recusa quotas para progressão

Apesar da insistência sistemática do S.TO.P. – transmitindo ao Ministério da Educação as propostas recebidas de muitos colegas de todo o país-, a tutela tem recusado discutir com os sindicatos questões fundamentais, nomeadamente, a abolição das quotas de acesso ao 5.º e 7.º escalões e a atual avaliação docente injusta e artificial (com quotas e percentis).

Como é público, o S.TO.P. é o único sindicato que não existia quando foram acordadas essas medidas profundamente injustas entre o ME e os maiores sindicatos/federações docentes e, também, fomos o único sindicato a juntar forças a uma recente iniciativa de colegas que reuniu, em tempo recorde, as assinaturas necessárias para que uma petição pelo fim das quotas na progressão seja apreciada no Parlamento.

Por muito que o M.E. pretenda lançar “areia para os olhos”, os principais motivos destas medidas são economicistas. Ou seja, como se tem visto nos últimos anos, para os bancos (e seus comparsas) há sempre muitos milhares de milhões de Euros, mas para quem trabalha nos setores essenciais (Educação e Saúde), o dinheiro é sempre todo muito limitado, prejudicando, em última instância, a qualidade dos serviços públicos (e favorecendo assim os grupos privados destes setores).

O STOP demarca-se de um dos mais polémicos acordos de sempre entre os sindicatos de professores e o ME: o que pôs fim à fractura na carreira docente, imposta por Maria Lurdes Rodrigues com a criação da categoria de professor titular. Como contrapartida do regresso à carreira única, o acordo previa, no quadro de uma avaliação do desempenho discriminatória e punitiva, a existência de barreiras à progressão no 5.º e no 7.º escalão. Uma medida cujo alcance não foi inteiramente avaliado de imediato, até porque o novo regime de avaliação e progressão esteve muito pouco tempo em vigor: a crise financeira e a vinda da troika, as eleições e a formação de uma nova maioria de direita levaram a um novo congelamento de carreiras e das correspondentes avaliações para mudança de escalão.

Dez anos depois do acordo dito das pizzas, percebe-se que a avaliação do desempenho docente, as aulas assistidas e as quotas para atribuição dos Muito Bons e dos Excelentes continuam a ser dos aspectos mais injustos e contestados no desenvolvimento da carreira profissional dos professores. Mas também é verdade que se tem feito muito pouco para lutar contra um modelo de avaliação que só se mantém inalterado, em grande medida, devido à inércia e ao conformismo da generalidade dos professores. E dos seus sindicatos, é justo acrescentar-se, que parecem ainda sentir-se demasiado comprometidos com um acordo que, sendo o possível na altura, se veio a revelar péssimo para os professores.

Perante isto, o STOP tenta transformar o descontentamento latente em inconformismo e predisposição para a luta, que será sempre necessária à transformação deste modelo de carreira e avaliação. Pois ao Governo, e mesmo à oposição institucional do PSD, convém uma ADD que funcione na prática como travão às progressões, dilatando uma carreira já de si demasiado longa e impedindo um número crescente de docentes de alcançar o topo.

Como muito bem denuncia o STOP, são razões economicistas que determinam a política do governo para os professores. São também elas que motivam a absoluta intransigência governamental em reunir com os sindicatos e discutir com eles qualquer dos problemas e reivindicações da classe. O dinheiro para a Educação, já se sabe, escasseia sempre. É que enquanto houver um banco em apuros ou uma empresa do regime a precisar de favores, a mão amiga do Governo, bem recheada de dinheiro dos contribuintes, não lhes poderá falhar.

CONFAP contra a redução de alunos por turma

Estão em apreciação no Parlamento duas petições em defesa da redução do número de alunos por turma. Uma da iniciativa do STOP, que abrange também outras reivindicações, e a outra de um grupo de professores que tem como primeira peticionária Ana Rita Lagoas Dias.

Instada a pronunciar-se, a Confap desvaloriza a importância da constituição de turmas mais pequenas, quer tendo em conta o contexto da pandemia em que estas iniciaitivas surgem, quer as questões pedagógicas subjacentes a um modelo de ensino diferenciado e personalizado que quase todos defendem, mas que nem sempre existem condições para pôr em prática. A começar pelo factor mais determinante, a atenção individualizada, que só pode ser dada a todos os que precisam se a turma tiver uma dimensão adequada.

O número de alunos por turma pode ter impacte no rendimento, sendo que este depende muito do professor e dos alunos da turma. A CONFAP tem defendido que a constituição das turmas deve ser da responsabilidade da escola, no âmbito da sua autonomia e da autonomia dos alunos. Alunos com mais dificuldades podem precisar de grupos mais reduzidos e outros com mais autonomia podem constituir-se em grupos maiores. Além disso a aprendizagem entre pares também pode ser vantajosa. Não nos parece, sobretudo na situação de pandemia em que vivemos, que a redução de 1 ou 2 alunos por turma vá resolver o problema.

Na busca de argumentos para defender o indefensável, e depois de considerarem irrelevante reduzir um ou dois alunos por turma, afirmam, logo a seguir, que turmas mais pequenas iriam obrigar a construir novas escolas ou originar falta de vagas nas escolas de proximidade. E recorrem claro, ao falso argumento, que os estudos sérios que se fazem sobre o assunto e a experiência de milhares de professores refutam diariamente, de que não há correlação entre o tamanho das turmas e o sucesso escolar. Claro que há, e não é pouco, sobretudo em países, como Portugal, onde há um esforço imenso, a fazer nas escolas, para contrariar as carências e desigualdades de base que surgem como factores preditores e determinantes do insucesso escolar.

Fica uma vez mais evidente, e isso deve ser dito claramente, que a CONFAP está muito longe de defender, se é que alguma vez o fez, os verdadeiros interesses dos alunos e das suas famílias. Há uma promiscuidade de interesses entre governantes e confapianos que se exprime nesta constante troca de favores: os pais do regime caucionam as más políticas educativas em troca de tratamento preferencial para a confederação e, quando oportuno, para os seus dirigentes.

Estas más práticas são especialmente evidentes com o PS no poder. Um partido que nunca conseguiu implantar-se no sindicalismo docente, apesar do elevado número de professores tradicionalmente situados na sua área política, vem influenciando fortemente, há anos, a mais conhecida, mas não a única, confederação de associações de pais. Depois de muitos anos de bons serviços, o pai Albino retirou-se para a presidência da Assembleia Municipal de Gaia, cortesia dos eleitores socialistas do município. Será 2021 o ano da ascensão autárquica do seu sucessor?

Greve nacional de 15 a 19 de Fevereiro

Atribuindo à “irresponsabilidade do Governo” a explicação para o prolongamento da greve entre 15 e 19 de fevereiro, o sindicato afirma que não estão garantidas condições de segurança para profissionais e alunos que estão nas escolas de acolhimento, enumerando falta de acrílicos de separação entre alunos e entre alunos e professor e falta de testes de diagnóstico, criticando ainda a exclusão dos profissionais das escolas dos grupos de vacinação prioritários.

“Esta greve nacional de 15 a 19 de fevereiro, além de pressionar o governo a melhorar as condições, continuará a permitir que os Profissionais de Educação que sintam a sua saúde/vida em risco a possam salvaguardar”, escreve o S.T.O.P em nota divulgada este domingo, na qual admite que possa ser novamente prolongada.

A estrutura sindical aponta ainda a falta de meios, nomeadamente informáticos, para garantir condições para o ensino à distância.

Pouco divulgada entre os professores, talvez porque a larga maioria se encontra a trabalhar a partir de casa, a greve convocada pelo STOP não se destina, como é óbvio, a alcançar números expressivos. Diria até que é daquelas greves que, quanto menos a fizerem, melhor. É sinal de que as normas de segurança impostas pela situação de pandemia estão a ser respeitadas nas escolas e os profissionais da Educação em serviço presencial se sentem seguros a fazer o seu trabalho.

De facto, convém não esquecer que há professores, técnicos e pessoal auxiliar em serviço nas escolas: recebem os filhos de trabalhadores essenciais que não têm onde os deixar, alunos sem condições para seguir em casa o ensino à distância e ainda aqueles que necessitam de terapias ou apoios especiais que não podem ser prestados remotamente. Há ainda os docentes que não podem ou não querem trabalhar a partir de casa – uma decisão que compete a cada um -, pois o ME recusa a responsabilidade de fornecer os meios para o teletrabalho e dá como única alternativa, a quem os reivindica, que venha trabalhar para a escola.

Todos estes profissionais estão assim em condições, se acharem que a sua saúde se encontra ameaçada por ausência ou insuficiência de medidas de protecção, de se declarar em greve. Esta forma de luta já vigorou na semana passada e estende-se até à próxima sexta-feira. Mas o sindicato equaciona o seu prolongamento por mais dias se, na sua avaliação, isso se justificar.

Balanço (provisório) da greve do STOP

Colegas, como anunciámos, esta GREVE está em CRESCENDO e HOJE é o dia com maior impacto. 

Só em Coimbra temos conhecimento de pelo menos 4 escolas fechadas (imagem), mas também sabemos que esta greve encerrou Escolas em outras zonas do país (por exemplo, Amadora, Guimarães, Vila Franca de Xira, Oeiras, Sintra…), além de adesão de muitos Profissionais de Educação (pessoal docente e não docente). Tudo isso, apesar dos brutais ataques/calúnias contra esta greve. Por exemplo, recebemos a informação de Profissionais da Educação da E.B. 2,3 Secundária IBN Mucana (Cascais) de que, apesar de só estarem ao serviço 3 Assistentes Operacionais, mesmo assim, a Escola abriu (colocando em risco a segurança e a qualidade de todos que a frequentam em particular dos alunos).

Ao terceiro dia, o STOP faz um primeiro e breve balanço da greve, extensiva ao pessoal não docente, que convocou para esta semana. Com várias escolas encerradas em diversos pontos do país, esse balanço é claramente positivo.

Sendo um pequeno sindicato, com mais simpatizantes do que sócios, e sem as estruturas e meios de que dispõem as federações sindicais, o STOP tenta fazer a diferença ouvindo as bases e propondo formas de luta que, se por um lado se apresentam como mais ousadas e radicais do que as iniciativas dos sindicatos tradicionais, por outro deixam uma grande margem de autonomia para que, em cada escola, docentes e não docentes organizem a sua luta da forma mais adequada.

Claro que este modo de proceder, assente numa democracia de base e não em decisões de directórios sindicais, coloca muito maior responsabilidade sobre os ombros dos professores, associados ou não aos outros profissionais que trabalham nas escolas. O sucesso das lutas dependerá acima de tudo da sua união, organização e determinação. Tomando nas suas mãos esta responsabilidade, deixa de ser possível continuar a culpar o guião do sindicalismo tradicional, rotineiro e burocrático, pelo insucesso das lutas. Demasiado habituada a fazer dos sindicatos o bode expiatório das suas frustrações e derrotas, estará a classe docente preparada para assumir este enorme desafio?…

Greve fechou escola em Coimbra

Com a união de esforços entre professores e funcionários, pelo menos uma escola foi ontem encerrada em consequência da greve decretada pelo STOP. Em nome do sindicato, André Pestana aproveitou a presença da comunicação social para destacar a disparidade de critérios e procedimentos com que, em diferentes escolas, se enfrenta a pandemia: algumas têm controlo de temperatura à entrada, separadores de acrílico nas salas e regras mais eficazes de distanciamento, que noutras não são aplicadas. E mesmo nas medidas de confinamento aplicadas parece não haver critérios uniformes entre as diferentes autoridades de saúde. Estando em causa a saúde pública e a segurança sanitária das comunidades escolares, é caso para exigir dos responsáveis que se organizem…

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) defendeu esta quarta-feira que o Ministério da Educação deveria uniformizar os procedimentos a cumprir nas escolas em relação à pandemia, considerando que parece haver escolas de primeira e outras de segunda.

“Tem que haver uma uniformização dos procedimentos relativamente à pandemia, igual ou semelhante em todo o país”, afirmou o coordenador nacional do STOP, André Pestana, que falava à agência Lusa à margem de uma concentração junto à Escola Básica 2.º e 3.º ciclos Inês de Castro, em Coimbra.

O STOP convocou uma greve de docentes e não docentes para esta semana, que termina na sexta-feira, sendo que a Escola Inês de Castro fechou esta quarta-feira devido à greve.

As razões da greve prendem-se com as condições de trabalho e com a forma como está a ser tratada a pandemia nos estabelecimentos de ensino.