O que se passa na Escola Azevedo Neves?

aganUma escola com uma missão difícil, um território educativo de intervenção prioritária (TEIP), a “liderança forte” de um director há muitos anos à frente da escola e do agrupamento. Contudo, as notícias que íamos tendo davam conta do sucesso da escola na integração das minorias étnicas e culturais que, nesta escola, estão em maioria relativamente aos “portugueses de gema”.

A Escola Dr. Azevedo Neves, na Damaia, arredores de Lisboa, é descrita pelos seus alunos como “a mais africana da Europa”, já que a maioria é descendente de imigrantes oriundos de África. Os resultados dos seus estudantes no exame de Português do 12.º ano em 2015/2016 colocam-na entre as dez melhores a nível nacional nesta disciplina.

A Secundária Azevedo Neves tem mais africanos do que qualquer outra no país. Inserida numa zona de famílias carenciadas, tornou-se um modelo positivo, com alta empregabilidade.

Mas também foram correndo outras histórias, nomeadamente de irregularidades financeiras e processuais e de favorecimento de certos candidatos nos concursos de professores a nível de escola. Até se chegar a isto…

O Ministério da Educação suspendeu por 150 dias e fez cessar a comissão de serviço de José Biscaia, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, na Damaia (Amadora), mas este recusa cumprir as sanções e continua a exercer o cargo. As penas foram aplicadas na sequência de um processo disciplinar da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, no âmbito do qual o diretor foi também obrigado a devolver dinheiro aos cofres do Estado. Diversas queixas de docentes, por irregularidades graves na gestão, terão estado na origem das sanções.

Entretanto, soube-se mais uma…

José Biscaia, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, na Amadora, obrigava os alunos a tomarem duches frios de 15 a 20 minutos, por vezes no inverno, quando considerava o comportamento dos jovens inadequado. O caso motivou queixas de pais e está a ser investigado pelo Ministério Público, tendo sido já ouvidas diversas testemunhas.

Novas oportunidades

Miguel_Relvas[1]Miguel Relvas já é outra vez um homem licenciado. O ex-ministro, que perdera o grau de licenciado por decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, fez este mês exame a duas disciplinas e passou. De acordo com a informação hoje avançada pelo semanário Sol, Relvas teve 13 a Direito Administrativo e 16 a Teoria das Relações Internacionais.

Não se pode criticar a Altice?

O primeiro-ministro, António Costa, criticou a Altice no debate do estado da nação, em vésperas da empresa comprar a TVI, mas deixou também um desabafo que tem outro peso quando é dito por um primeiro-ministro: “Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo”.

No debate do estado da nação, o primeiro-ministro disse ainda temer que a PT “acabe por transformar este caso num caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa”.

No último debate parlamentar em que tomou parte, António Costa foi um pouco mais longe do que costuma ser habitual em declarações de um PM visando uma empresa privada, o que não deixou de ser criticado pelo líder do PSD:

Pedro Passos Coelho manifestou perplexidade e criticou Costa pela intromissão em assunto da esfera privada. Passos considera “inaceitável” a “admoestação pública” no Parlamento do primeiro ministro à Altice. “Um péssimo sinal quando um primeiro-ministro e um Governo sente que podem desta maneira junto de uma empresa”, vincou Passos.

Claro que para Passos Coelho o tom dos comentários de Costa seria perfeitamente aceitável se estivesse a invectivar, por exemplo, dirigentes sindicais. Já o “respeitinho” com as empresas e os “mercados”, que os serventuários do neoliberalismo dominante não se cansam de recomendar, acredito que nalgumas situações possa ser conveniente por razões tácticas. Mas não aceito que a subserviência incondicional seja especialmente vantajosa na relação com gente que olha apenas o seu interesse a curto prazo e não respeita nem clientes, nem trabalhadores, nem o país que lhes deu todas as facilidades para o desenvolvimento dos seus negócios.

patrick.JPGPara quem já não se lembra, a administração da Altice, que agora tenta adoptar um discurso conciliador e low-profile, é a mesma cujo CEO, há dois anos atrás, não tinha problemas em assumir:

Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo possível.

E despeço todos os que puder, poderia ter acrescentado.

Confirmada a fraude no exame de Português

iave.JPGSegundo o Expresso, os investigadores da IGEC e do Ministério Público já não têm dúvidas: houve mesmo divulgação antecipada dos conteúdos do exame de Português do 12º ano, que pelo menos dois dias antes da prova já corriam pela internet.

As diligências feitas até ao momento, nomeadamente a análise ao conteúdo da gravação que circulou no WhatsApp dias antes da prova, permitiram afastar qualquer hipótese de ter existido uma mera coincidência entre o que a aluna afirmou que ia sair e as questões que efetivamente constavam no enunciado do exame.

Para já, a investigação em curso apurou que a informação circulou sobretudo entre estudantes de algumas escolas de Lisboa, entre as quais o Colégio dos Salesianos, frequentado pela aluna que fez a gravação. O que não significa que a fuga de informação tenha tido origem num professor ou funcionário daquela instituição. Nem que a mensagem não tenha chegado a outros pontos do país.

Registe-se, antes de mais, um ponto positivo: parece que, pela primeira vez, o ministério se prepara para assumir, empurrado pela força das circunstâncias, que o sistema de exames montado a partir do IAVE e assente em rigorosos secretismos e formalismos, não é à prova de fraudes. E que estas podem partir precisamente das pessoas que deveriam merecer a maior confiança, pois são seleccionadas pelo próprio IAVE, entre milhares de professores, para elaborarem e verificarem as provas de exame.

Reconheça-se, também, a impossibilidade prática de penalizar os alunos que tenham tido conhecimento prévio da mensagem: a partir do momento em que a informação circula nas redes sociais, é praticamente impossível comprovar quem teve ou não acesso a ela e, no primeiro caso, distinguir entre os que a tomaram como informação fidedigna e os restantes, provavelmente a maioria, que não deram especial importância ao que tomaram como mais um dos muitos boatos que costumam correr nas vésperas dos exames.

Centremo-nos então no fundamental da questão, aquele de onde se anda a fugir como o rabo da seringa: do universo muito restrito de pessoas com acesso à prova e cuja identidade nós, simples mortais, desconhecemos, mas que o todo-poderoso IAVE pode perfeitamente identificar, quem divulgou o que não devia? Quem é que colabora com o IAVE na feitura dos exames de Português e dá explicações da disciplina a alunos que vão fazer exame? Já agora, isto é permitido pelos contratos que estas pessoas assinam? E serão elas assim tão imprescindíveis à Educação portuguesa que o Estado deva continuar, não só a esconder a sua identidade, mas também a ser cúmplice com a prática de crimes, encobrindo e desculpando a evidente desonestidade?

Recorde-se que se um professor comum, desprotegido pelo IAVE, fizesse algo semelhante, apanharia por certo um processo disciplinar com vista ao despedimento. E o Expresso, que tem apesar de tudo o mérito de continuar a falar de um assunto que os restantes jornais parecem querer deixar cair, só nos diz, no entanto, meia verdade: é difícil provar quem beneficiou, mas não é impossível, nem será especialmente difícil, descobrir o autor da fuga de informação. Que é a única coisa relevante que, neste momento, falta saber.

Finalmente um patrão em condições

…Que não pede declaração de bens e rendimentos nem divulga na praça pública quanto paga aos colaboradores

isabel-santos-e-a-domingues.jpgAntónio Domingues vai trabalhar para Isabel dos Santos

O ex-presidente da Caixa Geral de depósitos vai para administrador não-executivo do Banco de Fomento de Angola

Pode ser que rebente de vez…

maconaria.pngMas não me parece. Solidamente ancorada nos partidos do centrão e influente em muitas das grandes negociatas do regime, interessa que a Maçonaria se mantenha viva, activa e poderosa, apesar das tricas ocasionais e das sórdidas lutas pelo poder. Que o que vamos sabendo pela comunicação social, acredito que seja apenas a ponta do véu…

Há muito tempo que a maçonaria não vivia tempos tão conturbados. O atual grão-mestre e recandidato ao cargo, Fernando Lima, classifica o próximo ato eleitoral, no sábado, como um «momento decisivo» para a história da maçonaria. Ao ponto de, numa mensagem que escreveu esta semana aos maçons a traçar as diferenças entre a sua candidatura e a do professor universitário Adelino Maltez, afirmar que «nunca no passado, como no momento presente, o povo maçónico se deparou com uma decisão tão fundamental, estando perante duas alternativas tão antagónicas entre si».

As sociedades secretas tiveram um papel histórico muito importante na construção das sociedades contemporâneas, baseadas na liberdade, na igualdade de direitos e na democracia. Fazia sentido a existência de organizações secretas onde os seus membros podiam divulgar e discutir livremente ideias proibidas, ou conspirar contra monarcas autocratas e absolutistas, no tempo em que essas acções eram punidas com a tortura, a forca ou longos anos de prisão.

Mas em sociedades livres, onde todos podem exprimir o seu pensamento e juntar-se em partidos, sindicatos, igrejas, associações recreativas, culturais, desportivas, caritativas, etc, para prosseguir os seus objectivos comuns, não faz sentido que continuem a existir organizações pautadas pelo secretismo e pela opacidade, que pretendam influenciar a vida colectiva sem ser através dos mecanismos da democracia plenamente instituída.

Além de injustificado à luz dos valores que os maçónicos dizem defender, este secretismo tem servido para promover a corrupção, a fraude, o tráfico de influências, o nepotismo e de uma forma geral todos os fenómenos de captura do poder político a favor de interesses particulares. Basta olhar, aliás, a longa lista de maçónicos envolvidos em casos mediatizados, alguns deles condenados pelos tribunais, para perceber que a Maçonaria está muito longe de ser a escola de virtudes que os seus adeptos proclamam.

A rede tentacular de uma organização que se considera a ela própria, e aos seus membros, superiores ao resto da sociedade, que mantém secreta a filiação da maioria dos “irmãos”, enquanto eles próprios se reconhecem entre si e se favorecem mutuamente, é uma ameaça clara ao Estado de direito e à democracia.

Como associação que assume objectivos e práticas potencialmente criminosas, a Maçonaria deveria estar sob vigilância permanente dos serviços de informações. Em vez disso, é com extraordinária complacência que vamos sabendo, de tempos a tempos, da nomeação ou da infiltração de maçons no SIS.

Claro que tudo o que escrevi a respeito da Maçonaria se aplica aos seus diversos ramos e a todas as restantes organizações secretas, ou discretas, como algumas gostam de se afirmar, incluindo a mui católica Opus Dei.

 

Em estado de choque

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