IVA a 6% nas touradas, mas…

…a tourada parlamentar continua isenta. De pagar IVA e de assumir quaisquer outras responsabilidades.

O uso fraudulento do sistema informático continua a fazer-se impunemente. O crime compensa duplamente, pois além de ganharem indevidamente ajudas de custo, como já se sabia, também contabilizam votos de deputados ausentes. Como agora se ficou a saber.

Dizem-nos que necessitamos de muitas aulas de Cidadania no ensino básico. Já o exemplo cívico que alguns deputados dão, ao povo que os elegeu, parece ser assunto completamente irrelevante.

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A fina flor do entulho

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© Henricartoon

Detenções nocturnas

jabelmanta1.jpgJosé Preto afirmou, na última noite, que houve “abusos extraordinários” durante a detenção do ex-presidente leonino, Bruno de Carvalho, em declarações registadas pela RTP.

“A lei hoje permite detenções à noite, o que não era sequer possível no Salazarismo, e permite estes abusos extraordinários de pretensas diligências que são, objetivamente, atuações infamantes, aviltantes e vexatórias”, declarou. O advogado criticou até o facto de a detenção ter sido feita no Dia de São Martinho. “Foi escolhida uma data que não é apenas um domingo à noite, é uma data em que as famílias costumam reunir-se”.

Claro que prendiam pessoas à noite, em casa, no tempo do salazarismo. Era, aliás, uma das especialidades da PIDE. O doutor advogado do ex-presidente sportinguista a contas com a justiça, das duas uma: ou é ignorante, ou quer enganar-nos.

Costumavam era reservar estes tratamentos aos opositores políticos do regime. Deveria portanto, o dito advogado, explicar melhor a sua ideia: no tempo de Salazar não se tratavam desta forma as “pessoas importantes”…

Deter, investigar e levar a julgamento ex-dirigentes políticos, desportivos e empresariais é uma prática muito recente da nossa democracia. Um campo onde ainda há muito a aprender e a melhorar. Por exemplo, na coragem de não ficarem à espera que os prevaricadores abandonem dos cargos para então os investigarem.

Fica, com a imortal música e voz de José Afonso, a lembrança de um passado repressivo que nunca deverá ser menorizado. Muito menos esquecido.

Lição de cidadania

Lição de cidadania seria o deputado José Silvano, apanhado a falsificar presenças no Parlamento, renunciar de imediato ao seu mandato. Ou, mostrando-se incapaz, como parece ser, de reconhecer a gravidade e de assumir a responsabilidade dos seus actos, o próprio Parlamento dispor de mecanismos expeditos para limpar a nódoa.

Pois não basta aos deputados arrogarem-se a superioridade moral que lhes permite estabelecer, nesta e noutras matérias, que a palavra do próprio “faz fé”. Se querem ser fiscais de si próprios, então têm de aceitar a responsabilidade acrescida que daí decorre.

E não podem, quando um deles é apanhado com a boca na botija, refugiar-se num silêncio envergonhado que só serve para alimentar as piores suspeitas: quantos mais deputados haverá a fazer o mesmo?…

Alguém explique, à classe política que nos desgoverna, que enquanto os representantes eleitos do povo derem exemplos vergonhosos e ficarem impunes, rindo na cara do povo que os elegeu, escusam bem de vir impingir aos alunos do básico aulas de Cidadania.

Não é por acaso que há cada vez menos vontade, nas escolas, de levar os alunos em visita de estudo à Casa da Democracia. Não é de agora, mas a imagem que muitos deputados dão de si mesmos e do seu trabalho é profundamente desmoralizadora para os jovens e para quem os quer instruir nas virtudes da democracia.

Entretanto, enquanto o deputado Silvano continua agarrado ao tacho, o seu feito atravessa fronteiras. E era ontem merecidamente gozado pelo El País…

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Seis mil milhões e ninguém vai preso

bpncavaco[1]BPN: Seis mil milhões de prejuízo, zero presos

Dez anos após o anúncio da nacionalização do BPN, em 2 de novembro de 2008, a Justiça ainda não responsabilizou praticamente ninguém pelos desvios e burlas de milhões de euros que arruinaram o banco e justificaram aquela decisão política.

Se não me enganei nas contas, e mesmo tomando como fidedignos os números aldrabados que o Governo na altura apresentou, isto daria, não para uma, mas para DEZ recuperações integrais do tempo de serviço dos professores.

Claro que enquanto o nosso “modelo de desenvolvimento” continuar a basear-se em carregar às costas os bancos falidos, não sobrarão mais do que trocos para pagar a quem efectivamente trabalha, criando riqueza, conhecimento e progresso para o país.

Claro que sem penas de prisão efectiva, qualquer aprendiz de banqueiro irá ser tentado a fazer malabarismos com o dinheiro dos outros, enquanto multiplica o seu próprio capital e o faz desaparecer para o exterior através de convenientes alçapões financeiros.

Claro que sem fianças milionárias impostas aos artistas da alta finança que caem sob a alçada dos tribunais o dinheiro nunca mais aparece.

Devemos indignar-nos com a destruição das carreiras e a perda de poder de compra de quem trabalha, em benefício dos rendimentos do capital e da fraude financeira. Mas é bom termos presente que este é o resultado inevitável do sistema jurídico, económico e financeiro que as elites do centrão criaram para se protegerem.

Cavaco no psicanalista

Poderia, repetindo-me um pouco, escrever algo sobre o novo livro das quintas-feiras de Cavaco Silva, a azia e o evidente mal-estar do homem consigo próprio e e a peculiar forma que encontrou de ajustar contas com os adversários políticos, revelando a sua versão das conversas privadas que com eles terá tido.

Contudo, creio que as palavras e a atitude do homem o definem melhor do que qualquer coisa que se possa escrever acerca dele. Igual a si mesmo, e ao que sempre foi, não nos surpreende.

Fica o boneco do cartoonista do DN sobre o político que, como alguém notava hoje no Twitter, terá falhado uma brilhante carreira na área da estenografia…

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© José Bandeira

Notícia de última hora

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