Sou só eu que noto…

…Algum incómodo na direita tradicional com a prisão de João Rendeiro?

Miguel Barbosa, vice-presidente do CDS, frisou na RTP que a Justiça fez simplesmente o que lhe competia ao conseguir deter o ex-banqueiro João Rendeiro O centrista referiu que o sucesso não mascara falhas do sistema e apontou o dedo ao “mediatismo” em torno da sua captura, que considerou escusado.

É que no restante espectro político o elogio ao trabalho da PJ é unânime, incluindo aqui não apenas os partidos à esquerda mas também os cheganos e a direita liberal.

Haverá receio que, galvanizados pelo sucesso, ainda que provisório, da detenção de um passarão, juízes, procuradores e investigadores criminais, se abalancem para fazer a folha a mais alguns?

Haverá almas, no PSD e no CDS, a sofrer por antecipação?…

Gestão antidemocrática

“Este ato eleitoral foi viciado e, por conseguinte, inconstitucional, pois foi apresentada uma lista única, como na época do Estado Novo. Não houve convocatória [em espaço público ou por contactos pessoais] e o horário [da eleição] coincidiu com a saída do trabalho da maioria dos pais”.

A representante do referido grupo de educadores acrescenta que “apenas foram convidados 20 encarregados de educação” para a sessão eleitoral e que esse foi precisamente “o total de votos apurados”, entre os quais oito favoráveis à lista única, outros oito em branco e quatro abstenções “que nem sequer foram referidas pela mesa da assembleia”.

Sustentando a sua argumentação nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo e dos Decretos-Lei 75/2018 de 22 de abril, 372/90 de 27 de novembro e 4/2015 de 07 de janeiro, os nove educadores que se opuseram aos procedimentos já apresentaram a devida queixa às entidades competentes, remetendo um pedido de impugnação das eleições “para a Direção-Geral das Atividades Educativas, a Inspeção-Geral de Educação, a Provedoria de Justiça e a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos”.

Branca Célia Dias realça que esta situação “demonstra o péssimo ambiente que se vive atualmente no Agrupamento de Escolas Manuel Laranjeira”, até porque, na sequência de eleições anteriores também “muito mal conduzidas”, essa estrutura está atualmente a ser sujeita a “um inquérito da Inspeção-Geral da Educação para averiguar não só irregularidades no conselho-geral, mas também a falta de democracia — já que os membros da mesa foram designados e não eleitos”.

Somos pioneiros em poucas coisas, mas conseguimos sê-lo, no pós-25 de Abril, quando a conquista da liberdade e da democracia política se traduziu, nas escolas, no advento da gestão democrática. Professores, pessoal não docente e representantes de alunos passaram a ter um papel activo na eleição e na participação nos órgãos de gestão escolar.

No entanto, a gestão democrática sempre causou indisfarçável incómodo a sucessivos governos. Aos poucos, os consensos de regime informalmente estabelecidos entre os partidos do arco da governação tornaram o modelo de gestão colegial e participado das escolas um alvo a abater. E se fomos pioneiros e inovadores na gestão democrática, também o viemos a ser num sentido oposto: na criação de mega-agrupamentos, acabando com a autonomia de gestão na maioria das escolas.

O modelo de gestão escolar centralizado, burocrático e tendencialmente autoritário que temos actualmente, assente num órgão unipessoal – o director – com uma concentração excessiva de poderes, mantém alguns resquícios do antigo modelo democrático, sendo o mais evidente a existência de um conselho geral onde tomam lugar, maioritariamente, elementos eleitos da comunidade escolar, responsável pela escolha do director. Contudo, a aparente relação de dependência do director, obrigado a prestar contas ao conselho geral, é facilmente invertida, em muitos agrupamentos, quando as eleições são manipuladas e condicionadas por quem tem o efectivo poder hierárquico e disciplinar sobre todos os que ali trabalham.

Dito de forma mais simples, e parece ser o que sucede no agrupamento de Espinho citado na notícia, um dirigente escolar que consiga fazer eleger professores e funcionários “amigos” para o conselho geral tem mais de meio caminho andado para se manter na direcção. Quando isto é feito na base de irregularidades grosseiras, não cumprindo procedimentos nem prazos legais para que eventuais opositores se possam organizar para ir a votos, entramos descaradamente no terreno da completa ilegalidade e não é mais possível, a não ser que tenham perdido por completo a sensatez e a vergonha, que os responsáveis ministeriais não intervenham para repor o respeito pela lei.

Diz-se que o poder corrompe e inebria, e há quem lhe tome o gosto e já não queira outra vida. No caso dos directores escolares, há um outro factor poderoso que entra em acção: a política educativa deprimente e destrutiva que está a ser posta em prática por este governo. Alguns dos mais zelosos directores na implementação das flexibilidades curriculares, das pseudo-inovações pedagógicas, da inclusão faz-de-conta e da burocracia avaliativa à moda dos Maias sabem bem o inferno em que andam a tornar o trabalho e a vida de quem dá aulas. E estão dispostos a tudo para continuarem no ar condicionado do gabinete da direcção…

A descoberta da semana

É a brincar, é a brincar…

Infiel depositária

Do Facetoons.

Quem não (off)chora não mama

A mulher do ex-banqueiro João Rendeiro foi interrogada esta sexta-feira pelo tribunal, depois de falhar o prazo de entrega à PJ 15 obras de arte apreendidas em 2010 e que em recente diligência não foram encontradas. Mas a sessão acabou por ser suspensa, devido à falta de condições psicológicas da mulher do ex-líder do BPP, que pode vir a incorrer no crime de descaminho e desobediência por não conseguir explicar o rasto de oito obras de artes arrestadas pela Justiça.

“Não estou em condições psicológicas para responder a nada sobre este processo”, disse perante a juíza, a chorar.

O outro, coitado, parece que sofre de Alzheimer, esquece-se de tudo, não diz coisa com coisa, não estará por isso em condições de ser julgado, muito menos condenado, pelas enormes falcatruas que durante anos orquestrou no grupo BES.

Esta agora não está “psicologicamente” em condições de explicar ao tribunal o descaminho que foi dado às obras de arte de que era fiel depositária. Um choradinho em tribunal e a juíza, compreensiva, lá mandou a senhora voltar para casa sem prestar declarações. Só faltou pedirem-lhe desculpa pelo incómodo, em nome dos milhões de contribuintes chamados a repor os desfalques e, sei lá, perguntar à senhora se não lhe daria jeito vender mais qualquer um dos bens arrestados. Que com o marido ausente a vida está difícil e a reforma da senhora é capaz de ser daquelas pequeninas…

Recuperam a saúde num instante, quer-me parecer, quando deixarem de os maçar e puderem finalmente usufruir, em paz e sossego, do pecúlio amealhado.

O verdadeiro artista

Deixado à solta de forma a poder dar descaminho à colecção de arte supostamente arrestada e fugir calmamente para um paraíso fiscal e penal, João Rendeiro dá um autêntico baile à justiça portuguesa e goza descaradamente com todos os portugueses.

O antigo banqueiro e “gestor de fortunas”, o protegido de Cavaco Silva e primeiro presidente da EPIS é apenas mais um dos vários gestores ambiciosos e de poucos escrúpulos que tiveram, com a liberalização da banca, a oportunidade de ouro para enriquecerem enquanto a sua ambição ia afundando os bancos que lideravam. A conta ficou, em nome da sacrossanta estabilidade do sistema financeiro que é preciso preservar a todo o custo e a qualquer preço, para o povo pagar.

O Esquecido

Olha se ele se esquece de onde escondeu o dinheiro…

O demente

Imagem daqui.

A alegação de demência costuma ser o último recurso de réus ricos e poderosos quando, no final das suas vidas, são finalmente forçados a responder pelos seus crimes.

Uma hipótese até há pouco impensável, da parte de um homem que, na derrocada do seu império financeiro, se mostrava preocupado em defender, acima de tudo e todos, a sua reputação:

O leopardo quando morre deixa a sua pele. E um homem quando morre deixa a sua reputação.

No entanto, para se safar da cadeia e da presença num julgamento que, para o antigo dono disto tudo, seria sempre humilhante, todos os expedientes são válidos.

E nada disto é novidade. Basta lembrar como uma falsa demência foi usada com sucesso para livrar o ditador Pinochet de responder perante a justiça pelos seus crimes contra a humanidade.

Endoidou de vez?

A idade costuma servir de desculpa para muita coisa, mas não faltam exemplos de filósofos, cientistas sociais ou historiadores mais velhos do que Barreto e perfeitamente lúcidos. O que a idade talvez potencie é alguma falta de filtro que está a revelar, do homem, aquilo que sempre foi. Proporcionando ao jornal que o entrevistou um corrilho de disparates para preencher a primeira página.

Ainda assim, vale a pena prestar um pouco de atenção ao que diz Barreto, pois não são apenas as tolices de um velho caturra: a tentativa de reabilitar a justiça do Estado Novo não tem ponta por onde se pegue, mas tem-se insinuado tanto por via da direita chegana como pelos autoproclamados liberais. Um branqueamento que implica passar uma esponja pelas invasões nocturnas dos domicílios pela PIDE, as prisões políticas sem julgamento, o recurso habitual à tortura, os tribunais plenários onde os réus chegavam a ser espancados na presença dos juízes coniventes com a farsa judicial.

Mas sim, nesse tempo os pobres viviam muitas vezes em casas sobrelotadas, barracas ou onde calhasse e não passaria pela cabeça de nenhum governante preocupar-se com a sua saúde ou condições de vida. Muito menos mandar realojá-los em bungalows desocupados.

Polvo açoriano

A grande coligação das direitas açorianas mostra ao que veio.

Nada ficam a dever aos Césares e demais famílias socialistas…

E assim vão combater os grandes problemas do arquipélago, a corrupção e o RSI dos pobres…

Imagem de origem indeterminada, em circulação nas redes sociais.