Endoidou de vez?

A idade costuma servir de desculpa para muita coisa, mas não faltam exemplos de filósofos, cientistas sociais ou historiadores mais velhos do que Barreto e perfeitamente lúcidos. O que a idade talvez potencie é alguma falta de filtro que está a revelar, do homem, aquilo que sempre foi. Proporcionando ao jornal que o entrevistou um corrilho de disparates para preencher a primeira página.

Ainda assim, vale a pena prestar um pouco de atenção ao que diz Barreto, pois não são apenas as tolices de um velho caturra: a tentativa de reabilitar a justiça do Estado Novo não tem ponta por onde se pegue, mas tem-se insinuado tanto por via da direita chegana como pelos autoproclamados liberais. Um branqueamento que implica passar uma esponja pelas invasões nocturnas dos domicílios pela PIDE, as prisões políticas sem julgamento, o recurso habitual à tortura, os tribunais plenários onde os réus chegavam a ser espancados na presença dos juízes coniventes com a farsa judicial.

Mas sim, nesse tempo os pobres viviam muitas vezes em casas sobrelotadas, barracas ou onde calhasse e não passaria pela cabeça de nenhum governante preocupar-se com a sua saúde ou condições de vida. Muito menos mandar realojá-los em bungalows desocupados.

Polvo açoriano

A grande coligação das direitas açorianas mostra ao que veio.

Nada ficam a dever aos Césares e demais famílias socialistas…

E assim vão combater os grandes problemas do arquipélago, a corrupção e o RSI dos pobres…

Imagem de origem indeterminada, em circulação nas redes sociais.

Prioridades…

Boneco de autor não identificado, em circulação nas redes sociais.

Sobre o tema Novo Banco já por aqui se escreveu, pelo que me limito a destacar este comentário ao post, que deixa bem claro o que está em causa: não se trata, como nos querem fazer crer, de cumprir um contrato, mas de contemporizar com uma série de operações financeiras fraudulentas destinadas a extorquir dinheiro ao Estado. O Novo Banco é um caso de polícia e é vergonhosa a complacência do governo socialista com a ladroagem de colarinho branco.

Lapidar

“Esse senhor, a quem só posso chamar ladrão…” Assim se referiu a Rui Pinto, em pleno julgamento, José Miguel Júdice, o advogado de ricos e poderosos que se notabilizou a defender alguns dos maiores trafulhas deste desgraçado país.

Lapidar foi a resposta de Rui Pinto no Twitter…

Neoliberalismo calunioso… e corrupto!

Há uma característica especialmente desprezível entre os bernardos da velha direita que agora disfarçam o cheiro a mofo e os preconceitos de classe com as novas roupagens do neoliberalismo. Mas a falta de empatia e o egocentrismo, esses continuam lá, como marca indelével de uma casta que se julga, há demasiado tempo, dona de Portugal.

Vem isto a propósito de um ataque vil mas recorrente que é feito pelos cães de fila direitolas às deputadas do Bloco de Esquerda, as irmãs Mariana e Joana Mortágua, filhas de Camilo Mortágua, um lutador antifascista que esteve envolvido em acções de resistência física à ditadura. As mais conhecidas são o assalto ao paquete Santa Maria e a uma agência do Banco de Portugal.

De acordo com o discurso direitola que se espraia nas redes sociais, as duas deputadas integrariam assim a linhagem de um “ladrão de bancos” e “assassino”, atributos que lhes estariam na massa do sangue que pretensamente as diminuem como pessoas e cidadãs.

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Que isto possa ser dito e pensado por quem se auto-intitula liberal só demonstra duas coisas: o baixo nível desta gentalha e quando o conceito de liberdade e de responsabilidade individual é distorcido e manipulado nos nossos dias. Pois no âmago do pensamento liberal esteve sempre a ideia de que cada ser humano se faz a si mesmo, pelas suas escolhas e realizações ao longo da vida, e não pelos constrangimentos impostos pela família ou o grupo social em que se integra.

No entanto, Deus não dorme, como se dizia antigamente, ou o karma é tramado, como está na moda afirmar nos dias de hoje, e eis que um bernardo provocador é apanhado na teia dos laços familiares comprometedores: o pai foi condenado num processo de corrupção.

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Neste ponto, até a mente mais retorcida consegue subitamente ver as coisas como elas são: é evidente que o Blanco-filho não é responsável pelos eventuais actos ilícitos do Blanco-pai. Ainda que deles até possa ter, indirectamente, beneficiado.

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A grande diferença, e que aqui serve de conclusão à estória, é apenas esta: os bernardos têm vergonha de serem associados a actos condenáveis dos progenitores, mas também não são capazes de se demarcar deles. Repare-se como, na hora do aperto, o pai do bernardo é reduzido à mera condição de “familiar”. Já as manas Mortágua, essas terão certamente orgulho no pai que resistiu à ditadura e arriscou a vida na luta pela liberdade.

25 políticos a soldo de Ricardo Salgado

Não foram apenas os 18 comparsas e as 7 empresas acusados de implicação nos negócios sujos do BES e do GES que estiveram envolvidos com Ricardo Salgado. O trafulha-mor do regime, que faz as vigarices de Alves dos Reis parecerem brincadeiras de criança.

O BES era efectivamente o banco do regime, e o dinheiro que de lá foi sendo retirado para amparar as empresas falidas do grupo GES serviu também para comprar boas vontades, conivências e silêncios em todo o arco da governação.

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Como a imagem comprova, os tachos eram mais do que muitos e as liberalidades de Ricardo Salgado contentaram muita gente. Estará a democracia portuguesa suficientemente madura para levar o homem, finalmente, a tribunal? E isso será daqui a quantos anos?…

Por via das dúvidas, desejo-lhe vida longa, com muita saúde.

Vitalino Canas, um precursor das novíssimas pedagogias

Eu não queria deixar aqui afirmações demasiado tumultuantes, demasiado bombásticas, mas eu andei 40 anos a preparar-me para ser juiz do Tribunal Constitucional

As afirmações de Vitalino Canas causaram polémica, não por serem bombásticas ou tumultuantes, mas pela inverosimilhança: em 1980 o TC não existia. Criado pela revisão constitucional de 1982, só iniciou funções em 1983, três anos depois do jurista Vitalino ter começado a preparação para o cargo a que agora se candidata.

No entanto, uma análise mais atenta pode levar-nos a ver no antigo porta-voz do PS socratino um verdadeiro precursor das novíssimas pedagogias que nos falam das profissões do futuro: as que ninguém sabe quais serão, pois ainda não foram inventadas. Mas para as quais as escolas e os professores deverão preparar os alunos. Um verdadeiro salto no desconhecido, portanto.

Já a repescagem de Vitalino Canas se parece demasiado com o regresso ao passado de má memória que José Sócrates protagonizou, mas que só chegou onde sabemos graças à colaboração e à cumplicidade de muitos vitalinos

Ninguém sabia de nada?

isabel-dos-santos.jpgCom a queda em desgraça de Isabel dos Santos, vemos a espantosa desfaçatez com que a elite política, empresarial e financeira se vai demarcando de conexões comprometedoras com a cleptocracia angolana. Banqueiros, consultores, advogados, investidores e dirigentes políticos, todos nos irão garantir que nada sabiam dos negócios sujos do petróleo e da lavandaria de petrodólares que a oligarquia angolana instalou em Portugal. Com a conivência, a troco de generosos pagamentos, daqueles que agora se tentam distanciar.

Claro que a lógica dos comparsas de Isabel dos Santos é muito simples: há muito dinheiro a ganhar; se não aproveitarmos, outros o farão. Embora não o digam, pensarão hoje exactamente o mesmo que quando começaram a emparceirar com o regime de Luanda. A única coisa que mudou entretanto é que, com Eduardo dos Santos no poder, a roubalheira estava caucionada pelo poder político. Com o actual presidente, deixou de estar.

Se com João Lourenço os lucros do petróleo deixarão finalmente ser drenados pelos oleodutos da corrupção, passando a financiar o desenvolvimento de Angola e a melhoria das condições de vida dos angolanos, ainda é cedo para saber. O certo é que tudo isto é conhecido há muitos anos, e foi pormenorizadamente explicado no livro Donos Angolanos de Portugal, publicado em 2014. Ali está, descrito com impressionante clareza e actualidade, tudo o que já então se sabia sobre o fluxo de dinheiro angolano na economia de Portugal…

Foi ontem apresentado em Lisboa o livro Os Donos Angolanos de Portugal, uma obra que denuncia a crescente influência dos investimentos angolanos em Portugal, encabeçados por Isabel dos Santos (filha primogénita de JES), Manuel Vicente (vice-presidente da República e ex-director da Sonangol) e pelo general Vieira Dias “Kopelipa” (ministro de Estado e chefe da Casa Militar do presidente da República).

O livro, da autoria de três dirigentes da formação política Bloco de Esquerda, retrata a teia de interesses e parcerias entre as elites político-empresariais angolanas e portuguesas, numa altura em que a tensão entre os dois países se intensifica. O capital angolano investido em Portugal aumentou 35 vezes na última década e, no seu conjunto, os angolanos são os investidores estrangeiros com maior peso na Bolsa de Valores de Lisboa. Interesses angolanos detêm agora posições significativas no sector bancário, nas telecomunicações, na energia e na comunicação social em Portugal.

A acumulação de capital em Angola, resultado de uma década de elevados preços do petróleo e da institucionalização da corrupção, liderada pelo presidente da República, coincidiu com a crise económica em Portugal.

A fragilidade da economia portuguesa, assim como a predisposição da sua classe política e económica para fechar os olhos à proveniência dos capitais angolanos, completaram um quadro em que os interesses das principais figuras angolanas encontraram em Portugal portas abertas para o branqueamento de capitais e para a internacionalização de investimentos obtidos de forma ilícita.

O Triunfo da Estupidez

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Quanto mais estúpidos, boçais e ignorantes se mostram, mais se afirmam nas suas lideranças.

Parece que o pessoal gosta disto. E rende votos…

E porque fui buscar este boneco? É evidente que, além de ter sido feito por um professor que também é artista, isto tem tudo a ver com Educação. Ou com a falta dela…

O inexistente

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Do Jornal da Fenprof, Dezembro de 2019.