O homem tem consciência?

Diz que sim, o que perante os factos divulgados se torna duvidoso, e que a tem tranquila.

Andou a esbanjar dinheiro público de forma perdulária – evidência que o próprio não consegue desmentir – e no fim tem a recompensa de um cargo governativo, na dependência directa do primeiro-ministro. E só agora percebeu que se deveria demitir?

António Costa também não sai incólume de mais esta vergonha. Sabemos que a mediocridade grassa nas fileiras socialistas, e nos últimos sete anos bastou acompanhar a acção governativa para encontrar inúmeras provas de que a entronização de medíocres tem sido uma regra com poucas excepções. E aqui é o primeiro-ministro que tem a maior das responsabilidades.

“Estou de consciência tranquila”, afirma Miguel Alves, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro e ex-autarca de Caminha, que foi acusado pelo Ministério Público, no âmbito da Operação Teia. António Costa já aceitou a demissão.

Ministros da Deseducação

Nenhum dos ministros que se sucedem na pasta de Educação têm sido imunes às merecidas críticas, desejavelmente dirigidas não às pessoas em si, mas às políticas que seguem e à forma como actuam em exercício de funções.

Mas às vezes tudo começa mesmo na pessoa escolhida, e no significado das escolhas. Veja-se o caso de Bolsonaro, que já vai no quarto ministro, cada um melhor do que o anterior…

Miserável!

O presidente executivo da plataforma We Help Ukraine rejubila com a chegada de refugiados ucranianos a Portugal e o impacto que estas pessoas poderão ter no mercado laboral. Estando este dominado, já se sabe, por portugueses preguiçosos, reivindicativos, conscientes dos seus direitos e, lá está, que “não querem trabalhar”.

O falso humanitarismo desta gente expõe-se, em toda a sua hipocrisia e cinismo, quando os vemos salivar ante a perspectiva de conseguirem mão-de-obra qualificada a trabalhar de sol a sol sem reclamar os seus direitos, sacrificando-se para sustentar os filhos. Para este ser amoral, a guerra pode bem prolongar-se por gerações e trazer até nós cada vez mais refugiados, se isso beneficiar o patronato viciado em baixos salários e trabalho sem direitos.

Nem parece saber, ou perceber, que já tivemos, na viragem do milénio, um forte afluxo de imigrantes ucranianos, que também trabalhavam muito e exigiam pouco. Demo-nos ao luxo de empregar físicos, médicos e engenheiros na construção civil e em tarefas de baixa qualificação. Claro que, assim que tiveram oportunidade, a grande maioria procurou outras paragens onde o seu trabalho e as suas competências fossem devidamente valorizadas.

Profissão do senhor? Professor e director no ISCTE, depois de ter desempenhado idênticas funções na “escola de negócios” da Universidade Nova. Confere, e perceber como andam a ser (de)formadas as novas gerações de gestores e “empreendedores” ajuda a compreender muita coisa…

Sou só eu que noto…

…Algum incómodo na direita tradicional com a prisão de João Rendeiro?

Miguel Barbosa, vice-presidente do CDS, frisou na RTP que a Justiça fez simplesmente o que lhe competia ao conseguir deter o ex-banqueiro João Rendeiro O centrista referiu que o sucesso não mascara falhas do sistema e apontou o dedo ao “mediatismo” em torno da sua captura, que considerou escusado.

É que no restante espectro político o elogio ao trabalho da PJ é unânime, incluindo aqui não apenas os partidos à esquerda mas também os cheganos e a direita liberal.

Haverá receio que, galvanizados pelo sucesso, ainda que provisório, da detenção de um passarão, juízes, procuradores e investigadores criminais, se abalancem para fazer a folha a mais alguns?

Haverá almas, no PSD e no CDS, a sofrer por antecipação?…

Gestão antidemocrática

“Este ato eleitoral foi viciado e, por conseguinte, inconstitucional, pois foi apresentada uma lista única, como na época do Estado Novo. Não houve convocatória [em espaço público ou por contactos pessoais] e o horário [da eleição] coincidiu com a saída do trabalho da maioria dos pais”.

A representante do referido grupo de educadores acrescenta que “apenas foram convidados 20 encarregados de educação” para a sessão eleitoral e que esse foi precisamente “o total de votos apurados”, entre os quais oito favoráveis à lista única, outros oito em branco e quatro abstenções “que nem sequer foram referidas pela mesa da assembleia”.

Sustentando a sua argumentação nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo e dos Decretos-Lei 75/2018 de 22 de abril, 372/90 de 27 de novembro e 4/2015 de 07 de janeiro, os nove educadores que se opuseram aos procedimentos já apresentaram a devida queixa às entidades competentes, remetendo um pedido de impugnação das eleições “para a Direção-Geral das Atividades Educativas, a Inspeção-Geral de Educação, a Provedoria de Justiça e a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos”.

Branca Célia Dias realça que esta situação “demonstra o péssimo ambiente que se vive atualmente no Agrupamento de Escolas Manuel Laranjeira”, até porque, na sequência de eleições anteriores também “muito mal conduzidas”, essa estrutura está atualmente a ser sujeita a “um inquérito da Inspeção-Geral da Educação para averiguar não só irregularidades no conselho-geral, mas também a falta de democracia — já que os membros da mesa foram designados e não eleitos”.

Somos pioneiros em poucas coisas, mas conseguimos sê-lo, no pós-25 de Abril, quando a conquista da liberdade e da democracia política se traduziu, nas escolas, no advento da gestão democrática. Professores, pessoal não docente e representantes de alunos passaram a ter um papel activo na eleição e na participação nos órgãos de gestão escolar.

No entanto, a gestão democrática sempre causou indisfarçável incómodo a sucessivos governos. Aos poucos, os consensos de regime informalmente estabelecidos entre os partidos do arco da governação tornaram o modelo de gestão colegial e participado das escolas um alvo a abater. E se fomos pioneiros e inovadores na gestão democrática, também o viemos a ser num sentido oposto: na criação de mega-agrupamentos, acabando com a autonomia de gestão na maioria das escolas.

O modelo de gestão escolar centralizado, burocrático e tendencialmente autoritário que temos actualmente, assente num órgão unipessoal – o director – com uma concentração excessiva de poderes, mantém alguns resquícios do antigo modelo democrático, sendo o mais evidente a existência de um conselho geral onde tomam lugar, maioritariamente, elementos eleitos da comunidade escolar, responsável pela escolha do director. Contudo, a aparente relação de dependência do director, obrigado a prestar contas ao conselho geral, é facilmente invertida, em muitos agrupamentos, quando as eleições são manipuladas e condicionadas por quem tem o efectivo poder hierárquico e disciplinar sobre todos os que ali trabalham.

Dito de forma mais simples, e parece ser o que sucede no agrupamento de Espinho citado na notícia, um dirigente escolar que consiga fazer eleger professores e funcionários “amigos” para o conselho geral tem mais de meio caminho andado para se manter na direcção. Quando isto é feito na base de irregularidades grosseiras, não cumprindo procedimentos nem prazos legais para que eventuais opositores se possam organizar para ir a votos, entramos descaradamente no terreno da completa ilegalidade e não é mais possível, a não ser que tenham perdido por completo a sensatez e a vergonha, que os responsáveis ministeriais não intervenham para repor o respeito pela lei.

Diz-se que o poder corrompe e inebria, e há quem lhe tome o gosto e já não queira outra vida. No caso dos directores escolares, há um outro factor poderoso que entra em acção: a política educativa deprimente e destrutiva que está a ser posta em prática por este governo. Alguns dos mais zelosos directores na implementação das flexibilidades curriculares, das pseudo-inovações pedagógicas, da inclusão faz-de-conta e da burocracia avaliativa à moda dos Maias sabem bem o inferno em que andam a tornar o trabalho e a vida de quem dá aulas. E estão dispostos a tudo para continuarem no ar condicionado do gabinete da direcção…

A descoberta da semana

É a brincar, é a brincar…

Infiel depositária

Do Facetoons.

Quem não (off)chora não mama

A mulher do ex-banqueiro João Rendeiro foi interrogada esta sexta-feira pelo tribunal, depois de falhar o prazo de entrega à PJ 15 obras de arte apreendidas em 2010 e que em recente diligência não foram encontradas. Mas a sessão acabou por ser suspensa, devido à falta de condições psicológicas da mulher do ex-líder do BPP, que pode vir a incorrer no crime de descaminho e desobediência por não conseguir explicar o rasto de oito obras de artes arrestadas pela Justiça.

“Não estou em condições psicológicas para responder a nada sobre este processo”, disse perante a juíza, a chorar.

O outro, coitado, parece que sofre de Alzheimer, esquece-se de tudo, não diz coisa com coisa, não estará por isso em condições de ser julgado, muito menos condenado, pelas enormes falcatruas que durante anos orquestrou no grupo BES.

Esta agora não está “psicologicamente” em condições de explicar ao tribunal o descaminho que foi dado às obras de arte de que era fiel depositária. Um choradinho em tribunal e a juíza, compreensiva, lá mandou a senhora voltar para casa sem prestar declarações. Só faltou pedirem-lhe desculpa pelo incómodo, em nome dos milhões de contribuintes chamados a repor os desfalques e, sei lá, perguntar à senhora se não lhe daria jeito vender mais qualquer um dos bens arrestados. Que com o marido ausente a vida está difícil e a reforma da senhora é capaz de ser daquelas pequeninas…

Recuperam a saúde num instante, quer-me parecer, quando deixarem de os maçar e puderem finalmente usufruir, em paz e sossego, do pecúlio amealhado.

O verdadeiro artista

Deixado à solta de forma a poder dar descaminho à colecção de arte supostamente arrestada e fugir calmamente para um paraíso fiscal e penal, João Rendeiro dá um autêntico baile à justiça portuguesa e goza descaradamente com todos os portugueses.

O antigo banqueiro e “gestor de fortunas”, o protegido de Cavaco Silva e primeiro presidente da EPIS é apenas mais um dos vários gestores ambiciosos e de poucos escrúpulos que tiveram, com a liberalização da banca, a oportunidade de ouro para enriquecerem enquanto a sua ambição ia afundando os bancos que lideravam. A conta ficou, em nome da sacrossanta estabilidade do sistema financeiro que é preciso preservar a todo o custo e a qualquer preço, para o povo pagar.

O Esquecido

Olha se ele se esquece de onde escondeu o dinheiro…