O verdadeiro artista

Deixado à solta de forma a poder dar descaminho à colecção de arte supostamente arrestada e fugir calmamente para um paraíso fiscal e penal, João Rendeiro dá um autêntico baile à justiça portuguesa e goza descaradamente com todos os portugueses.

O antigo banqueiro e “gestor de fortunas”, o protegido de Cavaco Silva e primeiro presidente da EPIS é apenas mais um dos vários gestores ambiciosos e de poucos escrúpulos que tiveram, com a liberalização da banca, a oportunidade de ouro para enriquecerem enquanto a sua ambição ia afundando os bancos que lideravam. A conta ficou, em nome da sacrossanta estabilidade do sistema financeiro que é preciso preservar a todo o custo e a qualquer preço, para o povo pagar.

O Esquecido

Olha se ele se esquece de onde escondeu o dinheiro…

O demente

Imagem daqui.

A alegação de demência costuma ser o último recurso de réus ricos e poderosos quando, no final das suas vidas, são finalmente forçados a responder pelos seus crimes.

Uma hipótese até há pouco impensável, da parte de um homem que, na derrocada do seu império financeiro, se mostrava preocupado em defender, acima de tudo e todos, a sua reputação:

O leopardo quando morre deixa a sua pele. E um homem quando morre deixa a sua reputação.

No entanto, para se safar da cadeia e da presença num julgamento que, para o antigo dono disto tudo, seria sempre humilhante, todos os expedientes são válidos.

E nada disto é novidade. Basta lembrar como uma falsa demência foi usada com sucesso para livrar o ditador Pinochet de responder perante a justiça pelos seus crimes contra a humanidade.

Endoidou de vez?

A idade costuma servir de desculpa para muita coisa, mas não faltam exemplos de filósofos, cientistas sociais ou historiadores mais velhos do que Barreto e perfeitamente lúcidos. O que a idade talvez potencie é alguma falta de filtro que está a revelar, do homem, aquilo que sempre foi. Proporcionando ao jornal que o entrevistou um corrilho de disparates para preencher a primeira página.

Ainda assim, vale a pena prestar um pouco de atenção ao que diz Barreto, pois não são apenas as tolices de um velho caturra: a tentativa de reabilitar a justiça do Estado Novo não tem ponta por onde se pegue, mas tem-se insinuado tanto por via da direita chegana como pelos autoproclamados liberais. Um branqueamento que implica passar uma esponja pelas invasões nocturnas dos domicílios pela PIDE, as prisões políticas sem julgamento, o recurso habitual à tortura, os tribunais plenários onde os réus chegavam a ser espancados na presença dos juízes coniventes com a farsa judicial.

Mas sim, nesse tempo os pobres viviam muitas vezes em casas sobrelotadas, barracas ou onde calhasse e não passaria pela cabeça de nenhum governante preocupar-se com a sua saúde ou condições de vida. Muito menos mandar realojá-los em bungalows desocupados.

Polvo açoriano

A grande coligação das direitas açorianas mostra ao que veio.

Nada ficam a dever aos Césares e demais famílias socialistas…

E assim vão combater os grandes problemas do arquipélago, a corrupção e o RSI dos pobres…

Imagem de origem indeterminada, em circulação nas redes sociais.

Prioridades…

Boneco de autor não identificado, em circulação nas redes sociais.

Sobre o tema Novo Banco já por aqui se escreveu, pelo que me limito a destacar este comentário ao post, que deixa bem claro o que está em causa: não se trata, como nos querem fazer crer, de cumprir um contrato, mas de contemporizar com uma série de operações financeiras fraudulentas destinadas a extorquir dinheiro ao Estado. O Novo Banco é um caso de polícia e é vergonhosa a complacência do governo socialista com a ladroagem de colarinho branco.

Lapidar

“Esse senhor, a quem só posso chamar ladrão…” Assim se referiu a Rui Pinto, em pleno julgamento, José Miguel Júdice, o advogado de ricos e poderosos que se notabilizou a defender alguns dos maiores trafulhas deste desgraçado país.

Lapidar foi a resposta de Rui Pinto no Twitter…

Neoliberalismo calunioso… e corrupto!

Há uma característica especialmente desprezível entre os bernardos da velha direita que agora disfarçam o cheiro a mofo e os preconceitos de classe com as novas roupagens do neoliberalismo. Mas a falta de empatia e o egocentrismo, esses continuam lá, como marca indelével de uma casta que se julga, há demasiado tempo, dona de Portugal.

Vem isto a propósito de um ataque vil mas recorrente que é feito pelos cães de fila direitolas às deputadas do Bloco de Esquerda, as irmãs Mariana e Joana Mortágua, filhas de Camilo Mortágua, um lutador antifascista que esteve envolvido em acções de resistência física à ditadura. As mais conhecidas são o assalto ao paquete Santa Maria e a uma agência do Banco de Portugal.

De acordo com o discurso direitola que se espraia nas redes sociais, as duas deputadas integrariam assim a linhagem de um “ladrão de bancos” e “assassino”, atributos que lhes estariam na massa do sangue que pretensamente as diminuem como pessoas e cidadãs.

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Que isto possa ser dito e pensado por quem se auto-intitula liberal só demonstra duas coisas: o baixo nível desta gentalha e quando o conceito de liberdade e de responsabilidade individual é distorcido e manipulado nos nossos dias. Pois no âmago do pensamento liberal esteve sempre a ideia de que cada ser humano se faz a si mesmo, pelas suas escolhas e realizações ao longo da vida, e não pelos constrangimentos impostos pela família ou o grupo social em que se integra.

No entanto, Deus não dorme, como se dizia antigamente, ou o karma é tramado, como está na moda afirmar nos dias de hoje, e eis que um bernardo provocador é apanhado na teia dos laços familiares comprometedores: o pai foi condenado num processo de corrupção.

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Neste ponto, até a mente mais retorcida consegue subitamente ver as coisas como elas são: é evidente que o Blanco-filho não é responsável pelos eventuais actos ilícitos do Blanco-pai. Ainda que deles até possa ter, indirectamente, beneficiado.

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A grande diferença, e que aqui serve de conclusão à estória, é apenas esta: os bernardos têm vergonha de serem associados a actos condenáveis dos progenitores, mas também não são capazes de se demarcar deles. Repare-se como, na hora do aperto, o pai do bernardo é reduzido à mera condição de “familiar”. Já as manas Mortágua, essas terão certamente orgulho no pai que resistiu à ditadura e arriscou a vida na luta pela liberdade.

25 políticos a soldo de Ricardo Salgado

Não foram apenas os 18 comparsas e as 7 empresas acusados de implicação nos negócios sujos do BES e do GES que estiveram envolvidos com Ricardo Salgado. O trafulha-mor do regime, que faz as vigarices de Alves dos Reis parecerem brincadeiras de criança.

O BES era efectivamente o banco do regime, e o dinheiro que de lá foi sendo retirado para amparar as empresas falidas do grupo GES serviu também para comprar boas vontades, conivências e silêncios em todo o arco da governação.

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Como a imagem comprova, os tachos eram mais do que muitos e as liberalidades de Ricardo Salgado contentaram muita gente. Estará a democracia portuguesa suficientemente madura para levar o homem, finalmente, a tribunal? E isso será daqui a quantos anos?…

Por via das dúvidas, desejo-lhe vida longa, com muita saúde.

Vitalino Canas, um precursor das novíssimas pedagogias

Eu não queria deixar aqui afirmações demasiado tumultuantes, demasiado bombásticas, mas eu andei 40 anos a preparar-me para ser juiz do Tribunal Constitucional

As afirmações de Vitalino Canas causaram polémica, não por serem bombásticas ou tumultuantes, mas pela inverosimilhança: em 1980 o TC não existia. Criado pela revisão constitucional de 1982, só iniciou funções em 1983, três anos depois do jurista Vitalino ter começado a preparação para o cargo a que agora se candidata.

No entanto, uma análise mais atenta pode levar-nos a ver no antigo porta-voz do PS socratino um verdadeiro precursor das novíssimas pedagogias que nos falam das profissões do futuro: as que ninguém sabe quais serão, pois ainda não foram inventadas. Mas para as quais as escolas e os professores deverão preparar os alunos. Um verdadeiro salto no desconhecido, portanto.

Já a repescagem de Vitalino Canas se parece demasiado com o regresso ao passado de má memória que José Sócrates protagonizou, mas que só chegou onde sabemos graças à colaboração e à cumplicidade de muitos vitalinos