Pensamento do dia

Uma escola erigida na base da ditadura do projecto nunca será uma escola verdadeiramente universal, democrática e tolerante.

O pensamento único em matéria educativa, que alguns gurus da Educação nos continuam a propor, tem subjacente, apesar das vestes participativas e igualitárias, um fundo de totalitarismo, intolerância, por vezes mesmo irracionalidade, que se casa muito mal com as sociedades abertas, plurais e democráticas em que queremos continuar a viver.

Talvez por isso estes projectos de uma escola outra, que já se produzem em pequena escala há mais de cem anos, soçobram miseravelmente sempre que se tenta a sua generalização mais alargada.

É certamente mais fácil reinventar o colégio de elite do que a escola pública livre, democrática, universal e emancipadora.

A escola actual segundo Luís Costa

Graças aos delírios neo-eduqueses de João Costa e seus sequazes, a escola pública vai-se parecendo cada vez mais, pelo menos em certos contextos, com uma câmara de horrores. É pelo menos assim que interpreto o boneco que Luís Costa partilhou no Facebook. Talentoso e inspirado na escrita, mas também nas artes gráficas da fotomontagem…

Aula integral – a última loucura

Estarão no seu perfeito juízo as alminhas pensadoras que engendraram este documento?

Muito se poderia dizer sobre este “Plano de Melhoria”, mas a verdade é que não vale a pena o esforço: basta notar que os propósitos enunciados em metade do documento contrariam os princípios invocados na outra metade. Mas para perceberem isso os seus autores teriam de exercitar os neurónios, em vez de despejarem os chavões do agrado dos comissários políticos que pastoreiam as escolas.

Gostaria de poder identificar a escola onde esta coisa foi produzida, mas os colegas que a vão partilhando nas redes sociais mantêm a origem em prudente anonimato. O que poderá ser, ainda assim, um sinal de esperança: a falta de assinatura pode significar que quem escreve estas coisas tem vergonha do que anda a fazer…

Disse-me um passarinho…

Disse-me um passarinho que – nem tudo podem ser más notícias! – o projecto MAIA iniciou já o lento mas irreversível declínio que levará ao seu falecimento. Dito por outras palavras, serão mais as escolas a abandonar o projecto do que as novas adesões. Será?… Espero bem que sim!

Em boa verdade, quem experimenta, rapidamente se exaspera com o aumento exponencial da burocracia eduquesa inerente à avaliação maiata, com a complexidade de processos, uns inúteis, outros inexequíveis, que aumentam a carga de trabalhos dos professores sem qualquer ganho para os alunos e roubando o precioso tempo que deveria ser dedicado à preparação das aulas, ao efectivo acompanhamento dos alunos e, não menos importante do que tudo isto, ao descanso e à preservação da saúde mental de quem ainda não desistiu de ser professor.

Fazer avaliação contínua, diversificar instrumentos de avaliação, valorizar a oralidade e o trabalho na sala de aula, ter em conta os diversos domínios da aprendizagem que se faz na especificidade de cada disciplina: isto foi o que todos aprendemos quando nos profissionalizámos como docentes e é o que se faz em todas as escolas, sem necessidade da abelha MAIA. Com as conhecidas limitações impostas pelo tamanho das turmas, a carga horária das disciplinas e o número de turmas e alunos atribuídos a cada professor. Aqui sim, onde seria importante mexer, claro que não se mexe…

Pelo meio, há já quem tente salvar a face do mentor desta treta descomunal, entretanto promovido a presidente do CNE, recorrendo ao conhecido argumento de que não era nada disto que o prof. Fernandes pretendia, que quem implementou o projecto é que andou a complicar. Discordo, e a minha atribuição de culpas e responsabilidades é geral e democrática: acuso os pedagogos que continuam a teorizar no vazio e a papaguear a fraca ciência que aprenderam há três ou quatro décadas, sem perceber que a escola e a sociedade evoluíram, nem tentar compreender as condições reais em que hoje se trabalha nas escolas; os decisores ministeriais que continuam a desprezar os professores e a fazer tábua rasa da sua experiência e cultura profissional, os directores que continuam a preocupar-se mais em ficar bem vistos pela tutela do que em proporcionar as melhores condições de ensino e aprendizagem aos professores e alunos das suas escolas e os professores que acolhem de braços abertos – e impõem aos colegas – toda e qualquer moda educativa, por mais inútil e insensata que demonstre ser – e no caso do MAIA isso topa-se à légua!…

Escola à João Costa

Eis o prato do dia servido diariamente numa escola pública perto de si. Menu aclamado internacionalmente, ainda que indigesto para estômagos mais sensíveis.

Transcrevo, com a devida vénia, a receita que tem vindo a ser aplicada com sucesso, desde o tempo de Brandão Rodrigues à frente do tasco educativo, mas já com João Costa como incontestado chef dos cozinhados curriculares.

Ingredientes:

1 bengala;

1000 litros de mel (abelha MAIA);

500 gramas de Aprendizagens Essenciais;

30 dúzias de 54;

Uma pitada de professores (opcional);

1 mesa digitalizadora;

Coronas a gosto;

E@D e PADDE qb.

Preparação:

1) Parta as 30 dúzias de 54 e separe as Medidas Universais das Seletivas. De seguida, bata as Universais em castelo de modo a ficarem bem firmes. Reserve as Seletivas numa taça e leve ao frigorífico.

2) Numa sala de aula, adicione um professor a seu gosto, 50 gramas de Aprendizagens Essenciais, meia tonelada de domínios e 100 kg de mel abelha MAIA. Misture tudo muito bem e polvilhe com E@D e PADDE a gosto.

3) Repita o passo anterior por todas as salas de aula da escola até se esgotarem os ingredientes. Se faltar algum professor, não desespere, o resultado final será o mesmo.

4) Depois de preenchidas todas as salas de aula, despeje tudo na escola e misture muito bem. Poderá usar um “fouet” ou, se quiser um resultado mais rápido, uma batedeira elétrica.Quando estiver tudo muito bem misturado, junte as Universais em castelo e mexa bem até ficar cremoso.

5) Coloque a mistura nos licenciados não-educação e leve ao Ministério da Educação, a 220 graus, durante um ano.

6) Retire do Ministério da Educação os licenciados com a Escola à João Costa já cozida e coloque em cima da mesa digitalizadora. Decore com Coronas a gosto.

7) Por fim, dê três traulitadas com a bengala em cima da iguaria e faça de conta que nunca a viu.

Bon apetit! 👌👨‍🍳

© Ó Pressôre

Pensamento do dia

Alguém observou, há muitos anos, que a Teologia foi inventada para que os religiosos que deixam de ter Fé pudessem continuar ligados à Igreja. Já não como crentes, mas como uma espécie de cientistas da religião.

Também no mundo dos eduqueses é bem acolhido, como “cientista”, o professor que se fartou de dar aulas, não gosta de alunos nem do ambiente escolar, mas não quer ir tratar de vida para outro lado.

A escola madrasta ou o carrasco da escola?

O meu neto João é um gajo porreiro. Simpático e tudo. Verdade que não foi um estudante brilhante, mas para mim, que até sei umas coisitas de educação e vivo nessa praia há largas décadas, o que aconteceu foi que a escola nunca conseguiu descobrir aquilo em que o João é mesmo bom. Este é um dos maiores buracos da escola, mesmo aqui em Portugal, onde somos os melhores do mundo em quase tudo, dizem eles, a verdade é que a nossa escola, dá, dá, dá matéria para os entreter, mas quando é preciso um diagnóstico assim mais especializado, de olho vivo, com psicólogos, sociólogos, orientadores profissionais, gente que saiba ver: “este gajo tem pinta para isto ou para aquilo”, aí o que temos, é o deserto. A escola sabe bué de matemática, de português e tudo por aí fora, mas quando se trata de descobrir se são génios da música, ou talentos da informática, ou do desporto, portas que por vezes se abrem e entusiasmam para cumprir sonhos, aí a escola, nicles. Uma desilusão.

José Afonso Baptista, um ex-professor que desistiu de o ser, escreve sobre a escola de desiste dos seus alunos ou que, simplesmente, não revela ter o dom da adivinhação.

Recordo-me do doutor Baptista quando era comissário político, perdão, director regional nomeado por um governo socialista aqui na zona do país onde vivo e trabalho. E não dei por grandes coisas que tenha feito em prol da melhoria da escola pública. Pelo contrário: de vento em popa iam na altura os contratos de associação com os colégios privados. Mas o não fazer não impede de exigir aos outros: é sempre mais fácil criticar a escola, um mundo imperfeito e heterogéneo povoado por humanos também eles imperfeitos, do que dar o contributo, no terreno, para a melhoria e a mudança. O escriba que venho comentando achou mais proveitosa a primeira via, e sobre isso estamos conversados. Resta saber se a crítica que faz à escola do neto tem algum sentido.

A meu ver, não tem. O drama em três actos que Afonso Baptista desenrola no seu Facebook – e que os não frequentadores desta rede social poderão encontrar aqui – é afinal uma historieta banal de um rapaz com pouca queda para os estudos e resultados académicos modestos, como há milhares deles nas nossas escolas. A diferença é que este proviria de uma família com expectativas elevadas em relação às modestas aptidões do rapaz para o Português ou a Matemática. Remetido para um curso profissional de Cozinha, o jovem acabou por descobrir aí o seu gosto e vocação: estagiou e começou a trabalhar no sector, emigrou para Inglaterra e é hoje um promissor chef no restaurante de um hotel londrino.

Ora bem: onde é que se infere, nesta história contada pelo avô embevecido, que a escola falhou? Se até foi a escola que despertou neste rapaz um talento para a culinária que a família, aparentemente, não foi capaz de descobrir… Neste ponto, poderíamos facilmente inverter a lógica acrimoniosa contra a escola e questionar: o menino não entrava na cozinha lá em casa? Não lhe deram oportunidade de, através das tarefas domésticas, descobrir o potencial talento que transportava dentro de si?…

Nas entrelinhas da pequena história, julgo entrever algo que os “especialistas em Educação” muitas vezes identificam nos professores, mas que mais facilmente lhes toca a eles: o preconceito contra o ensino profissional. Aqui, o ressentimento contra a escola não advém de esta, apesar de tudo, ter conseguido encaminhar o seu aluno problemático para uma via de sucesso: embora reconheça que o neto é bem sucedido e feliz naquilo que faz, o avô parece incomodado por a escola não ter descoberto no seu neto, sabe-se lá por que artes de perlimpimpim, um outro talento oculto; na música, nas artes, no desporto, noutra coisa que não passasse, sei lá, por uma vida profissional entre tachos e panelas…

A verdade é que não compete à escola fazer escolhas em nome dos alunos. O nosso trabalho é ajudar cada um a descobrir, na imensa variedade dos conhecimentos e das realizações humanas, aquilo de que gostam, o que conseguem fazer, onde querem chegar, o que os pode realizar pessoal, social e profissionalmente. Ora isto passa por ensinar um pouco de tudo, e por isso o ensino é generalista até ao 9.º ano. Com uma forte componente académica, porque são as disciplinas ditas “de estudo” que fornecem os conhecimentos estruturantes para o desenvolvimento cognitivo e para progredir em todas as áreas, quaisquer que venham a ser as escolhas futuras.

Podemos obviamente discutir o peso relativo que deveriam ter as artes, a música, as expressões, as tecnologias em sentido lato, que não se limitam ou devem confundir com o uso instrumental das TIC. Tudo isto merece discussão séria; o que já é menos sério é presumir que uma especialização precoce nos percursos escolares serve os melhores interesses dos nossos alunos. Não é por um miúdo de 10 ou 12 anos só gostar de jogar à bola, ou de tocar viola ou de resolver equações, que a descoberta desse “talento” signifique que não precise de aprender mais nada do resto. Pelo contrário: devem redobrar-se esforços para que aprenda e se interesse por outras áreas que serão igualmente importantes para a sua formação pessoal e social. Mas isto é o b-a-bá da teoria da Educação, algo que Batista, ao fim de tantos cargos, cursos, doutoramentos, consultorias, bibliografias, parece ter desaprendido.

Diga um!

Digam-me um nome, ou mostrem-me um pedagogo do regime que consiga, perante objecções ou críticas fundamentadas, argumentar, com elevação e respeito, em defesa das suas ideias.

Um pedagogo fofinho que não trate com acinte e desprezo os professores que discordem suas ideias.

Um doutor da inclusão a quem não fuja o pé para a chinela se um reles professor ousa duvidar da sua sabedoria.

Um evangelizador do “aprender a aprender” que não reaja com arrogância e desdém quando lhe toca a ele aprender alguma coisa com os professores no terreno.

Um teórico da flexibilidade e dos malabarismos curriculares que não acabe a defender a rigidez de conceitos e o formalismo das práticas quando se chega àquela parte da avaliação maiata.

Um filósofo ubuntu da tolerância que não descarregue toda a sua profunda intolerância perante o céptico que ainda não viu a sua Luz.

Mostrem-me um homem ou mulher sério que com seriedade defenda o evangelho educativo deste governo. Que até acredito que os haja, mas até agora só os tenho visto desonestos, arrogantes e pantomineiros.

Por isso, faço minhas as palavras e a perplexidade do Paulo Guinote, que conhecendo alguma desta gente bem melhor do que eu, já os vai topando à légua…

Ou seja, os defensores da colaboração, compaixão, entreajuda, tolerância e comunhão são os primeiros, à primeira crítica, a agir de uma forma mais intolerante e divisiva do que alguém que, como eu, assume as críticas e não foge a debater o papel destas “filosofias” no nosso sistema de ensino. É esta a “cidadania” e “inclusão” que se praticam com o beneplácito de um ministro em aparente crise existencial?

Pensamento do dia

Se querem debate, ou um simulacro dele, sobre as pedagogias do século XXI, mas nem a experiência nem as opiniões dos professores no terreno lhes interessam, uma sugestão:

Coloquem os especialistas do PASEO e do currículo sem fronteiras, holístico, transversal e transdisciplinar, a discutir com os especialistas maiatos em avaliação, adeptos da normatividade, dos compartimentos estanques, das datadas dicotomias formativo/sumativo, avaliar/classificar.

Contradição insuperável? Talvez não. Havendo dinheiro fresco para desenvolver os projectos de uns e de outros, é certo que acabam por se entender.

Que se lixe a coerência e, pelo caminho, o mexilhão que, pelas escolas, acaba a levar com tudo em cima.

A abelha MAIA ataca de novo

Nos dias 4 e 5 de junho, foi publicado no Observador, no Blog deAr Lindo e no site da Rádio Boa Nova (Oliveira do Hospital) um texto meu com apreciações críticas e interrogações sobre o projeto educativo MAIA. Pelas reações que recebi, nos dias seguintes à edição do texto, confirmei que muitíssimos colegas e outros cidadãos não docentes subscrevem as mesmas preocupações e dúvidas. A este propósito, leiam o artigo sério e clarividente de Paulo Guinote intitulado «Uma educação distópica», publicado no último número do Jornal de Letras (15-06-2022). Percebi também que o meu texto foi rececionado de forma virulenta pelos mentores do MAIA e por alguns dos seus discípulos, os quais preferiram injuriar aqueles que pensam como o autor, em vez de responderem às suas questões e contraditarem os seus argumentos. Nos sacrossantos grupúsculos do poder, os que questionam os enredos labirínticos destas pedagogias são acoimados de mentirosos, ignorantes e retrógrados. (Se vivêssemos no Estado Novo de Salazar ou Caetano, acusá-los-iam de «subversivos», «comunistas», perigosos «antissituacionistas» e haveriam de os sanear, prender ou degredar).

Os «cientistas» da educação instigadores do MAIA inculcaram nas suas mentes eruditas o dogma de que somente as suas teses educativas habilitam os alunos a pensarem e a desenvolverem o espírito crítico e que essas teorias têm a mesmíssima unanimidade e fiabilidade das leis produzidas pelas ciências exatas.

(Por exemplo, rejeitam que as suas práticas pedagógicas ampliem a burocratização da escola para níveis insuportáveis, corram sérios riscos de desvalorizarem o conhecimento científico estruturado e ousem transformar alunos e professores em «vendedores de banha da cobra», capazes de obrarem discursos persuasivos mas vazios e espúrios. E, num outro registo, não se pronunciam sobre as provas de aferição ou os exames nacionais dos últimos anos, cujas questões se tornaram demasiado básicas e, afinal, estão longe de apelar ao conhecimento e espírito crítico dos alunos, bem como à sua capacidade para produzirem textos bem escritos, fundamentados e estruturados).

Partindo desta premissa, concluíram que as teorias de avaliação / classificação que estão a impor, de modo estandardizado, aos professores de todos os cursos e níveis de ensino básico e secundário da escola de massas são tão absolutas e credíveis como as teses sobre a esfericidade da Terra.

É um estranho paradoxo, mas lá bem no fundo faz sentido: os pedagogos que se mostram mais “amigos” dos alunos e zelosos do seu superior interesse são também os maiores carrascos de quem, afinal de contas, trabalha para que os alunos aprendam – os seus professores. Quanto mais críticos da escola que temos, da escola tradicional, mais dogmáticos na defesa do seu modelo, da sua ideia, da sua tese.

O conhecimento de qualquer ciência, mesmo das mais solidamente ancoradas nas matemáticas e no raciocínio lógico, é por natureza provisório e relativo: todas as teorias são constantemente postas à prova; a descoberta de novos factos ou a realização de novas experiências podem obrigar a reescrever ou a relativizar o que antes se pensava inquestionável. É assim em todas as ciências, tanto as naturais e experimentais como as sociais e humanas.

Em todas? Bem, também aqui há uma irredutível aldeia gaulesa: no clube das ciências da Educação faz-se carreira a repetir as mesmas ideias do princípio ao fim… da carreira. E a atacar, muitas vezes de forma acintosa e arrogante, aqueles que, porque conhecem a realidade e sabem que a teoria do mestre é uma treta que não funciona e só complica, ousam questionar ou objectar. Vejo por aí bonzos que hão-de levar para a cova umas teorias que aprenderam em Boston e de que, quarenta anos depois, ainda se não conseguiram libertar. Não me incomodariam, se a doutrina fosse para consumo próprio. Mas não: é para obrigar os outros a fazer. Que, na sacrossanta universidade, o MAIA não entra.

Ficam ofendidos quando alguém chama “ciências ocultas” ou algo ainda pior à salganhada de mitos e preconceitos que tentam fazer passar por ciência. Mas a verdade é que nenhum cientista laboratorial é levado a sério se não testar experimentalmente as suas teorias. Nenhum historiador investiga sem aceder aos documentos históricos que fundamentam o seu saber. O arqueólogo, o biólogo, o geólogo, fazem o seu trabalho de campo. E o pedagogo do regime, além de ser habilidoso com as palavras, que mais sabe fazer? Que mais faz para nos convencer pela razão, em vez de, escorado no aparelho ministerial, nos forçar pela obrigação?

O que sobra a estes teóricos em auto-suficiência e arrogância falta-lhes em conhecimento da realidade. Apesar de ser arvorarem em maiores defensores e amigos das crianças, evitaram sempre o ambiente das escolas básicas e secundárias, ou fugiram de lá assim que puderam. Não vão às escolas, mas também não confiam em quem lá está. Resta-lhes a aceitação que sempre tiveram nos gabinetes ministeriais, o eterno argumento da autoridade e também, há que dizê-lo, a subserviência de demasiados professores e directores escolares.

Pela minha parte, quero aqui deixar bem expressa a minha repulsa por estas mediocridades eduquesas, tão incapazes de convencer como de conviver com a crítica, bem como e o meu apoio solidário ao colega Luís Filipe Torgal, cuja análise, tão sensata quanto lapidar, subscrevo inteiramente.