Portugal, a nova Finlândia

Finland-Portugal.jpgUma nova Finlândia, a estrela emergente nos relatórios PISA. É desta forma entusiástica que o El País caracteriza a Educação portuguesa. O pretexto foi a entrevista que Tiago Brandão Rodrigues concedeu a este jornal.

Quanto à peça jornalística, o interesse não reside tanto nas declarações do ministro – essencialmente generalidades, na linha do que vai também dizendo por cá – mas sobretudo no olhar que, do país vizinho, se projecta sobre o nosso sistema educativo.

Ao contrário de que sucedeu entre nós, em Espanha o ensino privado com financiamento público tem ganho força nos últimos anos, sobretudo nas regiões mais ricas, como a Catalunha ou a Comunidade de Madrid, acentuando a desigualdade e as assimetrias no acesso à educação e nos resultados escolares. Olham por isso com alguma admiração para a capacidade que o governo português teve de enfrentar com sucesso o poderoso lobby dos colégios privados.

Quanto aos resultados dos testes PISA, enquanto Espanha tem conhecido uma estagnação, em Portugal tem-se registado, ao longo dos anos uma subida consistente. Embora se refiram a 2015, os últimos resultados disponíveis destes testes situam o nosso país acima da Espanha. Mas claro que não faz sentido atribuir as melhorias ao actual governo, que ainda não estava sequer em funções quando os alunos foram avaliados.

Outras realidades da educação portuguesa que o El País assinala:

O país destaca-se também na autonomia das escolas, na inovação pedagógica, na gratuitidade dos manuais escolares e na intensa formação de professores. Mas, desde o Verão, os docentes protestam para que se lhes reconheça a antiguidade laboral que lhes foi congelada com a crise.

Dando de barato a “inovação pedagógica” – um mero requentar de teorias educativas dos anos 90 – e a “formação”, escassa e de qualidade no mínimo duvidosa, há outros progressos assinaláveis que mostram como, partindo de uma realidade mais desfavorável, Portugal conseguiu suplantar, a vários níveis, o país vizinho. É o caso, por exemplo, do abandono escolar precoce (12,6% contra 17,9%), da escolaridade obrigatória (12 anos versus 10) ou da formação inicial dos professores e educadores – em Portugal, todos os cursos de formação de docentes têm o grau de mestrado, algo que ainda não sucede em Espanha. E com 97,5% dos alunos com necessidades especiais integrados em escolas regulares, Portugal lidera também na educação inclusiva.

A notícia não o refere, mas há outra diferença importante entre os dois sistemas educativos, e ela refere-se aos professores. Lá como cá, abundam as queixas em relação ao excesso de trabalho, à falta de apoio e de reconhecimento da tutela, às turmas grandes e ao rumo errático que tantas vezes leva a Educação. Mas parece haver, entre os colegas espanhóis, um debate de ideias talvez mais rico, uma contestação das políticas vigentes assente num pensamento crítico e reflexivo sobre a profissão. Por cá, critica-se muito, mas quando chega a altura de fazer o que nos mandam, não faltam aqueles que, na ânsia de ficar bem vistos, fazem ainda mais do que lhes pedem. Mesmo quando não acreditam verdadeiramente no trabalho que estão a realizar.

E é isso que permite ao nosso ministro cantar de galo, vangloriando-se perante a jornalista espanhola do êxito das suas reformas:

Não é preciso ser impositivo, as escolas vêem que se confia nelas e responderam muito bem.

A nova amiga dos professores

benavente.JPGPara a ex-secretária de Estado da Educação de Guterres, o braço-de-ferro com os professores foi uma ‘birra’ do Governo e tão cedo os docentes não votarão no PS. Sobre o atual ministro da Educação, Ana Benavente diz não ter dúvidas de que está no cargo apenas para «fazer o que o mandam fazer», não lhe reconhecendo «nenhuma competência».

Quem diria? Em dia de manifestação nacional de professores, Ana Benavente sai em defesa dos professores. Em entrevista ao Sol, a antiga secretária de Estado de Marçal Grilo assume um posicionamento crítico em relação ao actual governo socialista. Desde logo, no reconhecimento de que o ministro da Educação anda a apanhar bonés: sem experiência nem conhecimento do sector, sem iniciativa nem liderança, limita-se a fazer o que lhe mandam. Ainda bem que, na área do PS, alguém admite o que os professores dizem há muito.

Quanto ao resto da entrevista, e mesmo concordando, é impossível não esboçar pelo menos um sorriso quando se vê uma das principais promotoras do eduquês a verberar o excesso de burocracia nas escolas portuguesas…

É uma classe que tem uma brutal carga burocrática em cima. É inacreditável, ninguém imagina a parafernália de documentos que é preciso articular, desde o perfil, os objetivos, as competências essenciais, as reuniões que têm que fazer. A vida dos professores é uma vida de exaustão, é uma classe muito envelhecida.

Já quando critica os mega-agrupamentos, Ana Benavente toma uma posição muito comum em socialistas da velha guarda e até mesmo em antigos serventuários políticos do PS, hoje navegando por outras águas: as nossas políticas eram boas e necessárias, tínhamos motivações exclusivamente pedagógicas e nada economicistas. Quem veio depois de nós é que estragou tudo…

Os agrupamentos surgiram por razões pedagógicas, para articular os ciclos da escolaridade obrigatória. Isso funcionou em alguns territórios e foi uma experiência muito positiva. Mas os mega-agrupamentos são uma coisa tremenda. As escolas perderam a sua identidade, perderam o seu ritmo e não foram acompanhados pelo aumento do número de funcionários. Se está aberta a cantina está fechada a reprografia, a biblioteca fecha para abrir o bar. E isto são situações de um país subdesenvolvido.

Pensas que estás na tua barraca?

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Uma admoestação infeliz da professora à filha da colunista, que estaria mal sentada na sala de aula, serviu de pretexto à crónica no DN. A rapariga de 12 anos comentou em casa. E perguntou à mãe se achava bem que a professora fizesse uma pergunta destas.

Não, não acho. Não valorizei. Não falei com a professora. Não falei sequer com o diretor de turma. Mas não acho. E expliquei porquê à minha filha. Naquela pergunta que a professora lhe fez, e que não a afetou porque ela não vive numa barraca, está toda a injustiça social, a falta de pedagogia e a falta de empatia que tantas vezes persiste nas salas de aula portuguesas.

Na cabeça de quem fez aquela pergunta, que, calha, é professora, uma criança que vive numa barraca porta-se naturalmente mal, tem maus resultados, não tem emenda, talvez não tenha mesmo lugar ali, naquela escola, que, calha, é uma escola pública.

Até aqui, estaremos de acordo: admitindo que tudo se passou como é descrito, terá sido excessiva a linguagem da professora. Embora também se saiba como algumas turmas difíceis testam os professores até ao limite, e como por vezes é difícil corrigir atitudes e comportamentos, reagindo sempre no momento certo, no tom adequado e da forma mais eficaz, sem dizer uma só palavra ou expressão além do que é necessário ou apropriado.

Mas houve outra passagem desta crónica que também me chamou a atenção.

Uma das questões com que me debato e que me deixa os nervos em franja é porque é que a escola pública, que deveria ser o principal instrumento de justiça social e de criação de igualdade de oportunidades, continue a não conseguir, quase 45 anos depois do 25 de Abril, garantir um ensino igual para todos.

Confesso que fiquei um pouco perplexo com esta defesa do ensino igual para todos, uma ideia que defendo convictamente e que sempre associei aos ideais de liberdade, igualdade, democracia e justiça social que se impuseram no nosso país com a Revolução de Abril. É que o actual governo tem apostado exactamente no oposto: numa escola feita à medida de cada aluno, onde o ensino deve ser ministrado de forma diferenciada, tendo em conta a diversidade, não só de públicos escolares, mas de alunos dentro da sala de aula. Aquilo a que o ministro, num dos seus raros momentos de inspiração, chamou uma vez a escola-alfaiate, onde o ensino é como um fato talhado à medida de cada aluno.

Olho assim o desabafo desta mãe com algum optimismo: afinal não sou só eu, e mais uns quantos professores passadistas da velha guarda, a considerar que um ensino “igual para todos” é o melhor garante da igualdade de oportunidades. O aluno pobre tem de ser tratado com dignidade e respeito. Mas a pobreza por si só não justifica que lhe seja exigido menos do que a outro, mais afortunado economicamente. O ensino à medida de cada um acaba demasiadas vezes com o pobre “a aprender um ofício” e o rico a preparar a entrada na universidade, perpetuando a desigualdade social ao longo de sucessivas gerações.

Para que serve a escola?

escolinhaQual é o objectivo fundamental da escola?

Proporcionar aos seus alunos um espaço adequado onde, em conjunto com os seus pares, realizem aprendizagens relevantes e ajustadas ao seu nível etário e ao seu grau de desenvolvimento físico, intelectual e emocional?

E como verificar se essas aprendizagens foram de facto realizadas, senão através de uma avaliação objectiva dos conhecimentos e competências dos alunos, feita de forma contínua e sistemática?

Ou, pelo contrário, nada disto é importante, e consideramos que tudo vai bem se os alunos estiverem felizes e “incluídos” na sua escola, se as flexibilidades e os DACs ajudarem a amenizar o incómodo de estudar e aprender, se as avaliações “formativas” e feitas à medida permitirem escamotear o insucesso?

Para Eduardo Lemos, Director da Escola Secundária Eça de Queirós e Presidente do Conselho das Escolas, a actual política parece ser a receita para o desastre: está-se a substituir estratégias e objectivos claros, focados numa melhoria das aprendizagens aferida através da evolução dos resultados, por uma manta de retalhos feita de novos e vagos “paradigmas”, “inclusões” e “flexibilidades”, sem que ninguém perceba muito bem o que se pretende e o que anda a fazer.

Independentemente do reconhecimento da necessidade da mudança e do benefício da dúvida que se queira conceder às políticas deste ministério, julgo que é impossível, a qualquer professor atento ao que se vai passando nas escolas, não comungar da perplexidade e da apreensão que se percebem nas palavras do “director dos directores”…

Atualmente, vemos que os resultados escolares não constam da agenda educativa, nem da agenda mediática, tendo desaparecido completamente do discurso político, como se queimassem a boca de quem se atravesse a verbalizá-los.

Os desafios que se lançam hoje às Escolas e que se tornarão, inclusive, objeto central da avaliação externa, são a “flexibilidade curricular”, a “inclusão”, as “aprendizagens essenciais” (ainda há bem pouco tempo, “significativas”), a “avaliação formativa”, “os projetos”… Enfim, as Escolas são confrontadas hoje com objetivos de natureza diferente daqueles que perseguiram durante anos. E a tendência será para se alinharem por estes novos objetivos, de caráter holístico, é certo, mas de discutível escrutínio e tangibilidade.

O processo de ajustamento a este “novo paradigma” educativo refletir-se-á, do meu ponto de vista, negativamente no quotidiano escolar pois, não apenas obrigará as Escolas a alterar, uma vez mais, os projetos educativos, os regulamentos internos, os critérios de avaliação e dezenas de procedimentos, em extenuantes trabalhos de Sísifo, como também afetará a perceção e o discernimento dos professores na distinção entre o que é essencial e acessório no seu trabalho.

Temo que os professores, mesmo aqueles que foram seduzidos por estes novos desafios teóricos que se lançam às Escolas e à profissão, não demorarão muito a perceber que perderam a bússola em mar alto. Perceberão, também, que o que lhes falta em meios e recursos para materializar os novos projetos e metodologias sobeja em formulários, reuniões e burocracia. Perceberão, ainda, que a substituição de objetivos claros e mensuráveis por objetivos intangíveis e demasiado flexíveis é o primeiro passo para se desviarem do caminho que leva os alunos ao sucesso escolar.

Em resultado de tudo isto, temo que os alunos – afinal, aqueles para quem trabalhamos – nem terão mais facilitado o acesso ao sucesso no Ensino Superior, nem o acesso e sucesso no mercado de trabalho.

A guerra contra os professores

trump-jrEm Portugal, a discussão pública dos temas educativos não tem tido muitas variações. Para além dos problemas profissionais dos professores, entre os quais avulta o não reconhecimento do tempo de serviço, discutem-se as principais reformas introduzidas pelo Governo – a flexibilidade, a autonomia,  a inclusão – temas que seguem de perto a agenda educativa da OCDE, principal fonte inspiradora da política educativa de um governo que, como outros antes dele, opta por ignorar as opiniões e os contributos dos verdadeiros especialistas em Educação: os professores.

Contudo, a nível internacional, os tempos também não correm de feição para a escola pública e os professores. A ascensão ao poder de governantes de direita e extrema-direita, alguns dos quais assumindo uma postura verdadeiramente proto-fascista, está a dar forma a um movimento internacional contra os professores “marxistas” que supostamente usam a sala de aula para doutrinar os seus alunos. Já vimos isto no Brasil, com o movimento “Escola sem Partido”. Mas também na Alemanha a extrema-direita apela à denúncia de professores “esquerdistas”. Mais recentemente, foi o próprio filho do presidente dos EUA a chamar “losers” aos professores que pretenderiam doutrinar as crianças, desde pequeninas, nas ideias socialistas.

Noutros lados, mesmo em países económica e socialmente desenvolvidos, são matérias que não deveriam suscitar polémica, como a teoria da evolução, as alterações climáticas ou a educação sexual que se encontram debaixo do fogo de políticos reaccionários e conservadores. Em última análise, despedir professores continua a ser uma solução popular nalgumas partes do mundo: poupam despesa e vêem-se livres de indesejáveis que têm o mau hábito de pensar pela sua cabeça. E de incentivar os seus alunos a fazê-lo também…

Por cá, a governação geringôncica não segue este rumo, mas há pelo menos um ponto da agenda da direita política que vão adoptando: a desvalorização do ensino da História, em favor de um cardápio de cidadanias, orientado em função das prioridades dos governos, das fundações e das multinacionais. Se tiverem sucesso, será meio caminho andado para privar as novas gerações de referências essenciais à compreensão do mundo em que vivemos. Esta e outras reflexões faziam-se, há dias, num interessante texto publicado na Folha de S. Paulo que não resisto a partilhar.

As salas de aula incomodam qualquer governo preocupado em manter um pensamento homogêneo. Professores são sempre perseguidos em regimes que não admitem dissenso. Sei que o estudo de história anda meio fora de moda, já que muitas pessoas não querem ser incomodadas com fatos de verdade (infelizmente, há uma certa tendência em produzir passados alternativos em profusão). O ponto é que o estudo sistemático do passado clareia o pensamento. Mostra semelhanças e rupturas.

Uma das maiores novidades do nosso tempo é a infantilização da crítica aos professores e o desprezo completo pelo rigor conceitual. Meninos crescidos, como Donald Trump Jr, usam marxista como ataque tal qual crianças do ensino fundamental se ofendem na base do “bobo” ou “cara de melão”. Rebaixam a discussão sem nenhuma responsabilidade com as próprias palavras. Usam socialismo para descrever qualquer ideia das quais discordem. Eles claramente não sabem do que estão falando —e talvez justamente por isso falem com tanta convicção. Transformam a discussão pública numa grande sessão de zoeira ou trolagem. É preciso cultivar uma ignorância convicta para fazer isso sem sentir vergonha.

[…]

O mundo dos moleques, infelizmente, transforma o debate público sobre educação no pesadelo dos melhores professores. Todo mundo grita e ninguém aprende. Enquanto isso, as questões reais vão para o fim da fila. E ainda se perguntam por que os melhores alunos, mesmo os vocacionados para a docência, estão fugindo da pedagogia…

Mudanças na avaliação externa das escolas

prof-observado.pngA observação de aulas por parte de elementos exteriores à escola será uma das novidades principais no novo ciclo de avaliação externa dos estabelecimentos escolares, que se vai iniciar no final de Abril, informou o Ministério da Educação (ME) nesta terça-feira.

Numa nota enviada à comunicação social, o ME salienta que “o processo de ensino/aprendizagem constitui o cerne da actividade da escola” e por isso “foi integrada na metodologia a observação da prática educativa e lectiva”. Isto quer dizer, segundo esclareceu o ministério ao PÚBLICO, que passará a existir observação das aulas dadas por professores e que esta será feita pelos avaliadores designados pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), que é o organismo responsável pela avaliação externa das escolas.

As equipas de avaliação integrarão dois inspectores da IGEC e dois “peritos externos”, que serão seleccionados por instituições do ensino superior. Na descrição sobre a metodologia a seguir no novo ciclo, que já se encontra disponível na página da IGEC, refere-se que a observação incidirá, “preferencialmente, na interacção pedagógica, nas competências trabalhadas e na inclusão de todos os alunos”.

Incluir a observação de aulas nos procedimentos da avaliação externa das escolas e agrupamentos está longe de ser uma novidade. Já se fazia, pontualmente, no ciclo avaliativo anterior e estava previsto que passasse a ser obrigatória nas novas avaliações. Mas a imprensa dá naturalmente destaque àquilo que parece ser, desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, um fetiche dos governos socialistas na área da Educação: a curiosidade que têm  em espreitar as salas de aula… Em regra, desconfiam do trabalho dos professores. E querem ver o que esses malandros andam a fazer com as nossas criancinhas…

Contudo, as verdadeiras mudanças no modelo avaliativo são outras. Desde logo, a tentativa de instrumentalizar a avaliação externa, colocando-a ao serviço do programa ideológico da “educação inclusiva”. Na verdade, tendo em conta que o regime dito de inclusão começou a ser aplicado apenas neste ano lectivo e os seus resultados no terreno ainda não foram objecto de qualquer avaliação formal, faria sentido que os inspectores olhassem de forma isenta a integração e as aprendizagens dos alunos com necessidades especiais. É errado considerar que o modelo que este ano foi imposto às escolas é a perfeição à face da terra e que quem não o seguir à risca deve ser penalizado. Até porque há já indícios claros de que nem tudo está a correr bem. Só por dogmatismo ou cegueira ideológica se pode partir do princípio de que os alunos, só por estarem “incluídos”, estão a aprender. Quem lida com estes alunos sabe que, em certos casos, aprendem mais e melhor se estiverem num ambiente menos inclusivo mas mais adaptado aos seus interesses e necessidades. Como se costuma dizer, e aqui aplica-se com inteira propriedade, cada aluno é um caso. Mas para os iluminados do ME e das suas adjacências, há uma receita inclusiva universal que deve servir a todos.

Outra novidade é o aumento, de um para dois, do número de “peritos externos” a incluir nas equipas de avaliação. A indicação destes peritos competirá aos departamentos de Educação das universidades e politécnicos que, tendo em conta a escassez de trabalho nestes tempos em que poucos querem estudar para ser professores, não deixarão de continuar a recorrer à prata da casa. Agora se a maior parte desses “especialistas” percebe alguma coisa do assunto, ou se interessa o suficiente para entender a realidade das escolas do ensino “inferior”, aí já tenho as minhas sérias e fundadas dúvidas. Uma coisa parece certa: para a maioria deles, o mundo das escolas públicas, básicas e secundárias, não parece suficientemente bom para ser frequentado pelos próprios filhos. Como sugere uma passagem de um outro texto, da mesma edição do Público que venho a citar…

Na sexta-feira passada foi dia de greve na função pública. Tal como previsto pela miúda, não houve aulas, pelo que tive de a levar comigo para a universidade. Entre os meus colegas, fui o único com esse problema. Todos os outros têm os miúdos em colégios privados, pelo que nem tinham pensado no assunto. 

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Realidade virtual

Alguma vez teria de ser. Num sector como a Educação, dominado pela eternização dos problemas, a acumulação de dificuldades e as más notícias, não é muito difícil chegar ao final de uma semana sem que um único acontecimento se possa destacar pela positiva.Embora seja verdade que, pelo olhar da propaganda governamental, parece que vivemos no melhor dos mundos educativos…

No Fundo: A municipalização da Educação

Foi publicado esta semana o decreto-lei que consagra uma transferência alargada de competências para as autarquias no sector educativo. O diploma é extenso e bastante técnico nalgumas passagens, mas não necessita de uma leitura muito minuciosa para se perceber que, tirando os professores e a gestão e desenvolvimento curricular e pedagógico, quase tudo o resto passa para as câmaras e as comunidades intermunicipais: quadros de pessoal não docente, rede escolar, fornecimentos às escolas, manutenção e obras nos edifícios escolares, refeitórios e muito mais.