Flexibilidade, mau caminho para o sucesso

spn-povoa.jpgNum recente seminário promovido pela delegação do SPN da Póvoa de Varzim, assinalando os 25 anos do sindicato, o nosso colega Francisco Teixeira partilhou com a plateia as suas dúvidas e objecções relativamente ao projecto da flexibilidade curricular. Que nos anda a ser insistentemente apregoado como a grande revolução educativa “do século XXI”…

O resumo da intervenção está também disponível na Sala de Professores. É este texto que, atendendo à sua oportunidade e importância, republico integralmente. Os sublinhados são da minha responsabilidade.

1. A primeira crítica a fazer à reforma curricular que consubstancia o Decreto 55/2018 é que não se vislumbra como aí é possível conciliar a autonomia e flexibilidade curriculares com o manifesto deficit democrático do modelo de gestão escola pública. As ideias de coautoria curricular, de empoderamento da escola, particularmente dos professores e dos alunos, está em completa contradição com uma escola hipercentrada no diretor, espécie de buraco negro da democracia escolar. Aliás, prova-o o modo como tudo foi feito. Já a experiência ocorrida no ano anterior resultou das decisões dos diretores e não das opções das escolas. A não ser que se queira identificar as escolas com os diretores. Aliás, essa ideia/ambição é ela mesma sublinhada no Relatório da OCDE de janeiro de 2018, onde se assinala que “os líderes escolares, e em particular os diretores, são responsáveis por uma escola como um todo, desempenhando um papel fundamental na implementação do projeto piloto nas escolas”, ou, de modo, ainda mais claro, que “o papel que esses líderes [os diretores] desempenham dificilmente pode ser exagerado: eles são os principais contribuintes para o desenvolvimento profissional dos professores individuais … eles são os responsáveis pela capacitação da escola como um todo”. Do que aqui se trata é, então, de uma reforma centrada num lógica hierarquizada da escola, a definição mesma de uma escola conservadora, ainda que pública. Enquanto o PSD queria acabar com a escola pública, o PS quer uma escola pública conservadora e hierarquizada, pensada à imagem das empresas, capaz de prestar os melhores “serviços” à comunidade, em que os professores são meros proletários operacionais.

2. Mas a segunda questão crítica, que se pretende com a primeira, é que a ideia de autonomia e flexibilidade curricular parece estar diretamente conectada à ideia e prática da municipalização, que vem já do governo anterior (como, aliás, a da própria ideia e prática de flexibilização curricular), e que o atual quer consolidar. Parece, pois, que a autonomia e flexibilidade que se pretendem são aquelas que derivam dos poderes dos diretores e dos municípios. Mais uma vez, aquilo a que se assiste é à criação de um contexto de desprofissionalização, em que os professores contam cada vez menos a não ser como executores de um currículo definido no exterior da escola (des-escolarizando o currículo), ao serviço do território e do contexto locais, transformando a escola e o currículo num produto em competição com outras escolas e outros currículos, outros produtos, no mercado global dos serviços educativos. Neoliberalismo travestido de democratismo, no seu melhor. Mesmo que haja muito quem ainda não deu por ela.

3. A ideia de currículos flexíveis ao serviço de cada contexto, legitimados democraticamente e localmente, parece atraente e até ideia de esquerda. Quanto à democracia, estamos conversados. É só conversa. E a coisa só vai piorar. Quanto à ideia de currículos múltiplos, no limite um por cada escola, como o preconiza a atual reforma (e mais ainda o Despacho n.º 3721/2017, dando autonomia curricular a 100% a um grupo particular de escolas), isso conduziria (conduzirá) à fragmentação do currículo, da ideia de conhecimento e solidariedade coletivos, na onda da privatização da felicidade e exacerbamento dos interesses individuais em detrimento do empenhamento e reconhecimento sociais. Conforme com isso, o resultado será a fragmentação e o estilhaçamento de uma escola e um currículo nacionais (ao arrepio do que se preconiza na Lei de Bases do Sistema Educativo e não se percebendo como se pode compaginar com exames nacionais como, neste caso acertadamente, assinala a OCDE), da ideia de uma escola e um sistema nacional de ensino, parcelando os seus conflitos, diminuindo o alcance do poder dos sindicatos, seccionando os problemas e dificultando a sua perceção e entendimento como problemas nacionais. Tudo coisas progressistas, como se vê…

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Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: A greve ao serviço extraordinário

Começou esta semana, sem grande alarido, aquela que poderá ser a greve mais prolongada de sempre dos professores. Sem interferir com as aulas, ela abrange o serviço lectivo que por vezes é abusivamente marcado na componente não lectiva dos professores. Afecta também as reuniões e acções de formação convocadas para além do horário não lectivo dos professores…

No Fundo: Um Orçamento sem ambição

Não se pode dizer que o Orçamento de Estado para 2019, esta semana aprovado na generalidade, não tenha aspectos positivos na área da Educação. A gratuitidade dos manuais escolares em todos os anos de escolaridade, as progressões na carreira de que alguns professores continuarão a beneficiar, o reforço da educação de adultos, a redução das propinas no ensino superior: o OE 2019 contempla tudo isto. E, no entanto, ainda não é desta que a Educação é assumida como a prioridade que deveria ser.

Um orçamento sem ambição

tiago-brandao-rodr-orcamento.JPGDecorreu morno e sem grandes novidades o debate parlamentar de ontem, com o foco no Orçamento para a Educação em 2019. Sem muito para oferecer aos professores, o ministro fez um dos números favoritos deste governo, que é projectar para o futuro as legítimas expectativas do presente. Ao fim de uma década de sacrifícios, esperar-se-ia algo mais…

“Daqui até 2023, teremos com o reposicionamento, com o descongelamento e com a reconstituição das carreiras um aumento de 19% dos salários, o que equivale aumento médio de 3,6% ao ano”, disse Brandão Rodrigues, em resposta a uma pergunta durante a apresentação do orçamento para a área da Educação.

“Em 2023, teremos praticamente todos os docentes com duas ou mais progressões, atingindo muitos deles o topo da carreira. 90% dos docentes terão, em 2023, duas ou mais progressões e 32% terão, inconclusivamente, mais três progressões. Estas progressões irão traduzir-se num aumento do salário médio dos docentes de quase 20 por cento”, precisou o ministro.

A equipa ministerial tentou justificar o crescimento anémico da despesa no sector da Educação com o decréscimo da natalidade. E tirou alguns coelhos da cartola: o descongelamento e as progressões de carreira que irão beneficiar um número crescente de professores, os manuais escolares gratuitos, um novo fôlego para a educação de adultos.

Contudo, o maior “investimento” previsto no Orçamento do ME não foi anunciado pelos governantes, mas pela deputada Margarida Mano, do PSD: é o gabinete do próprio ministro o recordista do aumento de despesa. Um ministro mais gastador em 2019, ou contingências da queda de popularidade em ano eleitoral?…

“Em 2019, só o gabinete do Ministro da Educação gasta mais 16% do que em 2015, quando o mesmo gabinete acumulava as pastas da educação, da ciência e do ensino superior”, disse a deputada social-democrata.

Os limites da aprendizagem divertida

Daisy-Christodoulou.jpgMuito interessante a extensa entrevista do DN a Daisy Christodoulou, uma investigadora britânica que, baseando-se nas evidências e nos avanços científicos das últimas décadas, questiona os mitos educativos que têm dominado a pedagogia e as políticas educativas.

É difícil resumir um discurso que, mesmo ao ritmo da pergunta e resposta, nos surge como muito claro e encadeado e onde tudo o que se diz é relevante. Que desconstrói, com conhecimento sólido e lógica implacável, quase tudo o que nos vão impingindo como sendo o rumo certo, único e inevitável da Educação para o século XXI. De um conteúdo premium do DN, que alguns leitores poderão ter dificuldade em consultar, ficam alguns destaques como convite à leitura integral. Sublinhados da minha responsabilidade.

Muita investigação apoia-se na ideia de que precisamos de memória. É uma infelicidade que algumas abordagens modernas da educação esqueçam isto, porque, na base, inteligência e tecnologia estão mais ligadas do que se possa pensar. Por exemplo, estamos habituados a ouvir dizer que as crianças não precisam de saber nada hoje, porque podemos googlar, e que, porque temos tecnologia, podemos não memorizar. Mas o trabalho de Herbert Simon prova o contrário. Para ser especialista é preciso conhecer uma grande quantidade de factos e tê-los armazenados na memória. Não há atalho.

Se queremos ser bons a História temos de saber algumas datas. Se queremos ser bons em futebol, não podemos fazer apenas jogos, é preciso treinar passes. O ponto de Ericsson é que, para treinar uma grande competência, temos de a “partir” em pequenas partes e praticá-las. Portanto, no caso de uma disciplina como História, é preciso saber datas, os eventos-chave, e temos de as lembrar. Há maneiras de o tornar mais interessante. O grande desafio para os professores não é dar às crianças coisas que elas já acham divertidas, mas encontrar maneiras de tornar lúdico o que elas precisam de aprender. 

Temos de distinguir o professor que lidera a sala de aula e o que fala constantemente. Acredito que deve liderar a sala, mas também penso que é preciso envolvimento e interatividade. A melhor abordagem que encontrei é a instrução direta. Foi investigada durante décadas e frequentemente é apontada como a mais eficaz. Não obriga o professor a fazer palestras, é interativa, há um questionamento constante do professor e reação dos alunos. Admito que há um problema com o professor dar palestras o tempo todo, que é as crianças perderem o fio à meada, não perceberem o que se passa ou perceberem mal, mesmo estando com atenção. A ideia da instrução direta é que o professor interage constantemente e faz perguntas e constantemente tenta perceber se os estudantes estão a acompanhar.

O problema que tenho com alguma retórica sobre competências no século XXI é que, muitas vezes, diz para esquecermos o conhecimento, os factos, o saber. A criatividade não nasce no vazio. O que é a criatividade? Talvez o processo de encontrar novas ideias com valor. De onde vêm? […] As novidades não vêm de quem não tem conhecimento, mas de quem tem mais conhecimento do que os outros. 

Gostava mais de inglês e de História, e estudei Literatura, e gostava de Educação Física. Algumas disciplinas eram mais difíceis do que outras, tive de trabalhar bastante na Matemática, não era natural em mim. Mas hoje a base do meu trabalho é um algoritmo que permite avaliar melhor, e mais rapidamente, o trabalho escrito dos alunos. Estou mesmo contente de não ter desistido da matemática, porque quando ultrapassamos as dificuldades percebemos e apreciamos mais. Precisamos de que os alunos sejam bem-sucedidos em áreas de que não gostam. E quanto melhor nos tornamos, mais nos apaixonamos por elas.

Alunos sem professores

EscolaSantaMariaOs 26 alunos de uma turma do sétimo ano da Escola Básica de Santa Maria, em Beja, estão sem professor em sete das 15 disciplinas que constituem a sua matriz curricular desde o início do presente ano lectivo, devido à inexistência de docentes colocados.

A situação foi denunciada em comunicado pelos pais e encarregados de educação dos alunos, lamentando a inexistência de colocação de sete docentes, “inclusive de director/a de turma, correspondentes às disciplinas de Português, Inglês I, História, Complemento à Educação Artística, Cidadania e Desenvolvimento, Mundo Actual e Educação Moral e Religiosa Católica”, sendo que o docente da disciplina de Francês II aceitou a sua colocação apenas na passada semana.

O caso desta turma de Beja tornou-se notícia na semana passada, face ao elevado número de professores em falta. Entretanto a situação já se terá, pelo menos parcialmente, resolvido, mas o problema de fundo subsiste: há uma necessidade crescente de substituir professores durante o ano lectivo. E uma dificuldade cada vez maior de o fazer de forma célere, devido à falta de candidatos ou às sucessivas desistências.

Quando comecei a ensinar, éramos todos muito mais jovens e saudáveis e os ambientes escolares, de uma maneira geral, menos tóxicos – apesar dos revestimentos com amianto então existentes em inúmeras escolas! Nessa altura, a maioria das substituições temporárias ocorriam por uma boa razão: professoras que entravam em licença de maternidade. Hoje, uma professora grávida é uma raridade na maior parte das escolas; em contrapartida, são muitos os professores de ambos os sexos doentes e exaustos, que não conseguem aguentar o stress e o excesso de trabalho durante todo um ano lectivo. Calcula-se que as baixas por doença atinjam já perto de 10% da classe docente, sendo metade delas de longa duração.

À medida que o envelhecimento da classe se acentua e o acesso à aposentação é dificultado ou desencorajado pelos cortes elevados no valor das pensões, o número de professores que deixa de estar em condições de suportar as exigências da profissão não deixará de aumentar. As pseudo-reformas da flexibilidade e da inclusão são essencialmente, como de dia para dia se vai tornando mais claro, formas de sobrecarregar com mais trabalho, responsabilidades e burocracias o quotidiano docente, tornando-o ainda mais penoso para os professores.

Por outro lado, o imenso “exército de reserva” constituído por dezenas de milhares de professores qualificados e desempregados, sempre prontos a ocupar qualquer vaga surgida durante o ano, é uma realidade que está a desaparecer rapidamente. Sem um lugar estável no ensino, a maioria dos jovens professores acabarão por seguir outras carreiras mais compensadoras, em Portugal ou no estrangeiro. A escassa procura, que já hoje se nota, dos cursos de formação de professores, significa que de ano para ano o número de novos profissionais irá diminuir. E é bem sabido que, dentro de uma década, os actuais professores começarão a sair em massa do sistema, por atingirem a idade da aposentação. Voltaremos, se nada for feito entretanto, aos tempos das “habilitações suficientes” e “mínimas”, em que, perante a falta de docentes habilitados, qualquer pessoa que tivesse concluído o secundário podia ir dar umas aulas…

Perante isto tudo, não duvido de que a forma como o ME despreza e maltrata os profissionais da Educação e ignora os seus problemas, anseios e necessidades é um problema bem mais grave e premente do que as cosméticas curriculares que se vão elegendo como prioridade de actuação no sector.

Os professores são o activo mais importante de um ministério que se diz da Educação. É com eles que os alunos aprendem. Estimá-los, valorizar o seu trabalho e a sua carreira, fornecer-lhes meios e recursos, deveria ser preocupação central de qualquer governo. Não que o ME deva ser o ministério dos professores. Mas quem o gere deveria ser capaz de compreender que quem efectivamente ensina e educa nas escolas não são os cientistas, tecnocratas e burocratas da Educação – são os professores. Deveria, por essa razão, gerir a Educação com os professores. Não, como demasiadas vezes sucede, contra eles.

“Os professores são vítimas de uma organização que os adoece”

raq-varelaNa sequência da divulgação do estudo sobre as condições de vida e trabalho dos professores, de que já aqui se falou, o Público entrevistou a coordenadora do estudo, Raquel Varela.

Ficam algumas das respostas da investigadora, retratando uma realidade na qual, suponho, a generalidade dos professores se revê sem dificuldade. Mas que nem sempre é fácil de transmitir para a opinião pública. Os títulos e os sublinhados são da minha responsabilidade.

Em vez de pedir aos professores que façam cada vez mais, é preciso melhorar a organização e as condições de trabalho.

Os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece. Só quando entendermos isso, podemos criar políticas que modifiquem a situação. Não vale a pena ir ter com os professores e dizer-lhe para eles fazerem mais nestas condições, porque só os vamos adoecer mais e ter uma escola pior. Enquanto eles não estiveram bem, não vamos ter boa escola.

Responsabilizar os professores pela indisciplina, em vez de a reconhecer como um problema dos alunos e da escola, fragiliza os docentes. E não resolve o verdadeiro problema.

Os professores que estão mais preocupados com a indisciplina são também os que estão mais exaustos emocionalmente. Nós não sabemos como evoluiu a indisciplina no país nos últimos 40 anos, o que sabemos é que a forma de lidar com a indisciplina mudou dentro das escolas. Os casos de indisciplina eram vistos como um problema da escola e da sociedade não como um problema do professor, que individualmente não soube lidar com aquele aluno individualmente dentro da sala de aula. Isso é um factor de exaustão emocional porque responsabiliza individualmente um professor por situações que na esmagadora maioria das vezes não estão na sua competência nem têm origem em si.

O desejo generalizado de ir para a reforma demonstra que os professores estão exaustos e, ao contrário do que era comum, não se conseguem hoje realizar profissionalmente.

Há uma relação entre a exaustão emocional e o desejo de reforma, mas os níveis de desejo de reforma antecipada são generalizados. Estamos a falar de quase 90% dos professores, o que é algo muito preocupante. Generalizou-se na sociedade portuguesa a ideia de que o sonho das pessoas quando estão a trabalhar é deixarem de trabalhar. Mas isto não era assim há 20 anos. As pessoas entravam em depressão quando deixavam de trabalhar. Gostavam do trabalho porque era um lugar onde podiam desenvolver-se, onde se realizavam.

Hoje em dia, com os níveis de sofrimento no trabalho, temos o contrário. O desejo das pessoas é deixar de trabalhar. E isto tem também que ver com a alteração da organização da escola. O fim da gestão democrática (as pessoas sentem só que executam ordens), a falta de reconhecimento público da profissão. E para o que é que se educa? A educação passou a ser para o mercado e não para formar seres humanos completos.

Andreas Schleicher escreveu um livro

primera-clase.jpgO director da OCDE favorito do governo português, precisamente o que se ocupa dos assuntos da Educação e que é visita regular e inspiradora no nosso país, esteve desta vez em Espanha no lançamento do seu novo livro.

Patrocinado pela OCDE e pela Fundação Santillana, o livro está disponível online no site da organização e é certamente leitura recomendável para as noites de insónia.

Por agora, bastam algumas citações da entrevista promocional que Schleicher concedeu ao El Mundo para perceber que o discurso continua a ser o do demagogo bem-falante que já conhecemos por cá. E que a educação dita do século XXI não passa de um conjunto de modas e ideias completamente submetidas à lógica e aos interesses de uma agenda educativa que as multinacionais, as fundações e os países mais poderosos querem impor à escala global.

Basta substituir Espanha e espanhol por Portugal e português, para se perceber que o diagnóstico e a receita são os mesmos em todo o lado: a memorização, a escola “industrial” do século XIX, os professores que precisam de “apoio”, as turmas que não precisam de ser mais pequenas, as retenções que custam dinheiro…

Os alunos memorizam mas não aprendem.
Os alunos espanhóis são bons a reproduzir os conteúdos das disciplinas. Mas são menos bons a aplicar o seu conhecimento de forma criativa e a ter uma ideia conceptual e profunda do que aprendem. A aprendizagem centra-se na memorização, faltam estratégias de pensamento complexo.

Aprender mais com menos currículo.
Em Espanha talvez se pudessem reduzir os conteúdos do currículo, que é quilométrico mas pouco profundo. É importante ensinar aos alunos para além das disciplinas académicas e isso significa que os professores de diferentes disciplinas têm que aprender a colaborar mais entre eles.

Leis, escolas, fábricas: tudo do século XIX…
Não creio que as diferentes leis educativas tenham tido um impacto real no que acontece nas aulas. As leis em Espanha são como os regulamentos de uma grande fábrica: alguém no Governo diz como deveriam funcionar as escolas e de imediato os professores implementam essas práticas e os alunos estão nas aulas para consumir essas lições. É quase como uma versão do século XIX da educação.

Os professores ganham bem e trabalham pouco.
Os docentes espanhóis são bem pagos, mas o seu trabalho não é atractivo de um ponto de vista intelectual porque é como o trabalho de uma fábrica. Têm pouco tempo para atender os alunos de forma individual fora das aulas como sucede no Japão, não observam as práticas de outros colegas, nem trabalham de forma colaborativa. Deveríamos pensar em tornar o seu trabalho mais atractivo, criando mais oportunidades para que possam trabalhar em equipa, estabelecendo a figura do mentor e melhorando as suas práticas. Não se trata de pôr mais dinheiro, mas de criar um sistema mais aberto, que os apoie mais.

O tamanho das turmas não interessa.
Quando temos que decidir entre ter uma turma mais pequena ou um melhor professor, devemos centrar-nos em melhorar a qualidade dos professores. Se não mudarmos as práticas docentes, ter uma turma mais pequena não vai servir de nada.

Cada aluno repetente custa 20 mil euros.
Cada repetente em Espanha custa 20.000 euros. O fracasso não ocorre quando os estudantes abandonam, mas muito antes. Com apoio pessoal prévio podemos travar as repetições.