Informações-prova 2017/18

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Já se encontram há uns dias disponíveis no site do IAVE as informações-prova referentes às provas finais do 3º CEB e aos exames do Secundário.

Apesar de se realizarem primeiro, ainda nada consta acerca das provas de aferição, que pelo andar da carruagem prometem vir a ainda mais polémicas do que os exames do 4º e 6º ano criados no tempo de Nuno Crato. E exigem, como tal, maiores cautelas…

Informações-Prova 2017/2018

 

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Fraude no exame de Português: revelada a identidade da suspeita

exp23set17.jpgSegundo a última edição impressa do Expresso – a notícia não se encontra, até ao momento, disponível online e a imagem foi retirada daqui – será Edviges Ferreira a autora da fuga de informação sobre o exame da 1ª fase de Português, que terá beneficiado um grupo de alunos a quem daria explicações e um número indeterminado de outros com quem a informação sobre os conteúdos da prova foi partilhada, via redes sociais.

Recorde-se que a gravação na altura divulgada fazia referência à “presidente de um sindicato de professores”, o que dará para supor que a aluna que aqui se ouve  terá confundido a Associação de Professores de Português, a que Edviges Ferreira preside, com um sindicato de professores:

Ressalvando sempre, nestas circunstâncias, que todo o suspeito se presume inocente até que seja condenado, espero que o caso tenha, a partir de agora, rápidos desenvolvimentos no sentido do apuramento de toda a verdade e da exemplar aplicação da justiça.

A confirmação das suspeitas agora vindas a público significa que o caso é especialmente grave: não se trata de uma professora qualquer – nesse caso, o mais provável era estar já a ser crucificada na praça pública – mas de alguém que lidera uma associação profissional que colabora ao mais alto nível com o ME.

Mais cuidado com futuras parcerias e, já agora, com o IAVE e as suas das equipas responsáveis pela elaboração das provas dos exames nacionais, é o que se recomenda. Pois nada garante que este seja um caso isolado; mas antes a ponta do icebergue da impunidade e dos abusos permitidos por um sistema assente na opacidade e no secretismo.

Lembram-se do exame de Português?

segredo.gifParece ter caído no esquecimento o caso da fuga de informação do exame de Português do 12º ano. Graças às inconfidências de uma professora, um número indeterminado de alunos terá tido conhecimento prévio das matérias que iriam sair na prova. Mas ao contrário de casos semelhantes de que todos os anos se houve falar, desta vez a informação circulou pelas redes sociais, onde deixou registo, e daí rapidamente passou para a comunicação social.

Segundo foi noticiado na altura, a IGEC colocou-se em campo e rapidamente descobriu, não só o grupo de alunos de um colégio lisboeta que teve acesso à informação confidencial, mas também a identidade da principal suspeita, uma colaboradora da equipa que elaborou as provas e que era também explicadora dos alunos que foram ilicitamente beneficiados. Todos os factos apurados foram comunicados à PGR.

E ficámos assim. A última notícia que li sobre o assunto, datada de finais de Julho, informava que não havia novidades no caso, nem tinham sido constituídos arguidos. E se hoje volto ao tema é apenas porque constato que, uma vez mais no nosso país, o crime parece ter compensado. Os jovens ilicitamente beneficiados estarão provavelmente, por estes dias, a festejar a sua entrada no ensino superior, enquanto a professora que os ajudou continuará, como se nada fosse, em exercício de funções.

Sem entrar pelos meandros judiciais, que por aí já sabemos que não chegamos, em tempo útil, a conclusão alguma, cinjo-me às responsabilidades do ME e dos seus serviços inspectivos, tão céleres, noutras circunstâncias, em punir exemplarmente os culpados de meras irregularidades burocráticas: na altura em que o caso foi tornado público, o ME tomou a decisão política de não mandar repetir o exame, conforme seria aconselhável, já que havia evidências claras de que a confidencialidade da prova tinha sido quebrada e não seria possível determinar com rigor quem teria tido acesso à informação e quem a teria tomado como credível. Pois sabemos que todos os anos circulam boatos acerca do que sairá nas principais provas, que na grande maioria se vêm a provar infundados.

Fazer de conta que nada se passou e esperar que o tempo e o esquecimento resolvam os problemas difíceis e incómodos que surgem pela frente começa, lamentavelmente, a tornar-se um padrão de comportamento recorrente deste ministério e deste governo. Na Educação, onde mais do que em qualquer outro sector da governação é suposto dar bons exemplos e transmitir valores às novas gerações, este tipo de actuação contribui para descredibilizar a isenção e o rigor dos exames nacionais e o trabalho sério e honesto de milhares de professores que todos os anos contribuem para a sua realização. Representa uma falta de respeito para com os estudantes que se empenharam, estudando e dando o seu melhor para conseguirem bons resultados. E cria um sentimento de impunidade que só pode encorajar a repetição de situações semelhantes no futuro.

Maioria das notas de exame sobe na reapreciação

subida.jpgPedir a reapreciação das provas nacionais do ensino secundário continua a ser benéfico para os estudantes. Na 2.ª fase dos exames deste ano, 65% das revisões resultaram na melhoria de notas, revelam os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação esta segunda-feira. Este é, ainda assim, um recurso usado por uma minoria dos alunos: foi pedida nova análise de apenas 1,5% das provas.

Dos 120.872 exames nacionais realizados na 2.ª fase, foram reapreciados 1861. Destes, houve 1209 (65%) que viram a nota ser revista em alta, ao passo que 249 (13%) ficaram com uma classificação inferior à inicial. Nos restantes casos – 403, que correspondem a 23% dos pedidos de reapreciação – a nota final dos estudantes não sofreu alterações.

Tal como sucedeu em anos anteriores, a maioria das provas de exame sujeitas a nova apreciação viram a classificação final aumentar. E embora esta realidade nos possa levar a questionar a qualidade do trabalho de quem viu as provas pela primeira vez, há dois factores que fazem com que esta seja uma tendência natural:

Em primeiro lugar, o pedido de reapreciação é apresentado só depois de ter sido consultada a prova realizada pelo aluno e de se ter verificado que haverá, nas cotações atribuídas, algo por onde pegar. Quando se percebe que o classificador até foi generoso, o melhor é ficar quieto, pois com a reapreciação o mais provável é a nota descer.

Por outro lado, por muita experiência, objectividade e profissionalismo que exista da parte de quem vê as provas, a verdade é que os avaliadores são humanos: o mesmo professor tende a agir de forma diferente consoante esteja a classificar ou a reapreciar; e apesar do aparente contra-senso, há uma lógica inerente a esse procedimento:

Há investigação que já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente: tenta aproveitar tudo o que for possível.

Toda a avaliação contém elementos de subjectividade, e ainda mais quando se pretende avaliar aprendizagens complexas, como é suposto suceder no final do secundário. É melhor aceitar esta realidade do que continuarmos a exigir dos exames aquilo que eles nunca nos poderão dar.

Já se sabe quem divulgou antecipadamente o exame?

exame[1]Bem me parecia que não.

Soube-se que um dos elementos da equipa que elaborou o exame de Português da 1ª fase do 12º ano divulgou antecipadamente, junto de alunos que eram seus explicandos, a matéria que iria sair na prova. Há indícios de que já teria cometido idêntica façanha em anos anteriores.

Mas saber-se quem foi e que medidas irão tomar perante o sucedido e para evitar que coisas destas se repitam, disso nada transpira.

Deve ser segredo de Estado, tal como a identidade dos autores das provas.

Na realidade, as preocupações do IAVE são outras…

O Instituto de Avaliação Educativa (Iave), responsável pela elaboração dos exames nacionais do ensino básico e secundário, quis restringir a reprodução comercial dos enunciados das provas, mas o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou por inviabilizar esta pretensão ao considerar que aqueles textos não estão sujeitos à protecção de direitos de autor, segundo apurou o PÚBLICO.

Nos exames do 9º é sobe-e-sobe

exames9.JPGOs alunos do 9.º ano tiveram não só média positiva nos exames de Português e Matemática, como em ambos os casos conseguiram melhores resultados do que em 2016.

Numa escala percentual de zero a 100, os resultados a Português passaram de 57% para 58% ao passo que a Matemática subiram de 47 para 53%.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o Júri Nacional de Exames destaca que na prova de Português cerca de 75% dos alunos obtiveram uma classificação igual ou superior a 50% e que o mesmo aconteceu com 57% dos estudantes no exame de Matemática. No conjunto foram realizadas 185.317 provas. Ainda segundo o júri, no processo de correcção estiveram envolvidos 3981 professores classificadores.

Tal como escrevi ontem em relação aos exames do secundário, também no básico estas médias não permitem demonstrar, e julgo que ninguém fará esta leitura, que a “fornada” de alunos de 2017  é melhor do que a de 2016.

O que se dirá inevitavelmente, e com isso fica quase tudo dito, é que os exames eram mais fáceis. Um poucochinho, no caso do de Português, uma bocadinho mais, no que se refere à Matemática. E provavelmente a SPM já antevia este mesmo resultado, quando criticava a prova demasiado fácil que saiu este ano.

Pela minha parte, prefiro colocar outras questões, baseando-me nos 32% de estudantes que tiveram menos de 50% no exame de Matemática.

Será que um terço dos nossos finalistas do ensino básico têm o nível insatisfatório de conhecimentos matemáticos que, ano após ano, é apontado pelos resultados dos exames?

E se assim é, como é que, mesmo sendo a Matemática uma das disciplinas com piores notas, a avaliação interna não reflecte, da mesma forma, essas dificuldades dos alunos?

E mais, como é que os alunos portugueses vão subindo de forma consistente nos resultados das provas internacionais e os exames não reflectem essa progressão?

Finalmente: como é que os progressos dos alunos surgem nos testes PISA e similares, que não contam para a avaliação dos alunos, e não se notam nos exames nacionais, onde os alunos deveriam esforçar-se mais, pois eles valem 30% da classificação final?…

O sobe-e-desce dos exames nacionais

Saíram os resultados da primeira fase dos exames do secundário e os principais prognósticos parecem confirmar-se:

  • No exame de Física e Química, este ano mais difícil, a média desceu de 11,1 para 9,9;
  • O exame de Matemática, um pouco mais acessível do que o do ano passado, mas ainda assim longe de ser “escandalosamente fácil”, como a SPM o qualificou, viu subir a média de 11,2 para 11,5;
  • Nos restantes exames, a tendência geral foi também no sentido de uma ligeira melhoria de resultados, pelo menos considerando apenas os alunos internos, uma vez que nos externos as notas descem substancialmente, como é habitual.

Contudo, desta análise anual do sobe-e-desce dos exames desapareceu um ponto que, na altura em que este modelo foi criado, nos disseram que seria fundamental: as médias dos exames iriam servir para avaliar o próprio sistema educativo, programas, metodologias, pedagogias. Permitiriam construir séries longas por onde se poderia analisar a evolução do aproveitamento dos alunos e o impacto das mudanças que se fossem imprimindo no sistema educativo.

Ora hoje já toda a gente percebeu que a subida ou a descida de umas décimas nos resultados dos exames apenas significam que a prova era um pouco mais fácil, ou difícil, do que a do ano anterior.

exames.JPGÉ hoje evidente que a estatística dos exames nos diz mais sobre as próprias provas, as equipas que as elaboraram e as orientações que lhes foram dadas do que sobre os estudantes que se submeteram a elas. Diz-nos mais sobre as idiossincrasias dos examinadores do que sobre o nível médio de conhecimentos dos examinandos.

E olhando para o gráfico que o Observador construiu com a evolução das médias dos principais exames também se percebe que não há ali qualquer leitura instrutiva que se possa fazer.

Noto que levámos demasiados anos a chegar até aqui. E pergunto-me quantos mais teremos de andar nisto até que se perceba que este modelo de exames está esgotado e não cumpre eficientemente nenhum dos objectivos para os quais foi concebido.