Distribuição de serviço

reuniao-profs.gifA lei é clara: a distribuição de serviço aos professores é uma competência exclusiva do director da escola ou agrupamento. E é rigorosamente isto que alguns directores fazem, atribuindo turmas, níveis e disciplinas de acordo com o que lhes parece ser a melhor gestão dos recursos humanos disponíveis. Assim, cada professor apenas sabe o que lhe calha quando recebe o seu horário, ou muito perto de isso suceder.

Contudo, em muitas escolas, tem sido tradição permitir aos professores que manifestem as suas preferências quanto ao serviço, lectivo e não lectivo, a atribuir no ano seguinte. É uma prática simpática, democrática até, que dá a cada um o direito de se pronunciar sobre o que lhe diz respeito, e que acaba também por trazer vantagens a quem tem de decidir: trabalhamos geralmente melhor quando fazemos aquilo de que gostamos, e tentando na medida do possível ir ao encontro das expectativas dos professores, uma direcção atenta pode melhorar tanto os níveis de motivação dos docentes como aumentar a qualidade do seu desempenho profissional.

Mas a distribuição de serviço proposta pelos professores, normalmente em reunião de departamento ou grupo disciplinar, também pode levantar alguns problemas.

A continuidade desta prática pode levar alguns professores, sobretudo os mais antigos na escola ou na carreira, a considerar como um direito adquirido a escolha do que querem e não querem leccionar. Não havendo regras claramente definidas nem uma intervenção moralizadora da direcção, que é sempre quem deve ter a última palavra, podem surgir horários muito desequilibrados, em que os primeiros a “escolher” compõem o horário à sua vontade, enquanto os últimos se vêem a braços com um grande número de turmas e níveis, os restos desgarrados do que os mais graduados escolheram.

Parece-me assim necessário acentuar dois pontos: primeiro, a manifestação de preferências não é um direito absoluto a escolher o que se quer; segundo, a proposta de distribuição de serviço deveria envolver conjuntamente todos os colegas do mesmo grupo disciplinar, e traduzir um equilíbrio entre as preferências de cada um, o respeito da graduação profissional e a necessidade de obter uma distribuição o mais equitativa possível de turmas e níveis.

Finalmente, há um critério que na minha opinião deve em regra prevalecer sobre as escolhas permitidas, que é o da continuidade pedagógica: sempre que possível, as turmas de continuidade devem manter os mesmos professores, e apenas em situações devidamente justificadas é aceitável a mudança a meio do ciclo de ensino. “Roubar” as turmas aos colegas, não vale!…

 

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2 thoughts on “Distribuição de serviço

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