Começar a escola pelo telhado

Poderia ser apenas mais uma notícia de uma escola degradada, a cair aos bocados, com obras prometidas mas constantemente adiadas. Quem espera desespera e um dia, alunos e pais fartam-se de esperar e fecham a escola a cadeado, fazendo a denúncia pública da situação perante a comunicação social.

O caso ontem noticiado é isto tudo, mas não só: é também um exemplo paradigmático de como é gerida, no nosso país, a despesa pública no sector educativo. A escola está efectivamente velha e podre, com pré-fabricados em madeira a ameaçar ruir e instalações, de um modo geral, em muito mau estado. Ah, e telhados em fibrocimento, material que contém o perigosíssimo amianto. Pois bem: como existe um programa nacional, financiado com fundos europeus, para remoção do amianto, a substituição dos telhados vai mesmo fazer-se, estando prevista para breve. Mas como a União Europeia não paga o resto das obras, a comunidade escolar arrisca-se a ver colocar telhados novos sobre paredes a cair aos bocados. É literalmente começar a reconstruir a casa pelo telhado…

Dezenas de alunos, pais e encarregados de educação estão desde as 07:30 desta terça-feira junto à EB 2,3 Mário Sá Carneiro, em Camarate, Loures, que está fechada a cadeado, em protesto contra o elevado estado de degradação dos equipamentos.

Entre estes equipamentos, destacam-se dois pavilhões em madeira com mais de quatro décadas.

Em declarações à agência Lusa, André Julião, do Movimento A Escola é Pública (MAEP), que se associou ao protesto da comunidade escolar, disse que o estabelecimento foi fechado a cadeado e que “largas dezenas” de pais, professores, encarregados de educação e funcionários estão concentrados junto ao portão para exigir que o Ministério da Educação “resolva o problema”.

Esta escola tem pavilhões de madeira provisórios há mais de 40 anos, apresentam enormes deficiências devido à degradação dos materiais ao longo destes anos. Desde logo, metem água, não têm casa de banho e têm materiais potencialmente perigosos, como o linóleo, que pode conter amianto”, adiantou.

De acordo com André Julião, os pavilhões não oferecem as mínimas condições para a prática escolar: têm os tetos a cair e com infiltrações, aberturas nas paredes que expõem os isolamentos prejudiciais à saúde e muitas janelas já não estão operacionais, pelo que ali não se conseguem suportar as temperaturas extremas de frio ou calor. Há ainda, referiu, sério risco de incêndio.

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