Acabar de vez com o amianto nas escolas

amianto.JPGA associação ambientalista Zero, o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA) e a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançaram esta quinta-feira uma petição nacional para a remoção total do amianto das escolas do país. As organizações esperam recolher mais de 4 mil assinaturas para levar a petição a debate em plenário da Assembleia da República.

André Julião, coordenador do MESA, explica à TSF que depois de “várias tentativas” junto do Ministério da Educação para conseguir uma lista atualizada das escolas que ainda contêm amianto, e depois de vários pedidos de reunião sem resposta, decidiram avançar para uma petição de forma a que “sejam tomadas as necessárias medidas destinadas a impor ao governo, no respeito pela lei, a divulgação da lista”.

“O governo tem dado pouca atenção a este problema. Tem até agido com alguma leviandade dada a seriedade do problema”, afirma André Julião, explicando que se trata de problema de saúde pública de toda a comunidade educativa.

A presença de estruturas contendo amianto em muitas escolas portuguesas é um problema antigo, que ganhou merecido destaque nos últimos tempos.

Desde logo, honra lhe seja feita, pela iniciativa do STOP, que não só não deixou morrer o assunto como o incluiu entre as motivações das greves que têm sido realizadas nas últimas semanas.

Agora a Fenprof, em associação com organizações ambientais, vem dar o seu contributo a uma luta que, da sua parte, já é antiga. Claro que os mais atentos notarão aqui alguma rivalidade entre o velho e o novo sindicalismo na disputa pela titularidade de “donos da luta”. Pessoalmente, não me incomoda a chegada da “concorrência” e a competitividade que ela introduz no sindicalismo docente: a remoção do amianto é uma necessidade urgente e todas as iniciativas convergentes no sentido de forçar o governo a assumir as suas responsabilidades são válidas e merecem ser apoiadas.

Mas extraordinário nisto tudo, e verdadeiramente lamentável, é que o ME não seja sequer capaz de fornecer, como é sua obrigação, a lista das escolas onde ainda existe amianto. Muito menos assumir compromissos em relação às intervenções ainda por realizar. Ou àquelas que pretenderá, a pretexto da chamada descentralização, empurrar para os municípios. Igual a si próprio, o ministro explorou a sua faceta de cara de pau e, em entrevista à Lusa, desvalorizou o problema: se ainda há amianto nalgumas escolas, é porque a remoção não foi considerada prioritária; se as placas estão em boas condições o melhor é não lhes mexer e deixar o problema para quem vier a seguir. Ah, e não falem mais do assunto porque isso só vai criar “alarme social”…

One thought on “Acabar de vez com o amianto nas escolas

  1. É de facto uma grande maçada que estes senhores possam vir a ficar agora “capturados” pelo amianto.
    Se a coisa ficar feia o melhor será começarem a ensaiar já uma crise política para, ultrapassado mais esse obstáculo, ficarem livres para se entregarem de corpo e alma ao negócio dos bancos, que é o que está a dar – só para o novo banco se reclama mais 700 milhões. Negócios modernos estes do sec. XXI, onde em vez de se receber pela venda de um bem se continua a pagar periódica e pacificamente como se se tratasse de amortizar uma dívida.

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.