A importância das humanidades

Sem um currículo verdadeiramente diferenciador no ensino secundário – basta ver que qualquer estudante de Ciências pode candidatar-se a praticamente todos os cursos da área das Humanidades, mas o contrário já não se verifica – a maioria dos cursos das áreas das Letras e das Ciências Sociais tem perdido atractividade. Claro que a falta de saídas profissionais, num mercado laboral cada vez mais orientado para as engenharias, as matemáticas e as ciências da saúde, não ajuda a reverter esta situação.

É no entanto nas próprias universidades que formam os futuros engenheiros, médicos, cientistas e técnicos especializados que se nota a falta da cultura humanística entre os seus alunos e se reconhece a vantagem de uma formação mais abrangente. Um pouco na linha do que dizia Abel Salazar a respeito do ensino e da prática médica: “o médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe”.

Sendo de assinalar a decisão do Instituto Superior Técnico de que a notícia da TSF nos dá conta, ela deixa no ar uma questão essencial: o destino das Humanidades é apenas o de serem um adorno curricular nos cursos científicos, ou passa também por valorizar os cursos humanísticos, tanto ao nível da formação dada aos seus alunos, como na sua relevância em termos profissionais?

No próximo ano letivo, no Instituto Superior Técnico, os cursos de primeiro ciclo serão complementados com uma componente humanista. Os alunos vão passar a receber formação nas áreas de humanidades, ciências sociais e artes.

Alexandre Francisco, vice-presidente do Técnico para assuntos académicos, explicou à TSF que esta mudança foi alvo de uma reflexão profunda, que começou em 2018. O representante do Instituto Superior Técnico aclara que esta análise demonstrou que, apesar da nota positiva, em geral, os recém-formados revelavam lacunas na formação: “Muitas vezes, não tinham estas competências, teriam de as adquirir depois.”

“É importante um engenheiro, seja de que área for, ter conhecimentos, ou ter pelo menos algumas competências, na área das artes e das ciências sociais, para aplicar depois na prática”, argumenta Alexandre Francisco.

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