Marcelo foi à tropa?

0008[1]O general António Ferreira do Amaral, antigo capitão de Abril, lançou a dúvida este domingo à noite sobre o percurso militar de Marcelo Rebelo de Sousa, num tempo em que o serviço militar era obrigatório. “Por onde andaria o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 25 de abril de 1974?”, questionou o mandatário distrital de Sampaio da Nóvoa, no jantar da candidatura em Viseu, depois de Marcelo ter questionado Nóvoa (no debate entre os dois) sobre onde estava o antigo reitor da Universidade de Lisboa no 25 de novembro de 1975.

Não vale a pena, nem para Nóvoa nem para qualquer outro dos candidatos, centrar nisto a campanha. Mas não é irrelevante tentar saber por que razão o filho do Ministro do Ultramar não foi à guerra do Ultramar, numa altura em que praticamente todos os jovens da sua idade foram carne para canhão da política colonialista defendida pelo governo a que o senhor seu pai pertencia.

Idade para isso tinha ele. Marcelo nasceu em 1948. Terminou a licenciatura em 1971. Na altura o serviço militar era obrigatório, mas os estudantes universitários beneficiavam do adiamento da incorporação até à conclusão do curso. Só que Marcelo nunca chegou a assentar praça.

Sabendo-se que em 1971 estava a decorrer uma guerra em três frentes nas colónias africanas, que todos os jovens válidos do sexo masculino eram recrutados, que o serviço militar obrigatório se prolongava por quatro longos anos, dois deles, em regra, passados no Ultramar em cenários de guerra, e que a alternativa à incorporação era atravessar clandestinamente a fronteira e ir para o exílio, caminho que milhares de jovens percorreram por se recusarem a combater, pode-se perguntar então: teria Marcelo alguma doença ou incapacidade física grave que o livrasse da tropa?

Em caso afirmativo, nem faço questão de saber pormenores do boletim clínico do candidato. Mas se a resposta for negativa, então gostaria de conhecer o estratagema a que terá recorrido o ministro para livrar o filho da guerra promovida pelo governo de que fazia parte e que matou mais de oito mil militares portugueses, ferindo e mutilando dezenas de milhares.

Não esqueci as campanhas sujas da direita contra Manuel Alegre a pretexto da sua deserção, por motivos políticos, das Forças Armadas. Por isso mesmo, seria interessante saber o que  essa mesma direita patriótica terá a dizer sobre o seu candidato que fugiu à tropa obrigatória sem precisar, como tantos outros, de fugir do seu próprio país.

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