O Facebook pôs mais um menino de castigo

facebook-censor-protect-from-reality.jpgSe bem percebo, mais do que um post, foi bloqueada a minha ligação ao Fbook, impedindo a publicação de qualquer link do meu blogue, como se fosse pestífero ou fonte de fake news, quando sempre me bati pelo inverso.

Vou tentar esclarecer o que se passa, mas parece que fui inserido no caixote de spam da “rede social” com base em denúncias de utilizadores (basta digitar o endereço do blogue para me impedir a publicação de qualquer texto ou ligação), mas, não é nada que me espante numa aliança de bufos que tudo o que escape à formatação irrita…

Compreendo a indignação do Paulo Guinote e dos seus seguidores na blogosfera e nas redes sociais contra a censura e ao banimento, ao que parece temporário, do Facebook. Mas devo acrescentar que o que aconteceu não me surpreende.

Ao contrário do pensamento dominante – as redes sociais são uma coisa muito boa, alguns utilizadores é que coiso e tal – sempre me desagradou aquele moralismo censório que não me parece acidental: faz parte do ADN do próprio Facebook. A rede social que sempre se recusou a colocar, ao lado do “Gosto”, o botão do “Desgosto”, como seria natural, transparente e democrático, prefere incentivar os seus utilizadores a tornarem-se denunciantes daquilo que lhes desagrada. Desrespeita-os e infantiliza-os, tratando pessoas adultas como se estivesse a castigar meninos mal comportados.

Há uns meses atrás também estive de castigo: durante um fim de semana fiquei impedido de partilhar links do meu blogue nos grupos em que estou inscrito. Sem qualquer justificação concreta para o castigo nem hipótese de apelação, apenas aquela alegação genérica de que poderei ter violado os “padrões da comunidade”. Não foi coisa que me perturbasse, na altura, até porque sempre tentei manter as minhas interacções com o Facebook no mínimo indispensável. Mas confirmou a minha ideia acerca da natureza profunda do livro das mil caras. E do velho espírito pidesco, cobarde e persecutório que, ao fim de quase meio século de democracia, dormita ainda nalguns concidadãos.

Espantosamente, este sistema dos bufos e das denúncias, dos utilizadores banidos e dos links bloqueados, das listas negras para onde resvalam os utilizadores politicamente incorrectos, convive muito bem com os perfis falsos, as campanhas de ódio e as fake news. Mas claro que tudo isto subsiste, e prospera, em última análise, graças à popularidade do Facebook, dada pela preferência dos seus milhões de utilizadores.

As pessoas deixam-se seduzir com aquela aparência de igualdade, informalidade e democracia: todos se podem exprimir, publicar, interagir. Na verdade, nem todos são iguais e as regras que regem o sistema são tudo menos democráticas. A liberdade dos utilizadores está sempre subordinada ao interesse superior dos donos da plataforma, que é maximizar o número de utilizadores e a quantidade e qualidade da informação pessoal que é recolhida de cada um.

Mas, apesar dos defeitos evidentes, a grande maioria dos utilizadores mais velhos continua a recusar-se a considerar o uso de outras redes sociais alternativas, algumas das quais certamente mais amigáveis. Pelo que o grande desafio que se coloca é como usar o Facebook sem se ser usado e manipulado por ele. A maioria ainda não estará ciente desta necessidade.  Mas é uma ideia que se percebe bem, se tivermos presente a velha máxima: quando não pagas para usar o produto, tu és o produto…

2 thoughts on “O Facebook pôs mais um menino de castigo

  1. A “censura” foi praticada por denunciantes anónimos.
    Tal como com o crowdfunding, seria interesssante saber quem 🙂

    Por enquanto, divirto-me com o medo da palavra, não do Zuckerberg, mas desses anónimos.

    Eu quando spamo, faço-o em meu nome, no meu espaço 🙂

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  2. Esta coisa da censura é algo muito pouco democrático.
    Só em casos de comprovada instigação a actos não constitucionais e afins. Nunca em casos de opiniões divergentes.
    Eu, que sou menina, também fico de castigo amiúde. Isto para não se pensar que são só os meninos que ficam de castigo.

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