“O primeiro ciclo também pensa”

alunos-abc.pngManter durante uns anos um blog razoavelmente visitado,  não é tarefa fácil.

Muitas vezes pensei em desistir. Uma delas foi quando uma página anónima “Quem se preocupa com os professores do primeiro ciclo” me acusou de plágio. Sempre que os citava usava aspas, e a identificação possível, pois trata-se de um página eternamente anónima. O que prova que há medo entre alguns professores do primero ciclo, ou que têm alguma coisa a esconder. Hoje em dia sobrevivem do que alguns blogues publicam, e perderam o fulgor editorial de outros tempos.

Há medo no 1º ciclo, como sugere o Duilio Coelho, um resistente que continua, através do seu blogue PRIMEIRO CICLO, a intervir na blogosfera docente? Ou serão apenas a descrença, o desânimo e a exaustão a falar mais alto?

Sendo inteiramente verdade que o primeiro ciclo também pensa, todos ganharíamos com uma maior presença destes colegas no espaço de discussão pública dos temas e dos problemas da educação.

Pois pensando juntos, pensamos melhor.

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Colaborações: ComRegras

No Topo: As promessas para 2018

Sem dar grandes alegrias, no presente, a alunos e professores, antes pelo contrário, protelando a resolução de alguns problemas há muito diagnosticados à escola portuguesa, o ME prefere projectar para o futuro as melhorias no sistema educativo e na situação profissional dos professores…

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No Fundo: Corrupção (também) na Educação

As inúmeras ligações de Sócrates e dos seus cúmplices mais próximos a empresas de obras públicas, ao grupo BES/GES e aos homens fortes da PT, em casos que envolvem, segundo a acusação, corrupção, branqueamento de capitais e outros crimes económicos, lesaram o Estado em muitos milhões de euros e não passaram ao lado do sector da Educação…

Colaborações: ComRegras

No Topo: Descongelamento das progressões na carreira em 2018

O retomar da contagem de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira já tinha sido várias vezes anunciado pelo governo. Mas só agora surge, preto no branco, na proposta negocial apresentada aos sindicatos da função pública. Não sendo novidade, esta não deixa de ser uma boa notícia para professores, educadores e trabalhadores não docentes das escolas. Mas há também a parte má da notícia…

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No Fundo: Os resultados das provas de aferição

Foram esta semana divulgados os resultados nacionais das provas de aferição realizadas pelos alunos dos 2º, 5º e 8º anos de escolaridade. Que, como todos sabemos, não foram famosos. A maioria dos alunos não concretizou satisfatoriamente as tarefas propostas, mostrando dificuldades ou não realizando sequer o que lhe era pedido. Este padrão mostrou-se comum às diversas disciplinas e áreas disciplinares avaliadas…

Colaborações: ComRegras

No Topo: Professores indignados

Quando o ME, obedecendo a razões economicistas cuja eficácia ainda ninguém conseguiu vislumbrar, decidiu alterar as regras de colocação na mobilidade interna, retirando do concurso os horários incompletos, não terá antecipado bem as consequências da decisão. Pois os professores lesados não se mostram conformados com a sua situação, muito menos com a falta de respostas do ME às suas reclamações…

No Fundo: O ME na encruzilhada

A equipa dirigente do ME suscitou, inicialmente, as melhores expectativas. Um ministro jovem e simpático, investigador com provas dadas e que, apesar da evidente inexperiência, mostrava inteligência e vontade de aprender. Um secretário de Estado para as questões pedagógicas seguro, bem preparado e dialogante. E uma jurista competente e decidida com os assuntos administrativos e financeiros a seu cargo.

Contudo, passados dois anos, e apesar do êxito de algumas medidas iniciais, o estado de graça há muito terminou e o ME parece enredar-se, não só na incapacidade de dar a volta a alguns problemas estruturais do sector, como também nas complicações que ele próprio tem vindo a criar…

Blogosfera sem docentes

Os blogues sobre Educação ocupam um cantinho modesto na blogosfera portuguesa, esmagadoramente dominada por outros temas, ocupações e preocupações: moda, culinária, viagens, maquilhagens, hobbies, estilos de vida.

Ora o tema Educação não consegue competir, em fascínio e glamour, com os temas atrás citados. É um daqueles assuntos em que toda a gente acha que já sabe tudo, pelo que escrever, ler e reflectir sobre ele é, para a grande maioria, uma desinteressante perda de tempo.

Não é por isso de estranhar que a área da Educação esteja muitas vezes ausente de rankings e votações que se fazem tentando determinar quais são os blogues mais populares, interessantes ou com maior audiência em Portugal. Surpreendentemente, contudo, a TVI lembrou-se de incluir a categoria no seu concurso dos “Blogs do Ano”.

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Nenhum dos quatro nomeados se pode considerar especificamente, na minha opinião, um blogue sobre Educação. Serão projectos com qualidade e interesse, um sobre o uso da Língua Portuguesa, outro sobre Feminismo, outro ainda sobre Pintura. Há também o que me parece uma iniciativa empresarial que pretende criar à sua volta uma “comunidade” de jovens estudantes, escrevendo sobre assuntos do seu interesse.

Não deixa de ser curiosa, embora expectável, a ausência de qualquer representante da chamada “blogosfera docente”. Os blogues de professores, sobretudo os mais antigos e com maiores audiências, são bem conhecidos da comunicação social, que a eles recorre quando necessita de informações, opiniões e esclarecimentos para a elaboração de determinadas notícias sobre Educação. Mas não são, pelos vistos, suficientemente bons para terem direito a nomeação.

Claro que as razões se compreendem melhor quando comparamos com as nomeações noutras áreas e encontramos facilmente um padrão comum: percebe-se o gosto pela superficialidade, a valorização da forma em detrimento do conteúdo, a preferência pela escrita leve e concisa para não cansar o leitor. Uma blogosfera bem comportada, previsível e convencional, cada vez mais parecida com os modelos impostos pelas redes sociais.

 

Prevenir a indisciplina escolar

indisciplinaO ComRegras é seguramente, e fazendo juz ao seu nome, o blogue português que melhor trata as questões da indisciplina escolar. O que não sucede por acaso, mas é antes fruto da dedicação, experiência e sensibilidade para o tema que tem demonstrado o Alexandre Henriques, fundador e principal dinamizador de um espaço que se tornou uma referência na chamada blogosfera docente. E que partilha regularmente com os seus leitores o muito que sabe sobre o assunto, seja na perspectiva da regulamentação e dos procedimentos legais perante os problemas disciplinares, seja também na vertente, não menos importante, da prevenção da indisciplina.

Na verdade, todos os professores desejam evitar os problemas disciplinares nas suas aulas, mas nem todos o conseguem. E mesmo os mais bem sucedidos nesta matéria já terão constatado que não há receitas universais e de sucesso garantido: o que resulta numas turmas pode falhar com outras. É igualmente verdade que a indisciplina está profundamente ligada a problemas sociais e culturais que transcendem em muito a escola e a sua capacidade para os resolver. Também é certo que a sua incidência varia muito consoante o meio envolvente da escola e o tipo de turmas, sendo sabido que os cursos profissionais, CEFs, PIEFs e até turmas regulares com elevado número de repetentes são mais propensas à ocorrência de actos de indisciplina. E mesmo os horários escolares influem: que dizer daquelas turmas calmas e educadas aos primeiros tempos do dia em que, para o final da manhã ou da tarde, se vêem metade dos alunos já transformados em verdadeiros diabinhos?

Ainda assim, há procedimentos gerais recomendáveis e com provas dadas na prevenção da indisciplina, aplicáveis por todos os professores – e serão, quero crer, a grande maioria – que não se querem limitar a ser os “stores fixes”, que tudo permitem para não terem problemas, mas também não desejam recorrer a um autoritarismo rígido, desafiante e cada vez mais sem sentido perante as actuais dinâmicas escolares. É sobretudo a esses que se dirige, com clareza e sensatez, o blogger do ComRegras…

Acredito piamente que a empatia é o maior aliado do professor. Não é fácil, por vezes vemos e ouvimos certas coisas que só apetece mandar o aluno pela janela fora, desculpem o exagero da expressão.

Ainda na semana passada, tinha umas “criaturas” que parecia que estavam sobre o efeito de qualquer coisa, se calhar até estavam… Era subir espaldares, saltos loucos para os colchões, risadas constantes, provocações entre colegas e eu ali a ver se conseguia explicar alguma coisa. O problema é que ninguém me conhecia, não tinha qualquer tipo de relação com os miúdos e o “está quieto”, “ouve”, “cala-te” não resultavam pois não era visto como alguém com “legitimidade” para mandar calar quem quer que fosse. O professor hoje em dia não é por si só uma autoridade, é obrigado a conquistá-la e as causas para este descalabro, são sociais e já têm décadas…

Até podia ter colocado 5 ou 6 alunos na rua, podia, e no futuro se as coisas não mudarem assim farei, mas o meu objetivo nestas primeiras aulas é apenas um. Criar empatia com os alunos. Não para ser o professor “fixola” ou o “choca aí meu”, mas para criar qualquer tipo de relação que me permita ser visto não como o inimigo, mas como alguém que está ali para ajudar e naturalmente ensinar. É que para turmas como CEFs ou PIEFs, é muitas vezes mais importante o saber estar do que o saber fazer…

Irei apostar em diálogos individuais, separar o líder do grupo e torná-lo meu aliado, mostrar firmeza, mas tolerância para personalidades que foram “danificadas” pelas vicissitudes da vida. Acima de tudo irei mostrar imparcialidade, coerência e real preocupação pela pessoa que está por detrás do aluno.

Com o tempo, serei visto como um farol e respeitado como tal. Estou de alguma forma a manipular os alunos, mas ser professor é também isto, fazer e dizer o que precisa para que os alunos se tornem alunos e o professor possa exercer a sua função, a tão falada inteligência emocional…

Não descobri a pólvora, nem sou mais que ninguém, digo sempre que sou um mero professor como outros tantos que estão ao meu lado por esse país fora. Mas se me permitem e de coração aberto, e já que tenho a oportunidade de chegar a uns quantos, sejam empáticos, utilizem o humor, ouçam os alunos, “percam” um pouco de tempo com eles e irão ganhar muito do vosso tempo e seguramente um ano menos complicado.

Colaborações: ComRegras

No Topo: Descongelamento (gradual) das progressões na carreira

Embora ainda não se saiba como se concretizará a promessa, ela tem sido anunciada com alguma insistência, à qual não é estranho o calendário eleitoral: o progressivo descongelamento das carreiras da função pública irá ser uma realidade a partir de 2018

 

No Fundo: Coisas que nunca mudam

Entre o pior da semana, estão três realidades que espelham algumas das maiores dificuldades da nossa vida colectiva: a incapacidade de reconhecer os erros, aprender com eles, corrigi-los. De mudar o que está mal e empenhadamente construir uma sociedade melhor, com o contributo e a responsabilidade de todos…