Não estamos todos no mesmo barco

camarinha

Sei bem que o sindicalismo da CGTP e da Fenprof provoca alguma urticária em boa parte da classe docente. Percebo que muitos professores não se revejam nos discursos, nas lideranças ou nas posições políticas. Mas a falha maior não é a de quem, à sua maneira, age em defesa dos professores. O que há é, da parte de outros quadrantes políticos, um grande vazio e uma profunda ignorância relativamente aos problemas sociais e laborais dos professores.

Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP, não é professora. Mas fez ontem, a pretexto da celebração do Dia Mundial do Professor, uma análise muito incisiva e pertinente da realidade social e política que condiciona, não só os direitos e reivindicações dos professores, mas de todos os trabalhadores. Por muito que se diga o contrário, não estamos todos no mesmo barco. E se há uma política de fundo que favorece o capital em detrimento do trabalho, não é a pandemia que irá, só por si, inverter a situação. Vai é servir de pretexto para continuar a política que já antes era seguida.

A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, disse esta segunda-feira que as “opções têm sido muito desequilibradas” e que “as medidas que têm vindo a ser tomadas” face à pandemia da Covid-19 mostram que nem todos estão no mesmo barco.

“Neste momento particular que estamos a viver impõem-se outro caminho, um caminho que rompa com este caminho. Não estamos todos no mesmo barco. As opções têm sido muito desequilibradas e as medidas que têm vindo a ser tomadas para fazer face ao surto epidémico são a favor do capital e deixam os trabalhadores em situação de grande fragilidade”, disse Isabel Camarinha.

[…]

Num discurso marcado por reivindicações, Isabel Camarinha defendeu que “o modelo de baixo salários, da precariedade, das normas gravosas da legislação laboral, do desinvestimento nas funções sociais do Estado (…) são opções dos sucessivos Governos, não são culpa da pandemia”.

“É hora de avançar nos direitos, nos salários e nas pensões e no reforço do papel do Estado. Agora todos aplaudem e todos dizem que a administração pública e os serviços públicos são importantes e fundamentais para dar resposta às necessidades colocadas pelo surto epidémico, mas não chega valorizar só de nome. Tem de se dar condições e uma escola pública que efetivamente tenha qualidade”, apontou.

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