Voltar a brincar na rua

leiria.jpgO que fazer quando as crianças passam os dias encafuadas na escola ou em casa, despendem os tempos livres agarradas a aparelhos electrónicos, os pais não têm tempo ou vontade para sair com elas à rua ou passear ao ar livre e os perigos à espreita nos espaços públicos não aconselham a que saiam sozinhas?

“Queremos os mais novos a brincar livremente no espaço público, encontrando os amigos de sempre ou fazendo novos amigos, explorando a criatividade e com interferência mínima dos adultos.” Francisco Louro, presidente da associação Ludotempo, de Leiria, explica, em declarações à Lusa, a base do projeto “Brincar na Rua” que pretende recuar aos tempos das brincadeiras ao ar livre. A ideia é que as crianças brinquem nas ruas e jardins, que tenham essa experiência, mas de uma forma adequada aos tempos modernos e com toda a segurança.

Havendo associações e empresas a explorar o filão dos tempos livres dos miúdos, tudo se resolve. A Ludotempo, em Leiria, leva os miúdos ao parque ou ao jardim público e deixa-os lá a brincar. Dois monitores devidamente formados ficam, de longe, a vigiar.

Antecipando a eventualidade de os miúdos, com tanto aparelhómetro e sedentarismo, já nem saberem brincar, os adultos responsáveis estão instruídos para os ensinar: chama-se “activar brincadeiras”. Mas depois de desencadeado o processo devem retirar-se, pois o que é suposto é que as crianças brinquem umas com as outras.

Para garantir a absoluta segurança das crianças, os grupos são limitados a um máximo de 15 e elas vão para a brincadeira equipadas com um sistema GPS que avisa sempre que alguma ultrapasse o perímetro de segurança previamente definido.

São vários e de peso os parceiros e os reconhecimentos que este projecto da associação sem fins lucrativos de Leiria já obteve: da Fundação Gulbenkian à ESE de Leiria, da Câmara da cidade às Juntas de Freguesia, passando pelo Instituto da Juventude, todos apostam nesta iniciativa que surge com a intenção de ser alargada a outras cidades do país.

Sem querer desvalorizar projectos inovadores e com potencialidades interessantes, gostaria que a reconquista do espaço público por parte da miudagem que desde sempre o ocupou com as suas brincadeiras, descobertas e aventuras se fizesse com uma dose maior de dois ingredientes fundamentais: mais autonomia e iniciativa dos miúdos, maior presença e responsabilização dos pais.

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