Democracia sim, Maçonaria não!

maconaria.jpg“Quando estou a falar de interesses secretos, obscuros, pouco transparentes, estou-me a referir claramente à Maçonaria”.

Dizendo “pressentir” que a sociedade maçónica “está um pouco por todo o lado e a tentar condicionar muitas coisas”, o líder social-democrata acrescentou: “Não tenho dúvidas sobre isso. Aliás, se eu não dissesse isto, era um hipócrita. Todos nós sabemos isto e ninguém tem coragem para o dizer, mas eu digo-o”.

Haja quem o diga claramente, e Rui Rio sobe na minha consideração por o fazer sem tibiezas: a Maçonaria é uma organização anti-democrática que congrega interesses obscuros.

Historicamente, a Maçonaria desempenhou um papel importante na luta pela liberdade, a democracia e a laicidade. Nos regimes absolutistas, princípios hoje universais como a igualdade de direitos, a liberdade de expressão ou o direito à participação política dos cidadãos eram ideias subversivas que facilmente poderiam condenar os seus defensores a longos anos de cadeia ou, nalguns casos, à forca. Num secretismo que, neste contexto, fazia todo o sentido, as lojas maçónicas eram espaços onde se podia pensar e falar livremente.  Aí se conspirava contra os poderes estabelecidos e aí, lentamente, foram germinando os ideais que deram origem às revoluções liberais.

Contudo, em sociedades abertas, livres e democráticas, as organizações secretas ou semi-secretas perderam por completo a razão que justifica a sua existência. Nunca foi tão fácil ao cidadão comum expor livremente as suas ideias e juntar a sua voz ao debate público sobre qualquer assunto. Todos podem associar-se livremente em torno de interesses ou projectos comuns, formando clubes, associações, partidos políticos. Porque é que algumas pessoas insistem então em organizar-se secretamente em instituições elitistas, segregacionistas e marcadas por rituais anacrónicos, como são as diversas obediências maçónicas, mas também o seu contraponto do lado do conservadorismo católico, a Opus Dei?

A resposta só pode ser uma: esperam alcançar dessa forma poder e influência que não obteriam por mérito dos próprios ou das ideias que defendem. O que é ilegítimo: quem quer influenciar ou determinar a vida política e as decisões que, em nosso nome, são tomadas pelos vários órgãos de soberania, deve fazê-lo publicamente, sob o escrutínio dos cidadãos, assumindo claramente quem é, ao que vem, quem o apoia.

Se é eticamente inaceitável que um governante nomeie um familiar próximo para um cargo público, ou assine em nome do Estado um contrato com os seus parceiros de negócios, como se pode aceitar que o faça em relação aos “irmãos” da sua loja maçónica, unidos numa irmandade de interesses que se sobrepõe até às lealdades partidárias? Claro que a única diferença é que as ligações familiares e empresariais são do conhecimento público ou podem ser facilmente encontradas pelos jornalistas. Já as outras, envoltas pelo secretismo maçónico, passam em regra despercebidas.

É por isso de saudar a atitude do ainda líder do PSD, marcando uma posição clara face a Luís Montenegro, um candidato com conhecidas ligações à Maçonaria. Sendo de lamentar que da parte do PS, o partido português mais permeável à infiltração maçónica, nunca ninguém tenha sido capaz de fazer a separação de águas que há muito se impõe.

Pela minha parte, não tenho dúvidas: as organizações secretas são uma potencial ameaça ao Estado democrático e este deve defender-se dessas organizações. E espero – sentado! – pelo dia em que todos partidos políticos concorrentes às eleições possam afirmar, preto no branco, que as suas listas não incluem membros de sociedades secretas…

A substituta de Alexandra Leitão

susana-amador.jpgSegundo avançava ontem o JN, um dos nomes para as secretarias de Estado do ME já está escolhido. A avaliar pelo perfil da deputada socialista, que tem formação em Direito e na anterior legislatura foi vice-presidente do grupo parlamentar do PS, deverá ir ocupar o lugar deixado vago por Alexandra Leitão.

Susana Amador, de 52 anos, tem uma vasta experiência autárquica – foi presidente da Câmara de Odivelas – o que deverá representar uma mais-valia no quadro da municipalização da Educação, uma opção política socialista da qual Susana Amador se mostrou adepta fervorosa e a que o novo governo certamente dará continuidade.

Quanto a João Costa, não se sabe ainda se vai ou se fica, embora no contexto que já conhecemos – a manutenção do ministro incompetente, a promoção a ministra da secretária de Estado – a continuidade pura e simples poderia representar, para Costa, uma desconsideração. A ver vamos, sendo certo que a indicação das equipas ministeriais completas deverá estar para breve.

Em relação ao terceiro secretário do ME, que costuma existir para as Coisas Desportivas, creio que seria, a bem da contenção orçamental tão apreciada no sector educativo, uma figura dispensável. Com fraco préstimo para tudo o resto, desaparecido sempre que algo se complica, o ministro tem encontrado na área do Desporto a sua verdadeira vocação governativa. Bem poderia ficar ele com a pasta…

Novo governo ou remodelação governamental?

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A equipa governativa escolhida por António Costa não parece, como vários políticos e comentadores têm notado, um governo verdadeiramente novo. Com a grande maioria dos anteriores ministros mantidos em funções, sugere mais com uma remodelação governamental do que a mudança que se exigiria numa nova legislatura.

Em equipa que ganha não se mexe, costuma dizer-se com alguma razão. Mas isso implica considerar que as apostas do anterior governo foram, na perspectiva socialista, ganhadoras. O que no caso da Educação e da Saúde, para referir apenas dois exemplos emblemáticos, estará longe da realidade. Contudo, a manutenção em funções de Tiago Brandão Rodrigues e de Marta Temido, respectivamente, sugere uma continuidade das políticas nestes sectores. E uma avaliação positiva do desempenho dos ministros, fiéis executores da única linha política que mostrou ser determinante e consistente nos quatro anos de governação costista: o rigor orçamental de Mário Centeno e das suas proverbiais cativações.

Centeno, aliás, mantém-se como um dos ministros das Finanças mais populares das últimas décadas. Rigoroso nas contas e controlador na despesa, o superministro das Finanças tornou-se figura incontornável do segundo governo de António Costa, e não apenas por ter entretanto ascendido à liderança do Eurogrupo. Ele restituiu ao PS, na área das finanças públicas, uma credibilidade perdida com o desvario despesista e o endividamento irresponsável que, durante o socratismo, quase levaram o país à bancarrota.

Apesar de o PS, embora reforçado eleitoralmente, continuar a não ter maioria absoluta no parlamento, o partido ficará numa posição mais confortável nesta legislatura. Enquanto até aqui necessitava dos votos favoráveis do BE e do PCP para aprovar orçamentos ou enfrentar eventuais moções de censura, agora poderá nem precisar do apoio explícito destes partidos: bastará negociar a abstenção do PSD ou do BE para conseguir, apenas com os seus próprios deputados, aprovar o que pretender. Sem amarras a qualquer acordo escrito, o PS poderá negociar caso a caso com todos os partidos, optando, em cada situação, pelo que lhe apresentar o preço mais baixo.

Finalmente, com a correlação de forças à esquerda alterada a favor do PS e um PSD enfraquecido e tendencialmente moderado, parece provável que o segundo governo de António Costa se posicione mais à direita do que o anterior. O centrão político não morreu durante o governo da geringonça, ressurgindo várias vezes nas votações parlamentares que punham em causa os consensos do regime – a mais recente permitiu aprovar alterações à lei laboral penalizadoras para os trabalhadores contratados. A revisão das carreiras da administração pública e outras “guerras” que o novo governo já deu sinais de querer comprar, deixam antever entendimentos na forja entre os dois principais partidos da situação. Irá a aproximação natural entre PS e PSD manter-se ao nível dos acordos pontuais, ou evoluirá para um relacionamento mais íntimo, profundo e duradouro?…

Azeredo, sabes o que é um paiol?

Politicamente, estou nos antípodas do pensamento da direita neoliberal que João Miranda há muitos anos vem representando na blogosfera e nas redes sociais.

Mas também nunca me identifiquei com a mediocridade dourada dos boys socialistas, com o carreirismo e o oportunismo dos homens do aparelho, sempre prontos para assumir, ao serviço do partido e em proveito dos próprios, mais um “desafio”.

E o tweet, reconheça-se, está muito bem apanhado…

Exactamente na mesma linha, também se poderia ter perguntado a um certo Tiago o que percebia de Educação…

Abriu a caça ao voto

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A campanha eleitoral ainda nem começou oficialmente, mas para o partido no poder parece já valer tudo. Candidatos, autarcas e governantes, tudo gente do mesmo partido, tudo à molhada em despudorada caça ao voto, ao mesmo tempo que distribuem tablets pelas criancinhas.

Os sinais de arrogância e excesso de confiança são evidentes. Se conseguirem a maioria absoluta vai ser a repetição da desgraça, pois não parecem ter aprendido nada com o desastre que foi o socratismo…

Promoções

tiagobr-alexleitao.JPGTiago Brandão Rodrigues é o escolhido do Partido Socialista para liderar a lista de deputados à Assembleia da República (AR) no distrito de Viana do Castelo.

Alexandra Leitão é a cabeça de lista do PS por Santarém

Terão cumprido os objectivos da legislatura à frente de um ministério difícil de gerir, sobretudo desde que a Educação deixou de ser uma prioridade política, passando a ser encarada apenas como fonte de despesa.

Ele é o ministro da Bola e do Abandono Escolar – pois há muito marca presença assídua nos eventos desportivos, sobretudo quando se realizam no estrangeiro, para evitar assim o contacto directo com as escolas, os professores e os problemas da Educação.

Já a secretária de Estado mostrou-se, desde o início, mais determinada e corajosa. Contudo, depois de ganhar a guerra dos contratos de associação, perdeu grande parte do seu capital político ao enredar-se em alterações manhosas das regras dos concursos.

Ainda assim, a folha de serviços de ambos terá um saldo largamente positivo. Pelo que chegou a altura de premiar o sacrifício destes quatro anos e anunciar as recompensas: serão ambos cabeças de lista do PS nas próximas legislativas.

Do secretário de Estado da Flexibilidade & Inclusão, mais discreto, vamos tendo menos notícias. Pelo que é provável o regresso ao lugar de recuo na universidade, para tomar balanço para os novos e mais altos voos, talvez internacionais, daquele que já é, hoje, um dos directores da OCDE.

O Governo do Engano

margarida-manoMargarida Mano foi, durante 27 dias, ministra da Educação no fracassado segundo Governo de Passos Coelho. Tem representado, desde então, a bancada parlamentar do PSD em assuntos educativos. E escreve hoje no Público sobre uma das áreas de competência mais notáveis do actual Governo: a de enganar os cidadãos.

Anunciando repetidas vezes medidas que não concretiza, retirando sorrateiramente com uma mão aquilo que oferece com a outra, apropriando-se de méritos alheios, este Governo conseguiu criar de si próprio, e do país que governa, uma imagem largamente positiva.

Contudo, esta estratégia tem os seus limites. Como dizia Lincoln, é possível enganar toda a gente durante algum tempo. É possível enganar algumas pessoas o tempo todo. Mas é impossível enganar toda a gente, durante todo o tempo.

Há poucos dias, o chefe de Governo foi inaugurar uma escola requalificada em Arcos de Valdevez: 4,1M€ de investimento; promessas para o futuro e, cereja no topo do bolo, um “tributo aos professores”. Podemos gostar de o ouvir, mas não esqueçamos que estamos a ser enganados: 2,7M€ foram-nos dados pela Europa (a Europa das eleições nas quais muitos não votamos) e 1,2M€ foi investimento do município. O Governo contribuiu para a requalificação com uns quase insultuosos 0,2M€. Estes momentos de campanha não podem fazer-nos esquecer do fundamental: os números do investimento na Educação estão ao nível zero (0,3%), tendo em conta o orçamento do ministério (6000M€). No total, são pouco mais de 20M€, que mal dariam para cobrir o custo médio de uma única intervenção da Parque Escolar. Menos 80% do que o investimento realizado em 2015!

Na Educação, ao fim de quatro anos de legislatura, o que é factual é que o investimento é insignificante, que as condições nas escolas estão degradadas e que existem profundas contradições entre o discurso e a realidade, como a contradição chocante entre o discurso de tributo e a prática de desprezo pelos agentes da educação (alunos, famílias, assistentes técnicos, técnicos educativos, professores, inspetores, etc.).