Dia de Camões

© Henricartoon

O Primeiro de Maio explicado em 3 minutos

Em três minutos de animação vídeo, uma boa explicação de como nasceu o Dia do Trabalhador e porque faz sentido, mesmo nas economias pós-industriais do século XXI, continuar a assinalar a data.

Dia das Mentiras

Já um ano ou outro não resisti à tentação, e assinalei o tradicional dia das mentiras postando por aqui uma notícia falsa. Mas nos tempos que correm não me apetece fazê-lo, e nem seria muito difícil inventar uma qualquer peta para brincar um pouco, tentando enganar os mais incautos dos meus leitores.

Na realidade, a mentira clara e assumida, agora elevada à condição de verdade alternativa, instalou-se solidamente na manipulação mediática e, mais ainda, nas redes sociais. Negar mesmo as verdades mais evidentes tornou-se modo de vida de políticos ignorantes e populistas, de jornalistas sem escrúpulos em busca de audiências, de perfis falsos que enxameiam as redes sociais. Para quem, como eu, marca diariamente presença na blogosfera, combater a desinformação e a manipulação tornou-se parte do quotidiano. Perco demasiado tempo a tentar desmontar maroscas e aldrabices para ter vontade de inventar mentiras no dia das ditas cujas.

No admirável mundo do século XXI, o negacionismo tornou-se o supra-sumo da arte de mentir.

Imagem daqui.

Dia Internacional da Mulher

© National Geographic

Feliz Ano Novo

Deixando para trás um 2020 de más memórias apercebemo-nos de que talvez nunca, nas nossas vidas, os tradicionais votos de Ano Novo tenham feito tanto sentido.

Que 2021 seja, em definitivo, o ano da superação da pandemia, permitindo o retomar gradual da normalidade nas nossas vidas pessoais e profissionais.

Um Feliz Ano Novo a todos os leitores!

Dia da Restauração

Mais uma inspiração do Antero Valério!…

Dia Mundial do Professor

Um dia de celebração, mas também de reivindicação e de protesto.

Porque os direitos e a dignidade profissional dos professores continuam a ser ignorados e desrespeitados por quem os devia respeitar e valorizar.

Todos os dias.

cartaz5out2020

O 11 de Setembro chileno: fascismo e neoliberalismo

11_setembro1973-chile

É habitual recordar, nesta data, os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, talvez o acontecimento que melhor simboliza a entrada no mundo globalizado e multipolar do século XXI. Pela minha parte, atribuo hoje maior actualidade o que se passou num outro 11/09, o de 1973: o golpe de Estado dos militares chilenos, apoiados pela CIA, contra o governo democraticamente eleito de Salvador Allende. 

É importante recordar, não apenas o martírio do presidente e de milhares dos seus apoiantes, que acabaram por morrer na sequência do golpe ou nas prisões políticas da ditadura de Pinochet, mas também o carácter precursor do regime então instituído no Chile: um casamento quase perfeito entre fascismo e neoliberalismo. Sem liberdades políticas, o Chile foi o primeiro país a experimentar as amplas liberdades económicas preconizadas pela Escola de Chicago.

Uma receita que, apesar dos modestos resultados económicos e dos enormes custos sociais e políticos, teve e tem seguidores. No Brasil de Bolsonaro, por exemplo, olhares atentos detectam sinais evidentes de uma pinochetização do regime…

Com Pinochet no poder, o ideário neoliberal dos Chicago Boys não foi apenas defendido, mas rigorosamente implementado. As medidas reverteram uma série de iniciativas sociais colocadas em prática pelos governos de Eduardo Frei Montalva (1964-1970) e Allende (1970-1973), e suas consequências são sentidas ainda hoje.

“Esse projeto neoliberal radical precisa da violência para ser implementado. O exemplo chileno é o mais emblemático”, afirma Joana Salém, doutoranda em história econômica pela Universidade de São Paulo (USP).

Em entrevista ao Brasil de Fato, a pesquisadora disse que o Brasil, sob a tutela de Guedes, já passa por um processo de “choque neoliberal”  fortemente inspirado no modelo implementado no Chile durante a ditadura Pinochet. “É muito importante entender que o projeto do atual ministro da Economia [do Brasil], que colocou muitos de seus asseclas na estrutura do Estado para desconstruir a nossa Constituição, [tem como] modelo o Chile”.

Por cá, o proto-fascismo do partido de André Ventura e os lobos neoliberais com pele de cordeiro tentam, por vias distintas, mas tendencialmente convergentes, refundar a direita portuguesa. O discurso securitário de uns liga bem com a desregulação da economia e o desmantelamento do Estado social que os outros querem promover. Por muito que nos queiram convencer do contrário, a verdade é que nenhum fascista chegou ao poder sem ter, na hora H, algum apoio decisivo vindo das hostes liberais.

Afinal de contas, para um genuíno liberal, a sua liberdade individual vale mais do que a democracia, expressão da liberdade de todos. Se tiver de sacrificar a democracia, em benefício do pacote integral de liberdades que reserva para si próprio – incluindo a liberdade de explorar e oprimir o próximo – o bom do liberal não pensa duas vezes.

Quarenta e sete anos depois do golpe fascista de Pinochet, vale a pena pensar nisto.

A morte de Salazar

António de Oliveira Salazar faleceu a 27 de Julho de 1970, ao fim de uma longa agonia de quase dois anos que obrigou o presidente da altura, Américo Tomás, a demiti-lo do cargo de Presidente do Conselho em que parecia ter-se eternizado.

Cinquenta anos depois, é interessante observar como os jornais da época reagiram a um evento que há muito era aguardado. O falecimento foi chorado por alguns, festejado por outros;  a maioria do país político terá sentido, na altura, um certo alívio perante o desenlace esperado e inevitável. À mistura com alguma inquietação sobre o futuro.

dlx

Na verdade, nos seus últimos tempos, a vida de Salazar era meramente vegetativa, entre a residência oficial que continuava a usar, numa grotesca encenação de um poder que já não possuía, e o hospital onde foi internado quando o estado de saúde se agravou irreversivelmente. No lugar de Presidente do Conselho, Marcelo Caetano sentia sobre si a sombra do velho ditador, uma ameaça permanente à afirmação do seu poder e dos seus planos de “evolução na continuidade”.

Após o funeral, desaparecida de vez a figura tutelar do Estado Novo, teve Marcelo o inteiro protagonismo político e a sua oportunidade de fazer a diferença e provocar a mudança. De abrir e arejar o regime, dar força e influência a uma nova geração de juristas, economistas e tecnocratas que ansiava por reformas económicas, sociais e políticas e que foi um dos esteios do marcelismo.

Em vez disso, sabemos o que sucedeu. Manietado pelas forças ultra-conservadoras que cerravam fileiras em torno de Américo Tomás, condicionado por um sentimento de lealdade para com o presidente que o nomeou, Marcelo mostrou-se um homem temeroso e indeciso, incapaz de levar em frente as mudanças que o país reclamava. Mesmo aquelas que o próprio Marcelo percebia serem necessárias.

Ao contrário do que certas leituras revisionistas da História tentam fazer crer, Marcelo Caetano nunca foi um democrata, e esse traço da sua personalidade é importante para compreender que, na hora de optar entre a continuidade da ditadura ou a evolução para a democracia, Marcelo tenha escolhido contemporizar com a repressão e a censura, a polícia e as prisões políticas. Mantendo intocados os pilares do regime e, em África, uma guerra colonial em três frentes que, tanto política como militarmente, se tornava insustentável.

A morte de Salazar não significou o fim do Estado Novo, mas o regime não sobreviveu nem quatro anos ao desaparecimento do seu fundador.

Amália Rodrigues (1920-1999)

No Centenário do seu nascimento, a Escola Portuguesa homenageia a maior fadista portuguesa recordando um dos fados mais marcantes da fase final da sua carreira.

Uma das raras ocasiões em que a fadista se assumiu também como poetisa, pois é dela a letra que Carlos Gonçalves musicou…