25 de Abril à moda da Beira

cravo25a.JPGA manhã surgiu húmida e cinzenta naquele colégio religioso da Beira Alta. Corria, adiantado, o mês de Abril, nesse ano já distante de 1974.

A rapaziada jogava à bola, ou deambulava pelo recreio, aguardando o início das aulas matinais. A destoar do ambiente habitual, uma movimentação que apenas alguns miúdos mais atentos notaram: em vez de entrarem imediatamente no colégio, alguns professores tinham-se juntado na rua, em volta do carro de um deles, a ouvir atentamente a emissão que o auto-rádio transmitia.

Quando, daí a pouco, se iniciaram as aulas matinais, o reitor levou para a sua sala de aula algo volumoso, que não costumava fazer parte do material escolar. E a forma grave e severa como se dirigiu aos alunos, antes de iniciar a lição, também os surpreendeu:

– Os meninos têm falta de alguma coisa?… Alguém aqui é maltratado?… Há algum menino que passe fome?… – perguntou o padre à turma.

– Não senhor, não senhor… – responderam os alunos, atónitos e temerosos.

Encorajado com a resposta, o reitor prosseguiu:

– Pois parece que em Lisboa os comunistas querem tomar o poder. Mas aqui, no colégio, eles que venham, que eu cá os espero.

E mostrou à turma a caçadeira que, por via das dúvidas, tinha trazido de casa, precavido para o que desse e viesse…

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O Centenário da Batalha de La Lys

grande-guerra.jpgO essencial conta-se em poucas palavras: o Corpo Expedicionário Português, enviado para combater nas trincheiras da Flandres, ao lado da Inglaterra e outros países aliados, o poderoso exército alemão, foi desbaratado por uma forte ofensiva germânica na frente ocidental. A Batalha de La Lys, como ficou conhecida para a posteridade, aconteceu a 9 de Abril de 1918, há precisamente cem anos atrás.

Com milhares de mortos, feridos e desaparecidos em combate e alguns seis ou sete mil soldados feitos prisioneiros pelos Alemães, o exército português terminou aqui a sua participação mais ou menos autónoma na Primeira Guerra Mundial. Os poucos militares sobreviventes e ainda em condições de combater foram integrados em unidades do exército inglês.

Muitos factores contribuíram para esta derrota, e levar-nos-ia longe a tentativa de os esmiuçar. Ainda assim, a perspectiva histórica que, um século depois, conseguimos ter, mostra-nos que a presença portuguesa no cenário da Grande Guerra não foi relevante para o desenrolar do conflito nem era fundamental à defesa dos interesses nacionais como foi o envio de tropas para as colónias africanas ameaçadas pelos ataque alemães.

Serviu, isso sim, como forma de legitimação do regime e dos políticos republicanos instalados no poder na sequência da revolução, ainda recente, de 5 de Outubro de 1910. A participação na guerra foi muito contestada e esteve sempre envolta em polémica, com uma facção importante do próprio movimento republicano a defender o não envio de tropas e alguns até a mostrar simpatias germanófilas. A verdade é que os soldados enviados para as trincheiras iam completamente impreparados para a guerra moderna que teriam de enfrentar: nem fardamento, armas, munições, treino e equipamento eram adequados. Ao contrário do inicialmente previsto, as tropas não foram sendo substituídas à medida que iam dando sinais de desgaste. E, sobretudo depois da chegada à Presidência de Sidónio Pais, um “anti-guerrista” convicto, os soldados na Flandres foram percebendo que o poder político de Lisboa os tinha deixado entregues à sua sorte.

Desmoralizados os soldados, desgastados de sucessivos meses de combates na primeira linha da frente, vítimas das doenças e dos parasitas que grassavam nas trincheiras, mal vestidos e alimentados, com poucas armas e escassas munições, a sorte do exército português estava traçada quando, naquela madrugada de Abril de 1918, a ofensiva alemã irrompeu, com forças quatro ou cinco vezes superiores às nossas, precisamente no sector defendido pelos Portugueses.

Mesmo não restando já sobreviventes ainda vivos desta batalha, nem da presença portuguesa na Grande Guerra, os soldados que aí lutaram em nome da sua pátria são ainda hoje merecedores da homenagem e do respeito de todos os Portugueses. Uma dívida de gratidão e um sentimento solidário que se acentuam tanto mais quanto se percebe que, ontem como hoje, a demagogia, o oportunismo e a cobardia continuam a ser despudoradamente usadas pelos políticos, que demasiadas vezes se servem do povo em vez de servirem o povo.

O Dia da Mulher em Pedrógão Grande

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Profunda incompreensão do significado deste dia, ou apenas obscurantismo e estupidez?

Será que o fogo que varreu aqueles lugares, além de vidas, casas e bens, também levou sensibilidade e inteligência aos dirigentes autárquicos? Ou teremos somente de constatar que ninguém consegue dar aquilo que não tem?…

Dia Internacional da Mulher, para quê?

maria-da-rocha.jpgClaro que há múltiplas razões, mesmo nos países mais igualitários e desenvolvidos, para continuar a assinalar esta data. Apesar da igualdade prevista na lei, são inúmeros, e quotidianos, os casos de abuso, discriminação, agressão e violência extrema contra as mulheres, perpetrados, a maioria deles, pelos companheiros ou familiares próximos. Por vezes, com as mais trágicas consequências.

A portuguesa Maria da Rocha foi encontrada morta, terça-feira de manhã, pelas autoridades belgas, no bar que explorava em Charleroi, com ferimentos de faca nas costas. O companheiro foi detido e suspeita-se que a filha de nove anos poderá ter visto a mãe a morrer.

Música para o Dia da Mulher: Jorge Palma e Sérgio Godinho – A Noite Passada

Os posts agendados têm destas coisas, basta uma distracção do blogger e entram a destempo. Claro que o Dia Internacional da Mulher é só amanhã, mas isso não impede a homenagem antecipada: dia das mulheres, e dos homens que as respeitam, deveria ser todos os dias.

Natividades: Gaspar Van Den Hoecke – Adoração dos Magos

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Música para o Ano Novo: Orquestra Filarmónica de Viena – Marcha Reiter