Música para Nelson Mandela (1918-2013): Wouter Kellerman & Soweto Gospel Choir – Mandela Medley

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Música para o Dia da Mãe: Bruce Springsteen – Save The Last Dance For Me

Karl Marx (1818-1883)

0euro-trier.jpgKarl Marx nasceu, faz hoje 200 anos, na cidade alemã de Tréveris, que comemora a data com a emissão simbólica da nota de zero euros que ao lado se reproduz.

Um autor fora de moda, num mundo onde aparentemente triunfou o capitalismo sem pátria cuja derrota, às mãos do proletariado, Marx tantas vezes anteviu.

Contudo, se os projectos políticos directamente derivados do marxismo acabaram irremediavelmente por soçobrar ao embate da idílica utopia com a dura realidade, o pensamento político, económico e filosófico de Marx nem por isso se tornou definitivamente desactualizado e amarrado ao passado.

Leituras não dogmáticas das ideias de Marx – que ao que consta não gostava, ele próprio, de ser considerado marxista – continuam a ser úteis à compreensão do mundo em que vivemos. E da forma como chegámos até aqui.

A história de toda a sociedade até agora existente é a história de lutas de classes.

O homem livre e o escravo, o patrício e o plebeu, o barão feudal e o servo, o mestre de uma corporação e o oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travaram uma luta inin­terrupta, umas vezes oculta, aberta outras, que acabou sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em conflito.

 

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Primeiro de Maio

A assinalar o Dia do Trabalhador, algumas imagens do Primeiro de Maio de 1974 em Lisboa, quando, pela primeira vez após a longa ditadura, foi comemorado em liberdade.

Foi a maior manifestação de sempre em Portugal, num dia em que se calcula que terão saído à rua, em diversas cidades do país, mais de um milhão de portugueses, para festejar a liberdade e a democracia recém-conquistadas.

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© Gérald Bloncourt

25 de Abril à moda da Beira

cravo25a.JPGA manhã surgiu húmida e cinzenta naquele colégio religioso da Beira Alta. Corria, adiantado, o mês de Abril, nesse ano já distante de 1974.

A rapaziada jogava à bola, ou deambulava pelo recreio, aguardando o início das aulas matinais. A destoar do ambiente habitual, uma movimentação que apenas alguns miúdos mais atentos notaram: em vez de entrarem imediatamente no colégio, alguns professores tinham-se juntado na rua, em volta do carro de um deles, a ouvir atentamente a emissão que o auto-rádio transmitia.

Quando, daí a pouco, se iniciaram as aulas matinais, o reitor levou para a sua sala de aula algo volumoso, que não costumava fazer parte do material escolar. E a forma grave e severa como se dirigiu aos alunos, antes de iniciar a lição, também os surpreendeu:

– Os meninos têm falta de alguma coisa?… Alguém aqui é maltratado?… Há algum menino que passe fome?… – perguntou o padre à turma.

– Não senhor, não senhor… – responderam os alunos, atónitos e temerosos.

Encorajado com a resposta, o reitor prosseguiu:

– Pois parece que em Lisboa os comunistas querem tomar o poder. Mas aqui, no colégio, eles que venham, que eu cá os espero.

E mostrou à turma a caçadeira que, por via das dúvidas, tinha trazido de casa, precavido para o que desse e viesse…

O Centenário da Batalha de La Lys

grande-guerra.jpgO essencial conta-se em poucas palavras: o Corpo Expedicionário Português, enviado para combater nas trincheiras da Flandres, ao lado da Inglaterra e outros países aliados, o poderoso exército alemão, foi desbaratado por uma forte ofensiva germânica na frente ocidental. A Batalha de La Lys, como ficou conhecida para a posteridade, aconteceu a 9 de Abril de 1918, há precisamente cem anos atrás.

Com milhares de mortos, feridos e desaparecidos em combate e alguns seis ou sete mil soldados feitos prisioneiros pelos Alemães, o exército português terminou aqui a sua participação mais ou menos autónoma na Primeira Guerra Mundial. Os poucos militares sobreviventes e ainda em condições de combater foram integrados em unidades do exército inglês.

Muitos factores contribuíram para esta derrota, e levar-nos-ia longe a tentativa de os esmiuçar. Ainda assim, a perspectiva histórica que, um século depois, conseguimos ter, mostra-nos que a presença portuguesa no cenário da Grande Guerra não foi relevante para o desenrolar do conflito nem era fundamental à defesa dos interesses nacionais como foi o envio de tropas para as colónias africanas ameaçadas pelos ataque alemães.

Serviu, isso sim, como forma de legitimação do regime e dos políticos republicanos instalados no poder na sequência da revolução, ainda recente, de 5 de Outubro de 1910. A participação na guerra foi muito contestada e esteve sempre envolta em polémica, com uma facção importante do próprio movimento republicano a defender o não envio de tropas e alguns até a mostrar simpatias germanófilas. A verdade é que os soldados enviados para as trincheiras iam completamente impreparados para a guerra moderna que teriam de enfrentar: nem fardamento, armas, munições, treino e equipamento eram adequados. Ao contrário do inicialmente previsto, as tropas não foram sendo substituídas à medida que iam dando sinais de desgaste. E, sobretudo depois da chegada à Presidência de Sidónio Pais, um “anti-guerrista” convicto, os soldados na Flandres foram percebendo que o poder político de Lisboa os tinha deixado entregues à sua sorte.

Desmoralizados os soldados, desgastados de sucessivos meses de combates na primeira linha da frente, vítimas das doenças e dos parasitas que grassavam nas trincheiras, mal vestidos e alimentados, com poucas armas e escassas munições, a sorte do exército português estava traçada quando, naquela madrugada de Abril de 1918, a ofensiva alemã irrompeu, com forças quatro ou cinco vezes superiores às nossas, precisamente no sector defendido pelos Portugueses.

Mesmo não restando já sobreviventes ainda vivos desta batalha, nem da presença portuguesa na Grande Guerra, os soldados que aí lutaram em nome da sua pátria são ainda hoje merecedores da homenagem e do respeito de todos os Portugueses. Uma dívida de gratidão e um sentimento solidário que se acentuam tanto mais quanto se percebe que, ontem como hoje, a demagogia, o oportunismo e a cobardia continuam a ser despudoradamente usadas pelos políticos, que demasiadas vezes se servem do povo em vez de servirem o povo.

O Dia da Mulher em Pedrógão Grande

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Profunda incompreensão do significado deste dia, ou apenas obscurantismo e estupidez?

Será que o fogo que varreu aqueles lugares, além de vidas, casas e bens, também levou sensibilidade e inteligência aos dirigentes autárquicos? Ou teremos somente de constatar que ninguém consegue dar aquilo que não tem?…