Orgulhosamente inclusivos

“Portugal é orgulhosamente conhecido como um país que está na vanguarda da inclusão na educação, indo mais além na promulgação de um quadro legal para a inclusão de estudantes com ou sem dificuldades na educação”, vincou o ministro na sessão de encerramento do evento paralelo à Cimeira Social, que decorre esta sexta-feira, no Porto, intitulado “Solidariedade Europeia — Nenhuma Criança deixada para trás”.

Desde 2016, acrescentou, Portugal “aumentou o investimento público na educação e na formação, ano após ano, tendo em vista sobretudo alcançar mais e melhor inclusão, mais equidade e mais sucesso educacional para todos”.

Aliás, é “através da educação que se combate mais eficazmente a pobreza e as desigualdades”, defendeu o ministro, alertando para as desigualdades no acesso à educação, que poderão “fazer precisamente o oposto: perpetuar desigualdades e cristalizar a pobreza”.

Mas “as desigualdades não são inevitáveis”, defendeu o governante, apontando para uma “abordagem de educação inclusiva e de qualidade, que coloca os alunos, ao invés dos números, no centro do desenvolvimento educacional”.

Na sua língua de trapos, o ministro da Educação socorre-se dos habituais chavões e frases feitas para elogiar uma educação inclusiva e igualitária que, em regra, apenas existe no papel. E que, quando se tenta implantar no terreno sem os meios adequados, produz resultados desastrosos. Na falta de pensamento próprio sobre Educação, apesar de ser há cinco anos ministro da dita cuja, papagueia o discurso governamental da inclusão e do combate à pobreza e às desigualdades.

Mas a escola inclusiva, que o Governo tenta vender internacionalmente como um êxito da política educativa portuguesa, assenta num enorme equívoco. Que o ministro, no seu linguajar desajeitado, evidencia: a ilusão de que é na escola, brincando às inclusões, se combate a pobreza e as desigualdades que são estruturais na sociedade portuguesa. Como se sem desenvolvimento económico nem mobilidade social a escola pudesse, só por si, construir uma sociedade mais justa, igualitária e plena de oportunidades para todos.

A verdade é que, por muito que se torçam e manipulem estatísticas, não há como fugir à dura realidade: durante séculos a Educação promoveu efectivamente a mobilidade social, permitindo àqueles que se aplicavam nos estudos e adquiriram saberes técnicos e científicos especializados o acesso a profissões mais gratificantes e bem remuneradas. Contudo, essa vantagem não decorre da Educação em si mesma, mas de esta ter estado reservada a uma minoria da população, que assim conseguia tirar partido do valor de mercado dos seus conhecimentos e competências. Quando, com medidas ditas inclusivas, garantimos a educação a todos, o que constatamos – e já sucede há mais de uma década – é que quanto maiores são as qualificações dos jovens, mais difícil se torna o acesso ao mercado de trabalho nas respectivas áreas de formação.

Continuamos a ter uma economia baseada em produtos e serviços de baixo valor acrescentado, que em termos laborais requer uma mão-de-obra assente na precariedade, nas baixas qualificações e em baixos salários. Está assim longe de corresponder às expectativas dos jovens qualificados que, ano após ano, tentam ingressar no mercado de trabalho. Neste contexto, são cada vez menos as habilitações escolares a determinar o sucesso de uma carreira, e cada vez mais, outros factores de natureza extra-escolar. Quando, na hora de conseguir um emprego, valem mais os conhecimentos pessoais e familiares do que os conhecimentos académicos – ou a militância partidária, como se vai vendo cada vez mais – é evidente que a escola, seja mais ou menos inclusiva, não está a fazer funcionar o ascensor social.

Ministro condena a violência no desporto – e nas escolas?

O ministro da Educação reagiu esta terça-feira ao caso da agressão por parte de um membro da comitiva do FC Porto ao rerpórter de imagem Francisco Ferreira, da TVI, ocorrida esta segunda-feira em Moreira de Cónegos, após o Moreirense-FC Porto.

Tiago Brandão Rodrigues diz que este é um comportamento “absolutamente reprovável, altamente condenável”, afirmando que tem a “veemente condenação” do Governo.

Lembrando que este é um crime público (agressão a jornalista no exercício de funções), o ministro diz que terá de haver uma atuação “inequívoca”, que evite que algo semelhante volte a ocorrer, seja num recinto desportivo, seja nas imediações de um recinto desportivo.

Muito bem Tiago Brandão Rodrigues a condenar de forma vigorosa e assertiva mais uma agressão da máfia do futebol a um jornalista. O ministro, que também tutela a pasta do Desporto, foi bastante claro ao lembrar que se trata de um crime público e a exigir que o caso tenha os devidos desenvolvimentos e que a punição dos responsáveis sirva de dissuasor eficaz para futuras ocorrências do mesmo estilo.

É apenas de lamentar que perante agressões igualmente repugnantes e ainda mais violentas de que vários professores têm sido alvo desde que é ministro da Educação, Brandão Rodrigues tenha no passado optado pelo silêncio cúmplice. Uma atitude de indesculpável condescendência com os agressores, que desampara as vítimas e encoraja futuras agressões.

Escolas abertas e conversa da treta

Bateu-se pela manutenção das escolas abertas. Perdeu e ganhou. Por momentos, pareceu isolado. A entrevista JN/TSF deste domingo ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Desinteressante a longa entrevista de TBR, que li por uma espécie de dever de ofício. Naquele estilo rebuscado e algo patusco a que já nos acostumámos, não faltam também os habituais chavões e lugares-comuns em que o ministro se refugia para esconder a ignorância e a falta de sensibilidade e interesse pelos temas educativos.

TBR retoma o discurso a que já nos acostumámos, enunciando por exemplo os milhares de professores e funcionários contratados, mas não dizendo quantos, no mesmo período, se aposentaram, entraram de baixa ou simplesmente não viram os seus contratos renovados. Continua a atribuir o atraso na entrega de computadores à “falta de chips” e às perturbações do comércio com a China, quando são evidentes a incúria e a falta de planeamento. Dramatiza a experiência do confinamento e da necessidade de “recuperação de aprendizagens” sem perceber – ou, pelo contrário, sabendo-o bem! – que está a fazer o jogo das empresas e organizações que apostam no negócio das “academias de Verão”.

Mas o que mais impressiona na atitude deste ministro é a teimosia com que encara as “escolas abertas” a todo o custo com a afirmação de uma prioridade à Educação. As escolas fecharam tardiamente em Janeiro, quando Portugal atingia já o top mundial em novas infecções, mas o ministro ainda lamenta não ter conseguido arranjar mais “argumentos” para convencer o Governo a manter as escolas abertas. Uma inconsciência que faz deste homem um verdadeiro perigo para a saúde pública e o desqualifica para a tomada de qualquer decisão sensata nesta matéria. Em tempo de pandemia, aceitou colocar em risco a saúde e a vida de centenas de milhares de alunos, professores e funcionários em nome de um bem alegadamente maior que seria manter as escolas abertas a qualquer preço. Uma posição ainda mais condenável quando se percebe que agiu não por motivações pedagógicas, uma matéria que nunca despertou o seu interesse nos cinco anos que leva de ministro, mas por puro instinto de sobrevivência política.

Na verdade, TBR sabia bem que o seu ministério nada tinha preparado para o confinamento. Que, ao contrário das escolas e dos professores, que aprenderam com a experiência do primeiro confinamento e estavam preparados para voltar novamente às aulas não presenciais, o ME não fez o seu trabalho de casa. O ministro e os seus secretários limitaram-se a confiar na sorte, não demonstrando um mínimo de capacidade de antecipação e planeamento. Tanto assim foi que se viram obrigados a decretar duas semanas de férias forçadas que iremos compensar, inutilmente, com o prolongamento do ano lectivo. Nas poucas decisões e orientações que teve de produzir prevaleceu a preguiça e impôs-se o copy/paste em relação ao executado no ano anterior.

Perante tudo isto, um sentido de missão e uma ética de responsabilidade da parte do ministro justificariam uma atitude diferente: humildade, autocrítica, compromisso num trabalho mais construtivo e dialogante com os parceiros educativos, em vez dos tiques autocráticos em que neste ministério, diria mesmo no governo em geral, se vêm acentuando. As decisões insensatas do ministério não estão a favorecer o trabalho nas escolas nem a contribuir para melhorar as aprendizagens dos alunos. Se o ministro é notoriamente incapaz de perceber, seria bom que alguém, na cúpula ministerial, o compreendesse.

O futuro ministro?

O cartaz, que encontrei aqui, serve de anúncio a mais umas “jornadas pedagógicas” lá para os lados do Alto Minho. O Paulo Guinote vê nele, apropriadamente, a corte do actual rei-sol da Educação portuguesa. Eu achei piada ao pormenor delicioso do secretário de Estado representado numa imagem maior do que as restantes, um antiquíssimo processo de entronização que os faraós egípcios e outros notáveis do mundo antigo usavam para marcar iconograficamente a sua superior condição.

Por outro lado, tirando a representante do centro de formação que ali terá ido parar por mero acaso, os restantes bem poderiam formar a equipa de secretários de Estado de um futuro João Costa finalmente promovido a ministro, cargo que já vem exercendo de facto, face à notória incompetência do titular da pasta. Depois, é claro, de Tiago Brandão Rodrigues ser convenientemente emprateleirado, recompensando-se assim a fidelidade e os bons serviços à causa educativa socialista.

Autonomia, muita autonomia!…

As escolas têm autonomia para definir os critérios de avaliação do 2.º período que melhor se adaptem ao facto de a generalidade das aulas ter sido dada remotamente. A garantia foi dada esta segunda-feira pelo ministro da Educação durante uma visita ao Centro Escolar de Paços de Ferreira, que serviu para assinalar a retoma do ensino presencial para as crianças até ao 1.º ciclo. Tiago Brandão Rodrigues afastou a hipótese de a tutela emitir qualquer orientação sobre a forma como devem ser dadas as notas nas próximas semanas.

Brandão Rodrigues entende que as escolas têm “maturidade suficiente para entender como querem fazer a avaliação dos seus alunos”. “Relativamente a isso estamos muito confortáveis, os directores das escolas, os conselhos pedagógicos, os professores e educadores deste país conheceram as regras e sabem todos os protocolos que cada um dos agrupamentos definiu”, acrescentou.

Claro que não valeria a pena esperar que, da parte do ministério surgisse qualquer orientação concreta relativamente às avaliações do 2.º período, desde logo por falta de pessoal competente para o fazer. A avaliação, tal como muitos outros assuntos que implicam ter trabalho, conhecer a realidade, fazer escolhas e assumir responsabilidades, são sempre relegados para a “autonomia das escolas”.

Dizem eles que já assim foi no ano passado, mas então a situação era diferente. Estavam decorridos dois períodos em regime presencial, apenas com duas semanas de confinamento antes das férias da Páscoa. Agora tivemos um 2.º período com apenas 14 dias de aulas presenciais, pelo que poderia fazer sentido a proposta, que um número crescente de professores tem defendido, de substituir as notas do 2.º período por uma avaliação qualitativa, sem atribuição de classificações ou níveis. Sobretudo no secundário, onde se continua a usar a escala de 0 a 20, parece-me problemática a avaliação qualitativa, tendo em conta a desigualdade de situações dos alunos e a impossibilidade de controlar as condições em que cada um estuda e realiza os trabalhos sujeitos a avaliação.

Sem uma opinião definitiva sobre a matéria, gostaria que o assunto fosse discutido por professores, alunos, pais e outros intervenientes e interessados. Mas este é um debate que o ME não pretende, obviamente, promover.

Um caso perdido

Os quase 16 mil testes rápidos de antigénio que foram realizados em escolas desde finais de Janeiro permitiram identificar 50 casos de infecção pelo novo coronavírus entre alunos, professores e funcionários. As análises foram feitas, numa primeira fase, nos concelhos que estavam classificados como de risco “extremamente elevado” e, mais recentemente, nas escolas de acolhimento para os filhos dos profissionais essenciais, que se mantiveram abertas.

Estes números foram avançados, esta quarta-feira, pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, durante uma audição parlamentar convocada para analisar a transição para o ensino remoto nas últimas semanas. O governante fez uso dos dados para sublinhar a ideia de que as escolas “são lugares seguros” e que a prioridade deve ser “voltar ao ensino presencial” o mais rapidamente possível.

Fizeram testes rápidos nas escolas, quase todos durante o período de confinamento. Ou seja, a um punhado de professores e funcionários que ali estavam para acolher um pequeno número de alunos, filhos de trabalhadores essenciais. Excluíram da testagem os alunos do básico, continuando a alimentar o mito de que os mais novos não contagiam.

E é com base em resultados obtidos a partir de uma realidade ilusória que o ministro continua a dizer que as escolas são lugares seguros e que as quer reabrir o mais depressa possível. Claro que como escolas de acolhimento para um pequeno número de crianças elas são seguras, mas quando em vez de 10 ou 20 estiverem 500 ou 1000 alunos em simultâneo, será a mesma coisa?

Incapaz de reconhecer erros e de antecipar problemas, o ministro limita-se a correr atrás do prejuízo, e isso mesmo lhe fizeram notar anteontem no Parlamento. Com fraco arcaboiço para aprender com os erros, muito menos assumir responsabilidades, tudo o que sucede no seu sector é por culpas alheias. Como diria o outro, I rest my case!…

Um ministro no reino dos Algarves

Viajou bastante, o senhor ministro da Educação, para cumprir o objectivo de visitar uma escola a funcionar como ele gosta: com acolhimento e ensino presencial para os alunos filhos de trabalhadores essenciais, refeitório social a garantir as refeições dos alunos carenciados e, cereja no topo do bolo, uma câmara municipal a realizar, em parceria com instituições da comunidade local, o trabalho que o ME não soube ou não quis fazer: fornecer os computadores necessários para que todos os alunos possam aceder às aulas online.

A converseta do ministro, que sempre foi patusca e recheada de vulgaridades e lugares-comuns, é que se aproxima a passos largos do estilo visitador do antigo presidente Américo Tomás. Com um circuito cada vez mais restrito de “escolas amigas” a prestar vassalagem incondicional à equipa dirigente do ME, um dia destes sai-se a dizer, tal como o “venerando Chefe de Estado” do anterior regime: “É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive”!

“Sabendo que só poderemos voltar [às aulas presenciais] com segurança e quando as condições sanitárias assim o permitirem, é importante ver o que aconteceu aqui hoje”, referiu o ministro da educação elogiando o esforço conjunto que professores, auxiliares de educação, alunos e pais estão a fazer neste regresso à escola à distância.

“Visto o que vimos hoje, penso que o balanço é claramente positivo. Temos de continuar”, concluiu Tiago Brandão Rodrigues nas suas declarações à comunicação social presente.

“Tivemos muito gosto em partilhar com o Senhor Ministro da Educação este primeiro dia do Regresso à Escola, um desafio que a todos nos mobiliza: Município, Agrupamento de Escolas, Alunos,  Professores, Famílias, toda a nossa comunidade, procurando com todos os esforços ao nosso alcance, fazer com que este tempo seja superado da melhor forma, a bem das nossas crianças, a bem do futuro, com qualidade na aprendizagem e com serenidade”, referiu o autarca Vitor Guerreiro.

Escolas serão as primeiras a abrir, diz o ministro

“Durante esta semana iremos conhecer calendário escolar. A reunião com peritos de saúde pública vai dar-nos alguma luz da janela temporal. Temos de dar estabilidade à família e aos alunos, mas também temos de nos acautelar”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues na manhã desta segunda-feira no Fórum TSF.

O ministro da Educação referiu ainda que as escolas terão de ser as primeiras a abrir logo que possível. “As escolas foram as últimas a fechar, têm de ser das primeiras infra-estruturas a abrir, a começar pelos mais novos, que têm mais dificuldades em lidar com os meios tecnológicos”, referiu.

Durante o programa, o governante frisou por várias vezes que o ensino online não deve ser normalizado e que a sala de aula continua a ser o local privilegiado para o ensino.

Reaparecido esta manhã, o ministro da Educação esteve na rádio a insistir, com o seu discurso patusco e por vezes patético, naquilo que o seu ministério sabe fazer melhor: alijar responsabilidades próprias e aproveitar-se de autonomias e boas vontades alheias para lançar o descrédito e a culpa para outros lados.

Afinal de contas, foi o governo falhou clamorosamente na aquisição de computadores e acessos à internet. Os cem mil que chegaram, tarde e a más horas, apenas cobrem uma pequena parte das necessidades. No resto, fica-se à espera que as escolas e autarquias “encontrem soluções”. Mas então se é assim que o problema se resolve, porque não disponibilizaram localmente as verbas necessárias em vez de apostarem no centralismo burocrático e ineficiente dos grandes concursos públicos?

No resto, nota-se um preconceito contra os computadores que é algo estranho num ministério que ainda há pouco tempo embarcava irresponsavelmente nas teorias do “conhecimento na palma da mão” e na imersão tecnológica das “salas de aula do futuro”. O desencanto chegou porque descobriram agora que a tecnologia custa muito dinheiro, ou perceberam finalmente que nenhum computador ou programa de aprendizagem automática substitui a presença física do professor? Se assim é, tarda o reconhecimento e a valorização destes profissionais e de uma profissão tão maltratada por sucessivos governos, socialistas e não só.

Zero valores para Tiago Brandão Rodrigues

Santana Castilho fala sobre Tiago Brandão Rodrigues em entrevista à edição dominical do Correio da Manhã. E não é meigo nas palavras, o que aliás se justifica inteiramente. Pois nem os tempos diabólicos que vivemos se compadecem com a condescendência perante os incompetentes, nem a renovação do mandato a um ministro notoriamente desqualificado para o cargo admite qualquer benevolência ou estado de graça, como se fosse ainda, como há quatro anos atrás, um estreante.

Algumas afirmações contundentes, mas merecidas, acerca de um ministro que é notoriamente dos mais impreparados e incompetentes, tanto técnica como politicamente, que já passaram pela pasta da Educação.

António Costa nunca viu a Educação como prioridade. Se o tivesse feito não teria confiado a pasta a um inútil.

O conselho mais generoso seria recomendar-lhe que se entregasse aos extremosos cuidados do irmão [João Brandão Rodrigues, veterinário especialista em burros].

Nunca deveria ter tido o atrevimento de aceitar [o cargo de ministro]. Como pode ser ministro alguém tão ignorante […], que nunca deu uma aula na vida, exprimiu um pensamento ou escreveu uma linha sobre Educação?

Que outra nota se pode dar a quem falta ao teste? Zero!

Ninguém proibiu o ensino online?…

A suspensão da escola durante 15 dias terminará no dia 8 de fevereiro e António Costa não acredita que, na altura, os alunos possam voltar às salas de aula. “Não estaremos perto de poder regressar ao ensino presencial. Devemos retomar o ensino online”, disse o primeiro-ministro, na noite desta quarta-feira, no programa da “TVI24” Circulatura do Quadrado.

Ainda no debate, António Costa negou que o Ministério da Educação tenha proibido os colégios privados de continuar a dar aulas, durante os 15 dias de interrupção. “Ninguém proibiu ninguém de ter ensino online”, afirmou. Os colégios privados quiseram continuar a dar aulas pela internet, mas, de acordo com a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), o decreto do Governo é claro: “Determina a suspensão das atividades letivas, não podemos fazer aulas online”, disse ao JN o diretor executivo, Rodrigo Queirós e Melo, no dia 22 de janeiro.

Na entrevista à TVI24, António Costa reconheceu o óbvio – não haverá condições, a 8 de Fevereiro, para retomar as aulas presenciais. Demasiado tempo protelada, a opção pelo ensino à distância será, nos tempos mais próximos, a solução possível para que os alunos continuem a aprender.

Quanto às aulas pela internet que alguns colégios quiseram antecipar, há alguma desfaçatez no discurso de António Costa, e basta ler o decreto publicado para perceber que a suspensão das aulas se aplica, sem margem para dúvidas, a todas as escolas.

No entanto, vendo as coisas de outra perspectiva, Costa não deixa, até certo ponto, de ter alguma razão. De facto, não foi ele que, enquanto chefe do Governo, proibiu as escolas privadas de avançarem de imediato para o ensino online. Tiago Brandão Rodrigues assumiu esse papel, explicitando claramente que a lei é igual para todas as escolas. E aí está uma razão que explica porque é que, mesmo sendo a nulidade que é, este ministro continua com lugar cativo no Governo…

Esta é uma interrupção letiva para todos. Eu tenho muito respeito pelo ensino particular e cooperativo, mas o ensino particular e cooperativo não são as nossas universidades e institutos politécnicos, com o grau de autonomia que têm”, sublinhou o governante, quando questionado sobre a possibilidade de os estabelecimentos fora da rede pública continuarem com o ensino à distância durante as próximas duas semanas.

“Este ziguezaguear, espreitar sempre a exceção ou tentar fazer diferente é o que nos tem causado tantos problemas em termos societais. O cumprimento estrito das regras é algo que deve acontecer. Todas as atividades letivas estão interrompidas durante este período“, insistiu o ministro, em declarações aos jornalistas.