Marcha Popular para o Brandão escutar

No dia em que o ME, obrigado pelo Parlamento a negociar a revisão da legislação dos concursos, inicia contactos exploratórios com os sindicatos de professores, será oportuno recordar que a recusa de reuniões com os representantes da classe tem sido uma imagem de marca do actual ME.

Denunciar publicamente este persistente bloqueio negocial foi o principal objectivo da recente “Feira dos problemas com soluções bloqueadas” promovida pela Fenprof. Em tom ligeiro e bem disposto, mas sem fugir à denúncia concreta dos problemas e injustiças que continuam a afectar os professores, fica a marcha popular que serve de banda sonora à concentração de professores em Lisboa, no passado dia 25 de Junho.

E, já agora, a letra das marchinhas

O homem não se manca?

Insiste em fazer o número, que já não é inédito, mas continua a ser desleal e deselegante, do ministro bom. Aquele que tenta a todo o custo manter as crianças na escola, a usufruir dos incomensuráveis benefícios de mais uma semana e meia de aulas presenciais em tempo de pandemia, contra as orientações insensíveis e malévolas da DGS.

Contudo, se a lealdade institucional não é o seu forte, o instinto de sobrevivência política mostra-se apurado. Tiago Brandão Rodrigues dá a entender a discordância, insinua a crítica, mas fica-se pelas meias palavras, evitando comprometer o seu futuro no governo e na política.

A seguir, tenta tirar capitalizar com a situação: perante o problema imprevisto, foi o ME que agiu prontamente no sentido de colocar em funcionamento o ensino online! Como se as escolas, no final de um ano lectivo repleto de confinamentos e desconfinamentos, ainda estivessem à espera de instruções do ministério para operacionalizar as aulas à distância…

Vai faltando a paciência para os dislates de um ministro cada vez mais irritante na sua incompetência e no seu oportunismo. Nem tanto pela ostentação destas “qualidades”, mas sobretudo por se perceber que é por ser como é que conseguiu o feito, inédito na história da nossa democracia, de ser chamado a cumprir um segundo mandato à frente do ministério da Educação.

O ministro da Educação disse esta terça-feira partilhar a frustração das famílias e comunidades escolares pelo encerramento de escolas em cinco concelhos do Algarve, devido à covid-19, mas remeteu a responsabilidade da decisão para as autoridades de saúde regionais.

“Partilho a frustração das comunidades escolares, das famílias”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues, admitindo “algum desalento” por se fecharem escolas numa altura em que “uma parte significativa do resto da atividade económica [está] em funcionamento também na região do Algarve”.

Questionado pelos jornalistas sobre a decisão anunciada no domingo, de encerrar, até ao final do ano letivo, estabelecimentos de ensino em Faro, Loulé, Albufeira, Olhão e São Brás de Alportel, o ministro afirmou tratar-se de uma “responsabilidade das autoridades de saúde que assim o entenderam”, secundada pela Direção-Geral da Saúde, e que o Ministério da Educação “tem de cumprir”.

Marcelo e Ferro de castigo, Tiago a titular…

Política, pandemia e pontapé na bola: três fenómenos que, à mistura, podem levar mesmo os políticos mais tarimbados a dar autênticos tiros nos pés, sucumbindo à demagogia e à irresponsabilidade. Como sucedeu desta vez com os presidentes da República e do Parlamento. Perante a necessidade de salvar da crítica pública as duas primeiras figuras do Estado, ambas comprometidas por declarações precipitadas e insensatas que poderiam bem ter evitado, decidiu-se ao mais alto nível a retirada estratégica: nenhum dos meninos linguarudos e fanfarrões irá ver a bola. Ao encontro da selecção e da equipa adversária, marcha Tiago Brandão Rodrigues.

Não foi mal pensado. Assistir, da tribuna de honra, aos grandes jogos da selecção nacional é de entre as múltiplas obrigações de um ministro da Educação, das poucas que Tiago cumpre com gosto. Lá estará daqui a pouco, sem que se interponham as indisponibilidades, as indisposições ou as partes gagas habituais sempre que o ministro dito da Educação é chamado a tratar de assuntos… educativos!

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, assegurará no domingo, em nome do Governo, a representação portuguesa no jogo do europeu de futebol Portugal-Bélgica, em Sevilha, cidade espanhola com elevado risco de covid-19. Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues iam marcar presença, mas acabaram por desmarcar.

A decisão foi tomada este sábado na sequência de uma conversa entre as três mais altas figuras do Estado, Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro, a fim de definirem as regras da representação portuguesa nos jogos do europeu de futebol, disse à Lusa fonte governamental.

De acordo com o esquema definido, e se Portugal se qualificar até à fim da prova, nos quartos-de-final estará presente Ferro Rodrigues, nas meias-finais será a vez de Marcelo Rebelo de Sousa e, na final, prevista para Londres, estarão os três: Ferro, Marcelo e António Costa. A decisão foi tomada a fim de garantir a representação de Portugal em qualquer caso, independentemente das condições da pandemia.

A última moda é a “educação climática”

O ministro da Educação defendeu esta terça-feira a importância da educação climática nas escolas, sublinhando que os alunos são capazes de estimular as famílias e comunidades a aderir ao movimento de uma vida mais sustentável.

Durante um encontro promovido pela Comissão Europeia que reuniu alunos, professores e decisores políticos, o ministro português Tiago Brandão Rodrigues foi questionado sobre a “sua educação de sonho para iniciativas climáticas no futuro“.

“Uma educação de sonho para o clima é aquela que coloca os alunos no centro da mudança nas nossas sociedades”, disse, durante o encontro online “Educação pelo clima”.

Para Tiago Brandão Rodrigues a aposta deve passar por uma educação climática que forme os jovens “a serem os catalisadores dessa mudança, estimulando as suas famílias, as redes fechadas e as comunidades a aderirem ao movimento de uma vida mais sustentável”.

Como deveria ser mais do que evidente para um doutorado em Bioquímica, não é a “educação climática” nas escolas, o que quer que isso seja, que vai solucionar o complexo problema das alterações climáticas decorrentes da actividade humana, cada vez mais evidentes, severas e irreversíveis. Este ME evoca o pensamento crítico, mas os seus responsáveis rejeitam-no todos os dias, na forma acrítica e reverente como papagueiam a agenda educativa dos poderes globalizados.

A emergência climática dos nossos dias não se reverte com gestos simbólicos, mas irrelevantes face à dimensão dos problemas e do impacto ambiental da actividade humana. Não pode sequer ser compreendida fora do contexto económico, social e político das revoluções industriais, da explosão demográfica, do capitalismo globalizado e neoliberal que continua a subjugar a economia mundial em pleno século XXI.

Mudar para um ambiente e uma vida mais sustentáveis para o futuro do planeta implica transformar profundamente a forma como produzimos, consumimos e distribuímos a riqueza criada. E isso, é certo e sabido, não muda por haver mais ou menos consciência climática e ambiental. O único catalisador de mudanças nesta área, manifestamente insuficiente, tem sido a capacidade de transpor para o contexto da economia verde os clássicos modelos de produção baseados na acumulação de capital e na exploração do trabalho. Mas como não se quer enfrentar os poderosos interesses económicos e políticos que impedem as mudanças realmente necessárias, alimenta-se a ilusão de que serão as escolas a mudar a economia, a sociedade, a própria forma como vivemos – algo que nunca aconteceu na longa História da humanidade.

Na verdade, não é a insistir nesta pulverização do currículo em torno de temas da moda, tratados superficialmente, que se consciencializa as novas gerações para as mudanças necessárias. Para compreenderem o mundo em que vivem, como aqui se chegou e o que precisamos de mudar, é essencial o conhecimento científico estruturado que disciplinas como a História, a Geografia, a Economia ou a Biologia podem transmitir. Que integram aliás, nos seus programas, os principais problemas decorrentes do desenvolvimento económico e da actividade humana em geral, nomeadamente os climáticos e ambientais. Achar que o conhecimento disciplinar, maçudo e “enciclopédico”, se substitui com vantagem por umas pesquisas na internet, uns “intercâmbios” com outras escolas, uns trabalhos de grupo e uns recados para as famílias reflecte bem o paradigma educativo deste governo que o ministro, com a sua língua de trapos, se vai esforçando por proclamar.

Diz que não são generalidades

Não são generalidades, mas objectivos concretos, o que se pode ler no plano de recuperação de aprendizagens que já por aí anda a circular. Isto mesmo ripostou o ministro da Educação aos deputados que criticaram o tom vago e generalista do documento. Mas se dúvidas houvesse, os esclarecimentos subsequentes de Tiago Brandão Rodrigues encarregaram-se de as desfazer…

Confiamos nas escolas e por nelas confiarmos fizemos as escolhas que fizemos.

Escolhemos a autonomia educativa, o cuidar da transição entre ciclos e o equilíbrio das diferentes componentes do bem-estar dos nossos alunos.

Ouvir, pensar, decidir, implementar e avaliar. Estas são as fases da decisão política, todos concordaremos. O que decide, porém, a sua qualidade é o seu grau de participação, de envolvimento, de auscultação e de acompanhamento.

Criamos, com este plano participado, e criaremos com a sua implementação colaborativa, um espaço e tempo ampliados e fortalecidos para apoiar, com base na maior flexibilidade e intensidade, os anos de escolaridade mais afetados pela pandemia.

Na linguagem patusca de quem não tem queda para as letras mas gosta de dar um ar de letrado, o ministro tentou demonstrar apreço pelo trabalho dos professores. Disse que somos “artífices primeiros e fundamentais da resposta presente que a Educação deu e ainda dá”. A finalizar, acrescentou mais uma pérola do seu lirismo, destacando “a forma ativa e empenhada como, connosco, estão a construir um próximo ano letivo que será, ainda que não exatamente o que todos desejamos que seja, um ano matricial na recuperação das aprendizagens e na resiliência do ensino”. Comovente…

A década do digital

“É agora claro para todos nós que a década dos anos 20 deste século é a década do digital no notável espaço político e geográfico que partilhamos”, começou por dizer Tiago Brandão Rodrigues na abertura da sessão da tarde da Conferência de Alto Nível relativa à Educação Digital “O Digital na Educação”, que decorreu hoje por videoconferência.

A educação digital, acrescentou o governante português, já era uma prioridade comum dos estados-membros da União Europeia, mas a pandemia de covid-19 agiu como seu acelerador, e também na passagem da resposta para a recuperação da pandemia deve projetar-se essa “discussão em direção ao futuro”.

“Se os nossos programas a plasmam, se já temos um mapa, cabe-nos partir da centralidade que, felizmente, a educação digital hoje assume nas nossas agendas para traçarmos um caminho comum enquanto União e, simultaneamente, as suas ramificações, enquanto nações”, sublinhou.

Tiago Brandão Rodrigues acrescentou ainda que ficou igualmente claro no último ano que a educação digital é uma “arquitetura de organizações que precisam de ser digitalmente capacitadas, de profissionais educativos que precisam de maior confiança e competências digitais e de produção de conteúdos que sejam realmente digitais e não apenas uma versão digital do que seriam em papel”.

Perceberam alguma coisa? Pois eu também não, mas a minha iliteracia perante a língua de trapos deste ministro já não é de agora e, desconfio, nem ele nem eu ultrapassaremos já os nossos inconseguimentos.

Incapaz de conversar com os professores e outros agentes educativos acerca do presente e do futuro da Educação, Brandão Rodrigues e a sua equipa de secretários de Estado vão tentando apanhar as deixas da União Europeia, da OCDE e outras organizações internacionais. No caso da UE a coisa fia sempre mais fino, pois num país em que nunca há dinheiro para investimentos no sector, ir atrás dos fundos europeus tornou-se a sina de todos os governantes que têm tutelado a Educação. E se agora é a agenda digital que está a dar, vamos a ela. Mesmo que ninguém tenha percebido ainda bem o que se pretende, o discurso redondo do ministro cumpre razoavelmente a função de marcar presença entre os candidatos aos fundos.

Claro que se analisarmos com mais atenção deparamos com as habituais incoerências de um ministério que se diz empenhado na transição digital mas nada tem feito de concreto para a promover. Quando o ensino apoiado nas tecnologias era, durante o último confinamento, a única alternativa, em vez de apoiar e incentivar o trabalho de alunos e professores, o que o ME soube fazer foi lamentar a situação, insistir que nada substitui o ensino presencial e desmerecer o esforço que foi feito por todos os intervenientes. Pois houve efectivamente uma experiência adquirida, nas escolas, com o confinamento do ano anterior. Ao contrário do que sucede no ministério, onde os responsáveis parecem nada ter aprendido no tempo que já levam de (des)governo. Limitando-se, de há anos a esta parte, a repetir as mesmas asneiras.

Orgulhosamente inclusivos

“Portugal é orgulhosamente conhecido como um país que está na vanguarda da inclusão na educação, indo mais além na promulgação de um quadro legal para a inclusão de estudantes com ou sem dificuldades na educação”, vincou o ministro na sessão de encerramento do evento paralelo à Cimeira Social, que decorre esta sexta-feira, no Porto, intitulado “Solidariedade Europeia — Nenhuma Criança deixada para trás”.

Desde 2016, acrescentou, Portugal “aumentou o investimento público na educação e na formação, ano após ano, tendo em vista sobretudo alcançar mais e melhor inclusão, mais equidade e mais sucesso educacional para todos”.

Aliás, é “através da educação que se combate mais eficazmente a pobreza e as desigualdades”, defendeu o ministro, alertando para as desigualdades no acesso à educação, que poderão “fazer precisamente o oposto: perpetuar desigualdades e cristalizar a pobreza”.

Mas “as desigualdades não são inevitáveis”, defendeu o governante, apontando para uma “abordagem de educação inclusiva e de qualidade, que coloca os alunos, ao invés dos números, no centro do desenvolvimento educacional”.

Na sua língua de trapos, o ministro da Educação socorre-se dos habituais chavões e frases feitas para elogiar uma educação inclusiva e igualitária que, em regra, apenas existe no papel. E que, quando se tenta implantar no terreno sem os meios adequados, produz resultados desastrosos. Na falta de pensamento próprio sobre Educação, apesar de ser há cinco anos ministro da dita cuja, papagueia o discurso governamental da inclusão e do combate à pobreza e às desigualdades.

Mas a escola inclusiva, que o Governo tenta vender internacionalmente como um êxito da política educativa portuguesa, assenta num enorme equívoco. Que o ministro, no seu linguajar desajeitado, evidencia: a ilusão de que é na escola, brincando às inclusões, se combate a pobreza e as desigualdades que são estruturais na sociedade portuguesa. Como se sem desenvolvimento económico nem mobilidade social a escola pudesse, só por si, construir uma sociedade mais justa, igualitária e plena de oportunidades para todos.

A verdade é que, por muito que se torçam e manipulem estatísticas, não há como fugir à dura realidade: durante séculos a Educação promoveu efectivamente a mobilidade social, permitindo àqueles que se aplicavam nos estudos e adquiriram saberes técnicos e científicos especializados o acesso a profissões mais gratificantes e bem remuneradas. Contudo, essa vantagem não decorre da Educação em si mesma, mas de esta ter estado reservada a uma minoria da população, que assim conseguia tirar partido do valor de mercado dos seus conhecimentos e competências. Quando, com medidas ditas inclusivas, garantimos a educação a todos, o que constatamos – e já sucede há mais de uma década – é que quanto maiores são as qualificações dos jovens, mais difícil se torna o acesso ao mercado de trabalho nas respectivas áreas de formação.

Continuamos a ter uma economia baseada em produtos e serviços de baixo valor acrescentado, que em termos laborais requer uma mão-de-obra assente na precariedade, nas baixas qualificações e em baixos salários. Está assim longe de corresponder às expectativas dos jovens qualificados que, ano após ano, tentam ingressar no mercado de trabalho. Neste contexto, são cada vez menos as habilitações escolares a determinar o sucesso de uma carreira, e cada vez mais, outros factores de natureza extra-escolar. Quando, na hora de conseguir um emprego, valem mais os conhecimentos pessoais e familiares do que os conhecimentos académicos – ou a militância partidária, como se vai vendo cada vez mais – é evidente que a escola, seja mais ou menos inclusiva, não está a fazer funcionar o ascensor social.

Ministro condena a violência no desporto – e nas escolas?

O ministro da Educação reagiu esta terça-feira ao caso da agressão por parte de um membro da comitiva do FC Porto ao rerpórter de imagem Francisco Ferreira, da TVI, ocorrida esta segunda-feira em Moreira de Cónegos, após o Moreirense-FC Porto.

Tiago Brandão Rodrigues diz que este é um comportamento “absolutamente reprovável, altamente condenável”, afirmando que tem a “veemente condenação” do Governo.

Lembrando que este é um crime público (agressão a jornalista no exercício de funções), o ministro diz que terá de haver uma atuação “inequívoca”, que evite que algo semelhante volte a ocorrer, seja num recinto desportivo, seja nas imediações de um recinto desportivo.

Muito bem Tiago Brandão Rodrigues a condenar de forma vigorosa e assertiva mais uma agressão da máfia do futebol a um jornalista. O ministro, que também tutela a pasta do Desporto, foi bastante claro ao lembrar que se trata de um crime público e a exigir que o caso tenha os devidos desenvolvimentos e que a punição dos responsáveis sirva de dissuasor eficaz para futuras ocorrências do mesmo estilo.

É apenas de lamentar que perante agressões igualmente repugnantes e ainda mais violentas de que vários professores têm sido alvo desde que é ministro da Educação, Brandão Rodrigues tenha no passado optado pelo silêncio cúmplice. Uma atitude de indesculpável condescendência com os agressores, que desampara as vítimas e encoraja futuras agressões.

Escolas abertas e conversa da treta

Bateu-se pela manutenção das escolas abertas. Perdeu e ganhou. Por momentos, pareceu isolado. A entrevista JN/TSF deste domingo ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Desinteressante a longa entrevista de TBR, que li por uma espécie de dever de ofício. Naquele estilo rebuscado e algo patusco a que já nos acostumámos, não faltam também os habituais chavões e lugares-comuns em que o ministro se refugia para esconder a ignorância e a falta de sensibilidade e interesse pelos temas educativos.

TBR retoma o discurso a que já nos acostumámos, enunciando por exemplo os milhares de professores e funcionários contratados, mas não dizendo quantos, no mesmo período, se aposentaram, entraram de baixa ou simplesmente não viram os seus contratos renovados. Continua a atribuir o atraso na entrega de computadores à “falta de chips” e às perturbações do comércio com a China, quando são evidentes a incúria e a falta de planeamento. Dramatiza a experiência do confinamento e da necessidade de “recuperação de aprendizagens” sem perceber – ou, pelo contrário, sabendo-o bem! – que está a fazer o jogo das empresas e organizações que apostam no negócio das “academias de Verão”.

Mas o que mais impressiona na atitude deste ministro é a teimosia com que encara as “escolas abertas” a todo o custo com a afirmação de uma prioridade à Educação. As escolas fecharam tardiamente em Janeiro, quando Portugal atingia já o top mundial em novas infecções, mas o ministro ainda lamenta não ter conseguido arranjar mais “argumentos” para convencer o Governo a manter as escolas abertas. Uma inconsciência que faz deste homem um verdadeiro perigo para a saúde pública e o desqualifica para a tomada de qualquer decisão sensata nesta matéria. Em tempo de pandemia, aceitou colocar em risco a saúde e a vida de centenas de milhares de alunos, professores e funcionários em nome de um bem alegadamente maior que seria manter as escolas abertas a qualquer preço. Uma posição ainda mais condenável quando se percebe que agiu não por motivações pedagógicas, uma matéria que nunca despertou o seu interesse nos cinco anos que leva de ministro, mas por puro instinto de sobrevivência política.

Na verdade, TBR sabia bem que o seu ministério nada tinha preparado para o confinamento. Que, ao contrário das escolas e dos professores, que aprenderam com a experiência do primeiro confinamento e estavam preparados para voltar novamente às aulas não presenciais, o ME não fez o seu trabalho de casa. O ministro e os seus secretários limitaram-se a confiar na sorte, não demonstrando um mínimo de capacidade de antecipação e planeamento. Tanto assim foi que se viram obrigados a decretar duas semanas de férias forçadas que iremos compensar, inutilmente, com o prolongamento do ano lectivo. Nas poucas decisões e orientações que teve de produzir prevaleceu a preguiça e impôs-se o copy/paste em relação ao executado no ano anterior.

Perante tudo isto, um sentido de missão e uma ética de responsabilidade da parte do ministro justificariam uma atitude diferente: humildade, autocrítica, compromisso num trabalho mais construtivo e dialogante com os parceiros educativos, em vez dos tiques autocráticos em que neste ministério, diria mesmo no governo em geral, se vêm acentuando. As decisões insensatas do ministério não estão a favorecer o trabalho nas escolas nem a contribuir para melhorar as aprendizagens dos alunos. Se o ministro é notoriamente incapaz de perceber, seria bom que alguém, na cúpula ministerial, o compreendesse.

O futuro ministro?

O cartaz, que encontrei aqui, serve de anúncio a mais umas “jornadas pedagógicas” lá para os lados do Alto Minho. O Paulo Guinote vê nele, apropriadamente, a corte do actual rei-sol da Educação portuguesa. Eu achei piada ao pormenor delicioso do secretário de Estado representado numa imagem maior do que as restantes, um antiquíssimo processo de entronização que os faraós egípcios e outros notáveis do mundo antigo usavam para marcar iconograficamente a sua superior condição.

Por outro lado, tirando a representante do centro de formação que ali terá ido parar por mero acaso, os restantes bem poderiam formar a equipa de secretários de Estado de um futuro João Costa finalmente promovido a ministro, cargo que já vem exercendo de facto, face à notória incompetência do titular da pasta. Depois, é claro, de Tiago Brandão Rodrigues ser convenientemente emprateleirado, recompensando-se assim a fidelidade e os bons serviços à causa educativa socialista.