Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Condenados ao sucesso

Feitas as avaliações da Páscoa, iniciado já o 3º período, uma coisa se pode dizer: os resultados dos alunos nunca terão sido tão bons!

Claro que as médias variam significativamente de escola para escola e até de turma para turma. Mas, de um modo geral, todos parecem estar a melhorar. Pelo menos se tivermos em conta as notas que aparecem nas pautas…

No Fundo: Um ministro que não sabe estar

Tiago Brandão Rodrigues começou o mandato com uma imagem muito positiva: um jovem simpático e bem parecido, cientista e investigador numa universidade estrangeira de renome, interrompia a sua promissora carreira académica para assumir o pesado encargo de presidir aos destinos da Educação portuguesa.

Ao novo ministro desculpou-se muita coisa, a começar pela profunda ignorância em relação aos problemas e realidades do sector…

Os rankings e a receita do sucesso

rankings.jpgUm dos maiores desafios que a publicação dos rankings coloca é o de interpretar correctamente as grandes subidas e descidas anuais que se verificam com algumas escolas. Mesmo quando os jornalistas tentam, falando como os responsáveis, descobrir a fórmula mágica do sucesso instantâneo, nem sempre conseguem respostas esclarecedoras. Se as notas subiram, é de bom tom louvar o trabalho dos alunos, o esforço e a disponibilidade dos professores, a boa organização e o bom ambiente da escola, a estabilidade do corpo docente. Quando descem os resultados, lembra-se geralmente que os exames não são tudo e que os alunos fizeram outros progressos e aprendizagens tão ou mais importantes do que os conhecimentos avaliados nas provas nacionais.

Pois bem, lá para os lados onde trabalho, estamos, aparentemente, de parabéns: de um ano para o outro, subimos mais de 400 lugares no ranking do ensino básico. A nível distrital, à nossa frente só se encontram praticamente escolas da capital de distrito, que recebem alunos de meios bem mais favorecidos. E, ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, destacamo-nos em relação às escolas dos concelhos limítrofes, com um contexto económico, social e cultural semelhante. Como se justifica esta súbita subida de resultados?

Só encontro uma explicação, e já estávamos conscientes dela muito antes de saírem os rankings: tínhamos, no 9.º ano, um conjunto de estudantes com maiores potencialidades e ambições académicas do que os de anos anteriores. Havia alunos com dificuldades de aprendizagem, claro, mas também jovens que, com motivação e algum empenho, alcançaram sem grande esforço os ambicionados quatros e os cincos. Estes últimos eram em maior número do que os primeiros, e na maior parte das turmas havia uma dinâmica favorável, que levou a uma melhoria global de resultados. Sabíamos que tínhamos ali alunos com um potencial maior do que tem sido habitual, e a primeira confirmação chegou com as notas dos exames nacionais: praticamente todos mantiveram as notas atribuídas na avaliação interna. Alguns, enchendo-se de brios, conseguiram mesmo superá-las.

Esta é uma realidade que qualquer professor experiente conhece bem, mas que tende a ser incompreendida pelos decisores e burocratas da Educação: há, no universo dos alunos reais que povoam as escolas, “fornadas” melhores e piores de alunos. Há anos e turmas em que se gera uma dinâmica de sucesso que conduz a óptimos resultados, e há outros em que, por mais esforços que se façam, nunca se consegue passar da mediania. É uma realidade que troca as voltas a quem olha para os alunos como números numa folha de excel. E que torna ridículo o esforço de definir metas de melhoria de resultados escolares como quem traça objectivos de venda de automóveis. E, claro, em escolas mais pequenas, com públicos escolares mais reduzidos, estas variações anuais tendem a ser mais frequentes e podem ser bastante expressivas.

Poderia aqui puxar dos galões e alegar, num exercício de demagogia ao gosto dos políticos da Educação, que foram mirabolantes planos-pró-sucesso, um qualquer projecto xpto, apoios sociais e pedagógicos em barda ou o recurso massivo às novas tecnologias a contribuir para a grande subida no ranking. Mas não seria honesto fazê-lo, porque não é verdade. O sucesso dos nossos alunos – e convém sempre lembrar que os rankings são feitos a partir de notas obtidas pelos alunos, não pelas escolas – deve-se essencialmente ao esforço dos próprios. O mérito é deles. Nós, profissionais da educação, apenas fizemos o nosso trabalho. Assim soubessem os autoproclamados especialistas da educação fazer o deles.

Já têm seis anos e ainda não andam na escola

041700a[1]E, aparentemente, estão muito bem.

Uma boa parte do insucesso escolar no 1.º ciclo ocorre precisamente porque há crianças que são encaminhadas para a escola dos mais crescidos ainda antes de fazerem seis anos e de terem desenvolvido a maturidade necessária para se integrarem no novo ambiente escolar.

A verdade é que, se é certo que muitos miúdos se adaptam bem e não revelam dificuldades de aprendizagem, nalguns casos nota-se bem que aquelas crianças teriam beneficiado em ficar mais um ano na educação pré-escolar . Cada caso é um caso, e por isso mesmo a transição, para o 1.º ano de escolaridade, dos alunos que só completam os seis anos entre Setembro e Dezembro, deveria ser cuidadosamente ponderada, tendo em conta o parecer dos educadores e de outros especialistas que tenham acompanhado as crianças.

De resto, a longa escolaridade até aos 18 anos, a que se seguirá, para a grande maioria dos actuais alunos do 1.º ciclo, a frequência universitária, significa que passarão na escola uma grande parte da sua vida: não é preciso ter pressa para entrar, sobretudo quando, em alternativa, podem usufruir de mais um ano no jardim de infância…

«Quantos anos tens?» «Seis» «Andas em que ano?» «Na “pré”, mas já podia andar no primeiro ano. Os meus pais é que não deixaram.»

Tomé é uma das 9912 crianças que, em 2017, com seis anos, permanecia na educação pré-escolar, número que representava 9,9 por cento dos inscritos nesta valência.

A taxa tem vindo a aumentar e em 2017 era de mais 70 por cento do que em 2007, segundo um relatório do Conselho Nacional de Educação, o que, para o pedopsiquiatra Pedro Strecht, é uma boa notícia. «É um erro os miúdos entrarem [para o primeiro ano] antes dos seis anos. Há todo um tempo de crescimento e de maturidade que é necessário para fazerem a integração e a digestão das próprias experiências».

A explicação para os números não consta do estudo, mas as razões encontrar-se-ão entre a falta de vagas no primeiro ano do ensino básico para todos os alunos condicionais [crianças que fazem seis anos entre 16 de setembro e 31 de dezembro] e a decisão dos pais [destes alunos] de os manter no pré-escolar.

Por Espanha… a reforma educativa é contra os TPC

escola-finlandia– Queremos uma educação ao nível da Finlândia!
– Reduzir o número de alunos por turma?
– Não.
– Triplicar o orçamento?
– Não.
– Mais professores de apoio?
– Não.
– Eliminar os contratos de associação?
– Não.
– Potenciar a escola pública?
– Não.
– Eliminar a segregação escolar?
– Não.
– Reduzir a carga lectiva dos docentes?
– Não.
– Então?
– Menos trabalhos de casa!

Daqui.

Combater o insucesso… com a ajuda do golfe

golfe-combate-insucesso-escolar-1O ritual começou este ano letivo. Uma vez por semana, o Campo de Golfe do Aqueduto, em Paredes, é a sala de aula, durante 45 minutos. Ao ar livre, em grupo e em ambiente de competição, alguns alunos do Agrupamento de Escolas de Vilela procuram obter no golfe, algumas capacidades em falta. Arménio Santos, diretor do clube, refere que as regras do campo são transponíveis para a escola. “Para terem sucesso têm de ter rotinas, concentração e pensar antes de agir. Aqui treinam isso tudo”.

Albino Pereira é diretor do agrupamento escolar destes alunos. Também ele sublinha a importância de combater o insucesso escolar e assim evitar retenções.

“Precisamos de saber o que está na origem desse insucesso. Temos de trabalhar a assertividade, a resiliência, a capacidade de concentração e de foco. Tudo isto pode ser ajudado com o desporto”.

O projeto “Golfe – Estratégias de Promoção de Sucessos” tem o apoio do Instituto Português do Desporto e da Juventude. Para os alunos deste agrupamento de escolas de Paredes foi uma novidade recebida com pouco entusiasmo como recorda Arménio Santos. “Todos diziam, no primeiro dia, que isto era uma seca. Ainda há alguma resistência em dizer que gostam. Dizer não é a resposta que estes alunos têm sempre pronta.”

Arménio Santos divide o tempo entre a tática para o jogo e a tática para a mente. “Nós acreditamos em vocês, mas vocês também têm de acreditar. Vamos lá… Quero ouvir a relva crescer!”

Na falta de receitas milagrosas para obter o sucesso educativo – sobretudo quando as falhas não radicam na escola, mas sim no contexto social e familiar – e perante a convicção de que mais do mesmo cada vez resulta pior, vão-se experimentando ideias inovadoras no combate ao insucesso escolar.

Da leitura da peça ressalta a ideia de que os alunos vão fazendo alguns progressos, embora nem sempre resulte claro se isso é devido ao golfe em si mesmo, se à originalidade do projecto, se ao facto de sentirem que a escola se preocupa com eles, se ao acréscimo de autoconfiança e auto-estima que o progresso nesta actividade desportiva lhes transmite e se projecta nas restantes tarefas escolares. Provavelmente será um pouco disto tudo, e assim sendo só resta desejar que o golfe continue a ajudar estes alunos, na senda do sucesso escolar.

João, o Costa da Educação

joao-costaConfiante no tecido legislativo criado durante o seu mandato e na eficácia das medidas que, como peças Lego, encaixam umas nas outras na perfeição, apoiado pela brigada eduquesa que tem formado a base doutrinária dos governos PS no sector da Educação, inchado pelos elogios da OCDE, inebriado pelas sessões de propaganda que tem promovido com os directores de todo o país, o secretário de Estado João Costa segue imparável na senda do sucesso educativo. E, em declarações ao Observador, torna-se ainda mais explícito e eloquente do que lhe é habitual.

Este homem é perigoso. Convicto das ideias que defende ou simplesmente ambicioso, como tantos outros que passaram pela pasta da Educação, poderá ainda causar muitos danos ao sistema educativo antes de levar o “pontapé para cima” e abraçar a carreira internacional que provavelmente almeja.

O discurso, mais elaborado do que é habitual na actual geração de políticos medíocres, tende a tornar-se convincente e sedutor até, pelo encadeamento lógico das ideias e pela mensagem de fundo que consegue passar aos mais incautos: tudo isto é feito em nome da felicidade, do sucesso e do superior interesse dos alunos. Postas as coisas nestes termos, quem se atreve a discordar?…

O Observador espreita, pelas palavras do governante, aquilo que o actual Governo espera deixar, no lançamento do próximo ano lectivo, como legado a quem vier a seguir. E aos que por cá irá continuarem…

Planos do Governo para o próximo ano lectivo incluem hipótese de escolas reduzirem o número de alunos por turma, além das aulas por semestre e da autonomia a 100%. Objetivo final é acabar com chumbos.

Se pensarmos um bocadinho, percebemos que a anunciada “autonomia a 100%” é um disparate: há ou não um currículo nacional em vigor que tem de ser seguido em todas as escolas e a que todos os alunos devem aceder? Desde quando o “perfil do aluno” e outras vacuidades produzidas pela verborreia ministerial se sobrepõem à Lei de Bases do Sistema Educativo e demais legislação estruturante em vigor? Pode uma escola decidir que os seus alunos deixem de estudar Matemática, ou Física, ou Inglês, em nome do direito ao sucesso? Aparentemente sim, pois estamos a falar de autonomia curricular total. Ou então limitamo-nos a brincar com as palavras, em exercícios irresponsáveis de demagogia.

Também a organização semestral do ano lectivo, uma ideia com alguns defensores entre os professores e, sobretudo, os directores escolares, tem que se lhe diga: por detrás da aparente simplificação de reduzir de três para dois os momentos avaliativos, está uma armadilha para aumentar a burocracia e o controle sobre o trabalho dos professores. Pois como um semestre é um período demasiado longo, logo se tratará de introduzir momentos da avaliação intercalar. O actual sistema, com três momentos de avaliação, dará lugar a quatro ou cinco avaliações anuais, sendo parte delas qualitativas – ou seja, baseadas não na atribuição de uma nota, mas na produção de relatórios ou sínteses descritivas, o que é ainda mais trabalhoso do que uma avaliação formal. Como já se faz experimentalmente nalgumas escolas, sob aplauso de João Costa.

E afinal de contas, para quê tanta burocracia escolar? Articulações, monitorizações, reuniões, formações – para quê a sobrecarga de trabalho dos professores sem qualquer compensação ou respeito, sequer, pelos seus direitos profissionais? A perspectiva dos governantes é que o êxito escolar só se consegue obter desta forma: detectando as dificuldades dos alunos para agir em função delas, reconduzindo todo e qualquer aluno que não aprende à senda do sucesso. Claro que, na prática, sem acréscimo de meios, e com um corpo docente cada vez mais envelhecido, cansado e desmotivado, a única coisa que se consegue é uma escola mais facilitista: se é para passar toda a gente, pensa o professor assoberbado com as suas seis ou sete turmas e quase duas centenas de alunos, mais uma montanha de fichas e trabalhos para avaliar, para que vou estar à procura de problemas que não terei forma de resolver?

Claro que João Costa nega a acusação de facilitismo: ele quer o melhor dos mundos, mas sem gastar mais dinheiro – que os alunos aprendam bem e que não “chumbem”, e que as escolas resolvam, com o passe de mágica da “autonomia”, não só a carência de recursos próprios, mas também as que são inerentes aos próprios alunos e ao meio social e familiar de proveniência. Nalguns momentos, o discurso torna-se claro como água: a autonomia a 100% surge na condição de haver sucesso a 100%. E como tal é apertadamente controlada pelo ME, que criou ainda um sistema pelo qual as escolas participantes no processo se policiam umas às outras – ou se “monitorizam”, para usar a terminologia eduquêsmente correcta…

Por detrás do discurso do sucesso a todo o custo e a qualquer preço – baseado na noção falaciosa dos custos e da ineficácia das retenções, ou na simples “crença” de que repetir um ano é uma estratégia que não funciona – está uma ideia que é tão determinista como a dos adeptos da “linha dura” do ensino rigoroso e exigente, dos exames padronizados e das retenções. De facto, uns e outros desvalorizam, embora de forma diferente, a vontade e o esforço do aluno. Uns porque, apesar de tentar e dar o melhor de si mesmo, não atingiu as “metas” estabelecidas. Outros, porque acham que se falhou foi apenas porque a escola não usou as estratégias ou propôs os desafios adequados para aquele aluno em concreto.

Os adeptos do sucesso a 100% acreditam que podem “obrigar” o aluno a ser bem sucedido, mesmo que ele o não queira. Que conseguem resolver na escola as carências de crianças com famílias desestruturadas e manter todos os adelescentes no sistema educativo até aos 18 anos, aprendendo as diferentes matérias e cultivando as competências do “perfil”, mesmo que esses jovens tenham outros interesses e simplesmente não estejam para aí virados.

Os eduqueses socialistas olham para o aluno como um sujeito passivo, que pode ser eficazmente doutrinado nas virtudes da cidadania ou aprender qualquer coisa que a escola decida ser adequada para ele, independentemente do seu esforço e da sua vontade de aprender. Que não precisam de tornar mais justa a sociedade ou mais equitativa a distribuição de rendimentos, nem de melhorar as más condições que muitas famílias têm para criar os filhos. Que tudo se consegue com sucesso fictício, fabricado nas escolas, para OCDE ver…

Sucesso educativo: o que realmente resulta

xadrez.jpgQuando o que se pretende é que os alunos aprendam mesmo, e não apenas um abaixamento da fasquia que permita que todos tenham sucesso estatístico, deixemo-nos de tretas: não é com flexibilidades nem com “acomodações”, que lá vamos.

Um sucesso escolar que traduza uma efectiva melhoria das aprendizagens consegue-se essencialmente com a conjugação de duas coisas: melhor organização escolar – e autonomia real para a pôr em prática – e maior alocação de recursos direccionados para os alunos com mais dificuldades.

Se queremos melhorar os resultados escolares dos alunos mais fracos, temos de ter em conta que a causa mais poderosa e determinante do insucesso não é escolar, é social: são as carências e a falta de estímulos que estes alunos trazem de casa. Se vivem num ambiente familiar desestruturado, se não há atenção, da parte dos pais, ao desenvolvimento intelectual e emocional dos filhos, nem acompanhamento da sua vida escolar, então há um trabalho mais intenso e exigente que tem de ser feito pela escola.

Turmas mais pequenas, professores de apoio, dois professores na sala de aula, grupos dinâmicos que se constituem e alteram em função das necessidades – as metodologias subjacentes aos projectos do tipo Turma Mais são já relativamente bem conhecidas. Assim como também sabemos o que leva sucessivos ministérios a não generalizar uma experiência que, nas escolas onde é implantada, é quase sempre bem sucedida: fica caro!…

Mas resulta, como uma vez mais se comprovou. Desta feita, em duas escolas da Madeira:

Em três anos, a Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço baixou a taxa de retenção de 20,8% para 4%. No Estreito de Câmara de Lobos, nos mesmos três anos, a EB 2/3 local viu a taxa de sucesso evoluir de 89% para 96,9% — e a de insucesso baixar de 11% para 3,1%.

O resultado dos projectos pedagógicos destas duas escolas da Madeira, que dividiram os alunos por turmas de acordo com o desempenho académico dos anos anteriores (separando os que têm mais dificuldades dos que se saem melhor), não é mensurável apenas nas estatísticas. O sucesso, extravasa os números. “Muitos encarregados de educação têm vindo à escola pedir para os filhos entrarem para o programa”, diz, de sorriso aberto, Armando Morgado, presidente do conselho executivo da EB 2/3 do Caniço, uma cidade dormitório, paredes meias com o Funchal.

No início do ano lectivo de 2015/2016, quando os projectos “Caniço +” e “Estreito +” foram apresentados, as reacções foram muitas, e todas desfavoráveis. Entre a desconfiança dos encarregados de educação e as críticas abertas do sindicato dos professores e dos partidos da oposição ao governo social-democrata de Miguel Albuquerque, os programas foram alvo de grande escrutínio. A principal falha que lhe apontavam era os riscos de os alunos se sentirem discriminados. Outros, acusavam mesmo o sistema de estar a desistir das crianças com menor aproveitamento escolar.

“Pelo contrário.” António Mendonça, director da EB 2/3 do Estreito de Câmara de Lobos, uma freguesia rural a Oeste do Funchal, repete ao PÚBLICO o que vem dizendo nos últimos três anos. “Se houve discriminação, foi pela positiva. As turmas de recuperação [onde os alunos com maiores dificuldades foram colocados], sempre tiveram mais meios pedagógicos do que as restantes.” Toda a comunidade educativa, continua António Mendonça, percebeu isso. “Depois da relutância inicial, temos agora pais a pedirem para os filhos entrarem.”