A nova disciplina de História dos Açores

Acores.gifA partir do próximo ano lectivo, os alunos do 2.º e 3.º ciclo de escolaridade que estejam a estudar no arquipélago açoriano vão passar a ter uma disciplina obrigatória de História, Geografia e Cultura dos Açores. Esta é uma das novidades do novo currículo regional para a educação básica, aprovado no mês passado pelo Governo socialista desta região autónoma e que se encontra agora à espera de ser votado pela Assembleia Legislativa, onde o PS tem maioria.

Sou favorável à valorização curricular da História, e não apenas pela sua importância ou pelo facto de ser professor da disciplina: é que a História tem sido sistematicamente prejudicada pelas reformas e contra-reformas educativas dos últimos vinte anos. No caso das regiões autónomas, faz também todo o sentido que seja reforçada a presença da sua história e cultura nos currículos escolares.

Ainda assim, discordo do método de criar “mais uma disciplina” sempre que alguém se lembra de introduzir determinada matéria no plano de estudos dos alunos. Quando se defende, cada vez mais, a integração de saberes, não faz sentido andar a promover uma cada vez maior atomização curricular. Como todos perceberão, a história açoriana estuda-se e compreende-se melhor no contexto da história portuguesa, europeia e mundial do que estudada separadamente. O mesmo se pode dizer da geografia, da literatura ou das ricas tradições artísticas e musicais do arquipélago, por exemplo: é lógico que sejam integradas nos programas das disciplinas correspondentes.

Com o tempo adequado para a leccionação, como é evidente.

Falares “calafonas”

Voltando a uma antiga série de posts sobre os falares regionais do nosso país, eis um complemento à lista de palavras e expressões típicos dos Açores já aqui publicada: os termos de origem inglesa que, trazidos pelos emigrantes regressados da Califórnia e doutras partes dos EUA, acabaram por entrar no uso popular em algumas comunidades açorianas…

Pico.jpgAçucrim: gelado.
Alvarozes: jardineiras, fato-macaco.
Base: autocarro.
Calafona: emigrante regressado dos EUA.
Candiles: rebuçados.
Clauseta: armário, despensa.
Cula: mala térmica.
Estoa: loja.
Frejoeira: frigorífico.
Frisa: congelador.
Gama: pastilha elástica.
Gárbixa: lixo.
Mapa: esfregona.
Pana: alguidar.
Pinabara: manteiga de amendoim.
Pinotes: amendoins.
Ratdogue: cachorro quente.
Sinco: lava-louça.
Sinó: neve.
Slipas: chinelos.
Snicas: sapatilhas, ténis.
Sonavabicha: filho da p…
Sonavagone: filho da mãe.
Suera: camisola.
Traque: camião.
Trela: atrelado.

Falares alentejanos V

monte-alentejano.jpgPassar p’las brasas: Adormecer.
Pássaro da rebêra: Pessoa viva e interesseira.
Pata chanca: Pessoa coxa.
Pata de chambaril, à: Rispidamente.
Patagalharda: Jogo infantil.
Pataganhas: Pés ou mãos com tamanho anormal.
Pataleta: Episódio de doença como AVC, enfarte ou epilepsia.
Patamêro: Pântano; terreno alagado.
Patarou: Pessoa esclerosada, devido à idade avançada.
Pêdédo: Adoentado.
Peido mestre: Morte.
Pedrisco: Granizo.
Pedro-maria: Homem bisbilhoteiro.
Peganhar: Gozar; arreliar.
Peganhoso: Implicativo; gozão.
Pelharanca: Pele humana flácida.
Pelhêgo: Corpo humano; tronco.
Pelhêra: Armário escavado na parede, geralmente coberto por uma cortina.
Pelice: Samarra; casaco com gola de pele de raposa.
Penegar: Sofrer.
Peniquéda: Dejectos depositados num penico e laçados à rua.
Perna de aiveca: Pessoa coxa.
Pernicar: Beliscar.
Pesculhoso: Exigente; esquisito.
Peseta: Pessoa ruim.
Pexelim: Peixe seco semelhante ao bacalhau, mas com poucas spinhas.
Pêxinho: Homossexual.
Piel: Poial.
Pífaro: Pénis.
Pincolha: Parte cimeira de uma árvore.
Pinguela: Pequena ponte sobre um barranco ou ribeira.
Pinoco: Marco geodésico.
Pintessilgo: Pedinte.
Pipi da tabela: Habitante da cidade.
Placho: Nu.
Planchão: Barriga.
Póda: Planta que origina os cravos.
Pôia: Pão dado como maquia ao dono do forno onde se cozeu a amassadura.
Ponto-marca: Ponto-de-cruz.
Pôpo: Trança de cabelo enrolada na nuca ou no alto da cabeça.
Pôr a trapêlo: Usar no dia a dia.
Pôr em má campo: Embaraçar; difamar.
Pôr uma espinguérda à cara: Falar ininterruptamente.
Porca sara : Bicho de conta.
Portado: Entrada duma propriedade rural; parede de pedra solta que ruiu.
Préido: Propriedade agrícola.
Presalôra: Borboleta.
Procurér: Perguntar.
Pulmonêra: Tosse, catarro.
Puxar despique: Pedir razões.
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Falares alentejanos IV

alentejo4.JPGHonra d’ alegrete: Sobra; resto.
Imbeguéda: Barriga saliente.
Imbeguêra: Cordão umbilical.
Impostor: Vaidoso.
Inda bem não: Entretanto; quando menos se espera.
Inganido: Encolhido.
Ir à forja: Rejuvenescer.
Ir à murélha: Defecar ao ar livre.
Ir a troncos de: Ir à procura; ir atrás de alguém.
Ir ao grepe: Roubar.
Ir parar à rabeca: Ser denunciado publicamente.
Iscado: Enganado; borrado.
Iscar: Enganar; provocar uma má experiência.
Jaquina melhêna: Pessoa que gosta muito de beber chá.
Joãvaz: Variedade de feijão; testemunha de jeová.
Jogar à bugalhinha: Manipular alguém.
Judêrão: Pessoa que não respeita a religião católica; blasfemo; ateu.
Lã que vai prà bêra: Tarefa facilitada.
Lacão: Chispe de porco.
Lafaruso: Pessoa mal vestida, sem cuidados mínimos de higiene.
Lambariér: Conversar.
Lambérço: Abusador, pessoa que abusa da confiança que lhe dão.
Langanhoso: Remeloso; pegajoso.
Largueza: Quintal com uma extensão apreciável.
Lascarino: Bem humorado.
Lavados: Roupa suja.
Lavar o cu c’a água das malvas: Auxiliar.
Lavarinto: Confusão.
Lavutador: Sociável.
Lavutér: Relacionar-se socialmente.
Lebre: Pessoa libertina; mulher astuciosa.
Lêtebó: Rapaz; homem sem eira nem beira.
Língua de cabra: Pessoa que não é capaz de guardar um segredo.
Lua cabrêra: Loucura; desorientação.
Machorra: Fêmea (humana ou animal) que não produz crias.
Madrinhas: Vacas que conduzem um touro ao curro no final da tourada; cabrestos.
Magana: Mulher jovial, alegre e namoradeira.
Mal atrogalhado: Mal vestido.
Mal de canga, pior d’ arado: De mal a pior.
Malacueco: Rebuçado.
Malandamoso: Diz-se do caminho onde é difícil transitar mesmo a pé.
Malanquêras: Doenças; defeitos de personalidade.
Malaquetão: Espécie de pêssego; alperce.
Malasado: Desajeitado.
Malata: Ovelha nova, ainda quase borrega.
Manamafarda, fazer a: Roubar.
Mandar à fonte limpa: Insultar; mandar à merda.
Mandar cantar a plaima: Acabar com uma conversa inoportuna e irritante.
Manhoca: Pega do guarda-chuva.
Mareia: Orvalho matinal.
Marifrancisca: Vagina.
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Falares alentejanos III

alentejo3.JPGEngadanhar: Enregelar.
Engrolado: Mal cozinhado.
Engrolar: Cozinhar à pressa.
Enlodrar(-se): Sujar(-se) com lama.
Enmachorrado: Diz-se do tempo quente e abafado.
Enrolar o ‘stojo: Morrer.
Entaliscado: Entalado. Pequeno entalão. Entaladela.
Entrás: Cancro.
Entremoçada: Diz-se da batata que, depois de cozida, se estraga.
Entretenga: Entretenimento.
Envenanar: Irritar.
Enxapota:  Ramo de azinheira ou de chaparro.
Enxúndia:  Gordura de galinha.
Enxurro: Entulho resultante duma enxurrada.
Enzuminér: Enganar; ludibriar.
Ervacêdo: Terreno coberto de erva densa.
Ervaçum: Erva densa.
Esbarrondado: Arruinado.
Esbortiédo: Borrado; vomitado.
Escalafrio: Arrepio de frio.
Escaldar: Vender caro.
Escalda-rabos: Susto.
Escalmurra: Calor atmosférico intenso.
Escanchada: Passo largo.
Escanchaperna: Ângulo entre duas pernadas duma árvore.
Escapatório: Razoável.
Escarapão: Variedade de cobra.
Escarapoado: Zangado.
Escaravêlha: Mulher muito trabalhadora.
Escarrapanchado: Montado, com as pernas abertas.
Escoalho: Chocalho.
Escorregar: Dar dinheiro.
Escumêra: Avarento.
Esfomiédo: Avarento.
Esfrunhadôro: Gilbardeira.
Esfrunhér: Limpar a chaminé com gilbardeira.
Esgadanhar: Coçar com intensidade a pele; esforçar-se para atingir um objectivo.
Esgalhar: Partir com grande rapidez.
Esgravulhér: Procurar fundos para atingir as suas metas ou satisfazer as suas necessidades.
Esgumitér: Vomitar.
Esmichéda: Ferida; hematoma.
Espantar-se: Fugir; abandonar.
Esparavela, à: Sem agasalhos.
Esparvêrédo: Esparvoado.
Espassarado: Atordoado.
Esperar o sol: Apanhar sol.
Espinhela: Coluna vertebral.
Espinhela caída: Fraqueza geral no corpo.
Esporêta: Pessoa que se veste com roupas garridas, mal combinadas.
Esporrear: Ostracizar.
Estabanado: Pessoa com atitudes incompreensíveis, social e/ou mentalmente instável.
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Falares alentejanos II

alentejo2.jpgCabecinh’ àrrã: Pessoa com falhas de memória.
Cabra machaneca: Pessoa indolente, sem vontade própria.
Cabras: Queimadura nas pernas, resultante da exposição destas ao calor da braseira de picão.
Cacanho: Muco nasal.
Caçapo: Coelho com poucos dias de vida.
Cace:  Concha para servir sopa ou caldo.
Cachão: Borbulha da água quando nasce ou jorra.
Cachaporra: Cajado com cerca de um metro e uma bola no fundo, resultante da raiz da planta.
Cachopêro: Pessoa que gosta de lidar com crianças.
Caço: Concha para tirar a sopa da panela ou da terrina.
Cadela: Banco de madeira feito a partir da pernada tripartida de um sobreiro ou de um carvalho.
Cagaita: Sujidade.
Cagar a pêga: Meter-se em assuntos alheios; opinar sem ser solicitado.
Calado: Queimado pelo sol.
Calatróia: Comida mal confeccionada.
Calcadôro: Eira circular onde se pisam os cereais.
Calhabôco: Pedregulho.
Calhandrêra: Coscuvilheira.
Calorina: Muito calor.
Calorina: Calor intenso.
Calvário: Sofrimento prolongado.
Camalhão: Pequeno monte de terra resultante da cavadura.
Camastralho: Cama.
Cancarôcho: Pessoa fisicamente desajeitada.
Canejo: Com as pernas tortas.
Canjirão: Vasilha grande para vinho.
Cantar a malaganha: Chorar.
Cantar as aleluias: Mostrar-se alegre; cantar vitória.
Cantar de galo: Afirmar-se.
Cantarêra: Poial onde se colocam os cântaros; móvel em madeira para colocar os cântaros e as asadas.
Canxarrêra: Pedregal.
Canxo: Pedregulho; penedo.
Capazório: Razoável.
Capela: Coroa de flores que se faz pelo são joão.
Caquêro: Vaso onde se plantam flores; pessoa envelhecida.
Cara de gato: Variedade de figo.
Caraiva: Companhia; grupo de amigos.
Caramôço: Acumulação de pedras rodeada por um muro rudimentar.
Carapéla: Crosta que se forma no lugar de uma ferida.
Carcachada:  Gargalhada.
Carcachada:  Gargalhada.
Careio: Jeito.
Carnêrêro: Local onde se depositam as ossadas junto de uma igreja ou num cemitério.
Cartachal: Pequena propriedade agrícola.
Cartêra: Caminho rural largo, de terra batida.
Carvalhadas: Boémia.
Casão: Garagem; arrecadação no piso térreo duma casa.
Catarral: Pneumonia.
Catarrêra: Constipação.
Catósa: Bebedeira.
Catracego: Com falta de visão.
Cavalinho d’ el rei: Galã.
Cavalo d’ el rei: Louva-a-deus.
Cegar e não ver: Estar apaixonado.
Chabarco: Charco com alguma profundidade.
Chabôco: Reservatório de água, escavado no chão, possuidor ou não de revestimento murário.
Chafurdão: Construção totalmente em pedra, em geral circular, com tecto de falsa cúpula.
Chambudo: Com as pernas grossas.
Champorriom: Café com aguardente.
Chaparro: Árvore  jovem.
Charavanco: Automóvel velho.
Charimbelho: Criança.
Chazada: Repreensão; censura.
Chêrar a rolas assadas: Estar muito calor.
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Falares alentejanos I

Alentejo.pngÀ mercantista: À pressa; sem cuidado.
Abêbra: Figo negro.
Abelhêra: Ligação amorosa extraconjugal.
Abesprão: Rezingão; pessoa que fala com violência verbal.
Abobrado: Diz-se do terreno saturado de água; embebido em água ou outro líquido.
Acabamento: Refeição oferecida pelo um patrão no final de uma tarefa agrícola ou da construção de uma casa.
Acanaviédo: Com fraqueza corporal; alquebrado.
Acarrado: Amodorrado; febril.
Acarrêto: Carga; frete.
Adiafa: Festa de fim de uma actividade, frequentemente constituída por uma refeição farta e bem regada.
Adjunto: Multidão.
Afaiancar: Coxear.
Afracoar: Afrouxar; fraquejar.
Aguado: Espantado; perturbado.
Aivado: Coxo; aleijado.
Alacado: Magro; enfraquecido.
Alambazar:  Ficar com coisas a mais que o necessário ou razoável.
Alcacêr:  Forragem.
Alcaide: Pessoa que se julga superior, sobranceira.
Alcandórno: Lugar alto.
Alcatruzes: Seios com um tamanho considerado excessivo.
Aldeagar: Falar sem sentido; difamar.
Alganaças: Rapaz alto e magro.
Algarve: Fenda em solo calcário.
Almocreve: Homem que realizava trabalhos agrícolas com muares.
Altebenque: Assento em madeira com costas para várias pessoas.
Amar a Deus de bêço caído: Cumprir uma tarefa difícil.
Amesentar-se: Sentar-se; instalar-se.
Amuadiço:  Que amua por tudo e por nada.
Andaço: Epidemia.
Andar à cata da rolha: Procurar desesperadamente alguma coisa; não saber como reagir perante uma situação problemática.
Andar c’a lua cabrêra: Embirrar sem razão; andar desnorteado.
Andar do cu p’à porta: Estar zangado, com as relações cortadas.
Andar na beca: Trabalhar arduamente.
Andar nas carvalhadas: Viver na boémia.
Apaixonado: Possuído de grande tristeza.
Apalancar: Pedir ou perguntar a várias pessoas.
Aparadêra: Parteira.
Apartar o fato: Separar-se; divorciar-se.
Aquartelér: Acautelar; cuidar; guardar.
Arejós: Guizo.
Arencú: Pirilampo.
Armar-se em pangaio: Armar-se em esperto.
Arnela: Ânimo.
Arraia: Escândalo; discussão acesa.
Arranguêlha: Velhaco; ruim.
Arrebena: Estábulo.
Arrebentédo: Exaltado; irascível.
Arreganhar os dentes: Mostrar-se zangado; repreender.
Arregoar: Abrir fendas nas paredes
Arrelampado: Zangado.
Arriéta: Rédea.
Arrife: Socalco; talhão.
Arruína: Desgraça.
Arvela: Pessoa de pequena estatura, baixa e magra; pessoa leve.
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