A decadência do ensino da História

manuel-baioa.jpgA História está longe de ser uma área do conhecimento em decadência. Pelo contrário, alicerçado nas suas metodologias e finalidades próprias e mantendo um diálogo fecundo com outras ciências, nunca o saber histórico foi tão abrangente no conhecimento e na compreensão das sociedades humanas e da sua evolução ao longo dos tempos. A História continua a ser, mais do que nunca, fundamental para compreender o mundo em que vivemos e, nesse sentido, deveria ter um lugar inquestionável nos currículos escolares.

Não é essa, no entanto, a visão dos nossos iluminados reformadores curriculares, que alimentam um preconceito contra uma disciplina que desejam converter numa caricatura de si mesma, retirando-lhe tempos lectivos e aligeirando os programas. De forma a que não sobre tempo para muito mais do que a sucessão de “nomes e datas”, o conhecimento “enciclopédico” que os seus detractores dizem não ter lugar na Educação “do século XXI”. A decadência da História não é portanto um mal inerente à disciplina, que está bem e se recomenda, mas sim o resultado da desvalorização curricular que aquela tem vindo a sofrer, pelo menos, nos últimos quinze anos.

Não posso por isso deixar de divulgar e subscrever inteiramente as palavras do colega Manuel Baiôa em defesa do ensino da História. E contra o verdadeiro atentado que está a ser cometido contra a disciplina e todos aqueles que a estudam e ensinam. Que é também, em última análise, um ataque à Educação portuguesa.

Nas últimas décadas a disciplina de História tem perdido importância na correlação de forças entre as diferentes disciplinas que compõem o currículo do 3.º ciclo do ensino básico (7.º, 8.º e 9.º ano de escolaridade) e do ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º ano de escolaridade) e tornou-se a disciplina com piores resultados nos exames nacionais do ensino secundário, tendo tido uma média de 9,42 valores em 2018.

A situação que se vive hoje é o resultado de décadas de desinvestimento no ensino da História. Em 1991, quando o atual programa de História do 3.º ciclo do ensino básico foi homologado, o currículo previa uma carga horária de três aulas semanais de 50 minutos no 7.º, 8.º e 9.º ano de escolaridade. As reformas curriculares ocorridas em 2001 e 2012 levaram a uma perda de relevância da disciplina de História, uma vez que o quadro normativo e a pouca autonomia das escolas, obrigou a reduzir a carga letiva da disciplina para sete ou oito aulas semanais no somatório dos três anos do 3.º ciclo do ensino básico. No presente ano letivo voltamos a ter uma nova reforma curricular com a introdução da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, entre outras mudanças. A disciplina de História voltou a perder importância, prevendo-se que, quando a reforma estiver concluída dentro de dois anos, passe a dispor de apenas seis aulas no somatório dos três anos do 3.º ciclo do ensino básico. Portanto, os alunos terão apenas duas aulas semanais de História no 7.º, 8.º e 9.º ano de escolaridade, quando no passado tinham três aulas. Para cada ano letivo há uma perda de cerca de 33 aulas, pelo que no conjunto do 3.º ciclo os alunos terão aproximadamente menos 100 aulas de História. A subalternização da História levou a que algumas escolas tivessem avançando com o experimentalismo de a transformar em disciplina semestral. Neste quadro, os professores de História poderão vir a ter 11 turmas para completar o seu horário de trabalho, tendo neste caso cerca de 300 alunos.

A desvalorização da História teve efeitos trágicos nas aprendizagens dos alunos. Com apenas duas aulas semanais não se consegue ter uma relação pedagógica profícua e dificulta o trabalho continuado para o desenvolvimento de capacidades e conhecimentos nos discentes. Passou a haver pouco tempo para a análise de fontes, textos, gráficos e mapas, para a elaboração de sínteses e para a promoção do pensamento crítico, entre outras capacidades que a História desenvolve nos alunos. A opinião pública desconhece esta situação, pois no 3.º ciclo do ensino básico não há exame de História, pelo que esta triste realidade fica confinada às paredes da escola.

O desinvestimento nesta área do saber tem o seu corolário no ensino secundário, onde nos últimos anos a disciplina de História A tem obtido alguns dos piores resultados nos exames nacionais, superando outras disciplinas tidas como grandes “papões”, como a Matemática ou a Física. Uma grande parte dos alunos que chega ao 10.º ano traz uma preparação muito deficiente ao nível da História e muitos deles ingressam no curso de Humanidades não por vocação, mas apenas como fuga à Matemática, à Física e à Química. O programa de História A do ensino secundário é exigente e inicia-se com o estudo da Grécia Antiga e termina no século XXI. Pressupõe que os alunos dominem a língua portuguesa e um conjunto de conhecimentos e capacidades de História que a maioria não possui. Por isso, muitos alunos do 10.º ano desistem, pois não conseguem acompanhar a exigência que lhes é pedida. Os restantes alunos que se mantêm na disciplina de História A até ao 12.º ano têm de realizar um intenso trabalho para recuperar os conhecimentos e capacidades que não puderam desenvolver nos anos anteriores. Para agravar este quadro negro, a reforma curricular do ensino secundário iniciada neste ano letivo retirou uma hora semanal à disciplina de História A, pelo que passou a haver menos tempo para trabalhar com os alunos.

A sociedade portuguesa tem de refletir e decidir se quer continuar a desinvestir na disciplina de História, pois a continuar por este trilho estaremos a formar certamente cidadãos acríticos e pouco informados sobre a História nacional e internacional.

A cassete da flexibilidade

  1. cassete.gifOs alunos aprendem de forma diferente a um ritmo próprio;
  2. A diferenciação pedagógica contribui para gerir a diversidade e para uma Escola onde todos aprendam;
  3. A motivação, a proximidade, os afetos são preditores de aprendizagens de qualidade;
  4. Saber escutar a “voz dos alunos, dos docentes e dos não docentes” é essencial;
  5. Promover o exercício efetivo de uma cidadania ativa e inserir a mesma no ensino disciplinar;
  6. A transversalidade e de integração de saberes e de valores, não se compadece com currículos rígidos.

Chega!… Fica apenas a introdução da prosa. Mas acrescento que é difícil encontrar, num único texto, tão grande chorrilho de banalidades e lugares-comuns erguido em torno da louvor da política educativa do actual governo.

A prosa eduquesa do director do agrupamento de Colmeias chega a ser indecorosa e a despertar vergonha alheia na forma despudorada como desbobina a propaganda governamental. Sem qualquer rigor de argumentação ou análise, sem revelar um mínimo daquele espírito crítico que agora se tornou de bom tom exigir aos alunos, a defesa da flexibilidade curricular faz-se repetindo estribilhos, indo atrás das modas e dos mitos educativos do momento. Como se fossem novas as metodologias activas e outras ideias e práticas pedagógicas com mais de cem anos e que nunca estiveram ausentes das escolas portuguesas. Como se não se tivesse já tentado anteriormente, com modestos resultados, flexibilizar o currículo.

Dir-se-ia que devem estar tocados pela graça ou pela omnisciência divinas, os mentores de uma reforma educativa na qual o director Elias não encontra um erro, uma falha, um problema, uma dificuldade. Doura a pílula de uma pseudo-reforma feita em cima do joelho, sem motivação e envolvimento dos seus agentes, sem meios e condições para uma efectiva e duradoura mudança, sem uma avaliação ou um acompanhamento sérios e independentes, que não os de quem tem algo a ganhar com o êxito da experiência – os que irão enriquecer o currículo profissional ou a carreira política com o sucesso, real ou inventado, conseguido à custa do trabalho de professores e alunos.

Por Espanha… a reforma educativa é contra os TPC

escola-finlandia– Queremos uma educação ao nível da Finlândia!
– Reduzir o número de alunos por turma?
– Não.
– Triplicar o orçamento?
– Não.
– Mais professores de apoio?
– Não.
– Eliminar os contratos de associação?
– Não.
– Potenciar a escola pública?
– Não.
– Eliminar a segregação escolar?
– Não.
– Reduzir a carga lectiva dos docentes?
– Não.
– Então?
– Menos trabalhos de casa!

Daqui.

Petição em defesa do ensino da História

A reorganização dos currículos em curso tem sido, no caso da disciplina de História, um verdadeiro emagrecimento curricular: com a aplicação, mais ou menos flexível, das novas matrizes, a disciplina tende invariavelmente a perder tempos lectivos em vários anos de escolaridade. Uma realidade que o ME não assume, mas acaba por admitir quando sugere a leccionação da disciplina em blocos semestrais.

Não me parece que esta desvalorização curricular do conhecimento histórico seja acidental. Há uma intencionalidade óbvia, um propósito claro e, obviamente, pessoas responsáveis. Desde logo, o secretário de Estado da Educação que tem dirigido a pseudo-reforma educativa em curso e o ministro que, embora pareça andar a leste de tudo o que se faz e decide no ME, continua a ser o último responsável pelo ministério que dirige. E cúmplices evidentes, onde terei de incluir, lamentavelmente, a associação que supostamente representa os professores de História.

Há uns meses, critiquei o colaboracionismo da APH numa política que desde o primeiro momento visou menorizar a História e substituir o pensamento estruturado, crítico e fundamentado que a disciplina promove pelas vacuidades sem substância das diversas “educações para a cidadania”. Não mudei de opinião, mas o quadro negro que hoje se desenha para o futuro do ensino da História nas escolas portuguesas justifica que todos os esforços se unam no sentido de denunciar a situação e procurar o apoio de todos os que possam e queiram ajudar-nos a salvar a disciplina. É por isso que assinei e divulgo o abaixo-assinado promovido pela APH, apelando também à sua assinatura por todos os interessados.

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…Não chega afirmar que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória assenta numa base humanista. É necessário concretizá-lo. Tendo em conta as caraterísticas da construção do saber histórico – o desenvolvimento de valores ligados ao pensamento democrático, à estruturação do pensamento, ao desenvolvimento das capacidades de análise, de síntese e de crítica –, que podem e devem ser potenciados pela oportunidade que constituem as AE e o modelo de ensino que lhes está associado, parece uma contradição a diminuição efetiva da carga horária da disciplina que se está a verificar, efetivamente, em muitas escolas.

Os agentes educativos abaixo-assinados vêm, respeitosamente, solicitar que Vossa Excelência se digne a ter em consideração a petição acima descrita, enquadrada pela necessidade de desenvolvimento de boas práticas educativas e de cidadania, na aplicação das Aprendizagens Essenciais e da política educativa que as contextualiza.

A flexibilidade vai chegar às universidades

flexibilidadeSegundo a secretária de Estado, para que o ensino superior se inove é preciso “diversificar as portas de entrada”, para que cada vez mais alunos com o ensino secundário concluído acedam às universidades e aos institutos politécnicos. Além disso, sustentou Mariana Vieira da Silva, cada aluno deve poder “desenhar o seu percurso” académico, o que implica um outro desafio, o da “flexibilização de currículos”.

Depois de ter assumido a flexibilização dos currículos e das aprendizagens como estratégia fulcral para garantir o sucesso universal e obrigatório no ensino não superior, o Governo parece querer convencer as universidades e os politécnicos de que a chave para a melhoria do sucesso académico não passa, afinal, por mais empenhamento dos estudantes ou melhores práticas pedagógicas dos professores. Pelo contrário: em vez de se ensinar os alunos a superar dificuldades, aposta-se em remover-lhes os obstáculos do caminho, permitindo que cada um construa o seu percurso individualizado de sucesso.

Admito que possa estar a ver mal a coisa – a minha experiência universitária restringe-se à condição de estudante e concluiu-se há mais de 30 anos, pelo que me falta conhecimento “por dentro” da realidade actual do ensino superior – mas parece-me errada esta concepção flexibilizadora que agora se pretende impor.

Em boa verdade, alguém vá para um curso superior fazer apenas as cadeiras de que gosta ou, dentro destas, escolher as matérias e as aprendizagens mais do seu agrado, será que está efectivamente a aprender? A experiência universitária não deve passar também por sair da zona de conforto e estudar aquelas coisas que, embora possam ser mais difíceis ou menos sedutoras, são indispensáveis ao exercício autónomo e qualificado de uma profissão? Será possível ser-se um profissional ou um especialista em qualquer área assumindo apenas as partes agradáveis e rejeitando os “ossos do ofício”?

Faz sentido um estudante de Medicina recusar, por exemplo, as actividades onde tenha de ver sangue ou lidar com doentes? Ou um professor dizer que adora ensinar, mas que não quer ter de avaliar os seus alunos? Será aceitável ter um engenheiro que faça projectos sem realizar os cálculos necessários, porque não lhe agrada ou não sabe fazer essa tarefa?

Claro que me podem dizer que estou a exagerar. Que a flexibilidade é outra coisa. Podem até acrescentar, como já fazem em relação ao básico e ao secundário, que o novo sistema será até mais, e não menos, exigente. Acredita quem quiser. Mas seria importante que estes assuntos fossem publicamente debatidos. Conhecermos opiniões isentas e informadas do interior das academias, em vez de ouvirmos apenas as frases feitas proferidas pelos bonzos do costume.

Finalmente, a criatividade, outro mantra omnipresente nas não-tão-novas pedagogias. Dizem-nos que a universidade a promove pouco, e que os jovens acabam por encontrar ambientes mais criativos nas empresas, quando começam a trabalhar, do que nas faculdades. Sem negar a necessidade de, mais numas áreas do que noutras, estimular o espírito criativo e a iniciativa dos estudantes, noto que não se cria a partir do nada, muito menos ignorando ou desprezando o que outros fizeram antes de nós. O apelo à criatividade não deve substituir, antes complementar, a aquisição de conhecimento estruturado. E, sobre a criatividade, convém ter presente a velha máxima do sempre criativo Thomas Edison: ela exige 99% de transpiração e apenas 1% de inspiração…

Ler, escrever, contar, respeitar

Jean-Michel-BlanquerA escola francesa – fábrica de cidadãos, motor da meritocracia e pilar histórico da identidade da França republicana – volta ao básico. Ler, escrever, contar, respeitar. Estes são os fundamentos nos quais deverá se concentrar, de acordo com Jean-Michel Blanquer, ministro da Educação Nacional do Governo do presidente Emmanuel Macron. No ano e meio em que está no comando, Blanquer, que deu impulso à proibição de telefones celulares nas classes, também tem promovido o aprendizado de latim e grego.

“A principal questão da nossa época”, diz ele em um encontro com EL PAÍS e outros meios de comunicação europeus, “é como este mundo cada vez mais tecnológico pode ser um mundo cada vez mais humano”.

A França será provavelmente um dos países a merecer ser acompanhado mais atentamente, nos próximos tempos, por quem se interessa pelas realidades e desafios da Educação dita do século XXI. Com um Presidente e um Governo pouco definidos em termos ideológicos, também na Educação se notam os sinais de um casamento difícil e de resultados incertos entre republicanismo laico e conservadorismo social, liberalismo económico e centralismo estatal, retorno ao básico – ler, escrever e contar – e abertura às mais recentes teorias do conhecimento. A versão portuguesa do El País traça o retrato possível de um sistema educativo atravessado por dilemas e contradições.

Por exemplo: numa sociedade cada vez mais dominada pelas tecnologias de comunicação, deve a escola seguir na onda do conhecimento fácil e instantâneo, promovendo a integração dos gadgets electrónicos no quotidiano escolar, ou deve assumir o desafio de oferecer aos alunos aquilo que a sociedade da informação não lhe pode dar – por exemplo, disciplinas opcionais de latim ou grego? Voltar aos clássicos, ao conhecimento das línguas e das culturas antigas, e encontrar neles exemplos e inspiração para encarar os desafios do nosso tempo, pode não ser uma opção fácil. Mas parece ter sido claramente assumida pelo ministro da Educação Nacional.

Recentemente, também foi muito discutida a decisão polémica de proibir o uso de telemóveis nas escolas públicas. Uma medida já em aplicação, mas que consta estar a encontrar resistências, não só entre os alunos, mas também entre as direcções e corpos docentes de algumas escolas.

Contudo, para além das ideias mais emblemáticas, que reformas estruturantes foram encetadas? Os sinais são contraditórios. Positivos, como a redução do número de alunos por turma nas escolas que servem públicos escolares mais carenciados. Mas também há críticas dos sindicatos de professores devido à diminuição de lugares docentes e ao sistema de avaliação dos alunos e das escolas. E, claro, acusações dos mais impacientes adeptos da mudança: o actual ministro tenta usar a Educação para reproduzir um mundo que já pertence ao passado.

Outras questão controversa é o ensino do Árabe nas escolas públicas, que tem sido defendido e promovido pelo actual ministro, contra as correntes mais conservadoras que o associam ao recrudescer do radicalismo islâmico. Mas a ideia de Blanquer é pertinente: o Árabe é uma das grandes línguas da cultura e da civilização. Oferecer o seu estudo nas escolas públicas, num contexto de neutralidade religiosa, é preferível a que os interessados procurem as aulas das escolas corânicas, essas sim, muitas vezes, focos do fundamentalismo religioso.

Finalmente, a presença policial nas escolas, frequentemente requerida devido ao aumento da violência escolar: um polícia armado dentro de uma escola deve ser visto como um elemento intolerável, uma ameaça perturbadora? Ou, pelo contrário, deverão as crianças habituar-se, desde pequenas, a encarar o polícia não como uma ameaça, mas como um elemento útil e necessário da sociedade, construindo dessa forma uma imagem positiva das forças de segurança?…

Aprender com os outros

brederodeA actual presidente do CNE gosta de dar-se ares de avozinha simpática e preocupada com os “meninos”. Mas eu, que costumo topar à légua algumas falsas simpatias, irrito-me particularmente com a forma acintosa que a senhora arranja para se referir às suas embirrações pessoais. Fê-lo ainda hoje, ao definir o actual 2º ciclo como “um ano para entrar e outro para sair”. Ainda assim, a sua tese rocambolesca de que, aglutinando em seis anos os actuais 1º e 2º CEB, o sucesso escolar aumentaria, já tem pelo menos um apoiante: Manuel Pereira, presidente da ANDE, supostamente a falar em nome dos directores que representa.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) admite que possa fazer sentido repensar a existência do 2.º ciclo do ensino básico, mas defende que mais importante é aligeirar a carga curricular do 1.º ciclo que considera ser pesada.

“Faria algum sentido que se repensasse esta estrutura do 1.º ciclo e do 2.º ciclo. Faria algum sentido que se pensasse na possibilidade de um só ciclo de seis anos”, disse Manuel Pereira, reagindo assim às declarações da presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre o relatório Estado da Educação 2017.

Manuel Pereira defende que Portugal deve aprender com os outros países, relembrando que na maioria do Estados europeus o ciclo inicial tem seis anos e que muitos dos problemas sentidos em termos de sucesso dos alunos acontecem no 2.º ciclo do ensino básico.

Não me parece que esta seja uma questão substancial: noutros países existe apenas um ciclo de estudos até ao 6º ano, mas o currículo vai-se configurando ao longo desse período, com a introdução progressiva de novas matérias e disciplinas e a passagem gradual da monodocência a um regime de pluridocência ao longo do ciclo.

Contudo, se os senhores directores estão preocupados em “aprender com os outros países” e acham que não devemos divergir dos consensos existentes nos sistemas educativos dos países com que nos gostamos de comparar, tenho uma sugestão a fazer: proponham o fim dos mega-agrupamentos, um modelo burocratizado e centralizado de gestão escolar inexistente na generalidade dos países. E que entre nós está longe de demonstrar resultados. Essa sim, é uma originalidade portuguesa de que não temos motivos para nos orgulhar. Seriam capazes de o fazer?…