Maus tempos para a Educação

aula-divertida.gifFlexibilidade curricular, competências transversais, direito ao sucesso, aulas divertidas: os sinais dos tempos em matéria educativa são o pretexto para uma reflexão profunda e pertinente de António Jacinto Pascoal nas páginas do Público.

Este nosso colega começa por tentar desbravar o ideário confuso da pedagogia agora dominante, tal como ela é vertida para os documentos oficiais e ministrada nas formações que, visando públicos seleccionados, andam a ser dadas pelo país fora. Basicamente, defende-se um ensino centrado na auto-aprendizagem dos alunos, no desenvolvimento de competências em detrimento da assimilação de matérias, no derrube das barreiras disciplinares, tidas como obstáculo à aprendizagem.

Omnipresente, está uma ideia que, de tantas vezes repetida, já quase todos tomam como verdadeira. Mas longe de cabalmente demonstrada. A de que o mundo muda hoje ao ritmo mais acelerado de sempre e que dentro de uma ou duas décadas tudo à nossa volta estará radicalmente diferente. No mundo da educação, isto significaria que não adianta transmitir hoje conhecimentos que amanhã estarão obsoletos, importa sobretudo desenvolver competências que capacitem os adultos de amanhã para “empregos ainda não criados, para tecnologias ainda não inventadas, para a resolução de problemas que ainda se desconhecem”. A citação é do decreto-lei 55/2018, o da reorganização curricular, e mostra como o mantra ideológico contamina até a produção legislativa, retirando o módico de rigor e sensatez que deveria presidir a qualquer intervenção no sistema educativo. Nem se percebe que a grande revolução educativa que se anuncia é, afinal de contas, aquilo que a escola nunca deixou de fazer: preparar crianças e jovens para a vida num mundo em constante mudança. Jacinto Pascoal pressente-o bem. E não poderia ser mais claro e incisivo:

O que nós conhecemos é o passado e conhecemos o presente e é nele que vivemos e é nele que devemos resolver problemas. Supor que o direito à aprendizagem e ao sucesso educativo (eis a grande obsessão) reside numa solução exclusivamente escolar é um erro fatal e uma forma subtil de descarregar o ónus no sistema de ensino em geral e nos professores em particular. Enquanto os problemas da pobreza, dos salários baixos, das condições socioeconómicas, da habitação e da estabilidade profissional não forem resolvidos, não haverá direito efectivo à aprendizagem nem sucesso (essa faca de dois gumes) educativo. É que, diga-se o que se disser, os alunos não partem de condições sociais igualitárias nem de circunstâncias globalmente justas para poderem emergir em igualdade de oportunidades. Não admira o fracasso (para não usar o termo insucesso) que muitos experimentam. Haverá sempre expedientes a salvaguardar as elites, quanto mais não seja pelo poder financeiro.

Se há coisa que caracteriza bem os projectos políticos de centro-esquerda que subsistem em pleno século XXI, ela é precisamente a capitulação perante o neoliberalismo dominante. Os poucos governos socialistas e sociais-democratas que ainda subsistem desistiram dos programas de reforma económica e social que poderiam combater eficazmente a discriminação e a pobreza, redistribuir a riqueza e aumentar a igualdade de oportunidades e a justiça social. Como têm medo de se meter com banqueiros, empresários, tecnocratas e gestores da nova ordem internacional, metem-se com os professores. E exigem-lhes que resolvam, na escola, os problemas de uma sociedade doente. Uma utopia, a rimar com outras: no novo programa educativo não falta sequer a busca do Homem Novo, esse mito da velha Esquerda recriado, para a educação portuguesa no século XXI, no delírio colectivo a que chamaram Perfil dos Alunos

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E mandar a flexibilidade à fava?

flex2A azáfama que se vive nalgumas escolas faz lembrar os piores tempos do benaventismo e do lurdes-rodriguismo: à boleia de uma revisão curricular mal assumida, os malandros dos professores, que ainda trabalhavam pouco, estão a ser exortados a todo o tipo de trabalho suplementar: são os planeamentos, as monitorizações e os DACs, são os MOOCs e outras formações da treta sobre teorias da treta – a única coisa onde parece haver dinheiro fresco para gastar -, são reuniões para flexibilizar, articular e planificar, são mil e um novos documentos para elaborar, processos para reavaliar, critérios e instrumentos de avaliação para reformular.

Para a geração docente que predomina nas escolas, tudo isto fede irremediavelmente a velho e passado de validade: já passámos pela gestão flexível do currículo, pela área-escola e a área de projecto, pela formação cívica e os projectos curriculares de turma. E sabemos bem da escassa ou nula relevância de todos estes projectos. Não porque não tenham valor pedagógico as ideias que os alimentam: mas porque invariavelmente se transformam em burocracia inútil, que desgasta os professores em reuniões improdutivas e papéis que ninguém vai ler, desviando-os do que realmente é importante: preparar e desenvolver o trabalho directo com os alunos.

Estamos cansados, e não dei conta que nos tivessem aliviado o serviço, nem diminuído as turmas, nem reorganizado o horário lectivo e não lectivo, de forma a deixar-nos mais tempo para a carga de trabalhos que a flexibilidade irá implicar. Mas deve haver colegas bafejados pela sorte, pois que os vejo já dispostos a sacrificar tardes e noites para ajudar a cumprir a tosca reforma de João Costa e dos seus sequazes.

Pela minha parte, não esquecerei que o secretário de Estado que nos tenta dar lições de pedagogia e desenvolvimento curricular é o mesmo que não hesita, no artigo 35º da portaria 223-A/2018 que ele próprio assinou, em sujeitar os conselhos de turma às regras do procedimento administrativo.

Continuo a pensar que a classe docente ganharia outro respeito da opinião pública e, principalmente, mais respeito por si própria, se fosse capaz de se unir, numa estratégia inteligente, no boicote a estas pseudo-reformas feitas contra os professores e à custa do seu tempo, da sua energia, da sua boa vontade.

Pois ao contrário do que nos querem fazer crer, a oposição à flexibilidade obrigatória não é a defesa de um ensino passadista, contra a inovação pedagógica e o mundo digital. Desde sempre se inovou nas escolas portuguesas e se fizeram projectos que põem os professores e as disciplinas a trabalhar em conjunto, actividades que mobilizam toda a comunidade escolar, visitas de estudo e actividades práticas que articulam, enriquecem e mobilizam saberes.

Os professores devem ser profissionais autónomos, críticos e criativos, não burocratas educativos ao serviço da ditadura do projecto. O que esperam para recusar a formatação que lhes querem impor, com a cenoura dos MOOCs e o pau das direcções? Para quando uma revolta cívica da classe docente contra todas as falsas autonomias e absurdas flexibilidades com que os querem domesticar?

Os professores do futuro

super-profRui Gualdino Cardoso, um professor que colabora regularmente com o blogue DeAr Lindo, escreve esta semana no Público sobre um tema importante e sempre oportuno: com as políticas educativas actuais, que professores poderemos vir a ter futuramente?

A fraca atractividade da profissão docente já não é de agora, mas os resultados da primeira fase de colocações no ensino superior, com quase metade das vagas nos cursos de Educação por ocupar, demonstram que a falta de professores, há muito um problema crónico em alguns países europeus, poderá vir a ser também, em breve, uma realidade portuguesa.

Mas o que aconteceu nestes países para chegarem a este ponto? Não é necessário procurar muito para se encontrar uma razão. A falta de investimento na área de educação, a falta de condições de trabalho, os baixos salários em relação a outras carreiras semelhantes, a instabilidade ao nível de colocação e familiar que esta profissão acarreta, a desautorização do papel do professor enquanto educador, o crescente desrespeito do papel do professor na sociedade, estão entre muitas outras razões para estes cenários.

Lá fora é assim, por cá também é, e será, como lá.

Dentro de poucos anos, o cenário nas escolas portuguesas será semelhante aos países acima mencionados. Com a falta de candidatos a professores que hoje se verifica e com a eminente saída para a aposentação de milhares de professores nos próximos anos, o sistema de ensino, inevitavelmente, entrará em rutura por falta de profissionais.

Nessa altura, restar-nos-á o exemplo do que está a acontecer em alguns municípios do Reino Unido, com professores de Educação Física, formados em Portugal, a lecionar Matemática e Ciências, por na sua formação base terem uma ou duas cadeiras sobre essas matérias. Serão estes os professores do futuro?

Por cá, quem planeia e decide as políticas educativas tem preferido enterrar a cabeça na areia em vez de enfrentar um problema que é real, e que não desaparece pelo facto de ser ignorado. Faz-se por acreditar em estudos que apostam num decréscimo da natalidade ainda maior nos próximos anos, ou nas virtualidades dos mega-agrupamentos, das turmas grandes e da escola dita inclusiva para reduzir as necessidades futuras de professores.

Ou então, alternativa que me custa aceitar, acreditam mesmo naquelas ideias que nos têm andado a impingir: que os alunos do futuro aprenderão sozinhos, navegando autonomamente pelas auto-estradas do conhecimento e precisando apenas, de quando em vez, de um professor que, qual polícia sinaleiro, os ajude a resolver acidentes de percurso ou evitar os caminhos sinuosos.

Uma coisa parece evidente: a aposta nas flexibilidades e nas transversalidades curriculares é coerente com uma concepção de escola em que o professor já não precisa de ser um especialista daquilo que ensina. Se já não ensina nada, porque “a dar aulas ninguém aprende” então a formação e o recrutamento dos futuros “facilitadores de aprendizagens” podem ser bem menos exigentes do que são actualmente. E se os novos profissionais forem menos qualificados, tanto melhor – serão mais fáceis de domesticar pelas autoridades educativas e sairão certamente mais baratos.

Claro que paralelamente a esta escola low-cost destinada às massas, continuará a haver lugar para projectos educativos de qualidade e diferenciadores, destinados aos filhos das elites. Será o regresso à velha escola reprodutora das desigualdades o verdadeiro desígnio educativo do século XXI?…

Dão-lhes jeito estas certezas…

certezas.JPGtenho a certeza de que os docentes do nosso país, as comunidades educativas, farão tudo para cumprir integralmente os seus projetos pedagógicos. Essa é a certeza que temos e as reivindicações sindicais são naturais, são como disse legítimas, porque fazem parte dos anseios desses docentes.

Quem assim falou foi o ministro da Educação, seguindo uma linha de raciocínio muito cara a todos os dirigentes do ME: nós cortamos nos vossos salários, anulamos as vossas perspectivas de progressão na carreira, limitamos a vossa autonomia profissional e tornamo-vos escravos dos nossos projectos. Em contrapartida, vocês continuam a dedicar-se de corpo e alma aos vossos alunos e aos “projectos pedagógicos” das vossas escolas porque o vosso profissionalismo não vos permitirá outra coisa.

Sucede que a pseudo-reforma educativa em curso não só está longe de consensualizada entre os professores a quem foi imposta, como implica, para a sua execução plena, aumentar ainda mais o tempo de trabalho não lectivo dos docentes. O que colide com uma das principais reivindicações dos professores, que é justamente o excesso de trabalho burocrático e extra-lectivo, não reconhecido nem remunerado, que lhes é imposto todos os anos.

Os professores já perdiam demasiado tempo a elaborar projectos, planificações, relatórios e actas e a participar reuniões em supostamente pedagógicas, mas que na prática servem acima de tudo para alimentar uma máquina de produção de documentos que raramente servem para outro fim que não o arquivamento. E quem pensava que a introdução das TIC viria simplificar o uso da documentação, mais tarde ou mais cedo teve de se render às evidências: a facilidade com que hoje se redige no computador ou, ainda mais fácil, se vai copiando de um lado para o outro o que alguém escreveu, apenas levou à multiplicação irracional da papelada, agora em formato digital.

Pelo que a questão que agora se coloca é saber se os professores portugueses vão continuar a desperdiçar o seu próprio tempo, e por vezes até aquele que deveriam dedicar aos seus alunos, a projectos pedagógicos cuja única utilidade, até agora demonstrada, é satisfazer a teimosia e a vaidade pessoal dos seus mentores.

Serão coerentes os professores portugueses que, ao mesmo tempo que lutam contra os abusos nos horários e a sobrecarga de trabalho, aceitem a marcação de sucessivas reuniões que excedem em muito o tempo semanal legalmente previsto? Que se ofereçam para sacrificar o seu tempo livre a elaborar DACs? A reavaliar alunos com necessidades especiais, porque alguém decidiu que, como estava, não servia? A redigir todo o tipo de documentos que cada escola, no âmbito da sua nova “autonomia”, decida inventar?

Pela parte que me toca, a regra será o cumprimento escrupuloso do horário de trabalho e dos tempos destinados a cada actividade, lectiva ou não lectiva. O que não se fizer hoje, faz-se amanhã. O que não se consegue fazer, por falta de tempo ou de meios, não se faz.

É tempo de os professores portugueses, mais do que exigirem respeito, darem-se ao respeito.

Bons professores, bons programas, disciplina

inger.JPGA Suécia tem sido associada a uma certa vanguarda educativa que por cá, com flexibilidades, transversalidades e autonomias, se pretende obrigar escolas, professores e alunos, a acompanhar.

Mas não é nada disto que defende a professora Inger Enkvist, adepta de valores e práticas pedagógicas que o ensino centrado no aluno e o “aprender a aprender” colocaram fora de moda.

Uma política educativa de direita, portanto? Lendo a entrevista ao Público, parece-me que as ideias da professora sueca pendem mais para esse lado do espectro político. Embora registe, e até certo ponto subscreva, a preocupação em superar o confronto esquerda/direita no debate sobre Educação.

Há duas ideologias por detrás da ideia de que todos devem ter uma atenção pessoal, uma de direita e outra de esquerda. A de esquerda diz que todos somos iguais e quem não é precisa de ajuda para se tornar igual. A de direita diz que todos têm direito a atenção, direito à escolha, a ser um agente livre para fazer o que quer.

Ambas estão erradas! Não funcionam e não são do interesse do estudante, do país ou da aprendizagem. Mas são muito comuns e apresentadas como algo moderno. A coisa correcta é ter bons professores, que ensinem bons programas e dar-lhes autoridade.

Há uma ideia importante que apoio inteiramente e que nunca é de mais sublinhar nestes tempos que que se mitifica o ensino à medida de cada aluno, a aprendizagem instantânea no google ou no youtube e o ensino doméstico: a escola é uma das grandes invenções da humanidade, pois permite ensinar eficazmente muitos estudantes ao mesmo tempo, juntando grupos de alunos com capacidades e interesses semelhantes com professores que possuem os conhecimentos e as competências necessários para os fazer aprender.

Claro que a educação é para os estudantes, mas nada nos diz que é melhor ter um plano personalizado para cada um. Pelo contrário, o ensino funciona nos países onde os professores trabalham com grupos com as mesmas necessidades. É mais fácil que estes aprendam ao mesmo tempo. Essa ideia do aluno no centro leva a que seja precisa muita ajuda na escola e os recursos são mal usados. Se pensarmos em dinheiro, é mais económico aprender num grupo semelhante.

Ao longo da História, as alternativas à escola foram apenas três: o analfabetismo quase generalizado, o sistema corporativo dos mestres e aprendizes que qualificava os artesãos dos principais ofícios e o ensino doméstico, com preceptores ou professores particulares, acessível apenas aos filhos dos fidalgos e da alta burguesia. A escola como hoje a temos, universal, gratuita e obrigatória, é uma conquista civilizacional demasiado importante para a deixarmos destruir em nome de modas irracionais ou, pior do que isso, da agenda oculta das organizações internacionais e das fundações empresariais que promovem a “inovação educacional”.

Inger Enkvist defende o reforço da autoridade dos professores – as crianças, e a própria escola, precisam de regras para poderem funcionar e para que efectivamente se ensine e aprenda. É certo que a educação de base deve ser dada em casa, pelos pais. Mas quando estes não desempenharam bem o seu papel, é a escola que deve reforçar, logo nos primeiros anos de escolaridade, o seu papel educativo.

Alguns não têm ajuda em casa? São esses que precisam mais do que os outros de aprender correctamente a comportarem-se. No 1.º ano, a professora é quem abre o mundo do conhecimento às crianças, ao mesmo tempo que mostra como funciona a escola. Precisa de dizer-lhes: “É assim que se aprende e aprender é entusiasmante e transformador, vai mudar-te, vai tornar-te um adulto, mas há regras às quais tens de obedecer.”

Um ensino laxista, a falta de regras, o desrespeito pela autoridade e pela figura do professor, trazem outro problema: quando assim é, ninguém quer ser professor, tornando-se difícil atrair bons profissionais para a profissão docente…

Isso é importante porque os bons alunos querem ser professores – também é verdade para os educadores de infância e para os professores de 1.º ciclo. Se as crianças aos 4, 5, 6 anos tiverem bons educadores, inteligentes e preparados, arrancam bem, conseguem aprender bem a língua e ganham bons hábitos sobre como comportar-se na sala de aula. É mais divertido para um aluno estar com um professor inteligente que torna a aprendizagem divertida – este é um dos segredos do sucesso da Finlândia.

É um problema também noutros países que, em comum, têm o facto de terem introduzido a “nova pedagogia” que diz que o estudante tem direitos e não é obrigado a obedecer ao professor. Quando o aluno pode entrar ou sair da sala de aula, pode chegar e não trazer os trabalhos feitos, pode dirigir-se ao professor de forma desrespeitosa, então, ninguém quererá ser professor.

Os pontos mais polémicos deste programa educativo: a aceitação de que se aprende melhor em grupos homogéneos e a defesa, consequentemente, da formação de grupos de nível e, paralelamente, a introdução de vias alternativas de ensino a partir dos doze anos.

Fala-se muito de discriminação, mas se você tivesse sido professora veria nos olhos dos alunos a ansiedade ou o aborrecimento porque não conseguem gerir o conhecimento que o professor está a transmitir. O que acontece a esses alunos é que se limitam a sobreviver na escola, na esperança de que um dia aquilo termine e sejam livres. Outros ficam tão aborrecidos que começam a fazer disparates porque não acham que o conhecimento seja importante. Na adolescência, diria que submeter os alunos a isso é um mau trato psicológico.

…aos 12 anos é preciso dar escolha aos alunos porque é impossível estarem todos interessados nas mesmas coisas e, ao desinteressarem-se, tornam o trabalho dos professores impossível.

Quanto ao problema da precocidade das escolhas, Inger tem uma posição clara: não podem ser os pais, muitas vezes com percepções irrealistas acerca do desempenho escolar dos filhos, nem os próprios alunos, a tomar este tipo de decisões: deve confiar-se nos professores que os acompanham e percebem melhor do que ninguém o que poderá ser mais adequado.

Finalmente, os telemóveis. O que pensa a professora sueca sobre a omnipresença destes aparelhos e a ideia de que podem substituir, não só o ensino dos professores, como a própria actividade intelectual dos alunos?

Isso é errado, errado, errado. Porque a nossa biologia não mudou e aprender é sobre mudar o nosso cérebro e se não o fizermos, então não aprendemos. A tecnologia é limitada, eles podem dizer muita coisa com o smartphone na mão, mas se lho tirarmos não sabem nada. É como se fosse uma prótese.

Quanto aos pais que não resistem a manter os filhos equipados com o gadget da última moda…

…os pais dão tudo e não têm a coragem de dizer “não”. Muitos não estão preparados e não compreendem como é importante dizer “não” a alguém de quem gostam.

Porque queremos ser amados pelos nossos filhos e também porque, no caso dos ecrãs, pensamos que não é muito tempo e, por isso, não faz mal. Mas isso é errado porque através dos ecrãs as crianças não recebem todos os estímulos necessários para aprender e com o nosso dinheiro estamos a empobrecê-los.

Os nove passos de uma reforma educativa

cozinhando.gifDa longa e fundamentada reflexão de uma nossa colega sobre a flexibilidade curricular, destaco a passagem em que aborda a conhecida obsessão, de todas as equipas governativas que passam pelo ME, em fazer a reforma educativa que perpetue essa passagem.

Como demonstra a colega, que assina como “+1prof-zeca” o texto publicado no Quintal do Paulo Guinote, há de facto um padrão que já se repetiu demasiadas vezes, um guião de um filme que, em sucessivas versões de cada vez pior qualidade, já todos nos fartámos de ver.

Todos os que chegam aquele sacrossanto ministério da educação querem deixar a sua marca e o filme é sempre o mesmo:

Nine nove vezes fora= NADA: uma mão cheia de nada! Mas  muito, muito sururu, muito, muito papel, muita, muita reunião, muita, muita gente exausta/cansada e outros a assistir da bancada!

Leitura obrigatória

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© Henricartoon