David Justino apoia Rui Rio

rui-rioQuase de saída da presidência do CNE, David Justino não perde tempo e já abraçou um novo desafio:

David Justino é coordenador da moção de Rio

O presidente do Conselho Nacional de Educação vai coordenar o documento estratégico com que o ex-autarca do Porto se apresentará às eleições diretas para a presidência do PSD.

Conselheiro-mor da Educação Nacional, Justino nunca deixou de ser um militante destacado do PSD, nem de seguir, à frente do CNE, uma agenda política favorável aos interesses do seu partido. E é no contexto da militância partidária que passa agora a colaborador directo de Rui Rio, o que talvez seja também sinal seguro de que está aqui o novo homem forte do PSD.

Na verdade, tendo servido como vereador de Isaltino e como assessor de Cavaco, David Justino soube sempre reconhecer e acompanhar, não direi os melhores, mas pelo menos os mais eficazes a alcançar e a conservar o poder…

Anúncios

O “homicídio qualificado” de Passos Coelho

sofia-v-rocha.JPGPedro Passos Coelho, depois de não ter mantido o governo em 2015, pensou que ia voltar rapidamente ao poder e, portanto, achou que as autárquicas não eram uma eleição importante e não era importante a eleição em Lisboa.

Eu considero que Pedro Passos Coelho matou o PSD em Lisboa e foi um homicídio qualificado.

Quem isto diz é Sofia Vala Rocha, quinta candidata na lista do PSD à câmara da capital, em entrevista ao DN. A mesma senhora que há um mês atrás defendia desta forma o grande líder do seu partido:

sofia-v-rocha-tweet.JPG

Quando é evidente que o fraco resultado que se antecipa ao PSD em Lisboa não lhe permitirá ser eleita, foi a forma que encontrou para se demarcar desde já de uma liderança que terá, a partir de 1 de Outubro, os dias contados.

Resta saber se lá pelo PSD, onde andam a meter água há bastante tempo, apreciam quem segue o exemplo dos ratos. Que são sempre, como se sabe, os primeiros a abandonar o navio.

Falta de transparência

copo-transparente.JPGÉ a acusação que o PSD faz ao actual ME.

Digamos que a transparência que existia, nos tempos de Nuno Crato era, no mínimo, bastante selectiva, mas a verdade é que as más práticas vindas de outros tempos, e que sempre foram apanágio da direita dos negócios instalada no poder, não são justificação para que o governo dito de esquerda siga pelo mesmo caminho.

O PSD quer que o Ministério da Educação divulgue a lista das escolas EB1 que não abrem portas no novo ano lectivo, que começa oficialmente nesta sexta-feira. Os deputados daquele partido na Assembleia da República fizeram nesta sexta-feira um requerimento ao Governo em que exigem conhecer essa informação e acusam o ministro Tiago Brandão Rodrigues de “falta de transparência”.

Questionado sobre a matéria, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues enviou a seguinte resposta: “Não houve encerramentos de escolas sem o parecer positivo (ao encerramento) dado pelos serviços do Ministério da Educação e do acordo formal e escrito da respectiva autarquia.” Ou seja, houve encerramentos, mas a tutela não diz quantos.

Responder a alhos, com bugalhos, é ainda pior de que não responder: é tomar por parvos os interlocutores. E embora o governo PS possa sentir que tem boas razões para manter este diálogo de surdos com o PSD, a verdade é que, ao negar-se a responder concretamente às perguntas de um deputado, não é apenas a este que o governo desrespeita: é a todos os cidadãos, que têm o direito de conhecer a actuação dos governantes, nesta e em todas as matérias que não são, nem podem ser, segredo de Estado.

E na realidade já são várias as perguntas que o ME vem deixando sem resposta, dando o flanco às críticas dos seus opositores…

Ao PÚBLICO, o deputado social-democrata Amadeu Albergaria diz “esperar que a situação não esteja relacionada com o facto de estarmos a iniciar uma campanha autárquica”. No entanto, o mesmo parlamentar defende que a “falta de transparência” tem sido “uma marca deste ministro da Educação”. O deputado social-democrata recorda que Tiago Brandão Rodrigues nunca respondeu às perguntas feitas sobre o número de turmas mistas (onde convivem alunos de anos de escolaridade distintos) que estão em funcionamento.

Esta sexta-feira, os deputados do PSD fizeram também uma pergunta parlamentar ao ME. No documento, os deputados recordam que Tiago Brandão Rodrigues tinha garantido, em Maio, no Parlamento, que a revisão da portaria dos rádios entre funcionários e alunos estava para breve e que a colocação destes trabalhadores decorreria no “início do ano letivo” de 2017/18. No entanto, a portaria ainda não está publicada e os 1500 assistentes operacionais que será necessário contratar, só chegarão às escolas ao longo do ano lectivo.

“Qual a razão para o atraso na revisão da Portaria dos Rácios?”, questionam os social-democratas, que querem saber também por que motivo só foi autorizada a contratação de 250 assistentes operacionais para o arranque deste ano lectivo em meados de Agosto.

Universidade de Verão

DI-bj_CW0AE2Tah.jpg

– Muito bem, meus lindos – dizem-lhes por lá – agora já podem ir embora.

O génio da banalidade

cavacoloureiro

Cavaco Silva reapareceu ontem naquilo a que chamam a Universidade de Verão do PSD, apenas para mostrar que continua ressabiado com a actual solução governativa e ainda mais com o seu sucessor na Presidência da República. Uma assombração, como sugere Joana Mortágua?

Saí de casa e entrei no carro e assisti a um anti-milagre de ressuscitação. Parece que ouvi no rádio uma voz do além, das profundezas, a dizer uma série de disparates e afinal era o Cavaco Silva que tinha voltado, não se sabe bem de onde, para dizer umas coisas.

O que ouvi não foi muito, mas o cinismo, o argumento tortuoso, as meias palavras e as meias verdades típicas do discurso cavaquista, isso estava lá tudo. E recordou-me o retrato certeiro de José Saramago, possivelmente a pessoa que melhor definiu este político tão medíocre quanto mesquinho:

Sempre que fala o professor Cavaco Silva está dando uma lição. Mas hoje descobri – não direi exactamente com surpresa – que tudo quanto ele diz é banal. É uma espécie de génio da banalidade.

 

 

Não se pode criticar a Altice?

O primeiro-ministro, António Costa, criticou a Altice no debate do estado da nação, em vésperas da empresa comprar a TVI, mas deixou também um desabafo que tem outro peso quando é dito por um primeiro-ministro: “Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo”.

No debate do estado da nação, o primeiro-ministro disse ainda temer que a PT “acabe por transformar este caso num caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa”.

No último debate parlamentar em que tomou parte, António Costa foi um pouco mais longe do que costuma ser habitual em declarações de um PM visando uma empresa privada, o que não deixou de ser criticado pelo líder do PSD:

Pedro Passos Coelho manifestou perplexidade e criticou Costa pela intromissão em assunto da esfera privada. Passos considera “inaceitável” a “admoestação pública” no Parlamento do primeiro ministro à Altice. “Um péssimo sinal quando um primeiro-ministro e um Governo sente que podem desta maneira junto de uma empresa”, vincou Passos.

Claro que para Passos Coelho o tom dos comentários de Costa seria perfeitamente aceitável se estivesse a invectivar, por exemplo, dirigentes sindicais. Já o “respeitinho” com as empresas e os “mercados”, que os serventuários do neoliberalismo dominante não se cansam de recomendar, acredito que nalgumas situações possa ser conveniente por razões tácticas. Mas não aceito que a subserviência incondicional seja especialmente vantajosa na relação com gente que olha apenas o seu interesse a curto prazo e não respeita nem clientes, nem trabalhadores, nem o país que lhes deu todas as facilidades para o desenvolvimento dos seus negócios.

patrick.JPGPara quem já não se lembra, a administração da Altice, que agora tenta adoptar um discurso conciliador e low-profile, é a mesma cujo CEO, há dois anos atrás, não tinha problemas em assumir:

Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo possível.

E despeço todos os que puder, poderia ter acrescentado.

Um quase suicídio… político

ppc-joao-marques.JPGDe Pedro Passos Coelho, nas suas lamentáveis declarações sobre suicídios na sequência do incêndio de Pedrógão. Ressalve-se que já admitiu o erro e pediu desculpa pelas palavras incendiárias e irreflectidas, mas note-se que, se o líder é o que sabemos, o partido que dirige não é melhor do que ele…

João Marques, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande que deu a Passos Coelho a informação errada sobre suicídios no concelho, é o candidato do PSD àquela autarquia. E foi presidente da câmara durante 16 anos