O fim da geringonça?

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A foto, tirada na sequência do entendimento entre PS e PSD sobre a municipalização e o acesso à próxima vaga de fundos estruturais que estará para vir, é daquelas que dizem mais do que mil palavras.

E nem é preciso um acordo escrito para se perceber que daqui para a frente o PS de Costa encontrará no PSD de Rio um parceiro solícito para todos os pactos de regime de que ambos beneficiarão.

Claro que isto não vai ser o fim da solução governativa assente na maioria de esquerda, mas é evidente que retira margem de manobra e capacidade de pressão aos partidos que têm suportado o governo minoritário do PS.

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Deputado visitante

Para braço direito do novo líder do PSD, o tal que vinha dar um “banho de ética” na política portuguesa, foi escolhido a dedo…

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Ao longo de 10 anos, Feliciano Barreiras Duarte, hoje secretário-geral do PSD, deu a morada da casa dos pais no Bombarral para cálculo do subsídio de transporte e ajudas de custo na Assembleia da República. Mas, pelo menos durante nove desses 10 anos, morou na Avenida de Roma, em Lisboa.

Feliciano Barreiras Duarte, refira-se, já tinha tido problemas relacionados com moradas e subsídios nos anos 90, quando foi vereador do PSD na câmara do Bombarral (que tinha gestão socialista). A situação era a inversa. Barreiras Duarte era estudante universitário nessa época e declarava ter a sua residência fixa em Lisboa. Chegou a receber dinheiro de quilómetros, mesmo sem ter carta de condução. Isso permitia-lhe receber as respetivas ajudas de custo para ir às reuniões de câmara no Bombarral.

Novo líder

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© Henricartoon

Santana Lopes e a avaliação dos professores

santana.jpgEm dia de eleições no PSD, disputa que deixa indiferentes a maioria dos Portugueses e que, mesmo no interior do partido, parece suscitar escassos entusiasmos, pego no tema apenas para constatar, também aqui, a ausência da Educação do escasso debate político que a escolha do líder social-democrata tem suscitado.

Ainda assim, a classe docente passou de raspão pelo discurso de Santana Lopes. Sem se alongar no assunto, o candidato considerou que, haverá professores a mais no sistema educativo, que precisarão de ser “requalificados”:

Consoante as avaliações que vão sendo feitas, acho que o Estado tem obrigação de propor aos professores, de acordo com a necessidade do corpo discente que vai existindo, a sua reorientação profissional por acordo com os próprios, a sua requalificação, pode ser bom para eles.

A formulação da ideia é confusa, e percebe-se que Santana não terá reflectido muito antes de mandar os seus bitaites, mas o essencial será a retoma do estribilho da avaliação punitiva, que serve para distinguir os “bons” dos “maus” professores, propondo-se a estes últimos a saída da profissão. Claro que não se fala aqui em despedimentos, mas sabemos bem em que consistiu a “requalificação” feita por governos anteriores.

Por outro lado, a estupidez da proposta está também bem patente no pressuposto de que haverá excesso de professores. Quando as previsões para os próximos 15 anos apontam para a aposentação de pelo menos 55 mil profissionais docentes, isto significa que cerca de metade dos actuais professores dos quadros terão de ser substituídos ao longo desse período de tempo. Mesmo contando com a quebra demográfica que irá absorver boa parte destas saídas, o grande desafio para o futuro será o de atrair jovens com competência e vocação adequadas às exigências da profissão, formá-los devidamente e proporcionar-lhes as condições necessárias a um bom desempenho profissional. Mas claro que pretender que percebesse isto seria provavelmente exigir de mais a um simples santanalopes.

São coisas que não se aprendem nas universidades de Verão do PSD…

David Justino apoia Rui Rio

rui-rioQuase de saída da presidência do CNE, David Justino não perde tempo e já abraçou um novo desafio:

David Justino é coordenador da moção de Rio

O presidente do Conselho Nacional de Educação vai coordenar o documento estratégico com que o ex-autarca do Porto se apresentará às eleições diretas para a presidência do PSD.

Conselheiro-mor da Educação Nacional, Justino nunca deixou de ser um militante destacado do PSD, nem de seguir, à frente do CNE, uma agenda política favorável aos interesses do seu partido. E é no contexto da militância partidária que passa agora a colaborador directo de Rui Rio, o que talvez seja também sinal seguro de que está aqui o novo homem forte do PSD.

Na verdade, tendo servido como vereador de Isaltino e como assessor de Cavaco, David Justino soube sempre reconhecer e acompanhar, não direi os melhores, mas pelo menos os mais eficazes a alcançar e a conservar o poder…

O “homicídio qualificado” de Passos Coelho

sofia-v-rocha.JPGPedro Passos Coelho, depois de não ter mantido o governo em 2015, pensou que ia voltar rapidamente ao poder e, portanto, achou que as autárquicas não eram uma eleição importante e não era importante a eleição em Lisboa.

Eu considero que Pedro Passos Coelho matou o PSD em Lisboa e foi um homicídio qualificado.

Quem isto diz é Sofia Vala Rocha, quinta candidata na lista do PSD à câmara da capital, em entrevista ao DN. A mesma senhora que há um mês atrás defendia desta forma o grande líder do seu partido:

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Quando é evidente que o fraco resultado que se antecipa ao PSD em Lisboa não lhe permitirá ser eleita, foi a forma que encontrou para se demarcar desde já de uma liderança que terá, a partir de 1 de Outubro, os dias contados.

Resta saber se lá pelo PSD, onde andam a meter água há bastante tempo, apreciam quem segue o exemplo dos ratos. Que são sempre, como se sabe, os primeiros a abandonar o navio.

Falta de transparência

copo-transparente.JPGÉ a acusação que o PSD faz ao actual ME.

Digamos que a transparência que existia, nos tempos de Nuno Crato era, no mínimo, bastante selectiva, mas a verdade é que as más práticas vindas de outros tempos, e que sempre foram apanágio da direita dos negócios instalada no poder, não são justificação para que o governo dito de esquerda siga pelo mesmo caminho.

O PSD quer que o Ministério da Educação divulgue a lista das escolas EB1 que não abrem portas no novo ano lectivo, que começa oficialmente nesta sexta-feira. Os deputados daquele partido na Assembleia da República fizeram nesta sexta-feira um requerimento ao Governo em que exigem conhecer essa informação e acusam o ministro Tiago Brandão Rodrigues de “falta de transparência”.

Questionado sobre a matéria, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues enviou a seguinte resposta: “Não houve encerramentos de escolas sem o parecer positivo (ao encerramento) dado pelos serviços do Ministério da Educação e do acordo formal e escrito da respectiva autarquia.” Ou seja, houve encerramentos, mas a tutela não diz quantos.

Responder a alhos, com bugalhos, é ainda pior de que não responder: é tomar por parvos os interlocutores. E embora o governo PS possa sentir que tem boas razões para manter este diálogo de surdos com o PSD, a verdade é que, ao negar-se a responder concretamente às perguntas de um deputado, não é apenas a este que o governo desrespeita: é a todos os cidadãos, que têm o direito de conhecer a actuação dos governantes, nesta e em todas as matérias que não são, nem podem ser, segredo de Estado.

E na realidade já são várias as perguntas que o ME vem deixando sem resposta, dando o flanco às críticas dos seus opositores…

Ao PÚBLICO, o deputado social-democrata Amadeu Albergaria diz “esperar que a situação não esteja relacionada com o facto de estarmos a iniciar uma campanha autárquica”. No entanto, o mesmo parlamentar defende que a “falta de transparência” tem sido “uma marca deste ministro da Educação”. O deputado social-democrata recorda que Tiago Brandão Rodrigues nunca respondeu às perguntas feitas sobre o número de turmas mistas (onde convivem alunos de anos de escolaridade distintos) que estão em funcionamento.

Esta sexta-feira, os deputados do PSD fizeram também uma pergunta parlamentar ao ME. No documento, os deputados recordam que Tiago Brandão Rodrigues tinha garantido, em Maio, no Parlamento, que a revisão da portaria dos rádios entre funcionários e alunos estava para breve e que a colocação destes trabalhadores decorreria no “início do ano letivo” de 2017/18. No entanto, a portaria ainda não está publicada e os 1500 assistentes operacionais que será necessário contratar, só chegarão às escolas ao longo do ano lectivo.

“Qual a razão para o atraso na revisão da Portaria dos Rácios?”, questionam os social-democratas, que querem saber também por que motivo só foi autorizada a contratação de 250 assistentes operacionais para o arranque deste ano lectivo em meados de Agosto.