Petição em defesa do ensino da História

A reorganização dos currículos em curso tem sido, no caso da disciplina de História, um verdadeiro emagrecimento curricular: com a aplicação, mais ou menos flexível, das novas matrizes, a disciplina tende invariavelmente a perder tempos lectivos em vários anos de escolaridade. Uma realidade que o ME não assume, mas acaba por admitir quando sugere a leccionação da disciplina em blocos semestrais.

Não me parece que esta desvalorização curricular do conhecimento histórico seja acidental. Há uma intencionalidade óbvia, um propósito claro e, obviamente, pessoas responsáveis. Desde logo, o secretário de Estado da Educação que tem dirigido a pseudo-reforma educativa em curso e o ministro que, embora pareça andar a leste de tudo o que se faz e decide no ME, continua a ser o último responsável pelo ministério que dirige. E cúmplices evidentes, onde terei de incluir, lamentavelmente, a associação que supostamente representa os professores de História.

Há uns meses, critiquei o colaboracionismo da APH numa política que desde o primeiro momento visou menorizar a História e substituir o pensamento estruturado, crítico e fundamentado que a disciplina promove pelas vacuidades sem substância das diversas “educações para a cidadania”. Não mudei de opinião, mas o quadro negro que hoje se desenha para o futuro do ensino da História nas escolas portuguesas justifica que todos os esforços se unam no sentido de denunciar a situação e procurar o apoio de todos os que possam e queiram ajudar-nos a salvar a disciplina. É por isso que assinei e divulgo o abaixo-assinado promovido pela APH, apelando também à sua assinatura por todos os interessados.

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…Não chega afirmar que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória assenta numa base humanista. É necessário concretizá-lo. Tendo em conta as caraterísticas da construção do saber histórico – o desenvolvimento de valores ligados ao pensamento democrático, à estruturação do pensamento, ao desenvolvimento das capacidades de análise, de síntese e de crítica –, que podem e devem ser potenciados pela oportunidade que constituem as AE e o modelo de ensino que lhes está associado, parece uma contradição a diminuição efetiva da carga horária da disciplina que se está a verificar, efetivamente, em muitas escolas.

Os agentes educativos abaixo-assinados vêm, respeitosamente, solicitar que Vossa Excelência se digne a ter em consideração a petição acima descrita, enquadrada pela necessidade de desenvolvimento de boas práticas educativas e de cidadania, na aplicação das Aprendizagens Essenciais e da política educativa que as contextualiza.

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Divulgação: Tomada de posição dos professores nas reuniões de avaliação

professoresA proposta da Fenprof parece-me ser oportuna e fazer todo o sentido: nos primeiros conselhos de turma que se realizam em subordinação às regras do Código do Procedimento Administrativo, os professores devem registar o seu protesto por esta subversão dos critérios pedagógicos, e não meramente administrativos, que deveriam nortear as reuniões dedicadas à avaliação dos alunos.

Tomada de posição a incluir nas atas das reuniões de Conselhos de Turma de Avaliação

Vão começar as reuniões de Conselho de Turma de avaliação de final do 1.º período. VAMOS APROVEITAR PARA TOMAR POSIÇÃO, EM NOME DA QUALIDADE DE ENSINO E DE UMA AVALIAÇÃO JUSTA! 

NA SEQUÊNCIA DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA IMPOSTA AO FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE TURMA DE AVALIAÇÃO, A FENPROF APELA AOS PROFESSORES QUE DEIXEM EM ATA A SUA OPOSIÇÃO A ESSA DECISÃO.

POSSÍVEL TOMADA DE POSIÇÃO: 

Sendo esta reunião a primeira que se realiza após a alteração do regime de funcionamento dos conselhos de turma de avaliação, sujeitando-os às regras de quórum previstas no Código do Procedimento Administrativo (Portarias 223-A/2018 e 226-A/2018, de 3 e 7 de agosto, respetivamente), os professores presentes entendem deixar expresso o seu repúdio pela referida alteração, por considerarem que a mesma desvirtua a natureza pedagógica da avaliação. A revogação de uma tal decisão assume-se, assim, como essencial, não apenas por respeito pela profissionalidade docente, mas também para que os interesses dos alunos possam ser devidamente salvaguardados.

Professores de Informática escrevem ao Ministro da Educação

logoAnpr.pngA Associação Nacional de Professores de Informática – ANPRI – escreveu uma carta aberta ao Ministro da Educação. E de uma forma clara, aberta e assertiva, colocou questões que preocupam os professores em geral e os de informática em especial.

Ao contrário de outras associações de professores – incluindo a APH, que supostamente me representa – que preferem andar com paninhos quentes em torno da equipa ministerial, a ANPRI fala directamente dos problemas que a falta de meios e a obsolescência dos equipamentos coloca a profissionais a quem se exige que desenvolvam nos alunos competências avançadas no domínio das novas tecnologias.

De facto, a “escola-alfaiate” de que em tempos falava o ministro, a tal que deveria ser capaz de desenvolver para cada aluno uma educação à sua medida, não consegue, com a penúria de meios actual, costurar o fato novo que se deseja: limita-se a ir colocando remendos num fato velho, que já não serve nem a alunos nem professores.

Com computadores velhos, redes e ligações de capacidades muito limitadas, apenas uma ou duas salas de informática na maioria das escolas, destinadas a servir dezenas de turmas, alunos a partilhar os computadores, porque não há para todos, que sentido faz propor a introdução do ensino da programação, da robótica e de outros “artefactos tangíveis”?

Ao contrário de outros, que se deixam enrolar no discurso hipócrita e demagógico em que a equipa ministerial se vem especializando, os representantes dos professores de Informática não têm papas na língua. Ficam alguns excertos significativos de uma carta aberta que merece ser lida na íntegra.

A Internet nas escolas está a funcionar a dois tempos “lenta” ou “parada”, precisam-se soluções. Pretendemos saber se neste “pacote” de 23 milhões está incluída a renovação das estruturas das redes e internet nas escolas.

…pretendemos saber se vai ser disponibilizado algum equipamento às escolas para que sejam criadas condições para que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), quer enquanto disciplina, quer como meio para a integração transversal nas várias áreas do saber possam ser usadas condignamente, por alunos e professores.

…segundo o artigo do jornal Expresso vão ser disponibilizados seis milhões de euros para o programa “Computação na Escola” para o 1º ciclo. Muito bem, mas, então o 2º ciclo, o 3º ciclo e ensino secundário? Porque não têm, estes alunos, o mesmo direito?

Pretendemos ouvir, também, se a disciplina de TIC vai ter o tempo adequado para que os alunos, futuros profissionais, desenvolvam as competências digitais, no tempo certo, de modo que não seja necessário gastar quatro milhões de euros em programas de requalificação, consecutivamente. Isto, porque já não é o primeiro e dificilmente será o último.

Tendo em conta, que na disciplina de TIC, no 6º ano consta a AE “Utilizar ambientes de programação para interagir com robots e outros artefactos tangíveis”. Vai haver financiamento para adquirir os artefactos tangíveis necessários para a lecionar?

Será desta que vai ser criada uma disciplina de tecnologias, para todos os alunos, no ensino secundário? Esta, sim permitia aos alunos aprofundar as competências digitais, mas, também, sensibilizar e preparar melhor os alunos que seguem percursos escolares nas áreas das engenharias.

Verificamos, ainda, que o painel que V.ª Ex.ª vai moderar é composto por alunos provenientes de projeto de sucesso. […] Mas o grande desafio que lhe colocamos é que organize um painel com os alunos com um percurso de participações disciplinares e casos em risco de abandono escolar. Ajude-nos a resolver estes problemas.

Por fim, indo agora para as metodologias ativas, fala-se, agora, de BYOD (Bring your own device). Não é que os professores portugueses são, mesmo, muito avançados. Repare-se que há anos, que usam os seus próprios devices, na escola.

Conselho das Escolas critica o arranque do ano letivo

conselho-escolasO Conselho das Escolas apresentou há dias o seu balanço sobre as condições em que arrancou o presente ano lectivo. E as conclusões não são propriamente lisonjeiras para a equipa ministerial. Mas são, sem dúvida alguma, observações certeiras, sensatas e bem assentes na realidade.

Pois uma coisa é fazer fé no que nos é dito por burocratas e pedagogos de gabinete, ou confiar na experiência de uma ou outra visita, em ambiente controlado, a uma qualquer escola de referência. Outra coisa, bem diferente, é a realidade que todos os que trabalham nas escolas conhecem bem.

Ficam as ideias-chave, com sublinhados da minha responsabilidade, de um documento que pode ser lido na íntegra aqui.

Os sucessivos adiamentos das reuniões de avaliação, provocados pela greve docente e a confusão gerada nas Escolas com a publicação da Nota Informativa de 11/06/2018, da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, perturbaram e atrasaram para além do razoável o processo de avaliação final dos alunos e todas as atividades escolares daí decorrentes

A juntar a este turbulento final de ano letivo de 2017/2018, ocorreu a publicação tardia de legislação estruturante para a organização do sistema educativo e das próprias Escolas, nomeadamente a que veio definir o novo currículo dos ensinos Básico e Secundário (Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho), a que veio estabelecer as bases da Educação Inclusiva (Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho) e a que veio estabelecer as (novas) regras de organização do ano letivo (Despacho Normativo n.º 10-B/2018, de 6 de julho), em todos os casos a aplicar no ano escolar que se iniciou a 01/09/2018…

…os responsáveis pela plataforma MEGA [oferta de manuais escolares] não cuidaram de avaliar se as Escolas tinham ou não recursos materiais e logísticos de qualidade e em quantidade (rede, equipamentos informáticos, condições de armazenamento, etc…); se os recursos humanos disponíveis, nomeadamente pessoal não docente, eram suficientes para a tarefa (agosto é mês de férias por excelência); nem se as papelarias e livrarias tinham condições para utilizar a nova plataforma, tudo em tempo…

Acresce a tudo isto o facto de, em pleno mês de agosto de 2018 […] terem sido publicados diplomas subsidiários do Decreto-Lei n.º 55/2018, nomeadamente os relativos à avaliação das aprendizagens dos alunos e à regulamentação dos vários cursos e ofertas formativas criadas por este, para aplicação em todas as Escolas aos alunos de início de ciclo, a partir de setembro de 2018…

Enfim, o caos gerado no final do ano letivo transato, as orientações dúbias da Administração Educativa Central e a publicação tardia de legislação com relevância para o início do novo ano letivo não levaram, apenas, a que cada Escola e cada Diretor se sentissem isolados e deixados à sua sorte mas, também, denotam uma recorrente e persistente postura da Administração que, não apenas causa sérios prejuízos às Escolas e à sua imagem junto das comunidades educativas como, aos olhos de muitos, se traduz numa falta de respeito para com quem, no terreno, tem responsabilidades junto das populações que serve.

as Escolas continuam a defrontar-se com sérias dificuldades de pessoal não docente. Não apenas com a falta de Assistentes Operacionais, mas também e cada vez mais com a falta de Assistentes Técnicos qualificados. Sobre esta matéria, o Conselho das Escolas já se pronunciou diversas vezes, mas não pode deixar de afirmar agora que os rácios de pessoal não docente, previstos na Portaria n.º 272-A/2017, de 13 de setembro, continuam a não ser respeitados em muitas Escolas e, noutras, são respeitados apenas nominalmente.

Por fim, deve ser assinalado o facto de haver muitas Escolas e muitos alunos que ainda não têm professor, ou a quem faltaram professores durante tempo excessivo neste início de ano letivo. O Conselho entende que, embora as colocações de final de agosto tivessem preenchido a maior parte das necessidades docentes das Escolas, existem necessidades marginais às quais o atual sistema de colocação de professores não tem sido capaz de dar resposta em tempo, causando prejuízos aos alunos e à imagem da Escola Pública.

O verdadeiro prestígio dos professores

nando-lopezHá uma acusação recorrente que pedagogos tão bem-pensantes quanto distantes da sala de aula e dos alunos fazem aos professores: que reprovam demasiados alunos, que estão imbuídos de uma “cultura de retenção” e acham que reter alunos aumenta o seu prestígio enquanto docentes “exigentes”.

Esta luta pela transição a todo o custo faz-se hoje à escala global, com a OCDE e outras organizações internacionais a apontar regularmente o dedo aos países que se destacam no ranking do insucesso. Incapazes de sacudir a pressão ou de assumir a responsabilidade de decretar a passagem administrativa de todos os alunos, os políticos que gerem o sector preferem lançar as culpas do insucesso sobre os professores.

Em Espanha, a pressão tem vindo a aumentar na imprensa, com insinuações e acusações sobre os professores que não hesitam em prejudicar os alunos para beneficiarem do “prestígio” que alcançariam com as reprovações. Contestando esta ideia absurda, o professor e escritor Nando López toma posição no Twitter, dando o seu testemunho numa eloquente defesa da classe docente a que assume pertencer. Fica a tradução da sequência integral de tweets.

A cada semana há uma manchete que nos recorda o mal que fazemos, os professores. O mais recente fala do “prestígio que dá chumbar”, algo que nunca vivi como docente do 3º ciclo e Secundário. Em contrapartida, quero compartilhar algo que, isso sim, vivo em muitas escolas que visito como autor.

Nestes 4 anos que levo de licença visito uma média de 100-120 escolas de toda a Espanha em cada ano e vivi, frequentemente, uma mesma situação. Uma pequena história que se repete em muitas escolas e que talvez devessem conhecer os que alimentam parangonas tão catastrofistas.

A história é simples e sucede sempre da mesma maneira. Tem lugar um instante antes do começo do encontro, mesmo antes de entrar no auditório ou na biblioteca para falar com os alunos. Então há um professor que me detém e pede para falar comigo por um segundo.

Fá-lo discretamente, para que os seus alunos não o vejam. Então ele ou ela dizem-me que me fixe nesse grupo que se sentou ao fundo à direita. Ou na menina que vai ler a minha apresentação. Ou nos desenhos que me irão entregar no final do encontro.

Ou na pergunta que fará alguém que se sentou timidamente na última fila. Ou que mencione os alunos com necessidades especiais, que ainda não terminaram o livro mas estão encantados com a minha visita.

Pedem-me – como algo pessoal – que me fixe neles para que, se for possível, os mencione, os faça sentirem-se visíveis, os felicite pela sua pergunta, pelo seu desenho ou pela sua participação. Sabem que isso os ajudará a fortalecer uma auto-estima que nessas idades é tão quebradiça.

E quando os menciono, quando faço malabarismos para incorporar a presença desses alunos no meu discurso, eles sorriem surpreendidos, sim, mas o sorriso maior é o dos seus professores, que se alegram por os seus miúdos terem esse momento especial, por pequeno que seja.

Alguém que “crê que reprovar dá prestígio” não se preocupa com algo tão pequeno. Não sente esse vínculo afectivo tão poderoso com os seus estudantes. E não se alegra tanto quando vê que as suas raparigas e rapazes progridem. Aprendem. Participam. E são protagonistas do seu processo educativo.

Vivi alguma experiência negativa? Claro. Como a professora de Literatura que passou todo o encontro no WhatsApp. Ou o coordenador de departamento que me disse que “nem tinha lido os meus livros nem os iria ler”. Dois casos em quatro anos é, no mínimo, una estatística raquítica.

Sobretudo se os comparo com os demais docentes (500? 600?) que terei conhecido neste tempo e dos quais não só fiquei com uma magnífica recordação, como também aprendi técnicas, estratégias e modos de fomentar a paixão pela leitura.

Dizem-nos que não se pode educar sem emoção. E estou de acordo. O que não nos contam é que essa emoção está nas nossas aulas. É a que leio nos olhos desses docentes que me agradecem a menção dos seus alunos.

Só quando queres a alguém te perguntas o que fazer para o animar. Para lhe dizer que continue a esforçar-se. Para que saiba que te importa. Por isso, apesar de tudo, continuamos a pôr o nosso coração nas aulas. Porque não saberíamos fazê-lo de outra forma.

Pais, aprendam a comportar-se!

pais-prof.JPGO desabafo de uma professora experiente, apaixonada pelos seus alunos e pela sua profissão, mas não pelas atitudes de alguns pais, faz todo o sentido nos dias de hoje. Há pais que não o sabem ser, julgando que protegem os filhos ao presumirem que estes têm sempre razão, em todas as queixas e queixinhas que levam para casa.

A verdade é que nenhum professor ralha pelo prazer de ralhar, nem corrige o aluno se ele estiver a agir correctamente. Enquanto educador, nenhum professor merece ser censurado por tentar dar educação aos seus alunos e por exigir que estes cumpram os seus deveres e obrigações.

Cada vez que desautorizam os professores perante os filhos, ignorando as razões que levaram a um castigo ou a uma chamada de atenção mais ríspida, estes pais estão a estimular novas atitudes disruptivas, em vez da desejável melhoria do comportamento.

Como é sabido, a maioria dos alunos com problemas escolares provém de famílias que não valorizam a escola nem colaboram com os professores na educação dos seus filhos, acompanhando com atenção e interesse a sua vida escolar.

Sou professora há mais de 20 anos e sempre adorei a minha profissão. Sou apaixonada por crianças, mas não pelos pais, ou certos pais… Amo ensinar, educar, nunca tive dúvidas daquilo que queria fazer na vida. Mas nunca pensei deparar-me com desafios maiores: a falta de educação dos Pais, de bom senso e de paciência.

E quando há Pais mal formados, arrogantes e prepotentes, sobra para quem? Para os professores. Porque há senhores e senhoras que têm de ter sempre razão e acham que estão a proteger os filhos de determinado acontecimento. Mas, na verdade, estão a prejudicar o ambiente escolar.

Por vezes as crianças são cruéis e mentirosas, não gostam da escola e fazem queixas em casa sem qualquer fundamento de verdade. Este facto não deve ser valorizado à frente da criança. Nunca! Isso vai descredibilizar o professor. Faz com que a criança perceba que não vale a pena investir porque o pai não acredita no professor. Por outro lado, vai ganhar força para contar as coisas à sua maneira.

Outra coisa: os Pais não podem achar que podem opinar sobre tudo. Não podem! Existem razões para as quais as coisas são feitas. Intenções pedagógicas e curriculares.

E há mais! Nunca se deve interpretar algo que é retirado do contexto. Os professores às vezes dizem coisas do género: «Estás a ser palhacito!» Chegam a casa e dizem que o professor o ofendeu e o tratou por palhaço. Parece horrível, mas não foi o que aconteceu, não foi com má intenção. Ou: «Levas uma belinha se falares com o colega do lado!» Chegam a casa e queixam-se aos Pais: «O professor ameaçou que me batia!» Enfim, há inúmeros exemplos que poderia dar, coisas que acontecem comigo e com os meus colegas, mas acho que fico por aqui. Há coisas que muita gente nem imagina que acontecem numa escola.

Muitas vezes os Pais esquecem-se que a sala não tem só um aluno, há 20 ou 30. Não lecionamos só o seu filho. Os Pais acabam por responsabilizar os professores e desresponsabilizar os filhos na arrumação da mochila antes de sair da sala de aula, no material escolar pedido, entre muitas outras coisas. Há que haver responsabilidade, até para que as crianças saibam crescer e evoluir.

Felizmente conheço muitos Pais que educam bem os filhos e valorizam aqueles que ensinam, cuidam e incentivam a ser melhores adultos.

R.T.

A luta dos professores na Web Summit

web-summit_230.jpgA Fenprof aproveitou a sessão de abertura da Web Summit para denunciar o desrespeito do Governo pelos professores portugueses. Uma mensagem que contrasta com a ideia de modernidade, de progresso social e tecnológico e de país na linha da frente da nova economia e da sociedade do conhecimento que se vai tentando transmitir para o exterior. Afinal, que futuro terá um país cujos governantes desprezam os professores e desinvestem na Educação?

A mensagem, em Português e Inglês, é clara e concisa:

Por detrás da inteligência artificial, há sempre um bom engenheiro/programador. Antes de um bom engenheiro/programador houve sempre um bom professor.

Mas em Portugal o governo desrespeita os professores.