Desacatos em manifestações de professores???

A permanente fuga às responsabilidades é uma atitude e um modo de estar na política que mancha, de forma indelével, demasiados membros do actual governo. No caso em apreço, até não custa muito admitir que ao secretário de Estado do Desporto dificilmente se poderão assacar responsabilidades directas nos lamentáveis festejos da vitória sportinguista. Mas escusava de se exprimir de uma forma tão deselegante e até insultuosa para os professores, uma classe profissional que ainda por cima é tutelada pelo ministério a que pertence. Haverá memória, em 47 anos de democracia, de uma manifestação de professores em que tivesse havido qualquer tipo de desacatos?…

“Não é querer estar, como diz o povo, a sacudir a água do capote. Mas a verdade é que não é o secretário de Estado do Desporto, tal como não é por haver uma manifestação de professores onde haja desacatos que é chamado à colação o ministro da Educação“, considera João Paulo Rebelo.

Sendo aparentemente, como a grande maioria dos “ajudantes de ministro” deste governo, um adepto do low profile no exercício do cargo, não necessitaria de se expor desta forma, invocando despropositada e ofensivamente, os professores. Mas já que o fez, e me obriga a lembrar a sua existência política, aproveito para recordar as circunstâncias em que chegou ao poder. Foi uma segunda escolha no lugar que ocupa, depois do primeiro titular se ter demitido. João Wengorovius não se entendeu com o ministro com quem iria trabalhar e bastaram-lhe poucos meses para avaliar, em definitivo, as qualidades políticas e o carácter pessoal de Tiago Brandão Rodrigues. Ao contrário do seu sucessor, que se mantém no cargo até hoje, transitando do primeiro para o segundo governo de António Costa.

“Deixo hoje o XXI Governo Constitucional, convicto de que tinha um bom projeto e uma excelente equipa – e de que estávamos no caminho certo – contudo, em profundo desacordo com o Sr. Ministro da Educação no que diz respeito à política para a juventude e o desporto, e ao modo de estar no exercício de cargos públicos“, escreve João Wengorovius Meneses.

Foi em 2016, ainda mantinha Brandão Rodrigues o estado de graça e a aura de jovem cientista talentoso e comprometido com os desafios da Educação portuguesa. E é premonitório do que viria a seguir…

Covid-19 – DGESTE alerta as escolas

coronavirus-covid-19.jpgFace às notícias sobre a propagação do vírus Covid- 19 (coronavirus) e apesar de não haver ainda por parte das autoridades de saúde restrições de deslocação para fora do país, a DGESTE aconselha a ponderação sobre a oportunidade e conveniência de se realizarem visitas de estudo e outras deslocações ao estrangeiro, em particular a países ou a zonas com maior incidência de casos de infeção.

Os países e locais com maior incidência de casos de infeção, esclarecimentos de dúvidas, recomendações e informações devem ser consultadas na página da DGS que será atualizada sempre que se justifique.

O alerta da DGESTE soa mais como um descartar de responsabilidades da parte da tutela do que como orientação e apoio efectivo às escolas perante a eminente propagação do Covid-19 pelo espaço europeu, Portugal incluído.

Diz-se a quem está nas escolas que pondere a oportunidade das visitas de estudo previstas para se realizarem a zonas afectadas. Mas esquecem-se que é o próprio ME que obriga as escolas a preparar estas visitas com meses de antecedência, para que possam ser cumpridos todos os formalismos exigíveis. No caso de viagens que até já estão pagas, é o ME que assume a responsabilidade de explicar aos pais que a deslocação não se realizará, mas que o dinheiro pago não será devolvido?

E quanto aos alunos e professores regressados do norte de Itália por estes dias, é conveniente voltarem às aulas, como está a suceder, ou deveriam, por precaução, observar um período de quarentena? E neste caso, quem assume a justificação das faltas e as baixas médicas?

Como de costume, os responsáveis não querem tomar decisões difíceis e passam a batata quente para as escolas, numa altura em que se vai percebendo que muito pouco está a ser feito para prevenir de forma efectiva a propagação da doença. Como de costume, confia-se na sorte e gere-se a situação com decisões tomadas em cima do joelho.

Sem saberem muito bem com o que contar, os políticos não querem ser acusados de alarmismo, tomando medidas drásticas que se venham a revelar exageradas. Mas também não querem ser acusados de não terem avisado dos riscos. Pelo que o ME trata já de acautelar a sua posição, criando condições para que, se algo correr mal, possam culpar as escolas por não terem “ponderado” devidamente a situação. A doutora Pastor, sempre prestável, faz-lhes o jeito…

E quando as famílias não querem a inclusão?

inclTrês escolas particulares de ensino especial em Lisboa alegam que o Estado lhes deve mais de 500 mil euros, comprometendo o acompanhamento de 284 alunos que lhes foram encaminhados pelo próprio Estado por falta de respostas nas escolas públicas.

As escolas visadas são o Colégio Bola de Neve, o Externato Alfred Binet e o Colégio Eduardo Claparède, com os quais o Estado contratualizou uma cooperação para que crianças e jovens com necessidades educativas especiais pudessem ser devidamente acompanhados, perante a ausência de respostas nas escolas públicas.

À Lusa, os diretores dos três estabelecimentos de ensino queixaram-se do atraso por parte do Estado do pagamento de mensalidades de setembro, outubro e novembro, que os deixou a braços com salários por pagar a funcionários e dívidas a fornecedores.

A atitude recorrente do ME, pagando tarde e a más horas às escolas privadas, não tem justificação possível. De nada adianta a desculpa esfarrapada da falta de visto do Tribunal de Contas. Se o ano lectivo começa em Setembro, não é em Novembro que têm de tratar dos pagamentos. Estão em causa salários de professores, técnicos e funcionários, alguns dos quais já em atraso, bem como despesas de funcionamento das quais depende a qualidade da oferta educativa.

Percebe-se que cause desconforto a algumas almas que, no reino da inclusão decretada pelo “54”, subsistam aldeias gaulesas que resistem ao modelo uniformizador da escola inclusiva. E se ainda há poucos dias o papa da inclusão escrevia, preto no branco, que os únicos recursos educativos de que as crianças com necessidades especiais necessitam são os que se destinam à inclusão, então, por essa lógica, poderá fazer sentido a tentação de deixar definhar, à míngua de recursos, as escolas exclusivas para alunos “especiais”.

Sejam intuitos maquiavélicos que motivam este tratamento discriminatório das escolas de educação especial, seja a simples incompetência de gestão ou, talvez o mais provável, o efeito das cativações do ronaldo das finanças, a verdade é que as escolas em causa têm contratos com o Estado. Se acham estes contratos dispendiosos e acham que todas aquelas crianças estariam muito bem em regime inclusivo, então faria sentido que o assumissem publicamente, em vez de sujeitarem as instituições que fazem o seu trabalho a viver numa lenta mas permanente asfixia financeira, que a prazo poderá forçar o seu desaparecimento.

Claro que uma coisa é arengar os professores sobre os benefícios da inclusão. Outra, bem diferente, é convencer disso os pais e a opinião pública. Seriam precisas convicções profundas e coragem política da parte dos governantes. Nem uma nem a outra abundam, como bem sabemos, neste ministério e neste governo.

Violência e agressões numa escola de Loures

eb-2-3-mario-sa-carneiro.jpgOs encarregados de educação da escola Básica 2,3 Mário de Sá Carneiro, em Loures, realizaram uma vigília contra a insegurança no estabelecimento de ensino, relatando casos de violência e agressões, ocorridas nas últimas semanas.

O protesto foi convocado pela associação de pais e juntou vários encarregados de educação, alunos, autarcas e representantes de forças políticas, que alertaram para o “crescente clima de violência” sentido na vila de Camarate, onde se situa esta escola, no concelho de Loures, distrito de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação de pais do agrupamento de escolas de Camarate, Ricardo Oliveira, explicou que no espaço de um mês ocorreram “dois episódios graves de violência” na escola, sendo que no primeiro houve “uma invasão e agressão e ameaças a funcionários”.

“Tudo começou com problemas entre dois alunos, sendo que um deles é de uma família problemática. Ele chamou familiares que vieram à escola armados”, relatou.

Sente-se um aumento da violência na zona de Camarate, concelho de Loures. Crianças de famílias problemáticas trazem para a escola comportamentos agressivos e perturbadores. Não satisfeitos com a forma como os filhos resolvem as desavenças com os colegas, os pais, não menos “problemáticos”, parecem sentir-se no direito de entrar na escola para fazer “justiça” à sua maneira. Professores e funcionários que tentem manter a ordem e disciplinar os gandulos arriscam-se a ser também agredidos. A Escola Segura tem apenas dois agentes para sete escolas complicadas e nem uma única viatura: os polícias deslocam-se a pé ou conseguem, se tiverem sorte, uma boleia. Temendo pela segurança dos filhos, os pais mostram-se preocupados. E demonstram-no publicamente.

A notícia do JN dá conta de tudo isto, apresentando também as desculpas e os silêncios habituais nestas situações. A Câmara diz que vai ver o que se passa com o policiamento. A PSP e a direcção da escola remetem-se ao silêncio. E o Governo promete ir averiguar a situação. No jogo do empurra somos todos bons. O que nos falta quase sempre, nas alturas críticas, é quem resolva os problemas e assuma as responsabilidades.

A culpa é dos professores

Sentam-se nas carteiras escolares: alunos drogados, abusados, sem livros escolares, sem disciplina. Ou que passam o dia a ver televisão. Crianças esfomeadas, mães adolescentes, jovens sem casa, outros sem pai.

O orçamento escolar é escasso, a professora traz de casa papel e canetas para os alunos poderem trabalhar e poupa do seu salário para comprar outros materiais necessários.

E eis que chegam, acompanhados pela imprensa, os peritos em Educação.

– Ora vamos lá ver, professora, o que é que anda a fazer errado?…

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Internet lenta: culpa das escolas, ou do ME?

internet-lenta.JPGHá escolas que estão a dar aos alunos privilégios de acesso à internet que só deveriam ser de professores e administrativos. A alerta parte da própria Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que o usa para justificar os bloqueios na rede da educação das últimas semanas, e que numa mensagem recente enviada aos diretores escolares lembra que a situação se “afigura como um risco de segurança gravíssimo”, por poder expor aos estudantes informação dos servidores das escolas e dos sistemas do Ministério da Educação.

Com base na notícia do DN parcialmente transcrita, no comunicado da DGEEC publicado no blogue DeArLindo e na minha própria experiência enquanto utilizador, eis os factos que se podem apurar:

  • Na semana passada, os acessos à internet fornecida às escolas pelo ME, que não são propriamente rápidos, tornaram-se ainda mais lentos do que o habitual;
  • A DGEEC, que gere esta rede de acessos e foi alertada para os problemas que estavam a surgir, não conseguiu descobrir, como ela própria admite, a origem do problema;
  • A rede existente há muito que não tem capacidade para responder a todas as solicitações dos muitos utilizadores, espalhados por todo o país.

Contudo, em vez de, identificados os problemas, se assumirem compromissos para a sua resolução, prefere-se inventar “riscos de segurança gravíssimos” criados pelas escolas, que estariam a autenticar a entrada de alunos com “privilégios” que lhes permitiriam acessos indevidos dentro do sistema informático. Passando assim a culpa para as escolas, e para o comportamento irresponsável ou negligente dos responsáveis locais pelos acessos à rede do ministério.

Na realidade nada disto faz sentido, pois estamos a falar de acesso à internet, não aos servidores das escolas ou do ministério ou a plataformas neles instaladas, as quais têm os seus próprios acessos e regras de segurança. O alarmismo que se tenta criar destina-se apenas, como é óbvio, a desviar as atenções do problema de fundo, que é um sistema informático cada vez mais obsoleto e que tarda em ser melhorado ou substituído.

A verdade é que a propaganda ministerial enche a boca com as novas tecnologias, as literacias digitais e a sociedade da informação, mas pouco ou nada se faz para dotar as escolas de uma rede informática capaz de dar resposta às solicitações criadas pelos novos “paradigmas” de ensino e aprendizagem.

Faltava a responsabilidade da escola

fogo.gifJá me estava a admirar que depois da tragédia de Pedrógão Grande e dos inúmeros disparates que se disseram e escreveram a respeito, ainda ninguém se tivesse lembrado da responsabilidade da escola, do que ela não faz e deveria fazer para se evitarem no futuro novas tragédias.

O argumento não é muito original: criar mais uma disciplina.

Mas a silly season parece este ano ter vindo mais cedo, e é o que se arranja.

O presidente da Associação de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (Asprocivil) defendeu hoje a criação de uma disciplina escolar de segurança que permitisse preparar crianças e jovens para agir em casos de calamidade.

Ricardo Ribeiro defende que esta disciplina deveria existir até ao 9.º ano e que deveria ser obrigatória.

“Da mesma forma que existe uma disciplina de religião e moral, deveria haver até ao 9.º ano, já para não dizer até ao 12.º, uma cadeira obrigatória que levasse a geração a ter indicações das boas práticas de uma cultura de segurança”, considerou à Lusa.

O preconceito contra o ensino profissional

joao-costa.JPGO secretário de Estado da Educação, João Costa, defendeu esta quarta-feira, no Fundão, que é preciso acabar com o preconceito em torno do ensino profissional e encarar esta via de conhecimento de outra forma.

“Portugal ainda não meteu na cabeça que o 12.º ano do curso de pastelaria é tão válido e tão digno como o 12.º ano do curso de línguas e humanidades. Portugal tem de meter isto na cabeça e quem tem de começar a meter isto na cabeça, em primeiro lugar, são as escolas”, afirmou.

Como professor que trabalha “nas escolas” e não num confortável e “iluminado” gabinete ministerial, esclareço o senhor secretário de Estado: desde o início da minha vida profissional que “meti na cabeça” que todos os alunos e todos os percursos curriculares têm a mesma dignidade.

Nas escolas por onde tenho andado não tenho visto “preconceitos”; o que procuramos é que cada aluno faça uma escolha informada do percurso escolar que pretende trilhar após o 9º ano de escolaridade. E se mais não fazemos é porque, muitas vezes, até temos alunos interessados em determinados cursos que, contudo, o ME não permite abrir.

E agora, com a mesma franqueza com que escrevi isto e o mesmo à-vontade com que João Costa nos quer “meter na cabeça” as suas ideias, pergunto: quantos ministros ou secretários de Estado têm, tiveram ou recomendam aos seus filhos a frequência de um curso profissional em vez de um curso científico-humanístico?

Se todos os cursos têm o mesmo valor e a mesma dignidade e se é objectivo deste governo atingir os 50% de alunos do secundário matriculados no ensino profissional, então seria de esperar que metade da prole governamental por lá andasse ou tivesse andado. Coisa em que, provavelmente, nem o mais crédulo apoiante deste governo acreditará. Conviria por isso que o bem-falante secretário de Estado moderasse a demagogia e resistisse à tentação fácil de tomar os professores por parvos.

Promover com seriedade o ensino profissional passa por reconhecer que este subsistema tem vantagens mas também limitações. E só perante cada aluno em concreto, e as suas capacidades, vocações e expectativas, se pode dizer, com algum acerto, qual a via de ensino mais apropriada. Deixando claro, no entanto, que não quero para nenhum dos meus alunos aquilo que nenhum governante quer para os seus filhos, que é empurrá-los para aqui ou para acolá apenas para melhorar estatísticas ou garantir financiamentos.

Pois uma política de verdade passa também por reconhecer o interesse económico subjacente à aposta nos cursos profissionais: é que estes são maioritariamente financiados pelos fundos europeus, enquanto os cursos científico-humanísticos são pagos na íntegra pelo Orçamento de Estado português.

Causticados por anos de austeridade sem fim à vista, destratados por anteriores governos do partido no poder, é algo estreita a margem de tolerância dos professores para este discurso insidioso com que pretendem ganhar-nos para as suas causas culpando-nos do que nunca foi nossa responsabilidade. Aviso solene: da minha parte, não levam nada.

Pela Alexandre Herculano, (quase) tudo na mesma

Decorrido já um mês desde que o estado avançado de degradação da Escola Secundária Alexandre Herculano obrigou a interditar parte das instalações e a transferir algumas turmas para outra escola, tendo sido anunciadas obras imediatas, qual é o ponto da situação?

Da parte do ministério, o que lemos é, falando bem e depressa, conversa da treta: estão a “acompanhar de forma regular e sistematizada” a situação, as intervenções necessárias “serão efectuadas” – o que quer dizer que ainda não foram – e reiteram uma vez mais a promessa de que tudo farão para “evitar a deterioração das condições de habitabilidade dos edifícios escolares”.

Por aqui não nos safamos, pelo que o melhor é dar a palavra ao Sindicato da Construção do Norte, que parece estar ao corrente do que se passa e, ao contrário do gabinete de imprensa do ME, não tem papas na língua:

“A dita intervenção anunciada pelo senhor ministro da Educação nem com uma lupa se consegue ver. A única coisa que fizeram foi interditar com cordas os locais onde estavam os alunos que foram para a escola Ramalho Ortigão. Depois limparam umas caleiras e nada mais foi feito ali”, sustentou Albano Ribeiro.

Segundo o sindicato, “continua a chover, continua a haver buracos e continua a haver plásticos nas janelas, que continuam todas velhas, com vidros partidos e a deixar entrar o frio”, de tal forma que “os alunos têm que levar um blusão e os professores estão a ensinar de sobretudo”.

Ou então olhar as fotos, que falam por si.

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Obviamente, há uma altura em que simplesmente temos de nos deixar de conversa fiada e de adiar o que há muito deveria ter sido feito.

 

Culpados da indisciplina? Os professores, claro!

angry-student.jpgA peça tem a data de ontem, mas só hoje lhe pus a vista em cima. Se o não tivesse feito, não se perderia grande coisa, como facilmente se pode constatar.

João Sebastião é o sociólogo que esteve à frente do Observatório de Segurança em Meio Escolar no tempo em que foi ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, sua colega no ISCTE. Entrevistado pelo Público, não mostra grandes dúvidas nas suas convicções: a indisciplina é construída pela escola e pelos professores, com as suas regras e a sua organização complicada e contraditória, à qual os pobres alunos têm de se adaptar.

Aqui fica Sebastião em discurso directo:

Indisciplina não interessa, agora só queremos saber de sucesso e insucesso:
O principal problema da escola é o insucesso escolar porque o objectivo da escola antes de tudo o mais é o de ensinar. Portanto, desviar o assunto para a indisciplina é desviar do essencial. 

Os professores também não cumprem, portanto não se queixem:
[Os professores] também não cumprem as regras das escolas. Criam as suas próprias o que leva a uma diversidade muito grande de comportamentos que tem também influência no comportamento dos alunos. Por exemplo, há uns que não querem as mochilas em cima da mesa, outros que não querem chapéus nas cabeças, outros não se importam, etc. Portanto são os alunos que acabam por ter de descobrir quais são as características particulares dos professores para se adaptarem a elas.

Responsabilizar os pais pela falta de educação dos filhos não fica bem aos professores:
[…] os professores portugueses têm uma cultura defensiva que os leva a considerar que tudo o que é problema na escola é responsabilidade de fora. Por exemplo, a indisciplina é um problema das famílias que não educam bem os seus filhos.

Bem mais fácil dizer do que fazer. Mas eu digo, pois ninguém me vai exigir que mostre como se faz:
O que devíamos ter era um sistema de regras simples e claras para toda a comunidade escolar e que fosse discutido por todos e aplicado a todos. As escolas em que tal acontece, que são poucas, obtêm resultados muito mais eficazes.