David Justino já tem sucessora

emilia-bred-santos.JPGO PS divulgou hoje que Maria Emília Brederode Santos será a sucessora de David Justino na presidência do Conselho Nacional de Educação. A escolha deverá ser formalizada no próximo dia 20, através de votação parlamentar, na qual o PS deverá contar com o apoio dos partidos de esquerda para alcançar a maioria absoluta necessária à eleição.

A escolha não surpreende, e estranho apenas a insistência de alguma imprensa na não continuidade de David Justino por mais um mandato à frente do CNE. Na verdade, se tal sucedesse seria a primeira vez que o partido no governo abdicaria de colocar à frente desta verdadeira câmara corporativa da educação uma personalidade da sua área política. Seria também o primeiro caso de uma reeleição neste cargo.

Assim como o PSD não hesitou em colocar o seu militante David Justino no lugar antes ocupado por Ana Maria Bettencourt, também agora não é de estranhar que o PS escolha alguém da sua confiança para tomar as rédeas de uma instituição que disfarça mal a sua natureza eminentemente política e partidária.

Mais do que consciência crítica do sistema educativo e do “sentir” colectivo dos seus intervenientes e destinatários, o CNE tem quase sempre funcionado como um instrumento da fabricação dos consensos em torno da política educativa. E pese embora o excessivo número de membros que contém, e o apreciável currículo de alguns deles, nota-se que o desenho institucional do órgão foi concebido para dar um protagonismo excessivo ao seu presidente: daí a importância que os partidos no poder atribuem à sua escolha.

Noto também que, se nas escolas portuguesas boa parte dos professores seniores, cansados, desgastados e sobretudo desiludidos já só anseiam, por volta dos 60 anos, pela chegada da reforma, no CNE a idade parece não pesar: a cientista da educação agora indigitada tem já a bonita idade de 75 anos. Estará perto dos 80 quando terminar o mandato de quatro anos para o qual será nomeada.

De facto, há profissões que desgastam e moem aqueles que as exercem. E depois há desafios que parecem rejuvenescer quem os abraça…

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Dúvidas éticas

joao-costa.jpgSerei só eu a ver algo estranho na escolha de um governante em funções para presidir a um órgão directivo da OCDE?

Ex-diretor da NOVA FCSH e atual Secretário de Estado da Educação preside agora a um conselho que reúne especialistas de 45 países.

João Costa, diretor da NOVA FCSH entre 2013 e 2015, foi eleito presidente do Conselho de Direção do Teacher and Learning International Survey (TALIS), um dos órgãos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Atualmente a desempenhar funções como Secretário de Estado da Educação no governo português, o docente do departamento de Linguística ocupará o cargo durante três anos. O TALIS é o primeiro inquérito internacional que permite dar voz aos professores e diretores dos estabelecimentos escolares.

Não é que tenha grandes ilusões acerca da isenção ou da independência dos estudos, dos inquéritos e dos conselhos da OCDE aos governos dos vários países.

Também não duvido da competência técnica para o cargo, em face do currículo e da experiência profissional e política do actual secretário de Estado.

Mas quando, na organização e gestão das escolas portuguesas, se levantam impedimentos à possibilidade de um professor pertencer, em simultâneo, ao conselho pedagógico e ao conselho geral, somos tentados a pensar que as incompatibilidades são questões éticas levadas a sério no mundo da Educação.

E a ser assim, algo está mal quando entre os que promovem o estudo e o aconselhamento acerca do que chamam as “políticas públicas” se colocam pessoas que decidem os assuntos sobre os quais deveriam reflectir, estudar e aconselhar.

Não tinham mais ninguém disponível?

Ou será daqueles casos em que, sendo dada oportunidade a um português de ocupar um cargo de relevo numa organização internacional, não se pode criticar?…

Plano Nacional de Leitura

livro.jpgNo Dia Mundial do Livro, ficamos a saber que o Livro & a Leitura continuam de boa saúde orçamental, tendo agora direito a um alargamento da sua actividade e a uma comissão interministerial.

E embora nos queiram convencer que anda tudo cheio de ideias novas – mini-bibliotecas no comboio ou na paragem do autocarro, leituras no smartphone, programas de leitura dirigidos aos adultos – não conseguiram melhor do que ir buscar a antiga e já aposentada coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares para colocar à frente do Plano Nacional de Leitura.

Um dos lobbies mais solidamente ancorados no aparelho ministerial continua assim a mover as suas peças.

A saga dos delegados regionais da DGEstE

dgeste.JPGContinuam as trapalhadas com os delegados regionais da DGEstE, uma série de vários episódios herdada de anteriores governos que o actual parece fazer questão de prosseguir.

O Ministério da Educação lançou procedimento para selecionar novos delegados regionais, uma vez que, como o i revelou, os atuais estão em situação ilegal. Critérios vão, porém, beneficiar dirigentes que estão em situação irregular.

Depois das irregularidades dos concursos e da sua anulação, da permanência dos delegados em funções de substituição deles próprios para além do prazo legalmente previsto para a sua substituição, o novo concurso pode vir a concretizar aquilo que no futebol se costuma designar por beneficiar o infractor.

Para quem quiser esmiuçar as minudências jurídicas e burocráticas do folhetim e desvendar as cenas dos próximos capítulos, a notícia do Sol apresenta-se bastante completa e, tanto quanto é possível num caso destes, esclarecedora.

Kristalina não se perde

banco-mundial.JPGKristalina Georgieva, que foi a principal derrotada na corrida ao cargo de secretário-geral da ONU, ganho por António Guterres, pediu a demissão da Comissão Europeia e vai ser diretora-geral do Banco Mundial.

Eles e elas não se perdem, e se um lugar lhes fugiu, depressa agarram outro. E não apenas pelos seus méritos, que também os terão, mas sobretudo pela força dos interesses do neoliberalismo global, que posiciona as suas peças de forma a ocupar os lugares influentes.

O cherne ao poder

Nunca exigi a saída de Miguel Relvas do governo liderado pelo seu compagnon de route Passos Coelho, nem alguma vez me opus a que Dias Loureiro conservasse o cargo de conselheiro de Estado do seu amigo Cavaco.

durao-barroso-batoteiro-irlanda%5B1%5D.jpgPela mesma razão que me leva agora a não apoiar a exigência dos Franceses, ainda a digerir a derrota no Europeu, no sentido de que Durão Barroso reconsidere a aceitação do cargo de cherneman do Goldman Sachs International.

Acho que um relvas num governo passista é natural e fica bem; assim como ter em evidência, no Conselho de Estado, um diasloureiro escolhido a dedo pelo próprio presidente, ajudou a compreender quem é verdadeiramente o político que sempre se escondeu por detrás das meias-palavras e dos seus tabus particulares.

Da mesma forma, um cherne que passa directamente da presidência da Comissão Europeia para um dos principais cadeirões do banco mais influente do sistema financeiro demonstra, sem margem para dúvidas, quais os interesses que hoje servem as instituições europeias. Estará como um peixe na água, dir-se-á muito apropriadamente.

O novo cherneman do Golden Sachs

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