A Ilustre Casa de Ramires está à venda

torre-da-lagaricaA Casa da Torre da Lagariça é uma construção cuja origem remonta à primeira metade do século XII, quando foi construído o torreão militar em plena época da reconquista cristã. Já no século XVII, os proprietários da torre decidiram construir à volta um solar em forma de L, não tendo alterado a torre.

O escritor Eça de Queirós visitou o local situado na freguesia de São Cipriano, em Resende, e inspirou-se para escrever A Ilustre Casa de Ramires, publicado em 1900. “E como o visconde [de Rio-Manso] aludia ao desejo, já nele antigo, de admirar de perto a famosa torre, mais velha que Portugal – ambos desceram ao pomar. O visconde, com o guarda-sol ao ombro, pasmou em silêncio para a torre”, lê-se, por exemplo, no capítulo VIII.

A torre é mais antiga que Portugal e o solar, erguido à sua volta, um exemplar típico das tradicionais residências da pequena nobreza rural. Em redor, uma pequena quinta com horta, pomar, jardins e uma mata.

990 mil euros é quanto custa, no site da Remax, a propriedade, naturalmente a precisar de obras e a merecer reabilitação, eventualmente no âmbito de um projecto de hotelaria. Haverá interessados, ou irá a velha casa juntar-se, a breve prazo, ao triste espólio do Portugal arruinado?…

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Propinas, alojamentos e eleitoralismo

aluga-se.jpgO PCP afirmou nesta segunda-feira que qualquer ganho que resulte da baixa das propinas está comprometido pelos “preços galopantes” praticados no alojamento para estudantes, cujos “valores muito elevados” retiram condições para que os alunos possam prosseguir os estudos.

O Orçamento do Estado prevê para o próximo ano lectivo um tecto máximo de propinas no valor de 856 euros, menos 212 euros do que o valor actual.

Segundo o deputado comunista, “esta medida é positiva, mas não resolve o problema de fundo que é falta de condições financeiras para que os alunos possam prosseguir os seus estudos”.

A questão do alojamento é, aliás, transversal às duas associações [de estudantes] ouvidas esta segunda-feira no Porto, onde, “há um inflacionar muito grande dos preços que, naturalmente, retira capacidade do poder de compra dos alunos”, declarou o deputado.

A questão levantada pelo PCP é pertinente. Compensar o aumento dos encargos com o alojamento dos estudantes do ensino superior através duma redução no valor das propinas significa, na prática, uma transferência injustificada de rendimentos do Estado para os privados.

O problema do alojamento dos estudantes é antigo, mas nunca incomodou verdadeiramente os responsáveis, tanto no Governo como nas universidades. Nos últimos tempos, têm tentado sobretudo atrair alunos de países extra-comunitários, aos quais podem cobrar propinas elevadas, uma perspectiva mais atraente do que receber jovens carenciados oriundos “da província”. Preocupa-os agora, apenas porque estão a constatar que, se nada for feito, a subida especulativa dos preços dos quartos acabará por afastar muitos alunos das instituições de ensino superior.

Quanto à solução do problema, ela é relativamente simples, embora não seja rápida nem propriamente barata: passa por aumentar o número de alojamentos disponíveis em residências universitárias. Algo que deveria ter sido planeado e desenvolvido atempadamente, antes da subida descontrolada das rendas que se tem vindo a registar nos últimos anos. Infelizmente, visão estratégica e antecipação dos problemas são qualidades que não se têm destacado entre os gestores das nossas academias.

Na verdade, os quartos ficam mais caros porque o mercado de arrendamento a estudantes concorre directamente com o sector do turismo: os senhorios podem pedir mensalidades maiores aos estudantes porque sabem que no alojamento local poderiam cobrar ainda mais aos turistas.

Construir ou ampliar residências em número suficiente para alojar todos os estudantes interessados tenderia a alinhar o mercado dos quartos para estudantes pelos valores de referência dos quartos nas residências estudantis.

A redução das propinas parece ser, assim, uma medida fácil e eleitoralista. Beneficia-se genericamente a maioria dos estudantes, em vez de concentrar apoios e direccionar investimentos para as áreas que deveriam ser prioritárias: a abertura de residências e o apoio social aos estudantes mais desfavorecidos.

Uma campanha de ódio

mariana-mortagua.JPGUma verdadeira campanha de ódio contra Mariana Mortágua, como só a direita sabe fazer, foi a reacção destemperada contra a proposta de um ligeiro agravamento da tributação sobre as habitações de luxo, onde nem faltaram referências insultuosas ao pai “terrorista” ou à própria deputada que “nunca trabalhou na vida”.

Como se os grandes patrimónios imobiliários tivessem sido conseguidos à custa de muito trabalho, no país da Europa Ocidental que pior paga aos trabalhadores.

Insultos e estridências à parte, tem sido ainda assim uma discussão instrutiva e reveladora. Por exemplo, quando se percebe como gente de boas famílias, mais à esquerda ou mais à direita, se une contra um novo imposto com potencial para os beliscar naquilo que têm de mais sagrado, o património que herdaram ou adquiriram, e que dá a uns e a outros a noção de pertença à classe dominante. Deixando vir ao de cima o preconceito de classe, os mais exaltados perguntam que direito têm agora o “chamuça” ou a “filha do assaltante de bancos” de querer tributar o que é deles?

Claro que a argumentação mais sofisticada não se faz por esta via. Prefere-se confundir as pessoas, agitando o papão de um novo assalto fiscal à classe média, como se quem ganha mil e tal euros pudesse adquirir mansões que custam mais de um milhão. E escamotear que já existe um imposto específico sobre a propriedade dos bens imóveis, o IMI, a que todos estão sujeitos. Assim como vigora, criada pelo governo anterior, uma sobretaxa de 1% de imposto de selo, precisamente sobre os imóveis de valor superior a 1 milhão de euros. Portanto, do que se trata é de fazer alguns ajustamentos nos impostos já existentes, de forma a que os mais ricos, que proporcionalmente pagam poucos impostos, contribuam um pouco mais.

Pois a verdade é que, colocando noutros países as sedes fiscais das suas empresas ou depositando o dinheiro em paraísos fiscais,  os detentores das grandes fortunas quase não pagam impostos em Portugal. Tributar mais os bens imobiliários – que, pela sua natureza, não podem evadir-se para o exterior – é no fundo aplicar, em dose muito moderada, a mesma receita que a direita, quando investida no poder, costuma usar para depenar o contribuinte da classe média que também não tem forma de fugir, com os seus rendimentos do trabalho dependente, ao pagamento dos impostos.

Aldrabão até ao fim…

heronComprador da casa de Sócrates sente-se enganado

Paquistanês que comprou a habitação conta que “acordo de cavalheiros” para ficar com o recheio da casa de Sócrates não foi cumprido. E está arrependido de ter feito o negócio.

O advogado João Araújo, que vendeu a casa, também não fica bem na fotografia, mas disfarça, dizendo que fala mal inglês e que houve um mal-entendido. Quanto ao ex-procurador paquistanês, esse, mostra-se arrependido do negócio. “Não por causa deste incidente, mas por toda a publicidade negativa em que me vi envolvido. Se fosse hoje, nem de graça ficava com o apartamento.”