Equipa completa

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Depois da promoção ministerial de Alexandra Leitão e da manutenção do ministro e do seu secretário de Estado para a área do Desporto, ficou esclarecida a maior dúvida: João Costa permanece no seu posto de ministro-de-facto da Educação.

Ao fim de quatro anos de experiência, e depois de ter colocado gente de confiança em diversos serviços e lugares-chave do aparelho ministerial, Costa será o verdadeiro homem-forte do ministério. Enquanto Tiago Brandão Rodrigues, sem retórica, carisma ou pensamento próprio sobre os assuntos educativos, manter-se-á no seu papel de testa de ferro dos lobbies eduqueses que continuarão, sob a batuta das Finanças, a gerir o ME.

Sobre a saída ou não do secretário de Estado, já muito se tinha especulado, sendo a permanência, provavelmente, a confirmação de uma de duas coisas: ou o almejado posto nalguma organização internacional não estará disponível a breve prazo, ou o homem sentiu o apelo irrecusável de dar continuidade a um trabalho incompleto.

Se a segunda hipótese estiver certa, há que temer o pior…

A substituta de Alexandra Leitão

susana-amador.jpgSegundo avançava ontem o JN, um dos nomes para as secretarias de Estado do ME já está escolhido. A avaliar pelo perfil da deputada socialista, que tem formação em Direito e na anterior legislatura foi vice-presidente do grupo parlamentar do PS, deverá ir ocupar o lugar deixado vago por Alexandra Leitão.

Susana Amador, de 52 anos, tem uma vasta experiência autárquica – foi presidente da Câmara de Odivelas – o que deverá representar uma mais-valia no quadro da municipalização da Educação, uma opção política socialista da qual Susana Amador se mostrou adepta fervorosa e a que o novo governo certamente dará continuidade.

Quanto a João Costa, não se sabe ainda se vai ou se fica, embora no contexto que já conhecemos – a manutenção do ministro incompetente, a promoção a ministra da secretária de Estado – a continuidade pura e simples poderia representar, para Costa, uma desconsideração. A ver vamos, sendo certo que a indicação das equipas ministeriais completas deverá estar para breve.

Em relação ao terceiro secretário do ME, que costuma existir para as Coisas Desportivas, creio que seria, a bem da contenção orçamental tão apreciada no sector educativo, uma figura dispensável. Com fraco préstimo para tudo o resto, desaparecido sempre que algo se complica, o ministro tem encontrado na área do Desporto a sua verdadeira vocação governativa. Bem poderia ficar ele com a pasta…

A ideia foi do ministro!

vickie.gif…o primeiro-ministro dedicou um “agradecimento muito particular” a Tiago Brandão Rodrigues por ter sido ele que, “há cerca de um ano, no início de um Conselho de Ministros”, se lhe dirigiu para dizer: “Ó António, tive uma ideia. E se em vez de irmos vender o prédio da 5 de Outubro o transformássemos numa residência universitária? Que melhor destino pode ter um edifício que há décadas acolhe o Ministério da Educação do que proporcionar a oportunidade de 600 estudantes por ano prosseguirem a sua educação?”

Quando um primeiro-ministro sente a necessidade, quase no final da legislatura, de divulgar publicamente que uma decisão tomada no sector da Educação foi da responsabilidade do respectivo ministro, isso é revelador… Trata-se de reconhecer, implicitamente, o que todos percebemos há muito tempo: que o ministro nada decide na área que tutela e que, também cada vez se entende melhor, foi escolhido precisamente com essa intenção.

Habituado a seguir as decisões dos dois Costas, o que preside ao governo e o que é seu secretário de Estado, a cumprir ordens dos amanuenses das Finanças, a mando do super-ministro Centeno, a seguir as recomendações da OCDE e dos lobbies eduqueses instalados no aparelho ministerial, este sempre foi um ministro sem iniciativa política, sem conhecimento aprofundado dos problemas do sector e também, valha a verdade, pouco empenhado em os conhecer e compreender.

Percebe-se que a passagem pelo ME é apenas o tirocínio para novos e mais ambiciosos voos do investigador que se cansou precocemente do que parecia ser uma auspiciosa carreira académica.

Ainda assim, mais vale tarde do que nunca. E eis que, ao quarto ano no governo, o homem teve, finalmente, uma ideia!…

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: OCDE defende aposentação antecipada dos professores

…por entre os estudos, relatórios e avaliações que vão sendo encomendados e que tentam ser geralmente simpáticos ao Governo, há algumas realidades que nem a boa vontade dos avaliadores consegue disfarçar. Por exemplo, o acentuado envelhecimento da classe docente…

No Fundo: O ME chantagista

Sem novos argumentos para contrariar as pretensões dos professores à recuperação integral do tempo de serviço congelado, o ME parece ter entrado num lamentável jogo de enganos, dissimulações e chantagens com o qual espera, eventualmente, iludir e desmobilizar os professores…

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: O tempo recuperado na Madeira e o ME condenado em tribunal

Se muitas vezes a melhor notícia é apenas a menos má da semana que passou, desta vez – grande farturinha! – há não uma, mas duas novidades que merecem ser destacadas pela positiva. Embora os seus efeitos práticos sejam limitados…

No Fundo: Educação, parente pobre no OE 2019

Apresentada a proposta de Orçamento de Estado para 2019, confirma-se aquilo que tem sido uma constante com este e anteriores governos: a Educação continua longe de ser uma prioridade. O que se gasta nesta área é visto como despesa, que interessa conter ao máximo. E não como um investimento necessário ao futuro do país e das novas gerações…

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Mais apoios para as famílias com filhos

A Educação é um sector onde as más notícias, infelizmente, predominam. E quase nunca é fácil, nesta rubrica semanal, destacar algo de positivo que tenha acontecido ao longo da semana. Há uma razão de peso para que assim suceda: a Educação há muito deixou de ser uma prioridade social e política. Não se depositam nas escolas nem grandes investimentos nem elevadas expectativas. Ainda assim, de tempos a tempos, surge uma boa notícia.

No Fundo: A cobardia política do ME

Numa nota não assinada, o ME declarou ilegal a próxima greve dos professores, ameaçando com faltas injustificadas os grevistas que a ela venham a aderir. Não há forma suave de o dizer: é um acto de profunda cobardia política, confirmando a sonsice a que alguns responsáveis nos vêm habituando: elogios, sorrisos e falinhas mansas em frente das câmaras. Pelas costas, facadas e golpes traiçoeiros…

A “Nota” da vergonha

Desta vez não arranjaram nenhuma dra. Pastor que se sujeitasse a assinar um documento manhoso que invoca formalismos sem sentido e interpretações tendenciosas da lei para colocar em causa o exercício do direito à greve.

A nota anónima fica como marca indelével da cobardia política de uma equipa ministerial que atira a pedra e esconde a mão, fugindo às responsabilidades legais e políticas dos seus actos.

Ficam os falsos argumentos invocados; o documento completo pode ler-se aqui.

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