A manchete – miserável – da semana

Habituados a que lhes sejam assacadas as responsabilidades por tudo o que corre mal na Educação, aos professores estaria destinada ainda mais esta: ao fim de uma vida de trabalho os malandros, vejam lá, decidem reformar-se, deixando os seus alunos sem aulas e o pobre ministério desprevenido pela falta de inesperada de docentes.

Julgo ser caso único entre todos os ministérios a existência, no ME, de uma direcção-geral exclusivamente dedicada à elaboração de estudos, estatísticas e outros documentos destinados a avaliar o funcionamento do sistema educativo e a identificar e analisar as suas necessidades e prioridades presentes e futuras. Uma função que a DGEEC vai cumprindo muito razoavelmente, sobretudo quando os cálculos até são fáceis de fazer: neste caso, sabendo quantos professores existem nos quadros e conhecendo a sua distribuição etária, bastam umas contas simples de somar e subtrair para calcular quantos estarão em condições de se aposentar em cada um dos próximos anos.

Pelo que a abordagem correcta de um tema tão sério para o futuro da Educação nunca poderia ser neste tom de quem insinua culpas dos professores. O que há a explicar à opinião pública não é complicado: mais de metade dos professores dos quadros do ME têm mais de 50 anos, pelo que dentro dos próximos 10 a 15 anos o sistema precisará de pelo menos alguns 50 mil professores para os substituir. E isto vai criar uma situação muito complicada porque, primeiro, se está a dificultar o acesso de novos professores à profissão, sendo previsível que nos próximos anos muitos deles abandonem em definitivo o ensino; segundo, não existem professores em tão grande número, nem está a ser acautelada a sua formação tendo em conta as necessidades futuras.

O JN é um jornal sério e até acredito que, no desenvolvimento da notícia, que não li por não ser assinante, tenham esclarecido os aspectos essenciais da questão. Mas nem sempre se consegue resistir às manchetes sensacionalistas e acusatórias…

Falso positivo

Os programas curriculares das disciplinas do ensino básico e secundário foram revogados este mês, mas no terreno “a grande maioria dos professores indica que as Aprendizagens Essenciais (AE) têm sido, desde 2018 [data da sua homologação], o documento de orientação curricular privilegiado nas suas decisões relativas à planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem”, revelou o Ministério da Educação em respostas ao PÚBLICO.

Este é um dos resultados preliminares do inquérito promovido entre Março e Abril no âmbito da avaliação à aplicação das AE. Responderam cerca de dez mil professores. A avaliação da implementação das AE foi entregue pelo ministério ao Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, também responsável pelo inquérito já aplicado.

A avaliar pelos resultados do inquérito realizado este ano, a aplicação das novas aprendizagens tem sido um percurso fácil: “Cerca de dois terços dos professores não manifestaram quaisquer dificuldades na leitura e compreensão dos documentos das AE.” Mais de metade dos docentes afirma também que estas aprendizagens são de “grande importância na melhoria das aprendizagens de todos os alunos e na implementação de metodologias ativas”.

O Público, cada vez mais o órgão oficioso da agenda ministerial, afirma que os professores dão nota positiva às aprendizagens essenciais. Na base desta conclusão, o facto de dez mil professores reconhecerem que se baseiam nelas para planificar as aulas e avaliar os alunos. Mas poderiam não o fazer, estando as AE legalmente instituídas como documento curricular de referência para todas as disciplinas?

Por outro lado, não deixa de ser extraordinário que entre os aspectos positivos das AE esteja o facto de os professores as conseguirem ler e compreender. Não se chega a perceber se isto é um elogio aos eduqueses que elaboraram os documentos, e que por uma vez conseguiram escrever usando língua de gente em vez do arrazoado pedante, palavroso e rebuscado que lhes é habitual, ou se é mesmo um achincalhar ofensivo das competências de leitura e interpretação dos professores do ensino “inferior”.

Quanto à “melhoria das aprendizagens de todos os alunos”, há uma dúvida importante que fica a pairar. Todos os alunos melhoraram as suas aprendizagens porque com as AE se aprende mais e melhor? Ou simplesmente se reduziu a aprendizagem a um “programa mínimo”, que todos cumpriram porque também se exigiu menos a cada um? Estas são as questões verdadeiramente importantes para percebermos se a “positiva” de que o ME se gaba é verdadeiramente merecida, ou se não é mais do que uma passagem administrativa, em que manda quem pode e obedece quem deve.

Subjacente a tudo isto, um equívoco. O que se espera do ME é que defina um currículo nacional, contendo as disciplinas e as matérias que todos os alunos devem aprender. Isto consegue-se com programas claros, sucintos e objectivos para as várias disciplinas. O resto pertence à autonomia profissional dos professores e das escolas, aos quais pertence decidir as estratégias e metodologias concretas a aplicar no contexto de cada turma.

Não é aos políticos ou aos burocratas da Educação que compete tomar as decisões pedagógicas. Ao contrário do que vemos nas AE, os documentos oficiais não devem sugerir ou prescrever o uso de determinadas metodologias ou correntes pedagógicas, muito menos impor modelos únicos que nunca servirão à generalidade dos alunos e das turmas. Porque há muitos caminhos para o sucesso e é aos professores que cabe descobrir os mais adequados aos seus alunos. É para eles que trabalhamos, não para promover a imposição de uma pedagogia do regime, qualquer que ela seja.

Advérbio no grau superlativo

Quem Fez A Prova De Aferição (Amostral) De Português Leu As Canónicas “Aprendizagens Essenciais” Da Disciplina?

Parece que não a avaliar pela questão 14, que “mobiliza” conhecimentos que não estão previstos, nem para o 5º, nem para o 6º ano da disciplina de Português. Nem sequer nas “metas” de 2015 ou no programa da disciplina se prevê a abordagem do grau dos advérbios, mas apenas a identificação de algumas das suas subclasses. por acaso, foi a matéria da semana passada com as minhas turmas de 5º ano.

Atento e observador, Paulo Guinote destapa a careca a uma prova de Português que afere matéria que não faz parte do programa.

Pode ser incompetência, que também existe lá para as bandas do IAVE, apesar de se julgarem, muitos dos que por lá passam, as maiores sumidades em matéria de avaliação. Ou mera displicência, de gente que nem se deu ao trabalho de ir ver as matérias que constam dessa criação de génio da burocracia eduquesa que são as aprendizagens essenciais.

Poderá tratar-se também, aventa o Paulo, de uma subtil homenagem aos advérbios, a classe de palavras que o senhor secretário linguista tanto admira.

Penso que poderá ser um pouco disto tudo, mas também outra coisa. A necessidade evidente de demonstrar os resultados trágicos da pandemia na Educação. De “provar” que houve aprendizagens perdidas, para justificar assim as novas medidas de “recuperação”, que no essencial serão apenas mais do mesmo. É a insistência numa receita falhada, mas ao mesmo tempo a forma de salvar uma pseudo-reforma educativa à beira do desastre. Afinal não foi a facilitismo flexível e inclusivo que falhou nos seus objectivos. Foi a malvada pandemia que lhe trocou as voltas…

A estratégia já não é nova. Também Nuno Crato, para justificar a introdução de exames no 4.º e no 6.º ano, teve de dramatizar um pouco com os fracos resultados dos alunos portugueses. Depois, convenientemente, foi dispensando os alunos mais fracos da realização das provas e reduzindo o seu nível de exigência, para demonstrar que a receita do “rigor e exigência” funcionava bem.

Estes acabaram com os exames, mas o uso que fazem das provas de aferição parece seguir a mesma lógica das conveniências políticas e eleitorais. Lá para o final do mandato, logo veremos como os nossos alunos estarão todos muito mais espertos

Testes para professores

Os cerca de 35 mil testes realizados na semana em que as crianças voltaram às creches permitiram detectar 58 casos de profissionais infectados com o novo coronavírus. Estes números estão em linha com que o que foi verificado nas escolas do 1.º ciclo e no ensino pré-escolar na mesma altura.

Os 58 “positivos” em 35 mil testes realizados correspondem a uma taxa de positividade de 0,16%. Na mesma semana, foram feitos 82 mil testes nos estabelecimentos públicos e privados do pré-escolar e 1.º ciclo, que detectaram 80 casos de covid-19. Ou seja, a taxa de positividade nas escolas foi inferior a 0,1%, como tinha avançado na altura o Ministério da Educação.

As percentagens de casos positivos registadas tanto nas creches como nas escolas está em linha com os resultados da primeira fase de testagem, que tinha arrancado a 20 de Janeiro, antes da interrupção das aulas, e que continuou nas escolas de acolhimento durante o tempo de ensino à distância. Nesse período foram feitos mais de 65 mil testes, com uma taxa de casos positivos de 0,15%.

Professores e funcionários das escolas andam desde Janeiro a ser submetidos a sucessivos rastreios à covid-19, dos quais resultam taxas de positividade irrisórias. É certo que foram muito criticados por não testar, mas a partir do momento em que o decidem fazer, convinha que os testes fossem eficazes no fim a que se deveriam destinar: identificar e quebrar eventuais cadeias de transmissão. De outra forma, estaremos uma vez mais a criar, apenas, uma falsa sensação de segurança.

Não se sabe quanto tempo mais vão andar nisto, sendo por demais evidente que não basta fazer muitos testes, é necessários direccioná-los para o público-alvo correcto. Embora os profissionais docentes e não docentes também possam transmitir o vírus, é óbvio que os contágios nas escolas se fazem sobretudo através dos alunos, que nem sempre mantêm o devido distanciamento entre eles, retiram as máscaras em diversas ocasiões ou se aglomeram nos acessos, já para não falar na proximidade física no interior dos transportes escolares.

Da maneira que está a ser feita, a testagem nas escolas é uma mistificação, O que o próprio primeiro-ministro acaba indirectamente por admitir, ao associar a abertura plena das escolas, daqui a pouco mais de uma semana, à eclosão de um provável quarto surto da pandemia. E é neste contexto que o boneco do Facetoons se mostra espantosamente certeiro e oportuno. A verdade é que a matéria essencial continua fora das “aprendizagens essenciais”…

Dia das Mentiras

Já um ano ou outro não resisti à tentação, e assinalei o tradicional dia das mentiras postando por aqui uma notícia falsa. Mas nos tempos que correm não me apetece fazê-lo, e nem seria muito difícil inventar uma qualquer peta para brincar um pouco, tentando enganar os mais incautos dos meus leitores.

Na realidade, a mentira clara e assumida, agora elevada à condição de verdade alternativa, instalou-se solidamente na manipulação mediática e, mais ainda, nas redes sociais. Negar mesmo as verdades mais evidentes tornou-se modo de vida de políticos ignorantes e populistas, de jornalistas sem escrúpulos em busca de audiências, de perfis falsos que enxameiam as redes sociais. Para quem, como eu, marca diariamente presença na blogosfera, combater a desinformação e a manipulação tornou-se parte do quotidiano. Perco demasiado tempo a tentar desmontar maroscas e aldrabices para ter vontade de inventar mentiras no dia das ditas cujas.

No admirável mundo do século XXI, o negacionismo tornou-se o supra-sumo da arte de mentir.

Imagem daqui.

Menos de 0,1% de casos positivos nas escolas

Os testes rápidos de antigénio realizados durante a semana passada nas escolas do 1.º ciclo e nos estabelecimentos de educação pré-escolar detectaram 80 casos de covid-19 entre professores e trabalhadores não docentes. Após a retoma do ensino presencial, foram testadas 82 mil pessoas ao longo de quatro dias. Ou seja, a taxa de positividade foi inferior a 0,1%, avança o Ministério da Educação.

Um resultado tão expectável quanto inconclusivo, tendo em conta as condições que foi feita a testagem. Optou-se por testes rápidos, que geralmente não detectam doentes assintomáticos. E tanto se adiou a aplicação dos testes que, quando ela finalmente se fez, já as escolas tinham passado ao regime não presencial. Ou seja, o valor agora divulgado não reflecte a realidade de escolas a funcionar em pleno. Muito menos serve para confirmar ou refutar o mito de que as escolas são lugares seguros.

Quando a política de “testar, testar, testar” estava na ordem do dia, nunca o reforço da capacidade de testagem foi encarado como uma verdadeira prioridade. A dada altura, alimentou-se mesmo a ilusão de que quanto menos se testasse, menos casos positivos se registariam e melhor seria o desempenho do país no combate à covid-19. Uma ideia absurda e perigosa, que contribuiu para os números catastróficos da pandemia no passado mês de Janeiro.

Agora, creio bem que já passou o tempo dos testes em massa. Independentemente da sua utilidade na detecção, rastreio e vigilância de novos casos, vencer a pandemia passa pela vacinação generalizada da população. E é nisso que os responsáveis políticos e autoridades de saúde nacionais e europeus se devem focar. Só com a construção de uma sólida imunidade de grupo será possível o regresso gradual à normalidade nas nossas vidas. E isso só se conseguirá quando formos capazes de imunizar mais depressa do que o vírus consegue contagiar.

A cartilha do Holocausto

O Ministério da Educação enviou para as escolas “Recomendações para o Ensino e Aprendizagem sobre o Holocausto” que permite conservar a memória, mas também “prevenir a intolerância para com o outro”. A Direção-Geral da Educação traduziu para português o manual que agora pode ser utilizado por professores e educadores no ensino do tema do Holocausto. O documento já foi enviado para as escolas, anunciou hoje a tutela num comunicado enviado para as redações.

Este manual é mais um instrumento que serve para “fomentar a memória do Holocausto, promover a prevenção e o combate a todas as formas de discriminação, antissemitismo, xenofobia, racismo, homofobia e outras de desrespeito pela dignidade humana”, sublinha o ME.

Como professor de História, dispenso bem o desvelo paternalista com que o ME pretende instruir os professores portugueses na arte de bem ensinar o Holocausto. Uma matéria que consta, há décadas, dos programas da disciplina, integrada no tema mais vasto da afirmação dos fascismos europeus e da II Guerra Mundial.

Mais: não me agrada esta cedência ao lobby do sionismo internacional e da indústria do Holocausto, na forma de directrizes para fazer a abordagem politicamente correcta do tema, pondo em causa, como quem não quer a coisa, tanto a sua integração curricular como a autonomia pedagógica dos professores no seu tratamento.

Aqui é altura de abrir um parêntesis para recordar que este e outros temas já não se incluem apenas na disciplina de História. Fazem também parte da Educação para a Cidadania, e aqui podem ser tratados por professores de qualquer disciplina. Ora uma das utilidades destas transversalidades curriculares, leccionadas por docentes que não dominam cientificamente todos os temas a tratar, é precisamente tornar os professores menos autónomos e mais inseguros – e como tal, mais receptivos à aplicação do que consta nos referenciais e nos guiões governamentais.

E por aqui chegamos ao cerne da questão: o ministério que quer incentivar o estudo do Holocausto e de outros temas que promovam a paz, a tolerância e o respeito pelos direitos humanos é o mesmo que diminui o tempos lectivos da disciplina de História. Ausente do currículo da esmagadora maioria dos alunos do Secundário, reduzida a uma presença de 90 ou 100 minutos semanais na maioria dos anos do 3.º ciclo, a História que hoje se consegue ensinar e aprender fica muito aquém dos ambiciosos programas e objectivos que se estabelecem para a disciplina. Haverá tempo para debitar uns temas avulsos, ao sabor das modas, dos lobbies e das cartilhas ministeriais, mas não para desenvolver o pensamento estruturado e o raciocínio crítico que dão verdadeiro valor e utilidade à História. Se calhar, é mesmo isso o que se pretende…

Botellón à moda do Porto

A zona histórica do Porto registou, durante este fim de semana, um ajuntamento que reuniu centenas de pessoas para beber e dançar na rua sem que fossem observadas as regras de distanciamento social e respeitados os horários de consumo de álcool.

O Jornal de Notícias escreve que as zonas com maior procura são as galerias de Paris e toda a zona envolvente dos jardins da Cordoaria e que as esplanadas estavam cheias, com música ao vivo e várias pessoas a dançar.

À TSF, o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, António Fonseca, garante que os ajuntamentos com muitos jovens a beber na rua acontecem “quase todos os dias” e há até um “dois em um”, que explica.

“No que verificamos que é proibido, as autoridades não estão a funcionar”, critica António Fonseca, que adianta até que há quem leve o carro e sirva bebidas a partir dos mesmos: “Abrem as malas, mesmo com o impulso do botellón, e até tiram de lá umas caixinhas com garrafas de bebidas alcoólicas.”

botellon

Segundo os dados mais recentes, a região Norte já superou Lisboa e Vale do Tejo no número de novos casos de infecção pela covid-19. Com a sucessão de botellones que, com a complacência das autoridades, têm animado a noite portuense, a capital do norte está bem lançada na disseminação da pandemia que os mais ingénuos julgavam já controlada. 

Foi desta forma que a situação em Espanha se descontrolou, lançando o país, em vésperas do arranque das aulas, numa segunda vaga de contágios. Mas nem os ajuntamentos ilegais na via pública, as jantaradas dos betinhos da Católica, os leitores que se acotovelam nos expositores da Feira do Livro ou os adeptos-comensais nos os comícios do Chega parecem incomodar o país. O grande problema está, a acreditar na mega-operação de manipulação mediática a que assistimos nas duas últimas semanas – e na qual o grupo Impresa e a SIC desempenharam um papel especialmente vergonhoso – na festa do Avante.

Terminada a festa comunista, cabe agora à comunicação social avençada dos grandes interesses económicos e dos apoios governamentais encontrar outros pretextos para ir desinformando do acessório, para que não se discuta o essencial.

Essencial que será, nos tempos mais próximos, a reabertura das escolas sem que estejam asseguradas as devidas condições de distanciamento e segurança sanitária. Com a colaboração prestimosa de representantes dos directores e dos pais, os principais noticiários continuam a garantir-nos que as escolas são seguras, que tudo está a ser preparado e que haverá distanciamento mínimo garantido de um metro entre os alunos. E o pessoal confia…

Até quando?…

Suicídio colectivo

Suicídio colectivo não é a realização da Festa do Avante segundo o New York Times, que nunca deu a notícia nestes termos, muito menos fez dela manchete de primeira página. Mas poderá muito bem ser esta grosseira demonstração de incompetência e falta de deontologia de uma equipa de jornalistas profissionais que atira para o ar, na abertura do principal noticiário, uma notícia falsa montada nas redes sociais.

nytimes

A credibilidade da informação da SIC, que já não era famosa, acabou de levar, dada pelos próprios, mais uma valente machadada. É o que sucede quando as agendas político-partidárias e os preconceitos ideológicos se sobrepõem ao dever principal do jornalista, que é o de informar com isenção, objectividade e rigor. E verificar as fontes, confirmar os factos, dar espaço ao contraditório. Precisarão que lhes ensinem o b-a-bá da profissão?

E é esta gente que quer dar lições aos professores sobre fake news e literacia para os media?…

Professores boicotam início das aulas

el-mundo

Passou-se em Espanha, mas esta primeira página do El Mundo demonstra que o jornalismo sensacionalista, tendencioso e manipulatório não conhece fronteiras.

Naturalmente que a greve dos professores de Madrid, anunciada para o começo do ano lectivo, não é um boicote. Nem tem, ao contrário de quem escreveu a manchete, motivações políticas. Destina-se a exigir que a reabertura das aulas se faça apenas se e quando estiverem asseguradas as condições de segurança exigíveis num contexto de pandemia.

Se as autoridades optam por subfinanciar a educação pública, enquanto desviam verbas avultadas para outros fins, então devem assumir publicamente as suas responsabilidades. Em vez de as atirarem para os professores que apenas pretendem, como é natural, defender a saúde deles próprios e dos seus alunos.