Contra o Nónio

antinonio.pngQuem lê com regularidade a imprensa online portuguesa não tem como lhe escapar. À segunda ou terceira notícia que abre no mesmo site, um fundo escuro obscurece a página e surge uma janela convidando o leitor a registar-se na plataforma Nónio para ter acesso à notícia que pretende ler.

Pela forma irritante como irrompe em quase todos os principais media portugueses, pela presença intrusiva que impõe na navegação online, pela recolha abusiva de dados pessoais, por tudo isto o Nónio deve ser rejeitado por quem preza a sua privacidade e a liberdade na internet, não estando disposto a colaborar em esquemas obscuros de recolha e partilha de informação pessoal.

O site Anti-Nónio explica detalhadamente como funciona e porque não é recomendável fazer o registo nesta ferramenta destinada essencialmente à recolha sofisticada e em larga escala de dados pessoais…

O leitor NÃO DEVE registar-se no Nónio, por três grandes motivos:

Muito bem, dir-se-á, mas a verdade é que hoje em dia há muitos jornais online que impõem o registo ou o login no Nónio para permitir o acesso ao que se quer ler. Para grandes males grandes remédios: a solução passa por instalar uma extensão que bloqueia o programa. Ficam os links para a instalação nos dois mais populares browsers actualmente usados:

Solidão entre “amigos”

telemoveisNão é o primeiro estudo, e não será seguramente o último, a evidenciar a relação entre o tempo excessivo que os jovens passam online e o sentimento de solidão. Mesmo quando se tem milhares de “amigos” nas redes sociais, com os quais se interage regularmente, parece haver componentes importantes do relacionamento humano que se perdem. E que só o contacto presencial consegue satisfazer.

Até agora, estes estudos associavam geralmente o sentimento de solidão com as horas excessivas passadas na internet, que não deixava tempo para sair, conversar e conviver com os amigos de carne e osso. Afinal, haverá algo na própria natureza das redes sociais, que leva os jovens a sentirem-se sozinhos, mesmo quando têm milhares de supostos amigos, reais e virtuais, disponíveis e à distância de um clique…

“O nosso estudo sustenta que há qualquer coisa na comunicação online que causa a solidão, que é a forma como a comunicação acontece online que cria esse sentimento”, resume ao PÚBLICO o investigador do ISPA Rui Costa. “Nas raparigas, em particular, o sentimento de solidão não se explicava por passarem menos tempo com os amigos. Foi uma das questões que nos chamou a atenção.”

As conclusões foram publicadas na revista académica International Journal of Psychiatry in Clinical Practice. O estudo, em que foram inquiridos 548 jovens em Portugal (dos 16 aos 26 anos) entre 2015 e 2016, mostra que as redes sociais eram de longe a actividade preferida dos jovens quando estão na Internet. Os participantes foram avaliados quanto à percepção de solidão, ao ambiente familiar, e se têm um “uso problemático da Internet”. Foi questionado o grau de identificação com afirmações como “A interacção social online é mais confortável do que frente-a-frente”, e “Faltei a compromissos sociais devido ao meu uso da Internet”.

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Para os investigadores do ISPA, o motivo pode estar associado à evolução da espécie humana, durante a qual a vida em sociedade foi necessária para a sobrevivência. Como tal, os mecanismos cerebrais aprenderam a reconhecer a satisfação em interacções sociais apenas quando há informação sensorial suficiente a acompanhar. 

“A hipótese que colocamos agora é que a comunicação online não tem a mesma riqueza sensorial que a comunicação offline”, explica Rui Costa. “Quando falamos da Internet, não há informação a nível do olfacto, por exemplo, e a forma das pessoas falam é diferente.”

É uma opinião partilhada pela psicóloga clínica Raquel Carvalho, que trabalha com adolescentes e crianças na Oficina da Psicologia, em Lisboa. Diz que é comum os jovens que acompanha (especialmente, a partir dos 13 anos) falarem em sentimentos de solidão, mesmo que não seja o motivo principal que os leva às consultas. Um dos motivos é que é nesta idade que se começam a afastar da família e a “tentar criar vínculos afectivos com os pares”.

“Nota-se que com o mundo digital os jovens se refugiam muito na tecnologia e, por isso, as interacções com os pares são mais pobres. É com relacionamentos cara a cara que se desenvolvem capacidades como a empatia e a cooperação”, diz Raquel Carvalho. […]

Viciados no jogo

fortnite.gifNuno Cantoneiro é professor primário na Escola Básica Ary dos Santos, no Montijo. À sua frente tem todos os dias uma turma de quarto ano “com muito bons alunos”; dez raparigas e dezasseis rapazes. Mas em novembro do ano passado começou a notar alterações no comportamento dos rapazes: ficaram “mais agressivos, nervosos, entre eles havia conflitos, picardias frequentes, até chantagem”. E chegadas as avaliações intercalares, as notas “desceram, mesmo no caso dos muito bons alunos”, confirmando o já suspeitado. Na sala reservada aos docentes, a outra professora de quarto ano da escola queixava-se do mesmo.

Em comum, estes alunos tinham uma “fixação” pelo Fortnite . Um videojogo em que cem jogadores/personagens têm como objetivo eliminar os outros avatares e sobreviverem aos ataques dos inimigos, enquanto o cenário vai sendo reduzido para incentivar o confronto. Existem dois modos de jogo: o Battle Royale (gratuito) e o Save The World (pago).

Para os professores não foi difícil fazer a associação entre a atitude dos alunos e o jogo: os estudantes traziam o mundo virtual para o real sempre que lhes era dada uma hipótese. Quando lhes era pedido um desenho, na folha surgia “uma relação com o Fortnite, cada vez que tinham um bocadinho começavam logo a falar do jogo” ou faziam o “floss” – o popular movimento das personagens em que os braços balançam de um lado ao outro junto à cintura. Além disto, “entre eles [alunos] notava-se ainda um clima de chantagem. Ouvi várias vezes conversas como: ‘Se não fores às tantas horas jogar, eu conto não sei o quê.’ Eles criavam represálias. Mas isto só acontecia com o grupo dos rapazes”, conta Nuno Cantoneiro ao DN.

“Nunca tinha notado isto por causa de um videojogo. No passado, todos jogaram ao berlinde, depois ao pião, mas agora todos jogam Fortnite. Tornou-se uma fixação“, acrescenta.

Cresce descontrolado o mundo dos videojogos. Acessíveis online a qualquer hora, correndo em qualquer aparelho ou plataforma, disponóveis sem qualquer controlo etário ou quaisquer tipo de restrições ao uso, estes jogos tornam-se cativantes para os miúdos, que mesmo metidos em casa os podem jogar com os amigos e companheiros de escola.

Com dezenas ou centenas de milhões de utilizadores, no caso dos jogos mais populares, percebe-se que são um excelente activo para as empresas que os concebem e exploram. E que, para manter os utilizadores “agarrados”, as equipas que desenvolvem estes jogos não recorrem apenas a programadores e designers de multimédia – o trabalho de psicólogos, explorando as diversas e subtis formas de alimentar o vício e a dependência entre os jogadores, torna-se fundamental.

Os jogos online, assim como muitas outras facetas da realidade virtual, parecem ter vindo para ficar, pelo que não fará muito sentido lutar contra a sua disseminação. O que é urgente é criar e reforçar mecanismos que protejam os utilizadores mais vulneráveis – desde logo, as crianças e os adolescentes – desta nova e preocupante dependência.

Aqui, o papel fundamental parece competir aos pais. Percebendo, em primeiro lugar, os perigos do uso irrestrito e descontrolado da internet. Definindo horários para os jogos e outras actividades online e restringindo o acesso a jogos e a sites não apropriados. Para os mais renitentes, ou os que passam mais tempo sozinhos ou sem o controle directo dos pais, as ferramentas de controle parental podem ajudar – desde que os pais saibam usá-las.

Marcelo vetou o decreto do tempo de serviço

E julgo que agiu bem, tendo em conta as diferentes soluções encontradas nas regiões autónomas e que irão permitir a recuperação total, ainda que faseada, do tempo de serviço.

Considerando também que a Lei do Orçamento determina a reabertura de negociações sobre a matéria, não faria sentido a promulgação de uma lei resultante de um processo negocial que nem os sindicatos nem os partidos, à esquerda e à direita do PS, consideraram sério.

Este veto vai obrigar o Governo a sentar-se de novo à mesa negocial com os sindicatos, esperando-se que, desta vez, em circunstâncias mais favoráveis aos professores.

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Uma aventura… no computador

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© Bartoon

STOP já tem site na internet

A página de Facebook do novo sindicato serviu até agora como único meio de contacto e de divulgação das suas posições e iniciativas. Mas tem, como é natural, óbvias limitações.

Saúda-se por isso o aparecimento, que tardava, do site oficial do Sindicato de Todos os Professores.

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Internet lenta: culpa das escolas, ou do ME?

internet-lenta.JPGHá escolas que estão a dar aos alunos privilégios de acesso à internet que só deveriam ser de professores e administrativos. A alerta parte da própria Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que o usa para justificar os bloqueios na rede da educação das últimas semanas, e que numa mensagem recente enviada aos diretores escolares lembra que a situação se “afigura como um risco de segurança gravíssimo”, por poder expor aos estudantes informação dos servidores das escolas e dos sistemas do Ministério da Educação.

Com base na notícia do DN parcialmente transcrita, no comunicado da DGEEC publicado no blogue DeArLindo e na minha própria experiência enquanto utilizador, eis os factos que se podem apurar:

  • Na semana passada, os acessos à internet fornecida às escolas pelo ME, que não são propriamente rápidos, tornaram-se ainda mais lentos do que o habitual;
  • A DGEEC, que gere esta rede de acessos e foi alertada para os problemas que estavam a surgir, não conseguiu descobrir, como ela própria admite, a origem do problema;
  • A rede existente há muito que não tem capacidade para responder a todas as solicitações dos muitos utilizadores, espalhados por todo o país.

Contudo, em vez de, identificados os problemas, se assumirem compromissos para a sua resolução, prefere-se inventar “riscos de segurança gravíssimos” criados pelas escolas, que estariam a autenticar a entrada de alunos com “privilégios” que lhes permitiriam acessos indevidos dentro do sistema informático. Passando assim a culpa para as escolas, e para o comportamento irresponsável ou negligente dos responsáveis locais pelos acessos à rede do ministério.

Na realidade nada disto faz sentido, pois estamos a falar de acesso à internet, não aos servidores das escolas ou do ministério ou a plataformas neles instaladas, as quais têm os seus próprios acessos e regras de segurança. O alarmismo que se tenta criar destina-se apenas, como é óbvio, a desviar as atenções do problema de fundo, que é um sistema informático cada vez mais obsoleto e que tarda em ser melhorado ou substituído.

A verdade é que a propaganda ministerial enche a boca com as novas tecnologias, as literacias digitais e a sociedade da informação, mas pouco ou nada se faz para dotar as escolas de uma rede informática capaz de dar resposta às solicitações criadas pelos novos “paradigmas” de ensino e aprendizagem.