Receito-lhe… a passagem de ano!

aluno-preg.pngO “direito ao sucesso” inspira algumas estórias engraçadas, mas como esta nunca tinha ouvido. Uma encarregada de educação visita o director de turma no final do ano para lhe entregar um relatório psiquiátrico referente ao seu educando. E, de imediato, vai informando: diz aí que é para o meu filho passar de ano…

O aluno tem alguns problemas de aprendizagem, mas é acima de tudo pouco esforçado e trabalhador. Apesar das várias medidas de apoio implementadas, não supera as suas dificuldades, essencialmente por falta de trabalho, concentração e estudo.

O relatório médico dirigido aos professores lembra que, ao abrigo do novo regime de inclusão, é suposto terem sido tomadas todas as medidas necessárias para que o aluno melhorasse os seus resultados. Não ganha nada em ficar retido. Prescreve, por isso, a passagem de ano.  Nas entrelinhas, entende-se a mensagem: o rapaz tem direito ao sucesso, arranjem lá maneira de o passar.

O novo paradigma inclusivo veio para ficar e estes casos irão, certamente, multiplicar-se. O direito à inclusão envolve acompanhar a turma que transita de ano, sem que nenhum aluno fique para trás. E o princípio da universalidade das medidas implica que qualquer aluno possa e deva ter a vida facilitada. Ou porque não é capaz de fazer como os outros – o que é aceitável – ou porque simplesmente não quer – e nesse caso devem os professores fazer por ele, aplanando-lhe o caminho e removendo os obstáculos que o poderiam cansar e desmotivar.

Ainda assim, e apesar das intromissões, avaliar continua a ser prerrogativa dos professores. E, ao que parece, ainda vai havendo alguns que se mantêm renitentes à ideia de que a falta de exigência seja um bom serviço educativo que prestam aos seus alunos.

As notas ainda não saíram, mas palpita-me que, neste caso de que ouvi falar, a tentativa de garantir sucesso escolar por prescrição médica não tenha sido bem sucedida.

Ah, a Matemática!…

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Eterna recordista do insucesso escolar, mal-amada por muitos alunos, mas também apreciada por bastantes, que se deixam seduzir pela disciplina, o ensino da Matemática vai ser estudado em profundidade. A prioridade do grupo de trabalho, já nomeado para o efeito, será o insucesso na disciplina.

Matemáticos, professores de ensino básico e secundário, especialistas em educação. No total, dez professores integram o grupo de trabalho, formalmente constituído esta sexta-feira através de um despacho publicado em Diário da República, que vai estudar o “fenómeno do insucesso” a Matemática no ensino básico e secundário e fazer recomendações para melhorar o ensino, aprendizagem e avaliação desta disciplina.

Anunciado em Março, o grupo é coordenado pelo matemático Jaime Carvalho e Silva, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O despacho define que parte do trabalho será de análise à evolução dos resultados a Matemática nas duas últimas décadas: o histórico de taxas de sucesso, das taxas de recuperação, dos programas da disciplina, da eficácia de medidas de apoio e das metodologias de ensino, entre outros parâmetros. Importa perceber se foram, afinal, eficazes e eficientes os diferentes planos e medidas dirigidas à melhoria das aprendizagens e à promoção do sucesso escolar adaptados nos últimos anos.

[…] Além do coordenador, integra o grupo de trabalho – não remunerado – Luís Gabriel, da Direcção-Geral da Educação, e os professores universitários Ana Paula Canavarro, do departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora, Carlos Albuquerque, do departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Maria Leonor dos Santos, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Mais os professores de Matemática de 3.º ciclo e secundário Helder Martins, da Escola Secundária António Damásio (Lisboa), João Almiro, da Secundária de Tondela, e Paulo Correia, da Secundária de Alcácer do Sal. Ainda Célia Mestre, professora de ensino básico na escola de Vale Flores (Feijó), e Olga Seabra, docente de Matemática e Ciências da Natureza do 2.º ciclo na Escola Básica do Sobrado (Valongo).

Sem me querer antecipar ao trabalho desta equipa, diria que a falta de uma linha de rumo coerente a nortear o ensino da Matemática contribuiu fortemente para as dificuldades de aprendizagem na disciplina e os fracos resultados médios obtidos pelos alunos, sobretudo ao nível da avaliação externa.

A solução não podem ser programas extensos e desajustados da idade dos alunos, como defendeu Nuno Crato, acreditando que o aumento da exigência conduziria, por si só, a um maior esforço de alunos e professores e, consequentemente, melhores resultados. Mas também não pode passar pelo facilitismo irresponsável da “matemática divertida” ou das teorias estupidificantes que tentam amarrar o estudo da disciplina a realidades e problemas concretos, descurando a abstracção.

Registo com agrado a integração na equipa de verdadeiros professores, e não apenas dos habituais burocratas e investigadores, tantas vezes ignorantes do que é a realidade concreta do quotidiano das salas de aula. Espero que este grupo de trabalho possa estudar com independência e rigor os problemas do ensino da Matemática, indo além do discurso formatado e repetitivo dos relatórios da DGEEC ou da OCDE. E que as conclusões do estudo não estejam, como é tão habitual entre nós, definidas à partida…

Aulas de recuperação em tempo de férias

ps-acores-e1544557240793.jpgA proposta de alteração ao Estatuto do Aluno surgiu no parlamento açoriano, pela mão do grupo parlamentar socialista: os professores que dêem “negativas” aos alunos devem apresentar ao Conselho de Turma um plano de recuperação de aprendizagens a desenvolver durante parte do período de interrupção lectiva. Um castigo, aparentemente, para o aluno, que vê diminuído o seu período de férias, mas também para os professores que dão notas baixas. E uma pressão nada subtil no sentido de concretizar o grande desígnio educativo do século XXI, o de passar toda a gente.

Para já a medida, aprovada pelos partidos de esquerda, parece estar a gerar estranheza e contestação, até mesmo em sectores governamentais. E é tomada ao arrepio do que julgo ser o espírito das mudanças educativas em curso, que valorizam o carácter formativo das avaliações periódicas e privilegiam o desenvolvimento de competências ao longo de um ciclo de estudos.

“Não podemos combater a retenção à bruta”, adiantou o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, em Angra do Heroísmo, questionado sobre a proposta do Partido Socialista, que foi aprovada na Assembleia Legislativa dos Açores, em novembro, no âmbito da discussão do Plano e Orçamento da região para 2019.

Segundo a proposta de alteração ao Estatuto do Aluno, apresentada pelo PS e aprovada com os votos favoráveis de PS, PCP e BE, os estudantes do ensino básico e secundário passam a ter direito a “usufruir, em parte do período de interrupção letiva, de um plano de recuperação de aprendizagens, aprovado pelo Conselho de Turma, sob proposta do docente que propôs o nível negativo na avaliação sumativa interna que antecedeu o período de interrupção letiva, com o intuito de adquirir ou consolidar aprendizagens manifestamente em falta e a cumprir presencialmente nas instalações escolares”.

Avelino Meneses realçou que a proposta não foi apresentada pelo Governo Regional, mas pelo grupo parlamentar do PS, e remeteu a sua aplicação para o próximo ano letivo, de forma a permitir que o executivo tenha “mais tempo” para analisar as suas “implicações”.

O verdadeiro prestígio dos professores

nando-lopezHá uma acusação recorrente que pedagogos tão bem-pensantes quanto distantes da sala de aula e dos alunos fazem aos professores: que reprovam demasiados alunos, que estão imbuídos de uma “cultura de retenção” e acham que reter alunos aumenta o seu prestígio enquanto docentes “exigentes”.

Esta luta pela transição a todo o custo faz-se hoje à escala global, com a OCDE e outras organizações internacionais a apontar regularmente o dedo aos países que se destacam no ranking do insucesso. Incapazes de sacudir a pressão ou de assumir a responsabilidade de decretar a passagem administrativa de todos os alunos, os políticos que gerem o sector preferem lançar as culpas do insucesso sobre os professores.

Em Espanha, a pressão tem vindo a aumentar na imprensa, com insinuações e acusações sobre os professores que não hesitam em prejudicar os alunos para beneficiarem do “prestígio” que alcançariam com as reprovações. Contestando esta ideia absurda, o professor e escritor Nando López toma posição no Twitter, dando o seu testemunho numa eloquente defesa da classe docente a que assume pertencer. Fica a tradução da sequência integral de tweets.

A cada semana há uma manchete que nos recorda o mal que fazemos, os professores. O mais recente fala do “prestígio que dá chumbar”, algo que nunca vivi como docente do 3º ciclo e Secundário. Em contrapartida, quero compartilhar algo que, isso sim, vivo em muitas escolas que visito como autor.

Nestes 4 anos que levo de licença visito uma média de 100-120 escolas de toda a Espanha em cada ano e vivi, frequentemente, uma mesma situação. Uma pequena história que se repete em muitas escolas e que talvez devessem conhecer os que alimentam parangonas tão catastrofistas.

A história é simples e sucede sempre da mesma maneira. Tem lugar um instante antes do começo do encontro, mesmo antes de entrar no auditório ou na biblioteca para falar com os alunos. Então há um professor que me detém e pede para falar comigo por um segundo.

Fá-lo discretamente, para que os seus alunos não o vejam. Então ele ou ela dizem-me que me fixe nesse grupo que se sentou ao fundo à direita. Ou na menina que vai ler a minha apresentação. Ou nos desenhos que me irão entregar no final do encontro.

Ou na pergunta que fará alguém que se sentou timidamente na última fila. Ou que mencione os alunos com necessidades especiais, que ainda não terminaram o livro mas estão encantados com a minha visita.

Pedem-me – como algo pessoal – que me fixe neles para que, se for possível, os mencione, os faça sentirem-se visíveis, os felicite pela sua pergunta, pelo seu desenho ou pela sua participação. Sabem que isso os ajudará a fortalecer uma auto-estima que nessas idades é tão quebradiça.

E quando os menciono, quando faço malabarismos para incorporar a presença desses alunos no meu discurso, eles sorriem surpreendidos, sim, mas o sorriso maior é o dos seus professores, que se alegram por os seus miúdos terem esse momento especial, por pequeno que seja.

Alguém que “crê que reprovar dá prestígio” não se preocupa com algo tão pequeno. Não sente esse vínculo afectivo tão poderoso com os seus estudantes. E não se alegra tanto quando vê que as suas raparigas e rapazes progridem. Aprendem. Participam. E são protagonistas do seu processo educativo.

Vivi alguma experiência negativa? Claro. Como a professora de Literatura que passou todo o encontro no WhatsApp. Ou o coordenador de departamento que me disse que “nem tinha lido os meus livros nem os iria ler”. Dois casos em quatro anos é, no mínimo, una estatística raquítica.

Sobretudo se os comparo com os demais docentes (500? 600?) que terei conhecido neste tempo e dos quais não só fiquei com uma magnífica recordação, como também aprendi técnicas, estratégias e modos de fomentar a paixão pela leitura.

Dizem-nos que não se pode educar sem emoção. E estou de acordo. O que não nos contam é que essa emoção está nas nossas aulas. É a que leio nos olhos desses docentes que me agradecem a menção dos seus alunos.

Só quando queres a alguém te perguntas o que fazer para o animar. Para lhe dizer que continue a esforçar-se. Para que saiba que te importa. Por isso, apesar de tudo, continuamos a pôr o nosso coração nas aulas. Porque não saberíamos fazê-lo de outra forma.

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: Recuperação integral do tempo de serviço soma apoios

À esquerda e à direita do PS, todos os partidos parecem convergir na ideia de obrigar o Governo a voltar a sentar-se à mesa com os sindicatos. Agora não para impor a perda definitiva de 70% desse tempo, mas para acordar naquilo que já deveria ter sido negociado: o prazo e o modo da devolução. Esta semana, o consenso em torno da reivindicação dos professores saiu reforçado com a rejeição, pelos parlamentos regionais, do decreto-lei que determina a recuperação parcial de apenas três anos incompletos…

No Fundo: Outra vez os “chumbos”

Apesar do ar jovial, a presidente do CNE está longe de ser uma jovem nas andanças educativas. Sem querer ser deselegante, diria mesmo que a doutora Emília Brederode Santos, se fosse professora a sério, daquelas que cumprem um horário completo com alunos, numa escola básica ou secundária, há muito que estaria saturada e retirada destas lides. Mas como criticar o trabalho alheio é sempre mais fácil do que dar o corpo ao manifesto, é a isto que estamos condenados: de tempos a tempos, lá vem a converseta do excesso de “chumbos”, prontamente amplificada pela comunicação social…

Presidente do CNE quer acabar com o 2º ciclo

baixar-a-fasquia.jpgSaindo do remanso dos últimos tempos, a presidente do Conselho Nacional de Educação veio a público apresentar o habitual relatório anual sobre a Educação portuguesa. Mas desta vez, mais do que analisar dados objectivos, a doutora Brederode preferiu defender teses que não têm sustentação nos factos e embrenhar-se na defesa de convicções pessoais em vez de se cingir à representação da instituição que dirige.

No relatório, a presidente do CNE lança o desafio de ser criado um grupo de trabalho permanente focado no “desenvolvimento curricular”, que “pense nos currículos de forma sistemática” de forma a ir respondendo aos obstáculos que ainda conduzem muitos alunos ao insucesso. Uma das metas, defendeu, numa conversa com jornalistas para apresentar este estudo, deverá ser “repensar o básico incluindo o 2.º ciclo”. E uma das convicções pessoais de Maria Emília Brederode dos Santos é que a atual divisão da escolaridade entre o 1.º e o 6.º ano em dois ciclos, além de ser “um sistema que só existe em Portugal”, está a contribuir para que parte dos estudantes ainda não tenham sucesso.

Em boa verdade, o relatório sobre o Estado da Educação 2017, a exemplo dos de anos anteriores, não traz grandes novidades. No essencial, os técnicos do CNE limitam-se a mastigar os dados estatísticos da DGEEC e da OCDE, apresentando-os sob novas roupagens. Há muito pouca investigação original e acabam sempre em torno do mesmo: o número de alunos matriculados, a sua distribuição por idades, regiões, anos e ciclos de ensino, as taxas de sucesso e as ofertas formativas.

O relatório do CNE analisa isto tudo, demonstrando que o insucesso escolar é um fenómeno complexo: reprovam mais rapazes do que raparigas, há mais “chumbos” no sul do que no norte do país e mais também no interior do que no litoral. Não foge também à constatação, bem evidente, de que as taxas de insucesso se reduziram substancialmente nos últimos anos.

Mas afinal parece que isto não interessa para nada, pois a pedagoga-mor do regime já tem há muito tempo a solução para o problema: como o insucesso tende a aumentar nos anos iniciais de ciclo, reduza-se o seu número e acabe-se com o 2º ciclo. Uma palermice, para não dizer coisa pior. Seguindo esta lógica, então o que deveria acabar era o 3º ciclo, pois o insucesso é maior no 7º do que no 5º ano. Melhor ainda, levando às últimas consequências a lógica da batata, acabe-se mesmo com todos os ciclos: avance-se para um único ciclo de estudos, desde o 1º até ao 12º ano, para o sucesso seja pleno. Ou talvez não…

De facto, todos os professores sabem que o caminho do facilitismo também pode ser uma via sem retorno. Quanto mais baixamos a fasquia do sucesso, menos esforço, estudo e concentração irão ser exigidos aos estudantes, agora e no futuro. Se doutora trabalhasse numa escola, com alunos reais, em vez de apenas perorar sobre o que desconhece na prática, perceberia melhor as múltiplas dimensões do insucesso, que parecem passar-lhe ao lado.

A presidente do CNE continua a bater na tecla da “cultura de retenção” e a diabolizar os “chumbos” com tal veemência que não se percebe porque não propõe que se acabe com eles administrativamente. Se a medida é “inútil” e “cara”, porque não se impõe a transição obrigatória, como já sucede aliás entre o 1º e o 2º ano? O exagero e a falta de bom senso é tal que, confrontado com as declarações incendiárias, até o ministro acabou a fazer o papel de pessoa sensata e ponderada…

“A reprovação do 2.º ciclo estava em 12,5% (2013) e agora está em 5,8%”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues em declarações à Lusa.

“Obviamente que as transições são sempre complexas, que temos de fazer um trabalho sistemático no acompanhamento dessas transições para mitigar os efeitos de mudar de escola, mudar de ciclos, de mudar da monodocência para a pluridocência, como acontece no 2.º ciclo. Mas não nos parece, pelos números que vemos, que este 2.º ciclo tenha uma implicação na reprovação e cultura de retenção, como é dito”, disse Tiago Brandão Rodrigues.

Para o ministro, qualquer alteração no esqueleto da escolaridade obrigatória e na reconfiguração do ensino básico teria de ser sempre alvo de “uma discussão alargada e profunda”.

O ministro admitiu, no entanto, que, caso a sociedade e as forças políticas assim o entendessem, então poderia avançar-se para essa mudança: “A sociedade portuguesa assim o fará, mas sempre após uma discussão alargada e profunda que não se faz com repentismos”.

 

Pagam-lhes para escrever estas coisas…

exam-question[1]…ou escrevem-nas sem pensar?

Será antes o “jornalismo de causas”, que o Público sempre gostou de apadrinhar, que leva alguns jornalistas a esquecer regras básicas da sua profissão e a produzir parangonas tão enviesadas?…

Basta entrar no secundário um ano mais tarde para o insucesso duplicar

Vamos lá a ver, devagarinho para todos perceberem: não é por entrarem mais tarde que os alunos mais velhos têm mais insucesso no secundário.

Pelo contrário: o insucesso destes alunos no básico é que determinou que chegassem mais tarde ao secundário.

Tendo estes alunos à partida maiores dificuldades, é natural que elas se acentuem justamente quando passam a um nível de ensino naturalmente mais exigente. O contrário é que seria estranho. Que os bons alunos do básico chumbassem no secundário e os menos bons o concluíssem com pleno aproveitamento.

Se quisermos fazer observações espertas sobre esta realidade, podemos antes questionar: estes alunos com dificuldades em concluir os cursos científico-humanísticos não estariam melhor no ensino profissional? Assim parece, tendo em conta as maiores taxas de sucesso neste subsector e a sua maior adequação a quem prefere um ensino mais prático e profissionalizante.

Se quisermos ir ainda mais longe na reflexão, sem receio de enveredar por caminhos politicamente incorrectos, podemos ainda perguntar: e aqueles alunos, que até poderão ser poucos, mas continuam a existir, para quem todo e qualquer esforço que lhes seja exigido na escola será sempre considerado excessivo? O que se faz com eles? Baixa-se a fasquia até obtermos o sucesso obrigatório, ou assumimos que há um mínimo que não pode deixar de se exigir?

Diga-se, em abono da verdade, que o estudo da DGEEC até é bastante conciso e objectivo, apresentando os resultados do tratamento dos dados estatísticos disponíveis sem grandes voos interpretativos nem generalizações abusivas. E quando assim é, será sempre de lamentar que a imprensa dita de referência nestas matérias não consiga manter o tom sóbrio e isento dos documentos em que baseiam as notícias.