No rescaldo dos incêndios – III

calor.pngAí vamos nós de novo…

A partir de domingo, as temperaturas vão aumentar (podendo atingir os 30 graus) e a humidade vai descer, o que aumentará o risco de incêndio. O aviso consta de um comunicado publicado nesta quinta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

“Entre os dias 22 e 25 de Outubro prevê-se um novo período sem precipitação, havendo uma probabilidade entre 20% e 40% de ocorrência de precipitação nas regiões norte e centro entre os dias 26 e 28 de Outubro. Haverá ainda subida da temperatura do ar para valores máximos entre 25 e 30°C e humidades relativas do ar inferiores a 40% no período da tarde nas regiões do interior até dia 25 de Outubro”, lê-se no comunicado do IPMA.

Os meteorologistas afirmam ainda que “a precipitação entre os dias 16 e 21 não deverá ter impactos significativos na diminuição da situação de seca, em particular nas regiões do interior e no Algarve, devendo o risco de incêndio voltar a aumentar já a partir de dia 21 [sábado], pelo menos até dia 25 de Outubro [quarta-feira]”.

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No rescaldo dos incêndios – II

Marcelo Rebelo de Sousa deveria saber que respeito e gratidão são virtudes que escasseiam à direita a que quis agradar, vindo a público pressionar para que a ministra da Administração Interna fosse demitida. E claro que os socialistas também não ficaram satisfeitos.

Deu-lhes abébias, agora ature-os…

 

No rescaldo dos incêndios – I

Quando se pensa que já vimos tudo, em termos de baixaria informativa, lá aparece quem nos mostre que é sempre possível afundar mais um pouco.

Uma capa inqualificável da revista Sábado.

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Escolas fechadas devido aos incêndios

fogoNas zonas do país mais afectadas pela vaga incendária que já causou mais de trinta mortos, centenas de feridos e milhares de desalojados, com estradas cortadas ou intransitáveis, as direcções das escolas e agrupamentos estão a tomar a decisão sensata de manter as escolas encerradas até que seja restabelecida a normalidade possível.

Nalguns casos, são as próprias instalações escolares que estão a servir de local de acolhimento às populações afectadas pelos fogos.

Fica a lista oficial dos estabelecimentos encerrados que consta no site da DGEstE:

Região Norte

  • Agrupamento de Escolas de Alijó
  • Agrupamento de Escolas de Castelo da Paiva
  • Agrupamento de Escolas de Couto Mineiro do Pejão, Castelo de Paiva
  • Agrupamento de Escolas de Moimenta
  • Agrupamento de Escolas de Monção
  • Agrupamento de Escolas de Murça

Região Centro

  • Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal
  • Agrupamento de Escolas de Fornos de Algodres
  • Agrupamento de Escolas de Gouveia
  • Agrupamento de Escolas de Mira
  • Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
  • Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital
  • Agrupamento de Escolas de Penacova
  • Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul
  • Agrupamento de Escolas de Tábua
  • Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo
  • Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro
  • Agrupamento de Escolas de Vagos
  • Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, Marinha Grande
  • Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia
  • Agrupamento de Escolas Henrique Sommer, Maceira, Leiria
  • Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente
  • Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos

 

Novamente os incêndios

 

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Quando os responsáveis se preparavam para encerrar a época oficial dos fogos, eis que a conjugação da habitual mão criminosa ou negligente com os factores de risco máximo de incêndio – mais de 30º de temperatura, menos de 30% de humidade relativa, ventos a mais de 30km/h – varreu novamente o país de labaredas.

A crescente gravidade destes fenómenos, que não encontra paralelo em qualquer outro país europeu, deveria levar a repensar seriamente as estruturas e o modelo que ao longo destes anos foi criado para a prevenção e combate aos incêndios e a protecção das populações vítimas dos fogos.

Além dos terrenos florestais e agrícolas, das casas e dos automóveis ardidos, o último balanço, quando escrevo estas linhas, ia já em 27 mortos e cerca de 50 feridos. Isto é intolerável. Até quando terá de continuar a morrer gente, para que se perceba que não podemos deixar que estas tragédias, como parecia sugerir ontem o primeiro-ministro, passem a fazer parte do novo normal?

De facto, a protecção civil cresceu em cargos, responsabilidades e dinheiro para gastar. Houve jobs for the boys e também para gente experiente e competente. As câmaras viram as suas competências acrescidas a este nível, profissionalizaram-se bombeiros, investiu-se na formação, fizeram-se contratos milionários em torno de meios aéreos e outros equipamentos dispendiosos de combate ao fogo e num caprichoso sistema de comunicação de emergência que nas horas críticas deixa de funcionar. Mas o que se constata é que tudo isto falha clamorosamente de cada vez que temos um verão mais seco e prolongado.

Não se pede a quem coordena todas estas coisas que faça milagres, e sabemos que algumas situações extremas serão, pela sua natureza, incontroláveis. Contudo, o que se passou ontem nalgumas estradas portuguesas, por exemplo, parece demonstrar que se aprendeu muito pouco com o incêndio de Pedrógão. danca-da-chuva.jpgSó por sorte não houve ontem à noite, no IP3, uma catástrofe ainda pior do que a de há quatro meses, quando vários automóveis e autocarros cheios de passageiros ficaram cercados pelas chamas.

Impotentes perante o fogo, acabamos todos a pedir que chova.

Faltava a responsabilidade da escola

fogo.gifJá me estava a admirar que depois da tragédia de Pedrógão Grande e dos inúmeros disparates que se disseram e escreveram a respeito, ainda ninguém se tivesse lembrado da responsabilidade da escola, do que ela não faz e deveria fazer para se evitarem no futuro novas tragédias.

O argumento não é muito original: criar mais uma disciplina.

Mas a silly season parece este ano ter vindo mais cedo, e é o que se arranja.

O presidente da Associação de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (Asprocivil) defendeu hoje a criação de uma disciplina escolar de segurança que permitisse preparar crianças e jovens para agir em casos de calamidade.

Ricardo Ribeiro defende que esta disciplina deveria existir até ao 9.º ano e que deveria ser obrigatória.

“Da mesma forma que existe uma disciplina de religião e moral, deveria haver até ao 9.º ano, já para não dizer até ao 12.º, uma cadeira obrigatória que levasse a geração a ter indicações das boas práticas de uma cultura de segurança”, considerou à Lusa.

A vaga incendiária na comunicação social

A par das falhas na coordenação do combate aos fogos de Pedrógão Grande, da insuficiência ou ineficácia dos meios usados, do completo desleixo em relação a medidas preventivas que pudessem ter evitado ou minimizado o sucedido e de outros erros e negligências que os já anunciados inquéritos irão apurar, há um facto demasiado evidente: a comunicação social também não esteve bem.

Não digo que seja fácil cobrir um acontecimento com a carga destruidora e emotiva que uma tragédia desta dimensão inevitavelmente terá. Mas houve órgãos de comunicação que, na ânsia do sensacionalismo, passaram diversas linhas vermelhas da ética e deontologia da sua profissão. E, pior do que isso, chamados à atenção, houve aqueles que, em vez de corrigirem os excessos, reagiram com a arrogância de quem não aceita críticas, não ouve bons conselhos e não respeita sequer os direitos e os sentimentos das vítimas dos trágicos acontecimentos.

A postura reprovável dos media, ao arrepio das boas práticas da profissão, tornou-se especialmente evidente no episódio de fake news da queda do avião. Um após outro, jornais, rádios e televisões foram escorregando na casca de banana de um acidente aéreo que nunca existiu. Mas que, percebe-se, daria imenso jeito que tivesse acontecido…

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Oportuno e sempre inspirado cartoon de Antero Valério, retirado daqui.