Fraude no exame de Português: revelada a identidade da suspeita

exp23set17.jpgSegundo a última edição impressa do Expresso – a notícia não se encontra, até ao momento, disponível online e a imagem foi retirada daqui – será Edviges Ferreira a autora da fuga de informação sobre o exame da 1ª fase de Português, que terá beneficiado um grupo de alunos a quem daria explicações e um número indeterminado de outros com quem a informação sobre os conteúdos da prova foi partilhada, via redes sociais.

Recorde-se que a gravação na altura divulgada fazia referência à “presidente de um sindicato de professores”, o que dará para supor que a aluna que aqui se ouve  terá confundido a Associação de Professores de Português, a que Edviges Ferreira preside, com um sindicato de professores:

Ressalvando sempre, nestas circunstâncias, que todo o suspeito se presume inocente até que seja condenado, espero que o caso tenha, a partir de agora, rápidos desenvolvimentos no sentido do apuramento de toda a verdade e da exemplar aplicação da justiça.

A confirmação das suspeitas agora vindas a público significa que o caso é especialmente grave: não se trata de uma professora qualquer – nesse caso, o mais provável era estar já a ser crucificada na praça pública – mas de alguém que lidera uma associação profissional que colabora ao mais alto nível com o ME.

Mais cuidado com futuras parcerias e, já agora, com o IAVE e as suas das equipas responsáveis pela elaboração das provas dos exames nacionais, é o que se recomenda. Pois nada garante que este seja um caso isolado; mas antes a ponta do icebergue da impunidade e dos abusos permitidos por um sistema assente na opacidade e no secretismo.

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Lembram-se do exame de Português?

segredo.gifParece ter caído no esquecimento o caso da fuga de informação do exame de Português do 12º ano. Graças às inconfidências de uma professora, um número indeterminado de alunos terá tido conhecimento prévio das matérias que iriam sair na prova. Mas ao contrário de casos semelhantes de que todos os anos se houve falar, desta vez a informação circulou pelas redes sociais, onde deixou registo, e daí rapidamente passou para a comunicação social.

Segundo foi noticiado na altura, a IGEC colocou-se em campo e rapidamente descobriu, não só o grupo de alunos de um colégio lisboeta que teve acesso à informação confidencial, mas também a identidade da principal suspeita, uma colaboradora da equipa que elaborou as provas e que era também explicadora dos alunos que foram ilicitamente beneficiados. Todos os factos apurados foram comunicados à PGR.

E ficámos assim. A última notícia que li sobre o assunto, datada de finais de Julho, informava que não havia novidades no caso, nem tinham sido constituídos arguidos. E se hoje volto ao tema é apenas porque constato que, uma vez mais no nosso país, o crime parece ter compensado. Os jovens ilicitamente beneficiados estarão provavelmente, por estes dias, a festejar a sua entrada no ensino superior, enquanto a professora que os ajudou continuará, como se nada fosse, em exercício de funções.

Sem entrar pelos meandros judiciais, que por aí já sabemos que não chegamos, em tempo útil, a conclusão alguma, cinjo-me às responsabilidades do ME e dos seus serviços inspectivos, tão céleres, noutras circunstâncias, em punir exemplarmente os culpados de meras irregularidades burocráticas: na altura em que o caso foi tornado público, o ME tomou a decisão política de não mandar repetir o exame, conforme seria aconselhável, já que havia evidências claras de que a confidencialidade da prova tinha sido quebrada e não seria possível determinar com rigor quem teria tido acesso à informação e quem a teria tomado como credível. Pois sabemos que todos os anos circulam boatos acerca do que sairá nas principais provas, que na grande maioria se vêm a provar infundados.

Fazer de conta que nada se passou e esperar que o tempo e o esquecimento resolvam os problemas difíceis e incómodos que surgem pela frente começa, lamentavelmente, a tornar-se um padrão de comportamento recorrente deste ministério e deste governo. Na Educação, onde mais do que em qualquer outro sector da governação é suposto dar bons exemplos e transmitir valores às novas gerações, este tipo de actuação contribui para descredibilizar a isenção e o rigor dos exames nacionais e o trabalho sério e honesto de milhares de professores que todos os anos contribuem para a sua realização. Representa uma falta de respeito para com os estudantes que se empenharam, estudando e dando o seu melhor para conseguirem bons resultados. E cria um sentimento de impunidade que só pode encorajar a repetição de situações semelhantes no futuro.

Polémicas de Verão: pirataria informática nos concursos

computer[1]Paulo Guinote manifestou ontem a sua indignação a propósito de um post no Facebook em que o sindicalista Luís Lobo acusa de fazer pirataria informática o blogue de Arlindo Ferreira, especializado em concursos e líder de audiências da chamada blogosfera docente.

Para quem não se apercebeu, embora hoje não se fale de outra coisa, ontem um senhor que é director do modelo de gestão que não é democrático (de nome Arlindo e que tem um blogue de que muita gente fala) e que é simultaneamente dirigente com redução da FNE, colocou online as listas de colocação do concurso interno de professores antes do próprio ME as ter divulgado oficialmente.

Desconhecia o texto, que sugere a prática de um crime informático na divulgação antes do tempo das listas de colocação do concurso de professores. Nela estariam envolvidos o autor do blogue e eventuais cúmplices, que poderiam inclusivamente estar a agir a partir do interior do ME, sendo pedida a intervenção das autoridades na investigação e eventual punição dos piratas.

Ora bem, creio que nem o facto de conhecer pessoalmente Luís Lobo ou a circunstância de ele ser dirigente do sindicato de que sou associado me devem inibir de reconhecer que não esteve bem. Primeiro pelo cariz de ataque pessoal, exagerado e perfeitamente escusado, nos moldes em que foi feito. Depois porque é contraproducente: havendo milhares de professores que seguem o Blogue de Arlindo e que valorizam o trabalho do seu autor, mais facilmente se viram contra o ressabiamento dos dirigentes da Fenprof, que Luís Lobo acaba por sugerir e corporizar, do que contra a alegada “pirataria” que tenderá a ser vista como mais um bom serviço prestado pelo blogger aos professores.

Dito isto, também não subscrevo uma posição que leio com demasiada frequência e que sugere que determinadas pessoas ou instituições – um blogue, neste caso – pelos relevantes serviços públicos que prestam, sem a tal estarem obrigadas, deveriam situar-se num patamar acima de qualquer escrutínio e de toda a crítica.

Na verdade, acho que se pode e deve questionar e criticar, e que é importante perceber que estar numa qualquer linha da frente em termos de notoriedade nos expõe ao fenómeno da crítica e do escrutínio público. O que se deve condenar – e isso faço-o, em qualquer circunstância – é o ataque pessoal, a calúnia, a suspeita sem fundamento e tudo aquilo que seja feito para denegrir ou desacreditar os opositores.

Sobre a trapalhada que foi a divulgação das colocações já escrevi atempadamente. Parece-me que houve acima de tudo incompetência a amadorismo da parte da DGAE. Mas também se pode legitimamente perguntar se é correcto divulgar informação que, embora conste dos sites oficiais, ainda não foi publicamente disponibilizada. Ressalvando que este nem foi o único blogue onde as listas foram divulgadas, diga-se que a guerra dos cliques e das visualizações não pode justificar tudo, e a obtenção de proventos económicos através de um site comercial, sendo em si mesma inteiramente legítima, surge neste contexto como uma variável a considerar.

Por outro lado, há a acrescentar que, se algumas páginas da blogosfera docente são mais visitadas do que os sites dos maiores sindicatos, isso talvez signifique que, em vez de invejar o êxito de certos bloggers, se devesse rever, isso sim, a estratégia comunicacional dos sindicatos com os professores. Melhorar a acessibilidade, actualizar o discurso, diversificar os conteúdos, fomentar a interacção com os utilizadores, introduzindo ferramentas como o chat ou a caixa de comentários e acrescentando serviços suplementares e diferenciadores para os associados: o caminho é aprender com os sites e blogues mais ambiciosos ou mais bem sucedidos, em vez de invejar o seu sucesso.

Já se sabe quem divulgou antecipadamente o exame?

exame[1]Bem me parecia que não.

Soube-se que um dos elementos da equipa que elaborou o exame de Português da 1ª fase do 12º ano divulgou antecipadamente, junto de alunos que eram seus explicandos, a matéria que iria sair na prova. Há indícios de que já teria cometido idêntica façanha em anos anteriores.

Mas saber-se quem foi e que medidas irão tomar perante o sucedido e para evitar que coisas destas se repitam, disso nada transpira.

Deve ser segredo de Estado, tal como a identidade dos autores das provas.

Na realidade, as preocupações do IAVE são outras…

O Instituto de Avaliação Educativa (Iave), responsável pela elaboração dos exames nacionais do ensino básico e secundário, quis restringir a reprodução comercial dos enunciados das provas, mas o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou por inviabilizar esta pretensão ao considerar que aqueles textos não estão sujeitos à protecção de direitos de autor, segundo apurou o PÚBLICO.

Colaborações: ComRegras

No Topo: Descoberta a autora da fuga de informação do exame de Português

Segundo o Expresso, as autoridades identificaram já a responsável pela divulgação antecipada de conteúdos da prova de exame de Português do 12º ano: uma professora de Português de uma escola pública da Grande Lisboa. Fez parte da equipa que elaborou as provas de exame, sendo ao mesmo tempo explicadora de um grupo de alunos do ensino secundário…

topo-e-fundo_ComRegras

No Fundo: Flexibilidade curricular

Duvido que o despacho que implementa a flexibilidade curricular, como experiência pedagógica, em cerca de 160 escolas e agrupamentos de todo o país, agrade à grande maioria dos professores. Que estão fartos de verem o respeito pelos seus direitos e a satisfação das suas justas aspirações eternamente adiados, ao mesmo tempo que se lhes oferece agora, como presente envenenado, uma “autonomia” que ninguém pediu…

Descoberta a autora da fraude no exame de Português

segredo.jpgUma professora de uma escola pública da Grande Lisboa que está envolvida na preparação dos exames nacionais foi identificada pelas autoridades como sendo a responsável pela fuga de informação relativa à prova de Português.

Segundo o Expresso, a docente dá explicações a alunos do ensino secundário e terá sido durante uma dessas aulas particulares que terá comentado informações relativas ao exame. Na sequência da fuga, uma aluna divulgou uma mensagem áudio na rede social WhatsApp em que descrevia as informações que uma amiga tinha acabado de receber.

De acordo com o mesmo jornal, não será a primeira vez que esta professora está envolvida numa questão destas. A docente faz parte há vários anos do grupo que prepara a prova de Português e, em anos anteriores, houve suspeitas não concretizadas que a explicadora tinha fornecido informações secretas aos alunos.

Ressalvando que se trata, para já, apenas de suspeitas, elas confirmam no entanto o que há muito tempo se vem notando: o secretismo e a falta de transparência na constituição das equipas que fazem as provas de exame, e o facto de não serem adequadamente salvaguardadas as incompatibilidades óbvias, como a de acumular estas funções com explicações particulares, potenciam fraudes e favorecimentos que provavelmente não apareceram só agora, mas que se tornam mais difíceis de esconder com o advento e a omnipresença das redes sociais.

Nem sindicalista, nem professora dos Salesianos: a professora suspeita de ter divulgado o teor da prova aos seus explicandos fazia parte da que equipa escolhida pelo IAVE para a sua elaboração. E continuava nessas funções apesar de, segundo o que agora é divulgado, já noutros anos se ter suspeitado de que não guardava segredo acerca do que iria sair nos exames.

E sem querer duvidar do empenho dos responsáveis ministeriais e judiciais no apuramento de toda a verdade, há que reconhecer que, não fosse a projecção pública e mediática que o caso teve, a tentação de o abafar seria mais do que óbvia. Mas fez-se o que era devido e, chegados a este ponto, resta apenas esperar que a investigação se conclua e o processo prossiga até às suas últimas consequências.

Apurar toda a verdade sobre esta fuga de informação, sabendo-se quem a executou e quem dela beneficiou, extraindo do sucedido todas as consequências legais e penais, é imperativo, não só para salvaguardar a imagem de credibilidade e rigor dos exames nacionais, mas sobretudo para defender a dignidade profissional de milhares de professores envolvidos, todos os anos, na elaboração, vigilância e classificação dos exames nacionais.

Confirmada a fraude no exame de Português

iave.JPGSegundo o Expresso, os investigadores da IGEC e do Ministério Público já não têm dúvidas: houve mesmo divulgação antecipada dos conteúdos do exame de Português do 12º ano, que pelo menos dois dias antes da prova já corriam pela internet.

As diligências feitas até ao momento, nomeadamente a análise ao conteúdo da gravação que circulou no WhatsApp dias antes da prova, permitiram afastar qualquer hipótese de ter existido uma mera coincidência entre o que a aluna afirmou que ia sair e as questões que efetivamente constavam no enunciado do exame.

Para já, a investigação em curso apurou que a informação circulou sobretudo entre estudantes de algumas escolas de Lisboa, entre as quais o Colégio dos Salesianos, frequentado pela aluna que fez a gravação. O que não significa que a fuga de informação tenha tido origem num professor ou funcionário daquela instituição. Nem que a mensagem não tenha chegado a outros pontos do país.

Registe-se, antes de mais, um ponto positivo: parece que, pela primeira vez, o ministério se prepara para assumir, empurrado pela força das circunstâncias, que o sistema de exames montado a partir do IAVE e assente em rigorosos secretismos e formalismos, não é à prova de fraudes. E que estas podem partir precisamente das pessoas que deveriam merecer a maior confiança, pois são seleccionadas pelo próprio IAVE, entre milhares de professores, para elaborarem e verificarem as provas de exame.

Reconheça-se, também, a impossibilidade prática de penalizar os alunos que tenham tido conhecimento prévio da mensagem: a partir do momento em que a informação circula nas redes sociais, é praticamente impossível comprovar quem teve ou não acesso a ela e, no primeiro caso, distinguir entre os que a tomaram como informação fidedigna e os restantes, provavelmente a maioria, que não deram especial importância ao que tomaram como mais um dos muitos boatos que costumam correr nas vésperas dos exames.

Centremo-nos então no fundamental da questão, aquele de onde se anda a fugir como o rabo da seringa: do universo muito restrito de pessoas com acesso à prova e cuja identidade nós, simples mortais, desconhecemos, mas que o todo-poderoso IAVE pode perfeitamente identificar, quem divulgou o que não devia? Quem é que colabora com o IAVE na feitura dos exames de Português e dá explicações da disciplina a alunos que vão fazer exame? Já agora, isto é permitido pelos contratos que estas pessoas assinam? E serão elas assim tão imprescindíveis à Educação portuguesa que o Estado deva continuar, não só a esconder a sua identidade, mas também a ser cúmplice com a prática de crimes, encobrindo e desculpando a evidente desonestidade?

Recorde-se que se um professor comum, desprotegido pelo IAVE, fizesse algo semelhante, apanharia por certo um processo disciplinar com vista ao despedimento. E o Expresso, que tem apesar de tudo o mérito de continuar a falar de um assunto que os restantes jornais parecem querer deixar cair, só nos diz, no entanto, meia verdade: é difícil provar quem beneficiou, mas não é impossível, nem será especialmente difícil, descobrir o autor da fuga de informação. Que é a única coisa relevante que, neste momento, falta saber.