Inquéritos inconclusivos

Os professores dos ensinos básico e secundário em Portugal, que responderam a um estudo da Universidade do Minho (UMinho), dividem-se na avaliação das medidas tomadas pela tutela no último ano para responder aos efeitos da pandemia nas escolas. O estudo do Centro de Investigação em Educação (CIEd) da Universidade do Minho foi agora apresentado, com a presença do secretário de Estado da Educação, João Costa.

A investigação “Perceções dos professores sobre o ensino à distância” consistiu num inquérito online em janeiro, com a colaboração das duas associações de diretores de escolas públicas, ao qual responderam 280 professores. Aqueles docentes avaliaram as políticas públicas aplicadas no primeiro confinamento (recursos no ensino à distância, acesso a computador e Internet, iniciativa #EstudoEmCasa, entre outras) e avaliaram também o arranque do presente ano letivo (recuperação das aprendizagens e condições sanitárias, por exemplo). No global, as medidas do Ministério da Educação foram consideradas inadequadas para 44% dos inquiridos, enquanto 35% concordaram e os restantes 21% não emitiram opinião.

Apresentado com pompa e circunstância numa sessão com a presença do SE Costa e com ampla divulgação na comunicação social, o estudo da Universidade do Minho é mais um daqueles trabalhos genéricos, inconclusivos e, com toda a franqueza, sem o mínimo de qualidade científica. Algo que entre nós se tornou regra, infelizmente, naquilo a que pomposamente gostam de chamar as “ciências da educação”, mas que em termos de rigor e método científico deixa muito a desejar. Gostaria, ao escrever sobre o assunto, de não fazer generalizações abusivas, mas quando o único elemento que é disponibilizado para consulta dos interessados é um documento-síntese que pouco ou nada acrescenta ao que a comunicação social veiculou, percebe-se que a encomenda cumpre objectivos mais políticos do que propriamente científicos. O que deveria envergonhar a universidade e os investigadores que o produziu.

Os estudos deste tipo, que pretendem avaliar sentimentos, percepções, opiniões ou estados de alma de uma classe profissional vasta e heterogénea, falham desde logo num ponto crucial, que é a representatividade da amostra. Se num universo de mais de 100 mil profissionais optam por interrogar menos de 300, haveria que assegurar que o grupo de respondentes é uma amostra fiel dos professores de todo o país, incluindo, de forma proporcional, idades, distribuição geográfica, níveis de ensino, grupos disciplinares, categorias profissionais. Não há indícios de que tal tenha sido feito. Aliás, a “colaboração” pedida às duas associações de directores sugere que os investigadores nem terão controlado directamente a constituição da amostra: bastou-lhes pedir aos senhores directores que passassem o link no GoogleForms ou similar a um determinado número de docentes, escolhendo quem bem entendessem.

Depois, a forma como estes formulários são geralmente construídos deixa também muito a desejar. Perguntas vagas, que podem ter sentidos contraditórios, ou construídas de forma a induzir determinadas respostas. Quanto a estas, muitas vezes as opções dadas para responder não se adequam ao que é perguntado ou ao que realmente se gostaria de responder. Neste caso em concreto, vemos uma maioria de professores a acusar o excesso de trabalho burocrático e depois a defender uma das coisas mais trabalhosas que se fazem actualmente nas escolas, as adaptações curriculares, com ganhos pedagógicos reais ainda por demonstrar. A única lógica que permite compreender isto é que se encomendam estudos, não para compreender a realidade e tomar melhores decisões, mas para caucionar políticas erradas previamente decididas.

Este panorama desolador nos estudos académicos sobre as escolas e a Educação vai alastrando, infelizmente, a outras áreas das ciências sociais. Quem é que não é regularmente convidado a responder a mais um inquérito, uma sondagem, um estudo nesta ou naquela área, partindo o convite, quase sempre, do correio institucional ou de amigos e conhecidos que têm um filho, um sobrinho, um amigo a fazer um trabalho de mestrado ou doutoramento e precisam de reunir rapidamente um número determinado de respostas, sejam elas de quem for? É preciso que se diga claramente que esta constituição de amostras ditas “aleatórias” não é ciência séria em parte nenhuma do mundo. Entre nós, também não deveria ser.

Um liberal desmascarado

Embora no discurso político a linguagem seja mais contida, e tentem disfarçar com alguma irreverência o mais puro egoísmo e falta de empatia, quando os autoproclamados liberais se soltam um pouco deixam bem à vista as pessoas egocêntricas, sem escrúpulos e mal formadas que nunca deixaram de ser.

Mas nem tudo está perdido, e o tweet infeliz, embora revelador, deu azo a centenas de comentários de desaprovação e de repulsa, de utilizadores que não se revêem na estupidez da atitude e muito menos no desprezo com que o desprezível Lobo se refere à involuntária companheira de viagem. Que certamente dispensaria a companhia pouco recomendável deste burgesso com o monco de fora.

O idiota, que diz que as máscaras não protegem, não consegue sequer perceber o básico: a máscara não serve tanto para lhe dar protecção a ele como para proteger os que o rodeiam, num espaço fechado onde não é possível o distanciamento físico.

Mas até se compreende. Trata-se de pensar nos outros, fazer alguma coisa pelo bem de todos em vez de estar cada um unicamente focado no seu interesse e no que entende ser a sua liberdade individual. Que ideias tão estranhas para as novas seitas de neoliberais, libertários, anarco-capitalistas e cripto-coisos…

O suicídio dos lemingues

A lenda de que os lemingues – não propriamente os lémures -, em certas ocasiões, se suicidam em massa, parece não passar disso mesmo: uma lenda, sem qualquer correspondência com a realidade.

Já a atracção pelo abismo que evidenciam tantos professores, que gastam o seu tempo e as suas energias em projectos que não trazem qualquer ganho aos seus alunos nem satisfação pessoal ou realização profissional aos próprios, essa continua a ser um mistério inexplicável.

Creio que terá sido idêntica perplexidade a inspirar Paulo Serra no cartoon que, com a devida vénia, aqui reproduzo.

O praxismo ataca de novo

Desta vez na Universidade do Minho, com um estúpido blackface que consegue ser ainda mais deprimente do que propriamente ofensivo.

Claro que o pessoal que faz estas coisas tem dificuldade não só em lidar com as críticas como em justificar porque as fez, e corre a apagá-las. Mas é difícil apagar por completo o rasto – uma vez na net, sempre na net. Embora nada se aprenda com ele, o vídeo aí está, em jeito de testemunho para a posteridade, no youtube. Mas é difícil vê-lo sem se sentir involuntariamente aquele sentimento constrangedor a que se costuma chamar vergonha alheia…

Durante a noite desta terça-feira, 8 de Dezembro, um vídeo de uma praxe na Universidade do Minho começou a ser divulgado nas redes sociais. Nele, um grupo de estudantes do curso de Biologia e Geologia foi filmado no âmbito da Latada, com roupa preta, saias feitas de palha, colares de latas e as caras pintadas de negro.

O que salta à vista é a pintura facial, conhecida como blackface”. Nos últimos anos, pintar a cara de negro tornou-se sinónimo de uma atitude racista, vista como uma forma de satirizar a comunidade negra. Vários líderes mundiais pediram publicamente desculpas depois de terem surgido fotografias suas em disfarces que implicaram o uso de blackface.

Através do vídeo, não é possível ver se todos os estudantes estavam juntos ao mesmo tempo, mas vários têm o mesmo cenário à sua volta. Ao longo do vídeo, os “caloiros” vão gritando hinos de curso, músicas de praxe e saudações a superiores hierárquicos na praxe; não é perceptível se o uso de blackface está associado a alguma mensagem, pelo que poderá ter servido para tentar ocultar a identificação dos estudantes.

Mas o que é isto?…

Como é possível, depois de tudo o que já sabemos sobre a propagação do coronavírus e do recrudescimento actual da pandemia, assistir a iniciativas destes no interior de uma escola?

Ainda não se percebeu que a chave para impedir ou dificultar as transmissões não está nos espaços físicos que alguém resolve decretar serem mais ou menos seguros, mas nos comportamentos das pessoas?

Faz sentido restringir a entrada dos pais na escola dos filhos e ao mesmo tempo escancarar a porta a estranhos e às suas iniciativas?

Arejamento dos espaços, uso de máscara, distanciamento físico: nenhuma destas regras está a ser cumprida. Não há ali nenhum adulto responsável, nenhuma pessoa com juízo? Não se percebe que é assim que começam os surtos e que, com a capacidade de acompanhar e tratar os doentes praticamente esgotada, é fundamental prevenir os contágios?

De que servem estados de emergência e recolheres obrigatórios se, em horário de expediente, vale tudo?

A minha perplexidade e indignação levar-me-iam a colocar mais questões, mas deixam-me, ao mesmo tempo, sem mais palavras para qualificar o inqualificável.

Acrescento apenas isto: pela amostra apresentada, o valor educativo deste evento é zero. Claro que há sempre uns artistas interessados em promover uns produtos nas escolas, funcionários de serviços educativos camarários que precisam de justificar os seus lugares e até professores candidatos ao xalente que fazem questão de contribuir para a vida da escola. Mas nada disto faz sentido para aqueles miúdos colocados para ali ao monte, a ouvir os adultos a dizer coisas tão irrelevantes que só a estes conseguem interessar.

Havia mesmo necessidade?…

Irresponsabilidades

Evolução de novos casos de covid-19, 30Set-5Nov. Fonte: site da DGS

Como explicar o recrudescer da pandemia em Portugal no último mês? É certo que a tendência de aumento do número de casos positivos se vinha a manifestar desde o Verão. No entanto, o crescimento era moderado, e o facto de os contágios se fazerem sobretudo entre camadas mais jovens da população, quase todos casos assintomáticos ou com sintomas ligeiros, permitiu que não se sentisse grande pressão nos serviços de saúde.

Em Outubro, a realidade mudou. De um número de novos casos diários inferior a 1000, passou-se, um mês depois, para uma média diária que já deverá andar acima dos 4000 – e ainda deverá continuar a aumentar nas próximas semanas. A transmissão comunitária está fora de controlo, como se constata ao ver a facilidade com que o vírus se voltou a propagar pelos lares da terceira idade.

As responsabilidades maiores, escrevi-o muitas vezes, pertencem aos responsáveis políticos, que demasiadas vezes cederam à tentação de combater o vírus a poder de retórica e demagogia, em vez de reforçar os recursos humanos e os meios de prevenção e intervenção necessários à contenção da pandemia.

Mas também há muitos cidadãos que não fizeram e continuam a não fazer a sua parte, cumprindo e fazendo cumprir as regras de segurança sanitária que impedem ou minimizam os riscos de contágio. Quando esses cidadãos têm responsabilidades públicas – autarcas e outras figuras influentes a nível local – ainda pior: além dos riscos que correm e fazem os outros correr, há um péssimo exemplo que passam para a comunidade. Com resultados que podem ser desastrosos, como se vê por este caso que surgiu na imprensa local…

Há vários casos positivos de Covid-19 resultantes de um casamento que decorreu no dia 24 de outubro, com cerimónia religiosa em Sepins, Cantanhede, e a boda em Quintãs, Aveiro.

Segundo a Administração Regional de Saúde do Centro, o referido surto teve origem num casamento com mais de 200 pessoas. Até ao momento estão confirmados seis casos positivos de Covid-19, aguardando-se os resultados de cerca de 30 testes realizados. “Os contactos dos casos positivos mantêm-se em isolamento profilático”, adiantou ainda a ARS.

De acordo com o Diário de Coimbra, na referida festa de casamento estiveram pessoas oriundas de vários pontos do país e funcionários de uma IPSS do concelho de Cantanhede.

Quem esteve no evento foi o presidente da União das Freguesias de Sepins e Bolho, Luís Arromba, que testou positivo à Covid-19

O problema era a Festa do Avante…

Percebe-se agora porque é que uma evento político-cultural como a Festa do Avante ou uma celebração religiosa como o 13 de Outubro em Fátima puderam, com as devidas restrições, realizar-se, mas os eventos desportivos continuam a ser altamente desaconselhados?

– Camaradas, mantenham o afastamento – e os camaradas cumprem.

– Irmãos, distanciai-vos uns dos outros – e os irmãos acatam.

Noutros lados, tanto os organizadores como o público demonstram que, juntos, são uma desgraça. Fazem o que querem, da forma como se sentem bem e que se lixe o covid.

Lixamo-nos mas é todos…

Já instalei

E agora, que tal deixarem-se de manobras de diversão e tratarem urgentemente das coisas sérias? Antes que a pandemia se torne imparável…

O reino da estupidez

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A praxe em Coimbra não vai ser suspensa devido à pandemia de covid-19, mas terá novas regras, como o uso de máscara, distanciamento e proibição de grupos com mais de dez alunos, afirma o Conselho de Veteranos.

Depois de já todas as principais cidades universitárias – Lisboa, Porto, Braga, Aveiro – terem cancelado as actividades praxísticas, o “Conselho de Veteranos”, essa anacrónica instituição que preside à praxe coimbrã, determinou a sua realização.

Uma decisão irresponsável que, em plena pandemia, em nada dignifica a Universidade de Coimbra. Uma instituição secular que, nos dias de hoje, deveria ser capaz de se afirmar de outras formas, que não o triste espectáculo dos caloiros e dos “doutores” a fazer macacadas pelas ruas e praças da cidade.

Em vez de almejar a liderança na inovação científica ou na qualidade pedagógica, a UC prefere remeter-se ao estatuto de universidade regional e disputar, com as universidades privadas e os politécnicos do interior, o campeonato das praxes mais estúpidas, insistentes e degradantes. Uma universidade que parece ter desistido de cativar os melhores alunos, contentando-se em acolher os cábulas e os folgazões.

O reino da estupidez: o epíteto foi posto há mais de duzentos anos a uma academia retrógrada e conservadora, cultivando a mediocridade e avessa a reformas e a mudanças. Assombrosamente, continua actual.

Silly Season educativa

silly-season…Ao compartimentar os saberes, não se favorece a perceção de que o conhecimento resulta dos contributos de várias áreas do saber. Pior, devido à existência de provas finais e exames, incentivam-se os sujeitos a socorrer-se da memória para corresponder a esses momentos de avaliação externa, os quais são igualmente reproduzidos nos momentos formais de avaliação escrita realizada por cada professor. Se é certo que temos consciência da importância dos exames nacionais para o desenho do percurso universitário do estudante, sabemos igualmente que avaliam uma parcela demasiado estreita do perfil que se deseja num cidadão à saída da escolaridade obrigatória (vd. Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória).

Se as disciplinas, iniciadas nas oficinas, nos colégios militares e nos conventos, fazem algum sentido numa organização económica e social reguladora e condicionadora dos indivíduos a um padrão de obediência, temos hoje a certeza de que, neste século XXI, a educação tem de ser libertadora dos indivíduos que frequentam a escola, promovendo a construção de conhecimento pelo próprio, favorecendo a autonomia, a responsabilidade, o espírito crítico e a criatividade.

Por isso, a escola deverá avançar no sentido de se tornar uma comunidade de aprendizagem que promove a comunicação e a construção de relações interpessoais sólidas. Desiste da divisão dos alunos em turmas e em ciclos e favorece a construção de percursos individuais de aprendizagem, partindo dos interesses manifestados por cada educando, sendo nos roteiros individuais que vão sendo construídos pelo educando em conjunto com os educadores que o aluno trabalhará significativamente as Aprendizagens Essenciais. Para que tal possa acontecer, será necessário o envolvimento dos professores, dos assistentes administrativos e operacionais, das famílias, dos alunos e de todos os voluntários que poderão enriquecer os percursos realizados individualmente e em grupo. O que é curioso é que, desde 2018, a legislação já permite todos estes avanços. Terá falhado a formação?!

O artigo de opinião, assinado por uma professora de Português e um “activista licenciado em Direito”, ambos militantes do Livre, desenrola o chorrilho de vacuidades e banalidades em torno da mítica “educação do século XXI”. Não é novidade, e sabemos que, pelo menos na teoria, estas ideias encontram eco no ministério e nas academias. Mas é deprimente ver, numa esquerda que pretende ser moderna e alternativa, o repescar acrítico de ideias pedagógicas datadas, nalguns casos com mais de cem anos.

Ao contrário do que por ali se diz, a divisão disciplinar dos saberes não decorre da imposição de um qualquer modelo autoritário e disciplinador. Afirma-se, desde a Antiguidade, como a forma mais eficaz de aprendizagem: ela permite estruturar e organizar os conhecimentos a adquirir, ao mesmo tempo que facilita a necessária especialização de quem estuda, investiga e ensina as diversas matérias. Porque é que a autora se identifica como “professora de Português” e não, seguindo a lógica que defende para a educação do nosso tempo, como uma ensinante de conhecimentos holísticos?

Na verdade, a debilidade da argumentação, patente no texto, só encontra paralelo na incoerência e falta de rasgo e ambição dos autores. Então querem deitar abaixo a escola como a conhecemos tomando como referência essas bíblias do situacionismo educativo que são o Perfil dos Alunos e as Aprendizagens Essenciais? De certeza que invocam os exames nacionais, cada vez mais centrados nas competências e menos nos conhecimentos, para contestar o apelo à memorização? E como é que não são capazes de, sendo coerentes com o modelo de escola que defendem, rejeitar todo o tipo de exames, em vez de invocar a sua importância para a definição dos “percursos universitários” – justamente a dimensão mais contestada e discutível do actual modelo de avaliação externa?

Por outro lado, nenhuma criança “constrói o seu conhecimento”; aprender é uma construção social. E mesmo os “percursos individuais” de que hoje se fala só fazem sentido quando erigidos a partir de um conjunto de conhecimentos e competências de base solidamente estruturados. Ou alguém imagina que um cientista, um músico, um artista ou um escritor nascem de geração espontânea, sem necessidade de muito estudo, aplicação e esforço? O que leva a outra questão: a partir de que idade é aceitável que uma criança ponha de parte o estudo da Matemática, da Língua Materna, do Inglês ou da Educação Física – para dar apenas alguns exemplos – para seguir o seu próprio “roteiro”? E o que é relevante que conheça, destas matérias, antes de decidir se lhe interessam ou não? A existência de níveis de ensino e currículos formais dá respostas concretas a este tipo de questões. Mas quando tentamos irresponsavelmente desconstruir o currículo, há que ter consciência de que vamos prejudicar, em nome de uma escola supostamente mais prazerosa e certamente mais facilitista, o futuro de muitos alunos, que não obterão, através do seu meio social e familiar, o que a escola deixou de lhes proporcionar.

Neste ponto, curiosamente, os extremos tocam-se: estou a lembrar-me daquele pai que proibiu os filhos de irem às aulas de Cidadania. E a achar muito semelhantes, na defesa de um currículo feito à medida dos seus interesses e preconceitos, a atitude do pai de direita e a do “activista de Direito” que talvez não ache que o estudo da Matemática, da Física ou de qualquer outra matéria chata ou difícil seja suficientemente “libertador”…

Numa prosa lamentavelmente seguidista do eduquês do regime – e dos ditames da OCDE e do internacionalismo educativo das multinacionais e das fundações – não falta sequer o lugar-comum da falta de formação. Mas creio que, neste ponto, se terão enganado. Para aplicar ideias tão absurdas, o que pretendem não será formatação dos professores?…