Ajudas no TPC: só desajudam…

deberes_padres.jpgEm Espanha, onde a discussão em torno dos trabalhos de casa surge muito polarizada, foi publicado há dias um estudo interessante sobre o assunto, realizado nas Astúrias. Fugindo ao eterno dilema de ser contra ou a favor dos TPC, os investigadores analisaram a forma como os pais de alunos que frequentam o equivalente ao nosso 8.º ano de escolaridade se envolvem no quotidiano escolar dos filhos adolescentes.

Verificaram, sem grande surpresa, que o envolvimento das mães tende a ser maior e mais efectivo do que o dos pais. E cruzaram o tipo de acompanhamento que é dado em casa com os resultados obtidos pelos alunos na escola. As conclusões também não nos deverão surpreender…

Alunos com pais que os ajudam a fazer os TPC ou que os supervisionam de forma sistemática obtêm piores resultados académicos do que os que pertencem a famílias onde se fomenta a sua autonomia e se mantêm conversas em casa sobre como vão correndo os estudos ou os amigos, mas sem se centrarem em aspectos específicos do trabalho escolar.

O que está aqui em causa são, evidentemente, a autonomia e a responsabilidade do aluno. Idealmente, o TPC deve ser uma tarefa que o aluno seja capaz de realizar autonomamente, desenvolvendo o seu sentido de responsabilidade. Mas nem sempre isso sucede. Percebendo a necessidade de apoiar a vida escolar dos filhos, mais de 90% das famílias, revela o estudo, tenta fazer a sua parte.

O estudo fala de dois estilos de envolvimento familiar. Um é mais comunicativo e nele os pais mantêm conversas sobre a escola com seus filhos para discutir técnicas e hábitos de estudo, relacionamentos pessoais na sala de aula e motivação, e raramente se concentram em aspectos concretos das tarefas escolares. O outro é mais directivo e controlador e menos comunicativo e nele os pais concentram as suas interacções na ajuda, supervisão e controle dos deveres e, com frequência, envolvem-se directamente na sua realização.

Outra constatação significativa: nas escolas em que predominam alunos de famílias comunicativas, além de os resultados médios serem melhores, existem também menos diferenças entre os alunos: o sistema torna-se mais equitativo.

O estudo deixa também algumas dicas sobre a importância da comunicação entre escola e família. E mostra como, por vezes, uma informação mal compreendida pode ter um efeito oposto ao pretendido…

Se, durante uma reunião, o director de turma disser aos pais que os seus filhos não costumam terminar os trabalhos de casa ou fazem-nos mal, no dia seguinte os pais começarão a ajudá-los a fazê-lo. Este tipo de informação irá automaticamente torná-los mais controladores.

Portuguesas exaustas

mulherO estudo, patrocinado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, envolveu uma amostra significativa da população feminina portuguesa: quase 2500 mulheres entre os 18 e os 64 anos foram entrevistadas.

A maior parte das conclusões não são surpreendentes – confirmam o que há muito se sabe sobre a lenta conquista de direitos, os avanços na escolarização feminina, que já supera a do sexo oposto, e o acesso a empregos mais qualificados.

Contudo, no quotidiano, parece subsistir uma sobrecarga de trabalho doméstico e familiar que recai sobre elas: são muitas as mulheres portuguesas que se sentem exaustas, infelizes e deprimidas…

Traçando um desenho geral do ciclo de vida do sexo feminino em Portugal, o estudo permite dizer ainda que, em média, entram no mercado de trabalho aos 20 anos, saem de casa dos pais por volta dos 23 e foram mães aos 27 anos. Mas ajuda também a concluir que não está feliz.

maioria das mulheres portuguesas (51%) estão descontentes com a sua vida laboral e 44% admitem mesmo que o seu emprego está abaixo ou muito abaixo das expectativas.

Em Portugal, elas estão sempre ou quase sempre “demasiado cansadas”. E tal pode refletir-se na saúde. Uma em cada dez toma diariamente medicação para a ansiedade, distúrbios de sono ou antidepressivos – ainda que a maioria continue a ser pautada por mulheres que nunca necessitaram de recorrer a estes medicamentos.

Mas estas são conclusões que dizem respeito ao campo profissional, mas também doméstico, e podem ser justificadas “se tivermos em conta o escasso tempo que muitas mulheres dispõem para si próprias nos dias úteis”, pode ler-se no documento enviado ao DN.

Durante o ciclo de conferências A Mulher, Hoje, realizado na Aula Magna da Reitoria Clássica de Lisboa, nesta terça-feira, Laura Sagnier disse que, quando questionou as mulheres sobre o que é mais importante no seu emprego ideal, “elas responderam que era a conciliação do tempo” para si e para o trabalho. “Inverteu-se o tempo que temos para nós com o tempo para o trabalho”, explicou.

Em mais de dois terços dos casais, as mulheres fazem muito mais do que o companheiro. Em média, elas ainda efetuam 74% das tarefas domésticas, contra os 23% que o companheiro efetua. E, de acordo com a investigação, “serão necessárias cinco a seis gerações para que se alcance uma distribuição equilibrada das tarefas domésticas entre sexos”, entre os casais em que ambos têm trabalho pago.

Talvez por isso, o que grande parte das mulheres, a partir dos 28 anos, deseja é a possibilidade de “conciliar bem o trabalho pago com a vida pessoal e familiar”.

A verdade sobre o tempo de serviço

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A recuperação integral do tempo de serviço dos professores teria, segundo o Governo afirmou repetidas vezes, um custo anual de cerca de 630 milhões de euros. Mesmo a quem percebe pouco de finanças, como é o meu caso, mas ainda não esqueceu como se fazem as operações aritméticas básicas, o valor parece excessivo. A verdade é que os cálculos que o fundamentam nunca foram apresentados e nem mesmo o grupo de trabalho, criado na sequência da greve às avaliações, que deveria produzir uma estimativa rigorosa dos custos das progressões, apresentou quaisquer resultados.

Pois bem, o nosso colega Maurício Brito pegou em números que são do conhecimento público – quantos professores havia, no fim do período do congelamento, em cada escalão da carreira docente, e respectivos vencimentos – e colocou-os numa folha Excel. Simulou depois a progressão de dois escalões para todos os docentes, mesmo os que estariam, no 4.º e no 6.º, sujeitos a quotas.

Surpreendentemente, ou talvez não, os valores obtidos são muito inferiores à estimativa governamental: 481 milhões de euros de aumento da despesa bruta, que se reduzem a 232 milhões – ou seja, menos de metade – se tivermos em conta que grande parte dos aumentos se traduziriam em subidas nos escalões do IRS e maiores descontos para a CGA. Mesmo não considerando estes últimos, a despesa não iria além dos 290 milhões.

Os resultados e o ficheiro Excel em que se baseiam as contas foram ontem publicados n’O Meu Quintal. Aqui, além de agradecer ao Maurício Brito e ao Paulo Guinote a iniciativa e a sua divulgação, dou o meu contributo para algo que exorto todos os professores a fazer também: partilhar e divulgar, fazendo chegar estes números ao maior número possível de pessoas.

Quando quem governa recorre à desinformação, à ocultação de dados e à mentira para defender as suas posições, isso só se combate eficazmente pela divulgação dos factos e pela defesa intransigente da verdade, do direito à informação e da transparência na relação do poder político com os cidadãos.

Ah, a Matemática!…

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Eterna recordista do insucesso escolar, mal-amada por muitos alunos, mas também apreciada por bastantes, que se deixam seduzir pela disciplina, o ensino da Matemática vai ser estudado em profundidade. A prioridade do grupo de trabalho, já nomeado para o efeito, será o insucesso na disciplina.

Matemáticos, professores de ensino básico e secundário, especialistas em educação. No total, dez professores integram o grupo de trabalho, formalmente constituído esta sexta-feira através de um despacho publicado em Diário da República, que vai estudar o “fenómeno do insucesso” a Matemática no ensino básico e secundário e fazer recomendações para melhorar o ensino, aprendizagem e avaliação desta disciplina.

Anunciado em Março, o grupo é coordenado pelo matemático Jaime Carvalho e Silva, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O despacho define que parte do trabalho será de análise à evolução dos resultados a Matemática nas duas últimas décadas: o histórico de taxas de sucesso, das taxas de recuperação, dos programas da disciplina, da eficácia de medidas de apoio e das metodologias de ensino, entre outros parâmetros. Importa perceber se foram, afinal, eficazes e eficientes os diferentes planos e medidas dirigidas à melhoria das aprendizagens e à promoção do sucesso escolar adaptados nos últimos anos.

[…] Além do coordenador, integra o grupo de trabalho – não remunerado – Luís Gabriel, da Direcção-Geral da Educação, e os professores universitários Ana Paula Canavarro, do departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora, Carlos Albuquerque, do departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Maria Leonor dos Santos, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Mais os professores de Matemática de 3.º ciclo e secundário Helder Martins, da Escola Secundária António Damásio (Lisboa), João Almiro, da Secundária de Tondela, e Paulo Correia, da Secundária de Alcácer do Sal. Ainda Célia Mestre, professora de ensino básico na escola de Vale Flores (Feijó), e Olga Seabra, docente de Matemática e Ciências da Natureza do 2.º ciclo na Escola Básica do Sobrado (Valongo).

Sem me querer antecipar ao trabalho desta equipa, diria que a falta de uma linha de rumo coerente a nortear o ensino da Matemática contribuiu fortemente para as dificuldades de aprendizagem na disciplina e os fracos resultados médios obtidos pelos alunos, sobretudo ao nível da avaliação externa.

A solução não podem ser programas extensos e desajustados da idade dos alunos, como defendeu Nuno Crato, acreditando que o aumento da exigência conduziria, por si só, a um maior esforço de alunos e professores e, consequentemente, melhores resultados. Mas também não pode passar pelo facilitismo irresponsável da “matemática divertida” ou das teorias estupidificantes que tentam amarrar o estudo da disciplina a realidades e problemas concretos, descurando a abstracção.

Registo com agrado a integração na equipa de verdadeiros professores, e não apenas dos habituais burocratas e investigadores, tantas vezes ignorantes do que é a realidade concreta do quotidiano das salas de aula. Espero que este grupo de trabalho possa estudar com independência e rigor os problemas do ensino da Matemática, indo além do discurso formatado e repetitivo dos relatórios da DGEEC ou da OCDE. E que as conclusões do estudo não estejam, como é tão habitual entre nós, definidas à partida…

Quando os alunos não gostam da escola

escola-aborrecida.JPGEstudo revela que cerca de 30% dos adolescentes dizem não gostar da escola, apontando que “o pior” é a comida do refeitório e as aulas e o “menos mau” os intervalos. Segundo o mesmo estudo, mais de oito em cada dez adolescentes consideram-se felizes, no entanto quase 20% tiveram comportamentos autolesivos pelo menos uma vez no último ano.

O estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) 2018, uma iniciativa da investigadora Margarida Gaspar de Matos, da Universidade de Lisboa, e da Equipa Aventura Social, é realizado em colaboração com a Organização Mundial de Saúde e conta com a participação de 44 países. Em Portugal, o primeiro estudo foi realizado em 1998, celebrando agora 20 anos.

Do estudo internacional sobre os adolescentes destacou-se por cá, convenientemente, a ideia de que quase um terço dos jovens portugueses não gosta da escola. E embora a maior queixa até tenha a ver com a comida das cantinas, percebe-se que aos divulgadores destes estudos interessa sobretudo o pretexto para debitar um estribilho bem conhecido: que as aulas não têm interesse, que as matérias aborrecem os alunos, que os professores não os motivam e que, na maior parte do tempo, os alunos são remetidos a um papel passivo e pouco participativo.

Não nego a necessidade de a escola, sem esquecer a sua finalidade nem perder a sua identidade, continuar a procurar formas de ir ao encontro dos interesses, necessidades e motivações das crianças e dos jovens dos nossos dias. Que no essencial não serão, ainda assim, tão diferentes dos de gerações passadas. Mas, ao contrário de alguns apóstolos das não-tão-novas pedagogias, custa-me acreditar em aprendizagens puramente intuitivas, fáceis, rápidas e sempre divertidas. Aprender às vezes custa, exige concentração, esforço intelectual, memorização, trabalho, repetição. E é natural que a juventude nem sempre esteja para aí virada, e ache “secantes” a escola e as suas obrigações.

Mas há um outro ponto importante a este propósito que me parece estar a ser convenientemente ignorado: a par do aumento do número dos jovens que não gostam da escola, deu-se o alargamento da escolaridade obrigatória. Somos hoje um dos poucos países do mundo que obriga jovens de 16 ou 17 anos a andarem na escola contrariados. É certo que a imposição da escolaridade de 12 anos teve um amplo apoio parlamentar, mas também é verdade que esteve longe de reunir um consenso tão alargado entre profissionais e especialistas da Educação.

Pelo que, antes de se tentar crucificar uma vez mais a escola e os professores, conviria colocar primeiro outra questão: se há uma minoria de jovens que, aos 14 ou 15 anos, não gostam de estudar, fará sentido tê-los na escola obrigados até aos 18?

E mais: se temos de manter toda a gente na escola até atingir a maioridade, até que ponto aceitaremos que a escola deixe de o ser, e se transforme noutra coisa, para que estes jovens, que não gostam de estudar, gostem de lá andar?…

OCDE recomenda a aposentação antecipada dos professores

professor-idosoFacilitar a aposentação voluntária dos professores mais velhos, abrindo ao mesmo tempo a profissão a docentes mais jovens e mais “flexíveis”: agora que até a OCDE aponta ao Governo aquilo que há muito é evidente, será que irão pensar seriamente no assunto?…

Para a OCDE, a aposentação voluntária e sem penalizações seria uma forma de oferecer um mecanismo “para que professores mais velhos pudessem abandonar uma carreira cognitiva e fisicamente desgastante de uma maneira digna”.

Por outro lado, o relatório aponta esta como uma solução que poderá também ajudar a diminuir o absentismo na profissão e as consequências negativas que isso leva para dentro das escolas. Outro aspeto positivo destacado pela OCDE é que, ao haver uma diminuição do corpo docente através de aposentações voluntárias, isso abriria vagas nas escolas que poderiam ser ocupadas por uma nova vaga de professores mais novos — e estes “poderiam receber formação de acordo com as prioridades nacionais”, de forma a modelar-se uma próxima geração de professores capaz de responder a essas metas.

A OCDE ressalva ainda que, com este movimento, há também ganhos orçamentais para o país, já que mudando o perfil etário da profissão docente substitui-se professores seniores com salários altos por docentes em início de carreira que têm, naturalmente, salários mais reduzidos.

Mas mexer nas regras da aposentação não basta. A OCDE refere dois outros fatores que têm de andar de mão dada com esta solução, caso ela fosse adotada pelo Governo português. Para captar professores mais novos, sugere que seriam necessárias mexidas nas tabelas salariais. A hipótese apontada era transferir os maiores aumentos salariais — aqueles que são alcançados por via da progressão na carreira — para os primeiros anos de profissão, tornando os aumentos subsequentes menores.

O relatório sobre os recursos escolares em Portugal, disponível no site da OCDE, analisa detalhadamente um vasto conjunto de problemas e desafios que enfrenta, no presente e num futuro próximo, a Educação portuguesa. Entre estes, o envelhecimento do corpo docente assume um lugar de destaque.

A verdade é que, se nada for feito entretanto, assistiremos daqui a uns dez anos, ou talvez ainda mais cedo, a uma saída em massa de profissionais docentes, sem que estejam a ser devidamente preparados os que os irão substituir. Os cursos de formação de professores deixaram de ser atractivos e os docentes que sairão das escolas superiores e das faculdades serão, em breve, insuficientes para substituir, em quantidade e em qualidade, os que se irão aposentando.

Isto induzirá um grave desequilíbrio na composição etária do corpo docente: entre os jovens inexperientes e os mais idosos à beira da reforma, irão faltar, nas escolas, professores com dez a quinze anos de serviço, uma fase crucial da carreira em que se adquiriu já experiência, maturidade e auto-confiança mas ainda não se perdeu a energia da juventude e se continua aberto a novos desafios. Esta é uma realidade à vista de todos, mas que talvez se torne mais compreensível agora, com a análise dos peritos da OCDE…

O status do professor na aldeia global

Além de se dedicar a escolher, anualmente, o professor do ano – ou seja, aquele que melhor corresponde às expectativas que as organizações internacionais têm sobre a profissão docente – a Fundação Varkey também investiga, de tempos a tempos, o status dos professores no mundo globalizado.

O índice Global Teacher Status, elaborado com recurso a técnicas estatísticas complexas, compara a valorização social dos professores do ensino básico e secundário de 35 países relativamente a outras profissões, tendo também em conta o “respeito” que os alunos sentem pelos seus professores.

Claro que os resultados deste tipo de estudos estarão sempre imersos numa elevada dose de subjectividade, como será inevitável quando se que tenta quantificar sentimentos, convicções ou estados de alma relativamente ao “respeito” ou ao “status” que é socialmente atribuído aos professores.

Ainda assim, os dados apresentados no relatório deste ano têm o seu interesse. Ao confirmarem, por exemplo, que continuam a ser as culturas orientais as que mais valorizam os professores. Entre os dez primeiros lugares do ranking não há um único país europeu ou americano. A China, com o índice 100, está no topo do ranking e serve de referência à classificação dos restantes países.

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Quanto a Portugal, o 23º lugar coloca-nos na metade inferior da tabela, embora o status dos professores portugueses tenha evoluído positivamente – de 26 para 32,9 – em relação ao estudo anterior, feito em 2013. Já o Brasil situa-se, sem apelo nem agravo, na última posição do ranking. Juntamente com Israel, o penúltimo da lista, continua a ser um dos países do mundo onde é mais difícil e ingrato ser professor…

Menos de 1 em cada 10 brasileiros (9%) acha que os alunos respeitam seus professores em sala de aula – também o último lugar do ranking. Para efeito de comparação, a China é país com a melhor avaliação: lá, 81% das pessoas acreditam que os docentes são respeitados pelos alunos. […]

A pesquisa também mostra que há pouca compreensão do trabalho e da remuneração dos professores. Enquanto os entrevistados acreditam que os docentes trabalham, em média, 39,2 horas por semana, os profissionais relatam 47,7 horas dedicadas semanalmente ao ofício de ensinar – quase 20% a mais. […]

O levantamento mostra ainda que 88% dos brasileiros consideram a profissão de professor como sendo de “baixo status” – o segundo pior lugar do ranking mundial, perdendo apenas para Israel, onde 90% dos cidadãos pensam da mesma forma. Talvez por isso, apenas 1 em cada cinco brasileiros incentivariam o filho a ser professor, a sétima pior posição global. Em comparação, na Índia, 54% dos pais dizem que encorajariam o filho a ensinar.

Diante do cenário caótico, é natural que os brasileiros classifiquem seu sistema de ensino como ruim – melhor apenas que o egípcio: enquanto o Brasil leva nota 4,2, o país africano é avaliado em 3,8 por seus cidadãos.

Voltando a Portugal, gostaria de deixar uma última nota: embora não seja dos países que mais desconsideram os seus professores, há uma realidade, reportada por este estudo, que é reveladora: quase todos os inquiridos afirmaram que desencorajariam um filho que quisesse enveredar pela profissão de professor. Pior do que nós, nem mesmo o Brasil. Apenas, mas eventualmente por razões diferentes das nossas, a Rússia, Israel e o Japão. Dá que pensar…

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O estudo completo pode ser descarregado daqui.