Músicas de Verão: Danza Invisible – A este lado de la carretera

Para quem não reconheceu, é uma recriação espanhola do clássico de Van Morrison, Bright Side Of The Road

O fim do ano lectivo em 25 imagens – III

Última parte da sequência de tweets que ilustra brilhantemente, em imagens de filmes de animação, as peripécias e afazeres do final de ano lectivo nas escolas espanholas. Mas bem poderia ser, afinal de contas, numa qualquer escola portuguesa.

Boas férias!

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O fim do ano lectivo em 25 imagens – II

Continuação da série ilustrativa, gráfica e bem humorada, do final do ano lectivo. Adaptado da conta Twitter Dilo en voz alta

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O fim do ano lectivo em 25 imagens – I

Com quase todos os alunos já de férias – excepto alguns retardatários que se deixaram ficar para os exames da 2.ª fase – recordo algumas das típicas cenas do final de ano lectivo. O trabalho original, que traduzi e adaptei, é da inspiradíssima conta Twitter Dilo en voz alta. Os bonecos são de diversas animações Disney. Quanto à realidade escolar aqui retratada, está longe de se restringir ao país vizinho… 

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Ajudas no TPC: só desajudam…

deberes_padres.jpgEm Espanha, onde a discussão em torno dos trabalhos de casa surge muito polarizada, foi publicado há dias um estudo interessante sobre o assunto, realizado nas Astúrias. Fugindo ao eterno dilema de ser contra ou a favor dos TPC, os investigadores analisaram a forma como os pais de alunos que frequentam o equivalente ao nosso 8.º ano de escolaridade se envolvem no quotidiano escolar dos filhos adolescentes.

Verificaram, sem grande surpresa, que o envolvimento das mães tende a ser maior e mais efectivo do que o dos pais. E cruzaram o tipo de acompanhamento que é dado em casa com os resultados obtidos pelos alunos na escola. As conclusões também não nos deverão surpreender…

Alunos com pais que os ajudam a fazer os TPC ou que os supervisionam de forma sistemática obtêm piores resultados académicos do que os que pertencem a famílias onde se fomenta a sua autonomia e se mantêm conversas em casa sobre como vão correndo os estudos ou os amigos, mas sem se centrarem em aspectos específicos do trabalho escolar.

O que está aqui em causa são, evidentemente, a autonomia e a responsabilidade do aluno. Idealmente, o TPC deve ser uma tarefa que o aluno seja capaz de realizar autonomamente, desenvolvendo o seu sentido de responsabilidade. Mas nem sempre isso sucede. Percebendo a necessidade de apoiar a vida escolar dos filhos, mais de 90% das famílias, revela o estudo, tenta fazer a sua parte.

O estudo fala de dois estilos de envolvimento familiar. Um é mais comunicativo e nele os pais mantêm conversas sobre a escola com seus filhos para discutir técnicas e hábitos de estudo, relacionamentos pessoais na sala de aula e motivação, e raramente se concentram em aspectos concretos das tarefas escolares. O outro é mais directivo e controlador e menos comunicativo e nele os pais concentram as suas interacções na ajuda, supervisão e controle dos deveres e, com frequência, envolvem-se directamente na sua realização.

Outra constatação significativa: nas escolas em que predominam alunos de famílias comunicativas, além de os resultados médios serem melhores, existem também menos diferenças entre os alunos: o sistema torna-se mais equitativo.

O estudo deixa também algumas dicas sobre a importância da comunicação entre escola e família. E mostra como, por vezes, uma informação mal compreendida pode ter um efeito oposto ao pretendido…

Se, durante uma reunião, o director de turma disser aos pais que os seus filhos não costumam terminar os trabalhos de casa ou fazem-nos mal, no dia seguinte os pais começarão a ajudá-los a fazê-lo. Este tipo de informação irá automaticamente torná-los mais controladores.

Eleições Gerais em Espanha

eleicoes-espanha-2019

O PSOE é o vencedor claro das eleições espanholas ontem realizadas, embora os 29% obtidos o deixem muito longe da maioria absoluta.

Já o PP, partido que dominou a direita espanhola desde a restauração da democracia, registou uma derrota estrondosa, saindo destas eleições quase reduzido à dimensão do seu mais directo rival à direita, o Ciudadanos.

Tal como em Portugal – e em quase todos os países europeus – também em Espanha parece ter passado à História o tempo das maiorias de um só partido. O desencanto com os políticos torna o eleitorado mais volátil. Não só as fidelidades partidárias são cada vez menores, como o aparecimento de novos partidos contribui para a dispersão do voto. O que é sempre uma boa notícia, sobretudo se se traduzir no confronto democrático entre projectos alternativos e não numa mera alternância no poder entre dois grandes partidos.

Outro aspecto positivo a registar nestas eleições é a participação relativamente elevada dos eleitores. Quase 80% dos espanhóis exerceram o seu direito de voto, muito mais do que tem sido habitual nas eleições portuguesas.

Quanto aos cenários pós-eleitorais, o mais provável será uma coligação à esquerda entre o PSOE e o Unidas Podemos, que ainda assim necessitará do apoio de um ou mais partidos regionalistas para alcançar uma maioria absoluta. Com 15 deputados eleitos, a esquerda republicana da Catalunha – Esquerra – será o mais óbvio candidato, embora a complicada situação política da Catalunha possa condicionar os acordos pós-eleitorais.

Contudo, se a formação da geringonça espanhola ficar comprometida, será mais fácil encontrar, no novo quadro político, uma solução alternativa: uma coligação entre o PSOE e o Ciudadanos, que em conjunto somam 180 mandatos, não precisaria de mais nenhum apoio para formar uma maioria parlamentar, que necessita de 176 deputados. Embora não a assumam como a solução mais desejável, a verdade é que nenhum dos dois partidos descartou definitivamente esta hipótese. Pelo que é uma possibilidade não deixará de condicionar as complexas negociações dos próximos dias…

Portugal, a nova Finlândia

Finland-Portugal.jpgUma nova Finlândia, a estrela emergente nos relatórios PISA. É desta forma entusiástica que o El País caracteriza a Educação portuguesa. O pretexto foi a entrevista que Tiago Brandão Rodrigues concedeu a este jornal.

Quanto à peça jornalística, o interesse não reside tanto nas declarações do ministro – essencialmente generalidades, na linha do que vai também dizendo por cá – mas sobretudo no olhar que, do país vizinho, se projecta sobre o nosso sistema educativo.

Ao contrário de que sucedeu entre nós, em Espanha o ensino privado com financiamento público tem ganho força nos últimos anos, sobretudo nas regiões mais ricas, como a Catalunha ou a Comunidade de Madrid, acentuando a desigualdade e as assimetrias no acesso à educação e nos resultados escolares. Olham por isso com alguma admiração para a capacidade que o governo português teve de enfrentar com sucesso o poderoso lobby dos colégios privados.

Quanto aos resultados dos testes PISA, enquanto Espanha tem conhecido uma estagnação, em Portugal tem-se registado, ao longo dos anos uma subida consistente. Embora se refiram a 2015, os últimos resultados disponíveis destes testes situam o nosso país acima da Espanha. Mas claro que não faz sentido atribuir as melhorias ao actual governo, que ainda não estava sequer em funções quando os alunos foram avaliados.

Outras realidades da educação portuguesa que o El País assinala:

O país destaca-se também na autonomia das escolas, na inovação pedagógica, na gratuitidade dos manuais escolares e na intensa formação de professores. Mas, desde o Verão, os docentes protestam para que se lhes reconheça a antiguidade laboral que lhes foi congelada com a crise.

Dando de barato a “inovação pedagógica” – um mero requentar de teorias educativas dos anos 90 – e a “formação”, escassa e de qualidade no mínimo duvidosa, há outros progressos assinaláveis que mostram como, partindo de uma realidade mais desfavorável, Portugal conseguiu suplantar, a vários níveis, o país vizinho. É o caso, por exemplo, do abandono escolar precoce (12,6% contra 17,9%), da escolaridade obrigatória (12 anos versus 10) ou da formação inicial dos professores e educadores – em Portugal, todos os cursos de formação de docentes têm o grau de mestrado, algo que ainda não sucede em Espanha. E com 97,5% dos alunos com necessidades especiais integrados em escolas regulares, Portugal lidera também na educação inclusiva.

A notícia não o refere, mas há outra diferença importante entre os dois sistemas educativos, e ela refere-se aos professores. Lá como cá, abundam as queixas em relação ao excesso de trabalho, à falta de apoio e de reconhecimento da tutela, às turmas grandes e ao rumo errático que tantas vezes leva a Educação. Mas parece haver, entre os colegas espanhóis, um debate de ideias talvez mais rico, uma contestação das políticas vigentes assente num pensamento crítico e reflexivo sobre a profissão. Por cá, critica-se muito, mas quando chega a altura de fazer o que nos mandam, não faltam aqueles que, na ânsia de ficar bem vistos, fazem ainda mais do que lhes pedem. Mesmo quando não acreditam verdadeiramente no trabalho que estão a realizar.

E é isso que permite ao nosso ministro cantar de galo, vangloriando-se perante a jornalista espanhola do êxito das suas reformas:

Não é preciso ser impositivo, as escolas vêem que se confia nelas e responderam muito bem.