Um ministro pouco bravo

O ministro da Educação deixou esta terça-feira  “bravos” às escolas, professores, pessoal não docente, alunos e famílias pela forma como decorreu o primeiro período de ensino presencial em tempos de pandemia, mas não respondeu a qualquer pergunta da oposição.

No final do debate parlamentar de urgência pedido pelo PSD sobre educação, Tiago Brandão Rodrigues gastou os seis minutos disponíveis para fazer um cerrado ataque aos sociais-democratas, quer em matéria de educação quer, até, acusando-os de “patrocinar” o partido Chega.

“O PSD traz-nos aqui o que aconteceu entre 2011 e 2015 [período de Governo PSD/CDS-PP], um tempo de querubins e de querubinas, um tempo de serafins e de serafinas. E agora só Lucíferes, Belzebus, entes cornudos que existem por aqui a trabalhar a educação”, ironizou.

Tiago Brandão Rodrigues continua tão alheado dos problemas e das realidades do sector que tutela como quando, já lá vão cinco anos, se tornou ministro da Educação. Deixando a tutela pedagógica sobre as escolas ao secretário de Estado que é, cada vez mais, o ministro de facto, empurrando a gestão administrativa e financeira e as obras escolares para as autarquias e mandando cumprir, em tudo o resto, as orientações do Ministério da Saúde e do das Finanças, continua sem se perceber bem para que serve este ministro que, em vez de falar com as pessoas, compreender os problemas e construir consensos em torno das melhores soluções, prefere fechar-se no seu gabinete. De onde sai, de quando em vez, para ir à bola, a inaugurações de algo em escolas amigas ou, como foi ontem o caso, para dizer uns disparates.

Na verdade, o número natalício ontem protagonizado por TBR no Parlamento não é propriamente original. É relativamente frequente que políticos medíocres, sem estratégia, conhecimento dos dossiers ou capacidade de resposta ensaiem o caminho da chicana política, atacando a oposição como se fosse esta que estivesse a governar e deixando sem resposta as questões pertinentes levantadas pelos deputados de vários quadrantes políticos. Pelas evocações feitas e a retórica usada, atrever-me-ia até a alvitrar que não foi apenas o ministro que escreveu o discurso…

E é claro que, aos profissionais da Educação continuamente destratados por este ministro e o Governo a que pertence, nada interessam os bravos que ontem lhes quis dirigir. Preferiríamos decerto, em vez dum cinismo feito de palavras ocas, a honestidade de admitir os problemas, o reconhecimento dos nossos direitos e uma real valorização do nosso trabalho.

(Des)Graça Fonseca

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“Só falo de arte contemporânea. Portanto… muito obrigada e vamos beber o drink de fim de tarde.” Foi desta forma que Graça Fonseca, ministra da Cultura, decidiu responder aos jornalistas quando desafiada a fazer um comentário sobre a iniciativa do grupo informal União Audiovisual, que está a apoiar com bens alimentares entre 150 e 160 trabalhadores do sector por semana.

Há artistas e outros profissionais do sector cultural que estão privados, desde o início da confinamento, de qualquer fonte de rendimento. Nalguns casos a passar fome, o que levou à formação de um grupo de apoio que fornece aos mais necessitados ajuda alimentar.

Nada mais natural que a imprensa questionasse a ministra que tutela o sector se está ciente do problema e o que tenciona fazer a este respeito. Com um governo que arranja dinheiro para pagar falcatruas de milhões em negócios falidos na aviação e na banca, alguma coisa se deveria arranjar para ajudar, até que melhores dias venham, quem comprovadamente precisa.

 Mas a insensível ministra, com aquele ar sobranceiro que tão mal lhe fica – ou que tão bem a define – não disfarçou o incómodo perante a pergunta inoportuna. Então vai uma senhora a uma vernissage de arte contemporânea, e vêm aborrecê-la com conversa de pobres?

Houvesse outra decência na política à portuguesa, e este teria sido o último drink em funções governativas…

Imagem daqui.

Ovos podres?…

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Mais uma inspiração do Antero Valério.

Prestação de contas

Em dois minutos, o ministro da Educação sintetiza, na perspectiva governamental, quatro anos de política educativa.

Mais do que assistir à enumeração dos reais ou pretensos sucessos educativos – o combate ao insucesso, o reforço da educação de adultos, do ensino profissional e do pré-escolar, a aposta na escola pública, a contratação de mais professores e pessoal não docente, a promoção da actividade física e desportiva – é interessante observar a forma mecânica e inexpressiva como o ministro lê um texto que, obviamente, não foi escrito por ele.

Mais do que as palavras, a linguagem corporal é esclarecedora: mostra-nos um homem inseguro, a falar de coisas que não entende nem lhe interessam. Um mau actor a desempenhar, sem qualquer convicção, um papel que lhe foi destinado e para o qual não demonstra ter quaisquer qualidades que o recomendem.

Tiago Brandão Rodrigues demonstra desta forma ter sido um dos mais clamorosos erros de casting deste governo. Contudo, a imagem de alheamento e incompetência que lhe fica indelevelmente associada não parece vir a ser obstáculo a uma promissora carreira política. Tiago fez o seu tirocínio numa das pastas mais difíceis e desgastantes de todos os governos e conseguiu chegar ao fim sem se ver irremediavelmente chamuscado nas polémicas e conflitos do sector. Pelo que deverá, de alguma forma, ser recompensado pelo “sacrifício”…

Não nos representa!

O juiz jubilado Guilherme da Fonseca votou contra os interesses e as pretensões dos professores no diferendo com o ME em torno da definição de serviços mínimos na greve às avaliações a partir de 2 de Julho.

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Admito que possam existir razões de consciência, de formação jurídica, ou outras, que o tenham levado a subscrever uma sentença feita inteiramente à medida das solicitações do Governo, retomando e validando a argumentação falaciosa usada numa anterior nota informativa da DGEstE sem qualquer valor legal.

O que não aceito, e julgo que nenhum professor ou trabalhador português pode aceitar, é que permaneça numa lista de árbitros “representantes dos trabalhadores” alguém que, em vez de defender os seus direitos, prefere apoiar as pretensões do patronato.

As questões da representatividade são fulcrais nas democracias modernas, onde o povo não exerce directamente a maior parte dos seus direitos soberanos, tendo de confiar na escolha e no critério, nem sempre acertado, dos seus representantes. Mas enquanto alguns destes são efectivamente escolhidos pelos cidadãos, que neles se revêem, há outros que nunca se chega a perceber o que estão a fazer em determinados lugares. Como é o caso deste senhor: se não é um de nós, se não o escolhemos, como pode dizer-se nosso representante?

Este árbitro não nos representa!…

Ainda há ministro da Educação?

tiago-b-rodrigues3.jpgNuma altura em que o governo está num braço de ferro com os professores, sendo este o momento mais tenso que se vive na pasta da Educação, o ministro Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar a Moscovo para assistir ao jogo de Portugal, ausentando-se do país.

Esta foi também a razão para que o ministro não tivesse marcado presença no debate quinzenal que hoje decorreu na presença do primeiro-ministro e de todos os restantes membros do governo.

Desta vez, o Ministério da Educação decidiu contrariar a prática habitual e não enviou qualquer comunicado oficial sobre a viagem do ministro a Moscovo.

No entanto, fonte oficial da tutela confirmou ao i a deslocação do ministro a Moscovo, fazendo-se acompanhar da sua assessora. Recorde-se que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tutela o desporto existindo no ministério um secretário de Estado com responsabilidades exclusivas no desporto e na juventude, que não se deslocou à Rússia.

A deslocação do ministro acontece ainda numa altura em que está em curso, desde há duas semanas, o maior protesto de professores desde que este governo tomou posse: a greve às avaliações dos alunos.

Enquanto o ministro vai ver a bola, os secretários de Estado vão suprindo as suas ausências nos debates parlamentares, nas declarações à comunicação social ou nas orientações às escolas e à administração educativa. Mas será esta a solução para manter em funções um ministro manifestamente incompetente para o exercício das funções que lhe foram confiadas?

É evidente que Tiago Brandão Rodrigues, sendo um homem inteligente e muito mais bem sucedido na sua profissão do que está a ser na política, deveria reconhecer o fracasso e fazer a si próprio o favor de se demitir. O facto de se ir aguentando no lugar, escondendo-se sempre que a pressão política aumenta à sua volta, pode significar apenas que terá algo a perder se abandonar agora o governo a que pertence. E sendo esse o caso, ainda pior, pois significa que está apenas a servir os seus interesses e não, como seria suposto, a servir o país.

Quanto ao primeiro-ministro e ao governo, a manutenção em funções de um governante que manifestamente não governa é reveladora da irrelevância que tem, nos dias de hoje, a pasta da Educação. A função primordial deste ministério continua a ser a contenção da despesa pública, sobretudo na vertente dos salários dos professores, e nesse sentido a presença do ministro é dispensável: há muito que Alexandra Leitão gere a administração educativa reportando directamente às Finanças. Em relação à parte pedagógica, esta há muito se tornou uma coutada da ala eduquesa do PS, liderada por João Costa, e do experimentalismo irresponsável que, com a chancela da OCDE, ameaça revirar de alto a baixo, mas nunca para melhor, o nosso sistema educativo.

Moderar o reformismo insensato dos autoproclamados especialistas e dos lobbies instalados no aparelho ministerial, ouvir os professores e outros agentes educativos, tentando entender os seus problemas e necessidades, afirmar uma política com objectivos e prioridades que a tenham em conta, mas não se restrinjam apenas à poupança orçamental: eis o mínimo que se poderia esperar do ministro da Educação num governo assumidamente de esquerda. Pois foi isto tudo que Tiago Brandão Rodrigues se mostrou incapaz de fazer.

Dúvidas éticas

joao-costa.jpgSerei só eu a ver algo estranho na escolha de um governante em funções para presidir a um órgão directivo da OCDE?

Ex-diretor da NOVA FCSH e atual Secretário de Estado da Educação preside agora a um conselho que reúne especialistas de 45 países.

João Costa, diretor da NOVA FCSH entre 2013 e 2015, foi eleito presidente do Conselho de Direção do Teacher and Learning International Survey (TALIS), um dos órgãos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Atualmente a desempenhar funções como Secretário de Estado da Educação no governo português, o docente do departamento de Linguística ocupará o cargo durante três anos. O TALIS é o primeiro inquérito internacional que permite dar voz aos professores e diretores dos estabelecimentos escolares.

Não é que tenha grandes ilusões acerca da isenção ou da independência dos estudos, dos inquéritos e dos conselhos da OCDE aos governos dos vários países.

Também não duvido da competência técnica para o cargo, em face do currículo e da experiência profissional e política do actual secretário de Estado.

Mas quando, na organização e gestão das escolas portuguesas, se levantam impedimentos à possibilidade de um professor pertencer, em simultâneo, ao conselho pedagógico e ao conselho geral, somos tentados a pensar que as incompatibilidades são questões éticas levadas a sério no mundo da Educação.

E a ser assim, algo está mal quando entre os que promovem o estudo e o aconselhamento acerca do que chamam as “políticas públicas” se colocam pessoas que decidem os assuntos sobre os quais deveriam reflectir, estudar e aconselhar.

Não tinham mais ninguém disponível?

Ou será daqueles casos em que, sendo dada oportunidade a um português de ocupar um cargo de relevo numa organização internacional, não se pode criticar?…

Senhora não entra

Só os homens são capazes de avaliar o ano que termina e antever o novo que vem aí?

A avaliar pelas escolhas da Sábado e do Público, parece que sim.

Será que nem a dra. Teodora cumpre os requisitos? …

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E eis que a honra do convento é salva pelo jornal i:

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Ou, como alguém disse num inspirado e oportuno tweet, são dez noivas para dez irmãos…

Duques e cenas tristes

O homem de 80 anos que foi vítima das cheias em Boliqueime, “que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado”. Quem o diz é o novo Ministro da Administração Interna, Calvão da Silva. Ministro, sim, mas esperemos que por pouco tempo.

E os que perderam os bens e não tinham seguro? Calvão esclarece que uma catástrofe como esta “é uma lição de vida para todos nós”. E explica que “um pequeno pé de meia, em vez de o gastar a mais aqui ou além, paga um prémio de seguro”.

Já quanto a decretar calamidade pública, aí vamos com calma, que isso “não é uma lei que se faz por qualquer coisinha”.

É certo que é um governo que está por dias, mas não poderiam evitar estas imbecilidades? Logo a direita, sempre tão emproada a invocar o “sentido de Estado”, não poderia arranjar alguém que, sendo incapaz de ter uma postura à altura das circunstâncias, se fechasse no gabinete e nos poupasse, e a si próprio, a este ridículo?

calvao

Onde é que desencantaram esta… ministra?

thumbs.web.sapo[1]Bombeiros profissionais pedem demissão de Anabela Rodrigues e ameaçam com greve nacional
Faz hoje sete meses que a ministra da Administração Interna tomou posse. Tem sido um reinado cheio de nada.
a senhora ministra Anabela Rodrigues ainda não compreendeu a bem a função de ministro da Administração Interna e é completamente inócua em matéria de protecção civil
A Federação Nacional dos Sindicatos da Polícia (Fenpol) pediu hoje a demissão da ministra da Administração Interna por considerar que o novo projeto de estatuto profissional vem agravar as condições da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Secretário de Estado demite-se por incompatibilidades com Anabela Rodrigues
Anabela Rodrigues, esclareceu esta segunda-feira que não vai nomear um novo secretário de Estado para ocupar o cargo deixado vago por Fernando Alexandre, que pediu a demissão há 15 dias.
A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, recebeu no início de Fevereiro uma carta que avisava o Governo da possibilidade de os helicópteros Kamov não conseguirem actuar na fase mais crítica dos incêndios. (…) O alerta confirmou-se: a apenas um dia de começar a época dos incêndios, apenas um dos seis Kamov está em condições de voar.
PS questiona Anabela Rodrigues sobre acidentes com tratores