Professores sub-30

Seguiram “o sonho” deles, como os professores lhes disseram. Confundidos por estudantes nos corredores das escolas, os professores sub-30 são uma raridade em Portugal. Como é que se estão a adaptar à nova escola?

Joana Cabral está habituada a “ser a única professora jovem numa média de 55 anos”. Cristiana Sousa terminou o mestrado com aulas online e, poucos meses depois, é ela a professora com uma turma num ecrã, aos quadradinhos. Este ano, Joana Pimenta voltou “a ter colegas mais novos”. São professores substitutos de docentes de baixa médica. “Não são as condições ideais, mas os professores mais novos estão a ter oportunidades”, acredita a jovem de 28 anos, de Barcelos.

O elevado número de baixas médicas na profissão docente – consequência directa de uma profissão desgastante e de termos uma das classes docentes mais envelhecidas do mundo – está a abrir aos jovens professores mais oportunidades de acesso à profissão.

Jovens professores recém-formados estão a conseguir colocações temporárias a fazer substituições no ensino público, uma realidade pouco comum há bem pouco tempo atrás. O que é importante, num tempo em que as vocações docentes parecem rarear, pois é a forma de atrair profissionais qualificados e vocacionados para leccionar antes que estes, por falta de perspectivas, enveredem por outras carreiras e áreas profissionais. Como aconteceu, em larga medida, com a geração anterior, a dos que andam agora entre os trinta e os quarenta, é que também rareiam nas escolas.

Ainda assim, os novos professores são colocados a leccionar em condições de extrema precariedade, em horários quase sempre incompletos, que em muitos casos não garantem nem os 30 dias de desconto mensal para a segurança social nem, ao fim do mês, uma remuneração que atinja o salário mínimo nacional. E se por estes dias o ensino à distância os poupa às deslocações para longe de casa, com o regresso do ensino presencial as despesas de muitos aumentarão ao ponto de o trabalho, na profissão que escolheram, deixar de ser financeiramente compensador.

E, no entanto, mesmo com a maioria das escolas fechadas, o trabalho dos professores revela-se essencial. Uns meses de ensino à distância foram suficientes para evidenciar as inúmeras insuficiências da escola não presencial e mesmo do, até há pouco tempo tão enaltecido, ensino doméstico. Os arautos do fim da escola e das aprendizagens automáticas baseadas nas tecnologias educativas, agora desacreditados, terão de aguardar por melhores dias.

Os jovens professores, qualificados e motivados para enfrentar os desafios da profissão, são necessários às escolas e imprescindíveis à renovação geracional e ao futuro da Educação. Mas à medida que se intensificam as saídas de docentes mais antigos, seja por doença ou aposentação, vai-se tornando cada vez mais evidente a falta de condições minimamente atractivas para que os novos professores possam, não apenas experimentar a profissão dos seus sonhos, mas também construir nela a sua carreira profissional.

Leituras: Valter Hugo Mãe – O fascismo dos bons homens

estamos para aqui todos fascistas, com pensamentos de um fascismo indelével a achar que antigamente é que era bom. este é o fascismo remanescente que vem das sauda­des. sabe, acharmos que salazar é que arranjaria isto, que ele é que punha esta juventude toda na ordem, é natural, por­que temos medo destes novos tempos, não são os nossos tempos, e precisamos de nos defendermos, quando dizemos que antigamente é que era bom estamos só a ter saudades, queremos na verdade dizer que antigamente éramos novos, reconhecíamos o mundo como nosso e não tínhamos dores de costas nem reumatismo, é uma saudade de nós próprios, e não exactamente do regime e menos ainda de salazar. eu escutava o meu colega silva e não sabia o que pensar, num momento dizia que éramos comunistas, no outro já éramos fascistas, e eu perguntava, isso faz de nós bons homens, ele regozijava, claro que somos bons homens, ó senhor silva, não somos por natureza inquinados de política nenhuma, temos de tudo um pouco mas, sobretudo, temos saudades, porque somos velhos e quando novos a robustez e a espe­rança curavam-nos de muita coisa, o fascismo dos bons ho­mens. como diz, perguntou o senhor pereira, o fascismo dos bons homens, é o que para aí abunda, já quase não faz mal a ninguém e não é para prejudicar, mas é um sentimento que fica escondido, à boca fechada, porque sabemos que tal­vez não devesse existir, mas existe porque o passado, neste sentido, é mais forte do que nós. quem fomos há-de sempre estar contido em quem somos, por mais que mudemos ou aprendamos coisas novas.

Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)

Pré-reforma para professores em 2021

O Governo está a definir novos critérios para que professores e assistentes técnicos (administrativos) e operacionais (auxiliares) possam aposentar-se aos 55 anos com um corte salarial, mas com garantia da reforma completa na idade legal da aposentação.

A pré-reforma para professores é uma promessa que vem sendo feita há pelo menos dois anos, sem nunca ter sido concretizada pelo Governo. Embora nos Açores ela esteja já a ser implementada, com regras bem definidas e contas certas, que qualquer funcionário da administração regional pode aplicar ao seu caso através deste simulador.

No continente, a pré-reforma tem servido como arma de sedução de um governo que pouca consideração demonstra pela classe docente. É uma necessidade real, face ao envelhecimento que se regista na profissão e ao previsível colapso no sistema de recrutamento se nada se fizer entretanto e, daqui a 5 ou 6 anos, as aposentações se começarem a suceder em catadupa. Contudo, é uma medida que envolve custos elevados, e essa é uma razão de peso a explicar os sucessivos adiamentos: na prática, continuar-se-á a pagar parte do salário a um docente, ao mesmo tempo que se contrata outro para fazer o trabalho do primeiro.

No entanto, este problema poderá estar prestes a ser ultrapassado, graças à engenharia financeira que estará a ser congeminada: integrar as pré-reformas no pacote de medidas da “transição digital”, para o qual estão previstos avultados fundos europeus. A justificação é que se está a renovar os quadros de pessoal docente, permitindo um rejuvenescimento da profissão e a entrada de profissionais com um perfil mais adequado aos desafios do novo mundo digital…

Sem conhecer ainda os critérios que irão pautar o novo regime, sobretudo em relação ao aspecto mais sensível – quanto é que cada um dos pré-reformados irá receber – arrisco-me ainda assim a antecipar que poderá ser vantajoso para professores que já tenham atingido o topo da carreira. Pois mesmo que tenham uma descida significativa do seu rendimento mensal durante a pré-reforma, continuarão a descontar para a reforma como se estivessem no activo, pelo que o valor da pensão de reforma, que é com o que irão contar a partir dos 66 anos, não sofrerá alteração. Os que ainda não chegaram ao topo perderão, com a pré-reforma, a possibilidade de lá chegarem, o que poderá ter algum impacto no cálculo final da pensão.

Ainda o envelhecimento dos professores

O envelhecimento da classe docente não é um tema novo: é uma tendência comum à generalidade dos países europeus e acompanha o envelhecimento geral da população e a redução da população escolar pelo efeito da quebra da natalidade. Em Portugal, o fenómeno foi especialmente acentuado pela imposição de maiores cargas lectivas e não lectivas nos horários dos professores mais velhos e o aumento da idade da reforma.

A conjugação destes factores conduziu, na prática, a uma não renovação geracional da classe docente que se acentuou nos últimos quinze anos. E assim se explica que quase não existam professores no activo com menos de 40 anos…

Esta realidade é há muito conhecida, e encontra-se bem estudada. Quando, daqui a uma meia dúzia de anos, os actuais professores se começarem a aposentar em massa, será um problema sério que entretanto se vai empurrando com a barriga. A evolução etária da classe docente é tema obrigatório dos sucessivos estudos anuais da DGEEC sobre o sistema educativo. Como vemos em diversos gráficos e tabelas da mais recente edição do Perfil Docente.

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Claro que, se quisermos forçar a nota, poderemos ir um pouco mais longe, como faz o Público, e contabilizar apenas os professores dos quadros, excluindo os contratados. Assim obteremos números ainda mais alarmantes:

Professores do quadro com 50 ou mais anos já são mais de 60%

No entanto, o envelhecimento dos professores do quadro tem um significado próprio: traduz o peso que as contratações temporárias e em horários incompletos continuam a ter na política de concursos. Quando temos milhares de professores de 40 e mais anos, com vasta experiência e tempo de serviço, mas sem possibilidades de vincular, esse problema não se resolve com um qualquer elixir da juventude, mas sim criando condições que permitam a estabilidade profissional de docentes que são, e serão cada vez mais, indispensáveis às escolas.

age summit 2019

agesummit2.jpgNum formato moderno, em busca de maior visibilidade para a causa, uma denúncia e uma reivindicação antigas: Portugal tem um corpo docente excessivamente desgastado e envelhecido. E enquanto os mais velhos se arrastam para as salas de aula, porque lhes são impostos cortes incomportáveis se optarem pela saída antecipada, os professores mais jovens não conseguem exercer a profissão.

São necessárias respostas específicas para um problema que urge resolver antes que, dentro de meia dúzia de anos, se inicie um processo de aposentações em massa dos actuais docentes. É que nessa altura não haverá profissionais qualificados em número suficiente para satisfazer as necessidades…

Quanto às reivindicações nesta matéria, elas não são tão irrealistas nem tão dispendiosas como o Governo gosta de fazer crer. Na verdade, se forem feitas contas aos custos que estão a ter as mobilidades por doença e as substituições por baixa prolongada, percebe-se que no caso de muitos professores mais velhos, doentes e desgastados, haveria ganhos efectivos na sua substituição permanente por docentes mais jovens.

Fica o apontamento noticioso sobre a cimeira da idade hoje organizada pela Fenprof…

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São cada vez menos e cada vez mais envelhecidos. Por isso, saíram à rua esta quinta-feira de manhã com as suas idades, tempos de serviço e cortes na pensão ao peito. Os professores uniram-se em frente ao edifício da Presidência do Conselho de Ministros para pedir medidas urgentes por parte do governo, numa ação satírico-reivindicativa à qual chamaram “Age Summit” (Cimeira da Idade).

“Idade: 57 anos. Tempo de serviço: 36 anos. Corte na pensão: 2318€”, lê-se numa das credenciais dos professores, mostrando que a guerra iniciada este ano ainda não acabou. O parlamento aprovou a recuperação integral do tempo dos professores e o governo ameaçou demitir-se. A crise política atada à crise do corpo docente entretanto terminou, mas não ficou resolvida.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof), organizadores do protesto desta quinta-feira, não desistiu da luta. As vozes que se levantaram esta manhã visam “pressionar o governo sobre a questão da aposentação”, explica Vítor Godinho, da Fenprof.

Age Summit 2019

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O que é a AGE SUMMIT?

É uma iniciativa em que qualquer professor que queira apresentar uma ideia, fazer uma proposta, debater uma análise ou defender uma posição sobre a necessária alteração do REGIME DE APOSENTAÇÃO pode fazê-lo. Terá para o efeito (ao jeito da web summit) 2 minutos.

Esta ação satírico-reivindicativa visa recolocar na agenda da pressão sobre o governo a questão da APOSENTAÇÃO.

Participar, por isso, na AGE SUMMIT é mostrar que não desistimos. Temos razão. Provam-no os números recentemente divulgados.

ExpoHorários e Age Summit

wenbsummit.JPGA Fenprof aproveita a onda e adere às novas formas comunicacionais da sociedade dita do conhecimento. Há mais de dez mil alunos sem aulas, e o ME não quer saber. Mas se continuam a ser atribuídos horários ilegais aos professores e o ME alega desconhecimento, porque não divulgá-los publicamente numa grande ExpoHorários? E se o envelhecimento docente se impõe como uma realidade galopante, porque não debatê-lo publicamente numa Age Summit?…

Segundo a Fenprof, existem “milhares de horários ilegais” e por isso no próximo dia 17 irão realizar uma “Exposição Universal de Horários de Professores”: “Será a ExpoHorários!”, revelou Mário Nogueira.

A falta de resposta para os alunos com necessidades especiais educativas foi outro dos problemas apontados por Mário Nogueira, que lembrou que há crianças que ainda não começaram a ir às aulas porque não existem apoios necessários. Exemplo disso são três alunos de uma escola em Évora, contou Mário Nogueira.

O envelhecimento do corpo docente, a existência de escolas onde o amianto ainda não foi retirado ou o processo de municipalização das escolas que a Fenprof teme que venha criar ainda mais assimetrias foram outros dos assuntos debatidos na reunião de secretariado nacional que decorreu nos últimos dois dias.

Para a Fenprof, as dificuldades que há muito são apontadas pelos professores não têm resposta no programa do Governo que “não apresenta medidas de combate a esses problemas”. Mário Nogueira considerou mesmo o programa de “pouco claro”.

O secretário-geral da Fenprof sabe de cor as razões que poderão levar os professores a “inundar novamente as ruas de Lisboa ou a fazer greve”: A defesa da carreira docente, a recuperação do tempo de serviço congelado, as ultrapassagens de professores com menos anos de profissão e a aposentação.

Tendo em conta que a média de idades dos professores nas escolas ronda os 55 anos, a Fenprof decidiu criar o “Age Summit”, que irá acontecer a 5 de dezembro em frente ao Ministério da Educação, onde serão apresentadas “em formato digital” as idades médias dos professores das escolas.

“Nos próximos três a quatro anos, vão reformar-se cerca de 12 mil professores e o problema vai agravar-se“, voltou a alertar Mário Nogueira.

Envelhecimento docente

Num futuro próximo, reunião de professor@s semanal sobre inclusão, cidadania e flexibilidade.

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…pelo traço inconfundível do nosso colega Paulo Serra. Retirado daqui.

“Os professores não se rendem”

20080308-manif-professores5No arranque do ano escolar, a Fenprof destacou duas ideias essenciais que marcam a abertura do novo ano.

O envelhecimento da classe docente e o aumento exponencial das aposentações que se irá registar nos próximos anos irá conduzir, se nada for feito entretanto, à falta de professores qualificados nas escolas portuguesas. Uma verdadeira bomba-relógio que sucessivos governos têm sistematicamente ignorado.

Aparente vencedor do braço de ferro com a classe docente na questão da recuperação do tempo de serviço, António Costa canta de galo e afirma, em entrevista recente, que só negociará com os professores se estes ostentarem a bandeira branca. Uma condição inaceitável para Mário Nogueira, que reafirma a ideia de que os professores não se rendem às imposições do governo. E que as suas bandeiras serão sempre bandeiras de luta…

O secretário-geral da Fenprof afirmou esta segunda-feira que em breve se começará a sentir “uma enorme falta de professores qualificados nas escolas” portuguesas, caso o Governo não tome medidas. “Se o Governo não tomar medidas e se o Governo não resolver [o problema do envelhecimento da profissão docente], vai haver uma rotura tremenda não tarda”, afirmou o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, numa conferência de imprensa na Escola Rainha Santa Isabel, em Coimbra.

O secretário-geral da Fenprof explicou que, após o 25 de Abril de 1974, com a democratização do ensino, houve um aumento exponencial do número de professores a entrar para o sistema público e que agora estão perto da idade de aposentação. Nesse sentido, “o número de aposentados anualmente vai aumentar brutalmente e vai haver uma dificuldade enorme em colmatar as faltas”, vincou. Só este ano, apenas até Junho já se aposentaram “mais professores do que no ano inteiro de 2018”.

Segundo afirma, o Ministério da Educação colocou este ano mais professores para se apresentarem nas escolas no primeiro dia de Setembro do que em 2018 “em todo o 1.º período até 31 de Setembro”. Há grupos de recrutamento que já “não têm ninguém para as reservas de recrutamento”.

[…]

Na conferência de imprensa, a Fenprof também respondeu ao primeiro-ministro, António Costa, que afirmou numa entrevista recente ao Expresso que estaria disponível para negociar com os professores, desde que estes estivessem de “bandeira branca” na mão. “O senhor primeiro-ministro já devia saber que os professores não se rendem”, disse Mário Nogueira.

Segundo Mário Nogueira, os professores estão disponíveis a negociar e a dialogar, mas não irão “içar qualquer bandeira branca”. Enumerou nove bandeiras de luta dos professores para qualquer negociação com o futuro Governo, após as eleições legislativas de 6 de Outubro. Cinco dessas bandeiras estarão presentes num abaixo-assinado que a Fenprof vai pôr a circular nas escolas a partir desta segunda-feira e que será posteriormente entregue ao Governo e ao parlamento que saírem das eleições legislativas, informou.

A encabeçar essas exigências está a recuperação integral do tempo de serviço dos professores que falta contabilizar, seguindo-se a necessidade de um regime específico de aposentação, o combate à precariedade, o fim de “abusos” nos horários de trabalho dos docentes e um regime de concursos justo. Todas as bandeiras vão constar do Caderno Reivindicativo dos Professores e Educadores, documento que deverá ser aprovado na sexta-feira, no Conselho Nacional da Fenprof.

Relatório TALIS 2018 – o estado da Educação segundo os professores

talis-2018.PNG…Tarefas administrativas, como a distribuição de formulários ou a verificação de presenças, e o controlo do comportamento dos alunos ocupam, em média, um quarto da duração total das aulas no ensino básico. Esta proporção coloca Portugal entre os países e economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde se despende menos tempo em actividades de ensino e aprendizagem (73,5%)…

…Ao analisar os dados do TALIS, a OCDE conclui que “quando os professores têm turmas maiores, tendem a gastar menos tempo de aula nas actividades de ensino e aprendizagem”. Os professores portugueses reportam uma média de 22,2 alunos por turma, um valor próximo da média da OCDE…

…A OCDE volta a frisar que os professores portugueses estão entre os mais envelhecidos. Têm, em média, 49 anos — mais cinco do que a idade média dos docentes dos outros países e economias que participam no TALIS.

A organização sublinha ainda que, em 2018, 47% destes profissionais tinham 50 anos ou mais. Algo que se agravou desde 2013 e 2018, quando esta proporção se ficava pelos 28%. “Significa que Portugal vai ter de renovar cerca um em cada dois membros da sua classe docente durante a próxima década”, diz a OCDE…

A burocracia e a indisciplina desgastam os professores, retiram eficácia ao processo de ensino/aprendizagem e têm vindo a aumentar nas escolas portuguesas. Os professores têm falta de formação para lidar com alunos com necessidades especiais – uma meia verdade, pois mais grave ainda é a falta de outros recursos, materiais e humanos, para construir uma escola verdadeiramente inclusiva. Portugal tem uma das classes docentes mais envelhecidas do mundo e é urgente o seu rejuvenescimento.

Tudo isto são realidades há muito conhecidas dos professores e de todos os que se interessam a sério pelos problemas do sistema educativo. Mas parece que certas evidências só são aceites quando nos chegam com a chancela da OCDE. Desta vez, através do inquérito TALIS, um estudo baseado nas respostas de professores e directores escolares dos países participantes. Esta metodologia tem uma vantagem clara: a informação recolhida baseia-se na percepção e na opinião das pessoas que efectivamente trabalham nas escolas, sem interferência do governo ou da administração educativa. Mas  há também uma limitação importante: ao basear-se em percepções individuais e não em dados objectivos, tende a fazer uma representação algo subjectiva da realidade.

Espera-se agora que a divulgação destes dados não sirva apenas para produzir as habituais declarações de circunstância de políticos e “especialistas” do sector. Que os alertas do último relatório da OCDE sirvam para consciencializar os decisores da urgência de enfrentar dois problemas que minam o trabalho escolar: o excesso de burocracia e a indisciplina que continua a ser escondida debaixo do tapete. E, não menos importante, da absoluta necessidade de abrir a profissão docente a novos professores, facilitando o mais possível a saída dos mais idosos e desgastados.

Claro que a entrada, ao longo da próxima década, de cerca de 50 mil novos professores qualificados, requer a criação de condições que tornem a profissão mais atractiva do que é actualmente. O que implica uma actuação a três níveis: na melhoria do sistema de formação de professores, na criação de condições mais favoráveis ao ingresso na docência e, finalmente, numa carreira docente que dignifique a classe e permita atrair e manter no ensino os bons profissionais.

O desafio do futuro é claro. A única dúvida é se teremos decisores à altura, vontade e capacidade para concretizar o que tem de ser feito.