Sexo, mentiras e vídeo

Os ingredientes sensacionalistas estavam lá todos e o engodo era, para muitos, irresistível. Psicóloga em videoconferência deixa o computador ligado no final da sessão. Alunos assistem às intimidades sexuais entre a psicóloga e o professor que a acompanhava. Segue-se a queixa de uma mãe escandalizada, a gravação a servir de prova e o inevitável processo disciplinar, seguido de demissão.

Julgo que foi o Correio da Manhã que deu a notícia em primeira mão, rapidamente replicada na imprensa “séria”, nas redes sociais e na blogosfera docente.

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Passados dois dias, confirma-se que a notícia era falsa. Os esclarecimentos do advogado não deixam pedra sobre pedra relativamente à falsa acusação:

  • O episódio ocorreu antes da videoconferência, numa altura em que a psicóloga, com problemas técnicos no seu equipamento, pediu ajuda a um amigo professor;
  • Ao iniciarem a videoconferência, para verificarem que tudo funcionava, não se aperceberam que alguns alunos já estavam online, a assistir;
  • As alegadas intimidades resumiram-se à despedida dos dois amigos, com um abraço e um beijo na cara;
  • Houve efectivamente uma mãe que, sem nada melhor para fazer, gravou a cena e fez queixa na escola, originando um processo disciplinar que foi arquivado por falta de provas;
  • A psicóloga já não está a trabalhar no agrupamento, não por ter sido despedida, mas por ter entretanto terminado o contrato.

Quando o público é pouco exigente, publicar notícias falsas e sensacionalistas pode aumentar as vendas nas bancas e os cliques no online. Para um jornalismo cada vez mais dependente da publicidade para sobreviver, isto torna-se determinante. Mas escrever mentiras, sem confirmar os factos nem ouvir as partes envolvidas, não deveria nunca ser opção para jornalistas profissionais.

Neoliberalismo calunioso… e corrupto!

Há uma característica especialmente desprezível entre os bernardos da velha direita que agora disfarçam o cheiro a mofo e os preconceitos de classe com as novas roupagens do neoliberalismo. Mas a falta de empatia e o egocentrismo, esses continuam lá, como marca indelével de uma casta que se julga, há demasiado tempo, dona de Portugal.

Vem isto a propósito de um ataque vil mas recorrente que é feito pelos cães de fila direitolas às deputadas do Bloco de Esquerda, as irmãs Mariana e Joana Mortágua, filhas de Camilo Mortágua, um lutador antifascista que esteve envolvido em acções de resistência física à ditadura. As mais conhecidas são o assalto ao paquete Santa Maria e a uma agência do Banco de Portugal.

De acordo com o discurso direitola que se espraia nas redes sociais, as duas deputadas integrariam assim a linhagem de um “ladrão de bancos” e “assassino”, atributos que lhes estariam na massa do sangue que pretensamente as diminuem como pessoas e cidadãs.

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Que isto possa ser dito e pensado por quem se auto-intitula liberal só demonstra duas coisas: o baixo nível desta gentalha e quando o conceito de liberdade e de responsabilidade individual é distorcido e manipulado nos nossos dias. Pois no âmago do pensamento liberal esteve sempre a ideia de que cada ser humano se faz a si mesmo, pelas suas escolhas e realizações ao longo da vida, e não pelos constrangimentos impostos pela família ou o grupo social em que se integra.

No entanto, Deus não dorme, como se dizia antigamente, ou o karma é tramado, como está na moda afirmar nos dias de hoje, e eis que um bernardo provocador é apanhado na teia dos laços familiares comprometedores: o pai foi condenado num processo de corrupção.

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Neste ponto, até a mente mais retorcida consegue subitamente ver as coisas como elas são: é evidente que o Blanco-filho não é responsável pelos eventuais actos ilícitos do Blanco-pai. Ainda que deles até possa ter, indirectamente, beneficiado.

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A grande diferença, e que aqui serve de conclusão à estória, é apenas esta: os bernardos têm vergonha de serem associados a actos condenáveis dos progenitores, mas também não são capazes de se demarcar deles. Repare-se como, na hora do aperto, o pai do bernardo é reduzido à mera condição de “familiar”. Já as manas Mortágua, essas terão certamente orgulho no pai que resistiu à ditadura e arriscou a vida na luta pela liberdade.

Mexer com a dignidade dos professores

alex-parafita.jpgLemos e ouvimos, num tom geralmente provocatório, acusar os professores de serem uma classe privilegiada, que ganha muito e trabalha pouco.

São, claramente, comentários e críticas de quem nada sabe sobre a rotina e o desgaste dos professores. De quem desconhece a práxis estranguladora de um professor que concentra em si um rosário infindável de funções e tarefas, trabalhando de dia e de noite, a lecionar turmas numerosas, a elaborar planos de aula, planos de recuperação de alunos e de registos regulares de evolução, a elaborar materiais pedagógicos, projetos de turma, testes de diagnóstico, informação para encarregados de educação, relatórios de tutorias, de projetos, clubes, aulas de apoio, reuniões e elaboração das respetivas atas com encarregados de educação, conselhos de turma, de diretores de turma, de departamento, conselhos pedagógicos… e por aí adiante.

E que dizer de um professor a ter ainda de gerir a terrível realidade de alunos que levam para a escola toda a espécie de dramas, uns mal nutridos, outros violentos, a Polícia a ser chamada a todo o momento, alunos que agridem a torto e a direito, mães que entram pela escola dentro e esbofeteiam professores…?

A escola é o berço da educação. Ver os professores a terem de vir para a praça pública gritar por dignidade é vergonhoso num país que se quer civilizado.

Por entre o coro de desmerecimentos, críticas e enxovalhos que comentadores com acesso privilegiado às televisões e aos jornais lançam contra os professores, lá se vai encontrando também, embora com alguma dificuldade, quem entenda a dura realidade que é o quotidiano docente. É o caso de Alexandre Parafita, hoje no JN.

Pois uma coisa é a argumentação no plano da falta de dinheiro, da sustentabilidade orçamental, do não dar agora para ter de retirar logo a seguir. Bem diferente é, com motivações de baixa política, orquestrar uma campanha indigna destinada a inferiorizar e denegrir uma classe profissional que é crucial para o desenvolvimento do país. Sem avaliar devidamente as consequências, não só para os visados, mas para o nosso futuro colectivo.

Não deveria ser difícil perceber que, com professores desmotivados e desmoralizados, dificilmente continuaremos na senda do sucesso educativo e da melhoria contínua de resultados dos nossos alunos, que tem sido destacada nos relatórios internacionais.

Nem é com uma carreira pouco ou nada atractiva que se atrairão os melhores profissionais que, num futuro próximo, terão de ser recrutados para a docência, à medida que a actual geração de professores se começar a aposentar em massa.

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: O tiro pela culatra

É fatal como o destino: sempre que a contestação dos professores aumenta de tom e o descontentamento da classe e as suas reivindicações chegam à opinião pública, há uma tentação que se torna irresistível para todos os governos: semear na comunicação social um conjunto de notícias e factos políticos que ajudem a denegrir a imagem pública dos professores. Mas convém não exagerar, ou o feitiço pode voltar-se contra o feiticeiro…

No Fundo: Instabilidade permanente

Com um sistema a funcionar nos mínimos, cumpriu-se o programa tristemente habitual de abertura do ano lectivo: colocações tardias de um número significativo de professores, falta de pessoal auxiliar colmatada com tarefeiros contratados à hora, insuficiência de técnicos e professores de apoio, escolas degradadas ou com obras ainda a decorrer…

 

Colaborações: ComRegras

topo-e-fundo_ComRegrasNo Topo: O melhor dos mundos educativos?…

No regresso desta rubrica semanal do ComRegras, tenho sincera dificuldade em destacar, pela positiva, algum dos acontecimentos desta semana. Dedicada, na generalidade das escolas, à preparação do arranque do novo ano lectivo.

Contudo, se me socorrer do que vai dizendo a propaganda governamental, a tarefa torna-se surpreendentemente fácil…

No Fundo: A campanha contra os professores

Perante a luta dos professores, o Governo PS contra-ataca recorrendo ao que, aparentemente, melhor sabe fazer contra eles: uma campanha de mentiras e calúnias na imprensa, procurando voltar a opinião pública contra a classe docente…

“Professores miseráveis!” E não se pode processá-lo?

emidio-rangel.JPGProvavelmente sim. O que o provocador da direita gira fez, num certo programa televisivo em busca de audiências, foi difamar os professores, ainda por cima com base em argumentos falsos: os resultados dos alunos portugueses não são “miseráveis” nem têm piorado ao longo do tempo. Muito pelo contrário: situam-se actualmente, segundo as últimas avaliações internacionais, na média dos países da OCDE. Ora a difamação é um crime punido por lei.

Como diz o nº 1 do artigo 180º do Código Penal:

Quem, dirigindo-se a terceiro, imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra ou consideração, ou reproduzir uma tal imputação ou juízo, é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 240 dias.

Claro que, nestas coisas, também é verdade que não ofende quem quer. Pessoalmente, insultos vindos de certo tipo de pessoas soam-me a elogios. Mas o facto é que as palavras ofensivas destas tristes figuras não se destinam apenas aos professores. São ditas e insidiosamente amplificadas por uma comunicação social servil aos seus donos com o objectivo claro de tentar virar a opinião pública contra os professores, denegrindo-os e achincalhando-os publicamente. E isso não deveria ficar impune.

A  provocação deste rapazola em busca do seu momento de fama, por conta de uma classe profissional que assumidamente despreza, recordou-me uma crónica publicada a 8 de Março de 2008 no Correio da Manhã. Perante a dimensão avassaladora da manifestação de professores que se realizou, em Lisboa, nesse sábado memorável, um jornalista ressabiado, confesso admirador de Maria de Lurdes Rodrigues e já então uma estrela (de)cadente do universo mediático português, de seu nome Emídio Rangel, destilou ódio e veneno contra os professores.

Coisas do circo – Hooligans em Lisboa

Tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações.

Eles aí estão ‘em estágio’. Faz-me lembrar os hooligans quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente. Como diz um tal Mário Sequeira [sic], em tom de locutor de circo, “à maior, à mais completa, à mais ruidosa manifestação de sempre que o País viu”.

Eu nunca tinha apreciado professores travestidos de operários da Lisnave, como aqueles que cercaram a Assembleia da República, nos anos idos de 1975, com os cabelos desalinhados, as senhoras a fazerem tristes figuras, em nome de nada que seja razoável considerar…

A crónica insultuosa e difamatória de Rangel suscitou na altura grande indignação entre os professores e teve resposta à altura: para além do muito que se disse e escreveu, dois professores e sindicalistas do SPRC demandaram judicialmente, com o apoio do sindicato, o jornalista que, em insensata defesa do socratismo educativo, insultou e ofendeu toda a classe docente.

Emídio Rangel já não está entre nós – faleceu em 2014 – e o objectivo deste post não é bater em mortos, mas apenas demonstrar que a defesa judicial da honra e da dignidade profissional pode ser bem sucedida. Como sucedeu no caso em apreço: Rangel, visivelmente desgastado com o processo e com a possibilidade de uma condenação, acabou por aceitar retractar-se das suas afirmações excessivas e pedir publicamente desculpas a quem o demandou judicialmente e aos professores que se sentiram ofendidos.

E assim, no mesmo jornal onde três anos antes tinha saído a prosa inflamada e provocadora contra os professores, Rangel fazia publicar, discretamente, esta…

EXPLICAÇÃO AOS PROFESSORES

No dia 8 de Março de 2008 publiquei na coluna de opinião deste jornal, um texto que abordou a manifestação nacional dos professores, ocorrida no mesmo dia.

Dois dos professores integrantes da manifestação, Isaura Maria Cardoso dos Reis Madeira e Nelson Alexandre Pereira Delgado, sentiram-se ofendidos com o teor do texto e demandaram-me judicialmente.

As partes puseram termo ao diferendo com as explicações que são aqui prestadas, declarando que não tive qualquer intenção de ofender aqueles integrantes da manifestação, ou quaisquer outros, justificando a forma como me exprimi, quer com o estilo acutilante que costumo usar na minha escrita, quer com a opinião que sempre professei, sobre a necessidade de avaliação dos professores e a forma de reacção à mesma.

Uma vez que os professores se sentiram ofendidos, apresentei-lhes as correspondentes desculpas.

Ass.) Emídio Arnaldo Freitas Rangel

Colaborações: ComRegras

No Topo: A recuperação negociada do tempo de serviço

Já se sabia que o descongelamento de progressões para os professores, durante o ano de 2018, significará apenas o retomar da contagem do tempo de serviço, e não a recuperação do tempo “congelado”. O governo mostrou-se sempre inflexível neste ponto, alegando o pesado impacto orçamental de um regime mais generoso de progressões…

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No Fundo: A campanha difamatória contra os professores

São atitudes lamentáveis, impróprias em qualquer país desenvolvido: a difamação, os insultos, as provocações que se lançam publicamente contra os professores. E não são novidade: tiveram o seu ponto alto no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues, quando o ataque aos professores se tornou uma arma política para os condicionar e, tentando manipular a opinião pública a favor das medidas que então se tomaram contra a classe docente, para os diminuir na sua dignidade, autonomia e estatuto profissional e remuneratório…

Respeito pelos professores, sff.

Respeito.jpgÉ o que se pede, ou melhor, que se exige a quem tem responsabilidades públicas e aos órgãos de comunicação social e respectivos comentadores. De facto, os aparentes sucessos negociais obtidos pelos sindicatos de professores a favor da classe que representam têm despertado, ultimamente, uma vaga de ataques, que não dispensa o recurso ao insulto, à difamação e à calúnia.

Tenho evitado, por aqui, ajudar a amplificar o discurso de baixo nível de alguns comentadores do regime e de certos betinhos bem falantes da direita gira. Quem andou anos a comprar-lhes os jornais ou a achar piada ao seu “sentido de humor” que os ature, que da minha parte há muitos anos deixei de contribuir para esses peditórios.

Nada disto tem a ver, note-se, com o apelo a qualquer tipo de censura. Há argumentos válidos e pertinentes que podem ser usados para rebater as pretensões dos professores, que não são donos únicos da razão. O confronto de opiniões e ideias opostas é próprio da sociedade livre e democrática a que quase todos queremos pertencer. Mas o ponto é esse mesmo: devemos contrapor ideias e argumentos sem recurso à demagogia barata da mentira, do insulto ou da difamação.

Subscrevo assim o apelo da Fenprof e do seu líder, Mário Nogueira, para que cesse a campanha de difamação contra os professores que, além dos ressabiados do costume, conta com o indisfarçável apoio dos partidos de direita e de vários órgãos de comunicação que abrem as suas páginas, microfones e câmaras a todo o tipo de dislates e insultos contra a classe docente. E que ganhou fôlego assim que se percebeu que os professores poderiam ter de alguma forma contrariado o processo de domesticação e proletarização em que se empenharam sucessivos governos nos últimos dez anos.

“É absolutamente inacreditável que na sequência disso aparece um conjunto de gente, comentadores, mas também pessoas com responsabilidade política”, a fazerem acusações que “parece que os professores cometeram um crime qualquer pelo facto de terem considerado importante resolver aspetos que têm a ver com a sua vida profissional”.

O dirigente sindical lamentou que haja pessoas no plano político que querem “aproveitar-se da luta ou dos resultados dos professores para combater o Governo”.

“Nós não aceitamos ser joguetes de disputa política. Portanto, se há quem na oposição não seja capaz de fazer os combates que tem que fazer, que não venha tentar apanhar boleia da luta dos professores porque o carro já está cheio e só com professores”, frisou.

Para Mário Nogueira, esta situação é inaceitável e defendeu que “os professores têm que ser respeitados”.

Sublinhou ainda que têm que se perceber que os professores têm “um trabalho extremamente exigente nas escolas, em condições que poucas vezes são as desejáveis”, e mesmo assim têm “conseguido dar o melhor de si”, sendo que os resultados do seu trabalho têm sido reconhecidos internacionalmente.

“Achamos que compete ao Ministério da Educação, ao Governo, às entidades públicas, aos partidos, Assembleia da República contrariar esta escalada de difamação e de enxovalhamento dos professores, com mentiras absolutamente inacreditáveis”, declarou.

Um director pode tudo?

ajbraganca.JPGNão, não pode. Disse, e muito bem, o tribunal que condenou o director do Agrupamento de Escolas de Felgueiras a pagar uma multa de dois mil euros e 1200 euros de indemnização a uma professora a quem terá chamado, à frente de outras pessoas, “reles” e “desequilibrada”.

O juiz não teve dúvidas, nem papas na língua, na apreciação que fez do caso: o director “agiu com dolo direto e plena consciência da ilicitude. Quis e conseguiu difamar a ofendida. A conduta é mais gravosa por a vítima ser docente e pelo exercício das suas funções”.

O Correio da Manhã revela que o arguido não reconheceu a culpa, preferindo negar os factos, arranjar testemunhas abonatórias às quais o tribunal não reconheceu credibilidade e, tendo sido condenado, recorrer da decisão para o Tribunal da Relação do Porto.

Quem sou eu para me pronunciar em definitivo sobre uma decisão ainda não transitada em julgado, mas o que me parece evidente é que pessoas com este perfil não reúnem condições para estar à frente de qualquer escola. Que exemplo dá este director, já nem digo aos professores e funcionários, mas aos alunos do seu agrupamento?

Fraudes, suspeições e calúnias

Ouçamos antes de mais a gravação: uma estudante não identificada comentou numa rede social o que iria ser avaliado no exame de Português a realizar daí a dois dias. E acertou.

aluna.jpgO áudio é interessante porque os tiques de linguagem permitem desde logo perceber, em termos geográficos e sociais, de onde é que isto vem: classe alta ou média alta na zona da Grande Lisboa. E gente com acesso a explicadores caros, dos que têm, ou alegam ter, conhecimentos privilegiados, e por isso cobrarão mais pelos seus serviços. Aquele Alberto Ca-ae-irú não engana ninguém…

Quanto à mensagem propriamente dita, ela funciona, em termos da sua divulgação pública, a dois níveis.

Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo e só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. E pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória…

O primeiro, e mais evidente, são as suspeitas de fraude que já motivaram a abertura de um inquérito e a participação ao Ministério Público. O segundo é a lama na ventoinha que é lançada sobre os sindicatos de professores e, indirectamente, sobre toda a classe profissional.

Antes de mais, convém esclarecer-se que, tanto quanto nos é dado saber, não haverá dirigentes de topo de sindicatos de professores, sejam “comunas” ou não, envolvidos na elaboração de provas de exame, muito menos com acesso integral às mesmas. Poderá existir, isso sim, envolvimento das associações de professores, mas ao nível de consultoria, não na feitura directa das provas.

De qualquer forma, bastará a cada um de nós dar a sua voltinha pelas redes sociais no dia de hoje e não terá dificuldade em deparar-se com os habituais justiceiros da net tomando suspeitas como verdades e fazendo as habituais generalizações caluniosas, metendo professores e explicadores, sindicalistas e “comunas”, tudo no mesmo saco de gente desonesta.

A bem da verdade, é bom que tudo isto seja devidamente esclarecido nos próximos dias.